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Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

Print version ISSN 1676-2444

J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.43 no.2 Rio de Janeiro Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442007000200005 

ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL PAPER

 

Estudo do perfil lipídico em crianças e jovens do ambulatório pediátrico do Hospital Universitário Antônio Pedro associado ao risco de dislipidemias

 

Lipid profiles associated with dyslipidemic risk in children and teenagers from the pediatric clinic of the University Hospital Antônio Pedro

 

 

Rafael de Assis da SilvaI; Salim KanaanII; Licínio Esmeraldo da SilvaIII; Regina Helena Saramago PeraltaII

IAcadêmico de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF)
IIProfessor-adjunto III da UFF
IIIProfessor-adjunto IV do Departamento de Estatística da UFF

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O processo de formação da placa aterosclerótica inicia-se na infância e progride lentamente até a vida adulta, quando ocorrerão as manifestações clínicas da doença. O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo da concentração plasmática de colesterol total (CT), colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), triglicéride (TG) e colesterol da lipoproteína de alta densidade (HDL-C) numa população na faixa etária de 2 a 19 anos, de ambos os sexos, atendida no ambulatório do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). Os dados dos prontuários foram obtidos entre dezembro/2004 e janeiro/2006 e as concentrações plasmáticas foram correlacionadas com os fatores de risco para dislipidemia. As dosagens foram feitas no Laboratório de Bioquímica Clínica do HUAP. Os níveis plasmáticos do CT, LDL-C, TG e HDL-c foram maiores no sexo feminino do que no masculino e este fato é compatível com a literatura. A média dos valores de TG, CT, LDL-C e HDL-C observada na população estudada mostrou-se elevada para esses parâmetros, principalmente em pacientes que apresentam doenças, como síndrome nefrótica, lúpus eritematoso sistêmico (LES) e diabetes mellitus (DM). Este trabalho reforça a tese da necessidade de utilização, no Brasil, de estudos sobre os intervalos de valores de referência do perfil lipídico nesta faixa etária e também sobre o perfil dos níveis desses lípides na população considerada sadia.

Unitermos: Perfil lipídico; Dislipidemia; Aterosclerose; Hipercolesterolemia


ABSTRACT

Atherosclerotic plaques form early in childhood and progress slowly until adult life, when clinical manifestations show. The goal of this study was to analyze the concentrations in plasma of total cholesterol, LDL-cholesterol (LDL-C), triglycerides (TG) and HDL-cholesterol (HDL-C) in a group of children of both sexes and up to 19 years of age, who are attending at the University Hospital Antônio Pedro (HUAP). Patient admission sheets between December 2004 and January 2006 were analyzed for dyslipidemic risk factors, and correlated with the respective lipid plasma concentrations, determined at the Laboratory of Clinical Chemistry (HUAP). The plasma levels of total cholesterol, LDL-C, TG and HDL-C in female patients were higher than in male patients, suggesting the influence of sexual maturation as described in the literature. The mean concentrations of total cholesterol, LDL-C, TG and HDL-C were elevated in the investigated group, mainly in patients presenting with other pathologies, such as nephrotic syndromes, diabetes mellitus and systemic lupus erythematosus. Our results suggest that, in Brazil, the reference value interval of lipoprotein levels should be investigated more thoroughly in this age group, as well as in children who are considered healthy.

Key words: Lipid plasma levels; Dyslipidemia; Atherosclerosis; Hypercholesterolemia


 

 

