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Jornal Vascular Brasileiro

Print version ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.10 no.2 Porto Alegre June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492011000200004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Eficiência do laser diodo 980 nm em comparação à da glicose a 75% na oclusão de veias da orelha de coelhos

 

The efficiency of the diode laser 980 nm compared to glucose 75% in occlusion of the veins in rabbit ears

 

 

Paulo Roberto da Silva LimaI; Marcelo AraújoII; Guilherme Benjamin Brandão PittaIII; Andressa Feitosa Bezerra de OliveiraIV; Guilherme Costa Guedes PereiraV; José Carlos Costa Baptista-SilvaVI

IMembro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV); Mestrando da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (SP), Brasil
IIDoutor em Cirurgia Cardiovascular pela UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil; Professor Assistente da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus (BA), Brasil
IIIDoutor em Cirurgia Cardiovascular pela UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil; Professor Adjunto Doutor da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), Maceió (AL), Brasil
IVProfessora Titular Doutora do Departamento de Morfologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa (PB), Brasil
VPatologista do Hospital Universitário da UFPB, João Pessoa (PB), Brasil; Patologista Chefe da Clínica de Patologia HISTO, João Pessoa (PB), Brasil
VIDoutor em Medicina; Professor Associado Livre-docente do Departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: Por ser o laser um método novo no tratamento das varizes, há muitos mitos e dúvidas com relação à sua eficácia; assim, surgiu a necessidade de compará-lo a substância esclerosante mais utilizada em nosso meio (glicose hipertônica).
OBJETIVO: Comparar a eficiência do laser diodo 980 nm à glicose 75% na oclusão de veias em orelha de coelho.
MÉTODOS: Ensaio aleatório em animais de laboratório por 21 dias. A amostra consistiu de orelhas de coelhos machos adultos. Grupo L (laser): 15 orelhas tratadas com laser; grupo G (glicose 75%): 15 orelhas tratadas com glicose a 75%. Variáveis primárias: veias esclerosadas e/ou ocluídas. Variáveis complementares: volume da substância administrada, complicações e peso. O tamanho da amostra foi estimado em 30 orelhas. Foi realizado o teste exato de Fisher associado ao Risco Relativo (RR), calculando-se o intervalo de confiança (IC) de 95% para as variáveis acima.
RESULTADOS: A incidência de esclerose ou oclusão venosa no grupo G foi de 53% (8/15; IC95%: 27-79) e no grupo L, 20% (3/15; IC95%: 4-49). O p bicaudal foi de 0,1281, o RR usando a aproximação de Katz foi de 2,66; IC95%: 0,87-8,15.
CONCLUSÃO: A eficiência do laser diodo 980 nm em comparação à da glicose 75% na oclusão de veias para o modelo experimental estudado foi equivalente.

Palavras-chave: escleroterapia; terapia a laser; glucose; coelhos.


ABSTRACT

BACKGROUND: The laser is a new treatment to varicose veins and there is several myths and doubts in relation to its efficacy; then, there is the need to compare it with the most commonly sclerosing solution (hypertonic glucose) used in our specialty.
OBJECTIVE: To compare the efficiency of the diode laser 980nm to the glucose 75% in the occlusion of veins from the ear of rabbits.
METHODS: Aleatory trial in laboratory animals during 21 days. The sample consisted of ears from male adult rabbits. Group L (laser): 15 ears treated with laser; group G (glucose 75%): 15 ears treated with glucose 75%. Primary variables: sclerotic and/or occluded veins. Complementary variables: volume of the managed substance, complications and weight of rabbit. The sample size was estimated in 30 ears. The statistical analysis was carried out by Fisher''s exact test associated to the Relative Risk (RR), calculating the confidence interval of 95% for the mentioned variables.
RESULTS: The incidence of sclerosis or venous occlusion in group G was 53% (8/15; 95%CI: 27-79) and in group L was 20% (3/15; 95% CI: 4-49). Two-tailed p was 0.1281, RR using the approximation of Katz was 2.66; 95%CI: 0.87-8.15.
CONCLUSION: The efficiency of the diode laser 980 nm in comparison to glucose 75% in occlusion of veins in this experimental model was equivalent.

