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Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.12 no.3 Porto Alegre junio/set. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/jvb.2013.042 

Artigos Originais

Base eletrônica de dados clínicos e cirúrgicos em isquemia crônica de membros inferiores

Carlos Seme  Nejm Junior1 

Jorge Rufino Ribas  Timi1 

Valentina Bistolf  Amaral2 

1Universidade Federal do Paraná - UFPR, Departamento de Cirurgia, Curitiba, PR, Brasil

2Universidade Federal do Paraná - UFPR, Curitiba, PR, Brasil

RESUMO

CONTEXTO:

Um sistema eletrônico de protocolo seria capaz de armazenar dados clínicos e possibilitar futuras pesquisas, visando a rapidez, eficiência de cruzamentos e análise de tais dados.

OBJETIVO:

a) criar uma base de dados clínicos cirúrgicos em doenças vasculares e, a partir desta, uma base em Isquemia Crônica de Membros Inferiores; b) informatizar essa base sob forma de um protocolo eletrônico; c) incorporar ao SINPE(c) (Sistema Integrado de Protocolos Eletrônicos); d) realizar um projeto piloto.

MÉTODOS:

Criou-se uma base teórica de dados clínicos sobre as doenças vasculares. O protocolo específico foi criado considerando-se as características individuais das doenças causadoras de Isquemia Crônica de Membros Inferiores. Após seu término, essa base eletrônica e informatizada seria incorporada ao SINPE(c).

RESULTADOS:

O usuário, previamente cadastrado, realizará o cadastro do paciente e selecionará, dentro do protocolo mestre, o protocolo específico em Isquemia Crônica de Membros Inferiores, para acesso aos seus respectivos dados clínicos. Orientado pelas alternativas diretas de preenchimento, o usuário seleciona apenas os dados pertencentes ao seu paciente. Estes podem ser resgatados para pesquisa, mostrando o número de coletas que satisfazem os parâmetros escolhidos e informações estatísticas sobre a mesma.

CONCLUSÃO:

a) a criação da base teórica de dados clínicos e cirúrgicos em doenças vasculares e, a partir desta, em Isquemia Crônica de Membros Inferiores, foi factível; b) a informatização da base teórica sob forma de protocolo eletrônico foi exequível; c) o protocolo eletrônico mestre e específico poderá ser incorporado ao SINPE(c), d) o projeto piloto foi criado com sucesso e testado através do módulo analisador do SINPE(c).

Palavras-Chave: banco eletrônico de dados; protocolo eletrônico; registros médicos; cirurgia vascular; isquemia crônica de membros inferiores

INTRODUÇÃO

Poucos são os serviços que possuem um protocolo eletrônico com finalidade exclusivamente clínica. Tais protocolos facilitam a coleta de dados, anteriormente realizada em arquivos hospitalares, e resultam no controle da qualidade científica1.

Com a criação da base eletrônica de dados clínicos e cirúrgicos em Isquemia Crônica de Membros Inferiores, espera-se reunir quantidade significativa de informação de forma padronizada, facilitando sua utilização e, por consequência, o desenvolvimento técnico-científico2.

A linha de pesquisa denominada "Protocolos Informatizados" foi implantada com a cessão de direito de uso do software SINPE(c) (Sistema Integrado de Prontuários Eletrônicos) ao Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica, com a finalidade de criar base informatizada de pesquisa clínica prospectiva em diversas áreas médicas3 , 4.

O protocolo eletrônico em Isquemia Crônica de Membros Inferiores, a partir da criação do protocolo mestre em cirurgia vascular, possibilitará pesquisa abrangente, com avaliação de dados referentes à epidemiologia, aos meios de diagnóstico e às formas de tratamento dessa doença, aumentando a produção de trabalhos científicos nessa área. Nesse sentido, este trabalho tem os seguintes objetivos:

    •. Criar uma base de dados abrangente e atualizada das doenças vasculares - protocolo mestre - e, através deste, selecionar base teórica de dados para as doenças causadoras de Isquemia Crônica de Membros Inferiores

    •. Informatizar de forma padronizada essa base de dados, adaptando-a em um programa específico (software) chamado de 'protocolo eletrônico para coleta de dados'

    •. Incorporar esse dispositivo ao Sistema Integrado de Protocolos Eletrônicos (SINPE(c))

    •. Realizar um projeto piloto para testar a funcionalidade do protocolo e do módulo analisador do Sistema Integrado de Protocolos Eletrônicos (SINPE(c)), realizando estudo descritivo dos dados levantados e estudo analítico, correlacionando: a incidência de isquemia miocárdica definida por ecostress farmacológico com dobutamina ou dipiridamol e a necessidade de endarterectomia de carótida em pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores

MATERIAL E MÉTODO

A "Base eletrônica de dados clínicos e cirúrgicos em Isquemia Crônica de Membros Inferiores" é um estudo de caráter descritivo, que respeita as normas da Universidade Federal do Paraná.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade à qual está vinculado.