INTRODUÇÃO

A principal implicação patológica das dislipidemias são a aterosclerose e a doença arterial coronariana (DAC), a qual constitui, atualmente, uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos(11). Vários trabalhos têm demonstrado que um dos principais fatores de risco para a DAC é a hipercolesterolemia, uma vez que, aproximadamente, 96% do material lipídico do ateroma correspondem a colesterol(25). Muitas evidências sugerem que o processo de formação da placa aterosclerótica inicia-se na infância e progride lentamente até a vida adulta, quando ocorrerão as manifestações clínicas da doença, verificando-se um longo período assintomático(1, 4, 6, 14). Têm sido descritas associações positivas entre espessamento médio-intimal, alterações da distensibilidade e tonometria de artérias em crianças com dislipidemia, além de evidências de ativação plaquetária (como elevações séricas da molécula de adesão intercelular [ICAM] e da molécula de adesão das células vasculares [VCAM]), assim como elevações de proteína C-reativa (PCR)(4). Publicações recentes realizadas em cidades das regiões Sudeste e Sul do Brasil alertam para a gravidade das dislipidemias infanto-juvenis(10, 16, 20, 22).

As dislipidemias podem ser classificadas em primárias, as de origem genética, ou secundárias, as causadas por outras doenças ou uso de medicamentos. A identificação de uma possível causa secundária da dislipidemia vem se tornando mais comum pela maior experiência acumulada na investigação etiológica das alterações lipídicas(24). Basicamente, encontram-se três grupos de etiologias secundárias: a) dislipidemias secundárias a doenças: entre as principais doenças que cursam com dislipidemia na infância destacam-se obesidade, hipotireoidismo, hipopituitarismo, diabetes mellitus (DM), síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, atresia biliar congênita, doenças de armazenamento, lúpus eritematoso sistêmico (LES), colestases crônicas, transplantes de órgãos sólidos, síndrome de Prader Willi, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e deficiência de hormônio do crescimento (GH) como seqüela de câncer na infância(4, 24); b) dislipidemias secundárias a medicamentos: drogas como corticosteróides, isotretinoína, utilizada para a acne grave, inibidores de protease, anti-hipertensivos (tiazidas, clortalidona, espironolactona, betabloqueadores) e ácido valpróico se associam a dislipidemias(4, 24); c) dislipidemias secundárias a hábitos de vida inadequados: dieta, tabagismo, etilismo e sedentarismo(4, 24).

As III Diretrizes Brasileiras Sobre Dislipidemias (III DBSD)(24) recomenda rastreamento seletivo do perfil lipídico em crianças e jovens de até 19 anos, incluindo cuidados com coleta de material e controle de qualidade, confirmação de resultados limítrofes ou alterados e tratamentos. De forma geral, os autores nacionais utilizam valores de referência procedentes de outros países, principalmente os de origem norte-americana. As III DBSD(24) também adotam idêntico recurso, recomendando valores transcritos do National Cholesterol Education Program (NCEP), adotado nos EUA a partir de 1992. Essa prática pode induzir a erros, pois desconsidera diferenças étnicas, socioeconômicas, hábitos alimentares e a constituição física da população brasileira. Em relação a essa última, deve-se ponderar que as elevadas prevalências de sobrepeso e de obesidade em crianças e jovens dos EUA podem exercer influências consideráveis, pois a associação das dislipidemias com a obesidade está bem estabelecida na literatura(5).

 

Objetivos

Este trabalho tem como objetivo avaliar os perfis lipídicos de crianças e jovens de ambos os sexos, de 2 até 19 anos de idade, da população atendida no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) e correlacionar os valores séricos das lipoproteínas com os fatores de risco para dislipidemias e com as doenças de base apresentadas.

 

Materiais e métodos

A amostra de 787 pacientes constituiu-se de 417 (53%) pacientes femininos e 370 (47%) masculinos.

 

Amostragem

Foram avaliados os resultados de exames de 787 crianças e jovens de ambos os sexos, com idade variando de 2 a 19 anos, pacientes do Ambulatório de Pediatria do HUAP da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Os exames foram realizados pelo Laboratório de Bioquímica Clínica do HUAP no período de dezembro de 2004 a janeiro de 2006. Os resultados dos exames constituem parte do acervo médico do Setor de Patologia Clínica do HUAP e foram avaliados pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da UFF.

