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Jornal Vascular Brasileiro

versión impresa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. v.5 n.4 Porto Alegre dic. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492006000400016 

RESUMO DE TESE

 

Impacto da pesquisa laboratorial de trombofilia na prevenção secundária e orientação dos doentes com tromboembolismo venoso

 

Impact of the laboratory screening on thrombophilia for the secondary prevention and management of patients with venous thromboembolism

 

 

Adilson Ferraz Paschôa

Médico assistente, Serviço de Cirurgia Vascular e Angiologia, Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP-SP), São Paulo, SP. Professor, Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Cirurgia Vascular Integrada, BP-SP, São Paulo, SP.

Endereço para correspondência

 

 

INTRODUÇÃO: O tromboembolismo venoso (TEV) afeta de um a três indivíduos por 1.000 habitantes/ano. O conhecimento atual das trombofilias permite a associação com cerca de 40% dos casos de TEV. Há controvérsias quanto ao valor da pesquisa laboratorial de trombofilia para o benefício dos doentes com tromboembolismo venoso.
OBJETIVOS: Determinar as variáveis preditivas para a pesquisa positiva de trombofilia e avaliar o impacto desses resultados nas decisões clínicas.
MÉTODOS: Foram avaliados 84 doentes consecutivos com TEV confirmado por métodos de imagem no período entre janeiro de 2001 e novembro de 2003. Após o período previsto de anticoagulação definido por critérios clínicos, os doentes foram submetidos a pesquisa das principais causas de trombofilia. Os resultados laboratoriais permitiram a dois examinadores independentes reavaliar caso a caso a indicação de "mudança de conduta", caracterizada pela interferência no tempo de profilaxia secundária ou "atenção especial" para medidas de maior vigilância diante de situações de risco ou para a extensão da pesquisa aos familiares assintomáticos.
RESULTADOS: A trombofilia foi encontrada em 35 dos 84 casos (41,66%), sendo que em 27 (32,12%) havia uma causa genética. O fator V Leiden foi a alteração mais freqüente (15,47%), seguida do conjunto de deficiência dos anticoagulantes naturais (11,9%). Não houve diferença significativa da freqüência de trombofilia relacionada à faixa etária nem diferença de idade de aparecimento do primeiro evento trombótico entre doentes trombofílicos e não-trombofílicos. Houve significância estatística para ocorrência de trombofilia nos doentes com tromboflebite superficial, recorrência e na associação com fatores de risco não-cirúrgicos. A "mudança de conduta" foi atribuída a seis dos 84 doentes (7,14%), estatisticamente significativa para aqueles com recorrência em relação aos que tiveram apenas um episódio de TEV. A "atenção especial" foi atribuída a 34 dos 84 casos (40,47%).
CONCLUSÕES: A tromboflebite superficial de aparecimento espontâneo, a ocorrência de TEV relacionada a causas não-cirúrgicas e a recorrência foram os principais achados preditivos de trombofilia. A "mudança de conduta" aplicou-se a uma pequena porcentagem de doentes e refletiu predominantemente a confirmação da necessidade de prolongamento da profilaxia secundária. A "atenção especial" diante de situações de risco e a extensão da profilaxia primária a familiares de primeiro grau assintomáticos também expostos a situações de risco parecem-nos os melhores benefícios da pesquisa laboratorial da trombofilia.

Palavras-chave: Fator V, hiperhomocisteinemia, trombose venosa, síndrome antifosfolipídica, trombofilia, antitrombina.

 

Correspondência::
Adilson Ferraz Paschôa,
Rua Manuel Jacinto 932/34, bl. 11,
CEP 05624-001 - São Paulo, SP.
E-mail: adilsonpaschoa@uol.com.br

Resumo submetido em 11.12.06, aceito em 14.12.06.

 

 

Trabalho desenvolvido no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo e no Hospital IGESP. Tese apresentada ao Departamento de Pós-Graduação, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, para a obtenção do título de Doutor em Cirurgia.
Orientadora: Profa. Dra. Ana Terezinha Guillaumon.
Apresentação: 01/06/2006.
Banca examinadora: Profa. Dra. Ana Terezinha Guillaumon (UNICAMP), Prof. Dr. Francisco Humberto de Abreu Maffei (Universidade Estadual Paulista - UNESP), Prof. Dr. Henrique Jorge Guedes Neto (Santa Casa de São Paulo), Prof. Dr. Cid José Sitrangulo Jr. (Universidade de São Paulo - USP), Profa. Dra. Joyce Maria Annichino-Bizzacchi (UNICAMP).