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Jornal Vascular Brasileiro

Print version ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.11 no.4 Porto Alegre Oct./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492012000400007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Aneurisma da aorta abdominal infrarrenal: importância do rastreamento em hospitais do Sistema Único de Saúde na região metropolitana de Salvador – Bahia

 

Infrarenal abdominal aortic aneurysm: significance of screening in patients of public hospitals in the metropolitan region of Salvador – Bahia, Brazil

 

 

Aquiles Tadashi Ywata de CarvalhoI; Aleksandro de Jesus SantosII; Carlos Alberto Pereira GomesIII; Marcos Luis MartinsIV; Vanessa Prado dos SantosV; Roberto Pastor RubeizVI; Marcio Oliveira QueirozVII; Roberto Augusto CaffaroVIII

IMestre e Doutor em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Assistente da Residência de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos; Membro Titular da SBACV, Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) – Salvador (BA), Brasil
IIAssistente da Residência de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) – Salvador (BA), Brasil
IIIAssistente da Residência de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) – Salvador, (BA), Brasil
IVCirurgião Vascular e Endovascular; Coordenador do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Cidade e Cirurgião Vascular do Hospital São Rafael, Hospital Cidade (HC) e São Rafael (HSR) – Salvador (BA), Brasil
VMestre e Doutor em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Salvador (BA), Brasil
VIAssistente da Residência de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) – Salvador (BA), Brasil
VIIAssistente da Residência de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) – Salvador (BA), Brasil
VIIIDoutor. Professor adjunto e chefe; Disciplina de Angiologia; Cirurgia Vascular e Endovascular; Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) – São Paulo, (SP), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: O aneurisma da aorta abdominal infrarrenal (AAA) representa doença vascular que merece constante atenção, tanto para os estudos de rastreamento como de aperfeiçoamento terapêutico. Sua importância clínica se baseia na alta taxa de mortalidade que ocorre com a sua ruptura, em contraste com a baixa taxa de mortalidade descrita com a correção cirúrgica eletiva em serviços especializados. Na região metropolitana de Salvador, não se encontram dados relativos à identificação desses indivíduos. Esse fato encorajou nosso estudo.
OBJETIVOS: (1) determinar a prevalência do AAA infrarrenal nos pacientes com fatores de risco; (2) identificar esses fatores de risco; e (3) a população que deve ser rotineiramente rastreada.
MÉTODOS: Em estudo de rastreamento do AAA realizado pelos Serviços de Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) e do Hospital Geral de Camaçari (HGC) de setembro de 2008 a outubro de 2009, foram selecionados 1350 indivíduos com 50 anos ou mais que apresentavam fatores de risco para o aneurisma da aorta. A triagem incluiu o preenchimento de protocolo e a realização de ultrassom doppler colorido.
RESULTADOS: A prevalência do AAA infrarrenal nesta amostra foi 3,9%. Os fatores de risco mais frequentemente associados foram: média de idade de 72 anos, gênero masculino, tabagismo, antecedente de AAA e portadores de doença arterial oclusiva periférica, insuficiência coronariana e doença pulmonar obstrutiva crônica. O rastreamento do AAA deve ser considerado em homens com idade superior a 65 anos, principalmente quando presente um desses fatores de risco.

Palavras-chave: aneurisma da aorta abdominal; aneurisma aórtico; programas de rastreamento.


ABSTRACT

BACKGROUND: Infrarenal abdominal aortic aneurysm (AAA) is a vascular disease requiring continuous attention both in terms of screening and therapeutic improvement. Infrarenal AAA is a major condition because of its high mortality rate due to AAA rupture, as opposite to the low mortality rate related to elective surgical repair conducted in specialized facilities. In the metropolitan area of Salvador there are no data concerning the identification of patients with infrarenal AAA. Such lack of information prompted this study.
OBJECTIVE: (1) to determine the prevalence of infrarenal AAA in patients with risk factors; (2) to identify risk factors; and (3) to determine whether the population at risk should be routinely screened.
METHODS: In a study for AAA screening conducted by the Department of Vascular Surgery of Hospital Geral Roberto Santos and Hospital Geral de Camaçari from September 2008 to October 2009, 1,350 individuals aged 50 years or older with risk factors for aortic aneurysm were selected. Screening included completion of protocol and performance of color Doppler ultrasound.
RESULTS: AAA prevalence in this sample was 3.9%. The most frequent risk factors associated with aneurysm were mean age of 72 years, male gender, smoking, and patients with peripheral obstructive arterial disease, coronary failure, and chronic obstructive lung disease. AAA screening should be considered in men aged over 65 years, mainly when one of these risk factors are present.

Keywords: abdominal aortic aneurysm; aortic aneurysm; screening programs.


