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Jornal Vascular Brasileiro

Print version ISSN 1677-5449On-line version ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. vol.7 no.2 Porto Alegre June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492008000200007 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Tromboflebite superficial: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

 

 

Marcone Lima SobreiraI; Winston Bonneti YoshidaII; Sidnei LastóriaIII

IMédico assistente. Doutor, Disciplina de Cirurgia Vascular, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP
IIProfessor livre-docente, Disciplina de Cirurgia Vascular, UNESP, Botucatu, SP
IIIProfessor assistente, Doutor, Disciplina de Cirurgia Vascular, UNESP, Botucatu, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

A tromboflebite superficial de membros inferiores é doença de ocorrência comum, estando associada a diversas condições clínicas e cirúrgicas. Historicamente considerada doença benigna, devido à sua localização superficial e ao fácil diagnóstico, o tratamento foi conservador durante muito tempo, na maioria dos casos. Entretanto, relatos recentes de freqüências altas de complicações tromboembólicas associadas – 22 a 37% para trombose venosa profunda e até 33% para embolia pulmonar – alertaram para a necessidade de abordagens diagnósticas e terapêuticas mais amplas, visando diagnosticar e tratar essas possíveis complicações. A possibilidade da coexistência dessas e de outras desordens sistêmicas (colagenoses, neoplasias, trombofilias) interfere na avaliação e influencia a conduta terapêutica, que pode ser clínica, cirúrgica ou combinada. No entanto, devido à falta de ensaios clínicos controlados e às incertezas quanto a sua história natural, o diagnóstico e o tratamento da tromboflebite superficial continuam indefinidos. Neste trabalho, foi feita uma revisão da literatura analisando-se a epidemiologia, fisiopatologia e estado atual do diagnóstico e tratamento da tromboflebite superficial.

Palavras-chave: Embolia pulmonar, profilaxia, tromboflebite, tromboflebite superficial, trombose venosa profunda.


 

 

Introdução

A tromboflebite superficial (TS), também chamada de trombose venosa superficial, é uma condição patológica caracterizada pela presença de um trombo na luz de uma veia superficial, acompanhada pela reação inflamatória da sua parede e dos tecidos adjacentes. Apresenta-se como um cordão palpável, quente, doloroso e hiperemiado no curso de uma veia superficial 1. A amplitude dessa trombose é variável, atingindo desde pequenas tributárias até grande extensão dos troncos safenos nos membros inferiores, podendo, em casos mais graves, estender-se ao sistema venoso profundo (SVP) 2-4; pode também provocar embolia pulmonar 2,5, e há indícios de que esteja relacionada com a recorrência de episódios de tromboembolismo venoso 6.

A incidência da TS varia de 125.000 casos/ano (EUA) a 253.000 casos/ano (França), sendo mais freqüente quando se utilizam métodos diagnósticos mais acurados, como o mapeamento dúplex (MD) 7,8. Em nosso meio, Von Ristow et al., em levantamento retrospectivo de pacientes submetidos a cirurgia de varizes, encontraram sinais de tromboflebite pregressa em 16% dos casos 9.

 

Fisiopatologia

A fisiopatologia da TS, à semelhança da trombose venosa profunda (TVP), também tem relação com a tríade de Virchow (1856). A TS ocorre mais freqüentemente em veias varicosas, pois estas podem apresentar alterações morfológicas na sua parede que predispõem à estase e, conseqüentemente, ao desenvolvimento do processo trombótico 10. Um grande número de casos de TS ocorre após lesão intimal química, por injeções ou infusões intravenosas de diferentes soluções, com objetivos diagnósticos ou terapêuticos, e/ou mecânicas, como, por exemplo, cateterismo venoso. A TS pode ser prodrômica de várias doenças sistêmicas conhecidas, como neoplasias, arteriopatias e colagenoses 11-13, e, também, acompanhar uma série de outras doenças e síndromes, a saber:

- Síndrome de Trousseau: caracterizada por episódios de tromboflebite migratória superficial recorrente com comprometimento de veias, tanto em membros superiores quanto em membros inferiores, associados a adenocarcinomas do trato gastrointestinal produtores de mucina (estômago, pâncreas e cólon), pulmão, mama, ovário e próstata 14.

