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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449versão On-line ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. v.7 n.1 Porto Alegre mar. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492008000100004 

ARTIGO ORIGINAL

 

A produção científica do J Vasc Bras: conquistas e desafios

 

 

Ricardo Costa-ValI; José Carlos Taveira de Sousa FilhoII

IMembro titular, SBACV. Mestre e Doutor em Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG. Docente, Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Vale do Rio Verde (UNINCOR), Belo Horizonte, MG. Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG), Belo Horizonte, MG
IIFisioterapeuta. Mestrando, Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG), Belo Horizonte, MG

Correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: Sucessor da revista Cirurgia Vascular e Angiologia, o Jornal Vascular Brasileiro (J Vasc Bras) é o órgão científico oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e vem, ao longo dos anos, progredindo e conquistando importantes metas. No entanto, tais conquistas remetem ao comprometimento ininterrupto capaz de manter um alto padrão de qualidade e implicam constantes desafios, não apenas para que novas conquistas aconteçam, mas também para que o mesmo se perpetue.
OBJETIVO: Avaliar criticamente todas as publicações do J Vasc Bras nas versões impressas e/ou eletrônicas entre os anos de 2002 a 2007.
MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática sobre todas as publicações do J Vasc Bras, tanto impressas quanto eletrônicas, ocorridas no referido período. Os manuscritos foram subdivididos em 12 categorias e analisados em cinco aspectos, a saber: a) tipos de publicações; b) grandes áreas temáticas; c) níveis de evidências científicas; d) citações bibliográficas; e) países de origens das citações bibliográficas. Usaram-se os programas estatísticos SPSS®, versão 13.0 e Microsoft Excel® 2003 para as análises estatísticas. Não há conflito de interesse neste estudo.
RESULTADOS: Foram avaliadas 26 edições e quase 400 manuscritos que se enquadraram em todos os níveis de evidências científicas, abrangendo desde editoriais, artigos originais, de revisão, consensos e/ou fóruns científicos e relatos de casos até cartas ao editor e resumos de trabalhos de conclusão. Os textos abordaram todas as grandes áreas temáticas da angiologia e cirurgia vascular, além da bioética, sociologia, filosofia e inovação tecnológica. No entanto, e apesar de uma paulatina mudança de paradigma, percebeu-se que os autores nacionais ainda deixam a desejar no que diz respeito à valorização da produção científica nacional e à do próprio J Vasc Bras, atitude que necessita ser repensada.
CONCLUSÃO: Apesar de jovem, o J Vasc Bras vem galgando obstáculos e cumprindo seu papel, seja como órgão oficial da SBACV, seja como revista científica. Suas conquistas permitem deduzir que o mesmo está no caminho certo; entretanto, ainda existem desafios a vencer, particularmente em relação aos próprios autores nacionais, os quais, sem dúvida, foram e sempre serão parte de todas as conquistas. Mais do que estimular, a palavra de ordem é crescer, e de forma conjunta.

Palavras-chave: Publicação, qualidade, evidências científicas.


 

 

Introdução

Sucessor da Cirurgia Vascular e Angiologia (Cir Vasc & Ang) e órgão científico oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o Jornal Vascular Brasileiro, cuja abreviatura inicial era J Vasc Br, e a partir de junho de 2006, J Vasc Bras, teve sua primeira edição impressa em junho de 2002, com tiragem de 5.000 exemplares distribuídos para todo o Brasil, devido às exigências de um novo tempo1. Segundo os atuais Estatuto e Regimento Interno da SBACV, aprovados em setembro de 2005 e julho de 2006, respectivamente, são objetivos do J Vasc Bras (artigo 161): a) publicar artigos científicos com interesse para a comunidade médica, adequadamente documentados e revisados por especialistas; b) fornecer aos angiologistas e cirurgiões vasculares educação continuada e informações, apoiadas em investigações clínicas e laboratoriais; c) promover a divulgação da informação sobre o desenvolvimento dos múltiplos campos da angiologia, cirurgia vascular e respectivas áreas de atuação, quer em nível nacional ou internacional, inclusive para especialistas de áreas afins; d) zelar pelo controle da divulgação de eventual conflito de interesses de autores, para que estes sejam declarados; e) apoiar, multiplicar e relatar a política médica da SBACV, com independência, objetividade e apropriada responsabilidade editorial.

