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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.9 no.1 Porto Alegre  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492010000100004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tunelizador maleável moldável universal na cirurgia de revascularização do membro inferior isquêmico

 

 

Fabio Henrique RossiI; Nilo Mitsuru IzukawaI; Lannes Alberto OliveiraI; Wilson TrópicoI; José Nicodemos TobiasII; Akash Kuzhiparambil PrakasanI; Heraldo Antônio BarbatoI

IDepartamento de Cardiologia, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), São Paulo, SP
IIDepartamento de Bioengenharia, IDPC, São Paulo, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

Contexto: A revascularização do membro inferior isquêmico envolve a criação de túnel para a acomodação do enxerto vascular cujo trajeto e extensão dependem do local da anastomose proximal e distal do enxerto. Na atualidade, os tunelizadores utilizados consistem em estruturas cilíndricas metálicas rígidas.
Objetivo: Testar a utilização de um tunelizador universal metálico e moldável na revascularização de membros inferiores isquêmicos.
Métodos: O tunelizador desenvolvido consiste de uma estrutura cilíndrica híbrida e modular composta de fio de aço inoxidável moldável interno, com manopla em extremidade proximal, dupla ponta cônica intercambiável em extremidade distal e bainha cilíndrica externa de polietileno. O tunelizador foi utilizado em cirurgias de revascularização do membro inferior isquêmico, independentemente do tipo, trajeto e extensão do enxerto escolhido.
Resultados: As características de maleabilidade e capacidade de deformação permitiram a adaptação e utilização do mesmo tunelizador nos diversos tipos de enxerto realizados. A ponta cônica distal com duplo diâmetro, intercambiável, permitiu que o mesmo aparato pudesse ser utilizado na cirurgia de revascularização com veia safena reversa ou prótese sintética.
Conclusão: O tunelizador metálico maleável moldável pode ser utilizado com segurança e apresenta vantagens nas cirurgias de revascularização dos membros inferiores isquêmicos e possivelmente em outros territórios vasculares isquêmicos. Sua versatilidade e baixo custo de produção podem levá-lo a substituir os tunelizadores rígidos utilizados na atualidade.

Palavras-chave: Enxerto, membro inferior, ponte, isquemia.


 

 

Introdução

A cirurgia de revascularização do membro inferior isquêmico envolve a criação de um túnel para a acomodação do enxerto vascular, seja ele realizado com a veia safena magna reversa ou com prótese sintética. O trajeto e a extensão do túnel dependem da posição do segmento arterial escolhido para a realização da anastomose proximal e distal do enxerto. A confecção desses túneis e a passagem do enxerto através dos mesmos muitas vezes são feitas às cegas. Muito provavelmente, apesar da escassa literatura sobre o tópico, desde os primórdios da cirurgia de restauração arterial o cirurgião preocupou-se com esse importante e delicado tempo cirúrgico e idealizou as mais diversas técnicas e instrumentos. Na atualidade, os tunelizadores utilizados consistem em estruturas cilíndricas metálicas rígidas, que podem limitar ou dificultar a confecção dos túneis e até mesmo causar lesões iatrogênicas em estruturas ou órgãos presentes no trajeto do enxerto1,2. Neste estudo, tivemos como objetivo testar a utilização de um tunelizador universal metálico e moldável na cirurgia de revascularização de membros inferiores isquêmicos.

 

Método

O tunelizador metálico, maleável, moldável e universal desenvolvido no Laboratório de Bioengenharia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo (SP), consiste de uma estrutura cilíndrica híbrida e modular composta de: 1) fio de aço inoxidável maleável e moldável interno, com manopla em extremidade proximal e dupla ponta cônica intercambiável em extremidade distal; 2) bainha cilíndrica externa de polietileno transparente (Figura 1).

O tunelizador foi utilizado em cirurgias de revascularização do membro inferior isquêmico no Setor de Cirurgia Vascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. O mesmo aparato foi utilizado em todas as cirurgias realizadas, independentemente do tipo, trajeto e extensão do enxerto escolhido.

