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RAE eletrônica

On-line version ISSN 1676-5648

RAE electron. vol.3 no.2 São Paulo July/Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-56482004000200005 

FÓRUM ESTUDOS CRÍTICOS EM ADMINISTRAÇÃO

 

Um estudo da produção acadêmica em administração estratégica no Brasil na terminologia de Habermas

 

Strategy in Brazil according to Habermas's terminology

 

Estrategia en el Brasil en la terminología de Habermas

 

 

José Rodrigues Filho

Universidade de Manchester

 

 


RESUMO

Tem havido recentemente um grande interesse em estudos críticos em administração, pelo menos na literatura de língua inglesa, dando origem a uma nova disciplina denominada de Estudos Críticos em Administração (ECA). Já que uma forma de se conhecer uma disciplina ou campo de estudo é analisar o conteúdo dos escritos ou literatura considerados mais influentes, no presente estudo tentou-se identificar os trabalhos mais citados em administração estratégica, oriundos da produção acadêmica no Brasil. Um levantamento de mais de 100 artigos da especialidade de administração estratégica foi efetuado, formando-se um banco de dados de todas as referências utilizadas nestes artigos. Algumas destas referências são básicas ou centrais para esta especialidade e, como textos dominantes, tendem a ser invocadas para apoiar a construção de conhecimento. Em seguida, uma tentativa foi feita para classificar os textos mais referenciados, utilizando a taxonomia do filósofo e sociólogo alemão, Jürgen Habermas, que faz uma distinção entre três formas de interesses que constituem o conhecimento: interesse técnico, prático e emancipatório. O propósito foi o de verificar até que ponto os estudos críticos permeiam esta especialidade. Os resultados mostraram que a corrente de pensamento dominante no Brasil parece não permitir a crítica, sendo a área carente ainda de um interesse de conhecimento hermenêutico ou interpretativo.

Palavras-chave: Administração estratégica; estudos críticos em administração; teoria crítica; interesses de conhecimento; taxonomia de Habermas.


ABSTRACT

There has recently been a growing interest in Critical Management Studies (CMS). One way to find out what elements make up a field of study is to analyze the contents of the most influential writings in the field. In this work, an attempt has been made to identify the most cited work in the specialty of Strategic Management from the academic production in Brazil. More than 100 articles from this field were compiled and formed a database of all references used in all these articles. Some writings can be considered to be central texts of a management specialty. In their role as dominating texts they could be argued to form a central knowledge core that other authors call upon to make a point. Thereby, they serve as representatives for the core knowledge base of a management specialty. An attempt was made to classify the most cited texts by characterizing them as regards knowledge interests, based on Habermas' theory of knowledge and interest on which the production of knowledge rests. The three interest types are: technical, practical and emancipatory. The purpose was to see how critical studies are underpinning the strategic management specialty. The findings show that the mainstream management knowledge in Brazil seems not to allow a critique and that the field of strategic management lacks a hermeneutic or interpretive knowledge interest.

Key words: Strategic management; critical management studies; critical theory; knowledge interests; Habermas' taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Comenta-se que nos últimos dez anos registrou-se a emergência de uma nova conjunção dos termos "administração" e "crítica" e até mesmo o nascimento de uma nova sub-disciplina denominada de Estudos Críticos em Administração - ECA, seguindo a tradução inglesa de Critical Management Studies - CMS) (Fournier e Grey, 2000).

Portanto, desde que Alvesson e Willmott (1992) utilizaram estes termos como título de uma coleção, bastante citada nos dias de hoje, tem havido uma proliferação de publicações, sendo a "administração crítica" um tópico de conferências discutido pela academia em várias partes do mundo. Surgiu até um termo em inglês "critters", utilizado para denominar as pessoas envolvidas com a administração crítica (Fournier e Grey, 2000).

