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Revista Dor

versión impresa ISSN 1806-0013

Rev. dor vol.13 no.1 São Paulo enero./marzo. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-00132012000100004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Pé doloroso do idoso associado à incapacidade funcional*

 

 

Sabrina Canhada Ferrari PratoI; Fânia Cristina SantosII; Virgínia Fernandes Moça TrevisaniIII

IFisioterapeuta, Mestre e Doutora em Medicina Interna e Terapêutica pela Universidade Federal de São Paulo. (UNIFESP), São Paulo, Brasil
IIMédica Geriatra, Mestre e Doutora em Medicina na Universidade Federal de São Paulo. (UNIFESP). São Paulo, SP, Brasil
IIIMédica Reumatologista, Mestre e Doutora em Reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo. (UNIFESP). São Paulo, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O pé doloroso no idoso pode interferir no equilíbrio e no ciclo da marcha podendo ser um fator contribuinte para a incapacidade funcional na população geriátrica. O objetivo deste estudo foi avaliar a frequência de incapacidade funcional associada ao pé doloroso no idoso.
MÉTODO: Cem participantes, com idade > 60 anos, dor no pé de intensidade > 30 mm pela escala analógica visual (EAV) de dor. Foram analisados os tipos de pés e suas lesões, tipos de calçados, ocorrência de queda, sua circunstância e consequência. Aplicado o Índice Manchester de Incapacidade Associada ao Pé Doloroso no Idoso (MFPDI) e a EAV ao repouso e movimento, Índice de Marcha Dinâmica (DGI), e Escala de Atividade Instrumental de Vida Diária (AIVD). Análise estatística com os testes de Spermann e regressão múltipla, com nível de significância em 5% (p < 0,05).
RESULTADOS: Foi observada prevalência de incapacidade funcional associada ao pé doloroso maior que 50%. Na análise univariada houve correlações significantes da incapacidade funcional associada ao pé doloroso com intensidade de dor no pé ao movimento (p < 0,002), o nível de independência funcional para as AIVD (p < 0,001), e a funcionalidade de marcha, equilíbrio e risco de queda (p < 0,003), em relação a esta última variável, a associação foi importante. Na análise multivariada, as mesmas correlações mantiveram-se significantes (p < 0,05).
CONCLUSÃO: A incapacidade funcional associada ao pé doloroso foi muito prevalente no idoso, e correlacionou-se significativamente com a intensidade da dor no pé em movimento, o nível de independência funcional para as AIVD, e a funcionalidade da marcha/equilíbrio e risco de queda.

Descritores: Doenças do pé, Dor, Idoso.


 

 

INTRODUÇÃO

Com o envelhecimento, a manutenção de autonomia está intimamente ligada à qualidade de vida (QV). Portanto, uma forma de se procurar quantificar a QV de um indivíduo é pelo grau de autonomia com que ele desempenha as funções do dia a dia de forma independente, dentro de um contexto socioeconômico e cultural. Estudo afirma que envelhecer mantendo todas as funções não significa problema, quer para o indivíduo ou para a comunidade; quando as funções começam a deteriorar é que os problemas começam a surgir, uma vez que o indivíduo perde sua autonomia1. Entre os vários problemas que interferem na capacidade funcional, um deles é o acometimento nos pés dos idosos. As evidências obtidas de estudos detalhados de diversos males dos pés sugerem que mais de 80% da população tem algum tipo de problema com os pés2. Tais problemas trazem para o idoso algumas consequências como: diminuição da força, coordenação, e aumenta a instabilidade postural e o risco de queda resultando em incapacidade funcional3.

Os pés são os pontos de convergência do peso do corpo durante a deambulação, tendo estruturas bem detalhadas para execução desta função. Tal responsabilidade atribuída aos pés faz com que fiquem mais suscetíveis às lesões e às deformidades. Essas alterações geram frequentemente instabilidade postural, tendo como consequência as quedas3.

O grande risco de quedas está relacionado com desordens nos pés e nos calçados4. Estudo3 realizado por esses autores demonstrou que anormalidades nos dedos, calosidades e calçados inadequados podem prejudicar a caminhada e aumentar o risco de quedas.

