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Cadernos EBAPE.BR

versão On-line ISSN 1679-3951

Cad. EBAPE.BR vol.16 no.spe Rio de Janeiro out. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1679-395173273. 

Artigo convidado

A ANPAD e o processo de institucionalização da comunidade científica brasileira de Administração

ANPAD and the institutionalization process of the Brazilian scientific community on management

ANPAD y el proceso de institucionalización de la comunidad científica brasileña de Administración

Tomás Aquino Guimarães¹ 

Gustavo da Silva Motta2 

Salomão Alencar de Farias³ 

Herbert Kimura¹ 

Rogerio Hermida Quintella4 

Jorge Manoel Teixeira Carneiro5 

¹ Universidade de Brasília (UnB) / Programa de Pós-Graduação em Administração, Brasília- DF, Brasil

² Universidade Federal Fluminense (UFF) / Programa de Pós-Graduação em Administração, Volta Redonda - RJ, Brasil

³ Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) / Programa de Pós-Graduação em Administração, Recife - PE, Brasil

4 Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) / Assessoria de Projetos Estratégicos, Itabuna - BA, Brasil

5 Fundação Getulio Vargas (FGV) / Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo- SP, Brasil

Resumo

Uma comunidade científica é composta por laços de interação entre pessoas que partilham valores, normas de conduta e comportamentos comuns, isto é, padrões institucionalizados sobre como produzir conhecimentos e tecnologias em determinado campo do saber. Regra geral, as comunidades científicas são autorreguladas, na medida em que seus membros se organizam em torno de associações ou sociedades que delimitam espaços de atuação e estabelecem como fazer ciência no campo de interesse, tendo por base determinados padrões de conduta transversais, aplicados a distintos campos de conhecimento científico. Este artigo tem por objetivo discutir o papel da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) nas atividades de publicação científica e de regulação da comunidade científica brasileira de Administração, bem como apresentar de que modo essas atividades têm contribuído com o processo de institucionalização dessa comunidade. Analisa-se tal processo em seu contexto histórico, apresentam-se as principais realizações da ANPAD e discutem-se alguns desafios para essa comunidade em sua trajetória de consolidação.

Palavras-chave: Institucionalização; Publicação Científica; Comunidade Científica; Administração; ANPAD

Abstract

A scientific community consists of interaction among people who share values, norms of conduct, common behaviors, that is, institutionalized standards on how to produce and reproduce knowledge and technologies in a given field of knowledge. As a general rule, scientific communities are self-regulating, insofar as their members are organized around associations or societies, which define spaces of action and paradigms on how to undertake science in the field of interest, against a background of certain transverse patterns of conduct applied to different fields of scientific knowledge. This article aims to discuss the role of the Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) in the activities of scientific publication and regulation of the Brazilian scientific community of administration, and how these activities have contributed to the institutionalization process of this community. This process is analyzed in its historical context, the main achievements of ANPAD are discussed and the main challenges for this community in their consolidation process are stated.

Keywords: Institutionalization; Scientific publication; Scientific community; Management; ANPAD

Resumen

Una comunidad científica representa lazos de interacción entre personas que comparten valores, normas de conducta, comportamientos comunes, es decir, patrones institucionalizados sobre cómo producir y reproducir conocimientos y tecnologías en un determinado campo del saber. En la medida en que sus miembros se organizan en torno a asociaciones o sociedades, que delimitan espacios de actuación y paradigmas sobre cómo hacer ciencia en el campo de interés, teniendo como telón de fondo determinados patrones de conducta transversales aplicados a distintos campos de conocimiento científico. Este artículo tiene como objetivo discutir el papel de la (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) en las actividades de publicación científica, y de regulación de la comunidad científica brasileña de administración, y cómo esas actividades han contribuido en el proceso de institucionalización de esa comunidad. Este proceso se analiza en su contexto histórico, se presentan las principales conquistas de ANPAD y se plantean los principales desafíos para esa comunidad en su trayectoria de consolidación.

Palabras clave: Institucionalización; Publicación científica; Comunidad científica; Administración; ANPAD

INTRODUÇÃO

Comunidades científicas produzem conhecimentos e tecnologias e delimitam as características da produção científica por meio de regras formais e informais, valores, padrões de conduta e comportamentos de seus membros sobre como fazer ciência. O processo de institucionalização de uma comunidade científica passa por 4 estágios:

  1. Diferenciação das temáticas e dos métodos e técnicas em relação às disciplinas já existentes;

  2. Ascensão de temas que passam a ser considerados relevantes;

  3. Formação de recursos humanos no campo específico; e

  4. Consolidação do novo campo, por meio de redes sociais de comunicação, associações científicas e publicações próprias (cf. BEN-DAVID, 1965; NUNES, 2015; OBERSCHALL, 1972).

Estes 4 estágios englobam as 2 dimensões do processo de institucionalização da comunidade científica: institucionalização cognitiva e institucionalização social (WHITLEY, 1974). A institucionalização cognitiva diz respeito a conceitos, teorias, métodos e técnicas próprios a determinada disciplina, enquanto a institucionalização social corresponde às instituições formais, como associações, periódicos, eventos, cursos e grupos de pesquisa (TREVISOL NETO, CAFÉ e SILVA, 2017; WHITLEY, 1974). Assim, a institucionalização cognitiva se realiza entre os estágios 1 e 3 e a institucionalização social no estágio 4. Na verdade, essas 2 dimensões da institucionalização de comunidades científicas são interdependentes, na medida em que há influências mútuas e, regra geral, é difícil separar uma da outra.

O conhecimento científico em Administração, no Brasil, decorre de pesquisas realizadas por professores e alunos que atuam em programas de pós-graduação. É importante reconhecer que há conhecimento científico produzido no país em cursos de graduação em Administração e por consultores e praticantes de gestão de organizações públicas e privadas. No entanto, o foco principal destes últimos não é necessariamente a pesquisa, mas a formação e aplicação no campo profissional. A separação entre geração e aplicação de conhecimentos em Administração, um campo reconhecidamente aplicado, representa, no entanto, uma falsa dicotomia. Contudo, por facilidade didática e de disponibilidade de dados, para os efeitos deste artigo, a comunidade científica brasileira de Administração será considerada, aqui, constituída de professores e alunos de cursos de mestrado e doutorado dessa área no país.

