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ARS (São Paulo)

versão impressa ISSN 1678-5320

ARS (São Paulo) vol.6 no.11 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1678-53202008000100020 

Baje el puente

 

 

Sofia Panzarini

 

 

Este trabalho surge de uma investigação sobre as fronteiras urbanas. Pensando na cidade de Buenos Aires e em suas fronteiras houve a aproximação à ponte Saavedra, limite entre o centro, a assim chamada capital, e a zona norte da cidade. Além de ser uma fronteira geográfica também é uma fronteira física, social, econômica e política. Os automóveis a cruzam ignorando o entorno. As linhas de ônibus têm paradas finais nesse lugar ou cobram preço diferente para seguir adiante. As pessoas quase não atravessam a pé esse lugar. Zona de ninguém. Mas de algo que não permite apropriação.

A intenção de fazer uma intervenção mínima era evidenciar a impossibilidade de intervir de outra forma, permitir um atravessar não invasivo e mais sutil. Consistiu em colocar faixas de papel como as faixas de pedestres num lugar onde quase não há pedestres e em posição contrária à suposta possibilidade de atravessar. Sentindo o lugar percebeu-se que rapidamente as faixas se desmanchariam, pelo andar das pessoas e pelo vento intenso típico da primavera em Buenos Aires. E assim se deu.

Esse fato evidenciaria a fragilidade de armar uma situação de cruzamento nessa fronteira e em outras dessa natureza e também possibilitaria uma experiência mínima da tentativa de atravessar.

Houve muitas reações diferentes, como pessoas que não pisavam nas faixas de nenhuma forma e os que são verdadeiramente donos do espaço urbano, como no conceito de Manuel Delgado, em seu livro O animal público. Os catadores de papel que passavam por cima sem nenhum tipo de preconceito ou pudor. Para estes não havia lugar para a pergunta POSSO PISAR AQUI? Ou A QUEM PERTENCE ISTO? Muito menos se tratava-se de alguma forma de arte.

As faixas se desmancharam, os postais foram distribuídos com o endereço do registro em vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=-eA_LoZVi_Q.

E a pergunta ficou para ser respondida por cada um que se atreve a circular pelo espaço urbano ignorando fronteiras ou pelo menos se relacionando com elas de forma mais aberta.

Baixe a Ponte. Baixe as Fronteiras. Atravesse.
Baje el Puente. Baje las Fronteras. Cruce.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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