Após a escolha do tema (Isquemia Crônica de Membros Inferiores), iniciou-se a seleção do material para a coleta dos dados, tendo sido necessário utilizar livros consagrados, pois, nos mesmos, estão contidas as atualizações e revisões recentes5 - 8. Após a composição da primeira estrutura do protocolo com esses livros, alguns tópicos necessitaram de livros-texto mais específicos9 - 11.

Definidas as doenças que compõem os protocolos específicos, iniciou-se a etapa de pesquisa bibliográfica detalhada por meio das bibliotecas médicas eletrônicas na internet e em revistas especializadas na área de cirurgia vascular, assim como nos livros já citados.

Desse modo, foram incluídas quatro doenças divididas por ordem decrescente de prevalência6: doença aterosclerótica obstrutiva periférica (DAOP); tromboangeíte obliterante (TAO); síndrome do aprisionamento da artéria poplítea (SAAP); doença cística da adventícia da artéria poplítea (DCA-AP).

Os itens acrescentados, por meio de pesquisa individual sobre cada doença, geraram ou não subitens de várias ordens, de acordo com sua importância e prevalência. As alterações na disposição dos dados, como também as atualizações, foram feitas previamente no programa Microsoft Word XP(r), antes de serem introduzidas no programa SINPE(c), pois, dessa forma, foram possíveis a visualização de todo o conteúdo e a realização das correções necessárias.

Após a criação da base de dados, foram escolhidas a metodologia e a forma de introdução dos dados no SINPE(c). A execução deste trabalho requisitou equipe de profissionais especializados em Informática. O sistema gerenciador do banco de dados é o programa Access da Microsoft(r), pois este facilita a gravação e a distribuição do programa em CD-ROM. O novo programa encontra-se em funcionamento no Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica, auxiliando alunos na confecção de protocolos, assim como foi utilizado neste trabalho.

Todos os itens que fazem parte dos protocolos foram informatizados em um programa que permitiu sua incorporação ao SINPE(c). A ideia de criação desse dispositivo tem por finalidade possibilitar que outros investigadores façam pesquisa e coleta de dados em centros diversos, e também que esse programa possa ser manuseado à distância.

Quando não se possui o SINPE(c) instalado no computador, previamente por CD-ROM, a manipulação e a inclusão dos protocolos também podem ser feitas. O acesso remoto ao SINPE(c) pode ser feito via internet pelo endereço www.sinpe.com.br. Dessa forma, a atualização do banco de dados do protocolo e as coletas podem ser feitas de qualquer lugar do mundo.

Para a execução do projeto piloto com a aplicação do protocolo informatizado, foi selecionado, como instituição, o Serviço de Cirurgia Vascular da Universidade Federal do Paraná.

Inicialmente, foi realizada, junto ao serviço de informática do HC - Universidade Federal do Paraná, pesquisa para se buscarem os internamentos realizados de pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores, em um período de seis meses.

Desse modo, o protocolo eletrônico foi aplicado a uma amostra de 36 pacientes, de forma retrospectiva, com os objetivos de testar sua funcionalidade e de validar a sua aplicabilidade para a coleta de informações destinadas à elaboração de pesquisas científicas.

Após a coleta de dados realizada no projeto piloto, foi utilizado o módulo denominado SINPE Analisador(c), para interpretação das informações coletadas.

O objetivo do módulo é disponibilizar uma interface que permita a rápida visualização de informações contidas nos protocolos eletrônicos do SINPE(c), e que este seja capaz de gerar gráficos e estatísticas, imprimir e salvar resultados, e exportar dados.

RESULTADOS

A criação do protocolo em Isquemia Crônica de Membros Inferiores foi factível.

Desse modo, todos os itens relevantes para o protocolo são selecionados e enviados para o mesmo. Além disso, podem-se também retirar alguns itens do protocolo, que não se queira utilizar, fazendo uso da mesma ferramenta do SINPE(c) (Figura 1). Esse procedimento pode ser utilizado a qualquer momento.

Figura 1 Seleção dos itens do protocolo. 

