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Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

Print version ISSN 1676-2444On-line version ISSN 1678-4774

J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.38 no.2 Rio de Janeiro  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442002000200007 

ARTIGO ORIGINAL
ORIGINAL PAPER

 

Detecção de Mycoplasma genitalium, M. fermentans e M. penetrans em pacientes com sintomas de uretrite e em indivíduos infectados pelo HIV-1 no Brasil

Detection of Mycoplasma genitalium, M. fermentans and M. penetrans in patients with symptoms of urethritis and in HIV-1 infected persons in Brazil

 

Caio Mauricio Mendes de Cordova1
Regina Ayr Flório da Cunha2

Recebido em 03/02/01
Aceito para publicação em 27/11/01

 

 

     unitermos

M. penetrans

M. fermentans

M. genitalium

HIV

Uretrite

PCR

resumo

Neste trabalho investigamos a prevalência de três espécies de micoplasma recém-identificadas como patógenos humanos, M. genitalium, implicado em casos de uretrite não-gonocócica, e M. fermentans e M. penetrans, isolados de pacientes imunodeprimidos, e das duas espécies mais freqüentes no trato geniturinário, M. hominis e U. urealyticum. Foram estudados 110 pacientes com sintomas de uretrite (grupo A) e 106 indivíduos infectados pelo HIV-1 (grupo B). M. genitalium foi detectado em 10,9% das amostras de raspado uretral do grupo A, e em 1,9% das amostras de raspado uretral e 0,9% das amostras de urina do grupo B. M. fermentans foi detectado em 0,9% e 5,7% das amostras de raspado uretral dos grupos A e B, respectivamente. M. penetrans foi detectado em 6,6% das amostras de urina somente do grupo B. M. hominis e U. urealyticum tiveram taxas de infecção de 0,9% e 14,5% no grupo A, e de 7,5% e 18,9% no grupo B, respectivamente. A relevante prevalência da infecção por estas novas espécies, em comparação aos micoplasmas mais conhecidos do trato urogenital, sugere que a magnitude do papel destes microrganismos no âmbito das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da infecção pelo HIV pode estar sendo subestimada em nossa população.

 

abstract

In this work the prevalence of three mycoplasma species recently identified as human pathogens was investigated: M. genitalium, involved in cases of non-gonococcal urethritis, and M. fermentans and M. penetrans, isolated from immunosupressed individuals, and the 2 species more frequently isolated from the urogenital tract: M. hominis and U. urealyticum. Studied groups were composed by 110 patients with symptoms of urethritis (group A) and 106 HIV-1-infected individuals (group B). M. genitalium was detected in 10.9% of the urethral swab samples from the group A, and in 1.9% of the urethral swab samples and 0.9% of the urine samples from the group B. M. fermentans was detected in 0.9% and 5.7% of the urethral swab samples from the groups A and B, respectively. M. penetrans was detected in 6.6% of the urine samples only from the group B. M. hominis and U. urealyticum presented infection rates of 0.9% and 14.5% in the group A, and of 7.5% and 18.9% in the group B, respectively. The relevant prevalence of infection by these new species, as compared to the better known mycoplasmas of the genitourinary tract, suggest that the role of these microorganisms in the field of STD and HIV infection may be underestimated in our population.

     key words

M. penetrans

M. fermentans

M. genitalium

HIV

Urethritis

PCR

 

 

Introdução

Por muitos anos, as espécies de micoplasma reconhecidas como patógenos humanos do trato geniturinário (TGU) estavam restritas a Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum (41), e, no trato respiratório, a M. pneumoniae (4). Os micoplasmas pertencem à classe Mollicutes, que tem como principais características a ausência de parede celular e o genoma reduzido, e são responsáveis por uma série de doenças no homem, em plantas e em animais (33). Nas duas últimas décadas, esta situação começou a mudar, com o isolamento de uma nova espécie, M. genitalium, do trato urogenital de homens com uretrite não-gonocócica (44). M. genitalium foi detectado pela reação em cadeia da polimerase (PCR), mais freqüentemente de amostras uretrais de homens com uretrite não-gonocócica, em comparação com homens sem estes sintomas, sendo os anticorpos anti-M. genitalium mais freqüentemente detectados nos soros de homens com PCR positiva para este micoplasma do que nos soros de homens com PCR negativa (42). O DNA de M. genitalium foi também detectado por PCR em amostras uretrais de homens com doença persistente ou recorrente seguida por um ataque agudo da doença (42, 43). Estes dados subsidiam o papel de M. genitalium como um dos agentes etiológicos da uretrite não-gonocócica.