- Doença de Mondor: tromboflebite de ocorrência rara, aparecendo mais freqüentemente na população feminina e comprometendo as veias da parede ântero-lateral do tórax. Na maioria das vezes, a sua etiologia é desconhecida. Em alguns casos, encontra-se associada a traumas locais, uso de anticoncepcionais orais, deficiência de proteína C e presença de anticorpos anticardiolipina 15. Farrow et al. observaram associação com neoplasias de mama 16.

- Síndrome de Lemierre: descrita pela primeira vez em 1936, caracteriza-se pela tromboflebite séptica da veia jugular interna concomitante à infecção da orofaringe, podendo evoluir com metástases, principalmente para território pulmonar, mas também fígado e baço. Outras causas relacionadas ao seu aparecimento são: cateterismo venoso central e infecção de outros sítios cervicais 17,18. O agente etiológico mais prevalente é o germe anaeróbio gram-negativo Fusobacterium necrophorum 19.

- Doença de Buerger (Tromboangeíte obliterante): neste caso, a TS apresenta caráter migratório e pode preceder ou ser concomitante ao comprometimento arterial 20. A sua presença reforça o diagnóstico de doença de Buerger.

 

Patologia

Do ponto de vista histopatológico, a veia e o trombo na TS apresentam, na sua fase inicial, predominância de infiltrado leucocitário (flogístico) (Figura 1 – lâmina HP), e este processo inflamatório propaga-se para tecidos vizinhos, em especial pele e tecido celular subcutâneo, explicando, assim, a caracterização do seu quadro clínico, como também a menor friabilidade e maior consistência do trombo 21.

 

 

Aspectos topográficos

Em geral, o membro inferior esquerdo (MIE) parece ser mais acometido que o membro inferior direito (MID). As veias dos membros superiores também são acometidas com freqüência, como complicação de cateterismo venoso, sendo encontradas em até 51,5% dos casos em levantamento realizado na nossa instituição 22 e sendo as veias cefálica e basílica as mais acometidas 23.

Em levantamento retrospectivo, realizado por Lutter et al., de 1.143 MD confirmatórios para TS, 56% ocorreram no MIE, enquanto que 51%, no MID. Entretanto, essa diferença não foi significativa 24. Gillet et al., em estudo prospectivo com 100 pacientes, observaram que o MIE estava comprometido em 50% dos casos, enquanto que o MID, em 49%, e em 1% houve comprometimento bilateral. Nesse mesmo estudo, o território da veia safena magna (VSM) foi o mais acometido (75% dos casos) em relação ao território de veia safena parva (24,3%), sendo que em 0,7% (dois casos) esses dois territórios estavam envolvidos 25.

 

Complicações tromboembólicas

Trombose venosa profunda

Desde 1964, encontram-se relatos sobre essa complicação em pacientes com TS 10,26-28. Estima-se que a ocorrência de um episódio espontâneo de TS aumenta em cerca de 10 vezes (razão de chances = 10,3; IC 95%: 2,0-51,6) o risco de desenvolver TVP nos 6 meses subseqüentes e com risco absoluto de 2,7%, quando comparado a uma população que nunca apresentou um episódio pregresso de TS 29. O comprometimento simultâneo do SVP geralmente acontece pela extensão do trombo através das veias perfurantes ou da crossa, mas pode acontecer sem que haja uma conexão anatômica determinada (TVP associada), fortalecendo, nesse caso, a possível condição de hipercoagulabilidade acompanhando a TS. Entretanto, a extensão do trombo dentro do sistema venoso superficial e/ou sua proximidade com o SVP não teve correlação significativa com a ocorrência de TVP, segundo alguns autores 30,31. Em várias séries, a freqüência da associação entre TS e TVP variou de 22,7 a 36 % 3,10,24,32. Essa associação parece ser ainda mais freqüente em pacientes com varizes, provavelmente pelas alterações morfológicas características dessa doença, que favorecem tanto a estase como também o fluxo sangüíneo bidirecional nas perfurantes e nas crossas 33. Entretanto, em estudo realizado no nosso serviço 34, a ausência de varizes aumentou em mais de nove vezes a chance de um indivíduo ter TVP (razão de chances = 9,09; IC 95%: 1,75-50,0), fato verificado por outros autores que demonstraram que a presença de varizes relacionava-s e com evolução mais benigna da doença tromboembólica venosa 30. No estudo de Gillet et al., a TVP foi diagnosticada em 36,4% dos casos quando a veia comprometida era varicosa e em 8,3% quando a veia comprometida era não-varicosa. No entanto, apesar de a diferença absoluta das freqüências ter sido relevante, esta não foi significativa (p = 0,097), o que pode ser explicado, segundo os autores, pelo mecanismo de extensão da TS para o SVP por meio das veias perfurantes, que são mais desenvolvidas e mais freqüentemente insuficientes nos pacientes varicosos. Em relação à presença de alguma alteração de trombofilia, no grupo com veias varicosas, esta ocorreu em 14,9%, e no grupo com veias não-varicosas, em 50% 25. Por outro lado, Bounameaux et al., em levantamento retrospectivo (período de 6 anos), onde a pletismografia associada ao ultra-som Doppler de ondas contínuas e o MD foram utilizados como métodos diagnósticos para TVP, contabilizaram 551 casos confirmados de TS, sendo que 31 deles (5,6%) apresentaram TVP simultânea no momento do diagnóstico da TS, e em 26 destes a TVP era proximal (4,7%). Nessa amostra, a única variável que apresentou relevância estatística (p < 0,02) para a ocorrência simultânea de TVP e TS foi imobilização prévia 35. Em trabalho original realizado, observou-se que, em 60 pacientes com TS, 13 pacientes (21,7%) apresentaram quadro de TVP associada 34.

