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Jornal Vascular Brasileiro

Print version ISSN 1677-5449On-line version ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. vol.14 no.2 Porto Alegre Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1677-5449.0073 

Artigos Originais

Resultado do tratamento da insuficiência venosa superficial com Laser Diodo 1470 nm

Gilberto do Nascimento Galego 1  

Guilherme Baumgardt Barbosa Lima 1*  

Rafael Narciso Franklin 2  

Cristiano Torres Bortoluzzi 2  

Pierre Galvagni Silveira 1  

1Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florianópolis, SC, Brasil

2Coris Medicina Avançada, Florianópolis, SC, Brasil

RESUMO

CONTEXTO:

A ablação endovenosa com laser consiste em um procedimento minimamente invasivo e é aplicada no tratamento da insuficiência venosa superficial. Acreditamos que o uso de uma onda de maior comprimento irá propiciar a diminuição dos principais efeitos adversos, relacionados com ondas de menor comprimento.

OBJETIVOS:

Demonstrar o resultado de uma série inicial de pacientes com insuficiência venosa crônica superficial, tratados com o uso do Laser Diodo 1470 nanômetros, e comparar as fibras linear e radial.

MÉTODOS:

Conduzimos um estudo observacional do tipo coorte histórico. Setenta e quatro pacientes, com no mínimo dois eco-Doppler pós-operatórios, foram incluídos, totalizando 121 veias safenas tratadas (92 magnas e 29 parvas). Tivemos 57 pacientes pertencentes ao Grupo A (fibra linear) e 17 ao Grupo B (fibra radial). O follow-up foi idealmente realizado com uma consulta clínica e eco-Doppler em um mês, seis meses e 12 meses, após o procedimento. O sucesso foi definido como a oclusão total do segmento venoso tratado.

RESULTADOS:

O sucesso no follow-up médio de 13,4 meses (7 - 27) foi de 83% para veias safenas magnas e 89% para veias safenas parvas. Pacientes submetidos ao uso de fibra radial necessitaram de menos energia para oclusão da veia safena parva e apresentaram menos reações adversas, com significância estatística.

CONCLUSÃO:

O tratamento da insuficiência de veias safenas magna e parva com o Laser Diodo 1470 nm é seguro e eficaz. A utilização da fibra radial foi associada a menos intercorrências em relação à fibra linear, apesar de sucesso semelhante.

Palavras-Chave: insuficiência venosa; varizes; terapia a laser

INTRODUÇÃO

A insuficiência venosa crônica é uma das doenças vasculares mais prevalentes do mundo ocidental. Consiste em um distúrbio no transporte do sistema venoso, sendo a teoria mais aceita a incompetência das válvulas de veias perfurantes, que passam a transmitir pressão do sistema venoso profundo ao superficial, em que fisiologicamente teríamos um sistema de baixa pressão1. Inúmeros fatores de risco têm sido associados à doença ao longo dos anos, incluindo história familiar, idade, obesidade, sexo feminino, estilo de vida, dieta e gravidez1 , 2. No Brasil, a doença venosa também apresenta alta prevalência, equivalente a de países desenvolvidos, chegando a 37,9% em homens e 50,9% em mulheres3. As consequências desta doença frequentemente levam a uma pior qualidade de vida ao paciente, podendo evoluir com complicações, caso não se aplique um tratamento adequado4. A abordagem de um paciente com tal condição deve incluir uma interação multiprofissional, com o objetivo de atuar sobre os fatores de risco modificáveis, prevenindo, dessa forma, diversas doenças com fatores de risco em comum.

