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Revista Dor

Print version ISSN 1806-0013

Rev. dor vol.13 no.3 São Paulo July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-00132012000300009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Avaliação do hábito intestinal em pacientes com câncer que utilizam morfina para o controle da dor*

 

 

Michela Cynthia da Rocha MarmoI; Eliana Maria Monteiro CaranII; Fabiola Castelo Branco PutyIII; Mauro Batista de MoraisIV

IMestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM); Chefe do Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira. Recife, PE, Brasil
IIProfessora Adjunta do Setor de Oncologia Pediátrica da Disciplina de Especialidades do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM). São Paulo, SP, Brasil
IIIMestranda da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM); Médica Oncologista do Grupo de Oncologia Pediátrica. São Paulo, SP, Brasil
IVProfessor Associado Livre Docente da Disciplina de Gastroenterologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM). São Paulo, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Há poucos dados na literatura sobre constipação intestinal secundária ao uso de morfina em pacientes com câncer. O objetivo deste estudo foi avaliar o hábito intestinal de pacientes com câncer em uso de morfina.
MÉTODO: Estudo prospectivo, não aleatório, realizado no período de fevereiro a novembro de 2007. Todos os pacientes tinham câncer, idade superior a quatro anos e utilizavam morfina para o controle da dor. Após 24h do início da morfina os pacientes receberam laxantes. A avaliação do hábito intestinal foi realizada através de um questionário estruturado. Quando necessário, foi realizado desimpactação das fezes por via retal ou oral.
RESULTADOS: Foram admitidos 22 pacientes com câncer e idade entre cinco e 35 anos (média 16,7 anos), dos quais 63,6% estavam em cuidados paliativos. Na primeira semana de uso morfina e lactulona, 40,9% dos pacientes ficaram constipados. Na segunda e terceira semanas, a constipação ocorreu em 38,8% e 16,6%, respectivamente. Com o tratamento adotado foi possível controlar o quadro de constipação em 50% dos casos.
CONCLUSÃO: A constipação intestinal foi frequente; entretanto, a atenção específica ao hábito intestinal destes pacientes aumentou a adesão aos laxantes e reduziu a formação do fecaloma.

Descritores: Constipação intestinal, Dor, Morfina, Neoplasia.


 

 

INTRODUÇÃO

A dor é uma manifestação frequente no paciente oncológico, sendo considerado o sintoma mais prevalente e incapacitante nessa população, especialmente no caso de metástases ou recidivas1,2. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza o uso de morfina para tratamento da dor moderada a intensa no paciente com câncer3. Entretanto, o tratamento com morfina, apesar de eficaz, é frequentemente associado a efeitos colaterais, como constipação intestinal4,5. Há poucos dados na literatura sobre constipação intestinal secundária ao uso de morfina na população oncológica pediátrica, mais comumente estudado em adultos6. No entanto, ao estudar os efeitos adversos da morfina em 122 crianças brasileiras com câncer7, os autores observaram que 72,9% dos casos apresentaram constipação intestinal. Apesar de ser uma manifestação relativamente comum em pacientes que utilizam opioides, ela é agravada por vários outros fatores como desnutrição, desidratação, uso concomitante de outros medicamentos, fatores esses presentes especialmente nos pacientes oncológicos metastáticos e em fase de cuidados paliativos8.

A obstipação intestinal apresenta-se como um desafio na prática oncológica, pois é frequentemente negligenciada pelos profissionais de saúde e cuidadores, embora esteja associada a uma série de outros sintomas, como desconforto, dor abdominal, náusea, vômitos, impactação fecal com ou sem lesão traumática anal4,5, que invariavelmente impactam na saúde global e qualidade de vida do paciente oncológico, além de aumentar o uso de outros medicamentos para alívio ou tratamento sintomático dos sintomas e complicações, e os custos relacionados a essas intervenções.

Considerando a relevância do assunto e que a experiência no tratamento da constipação intestinal induzida por opioides em crianças é escassa foi realizado este estudo, cujo objetivo foi avaliar o hábito intestinal de pacientes com câncer em uso de morfina.

 

MÉTODO

Estudo de coorte prospectivo, não aleatório, com braço único, realizado no período de fevereiro a novembro de 2007 em pacientes oncológicos acompanhados no ambulatório de dor do Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) da Universidade Federal de São Paulo-SP. Foram elegíveis para o estudo pacientes com câncer, e em uso de morfina há pelo menos uma semana, indicada para controle da dor relacionada à neoplasia de base, com idade mínima de quatro anos. Proibiu-se a inclusão de pacientes com instabilidade clínica. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCL) foi obtido de todos os pacientes/responsáveis.

