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Ambiente Construído

On-line version ISSN 1678-8621

Ambient. constr. vol.13 no.3 Porto Alegre July/Sept. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1678-86212013000300008 

ARTIGOS

 

Análise do impacto da implantação de sistemas ERP nas características organizacionais das empresas de construção civil

 

Analysis of the impact caused by the implementation of ERP systems on the organizational characteristics of construction companies

 

 

Christiane Wagner Mainardes KrainerI; Jefferson Augusto KrainerII; Alfredo Iarozinski NetoIII; Cezar Augusto RomanoIV

IUniversidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil
IIUniversidade Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil
IIIUniversidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil
IVUniversidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba - PR - Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Uma das causas do insucesso do ERP nas empresas de construção civil é o fato da implantação desse sistema ser uma grande mudança organizacional. O objetivo desta pesquisa é identificar como a implementação do sistema ERP impacta na organização e nos processos gerencias das empresas de construção civil. Foi realizada uma survey em uma amostra de empresas construtoras brasileiras. Os dados foram coletados por meio de um questionário encaminhado por email a dois grupos de empresas: com e sem ERP implantado. A partir da análise estatística discriminante foi possível identificar as variáveis relacionadas ao nível de desenvolvimento dos processos de gestão e as características organizacionais que mais distinguem os dois grupos de empresas. Os resultados revelaram que a implantação do ERP impacta nas variáveis da maturidade organizacional nos seguintes aspectos: visão estratégica, relacionamento com cliente, gerenciamento de recursos humanos, gestão financeira e de TI.

Palavras-chave: Empresas de construção civil. Sistema integrado de gestão. Maturidade organizacional. Análise discriminante.


ABSTRACT

One of the causes of ERP failure in construction companies is fact that the implementation of this system requires a major organizational change. The objective of this research work is to identify how the implementation of the ERP system impacts the organization and managerial processes of construction companies. It was based on a survey with a sample of Brazilian construction companies. Data were collected through a questionnaire sent by email to two groups of companies: with and without ERP systems. By using the statistical discriminant analysis, it was possible to identify the variables related to the level of development of managerial processes and organizational characteristics that most distinguish those two groups. The results show that ERP implementation impacts on the variables of organizational maturity in the following aspects: strategic vision, customer relationship management, human resources, financial management and IT.

Keywords: Construction companies. Integrated management system. Organizational maturity. Discriminant analysis.


 

 

Introdução

A atividade de transformação na indústria da construção civil leva em conta o produto final, um imóvel, com longo ciclo de existência e inconstância de utilização de recursos. A indústria é composta de inúmeras organizações, desde fornecedores de materiais, de projetos, de serviços e de mão de obra, a empresas propriamente de engenharia. As organizações construtoras têm estruturas distintas, porém o objetivo é comum: entregar algum produto ou serviço que seja necessário para o processo produtivo da construção como um todo (ETCHALUS et al., 2006).

O macrossetor da construção civil tem papel socioeconômico importante no Brasil, representando em torno de 20% do PIB brasileiro (CÂMARA..., 2010). Em contrapartida, no que se refere aos processos gerenciais e às técnicas construtivas, caracteriza-se pelo conservadorismo e pelo tradicionalismo (TOLEDO et al., 2000; NASCIMENTO; SANTOS, 2003; TORTATO, 2007; FREJ; ALENCAR, 2010), o que justifica a preocupação de um grande número de construtoras com seus sistemas de gestão.

As empresas construtoras, desde 1990, começaram a buscar alternativas para viabilizar suas margens de lucro a partir da redução de custos, do aumento de produtividade e da utilização de soluções tecnológicas e gerenciais (TORTATO, 2007).

Conforme Vieira (2006), a inserção de novos conceitos, procedimentos, técnicas, métodos e processos conduziram a mudanças, principalmente no pensamento estratégico e na visão sistêmica das organizações do setor da construção, desencadeando a implementação de tecnologias de informação (TI) que proporcionam um ambiente integrado e produtivo.

Nascimento e Santos (2003) já anunciavam que, para a construção civil, novas tecnologias estavam sendo disponibilizadas em ferramentas modeladoras das informações e gerenciadoras dos empreendimentos, contribuindo fundamentalmente para melhores tomadas de decisão e para a criação de novo conhecimento, integrando todas as fases e compartilhando informações entre os agentes dos processos em todo o ciclo.

Nesse particular, os sistemas integrados de gestão empresarial, também denominados de ERP (Enterprise Resource Planning), podem ser uma importante ferramenta no desenvolvimento organizacional das construtoras, pois, ao se integrarem sistemas, também se integram controles e processos, permitindo, como já exemplificado por Rodrigues (2002), que um colaborador interfira, em tempo real, diretamente no resultado do trabalho do outro. O setor encontra nessa ferramenta a possibilidade de controlar e gerenciar a execução das obras em qualquer etapa do estágio de trabalho. Aliás, os sistemas integrados de gestão específicos para construção civil operam em rede totalmente integrada (VIEIRA, 2006).