Em 1998, por exemplo, a conferência da Academy of Management dos Estudos Unidos realizou um workshop, já que seus membros sentiram a necessidade de um fórum em que se pudesse desenvolver visões críticas de administração, ao considerarem que a administração das organizações modernas é guiado por um objetivo estreito - lucros - em vez de ser guiada pelos interesses da sociedade como um todo, devendo outros objetivos - justiça, desenvolvimento humano, ecologia - serem considerados na gestão da atividade econômica. Pretendia-se, com isto, ajudar a academia de administração americana a influenciar mudanças tanto nas escolas de administração como em outras escolas profissionais, de modo que os estudantes - futuros gerentes - fossem expostos a uma visão crítica em administração, reconhecendo as empresas ou firmas como estruturas de dominação, sem nenhum compromisso com a emancipação humana.

No Brasil, um dos fóruns em que se apresenta boa parte da produção acadêmica em administração, é o Encontro da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Administração (ENANPAD). Vários trabalhos críticos são apresentados nestes Encontros, principalmente na área de organizações. Não se sabe, contudo, como os estudos críticos permeiam as diversas especialidades de administração, considerando os diversos temas adotados pelo ENANPAD e qual a sua influência na educação em administração no Brasil.

Pela literatura existente é possível acreditar que a teoria e a prática de administração é servida de forma muito pobre por livros textos que não contêm uma perspectiva crítica sobre os desafios e dilemas defrontados por aqueles que dirigem as organizações modernas. Os livros dos gurus de administração abrem mais espaços para pensamentos críticos sobre as práticas e teorias de administração do que para dar respostas aos problemas administrativos. Portanto, trata-se de uma literatura vestida de uma linguagem de liberação e inovação, que está muito mais ligada aos enfeites do status quo do que ao processo de mudança emancipatória.

Ao se considerar a principal corrente teórica e prática de administração como limitada e opressiva, é possível recorrer a outras fontes sociológicas, históricas, filosóficas e de estudos críticos. A Teoria Crítica e outras correntes de pensamentos a ela associada, por exemplo, podem ser relevantes para este propósito. Por se tratar de um campo interdisciplinar, a Teoria Crítica vem há várias décadas enfrentando questões da área de administração, hoje reconhecida como problemáticas para o ser humano, a exemplo da relação entre desenvolvimento científico e progresso social, os efeitos destrutivos do consumismo e da comercialização e a tendência do estado moderno em equalizar ou desregulamentar políticas voltadas para aumentar e/ou legitimar a acumulação capitalista com o desenvolvimento de uma sociedade mais civilizada, cuidada e justa (Alvesson e Willmott, 1996).

Para alguns, a administração é uma atividade e um campo de investigação muito importante para ser deixado para a principal corrente de pensamento existente nos departamentos ou escolas de administração (Alvesson e Willmott, 1992). Ademais, não tem havido tentativas explícitas de classificar e categorizar a pesquisa em cada disciplina da área de administração, suas bases teóricas e o interesse que apóia cada uma delas.

Há três décadas atrás, o filósofo alemão, Jürgen Habermas, teceu severas críticas contra a noção do conhecimento científico como estando isento de valor e interesses, propondo uma diferenciação entre três tipos de interesses em que se baseia a produção de conhecimento. Portanto, neste trabalho uma tentativa será feita para utilizar a classificação de Habermas inerente aos interesses orientadores do conhecimento (Habermas, 1972), através de um levantamento de produção acadêmica na área de administração estratégica.

Como se observa a seguir, a produção acadêmica em administração estratégica no Brasil está se avolumando mais do que em outras áreas da administração. Mesmo assim, trabalhos críticos sobre o tema são quase inexistentes, ao contrário de outras áreas em que já se começa a ser registrado algum tipo de questionamento (Rodrigues Filho, 2002).

No item seguinte será feita uma sucinta apresentação da Teoria do Conhecimento de Jurgen Habermas, principalmente dos interesses condutores do conhecimento. Comenta-se sobre alguns trabalhos críticos em Administração Estratégica para, em seguida, apresentar a metodologia utilizada e os resultados obtidos.