 

 

Introdução

O aneurisma da aorta abdominal (AAA) representa uma importante doença na prática do cirurgião vascular, com prevalência de 2% a 4% na população geral e com relação homem:mulher de 5:11-5. Com o aumento da expectativa de vida, tem sido observada incidência mais elevada do AAA6-9, sendo que, na população acima de 65 anos, a prevalência chega a 6%1,2 9 e, acima de 80 anos, é de 10%10 .

Yano et al.11 estimaram 200.000 novos casos de AAA por ano nos Estados Unidos da América, sendo que destes, 50.000 são submetidos à correção cirúrgica. Na Inglaterra, Thompson et al.12 estimaram que o aneurisma da aorta abdominal foi responsável por 11.000 internações hospitalares e 10.000 mortes por ano, e que sua ruptura é a 13ª causa de óbitos nos países da Europa Ocidental.

Sua importância se baseia na alta taxa de mortalidade que ocorre com sua ruptura, em contraste com a baixa taxa de mortalidade descrita com a correção cirúrgica eletiva em serviços especializados. Estima-se que a incidência anual de ruptura do AAA seja de oito casos por 100.000 habitantes13 e que seja responsável por 2% das mortes na população acima de 60 anos8.

De fato, o diagnóstico precoce do AAA contribui de forma significativa para a indicação eletiva do tratamento cirúrgico e para o prognóstico do paciente, com mortalidade operatória inferior a 5%, sendo menor ainda com a correção endovascular14,15.

Os achados na literatura determinam valores diferentes na prevalência do aneurisma da aorta abdominal em programas de rastreamento e essas prevalências podem variar a depender das características clínicas de cada amostra e da região.

Ashton et al.16, em estudo multicêntrico para rastreamento do AAA (MASS – Multicentre Aneurysm Screening Study), analisaram 67.800 indivíduos com idades variando entre 65 e 74 anos. Registraram uma prevalência de aneurisma da aorta de 5% nos pacientes do sexo masculino, e o risco de morte por ruptura ou por complicações do seu tratamento na população investigada foi significativamente inferior ao risco da população que não foi assistida pela triagem.

No Reino Unido, um estudo de rastreamento realizado em homens acima de 50 anos evidenciou prevalência de aneurisma da aorta abdominal de 0,3% na população com idades entre 50 e 64 anos, de 2,5% entre os 65 e 79 anos, e de 4,1% em maiores de 80 anos17.

A prevalência do AAA infrarrenal na população geral é pouco estudada, pois requer triagem rotineira com custos operacionais altos e de difícil mensuração. Para que o rastreamento do AAA em uma população seja recomendado, é necessário, além da alta prevalência, que exista possibilidade de alterar sua evolução através de um tratamento fácil e eficaz, que o exame diagnóstico não seja invasivo e os custos desse rastreamento sejam aceitáveis.

Esses benefícios do rastreamento são justificados pela evolução assintomática da maioria dos pacientes, podendo ser a ruptura, sua primeira manifestação. Além disso, a utilização do ultrassom doppler colorido para o diagnóstico precoce das dilatações da aorta abdominal facilitou a indicação da correção cirúrgica eletiva do AAA, reduzindo a mortalidade por ruptura18.

Da mesma forma, a possibilidade de realizar o diagnóstico preciso pelo ultrassom doppler colorido associado à expectativa de vida dos pacientes tratados que se iguala a dos indivíduos da mesma faixa etária sem essa enfermidade, representam estímulos para esse rastreamento19-21.

No contexto do Estado da Bahia, não são disponíveis dados relativos ao rastreamento desses indivíduos na população geral ou mesmo na população selecionada. Ressalta-se também que o alto custo de um rastreamento indiscriminado na população geral, associado aos gastos do tratamento cirúrgico desses pacientes em regiões com baixo nível socioeconômico e um sistema de saúde sobrecarregado, representam realidades do nordeste Brasileiro. Tais constatações encorajaram o presente estudo, cuja finalidade é contribuir para o melhor entendimento do papel do rastreamento do AAA infrarrenal em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) na população com fatores de risco para a mencionada enfermidade.

 

Objetivos

Os objetivos foram determinar a prevalência do AAA infrarrenal nos pacientes com fatores de risco em hospitais do SUS da região Metropolitana de Salvador; identificar seus fatores de risco e a população de risco para o aneurisma da aorta abdominal infrarrenal que deve ser rotineiramente investigada.

 

Métodos

As Disciplinas de Cirurgia Vascular do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) e do Hospital Geral de Camaçari (HGC) realizaram um estudo transversal em forma de Campanha de Prevenção das Complicações do AAA, no período de setembro de 2008 a outubro de 2009.

A população teve acesso a este Serviço através da divulgação em jornais, panfletos, veiculações em emissoras de rádios, cartazes afixados em bancas de revistas, farmácias, bem como nas próprias instituições públicas e privadas, com informações sobre a doença em questão e os possíveis fatores etiológicos.