No entanto, a implantação de um sistema ERP é um processo crítico. Rodrigues (2002) afirma que existem estratégias diferenciadas de implantação de sistemas de gestão integrada que devem estar alinhadas com a maturidade da organização. Fontana (2006) acrescenta que o conhecimento dos processos de mudança e evolução das organizações pode auxiliar na identificação dos elementos relevantes para a implantação de sistemas. Oliveira (2006), por seu turno, aduz que, para que o processo de implantação seja bem-sucedido, faz-se necessário considerar o estágio de maturidade em que se encontra a organização.

Implementar um sistema integrado tem um caráter estratégico e provoca impactos na gestão da organização, nos processos de negócios e na arquitetura organizacional (CALDAS; WOOD JÚNIOR, 1999). Conforme Rodrigues (2002), a maturidade da organização contribui para a tendência de sucesso na implantação do sistema ERP e na identificação de características negativas que necessitam ser neutralizadas.

O sistema ERP proporciona resultados de longo prazo quando está atrelado aos objetivos estratégicos da empresa, portanto é necessário, primeiramente, avaliar a maturidade organizacional dos processos, procurando compactuar as estratégias do negócio com a TI (OLIVEIRA, 2006). Crespo e Ruschel (2007) esclarecem que a maturidade organizacional é fundamental no momento da implantação, para que as mudanças em TI alcancem o resultado esperado. Dantes e Hasibuan (2009) afirmam que o nível de maturidade da organização impacta significativamente no sucesso da implantação do ERP, pois envolve, além do aspecto tecnológico, pessoas e processos. Segundo Dias e Souza (2004), a simples implantação do sistema ERP acarreta nas organizações transformações estruturais consideráveis.

Do que se percebe, há pesquisas que identificam que, independentemente do nível de maturidade da organização, a simples implantação de um sistema integrado de gestão promove mudanças organizacionais. No entanto, poucos são os estudos semelhantes relacionados especificamente à construção civil.

Assim, levando-se em conta a escassez de literatura sobre o tema, a importância do setor da construção civil para o crescimento do Brasil e, mais ainda, considerando-se as especificidades desse setor, o objetivo desta pesquisa é identificar como a implementação do sistema ERP impacta nas características da organização e na maturidade dos processos gerenciais das empresas de construção civil.

 

Implantação de sistemas erp e maturidade

Entre as principais vantagens de se implantar um sistema ERP estão a integração dos processos internos, a confiabilidade de informações, a obtenção de dados gerenciais que auxiliam as tomadas decisões e a unificação de operações de diferentes plantas (VIEIRA, 2006). Sallaberry (2009) ressalta que o ERP promove a integração dos diversos setores da organização, inclusive com os canteiros de trabalho, proporciona agilidade na execução das atividades, otimização e automatização dos processos do negócio, o que diminui erros, redundâncias e retrabalhos, consequentemente ajudando a empresa a obter ganhos na redução de custos e no aumento da produtividade. O mesmo autor acrescenta que as informações obtidas são mais claras, seguras e imediatas, permitindo um controle maior de todo o negócio, proporcionando, ainda, o gerenciamento e o controle da execução de obras em qualquer etapa do trabalho. Logo, o ERP pode representar, para uma construtora, uma significativa melhoria da eficiência da organização.

Rodrigues (2002) analisou variáveis referentes à implantação de sistemas de gestão integrada em empresas de construção civil, utilizando características vinculadas a software, hardware, gerenciamento de dados e comportamento. O autor definiu 9 fatores que influenciam na implantação do ERP, conforme apresentado no Quadro 1, abaixo.

Deve-se ressaltar que apenas a implementação de um sistema ERP, por si só, não integra a empresa (PINHEIRO, 1996). Implementar um sistema integrado tem um caráter estratégico e gera impactos sobre a forma de gestão, sobre a arquitetura organizacional e sobre os processos de negócios (CALDAS; WOOD JÚNIOR, 1999). A adoção de um ERP, que tem como escopo o negócio como um todo, exige da empresa uma reorganização além dos limites departamentais, pois as informações geradas em um departamento são compartilhadas por outros departamentos (OZAKI; VIDAL, 2001).