Keywords: sclerotherapy; laser therapy; glucose; rabbits.


 

 

Introdução

Telangiectasia ou microvariz designam aqueles vasos que medem de 0,1 a 1 mm de diâmetro1,2. Uniformizando-se a linguagem, foi adotada em 1994 a classificação CEAP3-5 para a insuficiência venosa quanto à clínica, etiologia, região anatômica e fisiopatologia.

Na população brasileira, a prevalência de varizes C2 e C3 é de 37,9%6. Em um estudo realizado em ambulatórios do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais, encontrou-se uma prevalência de 50% de casos de insuficiência venosa crônica nos pacientes acima de 15 anos7.

Hoje, o tratamento esclerosante é aceito e praticado como a terapêutica ideal para as microvarizes8 ou CEAP: C1, mas teve um passado bastante controverso, como, por exemplo, a determinação de uma substância ideal para escleroterapia.

Em geral, as soluções esclerosantes disponíveis são agrupadas em três categorias: osmóticas, detergentes e químicas. As soluções hiperosmóticas promovem a desidratação das células da camada endotelial e, consequentemente, acarretam sua destruição e desintegração. As soluções osmóticas, como a salina hipertônica (SH) e glicose hipertônica (GH), são mais lentas na destruição e consideradas mais leves e menos capazes de produzir grandes descamações endoteliais e inflamações, quando comparadas aos agentes detergentes. A glicose hipertônica tem uma eficácia de 54%9. Assim, esses esclerosantes tendem a depositar menos hemácias no endotélio, reduzindo a incidência da pigmentação tecidual10,11.

Os detergentes mais conhecidos e utilizados no Brasil são: o oleato de etanolamina (OE) e o polidocanol (POL). Eles atuam dissolvendo e interferindo nos lipídeos da superfície celular, e seu efeito propaga-se além do local inicial.

As soluções químicas dissolvem o cimento intercelular e provocam a endofibrose. A glicerina cromada (Scleremo®) e o iodo poli-iodado (Variglobin®) são as soluções mais usadas. Esses agentes são mais utilizados na escleroterapia de veias acima de 8 mm12,13.

Somando-se ao tratamento das varizes, temos o uso do laser (do inglês light amplification stimulated emission radiation), que antes era somente usado para o tratamento de lesões vasculares benignas pelas possíveis vantagens sobre os outros tratamentos como ausência de hiperpigmentação por extravasamento de hemossiderina, sendo método não invasivo e mais rápido; além disso, não há formação de coroa telangiectásica, formação de hematomas ou, finalmente, reação alérgica14. Os tipos de laser utilizados nos tratamentos de lesões vasculares benignas também apresentam desvantagens: ação não seletiva e dor de intensidade média14. Diante das controvérsias ainda existentes na literatura se o laser é ou não mais seguro e eficiente do que os métodos tradicionais de escleroterapia, torna-se necessário responder à pergunta de pesquisa: qual a eficiência do laser diodo 980 nm em comparação à glicose a 75% na oclusão de veias?

A hipótese é de que o laser diodo 980 nm é mais eficaz do que a glicose a 75%.

Assim, o objetivo deste estudo foi comparar a eficiência do laser diodo 980 nm à da glicose a 75% na oclusão da veia auricular lateral das orelhas de coelhos.

 

Método

Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal do Laboratório de Tecnologia Farmacológica (CEPA/LTF) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob o número CEPA nº 0105/08 (20/05/2008), pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), Maceió, AL, sob o número 47-A (18/06/2008) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), sob o número 1483/09 (16/10/2009).

Respeitamos as leis vigentes para o manejo de animais de laboratório.

Não houve conflito de interesses nesta pesquisa, pois foi financiada pelo próprio pesquisador, que efetuou também a compra do aparelho do laser.

Tipo de estudo

Ensaio aleatório em animais de laboratório por 21 dias.

Local

Biotério do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF) do Campus I da UFPB, João Pessoa (PB).