O tratamento cirúrgico atua como importante pilar nessa abordagem, especialmente em casos de insucesso com tratamento conservador, sintomas importantes, doença avançada e insatisfação estética. A cirurgia convencional consiste basicamente na ligadura e/ou exérese dos segmentos venosos acometidos. No caso de comprometimento das veias safenas magna e parva, realiza-se a ligadura das mesmas junto à junção safeno-femoral (JSF) ou safeno-poplítea (JSP), e a ressecção total ou parcial, levando a uma melhora da qualidade de vida dos pacientes5 - 7. Todavia, pode estar associada a lesão de nervo safeno, tromboflebite, sangramento e infecção da ferida operatória8. Atualmente, técnicas menos invasivas, como microespuma, ablação por radiofrequência e ablação endovenosa com laser, vêm sendo introduzidas, visando a propiciar os benefícios intrínsecos de procedimentos minimamente invasivos, como diminuir as intercorrências pós-operatórias, melhorar o resultado estético e reduzir o tempo de recuperação, sem abrir mão das taxas de sucesso da cirurgia convencional9. As diferentes técnicas de ablação das safenas são eficientes na exclusão da veia acometida, apesar de cada uma das técnicas ter suas peculiaridades, apresentando vantagens e desvantagens8 , 10.

Em relação à ablação com Laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation), a primeira publicação encontrada na literatura sobre sua utilização na insuficiência venosa superficial ocorreu em 199911. Estudos randomizados, comparando-a com a cirurgia convencional, demonstram eficácia similar com a vantagem de um retorno mais precoce às atividades do cotidiano para os pacientes tratados com laser12 - 15. Recentemente, gerações de laser com maior comprimento de onda, como a de 1470 nanômetros (nm), e diferentes tipos de fibra ótica, como a fibra radial, passaram a ser empregadas e vêm apresentando resultados ainda mais promissores4 , 16 - 18.

Este estudo tem como objetivo principal demonstrar os resultados do tratamento da insuficiência venosa superficial com o uso do Laser Diodo de 1470 nanômetros (nm). Como objetivo secundário, realizaremos uma avaliação comparativa entre dois grupos de pacientes tratados com fibra linear e com fibra radial.

MÉTODOS

Pacientes

Trata-se de um estudo observacional em coorte histórico. Foram incluídos 74 pacientes submetidos à ablação venosa das veias safenas com Laser 1470 nm, no período de março de 2011 a maio de 2013, com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado. Como critério de exclusão, adotamos: pacientes que negaram a assinatura do TCLE e ausência de pelo menos dois exames de controle pós-operatórios.

Os detalhes pré-operatórios, transoperatórios e do acompanhamento foram anotados em formulário (protocolo) pré-estabelecido e preenchidos de maneira prospectiva (Figura 1). Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC e um TCLE foi aplicado a todos os pacientes.

Figura 1. Ficha de coleta de dados. 

Para alcançar o objetivo secundário do estudo, procedemos com uma divisão dos pacientes em dois grupos. No Grupo A (n=57), pacientes submetidos à ablação com fibra linear, e no Grupo B (n=17), com fibra radial. Tendo em vista que muitos pacientes receberam tratamento simultâneo de diferentes veias, o cálculo de sucesso e reações adversas, quando adequado, foi realizado com base no número total de veias tratadas, sendo 87 veias no Grupo A e 34 veias no Grupo B.

Técnica

Todos os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e com eco-Doppler como exame pré-operatório, permitindo, assim, a classificação Clínica, Etiológica e Anatomopatológica (CEAP). Os dados do exame de eco-Doppler incluíam localização do refluxo venoso e diâmetro dos vasos acometidos.

Todos os procedimentos foram realizados em ambiente de Centro Cirúrgico, com precauções padrão de antissepsia, sob cuidados de um Anestesiologista e em regime de hospital dia. No transoperatório, realizou-se varredura com eco-Doppler para confirmar as informações do exame pré-operatório, auxiliar na punção venosa, verificar o trajeto da fibra e analisar o resultado da ablação. Não aplicamos a técnica de intumescência em nenhum paciente.