É importante destacar que a integração da organização pode ser atingida por vários meios, que vão além da utilização de sistemas informatizados (SOUZA; ZWICKER, 2003). Na implantação de um sistema integrado, deve haver o envolvimento de equipes multidisciplinares compostas de especialistas em tecnologia da informação, analistas de negócios e consultores capacitados no redesenho de processos (CALDAS; WOOD JÚNIOR, 1999). Gonçalves et al. (2003) afirmam que, independentemente da abordagem adotada, a absorção da tecnologia no momento da incorporação dos sistemas ERP requer uma ampla gama de alterações, desde mudanças de processos de trabalho e a realização de programas de treinamento aos usuários, até ações para dar equilíbrio às forças organizacionais, direcionadas às devidas adequações comportamentais de indivíduos. Para atingir uma mudança, a empresa necessita neutralizar alguns fatores. Os principais fatores, continuam os mesmos autores, que podem dificultar essas alterações são a falta de pessoal qualificado para a execução do projeto, o treinamento insuficiente, a deficiência ou inadequação na comunicação interna e a ausência de um modelo comum para os processos.

Pesquisadores de diversas nacionalidades empreenderam estudos relacionados à indústria da construção civil. O Quadro 2 apresenta, de forma sintética, alguns desses estudos que, embora não tenham exatamente o mesmo escopo do presente artigo, referem-se, ainda que não direta e exclusivamente, a sucessos e fracassos na implantação do ERP em empresas de construção civil.

Os trabalhos relacionados no Quadro 2 destacam o potencial de utilização da TI - e mais especificamente do ERP - na construção civil. Santos et al. (2011) e Etchalus et al. (2006), no entanto, apontam que ainda é pequena a produção de artigos relacionados à aplicação de ERP na indústria da construção civil. Algumas pesquisas em referência indicam que as construtoras de diversos países enfrentam desafios semelhantes no que se refere ao processo de implantação do ERP no país (VOORDIJK et al., 2003; SARSHAR; ISIKDAG, 2004; ETCHALUS et al., 2006). Alto custo e falta de especificidade do sistema, além da necessidade de mudanças nos processos organizacionais, são algumas das barreiras à implantação do ERP indicadas pela literatura (AHMED et al., 2003; OLIVEIRA, 2006; ACIKALIN et al., 2009). As construtoras, especialmente as pequenas e médias empresas, além de encontrarem no mercado um número limitado de softwares de ERP desenvolvidos para o segmento, têm dificuldade em função do alto custo de investimento em tempo, dinheiro e recursos humanos (SARSHAR; ISIKDAG, 2004; CHUNG et al., 2009; MICHALOSKI; COSTA, 2010). O sucesso da implantação do ERP, por seu turno, depende, principalmente, do comprometimento/treinamento e nível técnico dos colaboradores, da compatibilização do sistema com a estratégia de negócio da empresa, do replanejamento do fluxo de informações e da maturidade organizacional (VOORDIJK et al., 2003; AHMED et al., 2003; CHUNG et al., 2009).

Rodrigues (2002) ressalta que, para o sucesso do sistema ERP, faz-se necessário que o processo de implantação esteja alinhado à maturidade organizacional. Voordijk et al. (2003) mostram em seu estudo que um dos fatores para o sucesso das implantações de ERP em construtoras holandesas é a maturidade das organizações. Crespo e Ruschel (2007) vão mais adiante: consideram que para se obter êxito ao implementar uma ferramenta de TI é necessário maturidade organizacional que dê suporte a essa implantação.

Dodge (1994) conceitua maturidade organizacional como uma forma de adquirir experiência ao longo do tempo. Rodrigues e Strott (2001) registram que o grau de maturidade é importante em função de que organizações maduras possuem a tendência de apresentar mais equilíbrio estrutural e, presumivelmente, melhor desempenho. Siqueira (2005), por sua vez, explica que maturidade é a extensão em que o processo é explicitamente definido, gerenciado, medido e controlado. Maturidade é, pois, o grau de desenvolvimento de processos e sistemas que, por sua natureza repetitiva, contribui para que cada uma dessas repetições seja um sucesso; porém, sistemas e processos apenas repetitivos não garantem, por si sós, o sucesso, mas, sim, aumentam a probabilidade de alcançá-lo (KERZNER, 2006). Para os estudiosos que se dedicam a definir padrões de mapeamento organizacional, as organizações podem ser descritas em conformidade com a passagem de uma série de estágios ou ciclos de vida, que se iniciam com o nascimento, continuando em uma sequência de transições e culminando com a maturidade, para depois seguir para a revitalização ou morte (LIPPITT; SCHMIDT, 1967; PHELPS et al., 2007). Quintella e Rocha (2007) interpretam o nível de maturidade como um estágio evolutivo com metas de processos definidos que fornecem subsídios para melhorias a serem empreendidas no estágio seguinte, orientando o crescimento na capacidade do processo da organização.

Levie e Lichtenstein (2008) realizaram um estudo em que analisaram 104 modelos de estágios de crescimento nas organizações, identificaram os respectivos atributos comuns e os classificaram em 8 categorias (Quadro 3).