Amostra

Como modelo animal15-20, foram utilizados 30 coelhos adultos jovens15-20, divididos em 2 grupos, da espécie Oryctolagus cuninulus15-20, linhagem natural, pesando mais de 2 kg, com base na literatura15-20. Utilizamos a veia auricular lateral da orelha direita de cada coelho. Foram animais procedentes do biotério do LTF da UFPB, distribuídos em dois grupos:

a) grupo G: 15 animais em cuja orelha direita, na veia auricular lateral, foi administrada glicose a 75%;

b) grupo L: 15 animais cuja veia auricular lateral direita foi submetida ao tratamento de laser de diodo 980 nm.

Critério de inclusão

Foram incluídos 30 coelhos adultos jovens (12 meses de idade, com mais de 2 kg de peso corporal) da espécie Oryctolagus cuniculus.

Critérios de exclusão

Coelhos que não possuíam as duas orelhas perfeitas e/ou sem as respectivas veias marginais dorsais.

Amostragem

O sorteio dos animais para cada grupo foi por aleatorização simples21, com fichas numeradas de G1 a G15 (grupo glicose a 75%) e de L1 a L15 (grupo laser). Essas fichas foram misturadas e retiradas ao acaso. Constituíram-se 2 grupos com 15 coelhos cada.

Optamos pelo manejo fechado dos animais, e a experimentação foi realizada no biotério. Os animais foram mantidos em gaiolas, e sua dieta foi constituída de água e ração comercial em paletes (Purina® para coelhos) ad libtum, antes e durante o experimento (Figura 1).

 

 

Procedimentos

Os animais foram submetidos à sedação com xilazina, na dose de 2 a 5 mg/kg de peso corporal, por via intramuscular profunda na face lateral da coxa do membro posterior direito19,22.

Realizamos a remoção cuidadosa dos pelos da face dorsal da orelha direita do coelho, no nível do trajeto da veia auricular lateral (vena auricularis lateralis), que foi escolhida devido ao seu calibre se assemelhar às microvarizes dos seres humanos. Além disso, efetuamos a limpeza da área da orelha a ser tratada com solução de álcool hidratado a 70%. Os grupos foram tratados com o laser de diodo 980 nm por via transdérmica e com glicose a 75% por via endovenosa.

Para o laser, utilizamos um equipamento de diodo de uso comercial 980 nm (Synus®) (Figura 2) - potência de 30 W com Spot 2 mm, frequência de 3 Hz e fluência de 96 J/cm², por via transdérmica, em única passagem pelo vaso. Já no grupo glicose a 75%, foi administrado, em média, 0,25 mL de glicose a 75% na veia auricular lateral com seringa de 3 mL e agulha 30G ½, mantendo-se o vaso preenchido pela glicose por 20 segundos20. O local de aplicação, tanto do laser como da glicose a 75%, foi a 4 cm da extremidade distal da orelha. Já o laser foi aplicado até a distância de 3 cm do ponto inicial da aplicação em direção à base da orelha, em uma única passada15,17,20 (Figura 3).

 

 

 

 

Para a comprovação da eficácia, consideramos: presença de trombo novo e/ou antigo (trombo já com fibrose) no interior do vaso; fibrose da veia; destruição do endotélio e/ou membrana limitante elástica interna (estruturas microscópicas da parede da veia) e absorção do vaso.

O primeiro e o segundo itens são de verificação macroscópica, pela observação da ausência de fluxo sanguíneo na veia ao esvaziá-la manualmente, da ponta em direção à base da orelha, deixando ocluído o ponto inicial da pressão; já os demais itens foram verificados através de microscopia óptica. A eficácia foi analisada no 21º dia após administração do tratamento.

Como falha dos procedimentos, consideramos a ausência de esclerose do vaso.

Consideramos como complicações do procedimento presença de pigmentação, despigmentação, hematoma, edema, neovascularização (nódulos telangiectásicos), ulceração, necrose tecidual, cicatriz hipertrófica, atrofia tecidual e morte do animal.

Após a avaliação macroscópica final e coleta do material para o estudo histológico sob anestesia com xilezine, na dose acima referida, os animais foram submetidos a eutanásia pelo veterinário com cloreto de potássio a 19,1% por via intravenosa.