Desde então, a SBACV, em um investimento contínuo e prazeroso, consolida, ano após ano, este veículo de divulgação científica2, reconhecido nacionalmente e com grandes projeções internacionais em um futuro muito próximo. Nestes 5 anos de muito empenho de seus editores, revisores, autores e confiança por parte dos patrocinadores, várias foram as realizações que se destacaram, tais como o registro do número internacional normalizado para publicações (ISSN), assegurando o domínio do título das publicações; a criação de sua versão em inglês, também com ISSN; a criação do jornal eletrônico, tornando-o global2; a manutenção da sua indexação no Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS)3,4; e, por fim, a indexação na Scientific Electronic Library Online (SciELO)5.

Estas conquistas remetem ao comprometimento ininterrupto para manter o J Vasc Bras com alto padrão de qualidade, visto que poucas revistas nos dias de hoje conseguem se perpetuar e progredir1, principalmente as oriundas dos países que não estão no eixo EUA-Europa-Japão. No entanto, ponto fundamental para a manutenção da qualidade de qualquer periódico reside no fato da sua divulgação com qualidade e periodicidade, metas sistematicamente buscadas pela diretoria da SBACV e do corpo editorial da revista6-8.

Por outro lado, o progresso e o crescimento científico do J Vasc Bras implicam, de igual modo, grandes desafios e readaptações9. À semelhança de um ser humano, a fase de "estiração" já passou, e o órgão científico oficial da SBACV tem necessidade de ações capazes de lhe encorparem, criando assim, um adulto saudável e perene. Sabe-se que a produção científica mundial cresce em um ritmo assustador, seja do ponto de vista de quantidade ou de qualidade. Seria utopia e até mesmo tolice querer que os autores brasileiros deixassem de lado a literatura internacional ao escreverem seus manuscritos. No entanto, apesar das inúmeras conquistas, há ainda grandes desafios a serem vencidos. Com muita propriedade e de maneira inédita, este estudo demonstra que não é incomum deixarmos de registrar nossa produção, o que na verdade não deveria ocorrer, já que a mesma possui qualidade científica e técnica, mesmo não refletindo fidedignamente nosso potencial9. Soma-se a isso o fato de que este artigo poderá servir como um guia rápido, objetivo e, sobretudo, consistente para os futuros autores não só do J Vasc Bras, mas para todos que pretendam abordar as moléstias vasculares sob diferentes prismas.

 

Objetivos

O objetivo geral deste estudo é avaliar criticamente todas as publicações do J Vasc Bras nas versões impressas e/ou eletrônicas entre os anos de 2002 a 2007.

Como objetivos específicos, podemos citar os seguintes:

- Descrever e quantificar os diversos tipos de manuscritos, por ano e por nacionalidade do autor principal.

- Classificar os níveis de evidências científicas dos manuscritos publicados, conforme classificação de El Dib, publicada no J Vasc Bras 2007;6(1):1-4.

- Descrever, analisar e estratificar as referências bibliográficas de todos os manuscritos elegíveis, por nacionalidade do autor, fonte científica e origem do país.

- Refletir sobre a produção científica do J Vasc Bras, apontando criticamente os aspectos positivos e negativos correlacionados.

- Fomentar uma reflexão crítica nos atuais e futuros autores e revisores do J Vasc Bras;

- Valorizar a produção científica do J Vasc Bras e nacional.

- Contribuir para o enriquecimento futuro do J Vasc Bras tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo.

- Servir como um guia objetivo e consistente da produção científica do J Vasc Bras, auxiliando futuros autores.

 

Métodos

Modelo de estudo

Trata-se de uma revisão sistemática sobre todas as publicações do J Vasc Bras, entre os anos de 2002 a 2007, das versões impressas e/ou eletrônicas disponíveis em: http://jvascbr.com.br/index.htm, acessado em 20 de janeiro de 2008, conforme objetivos propostos.