 

A TEORIA DO CONHECIMENTO DE JURGEN HABERMAS

É preciso lembrar que o termo Teoria Crítica é muitas vezes usado de forma mais ampliado, incluindo diversas análises críticas que compreendem não só as posições da Escola de Frankfurt, mas outras posições tais como as neo-Marxistas (teoria do processo de trabalho), a teoria da hegemonia de Gramsci, pós-estruturalismo, desconstrucionismo, crítica literária, feminismo, psicanálise, estudos culturais e ambientalistas. Mais recentemente, enfoques como o pós-colonialismo e a queer theory (aqui traduzida como teoria "ridícula", que envolve gays e lésbicas), embora usados de forma limitada têm tido impactos nos estudos críticos (Fournier e Grey, 2000). Embora a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, como citado acima, possua várias vertentes e seja aplicada nos mais diversos campos de estudo, este trabalho se limita apenas a explorar as idéias de Habermas, um dos maiores expoentes daquela Escola, no tocante à classificação dos processos de investigação, que é considerada como um dos elementos de sua teoria de interesses cognitivos.

Habermas é considerado como sendo o mais influente pensador da Alemanha na década de l980. Thomas McCarthy (1989), grande estudioso de Habermas, demonstrou um domínio completo de suas obras escrevendo um extraordinário trabalho sobre as suas idéias e afirmando que durante as últimas três décadas a comunidade intelectual dos países ocidentais tem vivido sob o encanto da caneta prolixa de Jurgen Habermas. Para McCarthy é rara a área das ciências humanas e sociais que não tenha sentido a influência de seu pensamento. Trata-se de um mestre de conhecimento profundo em áreas especializadas, sendo distintas as suas contribuições nos campos da filosofia, psicologia, ciência política, sociologia e teoria social.

Tem havido alguns impedimentos em melhor compreender o trabalho de Habermas, devido a falta de uma visão sistemática e compreensiva de seu pensamento (McCarthy, 1989). Portanto, a leitura dos trabalho de Habermas não é de fácil compreensão, principalmente por iniciantes não afeitos ao estudo de questões filosóficas mais profundas.

Contudo, nos países desenvolvidos tem havido tentativas para aplicar alguns enfoques da Teoria Crítica aos estudos administrativos, principalmente aqueles oriundos do trabalho de Habermas, amplamente reconhecido como a figura de renovação pós-guerra da filosofia alemã e da teoria social. No Brasil, a aplicação da Teoria Crítica em estudos administrativos e organizacionais parece incipiente, sendo uma corrente marginal até mesmo na teoria das organizações (Barros, 2001).

Uma das mais completas aplicações da Teoria Crítica na área organizacional no Brasil foi o recente trabalho de Fernando Tenório (2000), que se propõe a estudar a flexibilização organizacional.

Não se pode, contudo, esquecer o trabalho de Guerreiro Ramos (1981), que levanta alguns pontos básicos para uma abordagem substantiva das organizações, enfatizando também o estudo da emancipação. Segundo Barros (2001), no Brasil, "o sociólogo Guerreiro Ramos traz a discussão da emancipação para o ambiente organizacional".

A teoria crítica de Habermas utilizada para apoiar este estudo se baseia num de seus primeiros trabalhos, denominado de Conhecimento e Interesse, elaborado e publicado no final da década de 1960 (Habermas, 1972), o qual é utilizado em áreas da administração para avaliar e discutir o paradigma dominante de pesquisa. Neste trabalho Habermas faz um grande ataque ao positivismo e define a sua teoria de orientação do conhecimento ou "interesses constitutivos do conhecimento", em que situa a ciência em relação a certos interesses.

