SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.13 número4Análise comparativa entre tratamentos convencional e endovascular de aneurisma de aorta abdominalPerfil microbiológico e de resistência antimicrobiana no pé diabético infectado índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Jornal Vascular Brasileiro

versão impressa ISSN 1677-5449versão On-line ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. vol.13 no.4 Porto Alegre out./dez. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1677-5449.0014 

Artigos Originais

Impacto da educação continuada na análise de imagens vasculares para planejamento endovascular

Alexandre Campos Moraes Amato1  2 

Daniel Augusto Benitti3 

1Amato Consultório Médico, São Paulo, SP, Brasil

2Universidade de Santo Amaro – UNISA, Departamento de Cirurgia Vascular, São Paulo, SP, Brasil

3Hospital Antonio Cândido de Camargo, Departamento de Cirurgia Vascular e Endovascular, São Paulo, SP, Brasil

RESUMO

Introdução:

A manipulação de imagens utilizando os algoritmos de reconstrução tridimensional multiplanares (3D MPR) e a intensidade de projeção máxima (MIP) demanda, inicialmente, a constatação da real validade do método e da sua superioridade sobre os métodos tradicionais analógicos ou semidigitais de mensuração.

Objetivo:

Avaliar a compreensão dos médicos que realizaram o curso da metodologia por eles aplicada anteriormente, para programação cirúrgica endovascular, e sua opção de método após realização do curso.

Método:

A pesquisa foi realizada entre os alunos que realizaram o curso, que responderam um questionário em intranet.

Resultados:

Um número de 161 participantes respondeu ao questionário proposto. Com relação a seu conhecimento prévio, 38,8% reportaram nenhum conhecimento, 45,6% reportaram pouco conhecimento, 15% responderam conhecimento básico e apenas 0,6% considerou seu conhecimento como avançado. Com relação ao método de mensuração utilizado, 12,5% confiavam nas medidas do laudo do Radiologista; 14% utilizavam as chapas impressas e usavam compasso; 36,8% utilizavam as imagens axiais para fazer as medidas; 11,8% utilizavam as imagens axiais no próprio OsiriX; 14% utilizavam o método 3D MPR, e 11% utilizavam o 3D MPR e o 3D MPR associado ao MIP. Dos participantes, 81,5% afirmaram refazer as medidas no intraoperatório com o uso do cateter centimetrado, apesar de ter feito as medidas anteriormente por um dos métodos supracitados.

Conclusão:

A pesquisa revelou que a educação continuada, por meio de curso especializado, mostrou-se eficaz na compreensão da importância do método de análise de imagens por reconstrução tridimensional multiplanar e algoritmos de otimização de imagens.

Palavras-Chave: processamento de imagem assistida por computador; tomografia; aneurisma; educação continuada

INTRODUÇÃO

Apesar de termos deixado a era analógica na avaliação de imagens médicas1, a adaptação aos novos métodos digitais requer não só dedicação à técnica, mas também compreensão tridimensional anatômica do paciente. A manipulação de imagens utilizando os algoritmos de reconstrução tridimensional multiplanares (3D MPR) e intensidade de projeção máxima (MIP) demanda inicialmente a constatação da real validade do método e de sua superioridade sobre os métodos tradicionais analógicos ou semidigitais de mensuração. Constatação esta que muitas vezes é elucidada no curso básico de manipulação de imagens médicas utilizando o software OsiriX2,3.

O curso foi criado com o intuito de introduzir o método para especialistas, detentores de experiência prévia em Cirurgia Vascular, Cardiovascular ou Radiologia, porém sem experiência na manipulação de imagens.

A presente pesquisa entre os participantes objetivou avaliar a compreensão dos médicos que realizaram o curso da metodologia por eles aplicada anteriormente para programação cirúrgica endovascular e sua opção de método após realização do curso4.

MÉTODO

Este é um estudo retrospectivo dos questionários aplicados aos alunos do Curso OsiriX, no período de agosto de 2011 a setembro de 2013.

Um questionário com 17 perguntas relacionadas ao curso assistido e ao conhecimento prévio foi aplicado após a conclusão do curso (Tabela 1). O questionário foi preenchido em computador fornecido pelo curso, via intranet, e o resultado obtido foi exportado em banco de dados tabulado no formato Excel.

Tabela 1 Perguntas realizadas em questionário on line após o curso. 

Pergunta
  1. Qual a sua formação?