Assim, após selecionar os itens que farão parte do protocolo específico em Isquemia Crônica de Membros Inferiores, o protocolo obteve 4.612 itens, que fazem parte de sua base de dados.

Para iniciar o cadastro de um paciente, é necessário acessar o ícone 'Paciente' no menu principal e, depois, o comando 'Cadastro'. A tela apresentará uma figura, que permitirá preencher os Dados do paciente, como código, nome, raça, sexo e profissão, entre outros.

Após o cadastro, a coleta de dados inicia-se com a opção 'Dados', ativando em seguida o comando 'Coletar'. Em continuidade, utilizando-se o comando 'Visualizar/Editar Coleta', apresentar-se-á uma figura que conterá a lista das Coletas de dados já realizadas, a Identificação da coleta no protocolo, o Número e o Nome do paciente, o Nome do protocolo específico e do Usuário, bem como a data. Existe também, nessa tela, o comando 'Nova Coleta', o qual, se acessado, iniciará uma nova coleta de dados (Figura 2).

Figura 2 Nova coleta de dados. 

Para uma nova coleta de dados, é necessário selecionar o protocolo específico (doença) e o paciente cadastrado; depois, selecionar a opção 'Avançar' (Figura 2).

Na tela de coleta de dados, obtêm-se o Nome do paciente, seu Protocolo específico e a que Área da saúde ele pertence. Com os dados clínicos provenientes do prontuário médico, o usuário coletor seleciona os itens disponíveis no protocolo eletrônico. Exemplo: Protocolo específico: Isquemia Crônica de Membros Inferiores, com os seguintes itens selecionados: Anamnese, Condições e hábitos de vida, e Tabagismo, sempre observando a forma clínica e cronológica natural de qualquer doença. Automaticamente, surgirão, no lado direito da tela, os detalhes dessa coleta e os comandos Salvar e Finalizar, para arquivo dos dados selecionados e término da coleta, respectivamente (Figura 3).

Figura 3 Coleta específica de dados. 

Para se realizar uma pesquisa de dados clínicos das doenças vasculares, utiliza-se a opção 'Dados' e depois 'Pesquisa', no menu de acesso. Apresentar-se-á uma figura que permitirá a seleção de um protocolo específico, o tipo de pesquisa, o período da coleta e a relação das instituições utilizadas nessa pesquisa. Na parte inferior esquerda, encontram-se os itens da pesquisa selecionados anteriormente; na parte inferior direita, os parâmetros do item selecionado, seus resultados estatísticos, as coletas localizadas e os detalhes do item para pesquisa (Figura 4).

Figura 4 Exemplo de pesquisa. 

Depois de realizar as etapas anteriores, utiliza-se o comando 'Iniciar pesquisa', para a obtenção dos dados coletados selecionados e resultados estatísticos (Figura 5).

Figura 5 Exemplo de resultado de pesquisa. 

Após a seleção de um item para análise de resultados, verificar-se-á, na primeira tela, a quantidade de coletas; na segunda, as informações estatísticas da pesquisa (quantidade de coletas realizadas e o percentual de ocorrências); na terceira, a lista das coletas encontradas na pesquisa (Figura 5).

O projeto piloto foi realizado através de pesquisa retrospectiva dos pacientes, com Isquemia Crônica de Membros Inferiores, internados no HC - Universidade Federal do Paraná, no período de seis meses.

Foram avaliados 36 pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores, sendo 12 do sexo feminino, cujo percentual de pacientes se concentrou na faixa etária de 63 a 71 anos (36,11%). A maioria dos pacientes era da raça branca e do sexo masculino. A idade média foi de 70 anos, variando de 47 a 90 anos.

O protocolo gera automaticamente gráficos, que demonstram dados da coleta de antecedentes mórbidos familiares, e condições e hábitos de vida. Verificou-se que nove (30%) pacientes apresentavam história familiar positiva de cardiopatia; oito (26,6%), de diabetes melituss, e seis (20%), de hipertensão arterial sistêmica e doença vascular. O tabagismo foi evidenciado em 32 (47%) dos pacientes estudados, sendo o item mais prevalente das condições e hábitos de vida.

O estudo analítico do projeto piloto foi realizado correlacionando Isquemia Crônica de Membros Inferiores com duas doenças que contribuem para a morbimortalidade, de forma a alterar as condutas a serem tomadas: isquemia miocárdica definida por ecostress farmacológico e estenose carotídea severa definida por ecodoppler.