A potência do laser foi definida pelo Cirurgião, baseado no diâmetro do vaso e na proximidade com a pele. A fibra foi tracionada delicadamente, idealmente com uma velocidade constante, levando a liberação de energia e ablação da veia. Durante a tração da fibra, realizou-se compressão manual ou com o transdutor do eco-Doppler para aproximar as paredes da veia à fibra. No mesmo ato operatório, realizou-se a ressecção de colaterais e/ou escleroterapia. Ao fim da ablação, a energia total dissipada demonstrada pelo emissor de laser foi registrada no protocolo, assim como a extensão de vaso tratada, visando ao cálculo da energia linear endovenosa (LEED = Joules/cm), realizado através da divisão da quantidade total de energia liberada sobre o comprimento da veia tratada. Dissecção e ligadura do cajado ficavam a critério do Cirurgião e, na dependência do diâmetro da veia safena no nível da JSF ou da JSP, e da visualização pelo eco-Doppler. Os pacientes receberam enfaixamento elástico de membros inferiores e foram orientados a deambular de forma precoce logo após a recuperação anestésica.

Acompanhamento

Entre o sétimo e o décimo dia de pós-operatório, os pacientes foram avaliados e indicou-se o uso de meias de compressão elástica. Equimose, dor, sensação de queimadura, parestesia e edema foram parâmetros pesquisados nesse momento e descritos como presentes ou ausentes. Os controles com eco-Doppler, para avaliação de status hemodinâmico das safenas, sinais de trombose venosa profunda (TVP) e diâmetro, foram realizados com 30 dias, seis meses e um ano. Foram considerados como sucesso no tratamento os casos com oclusão total do segmento tratado. Oclusão parcial corresponde aos casos em que o primeiro eco-Doppler pós-operatório demonstrou fluxo em parte do segmento tratado, enquanto recanalização são os casos em que foi evidenciado fluxo em um segmento considerado ocluído no eco-Doppler anterior, sendo que ambos os quadros foram considerados falha no tratamento.

Análise estatística

Os dados foram analisados de maneira retrospectiva, utilizando-se as informações colhidas em formulário pré-estabelecido. A análise estatística foi realizada através dos softwares Excel 5.0 e Primer of Biostatistics (McGraw-Hill Inc.). O sucesso do procedimento e as reações adversas gerais foram calculados através de porcentagens, sendo comparadas com estudos da literatura para constatar a reprodutibilidade da eficácia e das taxas de reações adversas previamente publicadas. Em relação às comparações entre os grupos, variáveis quantitativas foram analisadas através de médias, desvio padrão e teste-T para amostras independentes, com intervalo de confiança de 95% entre os grupos. Para analisar a associação entre variáveis qualitativas, foram utilizados o teste do qui quadrado e o teste de Fisher. Foi considerado estatisticamente significativo um valor de p<0,05.

RESULTADOS

Setenta e quatro pacientes submetidos à ablação de safenas com Laser 1470 nm foram incluídos no estudo, sendo 26 do sexo masculino e 48 do sexo feminino. A média de idade dos pacientes foi de 52 anos. Foram analisados 95 membros com um total de 121 veias tratadas (92 veias safenas magnas e 29 safenas parvas). Todos os pacientes foram estratificados de acordo com a classificação CEAP, totalizando 16,9% CEAP II; 59,3% CEAP III; 16,9% CEAP IV; 6,7% CEAP V.

A potência média aplicada na safena magna foi de 6,8 Watts na coxa e 6,4 Watts na perna, enquanto que, na parva, foi de 6,1 Watts na porção mais proximal da veia e 6 Watts na perna distal. Foi utilizada uma média de 2.146 Joules nas safenas magnas e 898 Joules nas safenas parvas, resultando em uma energia linear média liberada de 30,9 J/cm nas safenas magnas e 22,65 J/cm nas safenas parvas. Oito safenas magnas necessitaram de punção adicional devido à impossibilidade de progressão da fibra. Foram realizadas 52 dissecções da veia safena magna na JSF devido às seguintes condições: impossibilidade de prosseguir com a fibra, existência de uma JSF com diâmetro superior a 8 mm, dificuldade de visualização da fibra pelo eco-Doppler e existência de refluxo muito intenso junto à JSF.