O projeto foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Os pacientes foram submetidos a um questionário pré-estabelecido contendo dados pessoais, presença de fatores de risco para o AAA e os sinais e sintomas relacionados. Todos os participantes desta pesquisa foram convidados a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. A Tabela 1 apresenta as variáveis analisadas.

Foram incluídos os pacientes com idade igual ou superior a 50 anos associada a uma ou mais das seguintes condições: Diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), tabagismo, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença arterial oclusiva periférica (DAOP), insuficiência coronariana (ICO), insuficiência cardíaca congestiva não isquêmica (ICC), dislipidemia, doença carotídea extracraniana (estenose de carótida), obesidade, insuficiência renal crônica (IRC) e antecedentes familiares de aneurisma da aorta e/ou doenças do colágeno (Síndrome de Marfan e Síndrome de Ehlers-Danlos). Foram excluídos os pacientes que apresentavam diagnóstico prévio de AAA.

Na etapa seguinte, foram realizados o ultrassom com doppler colorido, visando identificar a presença do AAA infrarrenal, com ou sem envolvimento das artérias ilíacas, e a presença de estenoses e/ou obstruções.

Os exames de ultrassom doppler colorido da aorta abdominal e artérias ilíacas foram realizados por quatro profissionais que utilizaram os mesmos critérios para o diagnóstico do AAA infrarrenal22 conforme relatado abaixo.

Os pacientes foram orientados a fazer dieta leve na véspera do exame, com baixa ingestão de carboidratos, derivados lácteos e bebidas gaseificadas. Os aparelhos de ultrassom doppler utilizados foram da marca GE, com transdutores convexos de 2 a 4 MHz igualmente calibrados para as medidas em questão. O exame foi realizado com o paciente em decúbito dorsal horizontal e/ou decúbito lateral esquerdo e abrangeu a aorta abdominal no plano axial e longitudinal, desde a emergência das artérias renais até as artérias ilíacas comum, externa e interna bilateralmente. Os diâmetros aórticos foram mensurados ao nível das artérias renais, um e cinco centímetros abaixo das renais e ao nível da bifurcação. O diâmetro da artéria ilíaca comum foi aferido nos seus terços proximal e distal e o diâmetro das artérias ilíacas externa e interna foi medido no terço proximal. Essas medidas foram realizadas com a imagem congelada em sístole e a duração do exame foi de aproximadamente dez minutos.

Foi considerada AAA infrarrenal a dilatação maior ou igual a 3,0 cm medida no maior diâmetro transverso. Também foi considerada aneurisma da artéria ilíaca comum e externa a dilatação maior ou igual a 1,5 cm medida no maior diâmetro transverso. Foram analisadas as alterações da velocidade sistólica e diastólica para a avaliação de estenoses. Documentados os achados de AAA e/ou artérias ilíacas, os pacientes foram encaminhados para rastreamento de aneurisma das artérias femorais e poplíteas, bem como orientações e tratamento das enfermidades em questão.

Para testar a igualdade das médias de idade entre os indivíduos com presença e ausência de AAA, foram utilizados o teste T e o teste de Wilcoxon. Para analisar a prevalência e os fatores de risco para o AAA, utilizou-se o teste do quiquadrado23 e a técnica de regressão logística24. Utilizou-se o nível de significância de 0,05 para diferenciar fatores estatisticamente relevantes.

 

Casuística

A partir de protocolo pré-estabelecido, foram analisados os dados, consecutivamente, de 1.350 pacientes atendidos em hospitais do SUS, na Região Metropolitana de Salvador (Bahia), no período de setembro de 2008 a outubro de 2009.

Os aspectos clínicos e as características da amostra (total de 1350 indivíduos) encontram-se registrados na Tabela 1.

Dos 53 casos diagnosticados com AAA infrarrenal, 40 (75,5%) eram do gênero masculino e 43 (81,2%) eram da raça negra. As doenças associadas presentes nesses pacientes estão descritas na Tabela 1.

A maioria dos nossos doentes (77,4%) era assintomática no momento do diagnóstico, sendo a dor abdominal o sintoma mais frequente, presente em 12 (22,6%) pacientes.

Nota-se que a palpação abdominal só detectou 25 (47%) aneurismas e que 15 pacientes sem aneurisma da aorta abdominal foram caracterizados como portadores de massa pulsátil.

No grupo de 53 pacientes portadores de AAA, constataram-se sete (13,2%) aneurismas da artéria ilíaca comum, sendo cinco com envolvimento bilateral e dois com envolvimento unilateral. Não encontramos aneurismas nas artérias ilíacas interna e externa e nem aneurisma isolado das artérias ilíacas comuns.