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) cumpre importante função junto à comunidade científica brasileira de Administração, atuando no processo de institucionalização social desse campo. Tal função foi estabelecida por meio da própria criação da ANPAD, de seus eventos, do lançamento e da operação de revistas científicas e de suas ações de cunho regulatório. Nessa linha, este artigo tem por objetivo discutir o papel da ANPAD no processo de institucionalização da comunidade científica brasileira de Administração. Esta análise é realizada em 4 campos distintos:

  1. Eventos científicos;

  2. Revistas científicas;

  3. Repositório e indexador de artigos; e

  4. Ações de regulação da associação.

Esses temas são discutidos posteriormente à próxima seção, que apresenta essa comunidade, de modo a prover um contexto para o que se segue.

Este artigo contribui para o debate sobre esses temas, por reforçar aspectos positivos e oferecer subsídios para corrigir eventuais falhas em condutas e comportamentos dessa comunidade, ou seja, aprimorar modos de ação. Não foram encontradas referências com essa perspectiva de análise, revelando que o tema ainda necessita de clarificações. Há comentários e análises no texto que decorrem de experiências vivenciadas pelos autores no período de 1996 a 2017, como membros ativos da comunidade em análise, no exercício de funções na direção da ANPAD, em editorias dos periódicos da associação e em comitês assessor e de avaliação, respectivamente, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Portanto, a ausência de possíveis referências de suporte em algumas análises é compensada pela história vivida pelos autores. Tal análise pode implicar vieses de interpretação, porém, se o debate tomar corpo, este texto terá feito sentido. Críticas ao conteúdo deste artigo poderão representar visões diferentes ou mesmo interpretações distintas, mas não necessariamente menos adequadas, do fenômeno de institucionalização da comunidade científica da área de Administração no Brasil.

A COMUNIDADE CIENTÍFICA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

A história da formação da comunidade científica brasileira de Administração confunde-se com a da ANPAD. Como sugerem Guimarães, Gomes, Odelius et al. (2009, p. 566):

A pós-graduação em [A]dministração teve início no Brasil em 1967, com o curso de mestrado em Administração da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro [FGV-RJ]. Na década de 1970 foram criados [8] cursos de mestrado em Administração: no Distrito Federal, e nos Estados de Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Ainda nessa década foram criados [3] cursos de doutorado em [A]dministração, sendo [2] no Estado de São Paulo e [1] no Estado do Rio de Janeiro.

A ANPAD foi criada em 1976, tendo como associados os 8 programas de pós-graduação em Administração então existentes no Brasil (ANPAD, 2017a). Portanto, iniciava-se, em 1976, por meio de um evento científico, um processo de interlocução entre pares vinculados a cursos de mestrado e doutorado em Administração, destinado à troca de experiências a respeito de pesquisas em andamento e à socialização de conhecimentos e tecnologias produzidos por uma comunidade nascente. Desde 2009, a associação é composta por 11 divisões acadêmicas (Administração da Informação, Administração Pública, Contabilidade, Estudos Organizacionais, Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade, Estratégia em Organizações, Finanças, Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gestão de Operações e Logística, Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho e Marketing) e 112 programas associados (em dezembro de 2017), que têm contribuído para a institucionalização da área.

Essa comunidade, apesar de seu desenvolvimento recente, tem crescido de modo vertiginoso. O tamanho da área, em termos de número de programas de pós-graduação, multiplicou-se por cerca de 12 vezes entre 1976 e 2009 e por 21 vezes entre aquela data inicial e 2016. Dos 8 cursos de mestrado existentes em 1976, a área passou para 94 programas em funcionamento em 2009, sendo 75 de Administração e 19 de Ciências Contábeis, dos quais 30 ofereciam cursos de doutorado junto com mestrado (CAPES, 2010). Sete anos depois, a área contava com 171 programas, sendo 129 em Administração, 16 em Administração Pública e 26 em Ciências Contábeis, dos quais 56 tinham cursos de doutorado, em funcionamento pleno em 2016, e avaliados na avaliação quadrienal 2017. Tendo por fonte a base da SCOPUS, que, em 2016, tinha aproximadamente 1.400 títulos na área de “Business, Management and Accounting”, o Brasil evoluiu, entre 1996 e 2016, da 32a para a 14a posição em número de artigos publicados e da 36a para a 26a posição em número de citações (CAPES, 2017a).

Essa evolução em número de artigos e de citações na base da SCOPUS parece ser o reflexo de uma mudança ocorrida no processo de avaliação da pós-graduação, com a diretriz definida pelo Comitê da Área de Administração da CAPES, gestão 2005-2007, segundo a qual trabalhos publicados em anais de eventos científicos passaram a ser classificados como manuscritos provisórios, o que, de fato, são. Até então, para que um programa de pós-graduação tivesse conceito “Muito Bom” na avaliação do quesito Produção Intelectual, era suficiente que a produção média anual por docente alcançasse o patamar de dois trabalhos em eventos de reconhecida qualidade, como os da ANPAD. Era comum, até o final da primeira metade da década de 2000, nas rodas de conversa entre docentes nesses eventos o seguinte depoimento:

[...] já fiz dois EnANPADs (dois trabalhos publicados em eventos) neste ano, portanto, posso ficar descansado.

Isso denotava a falta de amadurecimento científico da comunidade, que não via a publicação em periódico como uma etapa necessária do processo de produção científica. A aprovação do trabalho para publicação em anais depende não só da qualidade científica, mas também do “ponto de corte” definido pela comissão organizadora do evento. Eventos científicos, em geral, têm como finalidade promover a interlocução entre pares, de modo que autores possam receber críticas e aperfeiçoar seus textos para, na sequência, submeter esses textos aprimorados a periódicos científicos.

