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Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

Print version ISSN 1676-2444

J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.43 no.4 Rio de Janeiro Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442007000400001 

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Durante o século XVIII a cirurgia finalmente conseguiu evoluir dos grilhões que acorrentavam os barbeiros aos ortopedistas. Em meados do século, as principais universidades de Inglaterra, França e Alemanha ofereciam cátedras em cirurgia; nas décadas seguintes, os cirurgiões alcançaram posição igual à dos médicos.

O primeiro país a proibir os barbeiros de praticarem a cirurgia foi a França, que em 1731 fundou a Academia Real de Cirurgia. Seu primeiro presidente, Jean-Louis Petit (1674-1760), inventou o torniquete de rosca e desenvolveu um processo para a mastoidectomia. Seu discípulo Antoine Louis (1723-1792) escreveu importante tese sobre os diferentes sinais de assassinato e suicídio; ele colaborou com o Dr. Joseph-Ignace Guillotin no aperfeiçoamento da eficaz máquina de execução da revolução.

Um eminente cirurgião inglês foi William Cheselden (1688-1752), também hábil arquiteto que desenhou os planos para o Hall dos Cirurgiões em Londres. Ele era um dos cirurgiões mais rápidos da época: realizou, uma vez, uma cistotomia perineal em 54 segundos. Seu aluno mais bem-dotado foi John Hunter (1728-1793), um dos gigantes do século, que elevou a cirurgia de técnica à ciência, firmemente baseada em fisiologia e patologia.

Hunter era o mais moço de uma pobre família escocesa. Quando chegou a Londres freqüentou intensamente tavernas e teatros. Foi posto na linha por seu irmão William e estudou dissecção, logo se tornando um hábil cirurgião e ardente pesquisador. Ele foi um incansável ensaísta em anatomia, patologia, fisiologia comparativa e morfologia. Descreveu o choque, a flebite, a piemia; fez valiosos estudos sobre inflamações, ferimentos a bala, lesões em vasos sanguíneos. Inoculou a si próprio com sífilis e mostrou a diferença entre cancro duro e úlcera bacilar; mas confundiu gonorréia com sífilis, engano comum na época. Sua maior inovação em cirurgia foi o princípio de que os aneurismas podiam ser tratados por uma simples ligadura proximal em vez de amputação, uma técnica que parece ter salvado milhares de membros.