O perfil lipídico em estudo considerou o colesterol total (CT), o colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), o colesterol da lipoproteína de alta densidade (HDL-C) e os triglicérides (TG), cujos níveis foram determinados, como é de rotina, por fotometria de absorção com método enzimático. A determinação do LDL-C foi feita por cálculo que se utiliza na fórmula de Friedewald.

Para a comparação dos valores de referência da III DBSD(24), cujos valores encontram-se na Tabela 1, a amostra foi estratificada em dois grupos de pacientes: o dos com idade de 2 a 9 anos (234) e o daqueles com 10 a 19 anos (553).

Foi realizada, no arquivo médico do HUAP, consulta aos prontuários de todos os pacientes com vistas à identificação dos fatores de risco das dislipidemias.

O presente estudo teve seu projeto submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Médica (CEP) do HUAP por meio do Processo CEP/CMM/HUAP nº 075/05.

 

Métodos estatísticos

A análise estatística dos dados referentes aos níveis dos lípides foi realizada descritivamente por meio dos parâmetros média e desvio padrão e avaliados quanto à satisfação de critérios de normalidade através do teste de Kolmogorov-Smirnov. O teste de Krukal-Wallis comparou mais de dois grupos de dados na avaliação das diferenças dos níveis lipídicos segundo as manifestações clínicas. O teste de Mann-Whitney comparou dois grupos de dados para avaliar diferenças dos níveis lipídicos entre os grupos de idade e entre dois tipos de manifestação clínica. As comparações de proporções foram realizadas por meio do teste binomial. Todas as decisões dos testes estatísticos foram tomadas ao nível de significância de 0,05. Utilizaram-se recursos computacionais dos programas Excel 2000 e SPSS versão 10 para os cálculos estatísticos.

 

Resultados

A Tabela 2 apresenta os valores médios e dos desvios padrão de CT, LDL-C, HDL-C e de TG segundo o sexo e a faixa etária. Os valores de LDL-C e TG de meninas na faixa etária de 2 a 9 anos foram superiores aos de meninos na mesma faixa etária (teste de Mann-Whitney, p < 0,05). Na faixa etária de 10 a 19 anos, as meninas apresentaram valores significativamente maiores do que os meninos para o CTl e para o HDL-C (teste de Mann-Whitney, p < 0,05).A Tabela 3 mostra a distribuição percentual de indivíduos de acordo com os níveis de lipídios estabelecidos pela III DBSD. A proporção de casos enquadrados na categoria desejável é significativamente maior (teste binomial, p < 0,01) do que a proporção dos casos enquadrados nas demais categorias para qualquer um dos lipídios: CT e LDL-C para os pacientes com idade variando de 2 a 19 anos e HDL-C e TG tanto da faixa etária de 2 a 9 anos, quanto para a de 10 a 19 anos.

A Tabela 4 mostra os valores médios de lipídios, variando de acordo com a doença de base do indivíduo. Nessa categoria foram incluídas as principais doenças que, conhecidamente, cursam com alteração do perfil lipídico. Além disso, incluíram-se pacientes que não apresentaram doença de base, e cujo pedido foi feito sob a forma de rotina. A Tabela 4 revela níveis de lipídios elevados em pacientes com doenças como DM, síndrome nefrótica e LES. O teste de Mann-Whitney, ao nível 0,05 de significância, evidenciou para DM níveis de lípides significativamente maiores (p < 0,01) do que os dos indivíduos sem doença de base. A síndrome nefrótica registrou níveis de CT, LDL-C e TG significativamente maiores (teste de Mann-Whitney, p < 0,01) do que os dos pacientes sem doença de base. Para todos os lípides, o LES apresentou níveis sem diferença estatisticamente significativa (teste de Mann-Whitney, p > 0,05) em relação aos níveis de pacientes sem doença de base. A obesidade, embora sem apresentar níveis de lípides alterados, mostrou-se com níveis significativamente maiores (teste de Mann-Whitney, p < 0,01) do que os pacientes sem doenças de base, exceto para o HDL-C.

