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Revista Brasileira de Ensino de Física

Print version ISSN 1806-1117On-line version ISSN 1806-9126

Rev. Bras. Ensino Fís. vol.38 no.4 São Paulo  2016  Epub Oct 17, 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1806-9126-RBEF-2016-0197 

Seção Especial - Ondas Gravitacionais

A teoria da relatividade de Einstein apresentada para a Amazônia

Einstein's theory of relativity presented to Amazonia

Luís Carlos Bassalo Crispino1  * 

Marcelo Costa de Lima1 

1Faculdade de Física, Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil

RESUMO

Neste artigo tratamos da introdução da teoria da relatividade de Einstein na Amazônia brasileira, o que ocorreu por ocasião da passagem dos cientistas britânicos Andrew C. D. Crommelin e Charles R. Davidson por Belém do Pará, antes e depois das medidas por eles realizadas em Sobral, no Ceará, durante o eclipse total do Sol de 29 de maio de 1919.

Palavras-chave: Relatividade; Eclipse de 29 de maio de 1919; Amazônia

ABSTRACT

We report the introduction of Einstein's theory of relativity in the Brazilian Amazonia, that happened during the passage by the city of Belém, in the state of Pará, of the British scientists Andrew C. D. Crommelin and Charles R. Davidson, prior and after the measurements performed by them in the city of Sobral, in the state of Ceará, during the total solar eclipse of May 29, 1919.

Keywords: Relativity; May 29 1919 Eclipse; Amazonia

Os fatos relacionados às medições realizadas na cidade de Sobral, no Ceará, durante o eclipse do Sol ocorrido em 29 de maio de 1919, e à comprovação da teoria da relatividade geral de Albert Einstein, já foram bastante explorados na literatura brasileira (cf., e. g., [113]) e estrangeira (cf., e. g., [1420]).

Menos conhecido, no entanto, é o fato de que os cientistas britânicos que efetuaram estas medidas, o irlandês Andrew Claude de la Cherois Crommelin e o inglês Charles Rundle Davidson, passaram pela Amazônia antes e depois de sua estada em Sobral, embora isso tenha sido registrado nos artigos publicados à época [21,22].

Durante sua passagem pela Amazônia, antes de sua ida a Sobral, foi publicada a tradução para o português de um artigo de autoria destes dois britânicos no jornal belenense “Estado do Pará” [23], conforme foi descrito recentemente na literatura [24,25]. Além deste fato, o que tem permanecido basicamente sem registro até o presente são os acontecimentos relacionados à sua segunda passagem pela Amazônia, após a relização das medidas durante o eclipse, por ocasião do seu retorno para a Inglaterra e, em particular, uma entrevista concedida por Crommelin e Davidson ao mesmo jornal “Estado do Pará”, sobre os acontecimentos em Sobral, publicada em 03 de agosto de 1919 [26].

Neste artigo, tratamos dos acontecimentos relacionados com a passagem pela Amazônia da expedição britânica associada ao eclipse total do Sol de 1919, e de como as ideias da relatividade einsteiniana foram divulgadas na ocasião.

Após sua primeira chegada ao porto de Belém (cf. Fig. 1), a bordo no navio a vapor Anselm, da Companhia Booth Line, proveniente da Inglaterra, Crommelin e Davidson decidiram permanecer a bordo daquele navio, em sua viagem de ida e volta até a cidade de Manaus1.

Figura 1 Porto de de Belém, figurando em um cartão postal contemporâneo à época da visita de Crommelin e Davidson à Amazônia. Coleção de Luís C. B. Crispino. 

Retornando a Belém, permaneceram alguns dias na cidade, antes de seguir viagem para Sobral, no Ceará. Durante esta permanência na capital paraense, o jornal “Estado do Pará” publicou no dia 20 de abril de 1919 [23], em sua primeira página (cf. Fig. 2), acompanhada de uma foto do busto de Crommelin e outra de Davidson, a tradução de um texto escrito pelos britânicos (que não falavam português [28]), onde é explicado os objetivos de sua visita ao Brasil, incluindo a realização de medidas que poderiam permitir a verificação experimental da teoria da relatividade de Einstein.