Em relação às características dos aneurismas da aorta, 51 (96,3%) eram do tipo fusiforme e dois (3,7%) eram do tipo sacular. O diâmetro do AAA variou entre 3 e 8 cm, com média de 3,9 (±1,1) e mediana de 3,7 cm. Seis (11,3%) pacientes apresentavam AAA com diâmetro superior a 5,5 cm e nove (17%) superior a 5,0 cm.

Todos os aneurismas das artérias ilíacas comuns eram do tipo fusiforme e apresentavam diâmetro médio de 2,7 cm (±0,53) e mediana de 2,8 cm. Quatro pacientes portavam aneurisma da artéria ilíaca comum com diâmetro superior a 3,0 cm.

Em 29 pacientes (54,7%) havia manifestação de DAOP sugerida pelo exame físico, sendo o segmento infrapatelar o mais envolvido (26,4%).

 

Resultados

Como resultado da campanha, 1.468 indivíduos compareceram às consultas agendadas, contudo 118 desses pacientes não preencheram os critérios adotados, razão pela qual foram excluídos do estudo. A amostra final foi composta, portanto, por 1.350 pacientes rastreados para a presença do AAA infrarrenal (Tabela 2). Destes, 53 eram portadores de AAA, estimando-se uma prevalência de 3,9% nesta amostra do SUS na Região Metropolitana de Salvador – Bahia (Tabela 2). Ressalta-se que a prevalência no gênero masculino foi 9% (40/409) e no feminino foi 1% (13/888).

 

 

A idade dos doentes variou entre 60 e 87 anos, com média de 72,4 (±5,7) anos e mediana de 72 anos. Em nossa casuística, observamos que dos 53 pacientes portadores de AAA infrarrenal, 50 (94,3%) apresentavam idade superior ou igual a 65 anos e que 35 (66%) apresentavam idade superior ou igual a 70 anos.

A Tabela 3 apresenta as estatísticas descritivas para a variável idade dos pacientes, separando-se por grupo, em termos de presença ou não de aneurisma. Nota-se que o grupo de pacientes com aneurisma possui média de idade maior que o grupo sem aneurisma, sendo essa diferença de nove anos. A mediana também corrobora essa diferença.

 

 

Quando correlacionados os dados referentes ao gênero dos indivíduos com achados positivos e negativos para o AAA (Tabela 1), observou-se maior prevalência desta enfermidade no gênero masculino, fato com significância estatística (p = 0,001). Não foi encontrada diferença entre os resultados positivos e negativos para o AAA quando avaliamos a raça (Tabela 1).

Quando correlacionados os dados de indivíduos com achados positivos e negativos para o AAA, observou-se maior frequência desta enfermidade nos pacientes com os seguintes fatores de risco: tabagismo, DPOC, DAOP, insuficiência coronariana e antecedentes familiares para aneurisma da aorta (Tabela 1), todos com significância estatística (p < 0,05).

Não houve relação estatisticamente significante (p > 0,05) para as demais condições clínicas associadas (HAS, diabetes mellitus, obesidade, estenose de carótida, insuficiência renal, dislipidemia e ICC).

O efeito conjunto de todas as variáveis foi analisado através da técnica de regressão logística.

A Tabela 4 apresenta as estimativas de parâmetros para a regressão logística após todo o processo de eliminação e inclusão das demais variáveis, utilizando-se o processo stepwise de seleção de fatores preditivos. Durante o processo, todas as variáveis disponíveis foram testadas, e a Tabela 5 mostra o resultado para a equação final contendo apenas variáveis que de fato se mostraram estatisticamente significantes (P valor menor do que 5%).

 

 

Os parâmetros estimados indicam que o risco de AAA aumenta com a idade e com a presença de ICO, DPOC, tabagismo e DAOP. Pessoas com antecedentes familiares e pessoas do sexo masculino também possuem maior risco de aneurisma. De fato, esta representa a nossa população de risco para o aneurisma da aorta e que deve ser rotineiramente rastreada.

As estimativas dos parâmetros na Tabela 4 não permitem uma interpretação direta e, para isso, é preciso recorrer à Tabela 5, a seguir. Essa tabela apresenta as estimativas dos odds ratio para cada variável no modelo final.

Em relação à presença do AAA, as razões entre odds ratios de incidência de aneurisma para cada fator de risco estão apresentadas na terceira coluna da Tabela 5. De acordo com os resultados apresentados, o odds ratio para pessoas do sexo masculino é quase dez vezes maior que o odds ratio para pessoas do sexo feminino. Para o fator idade do paciente, a cada ano adicional de idade o odds ratio aumenta em 10%.

Presença de ICO aumentou o odds ratio em 166,7 vezes, enquanto presença de DPOC aumentou o odds ratio em 35,7 vezes. Finalmente, o fator antecedente familiar aparenta ser o de maior impacto em termos de aumento das chances de aneurisma. Note que a razão entre odds ratios para esse fator é de 500 vezes.