Dentre as 49 áreas de avaliação da CAPES, a de Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo é a quinta maior em número de docentes. Em 2016, essa área contava com 3.585 docentes doutores, sendo 2.964 permanentes, 578 colaboradores e 43 visitantes. Esse total equivalia a cerca de 3,8% dos 95.182 docentes em cursos de mestrado e doutorado do Brasil em 2016. As 4 maiores áreas em número de docentes no mesmo período são: Interdisciplinar, com 6.878 docentes; Ciências Agrárias I, com 4.226; Educação, com 4.079; e Letras/Linguística, com 4.004 docentes. Em número de alunos, também em 2016, a área ocupava a sexta posição, com um total de 13.303 alunos, equivalentes a cerca de 3,8% do total de 347.035 alunos de cursos de mestrado e doutorado naquele ano. As 5 maiores áreas em número de alunos são: Interdisciplinar, com 20.925 discentes; Educação, com 20.532; Ciências Agrárias I, com 17.320; Letras/Linguística, com 16.916; e Engenharias III, com 13.308 discentes (CAPES, 2017b, 2017c).

Considerando que os cursos de turismo correspondem a cerca de 6% do total de cursos da área e, inferindo-se que a área de turismo tem proporção semelhante de docentes e de discentes em relação à área como um todo, chega-se a números, em 2016, como 3.360 docentes e 12.465 discentes em cursos de Administração (incluindo Ciências Contábeis, dada a interdependência desta área com Administração). Com esses números totais, a área permanece na quinta posição em número de docentes e na sexta em total de discentes, seguida, respectivamente, por Biodiversidade, com 3.296 docentes, e Direito, com 11.705 discentes.

O PAPEL DA ANPAD NA INSTITUCIONALIZAÇÃO DA COMUNIDADE CIENTÍFICA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO

A ANPAD contribuiu com a institucionalização social da comunidade científica de Administração no Brasil, por meio de iniciativas que podem ser divididas em 4 categorias:

  1. Eventos científicos;

  2. Revistas técnico-científicas;

  3. Repositório e indexador de revistas científicas; e

  4. Ações de regulação.

Em termos gerais, a atividade científica e a comunicação científica são indissociáveis. O processo de produção de conhecimento científico envolve um conjunto de fases interdependentes, que se inicia no projeto e no desenvolvimento da pesquisa, passa pela discussão de resultados preliminares em fóruns e encontros científicos e estende-se até a comunicação científica, representada pela divulgação da informação em periódicos científicos, livros, manuais ou outros meios que têm se tornado tendência entre acadêmicos, como as mídias sociais, por exemplo.

Como mencionado, a publicação científica se materializa por meio da publicação de artigo em um periódico científico, sendo comum que o autor, antes de submeter o manuscrito a um periódico, apresente versões provisórias do texto em eventos, com a finalidade de receber críticas e aperfeiçoá-lo, aumentando, assim, as chances de publicação. Já a regulação de que trata este texto consiste em regras, formais ou informais, valores, padrões de conduta e comportamentos, isto é, instituições, que orientam o comportamento da comunidade científica.

No que se refere à publicação científica, a ANPAD realiza encontros, sendo 1 anual, o EnANPAD, segundo maior evento científico do mundo da área de Administração, e outros 8 eventos em áreas específicas, com periodicidade trienal (até 2016, a periodicidade era bienal): Encontro de Administração da Informação (EnADI), Encontro de Administração Pública e Governança (EnAPG), Encontro de Ensino e Pesquisa em Administração (EnEPQ), Encontro de Estudos em Estratégia (3Es), Encontro de Estudos Organizacionais (EnEO), Encontro de Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho (EnGPR), Encontro de Marketing (EMA) e Simpósio de Gestão, Tecnologia e Inovação (Simpósio). Adicionalmente, a ANPAD edita 2 periódicos: Brazilian Administration Review (BAR) e Revista de Administração Contemporânea (RAC).

A ANPAD mantém, ainda, um repositório e indexador, o Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL), com o acervo científico brasileiro das áreas de Administração, Contabilidade e Turismo. Quanto à regulação, além de orientações a respeito de regras de conduta para submissão e avaliação de manuscritos a eventos e a seus periódicos, a associação aprovou e divulgou um manual de boas práticas de publicação científica (ANPAD, 2017c) e um código de ética (ANPAD, 2017d).

Os eventos científicos da ANPAD

Os eventos científicos promovidos pela ANPAD, especialmente o EnANPAD, que teve sua 41a edição em 2017, constituem espaços privilegiados de interlocução entre pesquisadores e praticantes de Administração. Esses eventos reúnem o grupo correspondente ao “Quem é Quem” da comunidade brasileira de Administração. Faz parte da carreira de professores da pós-graduação e da formação acadêmica de alunos de mestrado e doutorado participar de eventos e publicar artigos em periódicos científicos. As tabelas 1 e 2 mostram os números de trabalhos, de participantes e de avaliadores dos eventos da associação no período de 2015 a 2017.

Tabela 1 Número de trabalhos, de participantes e avaliadores do EnANPAD (2015- 2017) 

Ano Número de trabalhos Participantes Avaliadores
Submetidos Selecionados Publicados
2015 2.812 1.066 1.043 1.360 1.902
2016 2.885 1.204 1.163 1.461 2.106
2017 3.156 1.204 1.184 1.400 3.021

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 2 Número de trabalhos, de participantes e avaliadores de eventos especializados (2015- 2017) 

Ano Evento Número de Trabalhos Participantes Avaliadores
Submetidos Selecionados Publicados
2015 EnADI 314 112 109 138 76
EnEPQ 327 105 101 129 304
EnGPR 365 140 137 155 146
3Es 314 112 109 138 76
2016 EnAPG 546 187 180 229 294
EnEO 378 124 119 155 204
EMA 360 106 106 163 173
Simpósio 225 81 79 96 170
2017 EnADI 140 50 47 58 148
EnGPR 401 147 143 163 197
3Es 454 121 119 158 320

Fonte: Elaborada pelos autores.