O hábito intestinal dos pacientes incluídos no estudo foi avaliado antes da admissão no estudo, 72h após a admissão e posteriormente, nas semanas 1, 2 e 3, dependendo do tempo que permaneciam em uso do analgésico.

Segundo critérios da literatura, considerou-se constipação intestinal: eliminação de fezes duras, na forma de cíbalos, seixos, cilíndricas com rachaduras; ou presença de dificuldades, dores para evacuar; ou diminuição do número de evacuação por semana (< 3 vezes) ou eliminação de fezes volumosas que entopem o vaso sanitário; ou evidências clínicas de impactação fecal.

As indicações do uso e retirada de morfina, doses iniciais e ajustes de doses, foram estabelecidos de acordo com protocolo de tratamento de dor utilizado na rotina do IOP. A dose inicial da morfina foi de 0,3 mg/kg/dose, a cada 4 horas, administrado por via oral.

Após 24h do início da morfina, os pacientes iniciaram tratamento com um laxante osmótico: solução de lactulose xarope, na apresentação de 667 mg/mL, na dose de 1 mL/kg/dia até o máximo de 60 mL, divididas em duas doses. Nos pacientes que apresentavam constipação antes do início da morfina foi utilizado o dobro da dose de lactulose, ou seja, 2 mL/kg/dia, até o máximo de 60 mL por dia.

A presença de fecaloma foi sistematicamente investigada através do exame físico ou, quando necessário, de radiografia simples de abdômen. O tratamento do fecaloma com desimpactação das fezes foi realizado por via oral com polietilenoglicol 3350 (PEG 3350, Muvinlax®), 1,5 g/kg/dia durante três dias (dose máxima de 100 g/dia), ou por via retal utilizando solução glicerinada a 10% (10 mL/kg/dia). A desimpactação por via retal foi indicada na impossibilidade da utilização da via oral, devido a dieta suspensa ou não tolerância do PEG 3350 por via oral. Para a realização da desimpactação por via retal os pacientes deveriam apresentar contagem de plaquetas acima de 50.000/µL e mais de 500 granulócitos/µL.

Os desfechos de eficácia da intervenção com laxante foram: 1) ocorrência de evacuação no mínimo a cada dois dias, sem dor ou dificuldade para evacuar e 2) ausência de impactação fecal, durante período do uso de morfina. As análises de eficácia foram realizadas semanalmente, de acordo com tempo de permanência do paciente no estudo. Para aqueles pacientes com resposta terapêutica não satisfatória foram oferecidas opções terapêuticas de tratamento como associações de outros laxantes ou substituição da morfina por outros opioides.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) sob o número 1502/2006.

 

RESULTADOS

No período do estudo foram incluídos 22 pacientes que utilizavam morfina e preencheram os critérios de elegibilidade. A idade média dos pacientes foi de 16,7 anos (de 5 a 35 anos), sendo 54% do sexo masculino. Dos pacientes avaliados, 63,6% (14/22) estavam fora de possibilidades de cura e recebiam quimioterapia paliativa (Tabela 1).

 

 

Na admissão, 27,2% dos pacientes apresentavam constipação intestinal, sendo recomendado o uso de lactulose (1 mL/kg/dia) para todos os casos. Dois pacientes necessitaram de bisacodil por intolerância a lactose. Após 72h do estudo, todos os pacientes utilizavam laxantes; no entanto, dois dos 22 casos desenvolveram fecaloma sendo realizada a desimpactação por via retal com solução glicerinada e a manutenção com laxante bisacodil (10 mg/dia), estimulante de peristaltismo.

Na primeira semana do estudo, 40,9% dos pacientes apresentavam constipação intestinal, sendo dois com fecaloma. Quatro destes nove pacientes não obedeceram à prescrição e tomaram doses inferiores da lactulose. Para os pacientes com falta de adesão ao tratamento, a dose da lactulose foi mantida e as recomendações médicas reforçadas. Para os outros quatro pacientes que evoluíram com constipação, a dose da lactulose foi aumentada para 2 mL/kg/dia.

Na segunda semana, quatro dos 22 pacientes saíram do estudo, pois o uso da morfina foi suspenso. Sete dos 18 pacientes (38,8%) que permaneceram em acompanhamento apresentavam constipação intestinal, sendo que quatro pacientes apresentaram fecaloma. A desimpactação foi realizada com PEG 3350 por via oral em dois casos e com solução glicerinada por via retal em outros dois pacientes, sendo que um desses evoluiu a óbito devido a progressão da doença de base.