Embolia pulmonar

A associação de TS com episódios de embolia pulmonar (EP), sintomática ou não, também tem sido referida por vários autores, e a freqüência variou de 3 a 33% 4,5,13,25. Por outro lado, Weert et al., em estudo de coorte retrospectivo, demonstraram que, em um período de 6 meses, a ocorrência de TS não foi fator preditivo de ocorrência de EP (razão de chances = 1,0; IC 95%: 0,07-15,0) 29. Porém, em série retrospectiva, Blumemberg et al. demonstraram que a trombose diagnosticada por meio de MD progrediu para o SVP em 8,6% dos casos, e, em 10% desses casos, houve embolia para o pulmão, investigada através de cintilografia 4. Em um estudo prospectivo conduzido por Verlato et al., foi encontrada freqüência alta de EP pela cintilografia (33,3%) em pacientes que tinham a TS como única fonte emboligênica 5. A proximidade do trombo com o SVP (representado principalmente pelas crossas) como também o comprometimento concomitante dessas junções (safeno-femoral e/ou safeno-poplítea) não mostraram correlação significativa com o aparecimento de EP em outras séries 1,3,5. Em levantamento retrospectivo, Lutter et al. observaram indícios de que idade superior a 60 anos, história de TVP pregressa, repouso prolongado, TS bilateral, sexo masculino e a presença de infecções estariam associados mais freqüentemente à TVP ou EP 24. No estudo original que fizemos, foi observada freqüência de 28,3% de EP associada à TS, sendo que a presença simultânea de TVP não foi determinante para sua ocorrência (p = 0,36) 34.

 

Diagnóstico

Até o final da década de 80, a TS era considerada como doença benigna, autolimitada, de baixa morbidade e com potencial pequeno para complicações, sendo o seu tratamento sintomático. Contudo, publicações mais recentes mostrando altas freqüências de TEP associado à TS têm mudado esse enfoque, com conseqüentes mudanças nas abordagens diagnóstica e terapêutica 3-6,10-12,25,36-38.

O diagnóstico deve ser cuidadoso, com história clínica minuciosa, atentando-se para prováveis fatores de risco e ocorrência de eventos tromboembólicos anteriores: história de emagrecimento (neoplasias), tabagismo, infecção (síndrome de Lemierre), dentre outros.

Os fatores de risco são os mesmos da TVP, isto é, condições clínicas ou cirúrgicas vinculadas à tríade de Virchow, que podem ocorrer tanto isoladamente quanto associadas, potencializando, facilitando e/ou desencadeando, dessa forma, o desenvolvimento da TS. Como exemplos, podem-se citar:

- Lesão de endotélio: injeções intravenosas, cateterismo venoso, traumas, infecções;

- Alteração de fluxo: varizes, imobilização;

- Alteração da coagulação: neoplasias, gravidez, trombofilia, infecção.

