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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.12 no.1 Porto Alegre jan./mar. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492013000100009 

RELATO DE CASO

 

Implante profilático e temporário de filtro de veia cava inferior no trauma

 

Prophylactic and temporary inferior vena cava filter implant in trauma

 

 

Fábio Augusto Cypreste OliveiraI; Carlos Eduardo de Sousa AmorelliI; Fábio Lemos CampedelliI; Juliana Caetano BarretoII; Mariana Caetano BarretoIII; Philippe Moreira da SilvaIV; Fernanda Lauar Sampaio MeirellesV

ISociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - SBACV, Colégio Brasileiro de Radiologia - CBR, Associação Médica Brasileira - AMB, Goiânia, GO, Brasil
IIServiço de Angiologia, Cirurgia Vascular, Endovascular e Laserterapia - Angiogyn, Goiânia, GO, Brasil
IIIHospital de Urgências de Goiânia, Goiânia, GO, Brasil
IVAngiogyn, Goiânia, GO, Brasil
VPontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC-Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é importante causa de óbito no trauma e esse, na maioria das vezes, contraindica a principal farmacoterapia na prevenção e no tratamento do TEP: a anticoagulação. Relatamos um caso de paciente politraumatizado, com risco elevado de embolia pulmonar, submetido ao implante preventivo e temporário de filtro de veia cava inferior (FVC).

Palavras-chave: veia cava inferior; ferimentos e lesões; embolia pulmonar.


ABSTRACT

Pulmonary embolism (PE) is a major cause of death in trauma and that, on most cases, the main contraindication for pharmacotherapy in the prevention and treatment of PE: the anticoagulation. We report a case of multiple trauma patient at high risk of pulmonary embolism, preventive and implant subjected to temporary inferior vena cava filter (VCF).

Keywords: vena cava, inferior; wounds and injuries; pulmonary embolism.


 

 

INTRODUÇÃO

O tromboembolismo venoso é responsável por elevada mortalidade e morbidade no paciente politraumatizado, podendo ocorrer em mais de 50% dos casos1-3. A administração de baixas doses de heparina e a compressão pneumática estão indicados nesses pacientes, porém sua total eficácia na prevenção do tromboembolismo pulmonar (TEP) no politraumatismo ainda é interrogada4,5 ou, até mesmo, devem ser suspensos mesmo que temporariamente. Nos primeiros dias pós-trauma, a incidência do TEP e suas complicações são mais frequentes. Nesse período, a interrupção da veia cava deve ser realizada e o filtro de veia cava infrarrenal se apresenta como principal arma na luta contra a embolia pulmonar6.

 

RELATO DE CASO

T.L, 66 anos, masculino, hipertenso, obeso (índice de massa corporal 33), tabagista de longa data, vítima de politraumatismo por atropelamento por trator, admitido em nossa emergência com quadro de choque hipovolêmico sendo submetido ao atendimento inicial conforme protocolo mundial e encaminhado ao centro de terapia intensiva (CTI) após ressuscitação volêmica.

Na avaliação secundária foram identificados: traumatismo cranioencefálico leve, fratura fechada de diáfise de fêmur esquerdo, fratura com luxação de pelve e tórax instável à esquerda por múltiplas fraturas costais com hemopneumotórax de baixo débito à drenagem subaquática. Foi realizada tração ortopédica do membro inferior esquerdo e 12 horas após o atendimento inicial, já estável hemodinamicamente e em uso de compressão pneumática intermitente, implante de filtro de veia cava infrarrenal recuperável ELLA® (Ella - CS) via jugular direita e introdução de cateter de dupla luz pela mesma via.

Evolução clínica satisfatória com manutenção da estabilidade hemodinâmica, redução progressiva do débito do dreno torácico e melhora dos padrões ventilatórios. Realizada correção cirúrgica definitiva da fratura do fêmur no oitavo dia de internação hospitalar (DIH) e alta do CTI em ventilação espontânea via traqueostomia e sem dreno torácico.

No 12º DIH, foi realizada a retirada, também via jugular direita, do filtro de veia cava com auxílio de laço Multi-snare® (PFM Medical) e bainha longa 12F (Figuras 1 e 2). No filtro, foram identificados trombos aderidos (Figura 3).