A teoria dos interesses do conhecimento desencadeou uma das controvérsias filosóficas mais ricas da atualidade, já que Habermas sofreu severas críticas ao tentar fazer uma crítica da sociedade por meio de uma crítica da ciência. Tem sido afirmado laconicamente que "a tentativa de Habermas em fundamentar a teoria crítica da sociedade através de uma teoria do conhecimento, a cavalo de interesses condutores, foi um grande fracasso" (Siebeneichler, 1994). Instigado por estas críticas, Habermas reconhece que a tentativa de fundamentar a teoria emancipatoria crítica da sociedade através de uma teoria do conhecimento constitui um desvio, mas não um fracasso, como tem sido alegado (Siebeneichler, 1994). Embora Conhecimento e Interesse continue a estimular o debate entre os estudiosos, Habermas na verdade, em grande parte, abandonou sua tentativa de fundamentar a teoria social crítica nos interesses cognitivos, conforme suas afirmações em entrevista concedida, em 1985, ao New Left Review: "Eu não mais acredito na epistemologia como via regia. A teoria crítica da sociedade não tem que provar suas credenciais em primeira instância em termos metodológicos" (Aragão, 1992).

Interesses condutores do conhecimento

Habermas é conhecido como sendo um dos principais críticos do positivismo. O positivismo se baseia na razão instrumental e busca uma dominação da natureza. Em sua ênfase sobre o método científico, o positivismo empírico invalida outras formas de conhecimento. Habermas apresentou suas idéias sobre interesses cognitivos ou interesses que guiam o conhecimento em sua aula inagural, em 1965, na Universidade de Frankfurt, em oposição a uma teoria de entendimento que pode ser encontrado tanto na filosofia clássica como no positivismo moderno (McCarthy), 1989). Assism sendo, a teoria do conhecimento de Habermas, publicada em seu livro Conhecimento e Interesses Humanos, faz uma distinção entre três formas de interesses que constituem o conhecimento: interesse técnico, prático e emancipatório.

Habermas classifica os processos de pesquisa em três categorias: o campo das ciências experimentais (empírico-analíticas), incluindo as ciências naturais e sociais, desde que produzam um conhecimento nomológico; o campo das ciências histórico-hermanêuticas, que inclui as humanidades e, também, as ciências sociais, desde que busquem uma compreensão interpretativa de configurações e as ciências críticas que incluem a psicanálise e a crítica à ideologia (ciência social crítica). Neste sentido, para cada categoria de pesquisa Habermas indica a conexão com um interesse específico: o enfoque das ciências experimentais incorpora um interesse técnico; o das ciências histórico-hermenêuticas incorpora um interesse prático e o enfoque das ciências críticas incorpora um interesse emancipatória. Estes interesses orientadores do conhecimento, segundo Habermas, aparecem como orientações gerais ou estratégias gerais que guiam as várias formas de pesquisa (McCarthy, 1989).

Já que a teoria dos interesses que guia o conhecimento tem como um de seus elementos básicos a classificação dos processos de pesquisa em três categorias, neste trabalho uma tentativa será feita para classificar a produção do conhecimento em administração estratégica dentro da referida classificação (Figura 1).

 

 

Se a retórica dominante da administração estratégica, como se vê na próxima seção, está enraizada no paradigma gerencial funcionalista, enfatizando uma racionalidade instrumental, supõe-se que no Brasil a produção acadêmica é guiada pelo interesse técnico, de acordo com a classificação de Habermas. Contudo, já que começa a surgir espaço para uma reflexão crítica nesta área, é possível que alguns autores brasileiros estejam produzindo trabalhos que se enquadrem no interesse prático e emancipatório.

 

ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA E TEORIA CRÍTICA

A administração estratégica é um campo de estudo que tem crescido rapidamente na disciplina de estudos organizacionais. Contudo, a legitimidade e utilidade da administração estratégica tem raramente sido questionada ou criticada. Similarmente, os gerentes da alta cúpula administrativa de dominação do processo decisório são raramente questionados. Este monopólio sobre os processos de decisão sempre tem sido considerado como legítimo e necessário, mesmo que os empregados das organizações considerem que a alta cúpula administrativa seja inapta e má orientada.