A presença de problemas nos pés pode interferir diretamente no equilíbrio e no ciclo da marcha podendo consequentemente ser um fator contribuinte para a incapacidade funcional e quedas na população geriátrica.

O objetivo foi avaliar a frequência de incapacidade funcional associada ao pé doloroso no idoso e a influência de fatores correlatos utilizando o Índice Manchester de Incapacidade Associada ao Pé Doloroso no Idoso (MFPDI), a fim de preservar a autonomia e a independência.

 

MÉTODO

Após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 0274/07) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), realizou-se este estudo no período de março de 2007 a dezembro de 2008.

Trata-se de estudo transversal, descritivo e analítico conduzido a partir de uma amostra de idosos. Foram avaliados 100 indivíduos em nível ambulatorial na Disciplina de Geriatria e Gerontologia da UNIFESP. Os critérios de inclusão foram: idade > 60 anos, ambos os gêneros, e com dor no pé de intensidade > 30 mm; mensurada pela escala analógica visual (EAV) de dor ao repouso e/ou movimentação, e duração > a 3 meses. Foram excluídos aqueles com dor irradiada ou referida para o pé; amputação de membro inferior e aqueles que não deambulavam e não apresentavam compreensão e motivação para a participação no estudo. Todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Um protocolo de investigação foi aplicado, e o mesmo abordava variáveis como: dados sócio-demográficos, ocorrência de queda, sua circunstância e consequência, tipo de calçado mais utilizado. Também se realizou o exame físico dos pés, e posterior classificação nos diferentes tipos de pés e lesões.

Além desse protocolo, foram aplicados alguns instrumentos, tais como:

O MFPDI consiste em 19 questões, que é dividido em quatro subescalas: 9 questões de incapacidade, 5 questões de dor, 3 questões de preocupação e 2 questões de dificuldade. Em cada questão, o paciente tem de apontar a frequência dos sintomas nos pés, nos últimos 30 dias. Se a incapacidade é ausente, a alternativa "nunca, em nenhum momento" é assinada. Se presente, uma das alternativas "sim, em alguns dias" ou "sim na maioria/todos os dias" deve ser escolhida. Usando uma estratégia de pontuação simples, somam-se todos os pontos expressando assim o grau de incapacidade. A pontuação do MFPDI é da seguinte maneira: "nunca em nenhum momento" (ponto = 0), "sim, em alguns dias" (ponto = 1) e "sim na maioria/todos os dias" (ponto = 2). A pontuação é de 0 a 385.

A EAV consiste de uma linha de 100 mm, com âncoras em ambas as extremidades. Numa delas é marcada "sem dor" e na outra extremidade é indicada "máximo de dor". Os pacientes foram orientados a escolher um valor que melhor refletisse sua dor nos pés no último mês em repouso (EAVr) e em movimentação (EAVm) e uma régua foi usada para mensurar a dor de 0-100 mm. A linha utilizada foi horizontal e com descritores ao longo da escala6.

O índice de marcha dinâmica (DGI), consiste de 8 tarefas que envolvem a marcha em diferentes contextos sensoriais, que incluem superfície plana, mudanças na velocidade da marcha, movimentos horizontais e verticais da cabeça, passar por cima e contornar obstáculos, giro sobre seu próprio eixo corporal, subir e descer escadas. Cada paciente foi avaliado por meio de uma escala ordinal com 4 categorias de acordo com o seu desempenho em cada tarefa: comprometimento grave (0), comprometimento moderado (1), comprometimento leve (2) e marcha normal (3). A pontuação máxima é de 24 pontos e um escore inferior a 19 pontos prediz risco para quedas7.

A escala de atividades instrumentais da vida diária (AIVD), consiste de 9 questões que avaliam a relação ao uso do telefone, às viagens, à realização de compras, ao preparo de refeições, ao trabalho doméstico, ao uso de medicamentos e ao manuseio do dinheiro. A pontuação é da seguinte maneira: dependência (1), capacidade com ajuda (2) e independência (3). A pontuação máxima é de 27 pontos cujos valores representam o nível de independência funcional: independente (19 a 27 pontos); dependente parcial, onde necessita algum auxílio (10 a 18 pontos) e dependente total (1 a 9 pontos)8.