Figura 2 Primeira página do jornal “Estado do Pará”, publicada no dia 20 de abril de 1919 (domingo de Páscoa), contendo a tradução para o protuguês do artigo escrito por Crommelin e Davidson [25]. Vê-se impressa a foto dos autores daquele artigo. Cortesia da Biblioteca Pública do Pará, Belém. 

Destacamos a seguir, alguns trechos deste texto, adaptado para o português atual, e com a inserção de algumas notas explicativas. Com título “O próximo eclipse total do Sol”, o texto é iniciado da seguinte forma [23]:

“Nos eclipses totais dos últimos cinquenta anos a atenção dos observadores se tem ocupado com a forma, a estrutura e a composição química da ‘corona’ [do Sol] (…).”

Em seguida, é esclarecido que, desta vez, as instruções dos britânicos eram para, no eclipse de 29 de maio de 1919, que fossem aplicados

“(…) de preferência todos os seus esforços na solução de um novo problema que muito está interessando agora os círculos astronômicos.”

Na sequência, o texto é direcionado para prestar alguns esclarecimentos sobre a relatividade de Einstein e sobre a importância das medidas que seriam efetuadas durante aquele próximo eclipse total do Sol:

“Costumava-se considerar aquela ‘luz’, que dos corpos celestes se transmite aos nossos olhos, por meio de ondas, através do Éter que ocupa todo o espaço2, como de uma natureza tão impalpável, tão imaterial, que escapava à força da gravidade, a que está sujeita, por exemplo, uma bala ao ar, descrevendo primeiro uma curva e caindo depois em terra. Mas, por várias vezes já se reconheceu que um raio de luz carrega energia e é capaz de trabalho. Os seus efeitos são de todo em todo [sic.] inapreciáveis sobre os corpos pesados e densos existentes à superfície da Terra; mas, com relação à matéria, muito bem distribuída, contida na cauda dos cometas, a pressão da luz do Sol basta para repeli-la do mesmo com grande velocidade.

Agora os nossos matemáticos concluíram de seus estudos teóricos que um raio de luz, carregando energia, provavelmente está sujeito à força da gravidade, justamente como uma bala ao ar. Dentro de nossa esfera de observação só há um corpo celeste com bastante poder de atração para isso, isto é, para revelar a obediência a que podem ser reduzidos os raios de luz: é o Sol.

Durante os eclipses totais do Sol podem fotografar-se as estrelas mais próximas dele no firmamento, e cuja luz, por isso mesmo, passou muito perto da superfície do planeta [sic.] 3 em seu caminho para a nossa vista. O próximo eclipse será especialmente favorável por duas razões. Primeiro, porque a totalidade durará mais tempo que de ordinário, mais de cinco minutos (o que permitirá tirar muitas fotografias), e o grau de escuridão também se estenderá por mais tempo do que costuma. Segundo, e mais especialmente, porque haverá um raro e rico campo de estrelas em volta do Sol em eclipse 4 . Espera-se ser possível fotografar treze estrelas na região que as chapas fotográficas podem cobrir, a qual atinge cerca de um grau ao redor do Sol. Essas estrelas já foram observadas e fotografadas, conhecendo-se assim exata e precisamente as suas posições. Se a atração do Sol não exercesse efeito curvativo sobre os raios de luz, as estrelas fotografadas durante o eclipse total não [sic.]5 aparecerão exatamente nas mesmas posições que nas fotografias tiradas as outras vezes. A diferença de posição é muito pequena, 7/8 de um segundo de arco para uma estrela continua [sic.] 6 à beira do Sol, e a metade daquela quantidade para uma estrela duas vezes mais distante do centro do mesmo, ou 1/4 de grau fora da beira do Sol. Um segundo de arco é o ângulo compreendido por um centímetro à distância de dois quilômetros da nossa vista. É assim uma quantidade pequeníssima, mas ainda dentro, inteiramente, dos limites da medição das fotografias astronômicas de boa qualidade.