No final da década de 80, M. fermentans, uma espécie isolada do trato urogenital no início dos anos 50 (34), mas considerada infreqüente neste sítio, foi isolado de lesões de sarcoma de Kaposi de um paciente com síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids) (23, 26), e finalmente classificado como a cepa incognitus de M. fermentans (25, 36). Outros isolados de pacientes infectados pelo HIV se sucederam a partir de células mononucleares do sangue periférico (PBMC) (22) e de amostras de urina (12), o que demonstrou M. fermentans como o primeiro micoplasma invasivo no homem. Estes dados, junto com as observações in vitro de que M. fermentans e outros micoplasmas podem induzir a replicação do HIV (7), levaram pela primeira vez à hipótese de que estes microrganismos podem ter um papel no desenvolvimento da Aids (30). M. fermentans foi detectado também em pacientes com doenças respiratórias severas, algumas vezes fatais, especialmente em indivíduos imunodeprimidos, nos quais pode ainda ser responsável por doenças mais invasivas, como nefropatias (2, 27).

M. penetrans é a espécie de micoplasma mais recentemente identificada infectando o homem, tendo sido também isolado da urina de pacientes com Aids (24, 25). Seu isolamento de indivíduos infectados pelo HIV e sua alta soroprevalência nestes pacientes em comparação a indivíduos HIV-negativos (16, 17, 45, 48, 49), juntamente com suas propriedades in vitro de potente ativador do sistema imune (18, 37) e de estimulador da expressão de genes do HIV LTR-dependentes (31), colocam M. penetrans como o melhor candidato a eventual co-fator do HIV no desenvolvimento da Aids, segundo Montagnier e Blanchard (6, 30). Mais recentemente foi sugerida uma associação entre infecção ativa por M. penetrans e progressão da Aids (17).

O isolamento de novas espécies de micoplasma e o melhor entendimento de espécies já conhecidas e que vêm emergindo provavelmente como agentes oportunistas têm aberto novos horizontes na micoplasmologia humana. Deste modo, foi objetivo do presente trabalho investigar a presença destes novos patógenos, M. genitalium, M. fermentans e M. penetrans, em nossa população e sua freqüência no âmbito da infecção pelo HIV e das doenças sexualmente transmissíveis (DST), mais especificamente das uretrites não-gonocócicas, e de M. hominis e U. urealyticum, micoplasmas já caracterizados como patógenos do trato urogenital.

 

Material e métodos

Pacientes e amostras

Grupo A

Foi constituído por 110 homens adultos com queixa e sintomas de uretrite, com sorologia negativa para o HIV. Pacientes sob antibioticoterapia foram excluídos do estudo. As amostras foram coletadas mediante consentimento pós-informado.

Grupo B

Foi constituído por 106 homens adultos infectados pelo HIV-1, sem sintomas clínicos de uretrite. A determinação dos níveis de células T CD4+ pôde ser obtida de 58 pacientes (54,7%). Seis (10,3%) apresentavam níveis de células T CD4+ abaixo de 50/mm3; 26 (44,8%) apresentavam níveis entre 50 e 250/mm3; 17 (29,3%), entre 250 e 500/mm3; e nove (15,5%), acima de 500/mm3. Pacientes com níveis de células T CD4+ iguais ou abaixo de 250/mm3 estavam recebendo terapia profilática preventiva. As amostras foram coletadas mediante consentimento pós-informado, com projeto aprovado pela Comissão de ética do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Amostras

Para a pesquisa de micoplasmas, amostras de raspado uretral foram colhidas e mantidas em 3ml de meio de transporte A3XB modificado (39) a 4ºC por no máximo duas horas até o processamento. Amostras de primeiro jato urinário (cerca de 10ml) foram concentradas dez vezes por centrifugação e mantidas em 3ml de meio de transporte.

Para os pacientes do grupo A, a pesquisa de Chlamydia trachomatis foi realizada a partir de amostras de raspado uretral, utilizando-se o kit ChlamydiaZyme (Abbott Diagnostics, Abbottville, EUA), de acordo com as instruções do fabricante. A pesquisa de Trichomonas vaginalis foi realizada por exame microscópico direto, a partir de amostras de primeiro jato urinário, e a cultura bacteriana foi realizada a partir de amostras de secreção uretral, de acordo com os procedimentos tradicionais de rotina.