Após o término das avaliações, todos os participantes foram encaminhados para tratamentos, individuais e específicos, para os pés.

Para as frequências das variáveis sócio-demográficas, tipos e lesões dos pés, tipo de calçado, queda com sua circunstância e consequência, MFPDI, DGI e AIVD, foi utilizada uma avaliação descritiva com frequências absolutas (N) e relativas (%).

Para a EAV em repouso e EAV em movimentação foram realizadas a mediana como medida de tendência central e o intervalo interquartil (Q1 e Q3) para medida de variabilidade.

As associações do MFPDI com o protocolo de investigação foi realizado por meio dos testes de Mann-Whitney e de Kruskal-Wallis.

O teste de Spearman (RS) foi utilizado nas análises de correlação entre a incapacidade funcional associada ao pé doloroso e todas as variáveis envolvidas, e o modelo de regressão múltipla foi utilizado para as variáveis que se correlacionaram significativamente no modelo anterior. Foi considerado estatisticamente significante (p < 0,05).

 

RESULTADOS

Amostra composta por 100 idosos, predominâncias da faixa etária de 60 a 70 anos (43%), o gênero feminino (85%) e da raça branca (60%).

Quanto aos tipos e lesões nos pés, os achados mais frequentes foram 83% pés valgos e 52% planos, e 64% de prevalência de lesões de pele, sendo que do total da amostra, 63% apresentavam lesões na unha e 53% apresentavam deformidades nos dedos. Os tipos de calçados mais frequentemente utilizados foram tênis e moleca (29% cada), sandália (22%), chinelo (15%) e mule (5%).

Referente à queda, observou-se que cerca de 60 idosos caíram pelo menos uma vez no último ano, e desses 27% caíram duas ou mais vezes. Segundo sua circunstância, ocorreu dentro de casa (53%) ou na rua (47%), e quanto à sua consequência, observou-se que em 22% dos casos resultou em fratura, apesar de que em 55% não resultou em nenhuma lesão, ou resultou em lesões graves ou moderadas, respectivamente entre 18% e 27%.

A frequência de incapacidade funcional associada ao pé doloroso no idoso utilizando o MFPDI foi > 50% (resposta sim, na maioria dos dias/todos os dias), com exceções das questões IM1, IM5, IM9 e IM15 (Tabela 1).

Quanto à intensidade de dor no pé, as medianas apresentadas foram de 80 mm na EAVm e na 60 mm EAVr. Segundo a funcionalidade da marcha e do equilíbrio, e do risco de queda utilizando-se o DGI, foi > 30%, observou-se um comprometimento funcional moderado na amostra estudada. Referente ao nível de independência funcional para as AIVD a frequência foi > 60% da amostra eram independentes.

Nas análises de associações, foram demonstradas que a incapacidade funcional associada ao pé doloroso no idoso não se correlacionou significativamente com os grupos gênero (U = 500,0; p = 0,18), moradia (U = 484,5; p = 0,14), lesões de pele (U = 1024,5; p = 0,36), lesões de unha (U = 1140,5; p = 0,18); lesões vasculares (U = 495,0; p = 0,170, deformidades de dedos (U = 1173,0; p = 0,62), pé plano (U = 1032,0; p = 0,16), pé cavo (U = 987,0; p = 0,07), pé varo (U = 145,0; p = 1,0), pé valgo (U = 1146,5; p = 0,66), prática regular de atividade física (U = 1098,0; p = 0,37) e fratura (U = 881,0; p = 0,65) através do teste de Mann-Wallis (U). Na questão de pé equino não tem os dois grupos, porque só um paciente tinha pé equino.

