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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.12 no.2 Porto Alegre jun. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492013000200004 

Original Articles

Efeitos do treinamento de caminhada e força na capacidade de caminhada de claudicantes: meta-análise

Alessandra de Souza Miranda1 

Lausanne Barreto de Carvalho Cahú Rodrigues1 

Sérgio Luiz Cahú Rodrigues1 

Crivaldo Gomes Cardoso Júnior2 

Maryela Oliveira Menacho3 

Diego Giulliano Destro Christofaro3 

Raphael Mendes Ritti-Dias1 

1 Universidade de Pernambuco – UPE, Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física, Recife, PE, Brasil.

2 Universidade Estadual de Londrina – UEL, Centro de Educação Física e Desportos, Londrina, PR, Brasil.

3 Universidade Estadual de Londrina – UEL, Centro de Ciências da Saúde, Londrina, PR, Brasil.

RESUMO

CONTEXTO:

Ao longo dos últimos anos, diversos ensaios clínicos têm sido realizados sobre os efeitos do treinamento físico na capacidade de caminhada de pacientes com claudicação intermitente (CI). No entanto, ainda permanece incerto, qual modalidade de treinamento físico promove maiores aumentos na capacidade de caminhada dos pacientes.

OBJETIVO

: Analisar, por meio de meta-análise, os efeitos do treinamento de caminhada e de força na capacidade de locomoção de pacientes com CI.

MÉTODOS:

Foi realizada pesquisa bibliográfica de artigos que analisaram os efeitos do treinamento de caminhada e de força em pacientes com CI nas bases de dados Medline, Lilacs e Cochrane. Foram incluídos na revisão estudos clínicos randomizados com escore > 4 na escala de PEDro e que quantificaram a distância de claudicação (DC) e a distância total de caminhada (DTC).

RESULTADOS:

Os treinamentos de caminhada e de força promoveram aumentos na DC e na DTC (P < 0,05). No entanto, os aumentos obtidos com o treinamento de caminhada foram superiores aos obtidos com o treinamento de força (P = 0,02).

CONCLUSÃO

: Os treinamentos de caminhada e de força promovem aumento na capacidade de locomoção de pacientes com CI. No entanto, efeitos são mais acentuados com o treinamento de caminhada.

Palavras-Chave: exercício; doenças vasculares; doença arterial periférica

INTRODUÇÃO

A doença arterial periférica (DAP) é uma das principais doenças ateroscleróticas e está relacionada com elevadas taxas de morbidade na população idosa1. O principal sintoma da DAP é a claudicação intermitente (CI), que tem como característica a dor nos membros inferiores, principalmente na panturrilha, durante a caminhada2. A DAP apresenta prevalência entre 3% e 10% da população geral e cerca de 20% da população acima de 70 anos3,4.

A CI promove limitações de locomoção, que podem comprometer a realização de atividades físicas da vida diária5. Além disso, indivíduos com CI apresentam atrofia muscular e redução dos níveis de força6, de potência e de resistência musculares nos membros inferiores7. Devido a isso, o treinamento físico supervisionado atrelado a modificações no estilo de vida tem sido considerado importante para o tratamento de indivíduos com CI8, visto que aumentos significantes na capacidade de locomoção e na aptidão musculoesquelética têm sido observados9,10.

Atualmente existem evidências que fundamentam a utilização do treinamento de caminhada nos pacientes com DAP11. De fato, melhoria da aptidão física e da qualidade de vida tem sido observada com as vantagens de ser de baixo custo e de fácil realização12-14. Mais recentemente estudos têm mostrado que o treinamento de força também promove melhoria na aptidão física e qualidade de vida dos pacientes com DAP10,15-18. No entanto, ainda permanece incerto, qual das duas modalidades de treinamento físico promove maiores aumentos na capacidade de caminhada.

Dessa forma, o objetivo do estudo foi, por meio de uma meta-análise, comparar os efeitos do treinamento de caminhada com os do treinamento de força na capacidade de locomoção em indivíduos com CI.

MÉTODOS

Pesquisa da literatura

Para a pesquisa bibliográfica, foram consultadas as bases de dados Medline, Lilacs e Cochrane. Inicialmente, os artigos foram delimitados temporalmente pelo período compreendido entre julho de 1980 e dezembro de 2010.