 

Discussão

A formação de uma equipe multidisciplinar, constituída por médicos-cirurgiões vasculares, radiologistas, residentes, estudantes de medicina, enfermeiros e técnicos de enfermagem, representou etapa fundamental na execução deste projeto. As aquisições dos aparelhos de ultrassom doppler colorido, do espaço físico e dos recursos financeiros para a realização desta pesquisa em um serviço público ainda se constituem dificuldades em nosso contexto para a realização de um estudo epidemiológico desse porte.

O custo-benefício do rastreamento para o aneurisma da aorta abdominal é sumamente difícil de quantificar. Um fator que pode ser levado em consideração é a mortalidade que é significativamente menor em cirurgias eletivas quando comparadas às cirurgias de aneurisma roto.

Estudo realizado na Dinamarca por Lindholt et al.25 com 12.658 indivíduos com idade superior a 65 anos e portadores de aneurisma da aorta concluiu que, após correção cirúrgica de 1/3 desta casuística, o seguimento desses pacientes pode ser custo-efetivo em termos de sobrevida.

Bonamigo et al.21, em sua casuística, concluíram que alguns grupos se beneficiariam mais do rastreamento do AAA, entre eles os idosos, tabagistas, portadores de DAOP e insuficiência coronariana. Por outro lado, no gênero feminino que apresenta baixa prevalência, o rastreamento não mostrou ser custo-efetivo. Puech-Leão et al.3 reforçaram a maior prevalência de aneurisma em homens com idade superior a 60 anos e Meirelles et al.9, em portadores de cardiopatias, principalmente insuficiência coronariana.

A prevalência do AAA tem aumentado nos últimos anos, possivelmente devido ao aumento da expectativa de vida, maior suspeita clínica e melhor acurácia dos métodos de imagem. Esse aumento da prevalência também está associado a um importante acréscimo na taxa de ruptura. A ruptura do aneurisma em homens com idade superior a 65 anos representa a décima terceira causa de óbito nos Estados Unidos da América (EUA) e a décima causa no Canadá26.

Em nossa série, a prevalência geral (homens e mulheres) do AAA infrarrenal foi de 3,9%, comparável com Leopold et al.27 e Bonamigo et al.28, que relataram em suas casuísticas prevalência de 3,2% de AAA. Este valor também está de acordo com Molnar et al.29 que, estudando 193 indivíduos, mostraram uma prevalência de 3,1% em idosos do sexo masculino. Por outro lado, alguns autores encontraram taxas menores de prevalência do AAA.

Barros et al.4, examinando 834 indivíduos na cidade de Vitória (Espírito Santo), no período de dezembro de 2002 a junho de 2003, encontraram 21 casos de AAA, registrando uma prevalência de 2,5%. Da mesma forma, Lucarotti et al.30, em estudo realizado no Reino Unido, documentaram prevalência de aneurisma da aorta de 2,5%.

Em estudo de necrópsia realizado pela Zzzz, no período de setembro de 1992 a abril de 1995, foram encontrados 29 (4,5%) aneurismas em um total de 645 aortas abdominais dissecadas31.

Tanto em estudos de necrópsia como em pesquisas de detecção dos aneurismas da aorta em vivos, a prevalência do AAA aumenta se a amostra for selecionada conforme a idade, o sexo e fatores associados.

Estudos realizados na população com idade superior a 65 anos revelaram prevalência de AAA de 5% a 6%1,2,16, e nos indivíduos octogenários, de 10% a 13,5%9,10.

A idade dos pacientes relatada no presente estudo se diferencia de alguns trabalhos descritos na literatura. Encontramos uma média de idade de 72,4 (±5,7) anos, portanto faixa etária superior às discutidas em outros estudos9,32,33.

Em nossa série, não encontramos aneurisma da aorta em indivíduos com idade inferior a 60 anos, reforçando as orientações de diversos autores para o rastreamento em populações acima dessa faixa etária4,9,10,21,29,34.

Referente ao gênero, em resultados na literatura nacional, como os apresentados por Barros et al.4, em que foram avaliados 284 homens e 550 mulheres, observou-se uma prevalência de 1,7% e 0,7%, respectivamente, com significância estatística. Do mesmo modo, no Estado de São Paulo Puech-Leão et al.3 reportaram uma prevalência de AAA de 4,6% nos homens e 0,6% nas mulheres. Na nossa série, concordante com a literatura mundial, encontrou‑se um predomínio do aneurisma da aorta nos indivíduos masculinos numa relação 3:1.