Miller e Friesen (1984) observaram que algumas organizações, durante longos períodos, não seguem a progressão do ciclo de vida comum, que se estende do nascimento ao declínio, mas sim trilham um caminho mais complexo que depende única e exclusivamente de cada organização. Phelps et al. (2007) aduzem que, para continuar crescendo, a organização deve resolver com sucesso os desafios apresentados pelos pontos de inflexão. Os mesmos autores identificaram seis pontos de inflexão: gestão de pessoas, orientação estratégica, formalização de sistemas, entrada no mercado novo, obtenção de melhoria financeira e operacional, e, por fim, conhecimento organizacional.

Navegando pelos pontos de inflexão, a empresa deve ter a capacidade de identificar, adquirir e aplicar novos conhecimentos, requisito básico para resolver os novos desafios e ter sucesso em um ambiente competitivo (PHELPS et al., 2007). A organização, continuam os autores, precisa tomar consciência das questões-chave de forma a adquirir novos conhecimentos para fornecer soluções às crises e desafios gerados nos pontos de inflexão. A capacidade de absorção, de aquisição e de assimilação do conhecimento auxiliam as organizações no desenvolvimento de melhores práticas de seus processos (O'LEARY, 2009).

Deve-se ressaltar, também, que a avaliação das características organizacionais auxilia a identificar o respectivo nível de maturidade. O conhecimento do comportamento da organização pode ajudar a obter sucesso na implantação de sistemas de ERP, pois este é um processo que tem sido considerado crítico e, muitas vezes, não gera resultados (FONTANA, 2006).

 

Metodologia

Para a concretização do objetivo deste trabalho foi realizada uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa em 106 construtoras. A população-alvo definida foi a de empresas de construção civil sediadas no Brasil com e sem sistema ERP implementado, tendo a metade da amostra (53) o sistema ERP implantado, e a outra metade não.

Em razão da dificuldade de identificação de empresas brasileiras com e sem ERP (levantamento da amostra), optou-se por uma amostragem não probabilística por conveniência, selecionando-se membros acessíveis da população (empresas que retornaram ao apelo da pesquisa).

Nas técnicas não probabilísticas os indivíduos são selecionados de acordo com critérios julgados relevantes para um objeto particular de investigação estabelecido indutivamente. Trabalha-se, mais propriamente, com elementos (unidades elementares, básicas) e com categorias (unidades de informação) que atendam a requisitos estabelecidos de acordo com as necessidades e o escopo da pesquisa (COHEN et al., 1989). Dessa forma, a amostra de empresas selecionadas na presente pesquisa não pode ser considerada como representativa da população, logo as extrapolações e generalizações não são possíveis.

Para atingir o objetivo do presente estudo, foi aplicado como instrumento de coleta de dados um questionário, o qual foi subdividido em três partes:

(a) perfil da organização e do entrevistado (8 questões abertas e 8 fechadas de múltipla escolha);

(b) características organizacionais associadas a maturidade (31 questões fechadas de múltipla escolha - Quadro 7); e

 

 

 

 

(c) nível de efetividade de processos (44 questões fechadas de múltipla escolha - Quadro 11).

 

 

 

 

 

 

 

 

A parte "b" do questionário foi baseada nos atributos do estágio de crescimento identificados por Levie e Lichtenstein (2008) - Quadro 3 - e nos pontos de inflexão propostos por Phelps et al. (2007). A parte "c", por sua vez, foi balizada no modelo PCF (Process Classification Framework), uma taxonomia dos processos de negócio idealizada pela organização americana APQC (American Productivity & Quality Center).

Realizou-se, inicialmente, um pré-teste, utilizando-se uma pequena amostra com características semelhantes às da população-alvo. Nesse primeiro momento, o questionário foi administrado pessoalmente por um dos membros da equipe da pesquisa, o que permitiu avaliar a provável exatidão e coerência das respostas. Durante a aplicação do questionário, foi possível esclarecer dúvidas e definir conceitos eventualmente não bem compreendidos, minimizando-se, por consequência, possíveis erros. Após o pré-teste, foram realizados alguns ajustes para que se iniciasse a aplicação do questionário. As análises e conclusões são baseadas nos dados fornecidos pelos respondentes e em uma revisão da literatura.

É pertinente ressaltar, também, que o questionário foi desenvolvido com base nos instrumentos de pesquisa testados e utilizados no projeto Pronux1, estabelecendo-se relação com o referencial teórico pesquisado e com o objeto de pesquisa. Yuki (2011) e mais recentemente Krainer (2013) valeram-se, igualmente, dos instrumentos do Pronux no desenvolvimento de suas pesquisas, ambas relacionadas à construção civil.