Cultura de micoplasmas

De cada amostra, 0,1ml foi inoculado em meio sólido A7, e 0,5ml em tubos contendo 2ml de meio líquido U10, arginina, ou SP-4 (40). A partir destes tubos ainda foram feitas duas diluições seriadas de razão 10, resultando em cultura das amostras diluídas 1:5, 1:50 e 1:500, para evitar a interferência de inibidores de crescimento, como antibióticos, anticorpos e mesmo outras bactérias, que possam eventualmente estar presentes na amostra. A omissão desta diluição é uma das razões pelas quais alguns laboratórios têm dificuldade no isolamento dos micoplasmas, pois freqüentemente a amostra não-diluída é negativa, enquanto as diluições seguintes apresentam crescimento (47). As culturas foram incubadas a 37ºC, com 2% a 3% de CO2, por até duas semanas, com exceção das amostras inoculadas em meio SP-4, que foram incubadas em aerobiose por até quatro semanas. Na tentativa de isolamento de M. fermentans, tubos com meio SP–4 foram incubados em anaerobiose, utilizando-se o GasPackâ System com gerador de anaerobiose AnaeroGenÔ (Oxoid Ltd., Basingstoke, Hamshire, Inglaterra).

Quantificação dos isolados

A quantificação de M. hominis e U. urealyticum nas amostras de raspado uretral foi feita pela técnica de microtitulação, uma vez que esta metodologia está bem padronizada para este tipo de material (40). Em uma placa estéril de 96 cavidades, foram inoculados 30ml da amostra clínica em 270ml de meio de cultura, quer seja U10 para U. urealyticum ou arginina para M. hominis. Diluições seriadas de razão 10 foram feitas a partir da primeira cavidade. A maior diluição que apresentou mudança da cor do indicador de pH presente no meio de cultura representou o número de microrganismos na amostra, expresso em CCU (color changing units) por mililitro. São considerados significativos valores acima de 103CCU/ml para M. hominis, e acima de 104CCU/ml para U. urealyticum (47).

Detecção de micoplasmas por PCR

Preparação das amostras

As amostras foram tratadas de acordo com o procedimento descrito por Barbeyrac et al. (3). Um mililitro de cada amostra foi centrifugado a 13.000x g, ressuspenso em 0,5ml de tampão de lise (Tris-HCl 10mM, EDTA 1mM, Triton X-100 0,1%, proteinase K 200mg/ml, pH 8,0), incubado a 56ºC por 60min, e, em seguida, a 100ºC por 10min. As amostras foram extraídas uma vez com fenol e uma vez com fenol/clorofórmio/álcool isoamílico (25:24:1). O DNA foi precipitado com etanol e ressuspenso em 100ml de tampão TE (Tris-HCl 10mM, EDTA 1mM, pH 8,0).

PCR

Cada amostra foi inicialmente testada com um par de primers genérico para a classe Mollicutes: MGSO (5'-tgcaccatctgtcactctgttaacctc-3') e GPO1 (5'-actcctacgggaggcagccgta -3'), que amplificam um fragmento de 716bp (46). Uma alíquota de 10ml da amostra foi amplificada em 50ml de reação contendo 5ml de Taq Reaction Buffer (Pharmacia Biotech, Uppsala, Suécia), 200mM de solução de dNTPs (Gibco BRL, Gaithersburg, MD, EUA), 30 pmoles de cada primer, e 1U de Taq DNA Polymerase (Pharmacia Biotech). A amplificação foi feita com uma denaturação inicial a 95ºC por 15min, seguida de 30 ciclos com denaturação a 95ºC por 30s, anelamento dos primers a 58ºC por 1min e 30s, extensão a 72ºC por 1min e 30s, e uma etapa final de extensão a 72ºC por 10min. Como controle interno de reação foi utilizado o plasmídeo pBr322, cuja amplificação de um fragmento de 965bp foi realizada utilizando-se os primers pBr1 (5'-catctcgggcagcgttgggt-3') e pBr2 (5'-agcgacgcgagtcagtgagc-3'). Os produtos de PCR foram detectados por eletroforese em gel de agarose a 1% com brometo de etídeo e visualizados sob luz UV.