Os dados das tabelas 1 e 2 mostram que, no período de 2015 a 2017, foram submetidos 12.677 trabalhos a eventos da ANPAD, dos quais 4.759 foram selecionados e 4.639 foram publicados nos anais1. A média anual é de 4.226 trabalhos submetidos e 1.546 publicados. Dos trabalhos submetidos a esses eventos no período, cerca de 38% foram selecionados, com uma variação entre 27% no 3Es de 2017 a 41% no EnANPAD 2016. Pode-se inferir que, em média, participa dos eventos uma comunidade de quase 16.000 pessoas, composta por aproximadamente 12.500 alunos da pós-graduação e 3.500 professores, os quais submetem, em média, 0,8 trabalho e aprovam 0,3 trabalho, a cada 3 anos, em eventos da associação. Esses números parecem muito baixos, mesmo admitindo que há trabalhos submetidos por esses autores a outros eventos no Brasil e no exterior. De outra parte, é importante registrar que nem todos os trabalhos dos eventos da ANPAD têm autoria de indivíduos dessa comunidade e que há autores com até 3 trabalhos por evento e a maioria dos trabalhos tem autoria de 2 ou mais autores.

As revistas técnico-científicas da ANPAD

Historicamente, somente a partir do século XVII se observou um acúmulo mais constante e consistente do conhecimento científico. Antes, a atividade científica era desenvolvida de modo pontual, inconstante e localizado em poucos países da Europa Ocidental. Foi a partir do século XVII que o conhecimento científico alcançou outras regiões e isso ocorreu não pela incorporação da ciência pelas diferentes culturas, mas pela difusão do modelo científico europeu ocidental para as demais partes do mundo (BEN-DAVID, 1965, 1974).

Antes desse processo de difusão científica, a ciência experimentou períodos de evolução, intercalados por fases de estagnação e declínio, devido à falta de meios eficazes de comunicação científica (BEN-DAVID, 1974). A partir da constituição de meios que propiciaram à ciência se tornar cumulativa é que o ritmo de produção científica se tornou mais intenso. Entretanto, ainda assim, os cientistas só se sentiam capazes de comunicar algum conhecimento após um processo que os levasse ao domínio do campo científico, que permitiria produzir uma obra definitiva. Com o surgimento da revista especializada, em meados do século XVIII, experimentou-se uma aceleração da produção, preservação e difusão científica sem antecedentes (PRICE, 1975), com base em produção incremental de conhecimentos.

Assim, os periódicos científicos se tornaram, por diversos motivos, o principal meio de comunicação científica, sobrepondo-se aos então predominantes livros, correspondências pessoais e comunicação oral (MEADOWS, 1999). A partir da segunda metade do século XX, a difusão da comunicação científica, até então controlada por instituições de ensino e pesquisa e associações científicas, caracteriza-se como atividade empresarial, controlada por empresas especializadas na organização e divulgação do conhecimento científico. Essa mudança foi impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação e pelo predomínio da mídia científica eletrônica em relação à impressa. Em geral, periódicos científicos produzidos e editados por professores e pesquisadores têm, no século XXI, seus processos de gestão administrativa a cargo de publishers internacionais, empresas especializadas em organização, armazenagem, controle, divulgação e comercialização da comunicação científica. A gestão administrativa de um período científico compreende as atividades de produção editorial e gráfica, gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros, registros em bases de dados, venda, distribuição e controle da comunicação científica (SANDES-GUIMARÃES e DINIZ, 2014).

No sentido de fortalecer a difusão do conhecimento na área de Administração, em 1997, a ANPAD iniciou, 21 anos após sua criação, o processo de publicação científica definitiva com o lançamento de seu primeiro periódico, a Revista de Administração Contemporânea (RAC). Com a intenção de proporcionar maior visibilidade internacional à produção científica nacional na área e, também, aumentar o fluxo de trabalhos conjuntos entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros, a associação lançou, em 2004, a Brazilian Administration Review (BAR). A partir de 2009, a linha editorial da BAR se diferenciou da RAC por não publicar artigos em áreas como Contabilidade e Administração Pública, por suas fortes colorações nacionais. Em 2016, a BAR voltou a ampliar seu escopo de publicação ao reincluir as áreas mencionadas.

Com a evolução do processo editorial para a editoração eletrônica de revistas, a ANPAD lançou, em 2007, a Revista de Administração Contemporânea Eletrônica (RAC-e) como um teste para essa “nova forma” de publicação e, simultaneamente, para reduzir o estoque de artigos aprovados (aguardando espaço para ser publicados nos fascículos até então em papel). Esse periódico, porém, deixou de ter razão de existir a partir do momento em que se decidiu pela publicação exclusivamente eletrônica da RAC, o que ocorreu efetivamente em 2009. Já em 2011, visando à abertura de um espaço mais próprio à produção bibliográfica dos mestrados profissionais, foi lançada a Tecnologias de Administração e Contabilidade (TAC). A demora do comitê da área de Administração da CAPES para inserir e qualificar adequadamente esse tipo de produção, porém, obrigou a ANPAD a uma mudança de curso. Após 6 anos de funcionamento com baixa submissão de artigos, a ANPAD, com o objetivo de valorizar mais a produção tecnológica, descontinuou a TAC em 2016, passando os artigos dessa natureza a ser publicados em uma seção específica da RAC.

No período de 1997 a 2016, os periódicos da ANPAD publicaram mais de 1.500 manuscritos, excluindo dessa conta os editoriais. Esse esforço de publicação contribuiu fortemente para o desenvolvimento científico da área no país, à medida que gerou espaço para difusão do conhecimento produzido pelos pesquisadores, mas, principalmente, permitiu a comunicação científica, ajudando a comunidade acadêmica e profissional a conhecer os achados da atividade científica. De 1997 a 2000, a RAC publicou, em média, 27 artigos por ano, passou para cerca de 40 artigos/ano em 2001 e 2002 e saltou para 80 em 2003, quando o periódico passou de 3 para 4 fascículos por ano e teve uma edição especial. A evolução temporal do número de publicações dos periódicos da ANPAD é ilustrada na Figura 1.