Aqueles algarismos, baseiam-se na suposição de serem os raios de luz curvados pelo Sol, como seria o caminho de uma bala no ar, se ela passasse próximo dele com a velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo). Todavia é possível que a diferencça real seja duas vezes tão grande como aquela 7. A teoria do Universo recentemente proposta pelo Sr. Einstein envolve essa dupla diferença como conseqüência. Não é possível dar-lhe pleno desenvolvimento neste artigo; bastará estabelecer que, além das três conhecidas dimensões do espaço, a saber, comprimento, largura e altura, ela apresenta o tempo como quarta dimensão. Demais disso, assim como a esfera terrestre tem um tamanho limitado, e uma pessoa, se viaja sempre para diante na superfície da mesma, voltará ao ponto de partida, assim se pinta o espaço como sendo análogo em quatro dimensões à superfície da esfera, de sorte que não pode estender-se ao infinito, mas torna a entrar em si mesmo; e assim também, se uma pessoa caminha bastante longe numa só direção, voltará ao ponto primitivo 8. A teoria de Einstein já marcou sucesso, resolvendo um problema de astronomia que permaneceu muito tempo insolúvel. O eixo maior da órbita do planeta Mercúrio avança à razão de 40 segundos [de arco] por século a mais do que foi calculado pela teoria de gravitação de Newton, mas a soma observada está exatamente de acordo com a que assinalou a teoria de Einstein 9. Se a confirmação ulterior que se está procurando se puder obter no próximo eclipse, desaparecerá uma pequena dúvida sobre a verdade da aludida teoria.

Para aumentar as probabilidades de sucesso, pois que a situação nublada do mundo [sic.] poderia causar o mau êxito completo, saíram duas expedições da Inglaterra, uma composta do Dr. A. C. D. Crommelin e do Sr. C. Davidson, para observar o eclipse de Sobral, no Ceará, e outra, formada pelo professor A. S. Edington e o Sr. E. T. Cottingham, para operar da ilha do Príncipe, na costa ocidental da África. Se um desses lugares for favorecido pelo bom tempo, será possível resolver o problema da soma total da mudança dos raios de luz das estrelas; mas, naturalmente, se prefere bom tempo em ambos os lugares, pois que assim se confirmará evidentemente a verdade do problema. Nem [sic.] outra ocasião se terá de fazer experiências sobre o assunto antes de setembro de 1922, quando haverá um eclipse visível no Oceano Índico e na Austrália 10. Mas o campo de estrelas será então muito menor que o deste ano11.

Embora as presentes expedições fossem planejadas há dois anos, era de todo em todo duvidoso se poderiam partir. Com efeito, seria isso muito difícil se o armistício viesse dois meses mais tarde do que veio 12.”

Este texto, assinado conjuntamente por A. C. D. Crommelin e C. Davidson, consistiu na introdução das ideias de Einstein sobre a sua teoria relatividade na Amazônia.

Alguns dias depois desta publicação, os britânicos deixaram Belém rumo ao Ceará, onde chegaram ao final do mês de abril, transportando consigo 32 volumes, que foram assentados na área interna do Jockey-Club da cidade cearense [28].

O diretor do Observatório Nacional, localizado no Rio de Janeiro, Henry Charles Morize [30], ou simplesmente Henrique Morize, como ficou conhecido no Brasil [12], havia estado em Sobral em março de 1919. Afim de realizar os preparativos para o eclipse de maio daquele ano, Morize chegou a Sobral em 09 de março, na companhia de Domingos Fernandes Costa, seu assistente no Observatório Nacional [31]. Morize e Costa ficaram em Sobral até o dia 18 daquele mês, quando iniciaram a viagem de retorno ao Rio de Janeiro [32].

Em visita anterior ao estado do Ceará, Morize havia participado de uma comissão do Observatório do Rio de Janeiro, motivada pelo eclipse total do Sol de 16 de abril de 189313[34]. A comissão britânica destinada à observação daquele eclipse de 1893, instalou-se na localidade cearense então denominada Pará Curu [5,35] 14.

A expedição brasileira, organizada pelo Observatório Nacional para observar o eclipse total do Sol em 1919, chegou a Sobral em 09 de maio daquele ano, no mesmo dia em que chegou também a expedição americana, organizada pelo Instituto Carnegie, de Washington, Estados Unidos da América [36].