Para o estudo microscópico, foram retirados fragmentos cirúrgicos das veias em estudo: 1 cm acima do ponto de aplicação inicial da glicose a 75% e do laser a até 1 cm abaixo do ponto final da aplicação do laser, por excisão cirúrgica com lâmina de bisturi número 11 (Figura 3). As peças cirúrgicas foram fixadas em formalina a 10% por, no mínimo, 24 horas e, em seguida, levadas para o preparo rotineiro de lâminas histológicas para microscopia óptica, realizando-se desidratação gradativa e crescente de álcool a 70% ao álcool absoluto - diafanização em xilol e embebição em parafina líquida a 60ºC e preparação dos blocos de parafina. Os blocos de parafina foram cortados no micrótomo com espessura de 3 μm e os cortes transversais, montados em lâminas de vidro extra finas (76 x 25 mm); em seguida, foram coradas em HE (hematoxilina-eosina) e Manson e montadas com lamínulas e resina natural. As lâminas foram preparadas e examinadas nas objetivas de 40 e 100X, pelo patologista da UFPB.

Visando ao mascaramento para a microscopia, realizamos a troca da letra da marcação inicial por outra conhecida apenas por aquele que realizou a marcação das orelhas (pesquisador principal), sendo a nova identificação guardada em envelope selado, que só foi aberto no momento da análise dos dados. O patologista desconhecia o método utilizado em cada vaso.

Variáveis

Variável primária

Veias esclerosadas e/ou ocluídas. São veias endurecidas e fibrosadas após processo inflamatório. A eficácia é a utilidade e os benefícios decorrentes de serviço ou intervenção realizados sob condições ideais numa pesquisa para o indivíduo ou comunidade. A determinação da eficácia foi feita com base em ensaios clínicos controlados aleatórios23.

Método estatístico

Cálculo do tamanho da amostra

O tamanho da amostra foi calculado em 86 coelhos, considerando-se a proporção de eficácia na população G (glicose a 75%) de 54% e de 88,4% na população L (laser), com nível de significância de 5%, poder do teste de 95% e teste de hipótese bicaudal; porém, como há na literatura trabalhos que comprovam resultados estatísticos aceitáveis com número menor de animais no experimento com modelo animal semelhante15,17-20 e para respeitar as normas do Colégio Brasileiro de Experimentos em Animais (COBEA), o nosso n (população da pesquisa) foi arbitrado em 30 animais. A análise estatística foi realizada com o Teste Exato de Fisher associado ao risco relativo (RR), calculando-se o intervalo de confiança (IC) de 95% para as variáveis acima24. Foi utilizada uma calculadora eletrônica disponível na Internet no site: http://www.lee.dante.br/pesquisa/amostragem/di_2_pro.html, na qual os dados foram inseridos para o cálculo do tamanho da amostra; para os cálculos estatísticos, utilizou-se o programa GraphPad Instat® versão 3.06 de 32 bit para Windows.

Análise estatística

Os dados foram coletados em um formulário padronizado e armazenados em uma planilha eletrônica de dados (Microsoft® Excel 2007, Redmond, WA, EUA). As entradas dos dados foram independentes.

Variável analisada

As efetividades do laser de diodo de 980 nm e da glicose a 75%, na oclusão e escleroterapia venosa, foram comparadas à hipótese da pesquisa.

Hipóteses estatísticas

- H0: G = L (não há diferença entre o laser e a glicose a 75%);

- H1: G ≠ L (há diferença entre o laser e a glicose a 75%).

Valor de alfa

Utilizamos o valor de alfa (a) igual ou maior que 0,05 no teste estatístico para rejeitar a hipótese de nulidade.

 

Resultados

Desvios da pesquisa

Foi acrescentada a coloração de tricrômio de Manson para melhorar a visualização e o estudo do efeito dos métodos de tratamento nos tecidos vizinhos, dos trombos e das lesões teciduais.

Encontramos casos de hiperplasia intimal e congestão vascular não descritos na literatura. A congestão vascular (Figuras 4 e 5) é caracterizada pela presença de grande quantidade de hemácias na luz do vaso, mas sem se organizar em trombo, e a hiperplasia intimal (Figuras 6 e 7) caracteriza-se como o aumento do número de células em determinada região da íntima da parede vascular de forma organizada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Características da amostra

Os coelhos eram 30 machos pesando em média 4.425 g no grupo G e 3.590 g no grupo L. Utilizamos em média 0,25 mL de glicose hipertônica (a 75%) por aplicação.