Critérios de inclusão

Foram avaliados todos os tipos de manuscritos presentes nas referidas versões, inclusive nos suplementos, sendo agrupados nas seguintes categorias: a) editorial; b) artigo original; c) artigo de revisão; d) fóruns-simpósios-diretrizes; e) diretrizes internacionais; f) nota prévia; g) resumo de trabalhos de conclusão; h) resenha; i) inovação científico-tecnológica; j) carta ao editor; k) relato ou série de casos; l) desafio diagnóstico ou terapêutico.

Critérios de exclusão

Foram excluídos os manuscritos intitulados: a) errata; b) citação correta; c) novos livros; d) agradecimentos; e) eventos; f) índices remissivos; g) normas para publicações e instruções aos autores; h) publicidades comerciais; i) anais de congressos.

Variáveis analisadas

A fim de se cumprir com os objetivos propostos, os manuscritos considerados elegíveis para o estudo foram analisados nos seguintes aspectos: a) tipos de publicações; b) grandes áreas temáticas; c) níveis de evidências científicas; d) número de citações bibliográficas; e) países de origens das citações bibliográficas. Foram realizadas, ainda, subdivisões desses itens, conforme aplicabilidade, em relação a: a) ano da publicação; b) nacionalidade dos autores; c) país de origem.

Análises realizadas e apresentação dos resultados

Os dados conseguidos foram descritos e submetidos a análises quantitativas, sendo os resultados apresentados de forma pertinente. Foram utilizados os programas estatísticos SPSStm versão 13.0 e Microsoft Exceltm2003, estabelecendo um valor de significância estatística quando p < 0,05 para rejeição da hipótese de nulidade.

Aspectos bioéticos

As análises críticas foram feitas com a devida parcimônia, a fim de evitar constrangimentos e/ou transgressões éticas. De igual modo, todas as citações nominais feitas estão adequadamente registradas, em total veracidade, nas referências bibliográficas.

Conflito de interesse

Não há nenhum tipo de atitude por parte dos autores que possa se encontrar com conflito de interesse. Também não há nenhuma manipulação, intencional e/ou proposital, a fim de alterar ou omitir os dados apresentados.

 

Resultados

No referido período, foram avaliados 378 manuscritos em 26 edições, excluindo apenas os Anais dos Congressos Brasileiros de Angiologia e Cirurgia Vascular, abrangendo editoriais, artigos originais, de revisão, consensos e/ou fóruns científicos e relato de casos. Destacam-se, ainda, artigos subdivididos em duas partes que "desafiam" o leitor a uma tomada de decisão e as tão importantes inovações científicas e técnicas (Tabela 1).

 

 

A soma de todas as grandes áreas e subáreas temáticas presentes nas diversas formas de publicações foi superior a 600, sendo que as mesmas estavam condizentes com todas as áreas da especialidade e em total consonância com o período vivenciado, como, por exemplo, os procedimentos endovasculares. Destaca-se, ainda, a presença constante e progressiva da abordagem sobre a ética, o ensino e a pesquisa (Tabela 2).

 

 

Foram ainda publicados fóruns nacionais, simpósios, diretrizes, normas de orientações clínicas e um "guidelines internacionais", conforme Tabela 3, de diferentes áreas temáticas.

 

 

A Tabela 4 permite visualizar que, conforme a classificação de EL Dib (2007), o J Vasc Bras publicou artigos de bom nível científico, particularmente por parte dos autores nacionais. Houve, no entanto, predomínio absoluto de publicações que se enquadram na classificação de relato de casos, resumos de trabalhos de conclusão, sejam eles clínicos e/ou experimentais, e de opiniões de especialistas.

 

 

Já as Tabelas 5 e 6 pormenorizam as referências bibliográficas dos artigos publicados em todas as edições, por nacionalidade dos autores, e a Tabela 7 permite identificar os principais países de origens destas referências.

 

 

 

 

 

 

Por fim, a análise estatística feita em relação às citações bibliográficas evidenciou que os autores brasileiros citam significativamente mais referências pertencentes a revistas estrangeiras do que os autores não brasileiros, que, por sua vez, tendem a citar a produção científica publicada em revistas de seus países (p = 0,004). No entanto, este fato não ocorreu em relação às citações de livros-texto e/ou trabalhos de conclusão (p = 0,17), como pode ser observado na Tabela 8.