O exame físico deve explorar com precisão o diagnóstico topográfico (Figura 2), determinando-se o tronco venoso comprometido e sua extensão/concomitância para o SVP, o que pode determinar mudança na abordagem terapêutica 39. Alguns autores defendem o uso sistemático do MD em pacientes com edema em membros inferiores (MMII), nos casos com história pregressa de TS, visto que a TS tem valor preditivo elevado para TVP, principalmente nos 6 meses subseqüentes ao seu primeiro episódio 29. Outra vantagem do MD seria a possibilidade de estabelecer diagnóstico diferencial com outras patologias, como linfangite.

 

 

O MD tem papel de destaque no diagnóstico da TS, pois possibilita a visualização direta do trombo no interior do sistema venoso superficial e sua relação de proximidade com SVP (Figura 3), bem como extensão ou acometimento simultâneo do SVP 40. Por essas razões, a sua utilização rotineira é defendida por vários autores 3,24,28,39,40. Os pacientes com diagnóstico clínico e ultra-sonográfico de TS apresentam trombo ecogênico facilmente visível e não-compressível ao MD 40.

 

 

O MD é particularmente útil no diagnóstico diferencial de celulite, eritema nodoso, paniculite e linfangite e avalia com precisão se há acometimento do SVP e sua extensão 40. Além disso, tem a vantagem de ser um método inócuo e não-invasivo, ao contrário da flebografia, que apresenta complicações como alergia ao contraste, exposição à radiação e propagação da trombose 40, não sendo encontrada referência a respeito da utilização desta no diagnóstico da TS.

 

Tratamento

Assim como a abordagem diagnóstica, o tratamento da TS não se encontra estabelecido devido à falta de ensaios clínicos controlados e também a uma série de incertezas quanto à sua história natural, o que gera uma variedade de opções terapêuticas. O tratamento vai depender da sua etiologia, da sua extensão, da gravidade dos sintomas e da sua associação com outros fenômenos tromboembólicos, como TVP e/ou EP 2-4. A possibilidade da coexistência dessas e de outras desordens sistêmicas interfere na avaliação e influencia na conduta terapêutica, que pode ser clínica, cirúrgica ou combinada.

Tratamento clínico

De forma semelhante às outras doenças trombóticas venosas, o tratamento da TS deve incluir medidas que reduzam a estase e aumentem a velocidade de fluxo venoso 41. Dentre essas medidas, a deambulação e o repouso em Trendelemburg são as mais comuns e com aceitação mais ampla. Na deambulação, ocorre ativação das bombas da panturrilha e plantar, favorecendo o aumento da velocidade de fluxo e, possivelmente, uma maior atividade do sistema fibrinolítico 41. De maneira equivalente, o repouso em Trendelemburg favorece o retorno venoso pela drenagem gravitacional que, da mesma forma, pode incrementar a atividade fibrinolítica.

A compressão elástica, apesar de difundida, não é consensual. Andreozzi et al. defendem o uso de bandagem elástica de média a alta compressão na fase aguda da doença, interpondo gaze embebida de óxido de zinco entre a pele e a bandagem, que parece reduzir o processo flogístico; a meia elástica representaria a forma de tratamento de manutenção 21. Já De Palma indica o uso de meia elástica associado à aspirina em casos de varicotromboflebite, desde que este comprometimento esteja distante dos troncos safenos, sendo os pacientes orientados a manter suas atividades diárias 39. Em estudo prospectivo, randomizado e controlado que comparou as diversas formas de tratamento para TS (meia elástica, cirurgia, heparina e anticoagulante oral), a meia elástica foi a opção terapêutica com o custo financeiro mais baixo, mas foi associada à maior freqüência de extensão do trombo e com o custo social mais elevado, devido ao tempo de afastamento do trabalho e/ou inatividade 42. Além disso, a compressão pela meia elástica na fase aguda da TS pode piorar a dor local e, teoricamente, provocar embolização de um segmento mais friável do trombo a partir da veia comprometida por TS.

A existência de sinais e sintomas flogísticos na TS sugere a indicação de antiinflamatórios (sistêmicos ou tópicos); no entanto, não existem evidências de sua eficácia. A aplicação de calor úmido, como compressas mornas e bolsas térmicas, parece exercer ação antiinflamatória e é comumente utilizada. Becherucci et al. 43, em série controlada, na qual foram estudados 120 pacientes com tromboflebite relacionada à infusão de fármacos, compararam a eficácia de três tipos de tratamentos:

- Grupo 1: diclofenaco gel;

- Grupo 2: diclofenaco 75 mg por via oral duas vezes ao dia;

- Grupo 3: placebo.