Fonte: (ANPAD, 2017b).

Figura 1 Evolução da quantidade de artigos publicados pelos periódicos da ANPAD (1997-2017) 

Basicamente, pode-se perceber 2 períodos distintos na Figura 1:

  1. Primeiro aquele que engloba os anos de 1997 até 2010, em que há crescimento da quantidade de documentos publicados por ano, caracterizando tal período como de franco crescimento quantitativo e qualitativo, passando as revistas da ANPAD a compor o escopo da Scientific Electronic Library Online (SciELO) e associando-se à Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec); e

  2. O segundo período vai de 2010 a 2017, em que há decréscimo da quantidade de manuscritos publicados por ano, que pode corresponder a uma intensificação da ênfase qualitativa.

Esses dados indicam que os periódicos refletem as demandas acadêmicas de qualidade e transparência no processo de publicação, bem como de evolução da qualidade das pesquisas desenvolvidas no país.

A ANPAD tem papel relevante enquanto agente agregador da produção científica no Brasil, seja por meio de seus encontros acadêmicos, seja por meio de seus periódicos. Destacam-se a RAC e a BAR, que são referências acadêmicas de qualidade no país e estão entre os periódicos com melhor avaliação no Qualis da CAPES da área de Administração, desde sua criação. O papel da RAC foi apresentado assim: “a RAC nasce com a missão de contribuir para o entendimento aprofundado da Administração mediante a divulgação de trabalhos de pesquisa e de análises teóricas que possam subsidiar as atividades acadêmicas e a ação administrativa” (MACHADO-DA-SILVA, 1997, p. 1). No que se refere à BAR, Guimarães e Machado-da-Silva (2004) indicaram que o motivo principal de lançar um periódico em língua inglesa foi a crescente necessidade de levar a produção científica brasileira a uma audiência mais ampla, atingindo países onde a língua portuguesa não seja a dominante. Ou seja, com a BAR, a ANPAD investia em uma disseminação ainda maior da produção científica brasileira. A partir do momento em que aumenta sua abrangência, por meio da publicação de artigos em língua inglesa, a BAR assume como meta competir globalmente por leitores interessados na Ciência da Administração.

A contribuição dos periódicos da ANPAD para o desenvolvimento da Ciência da Administração no Brasil se concretiza por meio de:

  1. Rigor na avaliação por parte de editores e revisores;

  2. Interação de editores e revisores com os autores, de modo a auxiliá-los a produzir argumentos e textos de melhor qualidade e legibilidade;

  3. Atenção à ética na publicação científica; e

  4. Busca de celeridade, sem prejuízo do rigor científico, no processo editorial.

Tais esforços (que, aliás, também vêm sendo empreendidos por outros bons periódicos editados no Brasil) permitem que se encontre nos periódicos da ANPAD um “retrato” do que se pesquisa e se produz academicamente de melhor no país na área de Administração. Destaca-se, ainda, o aumento na qualidade dos artigos - resultados de pesquisas mais cuidadosas, impulsionadas pelo aumento da competição por publicação, e da aceitação de diferentes abordagens metodológicas - que revelam, e contribuem com uma formação mais rigorosa de pesquisadores brasileiros.

Perfil de pesquisa publicada na RAC e na BAR

Para entender o perfil da pesquisa publicada na RAC e na BAR, realizou-se extração dos dados bibliométricos de ambas as revistas no indexador da SciELO, por meio da plataforma Web of Science (WoS). A extração foi realizada em 08/11/2017, pelo nome da publicação, selecionando as revistas RAC e BAR, por seus títulos, na lista de periódicos da WoS. Foram recuperados 1.376 registros publicados nessas revistas entre os anos de 2002 e 2017.

Para o tratamento dos dados, utilizou-se o programa computacional de mineração de dados VantagePoint (PORTER, KONGTHON e LU, 2002), versão 9.0, que auxiliou na limpeza e padronização de dados e na geração de listas e matrizes utilizadas, junto com o programa computacional VOSviewer (VAN ECK e WALTMAN, 2010), para a apresentação e análise dos resultados. Foram necessários procedimentos de tratamento dos dados para a remoção de registros duplicados e de registros que não são artigos, como editoriais, dentre outros. Esse procedimento foi realizado em duas etapas:

  1. Excluindo os registros que apresentavam a mesma informação no conjunto dos campos título, fonte (que nesse caso significa o periódico) e autoria, o que indicaria tratar-se do mesmo registro; e

  2. Eliminando todos os registros que não eram artigos científicos. Com esse procedimento, a quantidade passou para 983 registros.

Outros procedimentos de tratamento dos dados estão relacionados à limpeza e padronização dos campos utilizados para a construção dos indicadores utilizados na pesquisa:

  1. Keywords (authors): identifica as palavras-chave atribuídas pelo(s) autor(es);

  2. Authors: identifica o(s) nome(s) do(s) autor(es);

  3. Author affiliation (organization only): identifica a instituição de afiliação do(s) autor(es);

  4. Publication year: identifica o ano de publicação do registro; e

  5. Countries: identifica o país da instituição de afiliação do(s) autor(es).

A Figura 2 representa a rede de palavras-chave das publicações na RAC e/ou na BAR. Os nós representam as palavras-chave e seus tamanhos são proporcionais à sua recorrência no conjunto de dados analisados. Os laços representam as conexões entre as palavras-chave e as cores diferentes identificam os múltiplos clusters formados.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Figura 2 Rede de palavras-chave das publicações da RAC e/ou da BAR (2002-2017) 

Observa-se na Figura 2 uma multiplicidade de palavras-chave, que formam 11 clusters. Termos como empreendedorismo, teoria institucional e estratégia, os mais recorrentes, reforçam essa multiplicidade temática, que é característica dos dois periódicos. Tanto a RAC como a BAR têm perfis generalistas, para representar, na atualidade, toda a área de Administração. A principal palavra-chave da figura, empreendedorismo, tem estreita relação com a divisão de Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto teoria institucional é uma abordagem estreitamente ligada à divisão de Estudos Organizacionais, e estratégia é essencialmente do campo de outra divisão, Estratégia em Organizações. A Tabela 3 lista em ordem decrescente a quantidade de artigos publicados dos autores mais prolíficos nas revistas da ANPAD no período de 2002 a 2017.

