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Einstein (São Paulo)

Print version ISSN 1679-4508On-line version ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.18  São Paulo  2020  Epub Dec 13, 2019

https://doi.org/10.31744/einstein_journal/2020ao4723 

ARTIGO ORIGINAL

Cienciometria em intervenções usadas para adesão ao tratamento de hipertensão e diabetes

Julio de Souza Sá1 
http://orcid.org/0000-0002-0852-017X

Lucas França Garcia1 
http://orcid.org/0000-0002-5815-6150

Marcelo Picinin Bernuci1 
http://orcid.org/0000-0003-2201-5978

Mirian Ueda Yamaguchi1 
http://orcid.org/0000-0001-5065-481X

1Centro Universitário de Maringá, Maringá, PR, Brasil.


RESUMO

Objetivo

Identificar as intervenções utilizadas para melhorar a adesão de terapias medicamentosas e não medicamentosas de pacientes hipertensos e diabéticos.

Métodos

Estudo cienciométrico realizado nos meses de fevereiro e março de 2018, utilizando os termos “intervenções para melhorar a adesão à terapia do diabetes”, “intervenções para melhorar a adesão à terapia de hipertensão” e “intervenções para melhorar a adesão à terapia da hipertensão e diabetes”, nas bases de dados PubMed®e SciELO.

Resultados

Foram selecionados 95 artigos. A partir do ano 2009, observou-se crescimento da produção científica com maior volume entre os anos 2015 e 2017. O maior número de intervenções encontradas na literatura foi para pacientes com diabetes (46,31%). A intervenções mais utilizadas foram a face a face (46,31%), por chamada telefônica (31,58%) e a digital (26,31%). A América do Norte destacou-se no número de pesquisas, com 68,42% das publicações, seguida pela Europa, com 14,74%. Dentre os estudos, a maioria (63,16%) utilizou apenas um tipo de intervenção.

Conclusão

Métodos de intervenção tradicionais foram mais empregados para promover a adesão às terapias anti-hipertensão e antidiabetes, embora o uso de tecnologias digitais desponte como tendência para melhorar esses comportamentos de saúde.

Palavras-Chave: Promoção da saúde; Tratamento farmacológico; Hipertensão; Diabetes mellitus; Enfermagem em saúde comunitária; Assistência ambulatorial; Equipe interdisciplinar de saúde; Tecnologia biomédica; Bibliometria

ABSTRACT

Objective

To identify interventions aimed to improve adherence to medical and non-medical antihypertensive and antidiabetic therapy.

Methods

Scientometric study conducted in February and March 2018, based on data collected on PubMed ® and SciELO databases, using the following search terms: “interventions to improve adherence to diabetes therapy”, “interventions to improve adherence to hypertension therapy” and “interventions to improve adherence to therapy for hypertension and diabetes”.

Results

A total of 95 articles were selected. Scientific production increased as of 2009, with a higher number of studies published between 2015 and 2017. Most interventions described in literature were aimed at diabetic patients (46.31%). Face-to-face interventions were more common (46.31%), followed by telephone-based (31.58%) and digital (26.31%) interventions. North America stood out as the continent with the highest number of publications (68.42%), followed by Europe (14.74%). Most studies (63.16%) were based on a single type of intervention.

Conclusion

Traditional intervention methods were more widely used to promote adherence to antihypertensive and antidiabetic therapy; digital technology emerged as a trend in interventions aimed to improve hypertension and diabetes-related health behaviors.

Key words: Health promotion; Drug therapy; Hypertension; Diabetes mellitus; Community health nursing; Ambulatory care; Patient care team; Biomedical technology; Bibliometrics

INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial e o diabetes mellitus estão entre as principais causas de mortes por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) em todo o mundo, com prevalência global de 22% para portadores de hipertensão, originando cerca de 9,4 milhões de mortes anualmente.1 Em indivíduos com diabetes, a prevalência mundial atinge aproximadamente 9% e tem provocado mais de 1,5 milhão de mortes todos os anos.2 Em vista disso, a adesão às terapias medicamentosa e não medicamentosa destas doenças desponta como importante desafio para a promoção da saúde.3

O crescimento das complicações por essas doenças é constante em países de média e baixa renda. Isso acontece, em parte, devido ao envelhecimento populacional e à necessidade de se adotar um estilo de vida saudável.1 A falta de adesão às terapias tem sinalizado um grande problema de saúde pública, no qual mais da metade dos pacientes não segue corretamente as terapias prescritas.4 A terapia medicamentosa para essas doenças é recomendada somente quando a terapia não medicamentosa, como dietas nutricionais, atividade física regular e outras práticas de estilo de vida saudável, não é suficiente.5