A comissão brasileira era composta [3639] pelos seguintes membros do Observatório Nacional (cf. Fig. 3): Henrique Charles Morize 15, diretor, Domingos Fernandes da Costa e Allyrio Hugueney de Mattos, assistentes, Lelio Itapuambyra Gama, calculador, Luiz Rodrigues, auxiliar meteorologista, Arthur de Castro Almeida, ajudante de mecânico; além de Primo Flores, auxiliar (carpintaria 16) e Theophilo Henry Lee, químico do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. Henrique Morize, Domingos Costa e Allyrio de Mattos vieram acompanhados de suas esposas. O objetivo daquela expedição do Observatório Nacional era basicamente realizar medidas espectroscópicas da coroa (também denominada corona) solar.

aSegundo Rodrigues [13], é possível que a pessoa que identificamos nesta foto como Arthur Almeida seja Leocadio Araujo, que atuou como intérprete de Crommelin e Davidson. Ainda segundo Rodrigues [13], esta foto teria sido realizada durante visita da expedição brasileira ao sítio Monte, na Serra da Merouca, distante 50km de Sobral.

Figura 3 Foto da comissão brasileira organizada pelo Observatório Nacional por ocasião do eclipse de Sobral. Da esquerda para a direita, vê-se Arthur Almeida, Luiz Rodrigues, Theophilo Lee, Henrique Morize, Domingos Costa, Allyrio de Mattos, Lelio Gama e Primo Flores [37]a. Cortesia do Arquivo de História da Ciência / Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro. 

A comissão americana era composta por Andrew Thomson e Daniel Maynard Wise [36] (cf. Fig. 4). Thomson estava encarregado de medir efeitos atmosféricos durante o eclipse, tendo instalado seus equipamentos no Jockey-Club de Sobral (cf. Fig. 5) [40], enquanto que Wise estava encarregado de medir efeitos magnéticos, tendo instalado seus equipamentos a cinco metros de profundidade, no porão da casa do coronel Vicente Saboya, onde ficaram hospedados [21,36]. A equipe americana também recebeu assistência do Sr. Antonio C. Lima, que falava inglês, tendo realizado estudos nos Estados Unidos. Além de atuar com intérprete [36], o Sr. Lima chegou inclusive a realizar algumas medidas relacionadas com a eletricidade atmosférica, sob o comando de Thomson [40].

Figura 4 Participantes das expedições brasileira, britânica e americana, a Sobral. Vê-se, da esquerda para a direita, Luiz Rodrigues, Theophilo Lee, Daniel Wise, Henrique Morize, Charles Davidson, Andrew Crommelin, Allyrio de Mattos, Andrew Thomson, Domingos Costa, Lelio Gama, Antonio Lima e Primo Flores. Cortesia da Biblioteca do Observatório Nacional, Rio de Janeiro. 

Figura 5 Instalação utilizada por Andrew Thomson para medidas de condutividade [40], vendo-se a cidade de Sobral ao fundo. 

Como registramos anteriormente, os acontecimentos durante a estada das expedições brasileiras e estrangeiras em Sobral, em 1919, são bem conhecidos e já foram bastante explorados na literatura, fugindo ao escopo principal do presente artigo, de forma que sugerimos ao leitor interessado a consulta aos textos previamente publicados sobre este tema (cf., e. g., Refs. [120]).

O eclipse de 29 de maio de 1919 foi visto em Belém apenas como um eclipse parcial, com um máximo de cerca de 85% do disco do Sol ocultado pela Lua. Tanto na véspera, quanto no dia do eclipse, o jornal “Estado do Pará” noticiou entusiasticamente o fenômeno, como descrito na Ref. [25]. Também foram registrados nos jornais paraenses “Folha do Norte” e “O Imparcial” detalhes sobre a observação e a repercussão deste eclipse do Sol em Belém [24,25].

A viagem de retorno à Inglaterra de Crommelin e Davidson incluiu uma nova passagem por Belém, onde eles chegaram, à bordo do vapor “Fortaleza”, em de 28 de julho de 1919, viajando em primeira classe [41]. Na capital paraense, concederam uma entrevista ao jornal “Estado do Pará”, publicada em 03 de agosto de 1919, com a epígrafe “O grande problema astronômico - Palestra dos astrônomos ingleses Crommelin e Davidson, com o enviado especial do ESTADO” [26], que, por sua considerável relevância, peculiaridade e ineditismo, optamos por transcrever a seguir, efetuadas algumas correções de ortografia e a adaptação para o português atual, inserindo algumas notas explicativas.