O controle transoperatório com eco-Doppler mostrou desaparecimento da luz do vaso em todas as 121 veias tratadas. Não houve nenhuma intercorrência significativa e todos os pacientes receberam alta no mesmo dia, com enfaixamento elástico e orientações sobre mobilização precoce.

No primeiro controle clínico, entre o sétimo e o décimo dia de pós-operatório, constatamos sete (5,7%) casos de equimose no trajeto da veia tratada e o mesmo número de casos de dor no trajeto da veia tratada e de parestesia local. Não houve nenhum caso de queimadura de pele. Quatro dos 95 membros analisados apresentaram edema (4,2%). Um paciente com edema importante foi submetido a exame de eco-Doppler que confirmou o diagnóstico de TVP, com acometimento da veia poplítea após ablação das veias safena magna e parva no mesmo membro.

Todos os pacientes foram submetidos a um eco-Doppler de controle aos 30 dias, apresentando 91 safenas magnas com oclusão total, uma com oclusão parcial (98,9% de sucesso para safenas magnas) e as 29 safenas parvas com oclusão total (100% de sucesso). Foram evidenciados, na ocasião, dois casos de TVP, sendo que somente um era sintomático e corresponde ao caso diagnosticado na consulta de uma semana. No outro caso, ocorreu uma trombose do plexo solear assintomática, após ablação de veia safena magna. Ambos os pacientes receberam tratamento ambulatorial com resolução completa e sem repercussões posteriores.

Ao eco-Doppler de controle de seis meses, foram observadas 80 safenas magnas com oclusão total, uma com oclusão parcial e 11 com recanalização parcial (86% de sucesso para safenas magnas), e 27 safenas parvas com oclusão total e duas com recanalização parcial (93% de sucesso para safenas parvas). Todos os pacientes com reações adversas no pós-operatório imediato foram ativamente questionados sobre a evolução e apresentaram melhora. Ao controle mais tardio, no qual o follow-up médio foi de 13,4 meses (7 - 27 / mediana 12), obtivemos 77 safenas magnas com oclusão total, uma com oclusão parcial e 14 com recanalização parcial, e 26 safenas parvas com oclusão total e três com recanalização parcial. Dessa forma, o sucesso do procedimento aos 13,4 meses foi de 83% para safenas magnas e 89% para safenas parvas.

Em relação à comparação entre os pacientes submetidos à fibra linear (Grupo A, n=57) e à fibra radial (Grupo B, n=17), tivemos dois grupos similares, sem diferenças estatísticas entre idade, sexo, follow-up (Tabela 1) e diâmetro das veias tratadas. Houve diferença com significância estatística no que diz respeito à quantidade de energia linear (J/cm) usada nas veias safenas parvas, sendo maior no grupo com fibra linear (Tabela 1). Entre as veias safenas magnas, por outro lado, a energia dissipada entre os grupos não teve variação estatística relevante (Tabela 1). As reações adversas específicas (equimose, dor, parestesia e TVP) não tiveram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos. No entanto, quando analisamos as reações adversas totais de cada grupo, notamos uma menor ocorrência com significância estatística no Grupo B (fibra radial), conforme Tabela 2. Por fim, quando analisamos separadamente as veias safenas magnas, veias safenas parvas e veias totais, não evidenciamos diferença estatisticamente significativa (Tabela 3).

Tabela 1. Características dos pacientes de acordo com o tipo de fibra utilizado. 

Distribuição pacientes p
Grupo A (fibra linear) n=57 Grupo B (fibra radial) n=17
Idade (anos) 52,23 ±13 55,3±13,2 0,397
Sexo (M:F) 21:36 5:12 0,784
Follow-up (meses) 14,23±5,6 11±4,12 0,032
LEED Magna (J/cm) 31,33±10,03 30,17±16,48 0,722
LEED Parva (J/cm) 30,6±5,04 18,68±2,89 <0,05*

LEED: energia linear utilizada, calculada através da divisão da energia total utilizada (em joules) pelo segmento de veia tratado (em centímetros). *Estatisticamente significativo.