Tabela 3 Autores mais prolíficos na RAC e/ou BAR (2002-2017) 

Ordem Autor Artigos
1 CARRIERI, Alexandre de Pádua 15
2 VIEIRA, Valter Afonso 13
3 BRITO, Luiz Artur Ledur 12
4 VASCONCELOS, Flávio Carvalho de 10
5 BANDEIRA-DE-MELLO, Rodrigo 9
MACHADO-DA-SILVA, Clóvis Luiz2 9
REZENDE, Sérgio Fernando Loureiro 9
SILVA, Jorge Ferreira da 9
6 CLARO, Danny Pimentel 8
CRUBELLATE, João Marcelo 8
ROCHA, Angela da 8

Fonte: Elaborada pelos autores.2

Esses autores representam o novo e o tradicional na academia brasileira de Administração. Alguns autores já orientaram e contribuíram para a formação de diversos pesquisadores, coordenaram programas de pós-graduação, administraram instituições de ensino, participaram de comitês da CAPES e do CNPq, da gestão da ANPAD e de seus periódicos, demonstrando de modo longitudinal a relevância dos periódicos da ANPAD na disseminação do conhecimento gerado por pesquisadores no Brasil, bem como na institucionalização do campo.

Na Tabela 4 estão ordenadas, pela quantidade de artigos publicados, as 10 instituições com mais publicações3, também no período 2002-2017, consideradas por meio dos autores a elas afiliados no momento da publicação. Também estão identificadas as localizações geográficas dessas instituições e a quantidade de instâncias, que representa o número de vezes que a instituição aparece, independente da quantidade de registros. Ou seja, 1 instituição que tem 1 autor a ela afiliado e que, juntos, publicaram 1 artigo terá 1 registro e 2 instâncias.

Tabela 4 Instituições com maior número de artigos publicados na RAC e BAR (2002-2017) 

Ordem Instituição Região Artigos Instâncias
1 FGV SE 147 211
2 USP SE 124 172
3 UFRGS S 86 116
4 UFPR S 63 77
5 UnB CO 58 87
6 UFRJ SE 57 91
7 UFMG SE 52 82
8 UPM SE 50 74
9 Unisinos S 45 65
10 PUC-Rio SE 40 63

Fonte: Elaborada pelos autores.

Verifica-se na Tabela 4 que a Fundação Getulio Vargas (FGV)4 é a instituição com maior quantidade de artigos publicados na RAC e/ou BAR, seguida pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Destaca-se a concentração de instituições nas regiões Sudeste (SE) e Sul (S), tendo apenas uma instituição da região Centro-Oeste (CO) dentre as que mais publicam - a UnB - com 58 artigos. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), com 31 artigos e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com 26 artigos, são as instituições do Nordeste (NE) com maior representatividade numérica e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) é a instituição do Norte (N) com maior quantidade de artigos publicados, apenas 2. Também se destaca que todas as instituições, dentre as 10 que mais publicam, são instituições acadêmicas e brasileiras. Esses dados demonstram algo esperado, que é a baixa participação de outros tipos de organização (como empresas ou governo). O Banco Central do Brasil (Bacen), com 5 artigos e o Banco do Brasil (BB), com 4 artigos, são as instituições não acadêmicas com maior número de manuscritos publicados. Cabe apontar, como iniciativa para avanços da área, a importância da aproximação de instituições não acadêmicas, pensando na abordagem de questões de relevância para a prática administrativa.

Em contrapartida, esses dados também ressaltam a baixa internacionalização das publicações científicas brasileiras na área de Administração. As instituições internacionais com maior participação na publicação nos periódicos ANPAD são Michigan State University, com 8 artigos, e University of Birmingham, com 6 artigos. A temática da internacionalização tem sido constante em fóruns científicos nacionais e internacionais, como discutido por Motta, Garcia, Mendes et al. (2017) e evidenciado pela avaliação de programas de pós-graduação e pesquisadores brasileiros (MENANDRO, LINHARES, BASTOS et al., 2015).

Há poucos artigos publicados na RAC e na BAR, associados a outros países que não o próprio Brasil. Verifica-se maior intensidade com 6 países: Estados Unidos da América (EUA) (41 artigos), Reino Unido (24), Portugal (22), França (15), Espanha (11) e Canadá (10). Destaca-se a baixa interação com outros países da América Latina, África e Ásia. Talvez isso se deva ao fenômeno recente das parcerias internacionais entre pesquisadores, bem como da inserção dos periódicos brasileiros em bases com indicadores de interesse da academia internacional. Entretanto, considerando todos os registros de publicações da RAC e BAR desde 2002, 25% dos artigos publicados são escritos em língua inglesa. No ano de 2002, esse índice era de 0% e passou para 53% no ano de 2016. Vale destacar que, dada a característica da BAR, todos os artigos publicados no periódico são escritos em língua inglesa. Com isso, as duas revistas já conseguem atrair 12,4% dos artigos publicados de autoria de estrangeiros.