Para mensurar as variáveis quantitativas, utilizaram-se as escalas de diferencial semântico (questões da parte 2 do questionário - características organizacionais) e de intensidade crescente (questões da parte 3 - processos), ambas com 7 categorias de resposta.

A escala diferencial semântica é uma abordagem destinada a mensurar atitudes. Contempla um par de adjetivos ou frases antônimas distribuídas dentro de uma escala de intensidade. O Quadro 4 mostra um exemplo de como foi tratada a questão da escala de diferencial semântico no questionário empregado nesta pesquisa.

A escala de intensidade crescente reflete uma medida da intensidade da variável associada à questão (MALHOTRA, 2001). O Quadro 5 mostra os valores utilizados para essa escala.

O questionário foi aplicado por meio de uma survey. As pesquisas chamadas de survey são investigações utilizadas quando o projeto envolve a coleta de informações de uma amostragem com grande número de indivíduos (HAIR JUNIOR. et al., 2005).

Para este estudo, a survey utilizada foi a eletrônica, autoadministrada, gerenciada por meio da ferramenta de questionário on-line Survey Monkey. A relação dos endereços eletrônicos das empresas participantes foi obtida, principalmente, junto a sindicatos da construção civil sediados no Brasil com a intermediação do Conselho de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR) e perante empresas fornecedoras de software ERP. Todas as empresas fornecedoras de software colaboradoras possuíam em seus portfólios de produtos sistema de ERP específico para o segmento da construção civil.

Mais de 2.000 empresas foram previamente contatadas e convidadas a participar da pesquisa. No projeto de pesquisa, a meta mínima de amostragem prevista foi de 100 empresas participantes. A amostra final, no entanto, ficou constituída por 106 empresas, sendo 53 com ERP implantado e 53 sem o sistema integrado (total de empresas que atenderam ao apelo da pesquisa dentro do interregno em que esta perdurou). O Quadro 6 apresenta os principais elementos que caracterizam a amostra.

Com a finalidade de garantir a confiabilidade dos dados coletados, contataram-se, inicialmente, os diretores das construtoras. Com a aprovação destes e a indicação dos possíveis respondentes, o questionário era apresentado e disponibilizado para resposta. Para divulgar a pesquisa e angariar novos participantes, visitas pessoais às construtoras e um workshop foi organizado. A coleta de dados perdurou por seis meses, de junho a dezembro de 2011.

Os dados coletados foram tratados por meio de estatística multivariada. A técnica aplicada foi a da análise discriminante, que é indicada para apontar variáveis que melhor diferenciem dois ou mais subgrupos de uma amostra (MAROCO, 2003).

No presente estudo, a análise discriminante teve por objetivo identificar as variáveis associadas às características e à maturidade dos processos organizacionais que discriminam as organizações pesquisadas com e sem sistema ERP implantado.

Para a correta aplicação da análise discriminante observaram-se as condições de normalidade multivariada das variáveis independentes, homogeneidade das matrizes de variância e covariância e ausência de multicolinearidade (HAIR JUNIOR. et al., 2009). Conforme Tabachnick e Fidell (2001), a normalidade multivariada manifesta que as variáveis independentes concebam amostras aleatoriamente escolhidas da população e que a distribuição de seus valores aproxime-se de uma distribuição normal. Desse modo, foi possível distinguir quais são as variáveis mais afetadas quando da implantação de um sistema ERP em empresas da construção civil.

O êxito da aplicação da análise discriminante requer que se leve em consideração a seleção das variáveis dependentes e independentes, bem como o tamanho da amostra necessário para estimar a função discriminante (HAIR JUNIOR et al., 2009). O tamanho mínimo recomendado por Hair Jr. et al. (2009) é de 20 casos com 5 observações por variável. O tamanho, em caso, da amostra pesquisada foi de 106 empresas, logo mais que suficiente para a análise discriminante. Na pesquisa em questão, identificou-se como variável dependente ter ou não sistema ERP implantado, e como variáveis independentes as características organizacionais e o nível de efetividade dos processos. O nível de efetividade dos processos foi usado como medida de maturidade.

Para verificação da discriminação entre organizações com e sem ERP foram realizadas duas abordagens no agrupamento dos dados da amostra. Na primeira abordagem, a amostra foi dividida em duas categorias: empresas com ERP (A1) e sem ERP (A2). Na segunda abordagem, a amostra foi subdividida em três categorias: com ERP adquiridos até 2009 (D1), com ERP adquiridos em 2010 e 2011 (D2) e sem ERP (D3). A justificativa para esse procedimento está no fato de que 32% das empresas pesquisadas com ERP adquiriram o sistema entre os anos de 2010 e 2011, ou seja, as empresas desse grupo ainda estão em fase de adaptação ao sistema ERP.