Quando analisamos apenas os indivíduos do sexo masculino, encontramos uma prevalência de 8,9% (40/449), muito superior aos resultados descritos na literatura mundial4,16,31. Esse fato pode ser explicado em razão de nossa amostra de pacientes do sexo masculino apresentar maior número de fatores de risco para doenças cardiovasculares e aneurismáticas, bem como alguns dos pacientes terem sido encaminhados pelos serviços de cardiologia e pneumologia do nosso hospital (amostra viciada). Além disso, observamos maior resistência dos pacientes do gênero masculino na participação do estudo do rastreamento do AAA, na realização de qualquer tratamento medicamentoso e no seguimento clínico adequado (amostra constituída por pacientes com doenças graves e descompensadas).

Diferente de Silva et al.31, em que o achado de aneurisma da aorta predominou na raça branca (93,1%), reportamos um domínio da raça negra (81,2%). Este fato, sem significância estatística, pode ser explicado pela importante afrodescendência na população da Região Metropolitana de Salvador.

Em relação ao quadro clínico, observamos que a grande maioria dos nossos pacientes era assintomática (77,4%) no momento do diagnóstico, fato já descrito por diversos autores4,9,16,19,28,32-36. Concordante com os trabalhos de Molnar et al.29 e Puech-Leão et al.3, em que a palpação abdominal só detectou 33% e 60% dos aneurismas rastreados respectivamente, demonstramos uma baixa sensibilidade do exame físico para a detecção do AAA (47%), reforçando a importância de um exame de imagem no diagnóstico desses indivíduos.

A DAOP evidenciada em 54,7% dos portadores de AAA, foi superior ao descrito por Barros et al.4, podendo refletir o grande número de indivíduos com múltiplos fatores de risco para a aterosclerose presente na nossa amostra.

Diversos trabalhos enfatizam que a DAOP representa fator de risco para o AAA, entre eles, o de Bengtsson et al.37. Nesse estudo, os autores avaliaram 183 pacientes com claudicação intermitente dos membros inferiores e encontraram aneurisma da aorta em 25 (13,7%) deles. Do mesmo modo, Barba et al.38 estudaram indivíduos com e sem DAOP e observaram que a prevalência de AAA infrarrenal foi significativamente superior no grupo com DAOP (14,2% versus 4,7%). Em concordância com esses autores, nossa amostra evidencia maior frequência de DAOP no grupo de AAA, fato com significância estatística (p = 0,001).

Quanto à topografia da DAOP e concordante com os achados de Carvalho et al.33, reportamos maior envolvimento do território infrapatelar, mas sem correlação significante.

Referente às características dos aneurismas e concordante com os relatos de Barros et al.4 e Meirelles et al.9, também encontramos predomínio do tipo fusiforme, representado por 96,3% dos nossos achados. O diâmetro médio dos nossos aneurismas também foi comparável com os encontrados nas grandes séries37,39,40.

A associação de aneurisma da aorta e das artérias ilíacas em sete (13,2%) pacientes está de acordo com os resultados apresentados por Barros et al.4, porém inferior aos descritos por Cronenwett et al.41.

De acordo com a literatura mundial, reportamos uma casuística formada por indivíduos com diversos fatores de risco para o aneurisma da aorta, bem como para outras doenças associadas.

No Brasil, Bonamigo e Siqueira21 rastrearam 2281 homens com idade superior a 50 anos, sendo que, destes, 760 estavam em tratamento clínico cardiológico (HAS, dislipidemia, ICC e outras cardiopatias) e 500 eram portadores de insuficiência coronariana. Da mesma forma, Singh et al.42 observaram que a maioria dos indivíduos com aneurisma da aorta apresentava múltiplas doenças associadas, tais como HAS, dislipidemia, cardiopatia e tabagismo. Concordante com este autor, em nossa casuística, 42 (79%) eram hipertensos, 36 (67,9%) portadores de doença coronariana e sete (13,2%) apresentavam ICC.

A aterosclerose é descrita como importante fator de risco na etiologia do aneurisma da aorta, apesar de distúrbios do metabolismo do tecido conjuntivo poderem estar envolvidos 43,44. De fato, a aterosclerose e o AAA compartilham diversos fatores de risco, tais como idade, tabagismo, HAS e hipercolesterolemia 42.

A relação direta entre o tabagismo e o risco de desenvolver AAA já foi descrita por diversos estudos ao longo dos anos4,32-34,38,43-45.

Meirelles et al.9 observaram que o risco de indivíduos tabagistas apresentarem aneurisma da aorta foi 6,8 vezes maior quando comparados a grupos de pacientes não tabagistas. Singh et al.42 acrescentaram que a duração do tabagismo é mais importante na gênese do AAA do que o número de cigarros consumidos por dia.

Bonamigo et al.21, em estudo descritivo realizado em Porto Alegre, evidenciaram maior prevalência do aneurisma da aorta em pacientes idosos e tabagistas. Esses autores observaram que a prevalência do AAA foi sete vezes maior nos indivíduos tabagistas em comparação com os não tabagistas da mesma idade. Essa associação, com significância estatística, também foi evidenciada no nosso estudo (p = 0,001).