Repositório e indexador da ANPAD - SPELL

A ANPAD criou, em 2012, uma base de dados, o SPELL, com o acervo científico publicado no Brasil das áreas de Administração, Contabilidade e Turismo. Trata-se de uma iniciativa que visa a consolidar a publicação científica da área com foco na qualidade, embora o SPELL ainda não atue de modo seletivo em termos de exigências de padrões editoriais dos periódicos que compõem sua base de dados. Ao disponibilizar esse acervo, com acesso gratuito, a ANPAD alcança, simultaneamente, vários objetivos. Em primeiro lugar, facilita a recuperação de uma produção intelectual veiculada por diversos periódicos por meio de uma única plataforma web, atualizada dinamicamente. Em segundo lugar, promove a visibilidade dessa produção científica, incluindo o aumento da visibilidade de periódicos e pesquisadores. Em terceiro lugar, democratiza o acesso à informação, em linha com o movimento internacional do Open Access Journals. E, por último, viabiliza a produção de indicadores, estatísticas de uso e acesso a periódicos, além de análises bibliométricas e cientométricas (SPELL, 2017a).

O SPELL conta (em dezembro de 2017) com mais de 41 mil documentos publicados por 118 periódicos. Desde sua criação e até essa data já houve mais de 39 milhões de acessos e mais de 12 milhões de downloads de textos disponibilizados nessa base (SPELL, 2017b). Esse repositório é considerado por Trzesniak (2016) um indexador de primeira linha, classificado pelo autor com o adjetivo “impressionante”, dada sua importância na qualificação da produção científica da área. Esse reconhecimento se materializou com a inclusão, pela comissão da área de Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo da CAPES (2017a)do índice SPELL de citações, nos critérios de classificação de periódicos do Qualis dessa área para efeitos de avaliação da pós-graduação.

Regulação - boas práticas de publicação científica e código de ética da ANPAD

O crescimento da pós-graduação em Administração, associado ao fato de que a CAPES passou a considerar, a partir da avaliação de 2007, o artigo publicado em periódico como produção intelectual mais relevante, provocou um aumento do número de revistas da área. De um total de 42 revistas editadas no Brasil nas áreas de Administração, Contabilidade e Turismo, avaliadas pelo Comitê de Administração em 2007 (TRZESNIAK, 2016), o SPELL conta (em dezembro de 2017) com 89 revistas de Administração e 17 de Ciências Contábeis, muitas das quais criadas a partir de 2007. A necessidade de definir regras editoriais claras para a área como um todo levou a ANPAD a promover, a partir de 2009, o Encontro de Editores Científicos de Administração e Contabilidade (ENEC). Houve adesão de praticamente todos os editores a essa iniciativa, resultando na aprovação, por ocasião do II ENEC, realizado em 2010, do Manual de boas práticas da publicação científica, com regras e procedimentos de uma boa governança na gestão editorial, incluindo papéis de editores, revisores e autores e recomendações de condutas éticas adequadas na publicação científica.

Para ter uma ideia da evolução na governança na gestão editorial científica da área provocada pelo Manual de boas práticas, era comum, até o início da década de 2010, que periódicos tradicionais da comunidade publicassem artigos de autoria de seus editores e que professores de programas responsáveis por esses periódicos se comportassem como se o periódico tivesse como finalidade principal publicar seus artigos. Ou seja, o periódico, mais do que uma revista da instituição, deveria atender à própria instituição. Em 2017, esse manual foi atualizado (ANPAD, 2017c), sendo possível afirmar que ele constitui uma referência, tornando-se comum que editores, revisores e autores se refiram ao seu conteúdo quando tratam de boas práticas de publicação. Esse manual foi considerado por Diniz (2017) um bom exemplo de normas de conduta para a certificação, etapa do processo editorial voltada à garantia da qualidade da publicação científica.

A segunda iniciativa da ANPAD no âmbito da regulação que merece registro se refere à criação, em 2016, de um Comitê de Ética, composto por professores com alta visibilidade e respeitabilidade científicas, que atua com autonomia e independência em relação à direção da associação, com mandato não coincidente com o da diretoria. Em 2017 foi aprovado e publicado o Código de Ética da ANPAD, documento que tem por finalidade principal promover uma cultura de ética (ANPAD, 2017d) na comunidade científica da área de Administração no país.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Este artigo analisou o papel da ANPAD no processo de institucionalização da comunidade científica brasileira de Administração, a partir das atividades de publicação (eventos e revistas) e de regulação realizadas pela associação. As histórias da ANPAD e dessa comunidade se misturam e parece haver uma relação recursiva entre a institucionalização de ambas. A institucionalização é vista, aqui, como um processo e não um produto acabado, mesmo porque o reconhecimento externo é que permite definir em que medida uma comunidade é vista como campo científico e, portanto, legitimada. Certamente, há desafios a ser superados para essa legitimação, dos quais destacamos 3 que, acreditamos, podem contribuir de modo efetivo para isso:

  1. Ampliação do escopo de representatividade;

  2. Melhoria do nível de relevância da publicação científica; e

  3. Internacionalização dessa publicação.

No que se refere à representatividade, outras associações científicas foram criadas a partir dos anos 2000, com papéis similares ou complementares ao da ANPAD. Assim, em 2001 surgiu a Sociedade Brasileira de Finanças (SBFIN); em 2006, a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis (ANPCONT); em 2011, a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (ANEGEPE); em 2012, a Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais (SBEO); e, em 2013, a Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP).

A criação dessas associações decorre, de um lado, do aumento do tamanho da comunidade de Administração e, de outro, da necessidade de grupos científicos com temas mais singulares se estruturarem de modo mais autônomo, em vista de demandas e interesses específicos. Exceto a ANPCONT, que representa programas de pós-graduação, as demais associações foram instituídas para representar pesquisadores de campos específicos do conhecimento5. Isso, em vez de parecer uma ameaça à hegemonia da ANPAD como representante da área, contribui, na verdade, para acelerar o fortalecimento da comunidade como um todo como campo de conhecimento científico. Nessa perspectiva, caberia à ANPAD apoiar essas iniciativas e atuar como parceira dessas associações. Seria possível especular que os pesquisadores das áreas de Estratégia, Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, e Marketing já teriam densidade suficiente para se organizar em associações específicas, tendo em conta o maior número de participantes.

