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Revista Dor

Print version ISSN 1806-0013

Rev. dor vol.13 no.3 São Paulo July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-00132012000300013 

ARTIGO DE REVISÃO

 

O uso da estimulação elétrica nervosa transcutânea na disfunção temporomandibular*

 

 

Eduardo GrossmannI; Joseane Steckel TambaraII; Thiago Kreutz GrossmannIII; José Tadeu Tesseroli de SiqueiraIV

IProfessor Associado, Doutor, Responsável pela Disciplina de Dor Craniofacial Aplicada à Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Diretor do Centro de Dor e Deformidade Orofacial (CENDDOR). Porto Alegre, RS, Brasil
IICirurgiã-Dentista Graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil
IIIGraduando em Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Porto Alegre, RS, Brasil
IVProfessor Doutor, Supervisor da Equipe de Dor Orofacial, Divisão de Odontologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A disfunção temporomandibular (DTM) é um termo que descreve um grupo de doenças que afetam funcionalmente o aparelho mastigatório, particularmente a musculatura mastigatória e a articulação temporomandibular (ATM). Tem etiologias múltiplas e tratamentos específicos, entre os quais a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS). O objetivo deste artigo é o de revisar a literatura científica sobre o uso da TENS em pacientes com DTM.
CONTEÚDO: Estudos epidemiológicos mostram que aproximadamente 75% da população apresentam algum sinal de DTM, enquanto 33% possuem ao menos um sintoma. Sempre que possível deve-se tratar a causa da dor, caso não se consiga estabelecer a sua etiologia, inicia-se com procedimentos menos invasivos e reversíveis, especialmente nos casos de dor e disfunção muscular. A terapia com TENS consiste na administração de corrente elétrica na superfície cutânea, de modo a relaxar os músculos hiperativos e promover o alívio da dor.
CONCLUSÃO: Embora existam controvérsias quanto ao uso de TENS para o controle da dor crônica, seu uso na dor muscular mastigatória continua relevante. Entretanto, é fundamental o diagnóstico preciso para evitar uso inadequado. São necessários ainda estudos randomizados controlados que incluam amostras selecionadas para homogeneizar o uso de TENS em pacientes com DTM.

Descritores: Disfunção temporomandibular, Estimulação elétrica nervosa transcutânea, Dor miofascial, Dor orofacial, Pontos-gatilho.


 

 

INTRODUÇÃO

A disfunção temporomandibular (DTM) é um termo genérico que descreve um grupo de afecções ou doenças que envolvem a musculatura mastigatória, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas1.

Estudos epidemiológicos demonstram que aproximadamente 75% da população apresentam algum sinal de DTM, enquanto 33% possuem pelo menos um sintoma2. Somente uma parcela da população apresenta problemas graves o bastante para procurar tratamento clínico.

A combinação de diferentes sinais e sintomas em uma classificação apropriada das DTM serve de auxílio para a obtenção de um adequado diagnóstico. As classificações amplamente utilizadas para a investigação clínica são propostas pela Academia Americana de Dor Orofacial (AAOP) e por Critérios de Diagnóstico para Pesquisa de Disfunções Temporomandibulares (RDC/TMD)3, embora outras classificações sejam sugeridas e utilizadas.

Uma variedade de sintomas pode ser agrupada na DTM, sendo a dor, predominantemente nos músculos envolvidos na mastigação, um dos mais comuns4. O quadro clínico sugestivo de DTM geralmente inclui alteração ou limitação dos movimentos mandibulares, dor facial, de cabeça ou cervical e ruídos articulares. Sintomas como dor de cabeça e na orelha, tontura e problemas de audição podem estar associados com DTM5. Além disso, pacientes com DTM crônica frequentemente relatam sintomas de depressão, má qualidade do sono e baixa disposição6.

O manuseio preliminar da DTM presume que sejam descartadas doenças sistêmicas e com risco à vida. Para isso, é necessário um correto diagnóstico diferencial e a determinação precisa dos agentes etiológicos envolvidos em cada grupo específico.

Muitos estudos têm demonstrado o efeito de alguns recursos terapêuticos que podem reduzir a dor e restabelecer a função dos músculos mastigatórios7. Sob esse aspecto, a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) merece atenção especial, pois é segura e permite a redução da dor e diminuição da atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos mastigatórios em repouso e em pacientes com DTM7. Há diversos estudos sobre os efeitos da terapia com TENS8-10.

O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura sobre a aplicação da TENS nas DTM.

A fim de encontrar os artigos apropriados e relevantes dessa revisão de literatura, os seguintes termos foram combinados: "dor miofascial", "trigger points," "TENS", "transcutaneous electrical nerve stimulation", "orofacial pain", e "estimulação elétrica nervosa transcutânea".