Diversas medidas têm sido adotadas para o enfrentamento das DCNT, definindo políticas e ações em todo o mundo.6 Os estudos de adesão às terapias apontam caminhos para o incentivo de estratégias inovadoras e intervenções comportamentais, que auxiliem no monitoramento adequado das terapias prescritas, proporcionando melhor qualidade de vida para os pacientes.4

As intervenções são definidas por ações de promoção da saúde capazes de promover mudança de comportamento na forma individual ou coletiva, considerando o contexto social em que o indivíduo está inserido, visando melhorar a adesão às terapias de DCNT.7 Existe uma variedade de intervenções que podem ajudar os gestores e os serviços de saúde no controle das DCNT, seja por meio de métodos tradicionais, como visitas domiciliares, aconselhamento individual ou em grupos, quanto pelo uso de tecnologias digitais, usadas para envio de lembretes ou conteúdos sobre comportamentos, no contexto da promoção da saúde.8

OBJETIVO

Descrever o estado da arte das publicações científicas referentes ao desenvolvimento de intervenções utilizadas para melhorar a adesão às terapias anti-hipertensivas e antidiabéticas.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo cienciométrico, no qual a coleta dos dados foi realizada nos meses de fevereiro e março de 2018, nas bases de dados indexadas na PubMed®(https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/) e Scientific Electronic Library Online (SciELO; https://www.scielo.org/).

Os termos utilizados para a pesquisa na base de dados PubMed®foram: “ interventions to improve adherence to diabetes therapy ”, “ interventions to improve adherence to hypertension therapy ” e “ interventions to improve adherence to therapy for hypertension and diabetes ”. Na base de dados SciELO foram utilizados os termos: “intervenções para melhorar a adesão à terapia do diabetes”, “intervenções para melhorar a adesão à terapia de hipertensão” e “intervenções para melhorar a adesão à terapia da hipertensão e diabetes”.

Foram excluídos os artigos de revisão de literatura e revisão sistemática de literatura, com intuito de alcançar maior precisão ao estudo, considerando apenas artigos originais. Após a análise dos títulos e resumos, os artigos incluídos foram classificados em sete temáticas sobre os tipos de intervenções: intervenção face a face; intervenção por chamada telefônica; intervenção digital; intervenção indireta; intervenção de educação em saúde; intervenção por Correios; e intervenção por incentivo financeiro.

Os dados foram organizados e tabulados em planilhas do programa Excel 2016, de acordo o ano das publicações, tipo de doença ou público-alvo, tipos de intervenções, quantidade de publicações por continente e número de intervenções por estudo.

RESULTADOS

Foram encontradas 600 publicações entre os anos de 2000 a 2018 com os descritores do estudo no PubMed®, e nenhum artigo foi encontrado na base de SciELO. Após a leitura dos títulos e resumos para verificar a adequação aos objetivos do estudo, 95 artigos foram selecionados para análise ( Tabela 1 - Apêndice 1). Foram excluídos 505 artigos por não atenderem os critérios de inclusão do estudo.

Tabela 1 Artigos incluídos no estudo 

Autores Ano Título do artigo Periódico
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Identificou-se um crescimento na produção científica a partir do ano 2009, obtendo maior volume entre os anos 2015/2017, período em que houve maior número de publicações referentes às intervenções para melhorar a adesão à terapia da hipertensão e do diabetes ( Figura 1 ).

Figura 1 Número de artigos publicados nas bases de dados PubMed® conforme o período de publicação 

Ainda, foi encontrado número maior de estudos associados a intervenções para pacientes com diabetes, correspondendo a 46,3% (n=44), seguido de 37,9% (n=36) relacionados à intervenções para hipertensão. Apenas 15,8% (n=15) das publicações eram de intervenções para as duas doenças ( Figura 2 ).

Figura 2 Número de produções científicas conforme o tipo de doença 

Com relação ao número de intervenções estudadas, 63,2% (n=60) continham apenas um tipo de intervenção, 30,5% (n=29) duas intervenções, e somente 6,3% (n=6) incluíram mais de duas intervenções concomitantes. Com relação ao tipo de intervenção, 46,3% (n=44) dos estudos apresentaram intervenção face a face, 31,6% (n=30) intervenção por chamada telefônica, 26,3% (n=25) intervenção digital, 16,9% (n=16) intervenção indireta, 12,7% (n=12) intervenção de educação em saúde, 6,3% (n=6) intervenção por Correios e 5,2% (n=5) intervenção com incentivo financeiro ( Figura 3 ).