Na terceira semana, a morfina foi suspensa em seis casos, dos 12 pacientes que continuaram em acompanhamento, 83% permaneceram sem constipação e 16,6% com sinais de constipação. Um dos pacientes refratários foi identificado como sem adesão ao tratamento com lactulona, sendo iniciada manutenção com PEG 3350 (0,5 g/kg/dia), com boa aceitação e resposta favorável nas reavaliações posteriores. O segundo paciente apresentou impactação fecal, que foi resolvida com solução glicerinada por via retal. A constipação intestinal neste caso foi considerada refratária ao tratamento habitual, sendo necessária a substituição do opioide. Com o uso de fentanil transdérmico, o hábito intestinal do paciente regularizou-se. Na terceira semana houve um óbito devido progressão da doença de base.

Durante o período de estudo, nove episódios de fecaloma foram diagnosticados. Em quatro pacientes que utilizaram o PEG 3350 por via oral para desimpactação das fezes a resposta foi satisfatória, antes do terceiro dia de medicação e não foram observados efeitos colaterais. Em relação ao laxante oral utilizado na manutenção com lactulose, dois pacientes apresentaram náuseas sendo realizada a troca da medicação. A tabela 2 apresenta o hábito intestinal e a formação de fecaloma.

 

DISCUSSÃO

O diagnóstico e o tratamento da constipação intestinal, nos pacientes com câncer, têm particularidades importantes. Nestes casos, vários fatores podem alterar o hábito intestinal, como a aceitação alimentar deficiente, desidratação, dificuldades para deambular, uso de inúmeras medicações, instabilidade clínica e emocional. Entre os medicamentos, a utilização de opioides desempenha papel relevante na constipação8-10. Estes aspectos tornam os portadores de câncer, um grupo com necessidade de atenção diferenciada e qualquer sinal ou sintoma de constipação deve ser considerado11,12. A complexidade da situação clínica que envolve o paciente com câncer, dificulta a obtenção de informações para o diagnóstico da causa da alteração do hábito intestinal bem como do tratamento efetivo.

O grupo de pacientes deste estudo era heterogêneo, com neoplasias de tipos histológicos variados, diferentes tempos de evolução, medicações concomitantes, doses e duração do tratamento com morfina. A maioria dos pacientes (63,6%) estava fora de possibilidade de cura e, assim, apresentou grande número de intercorrências durante o período de avaliação do hábito intestinal como infecções, progressão do tumor, perda do controle do esfíncter anal. Deve ser ressaltado que o estado clínico do paciente oncológico é dinâmico tanto em relação à doença de base, quanto às comorbidades existentes7. A constipação intestinal secundária ao uso de morfina não foge a esta regra e no presente estudo foi constatada a necessidade de acompanhamento regular e frequente do hábito intestinal.

A ocorrência de constipação intestinal é alta (40% a 60%) após o início dos opioides, independente do tipo de morfina prescrita, de liberação imediata ou lenta12. Entretanto, apesar da frequência e da dificuldade do seu tratamento, a constipação secundária à morfina é pouco valorizada pelos profissionais da saúde13,14. Não foram encontrados estudos na literatura nacional que avaliem de forma sistemática a ocorrência e a efetividade do tratamento da constipação intestinal em crianças que utilizam opioides. Os estudos com pacientes adultos são úteis15, contudo, não podem ser simplesmente extrapoladas como paradigma para crianças e adolescentes que apresentam características físicas, fisiológicas e psicológicas próprias.

Apesar do protocolo de controle da dor, utilizado no presente estudo, recomendar a prescrição dos laxantes no início do tratamento com morfina, constatou-se que apenas 36,4% dos pacientes obedeceram à prescrição. Na prática, ocorreu baixa adesão dos pacientes aos laxantes, provavelmente pela disgeusia causada pelo tratamento do câncer e pela necessidade de receber vários outros medicamentos concomitantes. Após o início deste estudo a adesão aos laxantes recomendados foi bastante satisfatória, sendo que na segunda e terceira semanas do estudo detectou-se apenas um caso de não adesão ao uso dos medicamentos. Este resultado reforça a necessidade da atenção direcionada dos profissionais da saúde, para diagnóstico, acompanhamento e tratamento da constipação intestinal causada pela morfina.

O tratamento medicamentoso utilizado neste estudo (laxantes e desimpactação fecal) obedeceu às recomendações para o tratamento de crianças com constipação crônica funcional grave de acordo com as condutas habitualmente adotadas no Brasil que são concordantes com a diretriz terapêutica norte-americana16.