Para a análise de associação do MFPDI com o protocolo de investigação, utilizando o teste de Kruskal-Wallis (H) para as seguintes variáveis: raça (H = 0,75; p = 0,86), estado civil (H = 1,54; p = 0,82), número de quedas (H = 0,34; p = 0,84), lesões por queda (H = 1,08; p = 0,58), local da queda (H = 2,64; p = 0,46), cômodo (H = 10,7; p = 0,15), período do dia (H = 3,26; p = 0,51), tipo de calçado (H = 2,82; p = 0,59) não houve diferença estatisticamente significante. Embora a análise geral dos grupos de escolaridade (H = 10,3; p = 0,03) tenham apresentado um p < 0,05, a análise a posteriori não confirmou a diferença relatada, pois o valor de p entre grupos foi de p > 0,05.

Também, não foram demonstradas correlações com as variáveis queda e EAVr. Houve correlações baixas, contudo estatisticamente significante, com a EAVm (p < 0,002) e com o nível de independência funcional para as AIVD (p < 0,001). Ocorreu correlação estatisticamente significante também com o DGI (p < 0,003), correlação essa de grau moderado (Tabela 2).

Num modelo de regressão múltipla, onde as variáveis que se associaram significativamente correlacionadas com a incapacidade funcional de associada ao pé doloroso foram analisada, ou seja, as variáveis queda, EAVr, EAVm, DGI e a AIVD, demonstrou-se que as mesmas associaram-se de forma independente e significativa com o MFPDI, do ponto de vista estatístico (Tabela 3).

 

DISCUSSÃO

Neste estudo com idosos acompanhados em nível ambulatorial, e portadores de dor no pé, a maioria (85%) eram do gênero feminino, e essa diferença de gênero é claramente evidente na literatura. Há um consenso geral, que as mulheres desenvolvem e relatam mais problemas nos pés do que os homens. Isto pode ser atribuído, primeiramente, pela influência dos calçados de salto altos e bico fino, que aumentam a chance de desenvolvimento de problemas no pé com o avanço da idade; como hálux valgo, deformidades nos dedos e calosidades nos pés. Outro aspecto é a tolerância à dor, as mulheres relatam sentir mais dores que os homens e consequentemente procuram mais os serviços de saúde9.

Os principais tipos pés e suas lesões nos idosos analisados foram os pés valgo e plano, e as lesões de pele/unha e de deformidades nos dedos, e esses dados são semelhantes aos achados em estudo10 com 417 idosos com mais de 60 anos, que observaram 84% de prevalência de afecções dermatológicas nos pés, e 86% de deformidades nos dedos. Em outro estudo11, também avaliando os pés de 459 idosos com dor no pé, 65 anos ou mais, relataram grande prevalência de pés valgos e deformidade nos dedos, e ainda, relataram que a dor no pé associou-se significativamente com aqueles tipos de pés e deformidades. A grande frequência de lesões no pé na presente casuística assume um papel importante referindo-se a população idosa, pois como observado em outro achado12, quanto às doenças que acometem os pés dos idosos, as afecções como calos, ulcerações, deformidades de dedos e o tipo de pé plano são observações clínicas muito frequentes em idosos, e essas podem resultar em alteração no padrão da marcha, afetando assim, a sua estabilidade postural.

No presente estudo observou-se que apenas 29% dos indivíduos faziam uso do calçado tênis com mais frequência, calçado esse considerado adequado e seguro para os idosos. A maioria dos indivíduos (71%) fazia uso de calçados inadequados, sendo esses, principalmente, do tipo moleca, sandália, chinelo e mule. Os idosos geralmente escolhem o tipo de calçado com material macio e estrutura flexível, que parece ser mais confortável, e acomodam melhor as deformidades dolorosas dos pés e tais fatos poderiam concorrer para as escolhas inadequadas de calçados, pois outros fatores são mais importantes, como segurança.

A ocorrência de queda é um sério problema e comum entre os idosos, e no presente estudo, 60% relataram ter sofrido queda no último ano, e desses, 27% caíram duas ou mais vezes, o que caracteriza o chamado "caidor crônico". Também, observou-se que em 22% das quedas ocorreram fraturas. Estudos13,14 também relataram que cerca de 30% a 60% dos idosos; 65 anos ou mais, que vivem na comunidade, cai uma vez ao ano, e 15% a 30% desses caem ao menos duas vezes ao ano, o que foi semelhante ao encontrado na presente casuística.

