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Einstein (São Paulo)

Print version ISSN 1679-4508

Einstein (São Paulo) vol.10 no.3 São Paulo July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082012000300011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Estudo psicométrico da Escala de Avaliação de Demência e sua aplicabilidade em instituições de longa permanência no Brasil

 

 

Alessandro Ferrari JacintoI; Ana Cristina Procópio de Oliveira AguiarI; Fabio Gazelato de Melo FrancoI; Miriam Ikeda RibeiroI; Vanessa de Albuquerque CiteroII

IHospital Israelita Albert Einstein - HIAE, São Paulo (SP), Brasil
IIHospital Israelita Albert Einstein - HIAE, São Paulo (SP), Brasil; Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil

Autor correspondente

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a sensibilidade e a especificidade diagnósticas, e a concordância da Escala de Avaliação de Demência, com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo, e compará-las com as do Miniexame do Estado Mental.
MÉTODOS: Oitenta e seis idosos de uma instituição de longa permanência foram convidados a participar do estudo e, destes, 58 concordaram em fazê-lo. A avaliação continha Miniexame do Estado Mental e Escala de Avaliação de Demência. O diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo foi realizado por especialistas que utilizaram os critérios do DSM-IV. Escores da Escala de Avaliação de Demência e do Miniexame do Estado Mental foram correlacionados e suas sensibilidade e especificidade, obtidas.
RESULTADOS: Vinte e dois (37,9%) idosos tinham comprometimento cognitivo (8,6% apresentaram comprometimento cognitivo leve e 29,3% demência). O Miniexame do Estado Mental e a Escala de Avaliação de Demência classificaram 31% e 55,2% como apresentando comprometimento cognitivo. Os escores da Escala de Avaliação de Demência e do Miniexame do Estado Mental tiveram uma forte correlação. A Escala de Avaliação de Demência teve uma sensibilidade maior do que o Miniexame do Estado Mental (86,4% versus 61,9%) e a especificidade foi menor (63,9% versus 86,5%). A concordância diagnóstica da Escala de Avaliação de Demência e do Miniexame do Estado Mental com a o diagnóstico clínico foi similar.
CONCLUSÃO: A Escala de Avaliação de Demência mostrou uma sensibilidade maior na detecção de comprometimento cognitivo na população estudada e poderia ser um instrumento útil para aplicação em instituições de longa permanência.

Descritores: Cognição; Delirium, demência, transtorno amnéstico e outros transtornos cognitivos; Testes neuropsicológicos; Instituição de longa permanência para idosos; Idoso; Sensibilidade e especificidade; Escalas


 

 

INTRODUÇÃO

Com envelhecimento da população(1,2), as instituições de longa permanência (ILP) têm um papel crucial no suporte ao idoso. Apesar de, historicamente, as ILPs serem caracterizadas como locais onde vivem pessoas que exigem cuidados, idosos sadios têm decidido, mais frequentemente, viver nessas instituições por diferentes motivos (contato social mais intenso ou até mesmo aproveitamento dos serviços oferecidos na ILP, como alimentação adequada e balanceada, atividade física e recreativa e suporte médico especializado). As ILPs são geralmente divididas em áreas com base na dependência dos residentes em suas atividades diárias. Em geral, os residentes mais dependentes são aquele que necessitam de mais gastos com seus plano de cuidados(3).

A deficiência cognitiva (DC) é um dos principais motivos para institucionalização de idosos e, com frequência, contribui para o aumento da dependência na ILP. Uma vez detectada, a DC precisa de acompanhamento(4). A maioria das demências não tem cura, porém há casos que são potencialmente reversíveis(5). Em relação àquelas consideradas demências incuráveis, a avaliação multidisciplinar e o planejamento do futuro do paciente são questões importantes, que contribuem para detecção precoce da DC em ILP(4).

O diagnóstico precoce de DC em idosos residentes em ILP permite eficiência no tratamento oferecido. Além disso, a independência do paciente será mantida por mais tempo e menos recursos financeiros serão necessário no tratamento(6).