A associação entre insuficiência coronariana e AAA já foi amplamente descrita na literatura.

O infarto agudo do miocárdio (IAM) é responsável por 37% e 39% dos óbitos no pós-operatório precoce e tardio da correção cirúrgica do aneurisma da aorta, respectivamente46. Em estudo de 263 casos de AAA assintomáticos que foram submetidos a cateterismo, 31% apresentaram doença coronariana com indicação de correção cirúrgica, no pré-operatório.

Hollier et al.47, estudando pacientes operados de aneurisma da aorta, observaram que 22% faleceram por IAM num período de 2 anos de acompanhamento, demonstrando a grande incidência de coronariopatia nesses indivíduos. De forma semelhante, Carvalho et al.33, estudando 134 pacientes submetidos à correção cirúrgica eletiva do AAA infrarrenal pela disciplina de cirurgia vascular da Santa Casa de São Paulo, observaram que a insuficiência coronariana representou a principal causa de óbito.

A presença de insuficiência coronariana como fator preditivo de AAA também foi analisada por Meirelles et al.9. Esses autores observaram que o número de lesões coronarianas correlacionou-se com a prevalência do aneurisma, indicando que os pacientes que apresentavam doença aterosclerótica mais difusa, independente do grau de obstrução coronariana, apresentavam maior probabilidade de desenvolver aneurisma da aorta. Por outro lado, Bengtsson et al.48 e Barros et al.4 não encontraram associação de AAA e coronariopatia. De acordo com a nossa casuística, a insuficiência coronariana mostrou-se um fator preditivo de AAA infrarrenal.

A DPOC representa causa frequente de morbidade e óbito no tratamento cirúrgico do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal33,36. Esse fato também foi reforçado por Anacleto et al.49, que acompanharam 200 pacientes operados de AAA e relataram 5,3% de complicações pulmonares, entre elas, pneumonia, atelectasia e derrame pleural.

A frequência de indivíduos portadores de DPOC e com antecedentes familiares para aneurisma da aorta também foi significativamente maior no grupo de resultados positivos para o AAA, fato já documentado por Pleumeekers et al.50 e Bonamigo e Siqueira21. Diferente desses achados, o trabalho descrito por Singh et al.42 não observou correlação entre essas variáveis e o aneurisma da aorta.

No presente estudo, não foi evidenciada significância estatística quanto às variáveis: raça, dislipidemia, obesidade, HAS, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca congestiva (não isquêmica), IRC, estenose de carótida (>50%) e AVE. Tampouco a somatória desses fatores de risco e condições clínicas associadas foi preditiva de aneurisma da aorta.

A associação entre dislipidemia e AAA tem sido descrita por alguns trabalhos científicos51,52, mas não em todos38. O estudo de Singh et al.42 demonstrou relação positiva entre o baixo nível de colesterol HDL e o risco de aneurisma da aorta. Nesse mesmo trabalho, os autores observaram que o risco de desenvolver AAA foi 40% menor em indivíduos com HDL sérico elevado. No nosso estudo, a presença de dislipidemia não foi fator preditivo de aneurisma da aorta abdominal, fato também documentado por outros trabalhos na literatura4,39,53-56.

A associação entre estenose carotídea e aneurisma da aorta abdominal tem sido relatada em diversos estudos de rastreamento, entre eles o de Bengtsson et al.48. Esses autores encontraram uma prevalência de 24,5% de aneurisma da aorta abdominal num total de 287 pacientes submetidos a endarterectomia de carótida, enfatizando o rastreamento do AAA em portadores de doença carotídea extracraneana. De forma semelhante, Johnston et al.57 reportaram que os doentes com aneurisma da aorta devem ser examinados com ultrassom doppler colorido das artérias carótidas e vertebrais, visando identificar os doentes com maior risco de acidente vascular encefálico no pós-operatório.

Outro estudo de rastreamento realizado em indivíduos portadores de estenose de carótida, conduzido por Macsweeney et al.58, evidenciou associação estatisticamente significante com o AAA. Da mesma forma, Barros et al.4 observaram que, dos 14 pacientes portadores de aneurisma da aorta abdominal, 86% apresentavam estenose carotídea, sendo 14% consideradas severas (estenose maior ou igual a 70% ou oclusão da artéria carótida, visualizadas pelo ultrassom com doppler colorido).

Diferente desses autores, a associação entre o aneurisma da aorta abdominal e estenose das artérias carótidas também não foi confirmada em nosso estudo.

Em um estudo realizado por Singh et al.42, os autores reportaram uma associação positiva entre a hipertensão arterial sistêmica (pressão arterial sistólica elevada) e o aneurisma da aorta abdominal em pacientes do gênero feminino, mas não em homens. Na nossa série, a presença de hipertensão arterial sistêmica não foi correlacionada significativamente com o AAA, da mesma forma que muitos trabalhos científicos não demonstram positividade desta associação, apesar de ser considerado um fator de risco para a gênese da aterosclerose4,21,31,38,39,48,52-55,59.