Para a realização da pesquisa, foram selecionados os descritores ou termos em português e seus correspondentes em inglês, pela base de dados do DECs e MeSH, respectivamente. Os descritores/termos selecionados foram: exercício físico/physical exercise, aptidão física/fitness, caminhada/walking, treinamento de força/strength training e claudicação intermitente/intermittent claudication. Para a seleção dos artigos, os descritores ou termos foram inseridos de forma combinada para a realização da pesquisa. Assim, foram encontrados 1947 artigos, sendo que apenas oito15-17,19-23 atenderam ao critério de inclusão. Na Figura 1, é apresentado o fluxograma de seleção dos artigos utilizados para esta meta-análise.

Figura 1 Fluxograma dos estudos incluídos na meta-análise. DC - distância de claudicação, DTC - distância total de caminhada. 

Inicialmente, dois pesquisadores realizaram a leitura dos títulos a fim de verificar a adequação ao propósito dessa meta-análise. Quando uma decisão não pode ser tomada a partir da leitura dos títulos, recorreu-se ao resumo e, posteriormente, à leitura do estudo na íntegra. Foram incluídos, nessa meta-análise, os artigos que: (i) realizaram estudos com ensaios clínicos aleatorizados; (ii) apresentaram amostra composta por indivíduos com DAP e sintomas de CI; (iii) analisaram os efeitos do treinamento físico supervisionado (caminhada ou de força); (iv) quantificaram a distância de claudicação (DC) ou a distância total de caminhada (DTC) pré e pós-intervenção; (v) incluíram mais de um grupo experimental; e (vi) tinham escore igual ou superior a 4 na escala de PEDro, escala utilizada para quantificar a qualidade metodológica de estudos clínicos.

Extração de informação

Dos estudos que atenderam aos critérios de inclusão, foram extraídas as seguintes informações: (a) ano de publicação; (b) grupos; (c) número de sujeitos em cada grupo; (d) tipo de exercício físico; (e) duração da intervenção; (f) frequência semanal; (g) volume da sessão de treinamento; (h) método utilizado para determinação da intensidade; (i) intensidade prescrita; (j) DC e/ou a DTC inicial; (k) DC e/ou DTC final.

Análise dos dados

Para descrição das características dos indivíduos incluídos no estudo, foram calculados a média e o desvio padrão com base nos dados médios apresentados nos estudos. Para análise inferencial, foram obtidos a diferença média e o intervalo de confiança de 95%; o modelo de efeito fixo foi usado quando os resultados foram homogêneos (P > 0,10); e um modelo de efeitos aleatórios foi utilizado quando a heterogeneidade estava presente (P < 0,10). As análises foram realizadas utilizando software Review Manager 5.1.

RESULTADOS

Qualidade dos estudos

A pontuação média na escala PEDro dos estudos incluídos foi 5,5 ± 0,9 pontos, com uma variação de 4 a 7 (Tabela 1). Os principais fatores determinantes para esta pontuação foram: a distribuição não cega dos sujeitos15-17,20,22,23; a falta de ocultação dos sujeitos quanto à intervenção15-17,19-23; a falta de ocultação dos administradores dos programas de treinamento15-17,19-23; e a falta de análise estatística por intenção de tratar 15-17, 19-23.

Tabela 1 Qualidade dos estudos incluídos na meta-análise. 

Estudo Pontuação
Crowther19 5/10
Hiatt15 5/10
McDermott16 7/10
Mika20 6/10
Parr23 4/10
Ritti-Dias17 6/10
Sanderson21 6/10
Tsai22 5/10

Características dos estudos

Ao todo, foram analisados 424 sujeitos, sendo que destes 238 foram submetidos ao treinamento físico (Tabela 2). A maioria dos sujeitos eram homens (65%) e idosos (67 ± 4 anos). A duração da DAP descrita em quatro estudos15,20,22,23 foi de 3,4 ± 0,8 anos. Todos os sujeitos incluídos apresentavam CI, de leve a moderada, com índice tornozelo braço (ITB) médio de 0,64 ± 0,06.

Tabela 2 Características dos estudos que atenderam aos critérios de inclusão. 