Existem instrumentos simples podem ser utilizados para rastreamento cognitivo de diferentes tipos de populações, incluindo aqueles que vivem em ILP. O Miniexame do Estado Mental (MEEM)(7) tem sido largamente estudado em populações diferentes, inclusive na brasileira. Seu desempenho está particularmente ligado à escolaridade, tendo pontos de corte bem estabelecidos para essa população(8,9). Apesar de altamente sensível, sua especificidade pode ser reduzida já que é influenciada por outras demências ou deficiências cognitivas, tais como delírios e psicose.

A Escala de Avaliação de Demência (DRS, do inglês Dementia Rating Scale) proposta por Mattis é um instrumento incapaz de avaliar o estado cognitivo facilmente(10). Leva de 30 a 40 minutos para ser aplicada. As 36 atividades são dividas em 5 subescalas, cada uma avaliando uma área cognitiva diferente, sendo elas: atenção, início/perseverança, construção, conceptualização e memória. A DRS tem vantagens em relação à MEEM, já que provê informações mais detalhadas sobre as funções cognitivas, alteradas ou preservadas, permitindo aos aplicadores avaliar mais detalhadamente um número maior de áreas cognitivas(11). A DRS tem mostrado eficiência para detectar DC leve e diferentes estágios de demência. Existem alguns estudos brasileiros em que a escolaridade foi levada em consideração e os pontos de corte foram publicados(12).

 

OBJETIVO

O objetivo deste estudo foi avaliar a sensitividade, especificidade diagnósticas e a concordância da DRS com o diagnóstico clínico de DC (demência ou DC leve) e comparar essas medidas psicométricas com o escore de MEEM.

 

MÉTODOS

O estudo foi realizado no Residencial Israelita Albert Einstein, uma instituição brasileira para idosos que inclui um serviço de home care, suporte residencial, e ambulatório clínico geriátrico. Os residentes tiveram seu estado de dependência classificado pelo consenso de uma equipe que utilizou o escore de Medida de Independência Funcional (MIF)(13).

Este foi um estudo transversal com 86 idosos convidados a participar. Os participantes eram residentes independentes e semidependentes da ILP. O total de 58 indivíduos aceitou participar do estudo; os 28 que recusaram não apresentaram diferenças estatísticas em relação a gênero, idade e nível de dependência (p>0,05) quando comparados àqueles que participaram. Os indivíduos tinham 60 ou mais anos de idade e a média de escolaridade foi de 10 anos.

O protocolo da avaliação de saúde aplicado aos idosos incluiu testes de avaliação cognitiva, como o MEEM e DRS. O diagnóstico clínico foi realizado por especialistas, usando critério de diagnóstico do DSM-IV para demência(14) para classificação dos indivíduos portadores ou não de demência, e o algoritmo de Pertersen para DC leve amnésica e não amnésica(15). As três medidas de DC foram dicotomizadas em "presença" e "ausência" de DC, de acordo com o ponto de corte de estudos brasileiros anteriores(8,12). O diagnóstico clínico compreendeu "ausência" (sem deficiência) e "presença" (demência ou DC leve).

O escore de DSR foi correlacionado ao escore do MEEM utilizando os testes do coeficiente de correlação de Spearman. Considerando os critérios clínicos como padrão-ouro para diagnóstico de DC, a concordância do diagnóstico entre critérios clínicos e DRS, e critérios clínicos e MEEM foram examinados por meio do índice Kappa. A sensibilidade e especificidade da DRS e MEEM foram calculadas.

Este estudo foi realizado na área metropolitana da cidade de São Paulo (SP), entre dezembro de 2008 e dezembro de 2010. O Comitê de Ética e Pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein do Hospital Israelita Albert Einstein aprovou a realização desta investigação. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes da inclusão no estudo.

 

RESULTADOS

Trinta e seis pacientes (62,1%) não apresentaram DC relacionadas aos critérios de diagnóstico clínico e 22 (37,9%) tiveram DC (8,6% DC e 29,3% demência). De acordo com MEEM, 31% foram classificados como DC enquanto para DRS, 55,2% (Tabela 1).