Gastamos em média 4,15 mL de xilezine no grupo G e 3,55 mL no grupo L na realização da anestesia por via intramuscular.

Variáveis

Variável primária

A incidência de esclerose/oclusão do estudo histológico com 21 dias de observação no grupo G foi de 53% (8/15, IC95%=27-79) e no grupo L foi de 20% (3/15, IC95%=4-49) − a diferença entre as frações foi de 33%. O valor de p bicaudal foi de 0,1281 e seu RR, usando-se a aproximação de Katz, foi de 2,66 (IC95%=0,87-8,15) (Figura 8). Dentre as oclusões/escleroses, tivemos algumas parciais (Figura 9) e outras totais (Figura 10), na seguinte distribuição (Figura 11):

 

 

 

 

 

 

 

 

a) Glicose:

- esclerose total: 25% (2/8; IC95%=3-65);

- esclerose parcial: 75% (6/8; IC95%=35-97).

b) Laser:

- oclusão total: 0%;

- oclusão parcial: 100% (3/3; IC95%=29-100).

Macroscopicamente, esses grupos foram avaliados no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento, sendo encontrados os seguintes resultados (Figura 12):

 

 

a) com 7 dias: glicose − 20% (3/15; IC95%=6-45); Laser − 100% (15/15; IC95%: 76-100)

Diferença entre as frações = 80%; no estudo bicaudal, p < 0,0001 e RR = 0,20; IC95%: 0,07-0,55 com aproximação de Katz.

b) com 14 dias: glicose − 20% (3/15; IC95%=6-45); laser − 66% (10/15; IC95%: 38-88)

Diferença entre as frações = 46%; no estudo bicaudal, p = 0,0253 e RR = 0,30; IC95%: 0,10-0,88 com aproximação de Katz.

c) com 21 dias: glicose − 6% (1/15; IC95%: 0,1-32); laser − 13% (2/15; IC95%: 2-40)

Diferença entre as frações = 7%; no estudo bicaudal, p = 1 e RR = 0,50; IC95%: 0,05-4,95 com aproximação de Katz.

Até o 14º dia de observação macroscópica, observamos edema no local da aplicação do laser (Figura 13) como também algumas crostas (Figura 14), estas sempre presentes, que desapareceram ao decorrer da observação.

 

 

 

 

A recanalização venosa (Figuras 15 e 16) foi observada, histologicamente, em 88% no grupo G (7/8, IC95%: 47-99) e 100% no grupo L (3/3, IC95%: 29-100), com uma diferença entre as frações igual a 12%; no estudo bicaudal, obtivemos p = 1 e RR = 0,87; IC95%: 0,67-1,14, usando a aproximação de Katz.

 

 

 

 

Dados complementares

A congestão vascular (Figuras 4 e 5) teve a seguinte distribuição:

a) grupo G: 87% (13/15, IC95%: 60-98);

b) grupo L: 67% (10/15, IC95%: 38-88).

A congestão vascular apresentou no estudo bicaudal p = 0,3898 e RR = 1,30 (IC95%: 0,86-1,96), tendo sido usada a aproximação de Katz.

Houve casos de hiperplasia intimal (Figuras 6 e 7), sendo:

a) grupo G: 13% (2/15, IC95%: 2-40);

b) grupo L: 7% (1/15, IC95%: 0-32).

A hiperplasia intimal apresentou no estudo bicaudal p = 1 e RR de 2,00 (IC95%: 0,20-19,79), tendo sido usada a aproximação de Katz.