Estudo Intervenção Sujeitos (n) Duração (sem) Freq. (sem)
Crowther19 Caminhada na esteira 10 48 3
Controle 11 48 -
Hiatt15 Força 9 12 3
Caminhada na esteira 10 12 3
Controle 10 12 -
McDemort16 Força 52 24 3
Caminhada na esteira 51 24 3
Mika20 Caminhada na esteira 27 12 3
Controle 28 12 -
Parr23 Força 9 6 3
Controle 8 6 -
Ritti-Dias17 Força 15 12 2
Caminhada na esteira 15 12 2
Sanderson21 Caminhada na esteira 13 6 3
Controle 14 6 -
Tsai22 Caminhada na esteira 27 12 3
Controle 26 12 -

A massa corporal foi descrita em quatro estudos15,19,21,23, com média de 76,0 ± 4,9 kg, e o índice de massa corporal foi descrito em três estudos16,19,23, com média de 28,6 ± 2,0 kg/m2. Quanto às comorbidades, quatro estudos15,17,19,22 descreveram a presença de hipertensão arterial; cinco estudos15,17,19,21,22, a presença de cardiopatias; quatro estudos16,17,19,21, a presença de diabetes; e dois estudos15,22, a presença de dislipidemia. Além disso, a maioria dos estudos15-17,19-22 relatou que os sujeitos eram tabagistas.

Capacidade de locomoção pré-intervenção

A DC foi obtida nos oito estudos15-17,19-23. A média da DC pré-intervenção foi de 203 ± 126 m e 197 ± 124 m, nos estudos que utilizaram o treinamento de caminhada e de força, respectivamente. Em todos os estudos, a DC foi similar entre os grupos experimentais e controle no momento pré-intervenção.

A média da DTC pré-intervenção foi de 365 ± 182 metros e 329 ± 171 metros, nos estudos que utilizaram o treinamento de caminhada e de força, respectivamente. Em todos os estudos, a DTC foi similar entre os grupos experimentais e controle no momento pré-intervenção.

Programas de treinamento

O tempo de intervenção dos estudos variou de seis23 a 4819 semanas, sendo que o de 12 semanas foi a duração mais frequente15,17,20,22. A frequência semanal variou de duas17 a três vezes15-17,19-23, enquanto a duração das sessões variou de 20 a 60 minutos15-17,19-23.

Para a prescrição do treinamento de caminhada, foram utilizadas a percepção subjetiva de esforço, com os escores variando de 11 a 14 da escala de Borg16,17, e a percepção de dor de claudicação, com os escores variando de 3 a 419. O consumo pico de oxigênio (VO2pico) foi utilizado em um estudo com intensidade de 80% do VO2pico21.

Para a prescrição do treinamento de força, foram utilizadas a percepção subjetiva de esforço, utilizando os escores de 11 a 13 da escala de Borg16,17 e os testes de 6 repetições máximas15 e de 15 repetições máximas23.

Efeitos do treinamento na capacidade de locomoção

A comparação dos efeitos do treinamento de caminhada com a intervenção controle na DC (Tabela 3) mostra que somente o treinamento de caminhada promoveu aumento significante na DC (152 m; CI 95% [135 m; 168 m], P < 0,00001). A comparação do efeito do treinamento de força com a intervenção controle na DC mostra que somente o treinamento de força promoveu aumento significante na DC (17 m; CI 95% [-27 m; 61 m], P = 0,03). A comparação dos aumentos obtidos na DC entre o treinamento de caminhada e de força mostrou que os efeitos dos dois tipos de treinamento foram similares (P = 0,32).

Tabela 3 Efeitos do treinamento de caminhada e de força na distância de claudicação. 