Todos os pacientes que tiveram alguma amostra positiva com os primers genéricos foram também testados com primers específicos para M. penetrans: MYCPENETP (5'- catgcaagtcggacgaagca-3') e MYCPENETN (5'-agcatttcctcttcttacaa-3'), que amplificam um fragmento de 410bp (15); M. fermentans: Fer+ (5'-aagaagcgtttcttcgctgg-3') e Uni-(5'-taatcctgtttgctccccac-3'), que amplificam um fragmento de 588bp (14); e M. genitalium: Mge1 (5'-gaatgactctagcaggcaatggctg-3') e Mge2 (5'-atttgccttttacaagttggct-3'), que amplificam um fragmento de 809bp (38), nas mesmas condições descritas acima. Como controles positivos foram utilizadas a cepa GTU-546A1 de M. penetrans, a cepa ATCC 33530 de M. genitalium e a cepa ATCC 19989 de M. fermentans.

Análise estatística

Os dados obtidos foram analisados pelo teste exato de Fisher.

 

Resultados

Infecção por micoplasmas nos pacientes com sintomas de uretrite

No grupo de pacientes com sintomas de uretrite (grupo A), o isolamento de U. urealyticum por cultura foi obtido de amostras de 16 dentre os 110 pacientes (14,5%). Destes isolados, 8,2% (9/110) estavam em concentrações ³104CCU/ml e 6,3% (7/110) estavam em concentrações <104CCU/ml. M. hominis foi isolado de 0,9% (1/110) das amostras dos pacientes deste grupo, em concentração ³103CCU/ml. Não houve diferença na taxa de isolamento de micoplasmas quanto ao tipo de amostra utilizado, quer seja raspado uretral, quer seja primeiro jato urinário.

A detecção de micoplasmas por PCR com o uso de um par de primers genéricos teve uma positividade de 20,9% (23/110) nas amostras de raspado uretral. Utilizando-se as amostras de urina, não foi observada reação positiva. Em todas as amostras testadas foi observada a reação positiva com o controle interno (plasmídeo pBr322), indicando a ausência de inibidores de amplificação. A negatividade da PCR nas amostras de urina com os primers genéricos, mesmo naquelas que tiveram cultura positiva, provavelmente deve-se a uma questão de sensibilidade. Considerando que os micoplasmas são microrganismos que colonizam o trato geniturinário aderidos às células epiteliais, sua detecção por esta reação pode ser negativa em amostras de primeiro jato de urina. Entretanto isto pode não ocorrer nas amostras de raspado uretral obtidas do mesmo paciente, cuja coleta produz uma quantidade maior de material celular. Por outro lado, reações com primers específicos para uma determinada espécie de micoplasma não apresentam este problema, por terem uma sensibilidade adequada. De fato, com o uso de primers específicos para as espécies pesquisadas, M. genitalium foi detectado em 10,9% (12/110) das amostras de urina dos pacientes deste grupo que apresentaram PCR positiva com os primers genéricos. Excluindo-se os pacientes com resultado positivo para N. gonorrhoeae e C. trachomatis, M. genitalium foi responsável por 18,9% (10/53) dos casos de uretrite. Entre os pacientes com PCR positiva para M. genitalium, 16,6% (2/12) apresentaram também resultado positivo para C. trachomatis pelo teste Elisa. No total, C. trachomatis foi detectado em 27,3% (30/110) das amostras; Neisseria gonorrhoeae, em 5,5% (6/110); Staphylococcus spp., em 11,8% (13/110); Streptococcus spp., em 6,4% (7/110); Escherichia coli, em 1,8% (2/110); Klebsiella pneumoniae, em 0,9% (1/110); Enterococcus spp., em 1,8% (2/110); e Trichomonas spp., em 0,9% (1/110) das amostras. M. fermentans foi também detectado por PCR com primers específicos em 0,9% (1/110) das amostras de raspado uretral (Figura 1). M. penetrans não foi detectado em amostras deste grupo.

 

 

Detecção de micoplasmas nos indivíduos infectados pelo HIV-1

No grupo de pacientes infectados pelo HIV-1 (grupo B), U. urealyticum foi isolado de 18,9% (20/106) das amostras, sendo 16,1% (17/106) em concentrações ³104CCU/ml e 2,8% (3/106) em concentrações <104CCU/ml. M. hominis foi isolado de 7,5% (8/106) das amostras, sendo 4,7% (5/106) em concentrações ³103CCU/ml, e 2,8% (3/106) em concentrações <103CCU/ml. Assim como no grupo A, não houve diferença nas taxas de isolamento com relação ao tipo de amostra utilizado, seja raspado uretral ou primeiro jato urinário. Quanto à relação entre as taxas de infecção por U. urealyticum nos grupos A e B, a diferença observada não é significativa (p = 0,37). Por outro lado, considerando a taxa total de infecção por M. hominis observada no grupo B (7,5%), esta é significativamente maior que a encontrada grupo A (0,9%) (p = 0,02).