 

 

Discussão

O modelo de estudo empregado revelou-se compatível com os objetivos propostos e permitiu inferir importantes observações, além de corroborar com o momento atual da SBACV e do próprio J Vasc Bras. Apesar da subdivisão dos manuscritos publicados em grandes áreas e subáreas temáticas ser subjetiva, já que, na maioria absoluta das vezes, há em um mesmo artigo diferentes interpretações das mesmas, este item teve como principal objetivo servir como referencial dos principais assuntos abordados na revista. Isso poderá, sem dúvida, facilitar os futuros autores interessados em temas da especialidade e ainda contribuir para que encontrem artigos publicados no J Vasc Bras potencialmente citáveis em seus trabalhos.

Já a classificação dos trabalhos em níveis de evidências demonstrou de forma clara que a produção nacional tem qualidade científica. A inserção em diferentes colunas das referências entre Cirurgia Vascular & Angiologia/Jornal Vascular Brasileiro e Revista de Angiologia e Cirurgia Vascular/outras Revistas Nacionais deve-se meramente ao fato de que o J Vasc Bras é, na verdade, continuação da Cir Vasc & Ang; no entanto, ambas vêm tradicionalmente contribuindo para nossa especialidade e para a própria SBACV.

Sabe-se que, para a perpetuação de uma revista científica, são necessárias medidas dinâmicas e que estejam atentas à constante evolução dos tempos. O rápido crescimento do J Vasc Bras permitiu que, em apenas 4 anos, esta jovem revista passasse a ser indexada no SciELO e, por conseguinte, classificada na categoria Qualis A nacional de publicação5,11. Dentro deste contexto, revela-se de extrema importância a divulgação da revista nos meios científicos11, o que, por sua vez, desperta a comunidade científica e, assim, aumenta o estimulo à leitura da revista e o interesse em se publicar na mesma, propiciando um mecanismo positivo para a SBACV, para o J Vasc Bras e para os autores/instituições. Mas, devido à solicitação da própria SciELO, a partir do número 2 do volume 5, em 2006, convencionou-se que as citações do Jornal Vascular Brasileiro fossem J Vasc Bras, e não mais J Vasc Br11, o que explica os dois tipos de citações presentes nas referências bibliográficas neste artigo, mas que dizem respeito ao mesmo jornal.

Revela-se ainda de grande importância a citação correta das palavras-chave ou descritores, já que contribuem para a difusão da especialidade12. Este é um tópico que, obrigatoriamente, deveria merecer mais atenção por parte dos autores da revista, principalmente quando se converte o artigo escrito em português para a forma inglesa, pois se podem perceber diferentes descritores para assuntos homogêneos. A introdução seriada de um índice remissivo, por ano, a exemplo de como foi feito recentemente13, aliada ao minucioso trabalho dos revisores e da editora do J Vasc Bras11, são medidas extremamente positivas e devem ser estimuladas.

Não resta dúvida que os autores nacionais têm feito o papel de publicar artigos com crescente qualidade científica. De igual modo, o J Vasc Bras tem publicado artigos embasados na literatura internacional atual e pertencentes a dezenas de países, o que reflete de maneira clara o domínio dos autores brasileiros em diversas línguas estrangeiras, mesmo sendo o idioma inglês predominante. A análise pormenorizada das referências mostra que vários artigos foram escritos nas línguas alemã, francesa, espanhola e japonesa, dentre outras. De igual modo, a constante e correta citação eletrônica permite deduzir que esta poderosa ferramenta está sendo adequadamente utilizada pelos autores nacionais, fato não observado para os autores estrangeiros e cujo motivo se desconhece.

Sem dúvida, as práticas baseadas em evidências constituem grande aliado para os profissionais da saúde, seja na parte assistencial, seja na científica, particularmente perante a infinita e massacrante produção mundial. No entanto, as mesmas devem sempre ser vistas e analisadas sob uma ótica crítica10, já que existem inúmeros artigos, editoriais, resumos de trabalhos de conclusão e relatos de casos cujos níveis de evidências científicas não foram altos, mas que possuem excelente qualidade técnica e informativa, além de serem escritos por autores possuidores de notório saber. Portanto, a escala de hierarquia de evidências possui grande valor e aplicabilidade para os artigos que dizem respeito a terapia e/ou intervenção10,14-17.