  2. Tem um computador Mac?

  3. Qual o seu conhecimento prévio de OsiriX?

  4. Os casos seleàonados para o curso foram adequados?

  5. As aulas teóricas foram adequadas?

  6. O palestrante foi claro na apresentação?

  7. O palestrante domina o assunto?

  8. O palestrante foi didático?

  9. O uso das mídias (Datashow, computadores) foi adequado?

  10. A carga horária do curso foi adequada?

  11. A distribuição do tempo no curso foi adequada?

  12. O Como você fazia suas medidas para programação cirúrgica?

  13. Você refaz todas as medidas no intraoperatório com Pigtail (ou outros métodos)?

  14. Após o curso, vai continuar refazendo todas as medidas no intraoperatório?

  15. O curso mudou sua prática diária?

  16. Qual é a avaliação geral do curso?

  17. Recomendaria o curso para algum colega?

Resultado foi analisado no software Wizard 1.3.13 (Evan Miller) e as características expressas como dados categóricos, tendo sido apresentadas as frequências absolutas e as proporções. Foram utilizados o teste de chi quadrado e Shapiro-Wilk para avaliação da distribuição das respostas, considerando o p<0,05, para significância estatística.

RESULTADO

Um número de 161 questionários foram respondidos e os resultados foram (Tabela 2), em relação às especialidades dos participantes: Cirurgiões Vasculares - 140 (88,6%); Cirurgiões Cardíacos - 13 (8,2%); Radiologistas - 2 (1,3%), e outras especialidades - 3 (1,9%).

Tabela 2 Principais perguntas e resposcas do quescionário aplicado. 

Especialidades (p<0,0001)
Cirurgião Vascular Cirurgião Cardíaco Radiologista Outras
140 (88,6%) 13 (8,2%) 2 (1,3%) 3 (1,9%)
Método de Mensuração (p< 0,0001)
Laudo do Radiologista Chapa Impressa e Compasso Imagens Axiais OsiriX com Imagens Axiais 3d MPR 3d MPR + MIP
17 (12,5%) 19 (14%) 50 (36,8%) 16 (11,8%) 19 (14%) 15 (11%)
Conhecimento prévio de OsiriX (p<0,0001)
Nenhum Pouco Básico Avançado
62 (38,8%) 73 (45,6%) 24 (15%) 1 (0,6%)
Refaz medidas no intraoperatório (p<0.0001)
Sim Não
110 (81,5%) 25 (18,5%)
Continuará refazendo medidas ro intraoperatório (p<0,0001)
Sim Não
36 (25,9%) 103 (74,1%)

Destes, 92 (57,5%) já possuíam um computador Apple, necessário para rodar o software OsiriX.

Com relação ao seu conhecimento prévio, 62 (38,8%) reportaram nenhum conhecimento; 73 (45,6%) reportaram pouco conhecimento; 24 (15%) responderam conhecimento básico, e apenas 1 (0,6%) considerou seu conhecimento como avançado.

Com relação ao método de mensuração utilizado, 17 (12,5%) confiavam nas medidas do laudo do Radiologista; 19 (14%) utilizavam as chapas impressas e usavam compasso; 50 (36,8%) utilizavam as imagens axiais para fazer as medidas (em qualquer programa de visualização de imagens); 16 (11,8%) utilizavam as imagens axiais no próprio OsiriX; 19 (14%) utilizavam o método 3D MPR, e 15 (11%) utilizavam o 3D MPR e o 3D MPR associado ao MIP.

Dos participantes, 110 (81,5%) afirmaram refazer as medidas no intraoperatório com o uso do cateter centimetrado, apesar de terem feito as medidas anteriormente, por um dos métodos supracitados.

Dos alunos que afirmaram refazer as medidas no intraoperatório, 78 (70,9%) consideraram que, após o curso, deixarão de refazer as medidas no intraoperatório.

A maioria, 147 (94,8%) participantes, concorda que o curso mudou sua prática diária (Figura 1).

Figura 1 Distribuição da pergunta 'O curso mudou sua prática diária?'. A graduação da resposta foi conforme as seguintes opções: 1) Discordo completamente; 2) Discordo parcialmente; 3) Não concordo nem discordo; 4) Concordo parcialmente; 5) Concordo completamente. Não apresenta distribuição normal pelo teste de Shapiro-Wilk (p<0,0001). 

DISCUSSÃO

A autoavaliação por meio de questionários on-line mostrou-se eficaz previamente, para o autoconhecimento5. A autoavaliação das próprias competências, após o Curso OsiriX, mostrou-se aumentada. Assim como já descrito anteriormente, cursos de curta extensão podem influenciar positivamente na autoavaliação6.

O curso tem o intuito primário de alertar o aluno da existência de melhores métodos de avaliação de imagem e, secundariamente, ensinar-lhe a técnica para executá-la. A reflexão do aluno sobre as informações adquiridas – e a consequente opção própria pelo método a ser utilizado – é mais eficaz7 do que a imposição não elucidada de um determinado método, com exaustiva repetição da técnica.