A associação entre o diabetes mellitus e o AAA também não foi evidenciada no nosso estudo, do mesmo modo que a maioria dos estudos na literatura não demonstra positividade desta relação, apesar de também ser considerada um fator de risco para a aterosclerose4,38,54,55,59.

A presença de ICC não isquêmica como fator de risco para o aneurisma da aorta não tem sido observada de forma rotineira nas grandes séries, porém, casuística levantada por Silva et al.31, concluiu que a ICC representou importante causa de óbito nos portadores de AAA. Uma possível interpretação desse achado pode ser em decorrência da insuficiência cardíaca congestiva ocorrer muitas vezes como consequência da isquemia coronariana (infarto agudo do miocárdio). De fato, a associação entre a isquemia miocárdica e o aneurisma da aorta abdominal já foi amplamente descrito na literatura. No nosso estudo, a insuficiência cardíaca congestiva não se revelou fator preditivo da ocorrência de aneurisma da aorta (p = 0,242).

Concordante com a maioria dos estudos científicos8,21,28,32,60 a associação entre o aneurisma da aorta e a obesidade também não foi confirmada em nossa casuística.

Entre os fatores de risco analisados, a presença de idade avançada, gênero masculino, tabagismo, DPOC, doença arterial oclusiva periférica, antecedentes familiares e insuficiência coronariana mostraram correlação com significância estatística para ocorrência do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal na análise uni e multivariada (regressão logística).

Desta forma, parece ser importante recomendar que os homens com idade superior a 65 anos, principalmente quando presentes algum desses fatores de risco (DAOP, DPOC, tabagistas, ICO e história familiar de aneurisma), devem ser encaminhados para a pesquisa do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal através de exame de imagem, especialmente o ultrassom com doppler colorido.

Depois da realização desta pesquisa, em que foram rastreados indivíduos para a presença do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal na região metropolitana de Salvador, observamos maior conscientização da nossa população para a importância desta enfermidade e o seu diagnóstico precoce. Fato este reforçado por maior demanda de portadores de fatores de risco para o aneurisma da aorta em nosso ambulatório de cirurgia vascular.

A realização de mais estudos sobre o real custo‑benefício do rastreamento dos indivíduos portadores de AAA deve ser incentivada.

Possivelmente a adoção de critérios mais rígidos e específicos para o rastreamento do AAA, como os relatados no presente estudo, associada à aquisição de aparelhos portáteis de ultrassom doppler, possibilite melhor qualidade na relação custo-benefício desses estudos.

 

Conclusões

Através deste estudo, em que foram rastreados indivíduos portadores de aneurisma da aorta abdominal infrarrenal em hospitais do SUS na região metropolitana de Salvador, podemos concluir que:

  • A prevalência do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal nesta amostra da região metropolitana de Salvador (Bahia) foi de 3,9%;
  • Os fatores de risco mais frequentes nesta população foram média de idade de 72 anos, gênero masculino, insuficiência coronariana, DAOP, DPOC, tabagismo e antecedente familiar de aneurisma;
  • O rastreamento do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal deve ser considerado em determinados grupos de risco tais como homens com idade superior a 65 anos, principalmente quando presentes insuficiência coronariana, DPOC, DAOP e história familiar de doença aneurismática.

 

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Correspondência:
Aquiles Tadashi Ywata de Carvalho
Clínica de Cirurgia Galon Ywata

Av. Antônio Carlos Magalhães, 3244, Sala 1416 – Caminho das Árvores.
CEP 41820-000 – Salvador (BA), Brasil
E-mail: aquiles_tadashi@yahoo.com.br

Submetido em: 30.07.12.
Aceito em: 13.10.12.

Conflito de interesse: Nada a declarar.

 

 

Contribuição dos autores
Concepção e desenho do estudo: ATYC, RAC
Análise e interpretação dos dados: ATYC, RAC, VPS, RPR
Coleta de dados: ATYC, AJS, CAPG, MLM, MOQ
Redação do artigo: ATYC, RAC, CAPG
Revisão crítica do texto: ATYC, VPS, RPR, RAC
Aprovação final do artigo*: ATYC, AJS, CAPG, RPR, MLM, VPS, MOQ, RAC
Análise estatística: ATYC, VPS, RAC
Responsável geral pelo estudo: ATYC, RAC
Informações sobre financiamento: ATYC
Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) em Salvador (Bahia) e Hospital Geral de Camaçari (HGC), em Camaçari (Bahia)
Declaro que esse trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Tese apresentada ao curso de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Medicina – São Paulo 2011.
*Todos os autores leram e aprovaram a versão final submetida do J Vasc Bras.

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