Estudo Média DP Total Média DP Total Peso Diferença média IV, Fixo, 95% IC Diferença média IV,Fixo, 95% IC
Controle vs. Treinamento de caminhada
Hiatt (1994)15 354 227 10 164 69 10 1.3% 190 [43, 337]
McDermott (2009)16 291 170 51 194 169 53 6.7% 97 [32, 162]
Mika (2006)20 340 53 41 185 25 39 87.7% 155 [137, 173]
Sanderson (2006)21 455 276 13 334 331 14 0.5% 121 [-108, 350]
Tsai (2002)22 327 143 27 169 180 26 3.7% 158 [70, 246]
Total (95%IC) 142 142 100% 152 [135, 168]
Heterogeneidade: X2 = 3,18 GL = 4 (P = 0,53); I2 = 0%
Teste total do efeito: Z = 17,59 (P < 0,00001)
Controle vs. Treinamento de força
Hiatt (1994)15 153 58 10 163 68 10 63,2% -10 [-65, 45]
McDermott (2009)16 269 138 27 193 169 26 28,0% 76 [-7, 159]
Parr (2009)23 202 175 9 175 136 8 8,8% 27 [-121, 175]
Total (95%IC) 46 44 100% 17 [-27, 61]
Heterogeneidade: X2 = 1,94 GL = 4 (P = 0,16); I2 = 48%
Teste total do efeito: Z = 2,18 (P = 0,03)
Treinamento de força vs. Treinamento de caminhada
Hiatt (1994)15 354 227 10 153 58 9 29,9% 201 [55, 347]
McDermott (2009)16 291 170 51 269 138 52 46,2% 22 [-38, 82]
Ritti-Dias (2010)17 469 237 15 504 276 15 23,9% -35 [-219, 149]
Total (95%IC) 76 76 100% 62 [-60, 184]
Heterogeneidade: Tau2 = 7469,79 X2 = 5,67 GL = 2 (P = 0,06); I2 = 65%
Teste total do efeito: Z = 0,99 (P = 0,32)

A comparação dos efeitos do treinamento de caminhada com a intervenção controle na DTC15,16,20-22 (Tabela 4) mostra que somente o treinamento de caminhada promoveu aumento significante da DTC (173 m; CI 95% [56 m; 290 m], P < 0,00001). Do mesmo modo, a comparação dos efeitos do treinamento de força com a intervenção controle na DTC mostra que apenas o treinamento de força promoveu aumentos significantes na DTC (106 m; CI 95% [33 m; 180 m] P=0,005). No entanto, os aumentos na DTC obtidos com o treinamento de caminhada foram superiores (P=0,02) aos obtidos com o treinamento de força.

Tabela 4 Efeitos do treinamento de caminhada e de força na distância total de caminhada. 

Estudo Média DP Total Média DP Total Peso Diferença média IV, Fixo, 95% IC Diferença média IV, Fixo, 95% IC
Controle vs. Treinamento de Caminhada
Crowther (2008)19 650 273 10 1,039 361 11 11.3% -389 [-661, -117]
Hiatt (1994)15 776 385 10 385 142 10 12.3% 391 [137, 645]
Mc Dermott (2009)16 612 211 51 380 294 53 24.2% 232 [134, 330]
Mika (2006)20 577 69 41 396 67 39 28.7% 181 [151, 211]
Tsai (2002)22 660 195 27 401 200 26 23.5% 259 [153, 365]
Total (95%IC) 139 139 100% 173 [56, 290]
Heterogeneidade: Tau2 = 12207,84 X2 = 22,38 GL = 4 (P = 0,0002); I2 = 82%
Teste total do efeito: Z = 2,90 (P = 0,004)
Controle vs. Treinamento de força
Hiatt (1994)15 448 275 9 385 143 10 13.5% 63 [-137, 263]
McDermott (2009)16 504 214 52 380 212 53 81.3% 124 [43, 205]
Parr (2009)23 399 186 9 460 430 8 5.2% -61 [-383, 261]
Total (95%IC) 70 71 100% 106 [33, 180]
Heterogeneidade: X2 = 1,40 GL = 2 (P = 0,53); I2 = 0%
Teste total do efeito: Z = 2,83 (P = 0,005)
Treinamento de força vs. Treinamento de Caminhada
Hiatt (1994)15 776 385 10 448 275 9 8.5% 328 [29, 627]
McDermott (2009)16 612 294 51 504 214 52 76.4% 108 [9, 207]
Ritti-Dias (2010)17 721 289 15 775 334 15 15.1% -54 [-278, 170]
Total (95%IC) 76 76 100% 102 [15, 189]
Heterogeneidade: X2 = 4,08 GL = 2 (P = 0,13); I2 = 51%
Teste total do efeito: Z = 0,99 (P = 0,32)

DISCUSSÃO

O presente estudo teve como objetivo comparar os efeitos do treinamento de caminhada com os do treinamento de força na capacidade de locomoção em indivíduos com CI, por meio de uma síntese da literatura. Para tanto, foram utilizados procedimentos de meta-análise. Os resultados indicaram que: (i) o treinamento de caminhada e o treinamento de força aumentam a capacidade de locomoção dos pacientes com CI; (ii) os efeitos do treinamento de força e de caminhada na DC são similares; (iii) o treinamento de caminhada promove maiores aumentos na DTC em comparação com o treinamento de força.