 

 

 

 

 

 

O paciente recebe alta hospitalar no 15º DIH sem sinais de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, sendo mantida a compressão pneumática intermitente e uso subcutâneo de baixas doses de heparina de baixo peso molecular à nível ambulatorial até o retorno da deambulação do paciente. Realizou-se acompanhamento ambulatorial com a nossa equipe até o 30º dia pós-trauma, sem complicações vasculares.

 

DISCUSSÃO

O paciente politraumatizado é de alto risco para o desenvolvimento de TEP, principalmente nos casos em que a terapia anticoagulante não pode ser impregada7,8. A indicação do implante profilático do filtro de veia cava no trauma tem sido advogado por alguns trabalhos baseados na baixa morbidade do procedimento, na diminuição da incidência dos eventos tromboembólicos graves nesses casos e por promover uma interrupção temporária da veia cava9-12. O implante dos filtros são realizados, em sua maioria, sob o auxílio de fluoroscopia e com uso de contrastes iodados em setor específico, porém a alternativa para os pacientes com risco elevado de transporte e de uso de contraste é o implante à beira do leito com o auxílio da ecografia vascular com Doppler13.

A taxa de retirada dos filtros recuperáveis permanece baixa, fato que pode ser atribuído às condições clínicas do paciente politraumatizado e a falha no acompanhamento pós-operatório do paciente pelo serviço que o implantou14.

Os filtros permanentes de veia cava apresentam eficácia elevada na prevenção do TEP porém não são isentos de complicações, mostrando uma taxa de trombose significativa podendo levar à complicações pós-trombóticas grave15,16. Dessa forma a interrupção temporária da veia cava por filtro no trauma parece ser a opção de escolha na prevenção do TEP, principalmente nos casos em que há contraindicação à anticoagulação plena17. As medidas mecânicas de compressão (meias elásticas e compressão pneumática intermitente) devem ser usadas de rotina quando possíveis.

Relatamos um caso de paciente politraumatizado com risco elevado de desenvolvimento de TEP e contraindicação à anticoagulação, submetido ao implante temporário de filtro de veia cava infrarrenal com êxito na prevenção do TEP nos primeiros 30 dias pós-trauma e livre de complicações.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Dr. Vasco Lauria da Fonseca Filho, chefe do serviço de cirurgia vascular e endovascular do Hospital da Lagoa (RJ), pelos ensinamentos contínuos e pelo fornecimento de material específico para revisão bibliográfica.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Fabio Augusto Cypreste Oliveira
Av. Alphaville Flamboyant, 3.900, casa 283
CEP 74884-527 - Goiânia (GO), Brasil
E-mail: fabioacoliveira@gmail.com

Submetido em: 03.09.11.
Aceito em: 26.06.12

Fonte de financiamento: Nenhuma
Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

 

 

Informações sobre os autores
FACO, CESA, FLC especialistas em Cirurgia Vascular com área de atuação em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Associação Médica Brasileira (AMB).
JCB é médica clínica geral do Serviço de Angiologia, Cirurgia Vascular, Endovascular e Laserterapia (Angiogyn).
MCB é médica cirurgiã geral do Hospital de Urgências de Goiânia.
PMS é técnico de Enfermagem e instrumentador da Angiogyn.
FLSM é graduanda do sexto ano em Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás).

 

Contribuições dos autores
Concepção e desenho do estudo: FAC
Análise e interpretação dos dados: FACO, CESA, FLC
Coleta de dados: FACO, JCB, MCB, FLSM, PMS
Redação do artigo: FACO, JCB, MCB, FLSM
Revisão crítica do texto: FACO, CESA, FLC
Aprovação final do artigo*: FACO, CESA, FLC, MCB, JCB, FLSM, PMS
Análise estatística: FACO, CESA, FLC
Responsabilidade geral pelo estudo: FACO, CESA, FLC
O estudo foi realizado no Serviço de Angiologia, Cirurgia Vascular, Endovascular e Laserterapia (Angiogyn) do Hospital São Francisco de Assis, Goiânia, GO, Brasil.
*Todos os autores leram e aprovaram a versão final submetida ao J Vasc Bras.

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