Os resultados para as características organizacionais foram mais expressivos com a utilização de três categorias de variáveis dependentes. No caso da apreciação com o nível de maturidade dos processos, observou-se o contrário, pouca diferenciação. Logo, para a identificação das variáveis discriminatórias foram utilizadas apenas duas variáveis dependentes: com ERP (E1) e sem ERP (E2).

A ferramenta utilizada para a análise dos dados foi o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), um software que possibilita a realização de análises estatísticas de bases de dados, apoiando o processo analítico no campo de conhecimento de diversas ciências.

 

Análise de resultados

Nesta seção são apresentados a análise dos dados e os resultados obtidos. Na primeira subseção foram analisadas (análise discriminante) as características organizacionais. A subseção seguinte trata do nível de efetividade dos processos (análise discriminante). Na última subseção os resultados foram sintetizados.

Análise discriminante das características organizacionais

Buscou-se, inicialmente, verificar se as 31 variáveis independentes métricas referentes às características organizacionais (Quadro 7) diferenciam-se ou não para empresas com ERP adquiridos até 2009 (D1), com ERP adquiridos em 2010 e 2011 (D2) e sem ERP (D3).

Dessa forma, a primeira apreciação da análise discriminante foi o teste de igualdade de médias dos grupos (D1, D2 e D3), que apresenta as variáveis que passaram no pressuposto da igualdade das matrizes de variância e covariância. O resultado obtido reforça a significância da diferenciação entre os grupos nas variáveis X1, X4, X7, X10, X13, X14, X16, X18, X22, X23, X27, X28, X29 e X30, ou seja, os grupos apresentam características organizacionais que os diferenciam.

Os testes aplicados a seguir foram:

(a) M de Box: para rejeitar a hipótese de que as matrizes são homogêneas;

(b) autovalor: para identificar o nível de associação entre os escores determinantes e o dos grupos, aplicando-se o resultado obtido como porcentagem da variável dependente exposta pelo modelo; e

(c) Lambda de Wilks: para denotar a significância estatística do poder discriminatório das funções discriminantes.

O teste de M de Box apresenta nível de significância menor que 0,05, portanto as variáveis têm um comportamento distinto e não precisam ser eliminadas ou agrupadas. O autovalor, obtido por meio do cálculo R2c = (0,729)2 + (0,563)2 = 0,85, importa 85%, o que significa que as variáveis escolhidas na pesquisa são representativas na distinção entre os grupos. Na análise de Lambda de Wilks, primeira função, a significância é menor que 0,05, portanto significante a diferença entre os grupos; na segunda função, no entanto, o valor é superior a 0,05, logo não é estatisticamente significativo. O Quadro 8 apresenta os resultados dos testes M de Box, autovalores e Lambda de Wilks.

No Quadro 9 tem-se a matriz estrutural que revela a ordem de grandeza da correlação simples entre as funções e as variáveis discriminantes. Essa matriz destaca as variáveis que realmente discriminam a amostra.

Percebe-se (Quadro 9) que na função 1 as variáveis com maior coeficiente são: X16, X22, X29, X4, X28, X7 e X1; e na função 2 elas são: X10, X13, X23, X7, X18, X14 e X27.

A validação dos resultados obtidos na análise discriminante é apresentada no Quadro 10. Nota-se que 78,8% dos casos foram corretamente classificados. Isso significa que, se utilizado apenas o valor das variáveis, seria possível definir se a empresa utiliza ou não sistema ERP em seu processo de gestão em 78,8% dos casos.

Percebe-se, no que se refere às características organizacionais, que as empresas com ERP, em consonância com os resultados apontados nos estudos relacionados no Quadro 2, diferem-se das demais nas seguintes características: formação do corpo gerencial, nível de conhecimento sobre técnicas/métodos utilizados pelos gestores, níveis de hierarquia, formalização de processos, nível de integração entre os processos e alinhamento dos produtos e/ou serviços com a estratégia adotada pela empresa.

Análise discriminante do nível de efetividade de processos

A finalidade desta análise é verificar se as 44 variáveis independentes métricas do nível de efetividade dos processos (Quadro 11) apresentam diferenças para as empresas com ERP (ED1) e sem ERP implantado (E2).

Na primeira apreciação, teste da diferença entre as médias das variáveis independentes, verifica-se que Y8, Y11, Y27, Y29, Y32 e Y43 (Quadro 14) rejeitam a hipótese de que as médias das amostras são iguais, com nível de significância menor que 0,05. Portanto, em relação ao nível de efetividade de processos, existe distinção entre organizações com e sem ERP.

O teste de M de Box resultou nível de significância "0,000", portanto atende ao pressuposto da desigualdade das matrizes. O autovalor corresponde a 100%, com R2c = (0,7773)2 = 0,60, logo a função explica 60% da discriminação entre os grupos, o que indica que o impacto da implantação do ERP nos processos é menor. Na análise de Lambda de Wilks a significância é menor que 0,05, assim a diferença entre os dois grupos é significante. O Quadro 12 traz os resultados dos testes M de Box, autovalores e Lambda de Wilks.