Verificou-se que 27 pacientes (75%) foram submetidos ao ecostress farmacológico com dobutamina ou dipiridamol. Destes, 12 (44,44%) tiveram ecocardiograma alterado (Figura 6). A alteração mais prevalente, em 6 (54,55%) pacientes, foi isquemia miocárdica ao stress farmacológico com dobutamina ou dipiridamol (Figura 7).

Figura 6 Ecocardiografia. 

Figura 7 Ecocardiografia alterada. 

A estenose severa (>70%), definida por ecodoppler, indica endarterectomia de carótida, segundo o estudo ACAS (Asymptomatic Carotid Atherosclerosis Study) e ACST (Asymptomatic Carotid Surgery Trial).

Apenas 14 (38,89%) pacientes foram submetidos à ecodoppler cervical, cujo resultado apresentou-se alterado em 12 (85,71%) pacientes (Figura 8). A estenose severa, indicativa de endarterectomia de carótida, foi encontrada em 4 (28,57%) pacientes (Figura 9).

Figura 8 Ecodoppler Cervical. 

Figura 9 Estenose carotídea. 

DISCUSSÃO

Ao idealizar-se um estudo científico descritivo, esbarra-se na dificuldade de obtenção de informações de qualidade em razão do inadequado preenchimento dos prontuários médicos, da falta de coordenação e padronização das descrições contidas e, por vezes, da ilegibilidade dessas informações, caracterizando subjetividade com comprometimento dos resultados obtidos12 - 14.

A maioria dos centros médicos hospitalares não utiliza o sistema de protocolo eletrônico. Sua utilização se restringe a determinados setores, como logística e exames diagnósticos. O desenvolvimento e a implantação de coleta de dados informatizada organizariam a busca prospectiva de dados, bem como propiciariam atualização constante e futuras pesquisas médicas.

Na Europa e nos Estados Unidos, a coleta de dados padronizada e informatizada surgiu para suprir as limitações do prontuário de papel e evitar o caráter subjetivo desses prontuários15 - 17.

A demora no levantamento de dados clínicos e a história clínica de pacientes incompleta e preenchida de forma manuscrita por diferentes profissionais (frequente na área médica universitária) dificultam, em muito, a correta avaliação dos itens, prejudicando a credibilidade dessa base de dados e impedindo a realização de pesquisas de qualidade12 , 13.

A finalidade do uso de protocolos eletrônicos para coleta de dados clínicos não é mera substituição ao prontuário médico - pois esses prontuários são documentos importantes para o médico e seu paciente -, mas sim constituir-se em fonte segura de informações para futuras pesquisas médicas.

Para tornar possível a realização de pesquisas de dados em sistemas informatizados, é de grande importância que estes sejam coletados de modo parametrizado, preferencialmente utilizando formulários de coletas que ofereçam lista de valores aceitáveis18.

As pesquisas médicas conduzidas com coleta de dados clínicos mediante o uso de protocolos eletrônicos de forma orientada, além do pouco espaço físico necessário para o seu funcionamento e da possibilidade de analisar os dados coletados, aumentariam a credibilidade e a possibilidade da estruturação de estudos científicos de qualidade19 , 20.

Da mesma forma, o uso de protocolos na formação de grandes bancos de dados clínicos e o seu uso constante podem conferir boa qualidade às pesquisas médicas, por se tratarem de fonte de pesquisa científica21 , 22.

A Universidade do Alabama transformou-se numa referência em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) em virtude de suas publicações de trabalhos científicos por meio de dados clínicos armazenados de forma informatizada23.

A utilização da coleta de dados clínicos a partir de um banco de dados clínicos não precisa ser exclusiva de uma instituição, já que pode ter o caráter multicêntrico, como existe na França, onde 38 Unidades de Terapia Intensiva utilizam esses dados padronizados e armazenados em um único banco, ou mesmo na Itália, com relação a estudos multicêntricos relacionados às doenças do fígado, especificamente em cirrose hepática24.

No Brasil, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) mantém um banco de dados eletrônicos online (www.amib.com.br), que possibilita o acesso a informações das principais Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras, permitindo troca de dados clínicos e também a análise de todos os serviços cadastrados.

Assim, a coleta de dados clínicos informatizados estimula o desenvolvimento de estudos multicêntricos, aumentando o número de dados disponíveis e melhorando a qualidade dos trabalhos científicos, proporcionando, também, redução no tempo de pesquisa, aumento da população estudada e resultados mais rápidos e precisos25.