Nessa estratégia de busca foram empregadas as seguintes bases de dados: BBO, Cochrane, LILACS, Medline, no período de 1989 a 2011, suplementada por pesquisa manual em revistas e capítulos de livros. Essa pesquisa foi realizada em humanos e animais, limitada ao idioma português e inglês.

 

ETIOPATOGENIA DAS DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES

Múltiplos fatores podem influenciar a evolução da DTM, tais como hiperatividade muscular, traumatismo, estresse emocional e má oclusão, juntamente com uma série de fatores predisponentes que podem ativar ou perpetuar a disfunção11.

A importância de aspectos oclusais como fatores etiológicos ou de risco para DTM tem sido amplamente investigada durante os últimos anos. Tratamentos oclusais como ajuste oclusal na dentição natural, tratamento ortodôntico e aparelho oclusal foram, em grande parte, utilizados com base no princípio de que contatos oclusais desfavoráveis poderiam levar a alterações neuromusculares12. A relação causa e efeito entre oclusão e DTM é considerada fraca ou inexistente, com base em dados epidemiológicos e revisões sistemáticas13.

Sabe-se que, os músculos esqueléticos são fontes importantes de dor, geralmente difusa e subdiagnosticada; variando desde a dor pós-exercício à síndrome dolorosa miofascial. Nesse último caso podem ser formadas áreas de hiperirritabilidade, chamados pontos-gatilho miofasciais (PGM), que são locais sensíveis presentes em bandas musculares, tendões ou ligamentos14, capazes de produzir dor local ou referida com um padrão característico15. Esses pontos, quando presentes nos músculos da mastigação, relacionam-se diretamente com as manifestações de DTM, como observado em revisão sistemática16 na qual a dor miofascial foi o diagnóstico mais comum na população de pacientes estudados.

Em uma série de 86 pacientes com bruxismo, os autores17 encontraram 89,6% com sintomas de DTM. Logo, infere-se que o bruxismo também pode contribuir para o desenvolvimento das DTM18,19.

Atualmente, grande parte dos autores defende a ideia de uma etiologia multifatorial para a maioria das DTM. Particularmente na dor muscular, tendo em vista que a sua etiologia não foi totalmente elucidada até hoje, tratamentos conservadores e reversíveis são preconizados como o padrão para reduzir a dor e a tensão muscular nesses pacientes20.

 

TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES

Pesquisadores concordam que deve haver cautela na recomendação de tratamentos invasivos e irreversíveis, principalmente no manuseio inicial das DTM21. Há uma série de terapias não invasivas e reversíveis que, nesses casos, úteis no controle da dor da maioria dos pacientes com essa disfunção22, particularmente as funcionais ou idiopáticas.

O alívio da dor é a maior razão pela qual os pacientes procuram o cuidado profissional. Na ausência de uma clara compreensão do significado da DTM, ela tem sido tratada como uma síndrome que afeta o aparelho mastigatório e isso reduz o tratamento a procedimentos comuns, muitas vezes iatrogênicos23.

O manuseio das DTM pode ser simples ou exigir abordagem multidisciplinar. Cirurgiões-dentistas, médicos, psicólogos e fisioterapeutas trabalham em conjunto para enfrentar tal condição que aflige os pacientes. O tratamento clínico é considerado o de primeira escolha24. Numerosos métodos fisioterápicos são efetivos no tratamento das DTM, tais como calor úmido, ultrassom, TENS, micro-ondas, laser, exercícios e técnicas de terapia manual6. Esses objetivam diminuir os efeitos da carga e dor musculoesquelética; reduzir a inflamação, restaurar a função articular normal (força, movimento e resistência) e facilitar o retorno às atividades do cotidiano25.

Os pacientes com DTM podem utilizar, além de dispositivos interoclusais (DIO), medicação, acupuntura, quiropraxia, técnicas fisioterápicas como relaxamento, TENS e biofeedback, entre outras modalidades. Um considerável subgrupo de pacientes com DTM crônica não responde aos DIO, sendo que também não há um amplo consenso profissional em relação à maioria dos tratamentos eficazes para esses pacientes26. Além disso, os pacientes com DTM não buscam uma única forma de tratamento para sua dor e, via de regra, possuem maior propensão do que aqueles sem DTM para receber uma variedade de formas de cuidados médicos e odontológicos27.

 

A UTILIZAÇÃO DA TENS NO MANUSEIO DA DOR

A terapia com TENS consiste, basicamente, no uso de aparelho que administra corrente elétrica de baixa voltagem, pulsada, em forma de onda bifásica, simétrica ou assimétrica balanceada com uma semionda quadrada positiva e um pico negativo28. Quando aplicada na superfície cutânea através de eletrodos, têm como objetivo relaxar os músculos hiperativos e promover o alívio da dor29. Existem diferentes tipos de aparelhos disponíveis no mercado nacional e não se sabe se apresentam uma uniformização.