Comenta-se que os questionamentos sobre a administração estratégica têm sido negligenciados ou marginalizados (Thomas, 1998), fazendo com que seja quase inexistente a crítica sobre este campo de conhecimento. Autores como Alvesson e Willmott (1996), Knights e Morgan (1991) e Shrivastava (1986) são considerados como os que fizeram uma crítica mais acentuada sobre a administração estratégica, nos últimos anos, do ponto de vista de preocupações emancipatórias (Thomas, 1998).

Assim sendo, a administração estratégica é dotada de um discurso utilizado pela elite administrativa como forma de manutenção de poder, que tem reforçado o uso de expressões como estratégias competitivas, vantagens competitivas, competências essências, entre outras, que não passam de buzzwords, oriundas principalmente das escolas americanas. Neste sentido, para alguns autores, a estratégia "não é só um conjunto de técnicas ou de conhecimentos, mas é essencialmente um mecanismo de poder" (Knights e Morgan, 1991, Carrieri, 2001), que tenta homogeneizar tudo e todos, esquecendo-se das diferenças e outras dimensões políticas e sociais dentro das organizações.

Portanto, como um modo tecnocrático de tomada de decisão por elites específicas, servindo interesses particulares, a estratégia não está simplesmente, nos dias de hoje, confinada ao mundo dos negócios, mas, em vez disto, o projeto estratégico hegemônico pode ser visualizado abrangendo uma grande amplitude de problemas tanto no mundo dos negócios privados como no setor público e empresas não lucrativas.

Nos anos mais recentes, as escolas de administração têm oferecido cursos superlotados de administração estratégica, em que os conceitos básicos deste campo de estudo é repassado para uma elite gerencial, que está em busca de soluções rápidas e imediatas para seus negócios. Infelizmente, para alguns, o projeto estratégico é baseado num conjunto de suposições intelectualmente estreitas e limitadas, basicamente derivadas da economia, que servem apenas para privilegiar um limitado conjunto de interesses poderosos dentro das organizações. Assim, a estratégia tende a um pragmatismo estreito, profundamente enraizado no paradigma gerencial funcionalista, em que a racionalização das práticas podem acontecer no sentido de tentar traçar preceitos e receitas a serem exemplarmente seguidas (Thomas, 1998, Carrieri,2000).

Apesar do potencial para proporcionar um ponto de reflexão crítica sobre estratégia, o trabalho de Shrivastava (1986), que trata do status ideológico do discurso de administração estratégica, publicado há vários anos, sempre foi ignorado pelos que contribuem para a literatura de administração estratégica, num sinal de que a reflexão e o exame de suposições fundamentais não são bem vindas na área.

Contudo, da mesma forma que o campo de estudo da administração estratégica torna-se hegemônica, há sinais de otimismo quanto a uma reflexão mais profunda da área. Com o crescimento da literatura sobre críticas à administração em geral, a exemplo de trabalhos aqui citados e o surgimento de grupos de interesses críticos na Academia Americana de Administração e em várias partes do mundo, o mito da administração estratégica, defendido pelos acadêmicos "estrategistas" e pelos senhores gerentes "estrategistas" começa a ser "deslinguistificado", já que a administração estratégica é lingüística, ou seja, é a linguagem do discurso que a promove de tanto poder (Thomas, 1998).

Ademais, se o conceito de crítica for expandido para abranger enfoques que incluam o interpretativo, construtivismo ou outros tratamentos que adotam posições epistemológicas mais reflexivas, fora da corrente do pensamento dominante de administração estratégia, já é possível encontrar vários autores bastante citados na literatura da área. Por exemplo, autores como Bouchiki (1998), Chaffee (1985), Kaghan e Philips (1998), Mahoney (1993), Sherer (1998), Sherer e Dowling (1995), Smircich e Stubbart (1985), Spender (1998), Tsoukas (1996) e Whipp (1996) já são bastante citados em administração estratégica. Mesmo assim, pode-se considerar que a voz crítica na área de administração estratégica é muita baixa em relação ao rugido da multidão da corrente dominante, que ainda tem o poder de silenciar aquilo que não lhe interessa, principalmente no campo da academia.