Assustadoramente, uma parcela dos alunos ainda utilizava métodos não considerados seguros para programação endovascular8,9, como o uso de compassos e chapas impressas (14%), e a confiança cega em laudo escrito por Radiologista (12,5%). Porém, nota-se uma evolução para a mídia digital, quando a grande maioria já utilizava algum método de avaliação de imagem em computador. Um número de 66 alunos (48,5%) utilizava as imagens axiais para fazer as medidas, método considerado não ideal, porém já realizado no computador. Dos alunos, 19 (14%) utilizavam o método 3D MPR, considerado a medida ideal para diâmetros e extensões de vasos não tortuosos8, e 15 (11%) utilizavam o 3D MPR e o 3D MPR associado ao MIP, este último considerado importante ferramenta na mensuração de extensões de vasos tortuosos.

Um número de 110 alunos (81,5%) afirmou refazer as medidas no intraoperatório e 70,9% consideraram que, após o curso, deixarão de refazer as medidas no intraoperatório, acreditando no resultado da angiotomografia, método já considerado adequado para o planejamento cirúrgico endovascular10.

CONCLUSÃO

A educação continuada por meio de curso especializado mostrou-se eficaz na compreensão da importância do método de análise de imagens por reconstrução tridimensional multiplanar e algoritmos de otimização de imagens.

Fonte de financiamento: Nenhuma.

O estudo foi realizado no Curso OsiriX, São Paulo (SP), Brasil.

REFERÊNCIAS

1. Amato ACM, Benitti DA. Nova era do planejamento cirúrgico endovascular. J Vasc Bras. 2011;10(4):279-81. http://dx.doi.org/10.1590/S1677-54492011000400002. [ Links ]

2. Ratib O, Rosset A. Open-source software in medical imaging: development of osirix. Int J CARS. 2006;1(4):187-96. http://dx.doi.org/10.1007/s11548-006-0056-2. [ Links ]

3. Melissano G, Civilini E, Bertoglio L. "Planning and sizing" della patologia aortica con OsiriX. 1. ed. Milano: Arti Grafiche Colombo; 2010. [ Links ]

4. Amato ACM, Benitti DA. Curso de OsiriX site na internet]. 2011. citado 2014 abr 23]. www.curso-osirix.com.br. [ Links ]

5. Amato ACM, Neves AAG, Marinho LS, Morillo MG, Amato MCM. The impact of online self-evaluation on self-awareness and lifestyle habits. J Health Inform. 2013;5(3):82-5. [ Links ]

6. Tiuraniemi J, Läärä R, Kyrö T, Lindeman S. Medical and psychology students' self-assessed communication skills: a pilot study. Patient Educ Couns. 2011;83(2):152-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.pec.2010.05.013. PMid:21459253 [ Links ]

7. Lowe M, Rappolt S, Jaglal S, Macdonald G. The role of reflection in implementing learning from continuing education into practice. J Contin Educ Health Prof. 2007;27(3):143-8. http://dx.doi.org/10.1002/chp.117. PMid:17876839 [ Links ]

8. Kritpracha B, Wolfe J, Beebe HG. CT artifacts of the proximal aortic neck: an important problem in endograft planning. J Endovasc Ther. 2002;9(1):103-10. http://dx.doi.org/10.1583/1545-1550(2002)009<0103:CAOTPA>2.0.CO;2. PMid:11958313 [ Links ]

9. Beebe HG, Kritpracha B. Computed tomography scanning for endograft planning: evolving toward three-dimensional, single source imaging. Semin Vasc Surg. 2004;17(2):126-34. http://dx.doi.org/10.1053/j.semvascsurg.2004.03.007. PMid:15185178 [ Links ]

10. Armon MP, Whitaker SC, Gregson RH, Wenham PW, Hopkinson BR. Spiral CT angiography versus aortography in the assessment of aortoiliac length in patients undergoing endovascular abdominal aortic aneurysm repair. J Endovasc Surg. 1998;5(3):222-7. http://dx.doi.org/10.1583/1074-6218(1998)005<0222:SCAVAI>2.0.CO;2. PMid:9761573 [ Links ]

Recebido: 29 de Janeiro de 2014; Aceito: 06 de Maio de 2014

Correspondência Alexandre Campos Moraes Amato, Avenida Juriti, 144 – Moema, CEP 04520-000 – São Paulo (SP), Brasil, Tel.: (11) 50532222, E-mail: dr.alexandre@amato.com.br

Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

Informações sobre os autores

ACMA - Professor Assistente de Cirurgia Vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA); Chefe do Departamento de Cirurgia Vascular e Endovascular do Amato Consultório Médico; Cirurgião Vascular e Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

DAB - Membro Titular do Departamento de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Antonio Cândido de Camargo; Chefe do Departamento de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Metropolitano de Campinas.

Contribuições dos autores

Concepção e desenho do estudo: ACMA

Análise e interpretação dos dados: ACMA

Coleta de dados: ACMA, DAB

Redação do artigo: ACMA

Revisão crítica do texto: ACMA, DAB

Aprovação final do artigo*: ACMA, DAB*

Análise estatística: ACMA

Responsabilidade geral do estudo: ACMA, DAB

*

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium provided the original work is properly cited.