SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.12 número4Tratamento percutaneo do pseudoaneurisma femoral: comparacao entre selante de fibrina e trombina índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449

J. vasc. bras. vol.12 no.4 Porto Alegre out./dez. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/jvb.2013.058 

Editorial

Importância do acesso vascular para hemodiálise no Brasil

Fábio Linardi2 

2Professor Assistente Doutor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba, Pontifícia Univesidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Sorocaba, SP, Brazil.

O acesso para hemodiálise foi, é e será um dos grandes problemas médico-cirúrgicos no tratamento da insuficiência renal crônica terminal.

Atualmente, no Brasil, temos aproximadamente 100 mil pacientes em tratamento dialítico, com crescimento anual em torno de 10% ao ano e cerca de 50 mil novos acessos/ano1.

A nossa incidência está em 149 por milhão de população (pmp) e a prevalência, próxima a 450 pmp. Esses dados nos colocam entre os 20 países do mundo em incidência e entre os 40 países no mundo em prevalência. Na América do Sul, estamos atrás do Chile e do Uruguai. Para se ter uma ideia do possível crescimento do tratamento dialítico no Brasil, alguns países, como Japão e Taiwan, já ultrapassaram 2.000 pmp em prevalência (Figura 1)2 , 3.

Figura 1 Incidência e Prevalência por milhão de população em vários países. 

A hipertensão e a diabetes são as duas principais causas da Insuficiência Renal Crônica Terminal (IRCT), com 35,1% e 28,4%, respectivamente; em relação à idade, 31,5% têm mais de 65 anos1.

Considerando os dados acima, podemos concluir que o acesso vascular continuará sendo uma das cirurgias vasculares arteriais mais realizadas no Brasil, com grande incidência de pacientes idosos e diabéticos, o que poderá comprometer muito o resultado4.

A partir de 2005, foram realizados quatro congressos brasileiros multidisciplinares de acesso vascular para hemodiálise, todos realizados na cidade de São Paulo.

A participação por Sociedade e o numero total de participantes estão relacionados na Tabela 1.

Tabela 1 Número de participantes por sociedade nos quatro Congressos Brasileiros Multidisciplinares de Acesso Vascular para Hemodiálise. 

2005 2007 2010 2013
SBACV 251 (43%) 135 (28.5%) 176 (35%) 186 (40.3%)
SBN 204 (35%) 143 (30.2%) 147 (29.3%) 102 (22%)
SOBEN 129 (22%) 196 (41.3%) 179 (35.7%) 174 (37.7%)
Total 584 474 502 462

SBACV = Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular; SBN = Sociedade Brasileira de Nefrologia; SOBEN = Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia.

Nota-se que os números se mostram pouco expressivos para um congresso temático, que aborda um tema de grande interesse para a nossa especialidade. Considerando-se três mil sócios da SBACV, a participação ficaria restrita a cerca de 12% dos membros desta Sociedade. Além disso, a presença de colegas formadores de opinião, professores e chefes de serviços, nestes congressos de acesso, ficou restrita aos palestrantes convidados.

A mesma situação ocorreu nos grandes congressos das especialidades envolvidas, ou seja, quando o tema do acesso é abordado, normalmente se resume a apenas uma palestra e, geralmente, esta é colocada no final do dia.

O envolvimento com acesso vascular, de fato, não desperta interesse nos cirurgiões mais experientes e nos formadores de opinião, e como consequência, nos cirurgiões mais jovens e em formação. Podemos também afirmar que o acesso vascular não agrega o poder econômico das indústrias, pois o melhor acesso é FAV autóloga e, portanto, qualquer produto industrializado passa a ser secundário.

Acreditamos que essa falta de interesse precisa ser mudada e o acesso vascular deve ser visto com outros olhos, em virtude das novas realidades.

Em primeiro lugar, a necessidade de cirurgiões vasculares bem treinados será impositiva, em razão do aumento do número de pacientes em tratamento dialítico, do aumento da complexidade desses procedimentos devido ao envelhecimento da população iniciando hemodiálise, do aumento de pacientes diabéticos e do tratamento das complicações, como aneurismas, pseudoaneurismas e síndrome do roubo, entre outras.

Todos esses procedimentos, pelo menos a meu ver, é uma área de atuação do cirurgião vascular e não podemos refutar essa responsabilidade.

Um dos grandes problemas do acesso vascular é o baixo valor pago pelo SUS e também pelos planos de saúde, o que influencia negativamente o interesse de qualquer profissional. A Diretoria da SBACV, através da defesa profissional, e as demais Sociedades envolvidas precisam se dedicar com afinco a este tema.

Durante o 4.º Congresso de Acesso Vascular, propusemos uma união das especialidades para reivindicar a atualização da tabela, com a inclusão de novos procedimentos, assim como os valores. Em julho próximo passado, estivemos juntos com o Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, em uma reunião no Ministério da Saúde e propusemos uma nova lista de procedimentos e novos valores para o acesso vascular.

Esperamos que, em breve, tenhamos alguma alteração dessa tabela.

Outro fator muito importante no envolvimento com o acesso vascular: propicia-se o treinamento prático diário com uma técnica cirúrgica delicada e sofisticada, bem como o uso de materiais delicados e suturas arteriais com pequenos vasos, e o adestramento com a utilização de lupa e fios finos. Nos Programas de Residência Médica em Cirurgia Vascular, é muito importante esta prática na formação de jovens cirurgiões.

Concluindo, dada a prevalência crescente desta doença, que necessita de acessos para hemodiálise, é preciso, nos Congressos Nacionais da SBACV, dedicar um espaço maior de discussão deste importante tema e também incrementar a frequência de cirurgiões vasculares nos congressos temáticos.

REFERENCES

1. Sesso RCC, Lopes AA, Thomé FS, Lugon JC, Watanabe Y, Santos DR. Diálise Crônica no Brasil - Relatório do Censo Brasileiro de Diálise, 2011. J Bras Nefrol. 2012;34(3):272-7. http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20120009 Links ]

2. Levey AS, Coresh J. Chronic Kidney Disease, Lancet. 2012; 379:165-80. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60178-5 Links ]

3. Kepler J. International Comparisons. United States Renal Data System. 2010 Annual Data Report: atlas of kidney disease and end stage renal disease in the United States, v. 2 Atlas of ESRD. [accessed 2011 June 12]. http:QQwww.usrds.org/2010pdf/v2_12.pdf. [ Links ]

4. Das Neves MA Jr, Petnys A, Melo RC, Rabboni E. Acesso vascular para hemodiálise: o que há de novo? J Vasc Bras. 2013;12(3):221-5. [ Links ]

Recebido: 23 de Outubro de 2013; Aceito: 19 de Novembro de 2013

Correspondência Fábio Linardi Av. São Paulo 2918, Jd. Gonçalves CEP 18013-004 - Sorocaba (SP), Brasil Fone: +55 (15) 3227-1612/+55 (15) 99771-6000 E-mail: flinardi@terra.com.br

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.