Há diferentes formas de frequência, intensidade e duração de pulso. Classificam-se em dois grupos: a com alta frequência, maior de 50 Hz e a de baixa frequência, menor de 10 Hz. Os usados em odontologia geralmente são mistos, com corrente de baixa e alta frequência. No caso de alta frequência, 50 a 150 Hz, e baixa intensidade a ação parece ser essencialmente central, embora os estudos sejam controversos sobre sua ação na dor crônica. A baixa frequência tem ação essencialmente periférica, sendo a indicada para relaxamento muscular. Quando se realiza o ajuste da intensidade, devem-se evitar contrações musculares, procurando obter-se hipoestesia, ou parestesia na região tratada, regulando o aparelho conforme a sensibilidade do paciente. Pesquisas indicam que intensidades que variam de 10 a 30 miliampéres são as mais adequadas, produzindo poucas fasciculações. Recomenda-se como tempo de pulso valores entre 40 e 75 microsegundos30.

O uso da TENS em odontologia visa o controle da dor crônica, em casos selecionados31 e o relaxamento dos músculos mastigatórios32. Certos autores7 observaram que, em repouso, indivíduos com DTM muscular apresentam maior atividade mioelétrica dos músculos levantadores da mandíbula que o grupo controle, sendo mais evidente na porção anterior do músculo temporal. Quando empregaram a TENS, essa promoveu o alívio da dor com redução simultânea na atividade mioelétrica na porção anterior desse músculo em repouso. Os mesmos autores7 postulam que o aumento da amplitude eletromiográfica dos músculos levantadores da mandíbula em repouso deve-se provavelmente a interações sensório-motoras do segmento crânio-facial pode modificar a geração de potenciais de ação e, finalmente, a amplitude da atividade mioelétrica.

Os efeitos da TENS, no entanto, baseiam-se em diferentes bases teóricas: a estimulação direta dos nervos motores faz com que os músculos mastigatórios executem contrações rítmicas. Esse movimento repetitivo dos músculos esqueléticos, juntamente com o seu leve movimento rítmico, aumenta a circulação sanguínea local e assim reduz o edema intersticial e o acúmulo tecidual de metabólitos nocivos. Dessa forma, a dor é reduzida, aumentando a disponibilidade energética de radicais fosfatos, diminuindo a hipóxia muscular e a fadiga dos músculos da mastigação33.

Outra base teórica para a eletroanalgesia foi publicada em 1965, através da teoria do portão da dor34. Essa teoria propõe que há um portão no corno dorsal da medula espinal que regula a entrada nociceptiva através de fibras nervosas aferentes de pequeno diâmetro. Essa pode ser contrabalançada, ou mesmo anulada, por estímulos táteis, de pressão e/ou através de corrente elétrica30 sobre fibras de largo diâmetro o que resulta em inibição do estímulo nociceptivo a estruturas espinais e supraespinais e o portão pode ser efetivamente fechado. Portanto; a TENS agiria envolvendo mecanismos periféricos e centrais34.

A TENS é considerada uma modalidade terapêutica relativamente econômica, segura e não invasiva e que pode ser usada para tratar uma variedade de condições dolorosas29. Os eletrodos podem ser de silicone com aplicação de gel entre o mesmo e a pele, ou ser do tipo autoadesivo. Posicionam-se na origem da dor, ou o mais próximo possível do local de maior algia; dentro do mesmo dermátomo, miótomo e sobre pontos-gatilho miofasciais ou nos pontos de acupuntura. Há também a opção de colocá-los no trajeto dos nervos periféricos envolvidos na gênese e/ou manutenção da dor. O que determina os seus posicionamentos são os resultados obtidos frente à dor35.

Alguns estudos têm demonstrado a efetividade do uso da TENS no tratamento das DTM, seja combinada a outras terapias, seja através de melhora da funcionalidade do sistema estomatognático. Nesse sentido, certas pesquisas36 relatam que indivíduos com DTM apresentam hiperatividade dos músculos mastigatórios com a mandíbula em repouso e isso pode causar isquemia, fadiga muscular, distúrbios funcionais e dor. Também tem sido enfatizado que a mialgia seria causada por uma reação local inflamatória asséptica no tecido conjuntivo. Essa condição, que alia hiperatividade muscular e dor, pode sofrer remissão espontânea ou, então, tornar-se crônica, resultando em aumento da tensão muscular e, consequentemente, em perda da funcionalidade. Isso foi evidenciado em uma pesquisa21, na qual foi avaliada a amplitude de movimento mandibular em pacientes com DTM, submetendo-os a tratamentos como laserterapia de baixa frequência ou TENS. Verificou-se que ambos os tratamentos promoveram a melhoria da abertura bucal imediatamente após terapia sendo que a TENS apresentou melhoria significativa (p < 0,01). Esses autores21 sugerem então que ambas as terapias podem ser empregadas de forma adjuvantes em alguns tipos de DTM.

