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Jornal Vascular Brasileiro

Print version ISSN 1677-5449On-line version ISSN 1677-7301

J. vasc. bras. vol.14 no.2 Porto Alegre Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1677-5449.0061 

Relatos De Caso

Relato de caso: aneurisma roto de artéria poplítea

Altino Ono Moraes 1*  

Rogério Yoshikazu Nabeshima 1  

Felipe Franchini Rezende 2  

Ericsson Fernando Viotto 1  

Claudio Ricardo Bogdan 3  

1Associação Beneficente Bom Samaritano, Maringá, PR, Brasil

2Universidade Positivo - UP, Curitiba, PR, Brasil

3Faculdade Ingá - Uningá, Maringá, PR, Brasil

RESUMO

Mulher de 83 anos, com tratamento endovascular prévio de aneurisma de aorta abdominal, iniciou com quadro de dor intensa e edema de perna esquerda, evoluindo com hiperemia e calor local. Ao exame eco-Doppler, apresentou aneurisma volumoso de artéria poplítea roto contido, com hematoma abrangendo fossa poplítea, nas faces medial e anterior de joelho, causando compressão da veia poplítea. Durante a correção endovascular com stent recoberto, foi confirmada a presença de rotura do aneurisma. O aneurisma foi excluído e a paciente teve regressão completa dos sinais e sintomas decorrentes dele; porém, evoluiu no pós-operatório com sepse de origem pulmonar e óbito.

Palavras-Chave: aneurisma roto de artéria poplítea; aneurisma periférico; cirurgia endovascular; stent recoberto

INTRODUÇÃO

O aneurisma de artéria poplítea (AAP) é responsável por 70 a 80% dos casos de aneurismas periféricos. Geralmente, incide em homens acima de 65 anos e, em 50% dos casos, são bilaterais1. Sua etiologia mais frequente, apesar de multifatorial, é a aterosclerose; o diagnóstico clínico só é feito quando a dilatação arterial atinge grandes proporções ou quando aparecem complicações isquêmicas no membro2. As manifestações clínicas do AAP incluem trombose arterial aguda, embolização distal, compressão venosa e/ou nervosa, e ruptura, sendo esta última uma complicação rara1.

Atualmente, a cirurgia endovascular para tratamento de AAP tornou-se uma alternativa ao reparo aberto, pois oferece algumas vantagens, como menor perda de sangue, recuperação pós-operatória mais rápida e alta hospitalar precoce3 , 4. Apresentamos, no presente relato, um raro caso de rotura de AAP, que foi tratado no Serviço de Urgência através da técnica endovascular.

DESCRIÇÃO DO CASO

Paciente do sexo feminino, 83 anos, com correção endovascular prévia de aneurisma de aorta abdominal, iniciou quadro de dor importante e edema em membro inferior esquerdo havia 15 dias do internamento. Ao exame físico, foi evidenciado edema com cacifo em região de joelho e perna esquerdos, discreta hiperemia e calor local, além de massa pulsátil em região poplítea (Figura 1). Foi solicitado eco-Doppler de membros inferiores, que evidenciou presença de aneurisma volumoso de artéria poplítea e hematoma abrangendo fossa poplítea e faces medial e anterior de joelho, com imagem suspeita de rotura contida, causando compressão de veia poplítea. A paciente apresentava a rotura havia cerca de uma semana, sendo tratada em outro serviço como erisipela; possuía um alto risco cirúrgico e arritmia cardíaca importante, além de anemia (hemoglobina de 10). A cirurgia foi realizada por punção anterógrada de artéria femoral comum e foi feito o acesso para o aneurisma através de fio guia hidrofílico e cateter Multi purpose; foi avaliada a zona proximal e implantados dois stents recobertos Viabahn GORE (r), além de acomodação com balão de angioplastia. Durante o procedimento cirúrgico endovascular, evidenciou-se a rotura do aneurisma e a completa exclusão do mesmo após correção (Figuras 2 e 3). Houve necessidade de transfusão de uma bolsa de concentrado de hemácias durante o procedimento. A paciente teve regressão completa dos sinais e sintomas após o procedimento, porém evoluiu no pós-operatório com sepse de origem pulmonar e óbito.

Figura 1. Pré-operatório. Imagem da face medial de coxa, com presença de hematoma volumoso e equimose de subcutâneo. 