Se o modelo lógico e o processo linear de análise e planejamento que apoiam a estratégia, defendidos por expoentes como Andrews (1971) e Chandler (1962) são criticados, outros enfoques da corrente dominante, principalmente a escola de posicionamento, defendida por Porter, que reflete uma perspectiva racional e tecnocrática, batem de frente com a Teoria Crítica. Isto nos encoraja a questionar a ênfase instrumental da técnica em detrimento de uma consideração de objetivos mais amplos e valores das organizações produtivas. O próprio Mintzberg tornou-se uma figura proeminente ao criticar o enfoque racional e lógico da estratégia, argumentando que ela é melhor caracterizada como um fenômeno organizacional emergente do que um fenômeno planejado. Neste sentido, Mintzberg sugere uma variedade de perspectivas, ao discutir dez escolas e cinco definições de estratégia (Mintzberg et al, (2000).

 

METODOLOGIA

Conforme discussão anterior, Habermas (1972) argumenta que conhecimento (e os esquemas metodológicos utilizados para persegui-lo) não pode estar separado dos interesses que o orientam. Neste caso, as ciências físicas, por exemplo, utilizam a metodologia da pesquisa quantitativa para obter conhecimento. Portanto, a noção de que a pesquisa quantitativa serve o interesse do controle social permeia o texto de Habermas. Por sua vez, Habermas argumenta que a pesquisa qualitativa (metodologia utilizada pelas ciências humanas) é emancipatória. Em resumo, sob a ótica de Habermas, o reino da metodologia quantitativa associa-se com o conceito de controle, enquanto que a metodologia qualitativa é associada com a visão de emancipação.

Vale mencionar que existem diversos enfoques de se classificar a produção de conhecimento científico em organizações e administração. O trabalho de Burrell e Morgan, por exemplo, tem tido um grande impacto nos estudos organizacionais e administrativos, mesmo adotando uma divisão rígida do conhecimento social e organizacional em quatro paradigmas, mutualmente exclusivos (Burrell e Morgan, 1979). O esquema de Burrell e Morgan tem uma tendência dentro da ciências sociais direcionada para formas dualistas de análise (individual versus societal, ação versus estrutura, objetivista versus subjetivista etc). Contudo, não há dúvidas de que o esquema de Burrell e Morgan tem sido muito útil para abrir espaços para análises radicais tanto de algumas especialidades da administração como dos estudos organizacionais (Machado, 1990; Rodrigues Filho, 1998).

Por sua vez, outros autores tentam analisar quatro paradigmas que guiam a pesquisa ou produção de conhecimento, principalmente a pesquisa qualitativa: positivismo, pós-positivismo, teoria crítica e posições ideológicas a ela relacionada (marxista, emancipatória e feminista) e construtivismo (Denzin e Lincoln), 1994).

Estratégias de obtenção de dados

Na pesquisa qualitativa, a revisão documental é um dos métodos fundamentais e bastante utilizado para a coleta de informações (Marshall e Rossmann, 1995; Denzin e Lincoln, 1994). Considerando que no Brasil boa parte da produção de conhecimento em administração é registrada ou compilada dos Encontros da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Administração (ENANPAP), uma tentativa foi feita para extrair artigos publicados no período de 1997 a 2001.

No ano de 2001, o ENANPAD conteve trabalhos apresentados em 15 áreas ou especialidades da administração, a saber: Administração da Informação, Administração de Ciência e Tecnologia, Contabilidade e Controle Gerencial, Ensino e Pesquisa em Administração, Estratégia em Organizações, Finanças, Gestão Internacional, Gestão de Operações e Logística, Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, Gestão Pública e Governança, Políticas Públicas, Marketing, Organizações/Comportamento Organizacional, Organizações/Teoria das Organizações e Casos em Administração Brasileira. Ao longo dos anos tem havido algumas mudanças destas áreas, com a retirada e volta de algumas e divisão de outras.