Tabela 2. Reações adversas de acordo com o tipo de fibra utilizado. 

Grupo A (n=87) Grupo B (n=34) p
Equimose (Sim : Não) 7:80 12:34 0,204
Dor (Sim : Não) 7:80 0:34 0,204
Parestesia (Sim : Não) 5:82 2:32 0,686
TVP (Sim : Não) 2:85 0:34 0,922
Reações Adversas (Sim : Não) 21:66 2:32 <0,05*

TVP: trombose venosa profunda. *Estatisticamente significativo.

Tabela 3. Sucesso de acordo com o tipo de fibra empregado no tratamento. 

Grupo A (n=87) Grupo B (n=34) p
Magna (sucesso : falha) 57:13 20:2 0,5
Parva (sucesso : falha) 14:3 12:0 0,246
Total (sucesso : falha) 71:16 32:2 0,146

DISCUSSÃO

A ablação endovenosa com laser tem como objetivo oferecer os benefícios inerentes a um procedimento menos invasivo, mantendo ou até mesmo superando o sucesso do tratamento convencional. O presente estudo, com Laser Diodo 1470 nm e fibras linear e radial, demonstrou altas taxas de sucesso mesmo com baixa energia liberada, resultando em poucas reações adversas e complicações maiores.

A taxa de sucesso em um ano de acompanhamento encontrada no nosso estudo é similar aos valores encontrados em publicações prévias9 , 12 , 13 , 19. Alguns artigos, no entanto, apresentam uma taxa de sucesso superior às encontradas neste estudo8 , 20. Tal fato pode ser devido a uma discrepância na definição de sucesso do procedimento, assim como a uma variação na energia utilizada. A quantidade de energia liberada depende da potência (Watts = J/s) e da duração da exposição4. Timperman et al. indicaram que a energia linear liberada deveria ser de 80 J/cm para assegurar um sucesso no procedimento e apontaram este parâmetro como fator independente no sucesso da oclusão venosa21 , 22. Proebstle et al. também demonstraram um maior sucesso em procedimentos com mais energia19. Todavia, esses achados ocorreram em estudos com ondas de menor comprimento e há evidências demonstrando que a energia liberada pode ser diminuída, sem perda da eficácia, com ondas de maior comprimento16. Nossos resultados vão ao encontro desses dados, revelando taxas de sucesso satisfatórias associadas a uma energia média liberada de apenas 30,9 J/cm nas veias safenas magnas e 22,65 J/cm nas veias safenas parvas. Esse achado foi resultado da aplicação de um nível de potência consideravelmente baixo, que girou entre 6 e 8 W. É provável, todavia, que nossa taxa de oclusão fosse melhor caso utilizássemos uma potência maior, o que provavelmente acarretaria em aparecimento de mais reações adversas.

As taxas de eventos adversos encontradas neste estudo são baixas e condizentes com estudos prévios8 , 20. No que diz respeito à ocorrência de TVP, nossos achados também são similares a estudos com laser e apresentam ocorrência semelhante - se não inferior - a pacientes submetidos à cirurgia convencional23 , 24. Em relação às intercorrências menores, acreditamos que um maior comprimento de onda pode beneficiar os pacientes, gerando menos dor pós-operatória e um grau menor de equimose em relação àqueles tratados com ondas de menor comprimento4 , 17. A explicação seria o fato de que ondas de menor comprimento teriam uma maior afinidade por hemoglobina desoxigenada, levando ao aquecimento do sangue intraluminal e a uma transmissão importante de calor para tecidos adjacentes. Além disso, o ideal seria existir uma camada de hemoglobina entre a fibra óptica e a parede venosa, servindo como proteção à parede. Tal fato é comprometido em veias doentes com grandes tortuosidades e variações do calibre. Por conseguinte, temos aumentos agudos e pontuais de temperatura, gerando microperfurações e, consequentemente, mais equimose e dor4 , 16 , 17. Por outro lado, ondas de maior comprimento atuam de maneira mais específica sobre a parede do vaso, possibilitando a aplicação de menos energia para atingir a oclusão do mesmo17.