A redução da atividade mioelétrica dos músculos levantadores da mandíbula em repouso, como resultado da TENS, foi previamente descrita8-10. Um estudo piloto foi desenhado21 para comparar o biofeedback eletromiográfico e a TENS em pacientes com bruxismo. Nesse estudo ambos os tratamentos conduziram ao relaxamento local dos músculos mastigatórios, sendo que houve redução dos níveis eletromiográficos estatisticamente significativo para o grupo que envolveu o músculo masseter após o uso da TENS.

Um estudo15 observou que 95,3% dos pacientes com dor facial idiopática persistente têm pelo menos um músculo com alteração do seu tônus em repouso, determinado pelo exame eletromiográfico. Após 45 minutos da TENS, esses valores voltaram para um padrão de normalidade. Esse mesmo estudo concluiu que o uso da TENS juntamente com o uso de DIO leva a mandíbula para uma nova posição espacial. Essa nova oclusão determina um aumento significativo em qualidade e quantidade de força de mordida, revelando melhor eficiência da função muscular em, pelo menos, 25% (p < 0,05) para a maioria dos músculos avaliados, além da eficácia desse dispositivo na redução da dor15.

Outros autores37 também investigaram a terapia combinada de placa oclusal com TENS sobre pacientes com DTM e bruxismo. Os resultados desse estudo indicaram uma forte associação entre bruxismo e DTM, em conformidade com certos estudos38. Sessenta porcento dos pacientes com bruxismo avaliados apresentaram DTM. Porém, observaram-se que as placas oclusais e TENS não melhoraram os sinais e sintomas das DTM, divergindo a esse respeito com outras pesquisas que consideram o uso de placas oclusais em bruxistas39 e não bruxistas40 ser o melhor tratamento para indivíduos com DTM.

Foi realizada uma investigação41 a respeito da influência de terapia com placas oclusais e fisioterapia combinada com TENS sobre transtornos craniomandibulares através do Index Craniomandibular (CMI). Esse índice mede objetivamante a gravidade dos problemas no movimento mandibular, ruído articular, sensibilidade muscular e articular. Nesse estudo, a observação de sinais e sintomas de distúrbio craniomandibular diminuiu significativamente (p < 0,001) durante as 6 semanas do uso de placas oclusais, fisioterapia e TENS em 83% dos pacientes avaliados. Concluiu-se que a sua combinação pode ser uma escolha reversível de tratamento.

Uma revisão sistemática29 foi realizada avaliando a eficácia analgésica da TENS. As conclusões obtidas questionam a sua eficácia como tratamento isolado para a dor aguda em adultos. Os dados desse estudo mostraram-se insuficientes em função do preenchimento incompleto das formas de tratamento por muitos dos estudos preteridos, tornando a interpretação e análise impossível de ser replicada.

Uma pesquisa35 foi realizada entre 1975 e 1990 empregando uma revisão de 25 estudos, sobre a eficácia da TENS no alívio de diferentes tipos de dores. Concluíram que tal terapia pode ser empregada como adjuvante no controle da dor. Mencionam, ainda, ser difícil comparar as pesquisas envolvendo a TENS, uma vez que existem grandes diferenças no modelo experimental empregado, assim como na metodologia, número médio de pacientes ser menor nos estudos considerados como eficazes, o que teoricamente diminuiria sua significância.

Devido às características específicas do aparelho mastigatório, o uso da TENS em dor e disfunção mandibular também deve ser realizado visando essas particularidades. Nesse sentido são necessários estudos controlados em amostras homogêneas de pacientes com DTM, de modo a confirmar os aspectos benéficos dessa terapêutica no controle da dor no segmento craniofacial.

 

CONCLUSÃO

O uso da TENS é uma das possibilidades de tratamento para dor e DTM, em pacientes devidamente selecionados. Dada a variabilidade dos grupos de DTM, são necessários estudos controlados randomizados em populações específicas para identitificar os pacientes e afecções responsivas a esse tipo de tratamento. Além disso, também é necessário identificar as síndromes álgicas faciais em que o uso da TENS como terapia adjuvante pode ser benéfica. No momento atual, a escolha quanto ao uso da TENS recai, principalmente, na experiência clínica e em seu manuseio pelo profissional da saúde.

 

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Endereço para correspondência:
Dr. Eduardo Grossmann
Rua Coronel Corte Real, 513
90630-080 Porto Alegre, RS
Fone: (51) 3331-4692
E-mail: edugrmnn@terra.com.br

Apresentado em 30 de novembro de 2011.
Aceito para publicação em 25 de abril de 2012.

 

 

* Recebido do Centro de Dor e Deformidade Orofacial (CENDDOR). Porto Alegre, RS.

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