“Em abril do ano corrente estiveram entre nós, de passagem para Sobral, os astrônomos ingleses, Dr. A. C. D. Crommelin e C. Davidson que, por iniciativa da Real Sociedade Astronômica de Londres, iam tentar averiguar certos fenômenos científicos, sobre os quais até o presente se têm apenas formado hipóteses.

Publicaram, então, neste jornal um interessante artigo sobre esses fenômenos, essas hipóteses e o fim de sua tão longa viagem.

Já estiveram novamente aqui esses distintos membros da Sociedade Científica de Londres, os quais seguiram a 31 do passado para o Maranhão, a bordo do vapor ‘Ceará’, e, se bem que pouco tenham podido adiantar ao que em abril escreveram, gentilmente nos concederam alguns momentos de palestra, cujo resumo é mais ou menos o seguinte:

‘Tomamos a liberdade de incomodá-los, esperando que já nos possam dizer algo de mais definido sobre o seu artigo científico no ESTADO.

—Antes de entrarmos neste assunto, permita-nos usar de sua gentileza em procurar-nos e ouvir-nos, para patentearmos nossa profunda gratidão ao Dr. Morize, diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, e distinto astrônomo brasileiro. É à sua incansável dedicação, como também, não podemos esquecer, à atividade e cavalheirismo sem par do nosso intérprete Dr. Leocadio Araujo, que devemos a maior parte dos nossos sucessos.

A casa do Dr. Saboya, deputado federal pelo Ceará, esteve também ao nosso inteiro dispor durante todo o tempo de nossa estadia em Sobral, e precisamos dizer que não nos faltaram confortos de toda a natureza enquanto nos aproveitamos do amável oferecimento.

Concluiremos asseverando que o povo brasileiro em geral achamos ser o mais hospitaleiro, o mais franco e o mais amigo que se possa desejar.

Tivemos um lugar magnífico para o assentamento de nossos instrumentos no Jockey-Club de Sobral, onde contamos com a ajuda de numerosos trabalhadores que nos foram enviados para fazerem os pedestais em que assentamos nossos telescópios.

No dia do eclipse, pareceu-nos que não lograríamos apanhar o Sol limpo [sic.], porquanto o dia amanheceu muito nublado. Felizmente, dos cinco minutos que durou a totalidade, 4 se passaram em que o Sol esteve absolutamente claro - isento de nuvens 17.

    —. Conseguiram então tirar muitas e boas fotografias?

    —. Tiramos com um telescópio 19 fotografias e com o outro 8.

    —. Provavelmente essa diferença em número foi devida à posição menos favorável do segundo instrumento?

    —. De forma nenhuma. Tiramos tão poucas fotografias com o segundo aparelho devido ser ele menos susceptível de receber a luz, sendo a sua lente de menor diâmetro e de maior potência projetiva que a do outro, devido o que precisamos de expor as chapas 1/2 minuto cada uma [cf. Fig. 6].

Figura 6 Instrumentos utilizados pela equipe britânica nas medições realizadas durante o eclipse total do Sol, em de 29 de maio de 1919. Estes equipamentos, devidamente acondicionados em caixas, desembarcaram inicialmente no Brasil, juntamente com Crommelin e Davidson, em Belém do Pará, tendo sido, em seguida, por eles conduzidos para Sobral. De acordo com Daniel Kennefick [16] no tubo quadrado da direita estava o instrumento com a lente de 4 polegadas (de menor diâmetro), enquanto que o instrumento com a lente astrográfica (de maior diâmetro), escolhida por seu amplo campo de visão, estava no tubo circular da esquerda. Cortesia do Science Museum / Science & Society Picture Library, Reino Unido. 

O que importa, porém, é que todas essas fotografias apanharam a ‘corona’ do Sol de uma maneira maravilhosa e detalhada, mostrando uma proeminência estupenda, de 200.000 quilômetros de extensão [cf. Fig. 7] 18 19 20.

Figura 7 Uma das fotografias tiradas por Crommelin e Davidson em Sobral, em 29 de maio de 1919, vendo-se (na parte inferior) a protuberância solar mencionada na entrevista com os cientistas britânicos publicada (em 03 de agosto daquele mesmo ano) no jornal “Estado do Pará”. Cortesia do National Maritime Museum, Greenwich, Londres, Inglaterra. 

