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Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

Print version ISSN 1676-2444

J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.42 no.5 Rio de Janeiro Oct. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442006000500001 

NOSSA CAPA

 

 

 

Com poucas exceções, as universidades do século XVII eram áridos desertos de doutrina galênica. Os médicos emergiam com um diploma e a cabeça cheia de teorias antiquadas, a maioria deles nunca tinha visto um paciente.

Confrontado com a doença, o profissional típico do século XVII confiava numa atitude pomposa e num latim truncado para impressionar o paciente, na purgação violenta (especialmente por enemas) e numa venissecção radical. O médico da moda era geralmente um janota usando o chapéu profissional quadrado sobre uma enorme peruca, com os saltos vermelhos dos sapatos aparecendo sob suas túnicas compridas.

Os honorários médicos eram de meio guinéu (moeda de ouro inglesa usada em relação a salários profissionais), valendo cerca de oito vezes mais do que hoje, em torno de 12 dólares. Um professor de medicina em Cambridge, em 1626, recebia 40 libras por ano; um médico popular recebia em média 2.560 libras. Os postos mais bem remunerados eram os da corte, onde um médico freqüentemente recebia honorários enormes pela cura de um príncipe ou de um nobre rico.

Durante esse período, clínicos gerais eram ocasionalmente admitidos em partos, anteriormente monopolizados pelas parteiras. Uma importante inovação foi a invenção, em 1647, por um membro da família Chamberlen, de um fórceps obstétrico curvo e fenestrado, um segredo ciumentamente guardado. Um célebre obstetra dessa época foi François Mauriceau (1637-1709), cujo tratado sobre o assunto foi um clássico por muitos anos. O partejamento feito por homens na França ampliou-se consideravelmente quando uma das amantes de Luis XIV foi assistida, em seu parto, por um médico homem.

Durante este século foram assentadas as bases da medicina na América, primeiramente na Virgínia, que atraiu competentes médicos europeus, e mais tarde na Nova Inglaterra. Uma característica distinta da medicina americana era que o médico aprendiz não tinha sua cabeça cheia de teorias e aprendia medicina assistindo seu professor à cabeceira dos doentes. Além disso, nas difíceis condições da vida colonial, os ásperos antagonismos entre médicos e cirurgiões não tinham condições para florescer. Os honorários médicos foram, durante vários anos, pagos freqüentemente em milho, fumo ou contas de conchas.