Figura 3 Perfil dos eixos temáticos da produção científica relacionada os tipos de intervenções para melhorar a adesão à terapia da hipertensão e do diabetes 

As intervenções mencionadas puderam ser caracterizadas da seguinte maneira: (1) face a face, se consulta individual em clínicas e visitas domiciliares realizadas por profissionais da saúde; (2) chamada telefônica, se ligações via telefone; (3) digital, se envio de mensagens de texto SMS e aplicativos (App ou software), tais como WhatsApp; (4) indireta, se políticas públicas, auditorias, diretrizes e treinamento de profissionais envolvidos; (5) educação em saúde, se palestras e orientações aos pacientes; (6) Correios, se envio de cartas via Correios; e (7) incentivo financeiro, se realização pagamentos ou descontos promovendo compensação financeira aos pacientes.

A distribuição dos artigos de acordo com o continente onde o estudo foi realizado indicou que grande parte da produção era da América do Norte, 68,4% (n=65), seguida por Europa, com 14,8% (n=14); e apenas 3,1% (n=3) na América do Sul.

DISCUSSÃO

A apreciação dos estudos encontrados na literatura científica corrobora a importância deste tema no campo das políticas públicas de promoção da saúde, pois, com o aumento da prevalência da hipertensão e do diabetes, medidas de controle estão sendo adotadas por diversos países.9 Este processo tem incentivado a utilização de diferentes intervenções, que beneficiam as condições clínicas dos pacientes, bem como possibilitam a redução dos custos para os serviços de saúde.10

A World Health Organization (WHO), motivada por países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, estimava, até o ano de 2015, reduzir em 2% ao ano as taxas de mortalidade por doenças crônicas.11 Seguindo estas estimativas, a OMS buscou assegurar estas ações juntamente dos governos, organizações mundiais e setores privados, aprovando o Plano de Prevenção e Controle de DCNT 2013-2020. Além disso, adotou metas voluntárias para o ano de 2025, entre elas, reduzir em 25% a mortalidade prematura por tais doenças.1

O crescimento do número de publicações científicas sobre as intervenções encontradas na última década pode estar relacionado ao envelhecimento populacional, pois, com o avanço da idade, as alterações fisiológicas são mais frequentes no organismo, aumentando a prevalência das DCNT.12 A melhora nas condições básicas de saúde, a expansão da urbanização, a comercialização global de produtos desfavoráveis a saúde e a prática de estilos de vida não saudáveis podem ser outros fatores importantes para o aumento dos estudos nesse período.2

Embora a hipertensão arterial seja uma doença silenciosa, que afeta indivíduos de todos os níveis socioeconômicos e apresente índices de mortalidade e prevalência global acima de outras DCNT,5 os números de estudos sobre intervenções associados ao paciente diabético são ainda maiores. Isto pode ser explicado pela diversidade de complicações agudas e crônicas que o diabetes mellitus ocasiona e, desta forma, vem trazendo ao longo dos anos, aumento de duas a três vezes nos custos de saúde em relação aos pacientes não diabéticos.2 Em 2017, os custos globais originados pelo diabetes foram estimados em US$ 850 bilhões, acarretando grande impacto social e econômico para os sistemas de saúde.2

Quanto aos tipos de intervenções que contribuem para melhorar a adesão às terapias medicamentosa e não medicamentosa, a intervenção face a face, por meio de consulta individual e visitas domiciliares, foi a mais frequente na literatura científica.13 As consultas individuais são muito utilizadas em assistência ambulatorial, clínicas médicas, farmácias comunitárias, equipe interdisciplinar de saúde14 e outros centros de saúde, visto que são métodos tradicionais em que os médicos, farmacêuticos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos analisam, juntamente do paciente, as barreiras que impedem a adesão às terapias, apontando soluções que proporcionem melhores resultados de saúde.15