 

Resultado

A experiência inicial obtida com o tunelizador foi realizada nos tipos de enxertos de revascularização de membros inferiores isquêmicos descritos na Tabela 1.

As características de maleabilidade e capacidade de deformação do tunelizador (Figura 2) permitiram sua adaptação e utilização nos diversos tipos de enxerto realizados. A ponta cônica distal com duplo diâmetro, intercambiável, permitiu que o mesmo aparato fosse utilizado na cirurgia de revascularização tanto com veia safena reversa quanto com prótese sintética.

No caso da tunelização da veia safena magna reversa, a passagem do tunelizador entre a extremidade proximal e distal é realizada no interior da proteção da bainha de polietileno, evitando torção, estiramento e lesão da ligadura dos ramos colaterais laterais ou acotovelamentos.

 

Discussão

O enxerto autógeno ou sintético é comumente utilizado na isquemia dos membros inferiores. A falha técnica é a principal causa de obstrução precoce do enxerto, sendo a torção, a tração, o estiramento, o acotovelamento e o esgarçamento os principais mecanismos. Além do cuidado no momento da realização das anastomoses, a tunelização é uma etapa importantíssima para o sucesso da cirurgia3.

A utilização de tunelizadores rígidos pré-moldados em curvaturas predeterminadas pode limitar sua adaptação ou até mesmo causar lesões a estruturas e órgãos presentes em seu trajeto4. Além disso, sabemos que uma das complicações mais temidas na cirurgia de revascularização do membro isquêmico é a infecção da ferida operatória e do próprio enxerto. O número de incisões e dissecção cirúrgica necessários durante a tunelização do enxerto podem estar envolvidos nesse tipo de complicação. A utilização do equipamento aqui apresentado pode diminuir o número de incisões necessárias e, provavelmente, o índice de infecção cirúrgica.

A doença aterosclerótica obstrutiva é uma doença sistêmica que pode acometer diversos territórios arteriais. A variabilidade de extensão, gravidade e território acometido tornam infinitas as possibilidades de estratégias cirúrgicas necessárias, o que salienta a importância das características do tunelizador moldável e maleável aqui apresentado na cirurgia de revascularização dos membros inferiores isquêmicos.

As características do tunelizador testado podem tornar possível sua aplicação em outros territórios e tipos de cirurgia, tais como enxertos extra-anatômicos para os troncos supra-aórticos (enxerto carotídeo subclávio, carotídeo-carotídeo, áxilo-axilar), derivações aórticas supradiafragmáticas para artérias viscerais e tunelização de via de acesso temporário ilíaco no tratamento endovascular das doenças da aorta, fístulas arteriovenosas, etc.

 

Conclusão

O tunelizador metálico maleável moldável pode ser utilizado com segurança e apresenta vantagens nas cirurgias de revascularização dos membros inferiores isquêmicos e possivelmente em outros territórios vasculares isquêmicos. Sua versatilidade e baixo custo de produção podem levá-lo a substituir os tunelizadores rígidos utilizados na atualidade.

 

Referências

1. Parsonnet V, Driller J. A tunneler for bypass vascular surgery. Arch Surg. 1973;106:236-7.         [ Links ]

2. Blumenberg RM, Gelfand ML. A simple and inexpensive tunneler for use in peripheral vascular surgery. Surgery. 1974;75:305-7.         [ Links ]

3. Owens CD, Ho KJ, Conte MS. Lower extremity vein graft failure: a translational approach. Vasc Med. 2008;13:63-74.         [ Links ]

4. Mouton WG, Otten KT, Fitridge RA. Proximalized lateral tunnel for the bypass to the dorsalis pedis artery: a safe way to go. Thorac Cardiovasc Surg. 2001;49:245-6.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Fabio Henrique Rossi
E-mail: vascular369@hotmail.com

Artigo submetido em 02.10.09, aceito em 16.03.10.

 

 

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.

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