O alívio sintomático em 48 horas de tratamento foi melhor nos grupos 1 e 2 em relação ao placebo 43. Entretanto, neste estudo, o desfecho foi o alívio dos sintomas, que é subjetivo. O MD deveria ter sido utilizado para avaliar extensão do trombo e outros parâmetros mais objetivos.

Em outra série prospectiva e randomizada, que incluiu 68 pacientes com TS espontânea ou relacionada à infusão de fármacos, o piroxicam gel foi comparado com um placebo e não foi encontrada diferença significativa entre esses grupos 44. Esse resultado corroborou estudo experimental feito em nossa instituição, mostrando nenhum benefício no uso de pomadas com antiinflamatórios ou heparinóides na evolução do processo patológico local, visto à microscopia óptica 45.

Segundo recomendações do American College of Chest Physicians (ACCP), pacientes com quadro de TS que se desenvolveu subseqüentemente à infusão de fármacos podem ser beneficiados com o uso do diclofenaco gel (grau 1B) ou diclofenaco oral (grau 2B), não havendo qualquer tipo de menção a TS espontânea ou associada a varizes 46. Entretanto, as séries utilizadas para apoiar essa proposta são pequenas e com desfechos igualmente baseados em parâmetros subjetivos 43,44.

Por outro lado, os anticoagulantes, sejam em doses profiláticas ou em doses terapêuticas, constituem-se a classe de drogas que parecem carregar consigo a maior gama de benefícios para o paciente, visto que atuam no cerne da fisiopatologia da doença – a formação e propagação do coágulo. Podem ser utilizados como opção terapêutica única ou como coadjuvante ao tratamento cirúrgico. Além do efeito antitrombótico óbvio, os anticoagulantes, especialmente as heparinas, possuem atividades antiinflamatórias que potencializam os seus benefícios 47.

Embora algumas características do comportamento da doença, como a sua ocorrência em território venoso não-varicoso ou a relação de proximidade do trombo com o SVP, sejam sugestivas de uma evolução não-benigna acompanhada de TEP, ainda não há comprovação dessa hipótese 3,25,48,49. Ascer et al., em estudo prospectivo, sugeriram que a terapia anticoagulante preveniria a recorrência da doença e a embolia pulmonar 28, constituindo-se, assim, o tratamento ideal para a TS, principalmente quando esta atingisse a junção safeno-femoral (JSF). A maioria das séries sobre o tratamento anticoagulante da TS com heparina 1,3,25,36,39,50,51 utiliza a forma não-fracionada (HNF) ou a de baixo peso molecular (HBPM) como droga inicial de escolha para o tratamento.

A dose de heparina (HNF ou HBPM) a ser utilizada também é motivo de controvérsia; algumas séries compararam diferentes doses de heparina entre si e a outras com modalidades terapêuticas alternativas, como os antiinflamatórios. Parece haver uma tendência de resposta favorável quando se utilizam doses mais altas de heparina (quando comparadas com doses profiláticas). Em um estudo multicêntrico e randomizado, 117 pacientes foram divididos em três grupos: I) nadroparina cálcica – dose profilática fixa; II) nadroparina cálcica – dose corrigida pelo peso; e III) naproxeno (AINH). Ao final de 6 dias, o alívio sintomático foi significativamente maior nos grupos I e II do que no grupo que usou antiinflamatório (p < 0,001), não havendo diferença de eficácia entre os dois grupos que usaram a nadroparina 50. Em outra série com delineamento semelhante, comparando a enoxaparina sódica com antiinflamatório e placebo, verificou-se que não houve diferença significativa quanto à incidência de TVP entre os grupos após 12 dias de tratamento. Entretanto, a incidência de tromboembolismo venoso sintomático foi significativamente menor nos grupos que utilizaram a enoxaparina (p < 0,001), sendo que essa proteção foi mantida até os três primeiros meses de tratamento 52.

Altas doses de HNF foram comparadas com doses profiláticas em uma série randomizada de 60 pacientes com diagnóstico de TS proximal de VSM. Houve diferença significativa em favor das altas doses de heparina no que diz respeito à ocorrência de eventos tromboembólicos sintomáticos e assintomáticos ao final de 6 meses de seguimento (Tabela 1) 51.