 

Discussão

Estudos sobre o perfil lipídico em crianças e jovens do Brasil podem ajudar a melhorar o conhecimento sobre seus níveis nessa faixa etária, uma vez que a III DBSD utiliza valores de referência para perfil lipídico com base em estudos norte-americanos. Principalmente em um país com dimensões continentais como o Brasil, onde há diferenças regionais e culturais marcantes, o estabelecimento de valores de referência se torna útil para mostrar a nossa realidade. No entanto, a comparação do perfil lipídico entre populações de diferentes regiões pode se tornar difícil, pois muitos fatores contribuem para a existência de diferenças entre os resultados encontrados, como o desenho do estudo empregado, as diferenças na coleta e as diferenças metodológicas.

Neste trabalho foram encontrados valores de CT, LDL-C e TG maiores do que os apresentados em outros estudos realizados em níveis nacional(10, 16, 21, 22) e internacional(7, 23); assim como os valores de HDL-C encontram-se mais baixos do que os níveis encontrados nesses estudos. O fato de o presente estudo ter sido realizado com pacientes de um hospital universitário poderia explicar o motivo pelo qual esses níveis apresentam-se elevados em relação aos outros estudos. Nesses, a amostra de estudo era selecionada em escolas, o que poderia representar o mais próximo possível de uma população saudável; já os pacientes que procuram um hospital podem estar apresentando alguma doença de base que leve a alterações nos níveis lipídicos.

No entanto, tal fato não invalida outros dados encontrados neste estudo. Como mostrado, os níveis médios de CT, LDL-C e TG da população feminina são maiores do que o da população masculina, o que está de acordo com dados apresentados em outro estudo(10). Pesquisas epidemiológicas nacionais e internacionais sobre distribuição dos níveis plasmáticos de lipoproteínas e lípides em crianças e adolescentes mostram que esses estão mais elevados no sexo feminino, independente de idade ou cor de pele(15, 19).

Em relação à faixa etária, os valores de CT, LDL-C, HDL-C e TG estabelecidos para as crianças de 10 a 19 anos foram inferiores aos registrados para as de 2 a 9 anos, observação compatível com a literatura(21, 22). Na puberdade, a queda nas concentrações de CT, LDL-C e HDL-C é atribuída às influências da maturação sexual(2, 17). Brotons et al.(3), em estudo de metanálise com 60.494 indivíduos de 26 países, registraram queda dos valores médios de CT a partir dos 12 anos e ascensão a partir de 18 anos de idade, reflexos do crescimento físico e da maturidade sexual dos adolescentes.

Apenas 59% dos pacientes entre 2 e 19 anos apresentam níveis de CT dentro da faixa desejável. Trata-se de um dado alarmante diante das evidências das vinculações das dislipidemias com doenças arteriais(25). O mesmo pode-se dizer com relação aos dados de LDL-C, em que apenas 67% dos pacientes encontram-se na faixa considerada desejável. Os dados de TG da Tabela 3 mostram resultados alterados, com predomínio do grupo abaixo de 10 anos (40%), estando de acordo com estudos realizados no Sul do país(20). Os resultados de HDL-C evidenciam predomínio de casos alterados na faixa etária abaixo 10 anos (31%), resultado também semelhante ao encontrado na literatura(20). Os resultados deste estudo, realizado com usuários do serviço público de saúde, são semelhantes aos de estudos realizados com pacientes da rede privada de saúde(20), mostrando a extensão da dislipidemia nesse grupo etário e na população geral.