De igual modo, o J Vasc Bras destina amplo espaço para temas ligados à bioética, filosofia e aspectos práticos de nosso dia-a-dia, nos editoriais18,19 ou nas denominadas carta ao editor20-22, o que denota a sua visão holística. Já os manuscritos intitulados novas tecnologias não apenas inovam, mas despertam e fomentam o tirocínio científico e a busca por respostas que sejam capazes de facilitar a vida do profissional e, sobretudo, beneficiar o paciente23-25. É também relevante a atitude do J Vasc Bras ao inserir editoriais com embasamento científico que estimulam o leitor a refletir sobre os artigos a serem lidos26-28, ou que exprimam diferentes pontos de vista sobre o mesmo tema29,30 em um mesmo volume, demonstrando maturidade, transparência e estimulando a reflexão científica.

Centrado na missão de transmitir de forma ética o conhecimento científico e atuar como verdadeiro órgão oficial da SBACV, o J Vasc Bras vem publicando fóruns nacionais31, simpósios32-34, diretrizes35,36 e normas de orientações clínicas37, que expressam o consenso da própria SBACV, além de guidelines internacionais38 sobre inúmeras áreas temáticas. Obviamente, isso implica na necessidade de se recorrer à literatura nacional e internacional. Faz-se notória e providencial a integração do saber, já que diferentes sociedades possuem diferentes conotações sobre os mais diversos pontos de vistas. Eximir-se deste fato, é sem dúvida, uma atitude autodestrutiva, principalmente em se tratando de uma revista científica.

Importantes dados a respeito do J Vasc Bras foram apresentados por seu Editor-Chefe durante a II Convenção Nacional da SBACV, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro (RJ), nos dias 16 e 17 de janeiro de 2008, na qual estavam presentes o Conselho Superior, a Diretoria Nacional e o Colégio de Presidentes. Segundo o mesmo, ocorreram 60 mil visitas a artigos do J Vasc Bras na SciELO em 2006, e atualmente o J Vasc Bras vem recebendo cerca de 400-800 visitas mensais em seu site, contra 300 registradas em 20043, sendo o número de exemplares atual de 2.700, distribuídos não só para o Brasil, mas também para a América Latina e Europa. Soma-se a isso o fato de que a revista passou a receber apoio do órgão governamental Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) neste ano. Entretanto, e apesar das inúmeras conquistas, alguns desafios ainda persistem, destacando-se principalmente o recebimento de 95 manuscritos em média por ano, número inferior aos 120 necessários para uma possível indexação na National Library of Medicine (MEDLINE). Ressalta-se que, em média, 10 a 15% dos manuscritos enviados não são aceitos para publicação por diversos motivos, e que a revista está ligada eletronicamente a diversos segmentos científicos na rede mundial de computadores, tais como o European Journal of Vascular and Endovascular Surgery e a revista Cirurjanos Vasculares de Habla Hispana.

Mas, sobretudo, urge refletir sobre nossa postura como autores. Por que citamos tão pouco as publicações de revistas nacionais e do próprio J Vasc Bras? Como se pode perceber ao longo deste trabalho, o J Vasc Bras possui centenas de manuscritos, não apenas de todas as grandes áreas temáticas da especialidade, mas também de outras esferas de saberes, de alta qualidade científica, assim como inúmeras revistas científicas nacionais que já estão, inclusive, indexadas na MEDLINE, seja na área clínica ou de pesquisa.