 

 

Os escores de DRS e de MEEM apresentaram forte correlação (r=0,59; p<0,001). A DRS teve maior sensibilidade do que MEEM para identificar DC (86,4% versus 61,9%). A DRS apresentou menor especificidade no diagnóstico do que MEEM (63,9% versus 86,5%) para identificar a ausência de déficits cognitivos. Considerando a DRS e o MEEM, a concordância de diagnóstico entre ambos e o diagnóstico clínico foi similar (Tabela 2).

Os resultados da tabela 2 são mostrados de modo descritivo na tabela 3. Uma vez que a "não deficiência" foi diagnosticada, o MEEM detectou corretamente a ausência de DC em 86,1% (52,8%±33,3%) enquanto a DRS foi detectada corretamente em 63,9% (52,8%±11,1%). Para DC leve, o MEEM detectou a presença de DC em 40% enquanto a DRS em 60% (40%±20%). Para demência, o MEEM detectou corretamente a presença de DC em 64,7% enquanto a DRS em 94,1% (64,7%29±,4%).

 

DISCUSSÃO

A literatura médica é restrita em relação às questões de ILP, incluindo discussões sobre os instrumentos úteis para avaliar a DC em idosos institucionalizados. Este estudo mostrou que a DRS teve maior sensibilidade do que o MEEM para detectar DC. Todavia, o MEEM apresentou a mesma concordância diagnóstica e maior especificidade do que a DRS, sendo a última a mais adequada para rastreamento de DC em uma ILP, já que essa condição é mais prevalente nessas instituições do que na comunidade(16). A prevalência de DC em estudos anteriores na comunidade brasileira variam de 4,3% a 29,7%(17-19). Como esperado, a prevalência foi maior na ILP. Considerando o diagnóstico específico, a prevalência de DC encontrada neste estudo foi maior do que em outros relatos nacionais (1,6%)(20). A prevalência de demência também foi maior do que em outros estudos no Brasil (variando de 7,1% a 7,2%), sendo este achado já esperado(21-23).

É sabido que o diagnóstico de MCI é fundamental para detecção precoce de DC apesar de não haver consenso sobre a melhora no processo diagnóstico. De acordo com estudos anteriores(24), a MEEM não é adequada para reconhecimento de DC, sendo necessário o uso de bateria neuropsicológica para completar a avaliação. A própria DRS não é uma bateria neuropsicológica, mas, apesar disso, possibilita mais detalhes do estado cognitivo do que a MEEM. Além disso, esta pode ser aplicada por qualquer profissional de saúde treinado não sendo sua aplicação exclusiva aos psicólogos(25). Juntamente dos critérios clínicos, esse teste pode ser um instrumento útil em ILPs(26). Nesse aspecto, a DRS pode ser incorporada à avaliação geriátrica global, facilitando o seguimento dos residentes.

Há algumas limitações a serem consideradas. Este estudo foi desenvolvido em uma única ILP, com amostra não randomizada. Para aumentar a exatidão do diagnóstico de DC, seria apropriada uma amostra maior, com estimativa de pelo menos 20 pacientes com DC para facilitar a abordagem estatística.

Este estudo contribuiu, contudo, para apresentação de dados de uma ILP brasileira, trazendo implicação clínica a ser considerada, qual seja, o uso rotineiro de DRS na avaliação de ILP, que possibilita uma detecção precoce de DC em idosos e, consequentemente, melhora as chances de eficiência do tratamento a ser oferecido.

 

CONCLUSÃO

A DRS é um instrumento útil para avaliação cognitiva em ILP e, neste estudo, mostrou-se mais sensível do que a MEEM.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos todos os membros do Hospital Israelita Albert Einstein (Unidade Vila Mariana) que contribuíram para este estudo.

 

REFERÊNCIAS

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Autor correspondente:
Alessandro Ferrari Jacinto
Avenida Albert Einstein, 627 - Morumbi
CEP: 05651-901 - São Paulo (SP), Brasil
Tel.: (11) 2151-0904
E-mail: alessandrofj@einstein.br

Data de submissão: 18/1/2012
Data de aceite: 25/8/2012
Conflitos de interesse: não há.

 

 

Trabalho realizado no Hospital Israelita Albert Einstein - HIAE, São Paulo (SP), Brasil.