A prevalência da obesidade no Brasil tem seguido a tendência dos países desenvolvidos, sendo que a obesidade adquirida na infância tende a persistir na idade adulta. As mudanças no hábito alimentar com dietas freqüentemente hiperlipídicas e hipercalóricas e o aumento do sedentarismo têm demonstrado que a obesidade na infância e na adolescência tem importância fundamental como fator de risco para o desenvolvimento de SM associada a doenças cardiovasculares (DCVs) na maturidade. Os principais riscos associados ao excesso de peso na infância e na adolescência levam ao desenvolvimento de DCVs, cujos precursores são hipercolesterolemia, distúrbios psicossociais, alterações no metabolismo da glicose, distúrbios hepáticos e gastrointestinais, apnéia do sono e complicações ortopédicas, sendo que, por quanto mais tempo persistir a obesidade, maior será o risco(26).

A relação entre a dislipidemia e esses fatores de risco cardiovascular na infância visa estabelecer normas para a dosagem de lípides nessa faixa etária. Atualmente, a recomendação para medida do colesterol se limita a crianças com história familiar de hipercolesterolemia ou doença coronariana precoce(24). Entretanto, essa prática mostra baixa sensibilidade para detectar indivíduos com maior risco, como demonstrado em estudos internacionais e nacionais(4, 5, 9). Por essa razão, o estudo das associações dos níveis lipídicos com outras variáveis independentes tem importância clínica para detectar, precocemente, crianças e adolescentes com dislipidemia e risco de doença coronariana precoce de forma eficiente e com baixos custos.

Estudos realizados no Brasil(5, 10) mostram que a obesidade foi o fator de risco de maior associação com dislipidemia. Um trabalho realizado com jovens na Grécia mostrou alteração do perfil lipídico ao longo de décadas. Houve alteração patológica dos níveis lipídicos mais acentuada nos pacientes obesos e com sobrepeso do que em outros jovens(13). No presente estudo, os níveis médios de CT, LDL-C e TG de pacientes obesos apresentam-se superiores aos dos pacientes sem doença de base, o que está de acordo com a literatura(8, 12, 18). Além disso, foi observado que os níveis médios de CT, LDL-C e TG de pacientes diabéticos e de pacientes com síndrome nefrótica apresentavam-se mais elevados do que os dos pacientes sem doença de base, e mais elevados do que os valores médios dos pacientes obesos. Tal fato poderia demonstrar que tanto o DM quanto a síndrome nefrótica são fatores de risco para dislipidemia mais intensos do que a obesidade, porém não temos informações sobre a presença ou não de obesidade nesses grupos de pacientes.

 

Conclusão

A média dos valores de CT, LDL-C, HDL-C e TG observada na amostra estudada mostra valores elevados para esses parâmetros, de acordo com as III DBSD, particularmente aqueles pacientes que apresentam alguma doença que leve ao aumento dos valores lipídicos. Entre as patologias que apresentaram valores elevados de CT, LDL-C, HD-CL e TG, destacam-se a síndrome nefrótica, o DM e a obesidade.

Os resultados deste trabalho reforçam o que mostra a literatura sobre a necessidade de utilização, no Brasil, de estudos sobre os intervalos de referência do perfil lipídico nesta faixa etária e também sobre o perfil dos níveis destes lípides na população considerada sadia.

 

Agradecimentos

Agradecemos ao Serviço de Patologia Clínica e à equipe do Laboratório de Bioquímica Clínica por seu auxílio na coleta de dados no arquivo de resultados e por estar sempre pronta a permitir o acesso ao laboratório. Os autores agradecem o apoio recebido da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP) da UFF e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa de iniciação científica (PIBIC) concedida para o desenvolvimento da pesquisa.

 

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Endereço para correspondência:
Regina Helena Saramago Peralta
Departamento de Patologia do Hospital Universitário Antônio Pedro
Faculdade de Medicina da UFF
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CEP 24030-210 – Niterói-RJ
Tel.: (21) 2629-9111
e-mail: rhperalta@vm.uff.br

Primeira submissão em 20/11/06
Última submissão em 21/11/06
Aceito para publicação em 31/01/07
Publicado em 20/04/07

 

 

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