Através da PCR com o uso de primers genéricos, a detecção de micoplasmas foi positiva em 18,9% (20/106) das amostras de urina e em 38,7% (41/106) das amostras de raspado uretral dos pacientes deste grupo. Utilizando primers específicos, M. genitalium foi detectado em 0,9% (1/106) das amostras de urina e em 1,9% (2/106) das amostras de raspado uretral, sendo estas taxas significativamente menores que as encontradas no grupo A (p = 0,01). M. fermentans foi detectado em 5,7% (6/106) das amostras de raspado uretral neste grupo. Esta taxa é aparentemente maior que a encontrada no grupo A, apesar de não ser estatisticamente significativa (p = 0,06). M. penetrans foi detectado em 6,6% (7/106) das amostras de urina deste grupo, taxa esta significativamente maior que a encontrada no grupo A (p = 0,006). A positividade da detecção das diferentes espécies de micoplasma nos dois grupos estudados está resumida na Figura 2.

 

 

Discussão

A prevalência da infecção por micoplasmas em diversos grupos populacionais vem sendo até hoje objeto de estudo de vários grupos de pesquisadores. Atualmente, o papel de M. hominis e U. urealyticum nas vaginoses bacterianas, e principalmente deste último nas uretrites não-gonocócicas em homens, está bem reconhecido. Entretanto a observação da correlação entre a prevalência dos 14 sorotipos de U. urealyticum com diferentes manifestações clínicas e seqüelas de infecção (1), a verificação da diferença de virulência entre estes sorotipos (10), a sugestão da divisão destes sorotipos em duas espécies distintas (U. urealyticum e U. parvum) (21), os casos de infecções extragenitais por estes microrganismos, principalmente em indivíduos imunodeprimidos (28), os crescentes relatos de detecção de resistência dos micoplasmas aos antibacterianos (5, 9), e inclusive a descoberta de novas espécies infectando o homem, como M. genitalium, M. fermentans e M. penetrans, vêm continuamente lançando novos desafios na tentativa de estabelecermos a exata participação destes microrganismos na patogenia das doenças humanas. Neste trabalho, pudemos demonstrar uma prevalência importante de micoplasmas urogenitais em dois grupos de pacientes: indivíduos infectados pelo HIV-1 e pacientes com sintomas de uretrite. A detecção das três espécies emergentes de micoplasma merece destaque pelas relevantes taxas de infecção encontradas, em comparação com U. urealyticum e M. hominis. Além disso, sua distribuição entre os dois grupos de pacientes mostrou-se diferente.

A detecção de M. penetrans em amostras de indivíduos infectados pelo HIV é mais um indício de sua associação com a doença retroviral. Apesar de sua participação no desenvolvimento da imunodepressão ainda não estar comprovada de maneira definitiva, o fato de esta espécie ser detectada em nossa população, confirmando estudos anteriores (11, 13), vem proporcionar bases para que se possam realizar estudos mais aprofundados sobre seu papel na infecção pelo HIV. O fato de M. penetrans ter sido detectado por PCR somente em amostras de urina destes pacientes pode indicar um sítio preferencial de infecção pelo micoplasma, sugerindo que talvez esta espécie habite o trato urinário superior. Entretanto estas observações necessitam de maiores investigações, uma vez que outros autores puderam detectar M. penetrans também em amostras de raspado uretral (11). Além de sua possível implicação na infecção pelo HIV, M. penetrans pode estar também associado a outros tipos de doença, como a síndrome antifosfolipídica primária, cuja etiologia ainda não está bem estabelecida (50). A confirmação da presença, em nossa população, desta espécie de micoplasma recentemente descoberta pode abrir novas perspectivas para a investigação de seu envolvimento nas doenças humanas.

Por outro lado, o papel de M. fermentans na infecção pelo HIV como co-fator na imunossupressão ainda é incerto, por haver relatos conflitantes sobre sua prevalência em indivíduos infectados pelo HIV-1 e indivíduos HIV-negativos (20). Entretanto a possibilidade de M. fermentans causar acometimentos mais graves, como doenças respiratórias (27) e nefropatias (2), nestes indivíduos merece destaque. Apesar de não ser estatisticamente significativo, pelo baixo número de casos positivos encontrados, em nossa população a taxa de infecção por M. fermentans foi maior no grupo de pacientes infectados pelo HIV (grupo B) do que no grupo de pacientes com sintomas de uretrite, sorologicamente HIV-negativos (grupo A). A falta de conhecimento e de recursos laboratoriais na maioria dos serviços para detectar estas infecções não-usuais causadas por micoplasmas provavelmente está dificultando a avaliação de sua real ocorrência.