Figura 2. Imagem intraoperatória mostrando rotura do aneurisma, com extravasamento do contraste, e contenção. 

Figura 3. Imagem intraoperatória após correção do aneurisma com stent Viabahn GORE?. 

DISCUSSÃO

O AAP é o aneurisma periférico mais comum e, entre todos os aneurismas, é o segundo em frequência, sendo superado apenas pelo aneurisma de aorta abdominal5. Está presente em cerca de 1% da população geral e ocorre preferencialmente no sexo masculino, em maiores de 65 anos e em pacientes com várias comorbidades2 , 4 - 6.

A presença do AAP sugere a existência de aneurismas em outros territórios, principalmente de artérias poplítea contralateral (50% dos casos), femoral, ilíaca e aorta abdominal1 , 4 , 5 , 7. Possui etiologia multifatorial e sua causa não está totalmente esclarecida, embora a aterosclerose constitua-se na principal hipótese em pacientes idosos7 - 9.

Os pacientes podem ser assintomáticos ou podem apresentar sintomas isquêmicos relacionados à trombose do aneurisma ou a algum evento embólico derivado deste, o que pode ocorrer em 33% dos casos7. As manifestações decorrentes da isquemia são as mesmas decorrentes de qualquer evento isquêmico, cursando com palidez, redução da temperatura, ausência de pulsos, parestesia e dor. Sintomas de compressão nervosa, como formigamento e ardência, ou de compressão venosa, como edema e trombose venosa profunda, podem ocorrer5.

Em geral, os AAPs acarretam uma alta taxa de complicações, variando de 68 a 77% dos casos em cinco anos. A rotura de AAP ocorre em 0,5 a 7% dos casos7 , 9 , 10. A amputação do membro inferior pode atingir até 40% dos pacientes e eventos que podem levar à morte somam 5% dos casos7.

O tratamento consiste em excluir o aneurisma nos casos em que possuem tamanho maior que 2 cm, apresentam trombo mural ou possuem torção maior que 45o. Os quadros da bilateralidade ou da associação com hipertensão arterial também devem ser tratados, devido aos maiores índices de complicações7 , 11 , 12.

O presente relato trata de um caso de mulher com aneurisma roto de artéria poplítea, que foi submetida a tratamento endovascular com stent recoberto com sucesso. A cirurgia endovascular como alternativa terapêutica vem inovando o tratamento por apresentar uma menor perda sanguínea no perioperatório e tempos de internação e recuperação menores, quando comparados ao tratamento convencional aberto.

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Fonte de financiamento: Nenhuma.

Recebido: 28 de Julho de 2014; Aceito: 24 de Dezembro de 2014

*Correspondência Altino Ono Moraes Av. Cidade de Leiria, 445 CEP 87014-100 - Maringá (PR), Brasil Tel.: (44) 32246704 / (44) 88024822 E-mail: altino_moraes@uol.com.br

O estudo foi realizado no Hospital e Maternidade Maringá, Maringá (PR), Brasil.

* Todos os autores leram e aprovaram a versão final submetida ao J Vasc Bras.

Conflito de interesse: Os autores declararam não haver conflitos de interesse que precisam ser informados.

Informações sobre os autores AOM - Mestre em Cirurgia pela UNIFESP. Especialista pela SBACV em Cirurgia Vascular. Preceptor Chefe do Programa de Residência Médica em Cirurgia Vascular da Associação Beneficente Bom Samaritano. RYN - Residente em Cirurgia Vascular da Associação Beneficente Bom Samaritano. FFR - Acadêmico do 6o Ano de Medicina da Universidade Positivo. EFV - Especialista pela SBACV em Cirurgia Vascular. Preceptor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Vascular da Associação Beneficente Bom Samaritano. CRB - Especialista SBACV em Cirurgia Vascular. Professor de Cirurgia Vascular pela Uningá.

Contribuições dos autores Concepção e desenho do estudo: AOM Análise e interpretação dos dados: N/A. Coleta de dados: AOM, RYN, FFR Participação na cirurgia: AOM, RYN, FFR, EFV, CRB Redação do artigo: AOM, RYN, FFR Revisão crítica do artigo: AOM Aprovação final do artigo*: AOM, RYN, FFR, EFV, CRB Análise estatística: N/A. Responsabilidade geral pelo estudo: AOM

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