De fato, a comunidade internacional é dotada de trabalhos extremamente relevantes, de aplicações imediatas e de grande impacto; no entanto, a valorização da literatura nacional acaba por conferir característica própria a uma pessoa, grupo ou instituição, conferindo-lhes tradição e força, além de, em um segundo plano, aumentar a habilidade de captar recursos e descobrir novos talentos7. Valorizar a produção científica nacional, ou explicitamente um periódico, implica angariar credibilidade, visibilidade e impacto de suas publicações39. Além disso, há amplo espaço e inúmeras lacunas científicas nacionais sobre questões administrativas e de gestão na assistência à saúde, sobre a qualidade de vida da nossa população em relação às diversas doenças existentes e que muitas vezes são específicas para o Brasil e macrorregião e, ainda, a vital necessidade de aumentar nossa produção intelectual, inovação tecnológica e patenteamento40.

Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) revelam que metade das dissertações e teses concluídas pelos programas e cursos de pós-graduação no país não são publicadas, dificultando o acesso por parte de brasileiros e estrangeiros. As desvantagens deste tipo de conduta são inúmeras, não apenas para os respectivos cursos e programas, mas também para os autores/orientadores, para a produção científica nacional, que fica subjugada, e para nossa própria sociedade civil, que não pode receber o bônus da produção intelectual e da inovação biotecnológica aqui gerada8. Sabe-se, entretanto, que um dos critérios da própria CAPES para a recomendação de uma pós-graduação está justamente na qualidade da revista no qual se publicou o artigo. Justiça seja feita, percebeu-se, neste estudo, que houve um considerável aumento das publicações de trabalhos de conclusão nos últimos anos, assim como das outras publicações nacionais, tanto é que não houve diferença significativa neste item, traduzindo não apenas o reconhecimento das mesmas, mas também uma positiva mudança de atitude.

Por fim, corroborando o que já foi publicado em 1994 e repetido em 200539 em relação às citações de revistas científicas por parte dos autores brasileiros e na busca por possíveis respostas, citam-se, a seguir, comportamentos por parte de autores nacionais que merecem ser destacados:

- excessiva citação de livros-texto internacionais bem mais antigos do que livros-texto nacionais, mesmo quando se pretende falar sobre "atualizações";

-citações de artigos estrangeiros mais antigos e com casuística significativamente menor do que os nacionais recentes e com metodologia semelhante;

- ausência completa de citações nacionais, mesmo sendo o tema exaustivamente publicado no J Vasc Bras, inclusive na forma de consensos, diretrizes, etc.;

- tendência à regionalização das publicações;

- omissão de artigos muito semelhantes publicados em recentes volumes em detrimento de artigos estrangeiros bem mais antigos;

- bizarra atitude de não citar a si próprio ou o grupo do qual pertence, mesmo sendo o artigo subseqüente continuação do anterior ou, de certo modo, fazendo parte de uma linha de pesquisa em comum.

Obviamente, não se pode generalizar tais condutas, mas, do mesmo modo, que elas sirvam de alerta. Atualmente, o J Vasc Bras está indexado no SciELO Brazil, LILACS, SIIC, Elsevier's Bibliographic Databases, EMBASE e SCOPUS, e vem recebendo progressivamente artigos de autores estrangeiros9. Em um futuro bem próximo, poderá estar indexado à MEDLINE, cujos fundamentos são qualidade, regularidade e pontualidade.

Deste modo, vislumbra-se a possibilidade do J Vasc Bras apoiar a redação científica e a confecção dos possíveis artigos a serem submetidos à MEDLINE, renovar membros do seu corpo de revisores, que tem como uma das funções primordiais orientar o autor sobre artigos semelhantes publicados no J Vasc Bras, e estreitar laços com os diversos programas nacionais de pós-graduação recomendados pela CAPES. Temos, portanto, capacidade técnica e científica; no entanto, para que isso ocorra, faz-se necessário o envolvimento de todos os membros da SBACV.

 

Conclusões

Apesar de jovem, o J Vasc Bras vem galgando obstáculos e cumprindo seu papel, seja como órgão oficial da SBACV, seja como revista científica. Suas conquistas permitem deduzir que a revista está no caminho certo. Entretanto, ainda existem desafios a vencer, particularmente em relação aos próprios autores nacionais, os quais, sem dúvida, foram e sempre serão parte de todas as conquistas.

 

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Correspondência:
Ricardo Costa-Val
Rua Boa Esperança, 341/101
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Artigo submetido em 23.01.08, aceito em 12.02.08.

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