Para se ter uma idéia do quantitativo de trabalhos e de seu crescimento ao longo dos anos, o Quadro 1 apresenta uma compilação do quantitativo de trabalhos apresentados em algumas especialidades no período de 1997-2001. Observa-se que o número de trabalhos na especialidade de administração estratégica cresceu mais de 100%, sendo ainda a área com o maior número de trabalhos, já que a área de organizações foi dividida em duas outras áreas (Comportamento Organizacional e Teoria das Organizações).

Dos 185 artigos registrados na área de administração estratégica no período 1997/2001, 28 deles, referentes ao ano de 1997, foram excluídos por conta de vírus no CD em que os mesmos foram arquivados. Com o auxílio do Word e do Microsoft Excel foi possível compilar o referencial bibliográfico de todos os 157 artigos restantes, resultado numa lista de mais de 100 páginas de referências. A partir daí foi possível levantar os autores mais referenciados ou citados pelos pesquisadores brasileiros em sua produção acadêmica.

Em seguida, procedeu-se a análise qualitativa do estudo, através da avaliação dos trabalhos mais citados e considerados ou não emancipatórios ou críticos. Assim sendo, uma tentativa foi feita para interpretar cada um dos textos mais citados, com o propósito de enquadrá-lo na taxonomia de Habermas. Por uma questão de tempo, apenas os artigos mais citados foram analisados. Acredita-se que quanto mais citado for um trabalho, maior a sua contribuição não só para a criação de conhecimento como para a sistematização da pesquisa, mesmo que seja numa linha positivista.

 

RESULTADOS: PRODUÇÃO ACADÊMICA NA ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA

O quadro 2 apresenta a relação dos autores mais citados, ou seja, citados 20 ou mais vezes no período estudado. Observa-se que entre os autores mais citados não figura nenhum autor brasileiro. Percebe-se que o pensamento atual em estratégia no Brasil está ancorado nos trabalhos de Porter e Mintzberg, considerando que quanto mais for um trabalho citado, maior a sua contribuição não só para a criação do conhecimento como para a sistematização da pesquisa. A estratégia como posição talvez seja o esquema conceitual predominante, sendo o trabalho de Porter sobre estratégia competitiva o grande marco deste enfoque, o qual tem alimentado os teóricos críticos (Levy, Alvesson e Willmott, 2001).

 

 

Em seguida procurou-se separar as citações por livros e artigos, ou seja, aqueles citados 10 ou mais vezes (Quadros 3 e 4). Os livros de Porter são os que mais influenciam a academia no Brasil. Um fato interessante que merece ser observado é que, embora Porter seja mais citado através de seus livros, os acadêmicos brasileiros são mais influenciados pelos artigos de Mintzberg (Quadro 4). Percebe-se, portanto, que o pensamento estratégico no Brasil é basicamente guiado por autores como Porter, Mintzberg, Hammel e Prahalad, Ansoff e Chandler, através de suas publicações.

Em seguida, buscou-se efetuar uma leitura dos artigos mais citados, a fim de classificá-los de acordo com a terminologia de Habermas (Quadro 5). Como era de se esperar, não existe um só trabalho de linha crítica que tenha sido referenciado de forma expressiva pelos pesquisadores brasileiros, sendo os artigos mais referenciados classificados como sendo de interesse técnico na taxonomia de Habermas.

O quadro 1 mostra-nos que a área de administração estratégica, entre outras, foi a que mais cresceu em número de trabalhos (mais de 100%) no período estudado. Será que esta área é mais importante do que as demais ou isto representa apenas o poder hegemônico de alguns grupos que dominam os ENANPADs?

Observou-se, ainda, que os pesquisadores brasileiros raramente são citados na área. Aliás, foi nesta área em que se constatou o mais baixo nível de citações dos autores brasileiros (Rodrigues Filho, 2002). O único autor brasileiro que teve um trabalho citado 6 (seis) vezes no período estudado foi Cabral (1998). Diante disto, pergunta-se: Qual a importância da produção acadêmica brasileira na área de administração estratégica? Qual o conhecimento que está sendo criado, considerando a forte crítica do poder de dominação existente nesta área?