A nossa questão capital, contudo, e fim principal da nossa viagem, foi fotografar as estrelas em redor do Sol, das quais apanhamos 12 bem nitidamente.

    —. Supomos que os Srs. poderão dar-nos algumas dessas fotografias.

    —. Infelizmente é impossível satisfazer já ao seu pedido, porquanto não havendo ainda tomado as medidas importantíssimas, nas nossas chapas, das quais não temos cópia alguma, vemo-nos forçados a tratar os originais como o miserável trata o seu tesouro. O jornalista não deixará de compreender a importância dos mesmos para a ciência.

    —. Obrigado. É justo. E após o eclipse deram por terminado o seu trabalho?

    —. Não, após o Sol sair do caminho tínhamos de apanhar as mesmas estrelas que fotografamos durante o eclipse.

    —. Então foi este o motivo da demora dos senhores?

    —. Sim, isto significou uma espera de sete semanas. Já antecipamos a sua pergunta e diremos que aproveitamos esse tempo para visitar Fortaleza, que nos pareceu uma boa cidade. Aí fomos hóspedes do Revmo. Padre Vassens, superior do Seminário da cidade, a convite do arcebispo.

Voltamos a Sobral em meados de julho, prontos para pegar no trabalho.

    —. Qual é a melhor hora para o trabalho que iam fazer?

    —. Costumávamos pegar entre 4 e 1/2 e 5 horas da manhã, e não largávamos senão quando já era claro demais para se poder obter boas fotografias.

    —. Conseguiram algumas boas?

    —. Sim, magníficas.

    —. E acham que vai ficar comprovada a teoria de Heinstein [sic.]?

    —. Nada podemos dizer enquanto não medirmos as fotografias, umas com as outras. Este serviço faremos com o auxílio de um micrômetro, que é um microscópio, munido de uma escala de linhas muito finas, presa a uma moldura. A marcação das distâncias é feita por meio de um parafuso muito delicado que aciona essa escala.

Em [sic.] resultado dessas medidas esperamos poder ver se a posição das estrelas nas chapas do eclipse concordam com a das outras chapas, ou se há alguma diferença.

Nenhum resultado poderá ser publicado tão cedo, porém esperamos que com nossas fotografias poderemos determinar, de uma vez para sempre, qual das três possibilidades em questão é verdadeira 21.

Se tal acontecer, consideraremos que fomos coroados de sucesso 22.

Seguimos no ‘Ceará’, e de Londres não deixaremos de remeter ao ‘ESTADO DO PARÁ’ todos os pormenores deste problema.

    —. Boa viagem e sucesso é o que sinceramente lhes desejamos.’ ”

Um trecho desta entrevista foi comentado, de modo resumido e truncado (por vezes comprometendo o seu entendimento), pelo jornal carioca “Correio da Manhã”23.

Após concederem esta entrevista, Crommelin e Davidson deixaram Belém, a bordo do vapor “Ceará”, com destino ao Maranhão 24[43]. De lá, seguiram para Liverpool, na Inglaterra, a bordo do cargueiro a vapor “Polycarp”, onde aportaram em 25 de agosto [21].

Neste artigo apresentamos como a população da Amazônia brasileira tomou ciência, em 1919, das ideias de Albert Einstein, relacionadas à sua teoria da relatividade geral; na ocasião da passagem dos astrônomos britânicos Crommelin e Davidson por Belém do Pará.

A expedição astronômica de 1919 a Sobral ocorreu num período anterior à institucionalização da pesquisa científica no Brasil, o que notabiliza e distingue esta participação brasileira [25]. Henrique Morize intermediou junto às autoridades nacionais as demandas da comunidade astronômica internacional, para a realização das expedições a Sobral, propiciando o apoio logístico local necessário ao sucesso desta empreitada [12].

Estando a comunidade astronômica brasileira basicamente concentrada no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, restou à imprensa dar a conhecer, ao povo brasileiro, nas diversas partes de sua vasta extensão territorial, os fatos e a relevância do eclipse total do Sol de 1919. Em Belém, o jornal “Estado do Pará” publicou textos nos quais foram apresentadas ideias como o encurvamento da luz pelo campo gravitacional, a explicação da precessão do periélio do planeta Mercúrio, bem como considerações cosmológicas. É, assim, digno de nota o importante papel desempenhado pela imprensa da época na difusão e popularização dos avanços da ciência e da tecnologia, ilustrado neste episódio.