O protocolo eletrônico de Isquemia Crônica de Membros Inferiores não pode ser modificado em sua estrutura original pelos usuários coletores, visualizadores ou pesquisadores, podendo apenas o usuário administrador alterar essa base de dados. Todavia, em função dos avanços e novidades da área médica, esse protocolo eletrônico permite a inserção de novos itens, sem alterar o banco de dados já utilizado.

Com o rápido e crescente desenvolvimento do setor de informática, o armazenamento e a troca de informações será a pedra fundamental da pesquisa, do desenvolvimento e do aprimoramento da medicina.

Pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores representam uma parcela populacional cujo tratamento e/ou suas complicações influenciam diretamente na qualidade de vida do paciente. A idade avançada, a quantidade de comorbidades e, por consequência, os múltiplos internamentos fazem a busca de dados um trabalho oneroso e cansativo.

O protocolo de doenças vasculares em Isquemia Crônica de Membros Inferiores proporcionará, de maneira uniforme e segura, a captação e o armazenamento de dados clínicos e cirúrgicos que serão utilizados em futuras pesquisas. Os custos para sua implantação, mesmo levando-se em conta os anos de pesquisa e investimentos iniciais, são relativamente baixos frente a sua importância e abrangência.

São de fundamental importância o auxílio e o suporte técnico dados pelos profissionais de informática na escolha dos métodos para a confecção, a implantação e a coleta, e na manutenção desse protocolo. A informática, sendo uma ciência em franca expansão, necessita continuamente de melhoramentos e adequações para o desenvolvimento desse e de futuros protocolos eletrônicos.

Assim, o trabalho foi desenvolvido de modo que seja facilmente executado por computadores e sistemas amplamente difundidos nos mercados de informática nacional e internacional, minimizando o risco da impossibilidade de execução do programa.

Sua finalidade, além de estimular profissionais da área médica na realização de trabalhos científicos, é a de proporcionar um meio computadorizado de captação e análise de dados clínicos, aumentando a qualidade e a credibilidade de futuros trabalhos científicos.

Por meio deste trabalho, espera-se ter contribuído para a comunidade científica médica e que a coleta eletrônica de dados clínicos dos pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores inicie uma nova realidade científica, baseada na integração multidisciplinar da informática com a área médica, estimulando novas pesquisas com cada vez mais qualidade e credibilidade.

CONCLUSÃO

A partir do trabalho apresentado, pôde-se concluir que foi possível criar uma base teórica para coleta de dados clínicos referentes à Isquemia Crônica de Membros Inferiores; foi realizada a informatização da referida base de dados sob a forma de um programa de computador; foi incorporado o protocolo eletrônico para coleta de dados clínicos referente à Isquemia Crônica de Membros Inferiores ao Sistema Integrado de Protocolos Eletrônicos (SINPE(c)); o protocolo eletrônico teve a sua funcionalidade testada por meio da realização de um projeto piloto, tendo sido, os dados coletados, analisados com a utilização do módulo SINPE Analisador(c).

O projeto piloto evidenciou que a presença de isquemia miocárdica esteve presente em 44,44% dos pacientes, indicando a necessidade de investigação de doença coronariana em pacientes com Isquemia Crônica de Membros Inferiores. Além disso, a endarterectomia de carótida foi indicada em 28,57% dos pacientes, justificando a investigação da estenose carotídea nesse grupo de pacientes.

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*Todos os autores devem ter lido e aprovado a versão final submetida ao J Vasc Bras. O estudo foi realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Recebido: 17 de Julho de 2013; Aceito: 12 de Agosto de 2013

Correspondência Carlos Seme Nejm Junior Rua Teixeira Soares, 361 - Seminário CEP 80240-440 - Curitiba (PR), Brasil Tel: +55 (41)32449541 E-mail: carlosnejmjr@yahoo.com.br

Informações sobre os autores CSNJ é mestre e doutorando em clínica cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). JRRT é mestre e doutor em clínica cirúrgica e professor associado da Disciplina de Cirurgia Vascular do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). VBA é médica e ex-acadêmica da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Contribuições dos autores Concepção e desenho do estudo: CSNJ, JRRT Análise e interpretação dos dados: CSNJ Coleta de dados: VBA Redação do artigo: CSNJ Revisão crítica do texto: JRRT Aprovação final do artigo*: CSNJ, JRRT, VBA Análise estatística: CSNJ Responsabilidade geral do estudo: CSNJ Informações sobre financiamento: Nenhuma.

Fonte de financiamento: Nenhuma

Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

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