 

Discussão

A hipótese era de que o laser de diodo 980 nm tinha eficiência de 30% em relação à glicose a 75%, uma vez que, na literatura consultada, o laser é eficaz em até 88,2%25 e a glicose hipertônica, em 54%9. No final de 21 dias de tratamento, a eficiência para glicose hipertônica foi de 53%, resultado esse que é atestado pelo trabalho de Bougeois9, de 1984, e de 20% para o laser em nosso estudo. Já este foi discrepante em relação ao trabalho de Passeron, de 2003, que teve uma eficácia superior a 88,2%25. Acreditamos que por ele ter utilizado uma fluência bem mais alta que a nossa, a dele variou de 306 a 317 J/cm2 e a nossa foi fixada em 96 J/cm2 para todos, ou seja, a quantidade de energia absorvida pela veia foi bem maior no estudo de Passeron, e o seu melhor resultado foi após 3 sessões. Há também o trabalho de Vural et al.20, no qual a fluência variou entre 140 J/cm2 (luz intensa pulsada) em um grupo e 500 a 700 J/cm2 (com o uso do aparelho ARC sistem LASER) em outro grupo. Não utilizamos fluências altas na pesquisa, porque, na prática diária, a faixa de fluência usada para as telangiectasias varia de 90 a 140 J/cm2 e já ocorreram queimaduras com fluência acima de 150 J/cm2, como também hiperpigmentação e processo inflamatório maior; além disso, na literatura estudada, Goldman et al., em 199017, utilizaram fluência em torno de 8 a 10 J/cm2, obtendo maior eficácia com o laser, com o uso do aparelho Pulsed dye LASER.

Com 7 e 14 dias, pela macroscopia, houve diferença estatística, favorecendo o grupo laser; porém, no 21º dia, essa diferença desapareceu e comprovou-se histologicamente não haver diferença entre os grupos. Possivelmente, o laser, ao provocar o edema temporário, pode fazer com que o vaso fique comprimido, parecendo que está ocluído.

Os 13% de hiperplasia intimal no grupo G (glicose a 75%) e os 7% no grupo L (laser diodo 980 nm) podem estar relacionados a algum grau de lesão na integridade da parede da veia provocada pelos métodos utilizados, haja vista a hiperplasia intimal ser a migração anormal e proliferação de células musculares lisas vasculares com a deposição associada da matriz de tecido conjuntivo extracelular, que é acompanhada a seguir por remodelagem desse novo tecido26. Não encontramos trabalhos sobre esse achado em veias26-28, como também para a congestão vascular encontrada nesta pesquisa; imaginamos, após rever com o patologista, ter havido algum estreitamento da veia adjacente à área coletada, represando o sangue nessa área histológica.

Dentre as complicações da escleroterapia química citadas por Correia e Oliveira, em 200329, tivemos somente edema temporário no grupo laser, mas essa reação é normal; logo, não podemos classificá-la como complicação. Miyake et al., em 197616, afirmaram que a ulceração na escleroterapia química está relacionada à passagem do esclerosante para a porção arterial, retrogradamente; em nossos resultados, não tivemos úlceras. O trabalho de Goldman et al., em 198730, cita como causa da pigmentação a deposição de hemossiderina na pele; não tivemos nenhum caso de pigmentação ou despigmentação nos grupos estudados, apesar de encontrarmos hemossiderina nas lâminas histológicas, mas ela estava no tecido fibrosado do vaso e não na pele.

Pelos dados obtidos, temos que aceitar a hipótese H0, haja vista o valor de p bicaudal ser de 0,1281.

 

Conclusão

A eficiência do laser diodo 980 nm em comparação à da glicose a 75% na oclusão de veias para o modelo experimental estudado foi equivalente.

 

Referências

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Correspondência:
Paulo Roberto da Silva Lima
Avenida Epitácio Pessoa, 753, sala 1.001 - Bairro dos Estados
CEP: 58030-904 - João Pessoa (PB), Brasil
E-mail: paulovascular@hotmail.com 

Submetido em: 31.10.2010
Aceito em: 12.04.2011
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.

 

 

Contribuição dos autores:
Concepção e desenho do estudo: PRSL, MA, GBBP, JCCBS
Análise e interpretação dos dados: PRSL, MA, JCCBS, GBBP
Coleta de dados: PRSL, GCGP Redação do artigo: PRSL, MA, JCCBS, AFBO
Revisão crítica do texto: MA, JCCBS, AFBO, GBBP
Aprovação final do artigo*: PRSL, MA, JCCBS, GBBP, AFBO, GCGP
Análise estatística: PRSL, MA, JCCBS, GBBP
Responsabilidade geral pelo estudo: PRSL
Informações sobre financiamento: PRSL
*Todos os autores leram e aprovaram a versão submetida ao J Vasc Bras.