Em seguida, a intervenção por chamada telefônica corrobora sua eficiência, por encorajar pacientes com diversas comorbidades a adotarem melhores práticas de cuidado, por meio de ligações telefônicas para o monitoramento deles.16 Este tipo de intervenção é também considerado tradicional e amplamente empregado em farmácias comunitárias e clínicas pelo profissional farmacêutico, que, na função de gestor dos medicamentos, orienta os pacientes sobre comportamentos de saúde e viabiliza a melhora na adesão às terapias medicamentosa e não medicamentosa de hipertensos e diabéticos.17 Os serviços de ligações telefônicas proporcionam opção mais acessíveis, reduzindo a carga de consultas médicas e os custos com transportes para os pacientes de renda baixa, além de propor inserção de informações personalizadas.18

Na sequência, a intervenção digital, realizada por meio do envio de mensagens de texto SMS, Web, aplicativos e WhatsApp, tem mostrado, nos últimos anos, forte crescimento em estudos sobre adesão às terapias. Essas ferramentas tecnológicas vêm sendo usadas para facilitar o acesso às informações de saúde, com intuito de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.19 Estudo evidenciou que o uso de diversas tecnologias pode estimular mudança nos comportamentos de saúde e intensificar a adesão às terapias de pacientes hipertensos e diabéticos.20

A intervenção digital tem sido eficaz principalmente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, atingindo regiões de difícil acesso, assegurando que os benefícios de saúde, por meio de tecnologias estejam à disposição de toda população mundial.21 As ferramentas de tecnologia móvel para a saúde, conhecidas também como m-Health, estão sendo consideradas forte tendência para o controle de DCNT, pois apresentam baixo custo e visam à resolução de problemas de saúde à distância.22

Entre outras intervenções encontradas na literatura para melhorar os comportamentos de saúde em pacientes hipertensos e diabéticos, foram identificadas as intervenções indiretas, por meio de políticas públicas, diretrizes de saúde, auditorias e treinamento de profissionais.23

As intervenções de educação em saúde são normalmente implementadas pelos enfermeiros e outros profissionais de saúde por meio de palestras e orientações em conjunto, principalmente em comunidades em que os recursos tecnológicos são escassos ou inexistentes.24 Identificou-se menor quantidade de estudos, citando as intervenções por Correios, mediante o envio de cartas com recomendações de saúde25 e, por fim, as intervenções de incentivo financeiro, aplicadas por alguns serviços de saúde, principalmente dos setores privados, incentivando a adesão dos pacientes por compensação financeira.26

Em referência a origem dos estudos, a América do Norte evidenciou o maior número de pesquisas científicas relacionadas às intervenções em hipertensos e diabéticos, seguida por países do continente europeu. Nos Estados Unidos, por exemplo, um em cada três indivíduos ou 75,2 milhões de americanos têm hipertensão, sendo que quase metade desses indivíduos (35 milhões de pessoas) apresenta pressão arterial acima dos padrões recomendados.27 Entre os anos 2011 a 2014, o país apresentou prevalência aproximada de 34% (34,5% entre os homens e 33,4% entre as mulheres); na população idosa a prevalência foi de 67,2%, ocasionando cerca de 410.624 mortes por causa primária ou secundária, com gastos totais dado a hipertensão arterial entre 2012 a 2013 em US$ 51,2 bilhões.28

Já o diabetes atingiu cerca de 30,3 milhões de americanos em 2015, com prevalência de 9,4%, resultando na sétima causa de morte no país e alcançando mais de 252.806 mortes anuais por causa direta ou indireta da doença.29 Em 2017, os custos totais do diabetes chegaram a US$ 327 bilhões, sendo que a maior parte desses custos foram com indivíduos de faixa etária igual ou superior a 65 anos, elevando constantemente o orçamento do sistema e dos serviços de saúde.2 As projeções do diabetes entre a população adulta diagnosticada e não diagnosticada foram estimadas em 14% em 2010, tendendo para 21% de prevalência total até o ano 2050.30

A obesidade tem sido importante para o crescimento da prevalência de outras DCNT e está associada ao aumento do número de mortes prematuras por hipertensão e diabetes, principalmente em países como os Estados Unidos, que possuem alto consumo de alimentos industrializados, resultando em prevalência de 17% em crianças e um terço da população adulta aproximadamente (36,5%) com obesidade entre os anos 2011 a 2014, atingindo, em geral, indivíduos de média idade, entre 40 a 59 anos.29

Os países da Europa também avançaram nos estudos sobre intervenções, pois com populações envelhecidas, resultaram no crescimento permanente da prevalência de DCNT, aumentando o interesse dos países em reduzir a sobrecarga dos gastos financiados pelos sistemas de saúde.31