Em estudo prospectivo, duplo-cego e randomizado, 436 pacientes com TS foram divididos em quatro grupos:

- Grupo 1: enoxaparina 40 mg dia + meia elástica;

- Grupo 2: enoxaparina 1,5 mg/kg/dia + meia elástica;

- Grupo 3: tenoxicam 20 mg/dia por via oral + meia elástica;

- Grupo 4 (controle): apenas meia elástica (controle).

Não houve diferença significativa entre os grupos (amostra homogênea). O tratamento foi prescrito por 10 dias e os pacientes foram seguidos por 3 meses (avaliação clínica e ultra-sonográfica). Nos 12 primeiros dias, os pacientes que utilizaram enoxaparina (grupos 1 e 2) ou tenoxicam (grupo 3) apresentaram redução significativa de progressão da doença (extensão do trombo) em comparação com aqueles que fizeram uso exclusivo da meia elástica, não havendo diferença entre os dois grupos de enoxaparina. Quando se comparou enoxaparina e tenoxicam, houve uma tendência favorável (não-significativa) do benefício da utilização da enoxaparina. Em relação à ocorrência de eventos tromboembólicos, também houve tendência de resultado favorável nos três grupos que tiveram tratamento medicamentoso, sem haver diferença significativa entre eles, quando comparados ao grupo-controle. Ao fim do período de estudo (3 meses), essa tendência desapareceu (Tabela 2), sugerindo existência de um efeito rebote ou de um traço desconhecido da história natural da TS, não sendo possível concluir qual a melhor opção terapêutica para essa doença neste estudo 53.

A heparina pode, também, ser encontrada em gel para utilização tópica; entretanto, apesar de defendida por alguns autores 54-57, a sua segurança e eficácia ainda não foram devidamente comprovadas. Górski et al. propuseram a aplicação da heparina gel micronizada e encapsulada – na forma de spray com liberação lenta (Lipohep Forte Spraygel) – para alívio sintomático na TS 55. No entanto, em relação à profilaxia de complicações tromboembólicas, nenhuma conclusão pôde ser tirada, visto que este não foi objetivo do estudo.

A respeito do anticoagulante oral antivitamina K, somente um trabalho prospectivo e randomizado o comparou com outras modalidades terapêuticas (meia elástica, HNF, HBPM, cirurgia), não sendo encontrada diferença significativa quanto às complicações (extensão do trombo, TVP). Entretanto, representou uma opção terapêutica de custo social elevado em comparação com as demais, devido ao afastamento do trabalho 42.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é também objeto de controvérsia. As possíveis vantagens da cirurgia seriam: alívio sintomático mais rápido e menor tempo de internação hospitalar, o qual reduziria os custos 58. Por outro lado, a desvantagem seria a não-prevenção de complicações tromboembólicas, visto que, no caso da simples ligadura dos troncos safenos, isso não evitaria a passagem do trombo pelas veias perfurantes, assim como não minimizaria a condição de hipercoagulabilidade que poderia estar presente. As opções de tratamento cirúrgico incluem ligadura da croça, safenectomia e retirada de trajetos trombosados, e suas indicações vão depender da localização do trombo dentro do sistema venoso superficial (sua relação de proximidade com o SVP), da existência de condição técnica favorável, assim como da condição clínica do paciente.

O tratamento cirúrgico estaria mais indicado para TS acometendo veias varicosas. Nos casos de trombofilia e neoplasias – e, portanto, com risco tromboemboligênico maior –, o tratamento com anticoagulantes seria o mais indicado.

O tratamento cirúrgico teria basicamente três objetivos:

- Impedir a extensão da trombose do sistema venoso superficial para o profundo;

- Tratar a insuficiência venosa superficial, provável causa da TS;

- Prevenir recidivas.

As técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas são a crossectomia na altura da JSF ou junção safeno-poplítea e ligadura de perfurantes para impedir a extensão do trombo para o SVP e a retirada de trajetos com trombos. A complicação mais importante deste tratamento é o hematoma pós-operatório, mais freqüente que na cirurgia eletiva de varizes, devido ao componente inflamatório e à aderência aos tecidos adjacentes.

