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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449versão On-line ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. v.7 n.2 Porto Alegre jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492008000200018 

RESENHA

 

Trauma vascular

 

 

Ricardo C. Rocha Moreira

 

 

Rossi Murilo (org). São Paulo: Revinter; 2006.

O Brasil vive, há pelo menos uma geração, uma guerra que parece não ter um fim no horizonte. A guerra civil brasileira é travada no trânsito e na periferia das grandes cidades e provoca mais vítimas por ano que os grandes conflitos militares abertos, como a Guerra do Iraque ou do Afeganistão. Os acidentes de trânsito matam ou aleijam mais de 200.000 brasileiros por ano. A violência associada ao crime provoca mais algumas dezenas de milhares de vítimas, entre policiais, traficantes e inocentes moradores das favelas. Todas essas vítimas aparecem, nas estatísticas médicas, como vítimas de trauma.

O trauma é a causa de morte mais freqüente nos seres humanos até os 40 anos de idade. Os mecanismos de morte no trauma são as lesões crânio-encefálicas e dos vasos sangüíneos. Até o início do século XX, as lesões dos vasos sangüíneos eram tratadas simplesmente pela ligadura do vaso lesado e amputação do membro, se necessário. O manejo do trauma vascular começou a mudar nas sucessivas guerras do século XX: a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coréia e, especialmente, a Guerra do Vietnã. A experiência dos cirurgiões militares foi gradualmente transposta para a vida civil, à medida que cirurgiões que atuaram nas frentes de batalha passaram a usar as mesmas técnicas no tratamento das vítimas de acidentes e da violência urbana.

Ao ter que lidar com a guerra civil em curso nas grandes cidades brasileiras, os cirurgiões vasculares acumularam grande conhecimento e a experiência na avaliação e tratamento desse tipo de lesão. O livro Trauma vascular é a expressão em papel dessa vivência. Seu editor/autor principal, Dr. Rossi Murilo, e vários dos colaboradores são cirurgiões vasculares do Hospital Souza Aguiar, que se transformou, por força das circunstâncias, no grande centro de atendimento de trauma complexo do Rio de Janeiro. Nada mais natural que a imensa vivência dos autores tenha resultado neste livro, que aborda em profundidade todos os tipos de traumatismos vasculares.

O livro, impresso em papel cuchê, tem formato grande (30 x 21 cm), capa dura e 652 páginas de texto fartamente ilustradas. É dividido em 13 seções. A primeira aborda conhecimentos básicos de epidemiologia, mecanismos de trauma e técnicas cirúrgicas. As duas seções seguintes cobrem o diagnóstico e tratamento do trauma vascular por técnicas radiológicas. O cerne do livro são os 32 capítulos que abordam as diversas lesões, divididas de maneira topográfica e clínica. As seções finais são dedicadas ao suporte intra e pós-operatório e ao manejo das complicações.

As poucas críticas que se podem fazer à obra são alguns erros de legendas, ilustrações repetidas e a qualidade de algumas fotos, que podem ser melhoradas numa edição futura. No geral, porém, a qualidade gráfica do livro é excelente, e mais uma vez um livro publicado no Brasil atinge o nível de qualidade das melhores publicações internacionais.

O livro Trauma vascular vem ocupar o espaço deixado pelo envelhecimento natural da obra Urgências vasculares, editada por Ristow e Perissé Moreira há quase 25 anos e nunca mais reeditada. É justo que a nova geração de cirurgiões vasculares do Rio de Janeiro mantenha a tradição de excelência no tratamento dos traumatismos vasculares.

Enfim, Trauma vascular representa mais um sinal do amadurecimento da cirurgia vascular brasileira, que conta com cirurgiões e serviços de nível internacional. Este livro passa a ser a grande referência no manejo dos traumatismos vasculares no Brasil e deveria obrigatoriamente fazer parte da biblioteca de todo serviço de cirurgia vascular e de todo cirurgião que atende traumatismos vasculares.

 

 

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação desta resenha.

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