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Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

Print version ISSN 1676-2444

J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.46 no.1 Rio de Janeiro Feb. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442010000100001 

NOSSA CAPA

 

Van Gogh: entre a genialidade e a doença

 

 

La tristesse durera toujours (a tristeza durará para sempre). Essas foram as últimas palavras de Van Gogh, um dos maiores pintores de todos os tempos, que morreu no dia 29 de julho de 1890, em Auvers-sur-Oise, lugarejo próximo a Paris, nos braços de seu irmão e único amigo, Theodore, a quem chamava carinhosamente de Theo. Dois dias antes, um domingo, após estabelecer-se em um campo de trigo com cavalete e material de pintura, Van Gogh atirou contra o próprio peito. Sua última frase caracteriza bem a fase depressiva da doença da qual era portador: o transtorno afetivo bipolar (TAB).

Vincent Willen Van Gogh nasceu em Groot Zundert, Holanda, em 30 de março de 1853. Existem poucas informações sobre sua infância: sabe-se que ele aprendeu inglês, francês e alemão, mas abandonou os estudos com apenas 15 anos para trabalhar com um tio, em Haia.

Aos 24 anos, decidiu ser pregador e foi evangelizar nas minas de carvão em Borinage, Bélgica, onde lutou pela melhoria das condições sociais dos mineiros. No entanto suas atitudes foram mal interpretadas por seus superiores e ele foi despedido. Nesse momento decidiu-se pela carreira artística e, a partir de então, seu irmão Theo passou a sustentá-lo.

Van Gogh viveu na Bélgica, na Holanda e em Paris, até estabelecer- se em Arles, sul da França, em 1888. A ideia era fundar uma comunidade de artistas: chamou sua residência e ateliê de Casa Amarela e fez a série Girassóis para decorá-la. Entretanto, apenas Paul Gauguin aceitou o convite para estabelecer-se em Arles. Essa foi a mais produtiva fase de Van Gogh. Nos três últimos anos de vida ele pintou cerca de 400 telas. Foi a época das pinceladas vigorosas, do amarelo intenso e do vermelho vivo, cores e expressões que revelavam seus sentimentos.

A instabilidade psicológica provocava brigas constantes entre Van Gogh e Gauguin, que culminaram com o primeiro, em surto, perseguindo Gauguin com uma navalha nas mãos. Gauguin refugiou-se naquela noite em um hotel e, quando retornou à Casa Amarela, soube que Van Gogh estava hospitalizado. Ele se mutilou cortando um pedaço de sua própria orelha e, embrulhando-a, levou de presente a uma prostituta. O episódio fez com que Gauguin partisse imediatamente para Paris.

Sozinho e consciente de sua enfermidade, Van Gogh decidiu deixar-se internar em um hospital psiquiátrico em Saint-Rémy-de-Provence. Em 1890, deixou o hospital e mudou-se para Auvers-sur-Oise, onde podia consultar-se com Dr. Gachet, médico acostumado a cuidar de artistas. Após fase muito produtiva, suicidou-se inesperadamente.

Van Gogh vendeu apenas uma obra em toda a sua vida - O vinhedo vermelho - por cerca de 400 francos. Em 1990, 100 anos após sua morte, seu quadro Retrato de Dr. Gachet foi arrematado por US$ 82,3 milhões.

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