Em algumas situações, o trombo pode se estender proximalmente além do local onde é palpável ou visível pelos sinais inflamatórios, potencializando o risco de complicações tromboembólicas 3,27,59-61. O envolvimento da JSF é, para alguns autores, indicativo de tratamento cirúrgico 27,58.

Em série retrospectiva 27, foram analisados 221 pacientes, que foram divididos em quatro grupos de tratamento:

- Calor local + antiinflamatórios sistêmicos;

- Terapia anticoagulante;

- Cirurgia + anticoagulação;

- Cirurgia.

O tratamento cirúrgico (ligadura + retirada de trajetos), além de trazer o alívio sintomático mais rápido, tratou definitivamente a doença, visto que eliminou a possibilidade de recidivas e diminuiu o tempo de internação hospitalar e seu custo, embora essa diferença não tenha sido significativa 27.

Entretanto, em relação à ocorrência de complicações tromboembólicas, todos os casos de EP ocorreram no grupo A, enquanto a TVP foi observada apenas no grupo D 27 (Tabela 3).

Essa série avaliou apenas casos de TS em pacientes varicosos, o que pode representar um viés, visto que a alteração morfológica intrínseca desses troncos venosos pode ser a responsável pelo surgimento da TS, diferentemente do que ocorre quando o quadro surge em pacientes sem doença varicosa, quando uma condição de hipercoagulabilidade pode ser fator determinante e não está sendo tratada pela cirurgia.

Vários autores consideram o envolvimento da JSF como indicação absoluta de cirurgia 58,59,61. Em série retrospectiva, Lohr et al. avaliaram 43 casos de TS envolvendo a JSF que foram tratados com safenectomia ou ligadura da JSF, e, após 4 meses de seguimento, não houve progressão do trombo e nem EP. Os autores avaliaram, ainda, os custos para cada tipo de abordagem terapêutica e verificaram que, quando o tratamento clínico (anticoagulação) foi escolhido, o custo foi de U$S 7,967.62. Quando se indicou o tratamento cirúrgico, houve uma redução de, aproximadamente, 40% (U$S 4,831.11) do custo total, sendo que os pacientes submetidos à cirurgia retornaram mais rapidamente às suas atividades habituais 58.

Há de se considerar, também, a baixa morbidade do procedimento cirúrgico, que em casos de ligadura simples da JSF pode ser feito sob anestesia local na maioria dos pacientes, diminuindo o tempo de internação hospitalar e o custo 61.

Em artigo de revisão sistemática sobre o tratamento da TS supragenicular e sem envolvimento do SVP, Sullivan et al. afirmaram que a cirurgia (ligadura da JSF + retirada de trajetos flebíticos + interrupção de veias perfurantes) produz melhores resultados, quando comparada à anticoagulação, no que diz respeito à extensão do trombo, tempo de recuperação, sangramento e alívio sintomático. Entretanto, não previne complicações tromboembólicas e apresenta maior morbidade 62.

Em situações em que a TS ocorre sobre veias varicosas, fica claro o benefício da cirurgia, visto que esta pode corrigir possíveis causas, minimizando o risco de recidivas. Entretanto, quando acontece em veias não-varicosas, esse efeito protetor pode não ocorrer, justificando, para alguns autores, a opção pelo tratamento clínico ou a associação deste ao tratamento cirúrgico, tanto no pré quanto no pós-operatório 3-5,27,28,61.

Poucos estudos avaliaram prospectivamente a abordagem terapêutica da TS, comparando os diversos tipos de tratamento entre si. Belcaro et al. avaliaram 444 casos de TS em veias varicosas que foram randomizados em seis grupos de tratamento e seguidos por um período de 6 meses 42 (Tabela 4).

Observou-se que não houve diferença quanto à incidência de TVP entre os diversos grupos de tratamento (p > 0,05), porém a incidência de extensão do trombo foi significativamente maior nos grupos da compressão elástica e da ligadura simples (p < 0,05). Em relação aos custos, o tratamento mais caro foi o que utilizou HBPM, e o mais barato foi o da compressão elástica 42, porém com o maior custo social (tempo e custo pelo afastamento das atividades). Por outro lado, há de se considerar que, neste estudo, foram avaliados apenas pacientes com veias varicosas. A dose utilizada de anticoagulante e a duração da anticoagulação não foram mencionadas, e, também, a avaliação ultra-sonográfica realizada durante o seguimento do estudo não foi feita de maneira cega, o que representa um viés favorável ao grupo que foi submetido à cirurgia. Em outra série prospectiva e consecutiva, cujo objetivo foi avaliar a segurança, a eficácia e o custo do tratamento clínico com HBPM em comparação com a cirurgia (desconexão safeno-femoral), não foram encontradas diferenças significativas entre os dois grupos em relação a complicações, recorrência de TS e incidência de novos episódios de TVP e EP 63.