Em relação à América do Sul, composta por países em desenvolvimento, os estudos associados a intervenções para melhorar a adesão às terapias ainda são recentes e estão muito abaixo dos números norte-americanos. No Brasil, o avanço nas condições de saúde e o aumento da expectativa de vida fizeram com que o número de pessoas idosas crescesse 18% nos últimos 5 anos, saindo de 25,4 milhões no ano de 2012, para 30 milhões em 2017. Essas ocorrências, estão elevando a prevalência de DCNT, estimadas, em uma década, em um crescimento de 14,2% para a hipertensão, saindo de 22,5% no ano 2006 para 25,7% em 2016, além do diabetes, que cresceu 61,8%, passando de 5,5%, em 2006, para 8,9%, em 2016.32

Em 2015, as altas prevalências de DCNT ocasionaram cerca de 424.058 óbitos por doenças cardiovasculares e 62.466 mortes atribuídas ao diabetes,33 chegando a custos totais de US$ 4,18 bilhões e US$ 22 bilhões, respectivamente.6 , 9 Nos últimos anos, as mudanças provocadas no estilo de vida dos brasileiros têm influenciado o crescimento de comorbidades decorrentes da obesidade, outro importante fator de risco para a hipertensão e diabetes.5 A obesidade cresceu 60% no Brasil em 10 anos, partindo de 11,8%, em 2006, e chegou a 18,9%, em 2016, alcançando maior prevalência (22,9%) nos indivíduos com idade entre 55 a 64 anos.32

O Brasil tem adotado medidas importantes ao longo nos últimos anos para o enfrentamento das DCNT, como a implantação do Sistema de Vigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (VIGITEL), que permite o monitoramento permanente de doenças crônicas, avaliando as melhores estratégias de intervenções.32 Outra medida relevante foi a elaboração do Plano de Ações para o Enfrentamento de DCNT 2011-2022, que incentiva as políticas públicas de promoção da saúde, contribuindo para o cumprimento das metas, entre elas, reduzir em 2% ao ano o número de mortes prematuras por DCNT até 2022,6 garantindo para a saúde o desenvolvimento sustentável para a Agenda 2030.34

Dos estudos encontrados na literatura, aqueles que utilizaram apenas um tipo de intervenção tiveram maior frequência. Em muitos países, a gestão dos cuidados com o paciente idoso que possui duas ou mais comorbidades, torna o desafio ainda maior para gestores e profissionais de saúde. As intervenções para intensificar a adesão às terapias necessitam de diretrizes focadas em incentivos para pacientes com esta faixa etária.35 Nos Estados Unidos, o uso excessivo de intervenções para o mesmo paciente não tem causado melhora nos resultados de saúde, pois, além de terem características específicas para cada doença, elevam os custos, sendo necessária a busca por ferramentas de abrangência, com foco na qualidade de vida do paciente e não somente na doença.35

CONCLUSÃO

O presente estudo cienciométrico apontou lacunas a serem destacadas: pequeno número de estudos realizados no continente latino-americano, especialmente no Brasil, levando em consideração o aumento da prevalência da hipertensão e do diabetes no país e em toda América Latina; apesar da evidência limitada da intervenção por incentivo financeiro, que foi utilizada apenas em alguns países desenvolvidos, a mesma merece ser destacada como uma ferramenta promissora para motivação para mudança de comportamento; e existência de poucos estudos sobre intervenções com capacidade de melhorar a adesão às terapias de pacientes que possuem comorbidades, como a hipertensão e diabetes.

Por fim, as intervenções tradicionais, como a face a face e por meio de chamada telefônica, foram as mais empregadas para melhorar a adesão às terapias anti-hipertensivas e antidiabéticas, embora o uso de tecnologias digitais emerja com tendência para promover avanços nesses comportamentos de saúde.

AGRADECIMENTOS

Ao Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI) pela concessão de bolsas de pesquisa; e à Fundação Araucária-PR/SESA-PR/CNPq/MS /PPSUS pelo financiamento da pesquisa.

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Recebido: 8 de Agosto de 2018; Aceito: 18 de Junho de 2019

Autor correspondente: Julio de Souza Sá Avenida Guedner, 1610 – Zona 08 CEP: 8750-9000 - Maringá, PR, Brasil Tel.: (44) 3021-6360 E-mail: julio_ssa@hotmail.com

Conflitos de interesse: não há.

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