A prevalência de M. genitalium encontrada no grupo de pacientes com sintomas de uretrite por nós estudado foi menor que a relatada previamente por outros autores (43), mas corrobora as evidências de seu potencial em causar uretrite no homem. O fato de, assim como M. fermentans, M. genitalium ter sido detectado por PCR somente nas amostras de raspado uretral do grupo A pode indicar também um provável problema de sensibilidade da reação, uma vez que as amostras de raspado foram coletadas antes das amostras de primeiro jato urinário. Nossos resultados indicam que a sensibilidade da PCR com o uso dos primers genéricos inviabiliza sua utilização como triagem das amostras, pois, como observamos, vários pacientes podem ter uma PCR positiva com primers específicos, enquanto a PCR com os primers genéricos é negativa. Os relatos de envolvimento de M. genitalium na etiologia de uretrites não-gonocócicas são inúmeros. Infelizmente, no Brasil, estes dados são praticamente desconhecidos para a grande maioria dos clínicos, e o fato de sua infecção somente poder ser detectada por técnicas de biologia molecular dificulta ainda mais a sua implantação na rotina. Além da uretrite no homem, existe ainda a possibilidade de M. genitalium causar salpingite, por ter sido detectado por PCR no trato genital inferior de 7% a 20% das mulheres em consulta numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis (43). Seu envolvimento no trato urogenital superior foi sugerido com base no fato de, in vitro, M. genitalium ter demonstrado capacidade de aderir a células epiteliais das trompas de Falópio, e também ter sido observado um aumento de quatro vezes ou mais no título de anticorpos anti-M. genitalium em um terço de mulheres com doença pélvica inflamatória, por imunofluorescência (29). Estes dados sugerem que, para ser estabelecida tal associação, são necessários maiores estudos. Por outro lado, o simples fato da existência deste tipo de infecção pode ser um fator predisponente para a infecção pelo HIV (32).

O insucesso no isolamento por cultura destas três novas espécies de micoplasma confirma a mesma dificuldade encontrada por vários grupos de pesquisadores. Segundo Jensen et al. (19), somente utilizando uma passagem intermediária com inoculação em cultura de células de amostras positivas por PCR é possível isolar mais facilmente M. genitalium a partir de amostras de pacientes com uretrite, contudo esta metodologia é bastante trabalhosa e inviável para aplicação na rotina diagnóstica.

Portanto, concluindo, a detecção das espécies M. penetrans, M. fermentans e M. genitalium, os chamados micoplasmas emergentes, em taxas relevantes em nossa população abre novas perspectivas para o estudo, no Brasil, do envolvimento destes microrganismos nas doenças humanas. Acreditamos que tanto o papel de M. genitalium nas uretrites não-gonocócicas quanto a infecção por M. penetrans e M. fermentans em indivíduos imunodeprimidos devem ser mais bem considerados. Mesmo a maior taxa de infecção por M. hominis no grupo de pacientes infectados pelo HIV pode revelar a possibilidade de esta espécie estar causando infecções mais importantes e mais graves nestes pacientes, conforme discutido previamente (8). Somente a ampliação do conhecimento sobre os tipos de infecção causados pelos micoplasmas e a capacitação dos laboratórios clínicos para a sua detecção são capazes de ajudar a confirmar a associação destes microrganismos com estas manifestações pouco usuais, que podem estar ocorrendo em nosso meio com uma freqüência maior do que se imagina. Ao final, a introdução do diagnóstico de todas as espécies de micoplasma poderá resultar em uma melhora na qualidade de vida destes pacientes.

 

Referências

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Endereço para correspondência

Regina A.F. da Cunha
Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas
Laboratório de Imunologia Clínica – FCF/USP
Av. Prof. Lineu Prestes 580/bloco 17 – Butantã
CEP 05508-000 – São Paulo-SP
e-mail: reca@usp.br 

 

 

1. Mestre e doutorando em Análises Clínicas pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo; especialista em Laboratório Clínico Hospitalar.
2
. Professora doutora da FCF/USP, Departamento de Análises Clínicas.
Auxílio financeiro: Fapesp e bolsa Capes.
Trabalho apresentado no XX World Congress of Pathology/Laboratory Medicine, XXXIII Brazilian, IV Mercosul and III Brazilian Congress of Laboratory Management, São Paulo-SP de 17 a 21 de setembro de 1999.

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