A matriz estrutural (Quadro 13) revela que as variáveis Y32, Y27, Y43, Y11, Y8 e Y29 apresentam os coeficientes de grandeza mais elevadas. Dessa forma, são as variáveis de níveis de efetividade de processo que discriminam as empresas com e sem ERP.

 

 

O Quadro 14 apresenta a validação dos resultados obtidos na análise discriminante. Nesta análise 88,7% dos casos foram corretamente classificados. Portanto, utilizando-se apenas o valor das variáveis, pode-se definir se a organização utiliza ou não sistema ERP em seu processo de gestão em 88,7% dos casos.

Em relação aos níveis de efetividade de processos, as pesquisas do Quadro 2 ressaltam a necessidade de mudanças organizacionais e de alinhamento da estratégia de negócio. Na presente análise discriminante, por sua vez, as organizações com ERP se distinguem das demais por apresentarem corpo gerencial mais alinhado com os objetivos da empresa, busca por melhores soluções de TI e processo formal de planejamento, execução e controle das atividades de execução dos projetos.

Síntese dos resultados da análise discriminante

Registra-se que não faz parte do escopo deste artigo avaliar o processo de implantação e os consequentes resultados obtidos pelas empresas pesquisadas. Buscou-se, tão somente, identificar como a implementação do ERP impacta nas características da organização e na maturidade dos processos gerenciais das empresas de construção civil. Para tanto, utilizou-se da estatística discriminante, identificando-se quais variáveis (características e processos) sofreram impacto após o sistema ERP implementado. O Quadro 15 sintetiza os resultados obtidos.

Conforme relatam Phelps et al. (2007), uma organização cresce a partir do sucesso obtido diante dos desafios apresentados pelos seis pontos de inflexão. Na discriminação entre as empresas pesquisadas com e sem ERP, constatou-se que as organizações com ERP se diferenciam das demais, inclusive no que se refere aos pontos de inflexão. Em relação à gestão de pessoas, primeiro ponto de inflexão, as diferenças são as seguintes: avaliação das habilidades necessárias aos funcionários para execução de suas atividades; nível de formalização dos cargos e funções; e política clara e efetiva de gerenciamento dos recursos humanos da empresa. Quanto à orientação estratégica, as variáveis de destaque são: taxa de crescimento da empresa nos últimos 3 anos; preocupação explícita com a diferenciação dos seus empreendimentos e serviços em relação aos concorrentes; e importância da "marca" para os consumidores. Para o ponto de inflexão formalização de sistemas, as características diferenciadoras são nível de controle exercido sobre as atividades e funcionários e nível de integração entre os processos. No tocante à entrada no novo mercado, a diferenciação ocorre em relação ao mercado em que a empresa atua e no pertinente à quantidade atual de clientes. Com relação ao quinto ponto de inflexão, obtenção de melhoria operacional e financeira, os resultados de discriminação aparecem nas variáveis nível de formalização das atividades e processos e níveis de hierarquia na empresa. Por fim, quanto ao conhecimento organizacional, a variável que discrimina a amostra é o nível de conhecimento sobre técnicas e métodos utilizados pelos gestores na execução do seu trabalho.

Observou-se, também, que a simples adoção/introdução do ERP promove mudanças incrementais nas seguintes características organizacionais: taxa de crescimento; atuação no mercado; reconhecimento da "marca" pelos consumidores; formalização de cargos, atividades e processos; integração entre processos; e conhecimento técnico do corpo gerencial.

Gestão de TI, desenvolvimento e execução de produtos/serviços e gestão do conhecimento foram os processos com maior nível de efetividade identificados quando da implantação do ERP. Esse resultado está em consonância com os estudos de Rodrigues (2002), Voordijk et al. (2003), Oliveira (2006) e Etchalus et al. (2006).

As variáveis que distinguem empresas com e sem ERP (Quadro 15) reforçam os estudos de Nascimento e Santos (2002, 2003). Esses autores afirmaram que a TI pode contribuir para o setor da construção, auxiliando nos processos de tomada de decisão e na determinação de fatores diferenciais de negócio. No presente estudo, confirmam a assertiva dos referidos autores as variáveis taxa de crescimento, quantidade de clientes, importância da "marca" para os consumidores, nível de integração entre processos, corpo gerencial treinado e alinhado com a estratégia da empresa.

Rodrigues (2002) e Ahmed et al. (2003) investigaram a adequação e a implantação do ERP em empresas de construção civil. Eles constataram que a implantação do ERP proporciona melhor integração entre os processos, mais automação e maior acesso à informação, variáveis estas que também se destacaram nesta pesquisa, conforme retratado no Quadro 15.