A maioria dos estudos incluídos nessa meta-análise utilizou a caminhada como modalidade de exercício físico15-17,19-22. Em parte, isto pode ser atribuído às Sociedades de Cirurgia Vascular8,11 que, em seus posicionamentos oficiais, recomendam a caminhada como principal modalidade de exercício para pacientes com DAP. Mais recentemente, o treinamento de força também tem sido recomendado como parte integrante no tratamento dos indivíduos com DAP, apesar do número de estudos disponíveis sobre o tema ainda ser pequeno. De fato, no presente estudo foram incluídos apenas quatro estudos que analisaram os efeitos do treinamento de força na capacidade de locomoção dos pacientes com DAP15-17,23. Além disso, um dos estudos teve peso superior a 70% na meta-análise, devido ao elevado número de sujeitos incluídos na amostra. Dessa forma, mais estudos ainda são necessários sobre esse tema.

Os efeitos do treinamento de caminhada e de força foram similares na DC, no entanto, os aumentos na DTC foram mais acentuados com o treinamento de caminhada. Isso parece ocorrer por que os mecanismos envolvidos nos aumentos da capacidade de locomoção diferem entre o treinamento de caminhada e o de força. Os aumentos na capacidade de locomoção com o treinamento de caminhada têm sido atribuídos a: angiogênese24, melhoria da função endotelial, aumento nas concentrações de enzimas oxidativas13, e melhoria na eficiência de caminhada. Já os aumentos obtidos com o treinamento de força têm sido atribuídos basicamente a angiogênese e melhoria na eficiência de caminhada. Dessa forma, os efeitos do treinamento de caminhada sobre o metabolismo oxidativo parecem explicar as diferenças observadas entre os efeitos do treinamento de caminhada e de força na capacidade de locomoção dos pacientes com DAP.

A inclusão de estudos apenas em português e inglês representa uma limitação do presente estudo. Outro aspecto importante é que, embora tenham sido incluídos estudos que quantificaram a capacidade de locomoção em teste em esteira, existe alguma variabilidade entre os protocolos utilizados. Assim, a comparação dos resultados entre os estudos deve ser feita com cautela. No entanto, como dentro de cada estudo o protocolo utilizado para quantificar a capacidade de locomoção foi o mesmo, isso permitiu analisar os efeitos do treinamento entre diferentes grupos.

CONCLUSÃO

Os treinamentos de caminhada e de força promovem melhoria na capacidade de locomoção de pacientes com DAP, no entanto o treinamento de caminhada promove aumentos mais acentuados na DTC.

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Fonte de financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE).

O estudo foi realizado na Universidade de Pernambuco.

Concepção e desenho do estudo: RMRD, ASM, LBCCR, SLCR

Análise e interpretação dos dados: RMR, CGCJ, DGDC, MOM

Coleta de dados: ASM, LBCCR

Redação do artigo: RMRD, ASM

Revisão crítica do texto: LABCR, CGCJ, SLCR, DGDC, MOM

Aprovação final do artigo*: ASM, LBCCR, SLCR, CGCJ, MOM, DGDC, RR

Análise estatística: DGDC, MOM

Responsabilidade geral pelo estudo: RMRD

*Todos os autores leram e aprovaram a versão final submetida do J Vasc Bras.

Recebido: 16 de Julho de 2012; Aceito: 21 de Dezembro de 2012

Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

ASM, LBCCR mestre pela Universidade de Pernambuco (UPE).

SLCR é doutorando do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB.

CGC é doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

MOM é mestre pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

DGDC é doutor pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

RMR é doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

Correspondência Raphael Mendes Ritti Dias ESEF-UPE Rua Arnóbio Marques, 310, Santo Amaro CEP 50100-130 - Recife (PE), Brasil Fone: (81) 3183-3375/(81) 9728-6878 E-mail: raphaelritti@gmail.com

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