No que diz respeito aos objetivos secundários deste estudo, demonstramos que a quantidade de energia dissipada necessária para o tratamento da veia safena parva foi menor no grupo B (fibra radial,) com diferença estatisticamente significativa; ainda assim, o grupo B apresentou resultados similares ao Grupo A (sem diferença estatística). Isto não se repetiu na comparação entre veias safenas magnas. No que diz respeito às reações adversas gerais, também percebemos uma menor ocorrência estatisticamente significativa no grupo B (fibra radial). Tais achados nos parecem indicativos de que fibras radiais podem, de fato, contribuir para uma distribuição mais homogênea da energia na superfície venosa, evitando pontos de aquecimento exagerados e gerando menos efeitos colaterais16.

Alguns autores questionam o fato de o laser não ocluir as veias tributárias, que são tradicionalmente ligadas durante o procedimento cirúrgico convencional25. Min et al. demonstraram, em um acompanhamento de dois anos, que a ablação com laser apresenta uma menor recorrência que a safenectomia com ligadura das veias colaterais, não sendo um fator de recorrência, a não ligadura das tributárias26. No nosso serviço, optamos pela manutenção da tradicional ligadura das tributárias ou escleroterapia, visando a uma menor recorrência.

Apesar de utilizarmos a energia linear dissipada como referência para a energia utilizada, Proebstle et al. apontaram como importante parâmetro a fluência (J/cm2) aplicada ao lúmen do vaso19 , 27. Contudo, pela dificuldade - ou mesmo impossibilidade - de medir a área de superfície interna da veia em todo seu segmento, a maioria dos estudos utiliza o parâmetro de energia linear endovenosa para avaliação dos resultados, o que torna nosso estudo comparável com a literatura. Outra possível limitação, ao fazer comparações com a literatura, é a não padronização do volume de anestesia tumescente, o que pode gerar diferenças de diâmetro em relação aos exames pré-operatórios, fato que inexiste em nosso estudo, tendo em vista que nenhum paciente recebeu tal anestesia. Esses fatores consistem nas principais limitações deste estudo.

Em conclusão, demonstramos que o tratamento da insuficiência de veias safenas magna e parva com o Laser Diodo 1470 nm é seguro e eficaz. A utilização de fibra radial foi associada a menos intercorrências em relação à fibra linear.

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Fonte de financiamento: Nenhuma

Recebido: 25 de Outubro de 2013; Aceito: 07 de Novembro de 2014

*Correspondência Guilherme Baumgardt Barbosa Lima Universidade Federal de Santa Catarina Rua das Castanheiras, 122 - Lagoa da Conceição CEP 88062-284 - Florianópolis (SC), Brasil Tel.: (48) 32325100 E-mail: guilhermevela@hotmail.com

O estudo foi realizado na Coris Medicina Avançada, Florianópolis (SC), Brasil.

*Todos os autores leram e aprovaram a versão final submetida ao J Vasc Bras.

Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

Informações sobre os autores GNG - Doutor em Cirurgia pela Universitat Autònoma de Barcelona (UAB); Professor Adjunto III da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). GGBL - Graduando do Curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). RNF e CTB - Cirurgiões Vasculares da Associação Médica Brasileira (AMB); Cirurgiões Vasculares da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). PGS - Doutor em Cirurgia pela Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), Espanha; Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Contribuições dos autores Concepção e desenho do estudo: GNG, RNF, GBBL Análise e interpretação dos dados: GNG, GBBL Coleta de dados: GBBL Redação do artigo: GBBL Revisão crítica do texto: PGS, CTB Aprovação final do artigo*: GNG Análise estatística: GBBL Responsabilidade geral pelo estudo: GNG

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