Enfatiza-se que a relevância de um texto científico pode ser associada ao grau em que a publicação influencia o conhecimento existente e/ou a prática administrativa. Dentre os desafios a serem superados para melhorar o nível de relevância da publicação científica brasileira em Administração, o primeiro diz respeito à qualidade intrínseca dessa publicação. É importante frisar que o artigo publicado é uma consequência da pesquisa realizada, portanto, se a pesquisa tem qualidade, aumenta a probabilidade de geração de publicação de qualidade elevada. Esse aspecto tem maior conexão com a institucionalização cognitiva, que geralmente anda junto com a institucionalização social, onde é mais visível a atuação da ANPAD.

Não é incomum identificarmos artigos publicados, inclusive por periódicos classificados em extratos superiores do Qualis da CAPES, apoiados em referências constituídas de textos não publicados e em manuais de qualidade duvidosa, em detrimento de artigos científicos. Outra falha comum em artigos da área diz respeito à descrição inadequada dos métodos e das técnicas de pesquisa. Muitas vezes, o autor se preocupa muito mais em “dissertar” sobre método e menos em descrever a pesquisa realizada. Adicionalmente, há falhas no processo de revisão dos manuscritos. Avaliadores da área de Administração demoram para realizar a avaliação e emitem pareceres pouco consistentes, que pouco contribuem para o aperfeiçoamento do texto. Os autores, de seu lado, também relutam quando são demandados a melhorar seus textos em revisões sucessivas, como se fosse obrigatória uma decisão editorial na primeira ou, no máximo, na segunda versão do texto. Parece que o padrão de avaliação para evento, que requer análises menos aprofundadas, dado que se destina apenas a indicar se o texto tem um mínimo de qualidade para ser “apresentado” aos pares, contaminou o processo de avaliação para periódico na área de Administração. Neste caso, requer-se, do avaliador, uma análise muito mais aprofundada e a avaliação representa mais um estágio de aperfeiçoamento do texto do que suporte a uma decisão de publicar ou não publicar.

A internacionalização da publicação científica brasileira de Administração é tema que tem provocado discussões na comunidade. A internacionalização é uma métrica da avaliação da pós-graduação e seu reflexo na publicação é direto. Como sugere Diniz (2017), os periódicos são impulsionados a se internacionalizar como reflexo das pressões exercidas por programas de pós-graduação para que os docentes publiquem internacionalmente. Assim, “aqueles periódicos que não forem proativos no contexto da internacionalização não só continuarão invisíveis para autores estrangeiros, como também perderão importância para um grupo relevante de autores brasileiros” (DINIZ, 2017, p. 361). Como decorrência dessa política, alguns periódicos brasileiros de Administração adotaram a prática de publicar artigos de autores nacionais em língua inglesa, muitas vezes acompanhados da versão em português. De outro lado, até que ponto esse esforço de internacionalização não representaria um círculo vicioso no qual os artigos decorrentes de pesquisas de melhor qualidade seriam direcionados para periódicos do Hemisfério Norte, com alto fator de impacto, restando aos periódicos brasileiros os manuscritos de segunda linha? Para Saes, Mello e Sandes-Guimarães (2017) pelo menos alguns periódicos poderiam enfocar questões específicas do contexto brasileiro, publicar artigos em língua portuguesa e, assim, aumentar o acesso à comunidade nacional.

Para concluir, é importante mencionar que há um longo caminho a ser percorrido para o reconhecimento internacional da comunidade científica brasileira de Administração. Algumas ações descritas neste manuscrito vão nessa direção, sendo que o fortalecimento de laços de cooperação entre a ANPAD e associações congêneres de outros países poderá contribuir para a internacionalização da comunidade. A ANPAD, como principal instituição dessa comunidade, tem não somente o interesse, mas, também, a responsabilidade de liderar a discussão dessas questões, visando ao crescimento, de modo ético, da importância e da influência da comunidade científica brasileira de Administração nos contextos nacional e internacional.

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1São publicados nos anais somente os trabalhos com pelo menos um autor inscrito no evento.

2Como houve uma edição especial da RAC em 2010, em homenagem ao Prof. Clóvis Luiz Machado-da-Silva, foram descontados os textos dessa edição, que não passou pelo processo de seleção usual.

3Esses dados são apresentados em termos absolutos, assim, instituições com maior quantidade de docentes permanentes têm maiores chances de registrar mais publicações. Devido à inviabilidade de tratar esse dado de modo relativo, não se utilizou o conceito de instituições mais produtivas.

4Inclui artigos de autores vinculados à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE). O sistema de busca identifica a filiação por FGV, sem separar as duas escolas. Certamente, cada escola separadamente teria uma posição diferente na tabela.

5Vale ressaltar o conflito latente que é inerente ao duplo papel da ANPAD, que se propõe a representar, simultaneamente, interesses de programas de pós-graduação e de pesquisadores individuais. Essa discussão não faz parte dos objetivos deste artigo.

Recebido: 27 de Dezembro de 2017; Aceito: 22 de Agosto de 2018

Tomás Aquino Guimarães - Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP); Professor Titular na Universidade de Brasília (UnB), Brasília - DF, Brasil. E-mail: tomas.aquino.guimaraes@gmail.com

Gustavo da Silva Motta - Doutor em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Professor Adjunto na Universidade Federal Fluminense (UFF-VR), Volta Redonda - RJ, Brasil. E-mail: gustavosmotta@gmail.com

Salomão Alencar de Farias - Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP); Professor Associado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife - PE, Brasil. E-mail: saf@ufpe.br

Herbert Kimura - Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP); Doutor em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP); Professor Titular na Universidade de Brasília (UnB), Brasília - DF, Brasil. E-mail: herbert.kimura@gmail.com

Rogerio Hermida Quintella - Doutor em Gerenciamento Estratégico pela University of Brighton (UB); Professor Titular na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Itabuna - BA, Brasil. E-mail: rhquintella@gmail.com

Jorge Manoel Teixeira Carneiro - Doutor em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Professor Adjunto na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), São Paulo - SP, Brasil. E-mail: jtcarneiro@gmail.com

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