 

Conclusão

Baseado em dados de história clínica, do exame físico e também do MD, o tratamento da TS poderá ser clínico, cirúrgico ou ambos. É necessário estabelecer se o episódio ocorre em veias varicosas ou em veias não-varicosas; se o evento foi antecedido de algum fator desencadeante; qual o nível em que o trombo se encontra dentro dos troncos safenos; e qual sua proximidade do SVP, sendo que esses dois últimos dados vão depender dos achados ultra-sonográficos.

Os dados da literatura sugerem que, caso o evento ocorra em veias não-varicosas e sem fator desencadeante aparente, torna-se necessário pesquisar outras alterações, como neoplasias ou trombofilias, sendo necessário que o paciente seja mantido anticoagulado por um intervalo de tempo variável, dependendo da extensão da doença. Caso a trombose esteja restrita ao sistema venoso superficial, isto é, até suas crossas, mantém-se o tratamento por pelo menos 3 meses. Caso o trombo invada a luz das veias profundas (trombo mergulhante), o tratamento deverá ser mantido por 6 meses. Em situações de recorrência e sem envolvimento do SVP, deve-se reintroduzir a anticoagulação por um período variável, dependendo da extensão do processo. Se houver TVP concomitante, o tratamento anticoagulante se impõe, e a duração vai depender do nível da TVP e da existência de um desencadeante (trombofilia, neoplasia).

Caso o evento ocorra em veias varicosas, a avaliação diagnóstica com o MD vai ser determinante na tomada de conduta, podendo a cirurgia ser realizada em primeiro tempo, após breve período de anticoagulação terapêutica, caso não haja TVP e nem EP concomitantes.

Em caso de comprometimento segmentar em veias isoladas e distais da perna, pode-se prescindir da anticoagulação em primeiro momento, orientando-se para cuidados locais e nova avaliação em 7 dias, ou se houver piora do quadro clínico. Caso haja extensão proximal do trombo ou sintomatologia importante na extremidade comprometida, deve-se utilizar HNF ou HBPM em doses terapêuticas, não prescindindo dos cuidados locais. Havendo evolução do quadro para TVP, e/ou EP, e/ou manutenção ou piora da sintomatologia inflamatória, utiliza-se também HNF ou HBPM em doses terapêuticas com reavaliações periódicas (Figuras 4 e 5).

 

 

 

 

Uma revisão sistemática a respeito do tratamento da TS de MMII concluiu que os AINH e a HBPM parecem ser as melhores opções terapêuticas, reduzindo, significativamente, a extensão e a recorrência da TS, quando comparados com placebo 64. Entretanto, mais estudos seriam necessários para estabelecer com segurança o melhor esquema terapêutico 64.

O benefício real de cada um dos métodos terapêuticos ou da associação destes permanece obscuro. Futuros estudos sobre tratamento da TS são necessários para que possa ser estabelecida a melhor opção. Estudos prospectivos, multicêntricos e randomizados, com uma amostra populacional de tamanho suficiente para que se obtenha poder estatístico, devem compilar dados referentes à história natural da doença, como: freqüência de complicações associadas a cada uma das abordagens terapêuticas (clínica ou cirúrgica), presença de varizes ou não, extensão do trombo no sistema venoso superficial, propagação do trombo para dentro do SVP, freqüência de TVP concomitante associada (não-contígua), freqüência de EP, freqüência de insuficiência venosa associada, taxa de recorrência e pesquisa de fatores de hipercoagulabilidade associados 10,42,61-63. Com base no conhecimento dessas características e nas evidências, poder-se-á escolher a melhor opção de tratamento para cada paciente.

 

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Correspondência:
Marcone Lima Sobreira
Email: mlsobreira@gmail.com

Artigo submetido em 08.11.07, aceito em 24.03.08.

 

 

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