Estudos demonstraram que o aparecimento de constipação intestinal ocorre entre o 4º e o 8º dia de uso de morfina12. Contudo, no presente estudo, provavelmente devido à amostra pequena de pacientes, não observou relação da constipação com o tempo de uso da morfina. A constipação intestinal secundária ao uso da morfina foi constatada em 40,9% pacientes na primeira semana, 38,8% na segunda semana e 16,6% na terceira semana. Apesar do pequeno número de pacientes, estes resultados podem ser considerados semelhantes aos da literatura internacional17,18 e são atribuídos além dos medicamentos, ao fato do estudo ser prospectivo e da atenção específica focalizada na constipação intestinal. Vale lembrar que de acordo com a literatura, constipação intestinal secundária à morfina acomete de 70% a 80% dos pacientes terminais e é de difícil controle7,13,14,19. Este estudo evidenciou que foi possível controlar a constipação da maior parcela dos pacientes. No entanto, a efetividade do programa terapêutico deve ser analisada com cautela considerando que, por razões éticas, não seria possível constituir um grupo controle. Além do mais, 40% dos pacientes apresentaram constipação apesar das medidas preventivas sugerindo a necessidade de estudos com laxantes que atuem em receptores intestinais específicos com maior efetividade e poucos efeitos colaterais20-22.

Durante o estudo, o diagnóstico clínico de fecaloma foi realizado nove vezes e a desimpactação fecal foi uma etapa difícil no manuseio dos pacientes estudados, gerando dor e desconforto. A eliminação das fezes impactadas foi realizada através de medicação por via retal ou com laxantes em altas doses por via oral. A aceitação e a eficácia deste procedimento têm importância fundamental na evolução do tratamento de manutenção com laxantes orais. A desimpactação por via retal não deve ser realizada em certas condições clínicas como leucopenia, plaquetopenia, lesão anal, imunodepressão grave e sem o consentimento prévio do paciente. Nestes casos a opção é laxante em altas doses por via oral, que neste estudo, foi utilizado com sucesso em três ocasiões. A efetividade da desimpactação por via oral utilizando PEG 3350 tem sido descrita na literatura23. Em 2006, a Sociedade Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica recomendou o uso de laxantes orais em altas doses para desimpactação fecal com a ressalva da necessidade de mais estudos na faixa etária pediátrica.

Em um dos pacientes avaliados a constipação intestinal foi refratária ao tratamento, sendo necessária a troca da morfina pelo fentanil transdérmico na terceira semana. A substituição de um opioide por outro deve ser considerada para o controle dos efeitos colaterais refratários ou intoleráveis24. A escolha do fármaco que substituirá a morfina varia de acordo com a experiência e disponibilidade dos diferentes centros médicos. Os opioides agonistas do receptor µ possuem o mesmo mecanismo de ação; entretanto, apresentam diferenças na farmacodinâmica na afinidade pelo receptor o que poderia explicar as diferenças na analgesia e nos efeitos colaterais25.

Não obstante, o uso regular de laxantes osmóticos e estimulantes em doses adequadas proporcionou melhora dos sintomas relacionados à constipação intestinal em 50% dos pacientes o que está de acordo com a literatura26,27. Em três semanas de acompanhamento foi possível avaliar o perfil do hábito intestinal dos pacientes que utilizaram morfina confirmando a alta frequência da constipação, dificuldade do seu controle e a necessidade de um protocolo multidisciplinar organizado para o diagnóstico, prevenção e tratamento da constipação secundária à morfina.

O tratamento profilático precoce com laxantes, orientações e o periódico acompanhamento, provavelmente reduzem as ocorrências da constipação intestinal grave com impactação fecal. São necessários estudos controlados com maior número de casos para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes, multiprofissionais que reduzam o sofrimento dos pacientes com câncer que necessitem utilizar a morfina.

 

CONCLUSÃO

A constipação intestinal foi frequente nos pacientes que utilizaram morfina, entretanto, o protocolo com atenção específica à constipação intestinal aumentou a adesão dos pacientes aos laxantes e consequentemente reduziu a probabilidade de formação do fecaloma.

 

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Endereço para correspondência:
Profª. Dra. Eliana M.M. Caran
Rua Botucatu, 743 - Vila Clementino
04023-062 - São Paulo, SP
Fone: (11) 5080-8400 - Fax: (11) 5080-8480
E-mail: iopepm@graacc.org.br

Apresentado em 11 de abril de 2012.
Aceito para publicação em 26 de agosto de 2012.

 

 

* Recebido da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Departamento de Pediatria - Instituto de Oncologia Pediátrica. São Paulo, SP.

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