A incapacidade funcional associada ao pé doloroso no idoso foi muito frequente, o que pode constituir um problema muito sério no nosso meio. Concordando com esses achados, estudo12 avaliando 172 idosos, com idade entre 62 e 96 anos, concluiu que a dor incapacitante nos pés também foi muito frequente, e ainda, também demonstrou que as mulheres foram as mais afetadas. Um levantamento populacional com a finalidade de estimar a frequência de dores nos pés em Cheshire verificou que em quase 100% das pessoas há o relato de dor nos pés de forma incapacitante. A condição de incapacidade associada ao pé doloroso, naquele estudo, foi de origem multifatorial, sendo ressaltado que o MFPDI foi uma ferramenta eficaz para avaliar a dor no pé incapacitante na população idosa, além de ser fácil e rápido de ser aplicado12.

A intensidade de dor no pé utilizando-se a EAV de dor não esteve correlacionada com a incapacidade funcional associada ao pé doloroso quando a dor ocorria em repouso, contudo, houve correlação significativa quando a dor considerada era em movimento. A avaliação da intensidade de dor no pé é muito importante de ser realizada, mas na literatura não foi encontrado nenhum estudo com esse interesse, mas devido o impacto no declínio da QV do idoso esse aspecto foi abordado.

O DGI apresentou correlação significativa e importante com o MFPDI, ou seja, a incapacidade funcional correlacionada à dor no pé do idoso poderia predispor a instabilidade na marcha, no equilíbrio, e no risco de queda, consequências de peso tratado de idosos. Na literatura, poucos estudos utilizaram o DGI em idosos com dor no pé, e nesses não foram relatados correlações daquele instrumento com problemas nos pés dos idosos. Alguns estudos relataram que o risco de queda correlacionou-se com desordens nos pés. Potenciais prejudicadores de marcha, que também podem aumentar o risco de queda e levar à fratura e restrição das atividades da vida diária, são as anormalidades nos dedos, calosidades e deformidades nos dedos.

No presente estudo pode-se observou-se o mesmo quando se utilizou o DGI, ou seja, a dor incapacitante no pé do idoso associou-se ao risco de queda, contudo, a mesma correlação não foi demonstrada quando as variáveis consideradas foram à ocorrência de queda, suas circunstancia ou consequência. Mas, estudo15 demonstrou que a instabilidade da marcha medida pelo DGI, é um bom indicador do estado de queda para os idosos.

O nível de independência funcional para as AIVD apresentou correlação com o MFPDI, pequena correlação, contudo; significativa do ponto de vista estatístico. Este achado é muito importante ao se considerar o indivíduo idoso. Discordando dos dados do presente, um estudo11 demonstrou que o pé doloroso incapacitante não se correlacionou com o nível de desempenho nas AIVD de 459 idosos, 65 anos ou mais, residentes na Itália.

No presente estudo existem algumas limitações que poderiam influenciar os resultados obtidos, como o possível viés de memória, já que os idosos foram perguntados sobre eventos ocorridos no último ano. O pé doloroso pode apresentar prejuízos adicionais para a saúde dos idosos, constituindo um sério problema para o envelhecimento.

 

CONCLUSÃO

A prevalência de incapacidade funcional foi alta nos idosos avaliados, e se correlacionou significativa e independentemente com a intensidade da dor no pé ao movimento, com o nível de independência funcional para as atividades instrumentais da vida diária, e com a funcionalidade da marcha/equilíbrio e risco de queda.

 

AGRADECIMENTOS

Pelas valiosas contribuições neste estudo, agradecemos à Disciplina de Medicina Interna e Terapêutica, ao Centro Cochrane do Brasil, e ao Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) / Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, SP.

 

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Endereço para correspondência:
Dra. Sabrina Canhada Ferrari Prato
Rua João Huss, 200/103 – Gleba Palhano
86050-490 Londrina, PR
Fones: (11) 9957-8849 / (43) 8813-8441
E-mail: sabrinacferrari@yahoo.com.br

Apresentado em 10 de outubro de 2011.
Aceito para publicação em 27 de janeiro de 2012.

 

 

* Recebido do Instituto de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, SP.