 

CONCLUSÃO

A produção acadêmica no Brasil na área de administração estratégica é influenciada por uma literatura gerencial funcionalista ou guiada por um interesse técnico na classificação de Habermas. É impressionante como os acadêmicos "estrategistas" brasileiros são tão influenciados por suposições intelectualmente estreitas e limitadas, onde o contexto em que determinadas teorias são utilizadas sequer é questionado como vem acontecendo, também, em outros países. Já que se critica tanto a lacuna existente entre teoria e prática em administração, as ciências histórico-hermenêuticas poderiam trazer uma grande contribuição para o campo da administração estratégica. A administração estratégica pode se tornar uma área de conhecimento muito rica, mas terá de ser colocada no seu devido lugar, caso os "estrategistas" continuem tratando-a dentro de um pragmatismo estreito e de uma perspectiva racional e tecnocrática.

O desenvolvimento de uma compreensão crítica em administração estratégica, baseada em suas controvérsias e menos colorida pelos interesses e preocupações dos altos executivos, é de fundamental importância para os estudos organizacionais. No momento, não só existe uma falta de reflexão na área de administração estratégica, como uma aversão à crítica.

Enquanto a perspectiva gerencialista utiliza uma racionalidade instrumental destinada a ajudar os gerentes a melhorar a eficiência organizacional e os lucros das corporações, a ótica crítica busca explorar a natureza da administração estratégica como discurso e prática, suas raízes históricas e a forma como ela tem se constituído. O trabalho de Mintzberg foi um grande avanço nos estudos de estratégia, mesmo dentro de uma linha funcionalista, já que busca problematizar a perspectiva clássica e racional.

Portanto, a limitação dos enfoques ortodoxo e processual, do ponto de vista de uma perspectiva crítica, é a sua falha em analisar a administração estratégica como condição e conseqüência de amplas formas institucionalizadas de dominação. Ao se pesquisar a literatura ortodoxa percebe-se a continuação da ideologia Taylorista de controle, cuja missão era a de racionalizar o desenho de trabalho do chão de fábrica, nos esforços de teóricos de administração estratégica - tais como Porter (1985), Hamel e Prahalad (1989), que buscam gerar métodos tecnocráticos de construir e sustentar uma posição de vantagem competitiva (Knigths e Morgan, 1991).

Por sua vez, questionamentos dos efeitos políticos e sociais da administração estratégica começam a ser efetuados, em que a Teoria Crítica apresenta uma agenda emancipatória em vez de adotar uma postura neutra, a exemplo da literatura estreita desta área de conhecimento. Nesta direção, vários autores como (Alvesson e Deetz, 1999); (Deetz, 1992); (Fairclough, 1992); Habermas (1984), ao analisarem o discurso gerencialista apontam as relações de poder que, sistematicamente, privilegiam os interesses e visões de alguns grupos dominantes, enquanto silenciam e marginalizam outros.

No caso da produção acadêmica em administração estratégica no Brasil, a reflexão crítica é desconhecida. Ademais, não parece estar havendo uma produção sistemática de conhecimento na área, que considere o contexto nacional, e não se sabe se o crescimento desta produção acadêmica significa a criação de um conhecimento relevante ou apenas mais um exemplo de dominação da administração estratégica, cuja utilidade já começa a ser questionada.

 

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Artigo recebido em 30.10.2002. Aprovado em 28.11.2003.

 

 

José Rodrigues Filho
Takemi Fellow pela Universidade de Harvard, Pós-doutorado pela Universidade de Johns Hopkins e Ph.D pela Universidade de Manchester.
E-mail: jrodrigues-filho@uol.com.br
Endereço: Rua Monteiro Lobato, nº 418, apto. 801, Tambaú, João Pessoa, PB, 58039-170.
Interesses de Pesquisa: Informação e tecnologia nas organizações, teoria das organizações e gestão do conhecimento e estratégias organizacionais.