A implantação do sistema ERP, tal como sugerido pela literatura, é uma grande mudança organizacional. Esse fato pode ser constatado na primeira apreciação da análise discriminante. Para as características organizacionais a distinção da amostra se apresentou em três categorias de variáveis dependentes (com ERP adquirido até 2009, adquirido entre 2010 e 2011, e sem ERP), e foi possível observar que as empresas sofrem o impacto do sistema desde sua implantação. Os resultados finais reforçam a distinção em, aproximadamente, 80% dos casos estudados. Em contrapartida, a pesquisa indica que os processos de uma empresa com e sem ERP são similares, com função discriminante em apenas 60% dos casos, o que reforça o fato de que o impacto da implantação do ERP nos processos é menor.

 

Considerações finais

O presente estudo indica que a implantação do sistema integrado de gestão impacta nas características organizacionais e nos processos gerenciais das empresas de construção civil pesquisadas. As construtoras com ERP implantado apresentam características organizacionais mais desenvolvidas e níveis de processos similares. Esse resultado indica que o impacto nos processos resultante da implantação do ERP ocorre de maneira mais lenta, quando comparado às mudanças nas características organizacionais.

Constatou-se, também, que as organizações com sistema integrado de gestão se diferem (em relação àquelas sem ERP) por apresentar maior nível de formação do corpo gerencial, gestão mais democrática, menores níveis de hierarquia, atuação mais dinâmica no mercado, maior conhecimento de técnicas e de modelos de gestão, maior alinhamento dos empreendimentos e serviços com a estratégia da empresa e maior integração de processos e dos departamentos da empresa. Construtoras com ERP caracterizam-se, ainda, por apresentar menores níveis hierárquicos e maiores taxa de crescimento, quantidade de clientes, reconhecimento da marca pelos consumidores, diferenciação de seus empreendimentos e serviços em relação à concorrência, autonomia e polivalência dos colaboradores e foco na redução de custos em suas atividades e processos.

Em relação aos processos, as empresas com ERP mostraram-se mais desenvolvidas do que as sem ERP no que se refere à gestão de recursos financeiros e à de TI. Importante repisar que, com a implantação do ERP, as características organizacionais são mais afetadas do que os processos, ou seja, o efeito da implantação impacta mais rapidamente nas características organizacionais do que nos processos.

Observou-se que a implantação do sistema ERP promove ganhos nos fluxos dos processos de operação e de integração interdepartamental. Os benefícios obtidos com o sistema integrado de gestão tendem a aumentar em função do tempo de utilização do sistema. Por outro lado, o sucesso da implantação do ERP tem papel fundamental com vistas a justificar o volume de capital, tempo e recursos humanos investidos nesse sistema.

Apesar de a literatura apontar que a implantação do ERP ocasiona mudanças organizacionais, poucos estudiosos se debruçaram para estudar quais são e como ocorrem essas mudanças, especialmente em empresas de construção civil. Este artigo avança no tema na medida em que identifica os impactos da implantação do ERP nas características organizacionais e nos processos gerenciais de empresas construtoras. Futuros trabalhos, portanto, passam a ter ponto e motivação de partida, sendo necessário considerar os resultados obtidos nesta pesquisa como indícios para estudos mais aprofundados.

Outra contribuição refere-se especificamente às empresas investigadas, que, a partir do presente estudo, poderão refletir sobre as mudanças organizacionais implementadas por conta da adoção do ERP, com vistas a uma otimização integrada, e, sobretudo, poderão perceber até que ponto os perfis de seus atuais gestores e colaboradores atendem a suas necessidades.

 

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Endereço para correspondência:
Christiane Wagner Mainardes Krainer
Mestre em Engenharia Civil | Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, 4.900, Campo Comprido
Curitiba - PR - Brasil | CEP 81280-340
Tel.: (41) 3279-4500
E-mail: chriswm@terra.com.br

Jefferson Augusto Krainer
Mestre em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação Universidade Federal do Paraná
Tel.: (41) 3360-4191
E-mail: jeffkrainer@onda.com.br

Alfredo Iarozinski Neto
Departamento Acadêmico de Construção Civil | Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Tel.: (41) 3279-3115
E-mail: alfredo.iarozinski@gmail.com

Cezar Augusto Romano
Departamento Acadêmico de Construção Civil | Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Tel.: (41) 3279-3115 Ramal 214
E-mail: romano.utfpr@gmail.com

Recebido em 15/04/13
Aceito em 17/09/13

 

 

1 Pronux - Sistema Livre de Gestão Intregrada para Pequenas e Médias Empresas. Projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que tem por objetivo desenvolver um sistema integrado de gestão da produção que seja adequado às necessidades específicas das empresas brasileiras.

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