1De acordo com o jornal “Estado do Pará” [27], os moradores da capital paraense, o padre Manoel Tavares, José Maria MacDowell, Augusto Costa e José Augusto Oliveira, foram cumprimentar os cientistas britânicos a bordo do navio Anselm, quando de sua primeira chegada ao porto de Belém.

2A idéia de que o universo seria permeado por um fluido sutil, o “éter luminífero”, sendo a luz uma ondulação propagada através dele, remonta ao surgimento da ciência moderna com Descartes e Huygens. No início de século XIX, os experimentos de Young, Arago e Fresnel indicaram que a estrutura do éter seria mais complexa que a de um fluido. Nasceu assim uma vertente da física teórica, na qual se buscou imputar ao éter todas as ações físicas propagadas através do espaço, cuja culminância seria a teoria eletromagnética da luz, de Maxwell (1865). O programa do éter continuou a se ampliar buscando explicar a origem da própria matéria, com os átomos de vórtices etéreos, propostos por William Thomson (1867), e, posteriormente, como centros de deformação, os “elétrons” de Joseph Larmor (1896). Dizemos hoje que o advento da teoria da relatividade, em 1905, marca o ponto de inflexão na aceitação do éter, rumo ao seu abandono. É difícil, porém, estabelecer um marco temporal de quando o éter foi abandonado. Se tomarmos, por exemplo, o verbete Aether na edição de 1911 da Enciclopédia Britânica, escrito por Larmor, veremos que, na opinião do autor, o éter não é encarado como supérfluo ou em vias de extinção. O experimento de Michelson e Morley (1887) é mencionado em conexão com problemas ópticos, mas nenhuma referência à teoria da relatividade, ou a Einstein, é feita por Larmor. Crommelin e Davidson, inseridos no contexto da tradição acadêmica britânica, na transição do século XIX para o século XX, provavelmente traziam na bagagem uma concepção fortemente “eterista” da física.

3Aqui, ao invés de “do planeta”, deve ser entendido “da estrela”.

4Durante o eclipse do Sol de 29 de maio de 1919, o Sol esteve no mesmo campo visual do aglomerado aberto das Hyades, na constelação do Touro. As Hyades constituem o aglomerado aberto de estrelas com localização mais próxima ao Sistema Solar.

5Na realidade, se o Sol não exercesse nenhum “efeito curvativo” as estrelas permaneceriam nas mesmas posições que em fotografias tiradas anteriormente.

6Aqui, ao invés da palavra “continua”, seria melhor, por exemplo, “figurando”.

7Com o exemplo da bala, Crommelin refere-se ao que hoje designamos por encurvamento “newtoniano” da luz, cuja estimativa deve-se originalmente a Johann Georg von Soldner, em seu artigo intitulado “Sobre a deflexão de um raio de luz do seu movimento retilíneo, pela atração de um corpo celeste, ao qual esteja próximo” (Ueber die Ablenkung eines Lichtstrals von seiner geradlinigen Bewegung, durch die Attraktion eines Weltkörpers, an welchen er nahe vorbei geht, Berliner. Astr. Jahrb., pp. 161-172, 1801/1804.), e cujo valor do ângulo total de desvio é metade do valor predito, afinal, por Einstein, em seu artigo intitulado “Explicação da precessão do periélio de Mercúrio a partir da Teoria da Relatividade Geral”(Erklärung der Perihelbewegung des Merkur aus der allgemeinen Relativitätstheorie, Sitz. Preuss. Akad. der Wissens., pp. 831-839, 1915.). Daí Crommelin, na sequência, argumentar que poderia ser o dobro dos valores estimados para o caso da bala.

8O que Crommelin ilustra ao leitor neste ponto é um aspecto da primeira solução cosmológica das equações da relatividade geral, obtida pelo próprio Einstein no artigo intitulado “Considerações Cosmológicas sobre a Teoria da Relatividade Geral” (Kosmologische Betrachtungen zur allgemeinen Relativitätstheorie, Sitz. Preuss. Akad. der Wissens., 1, pp. 142-152, 1917.), de um universo estático homogêneo, isotrópico e fechado. Esta solução, hoje sabemos, tem apenas um valor histórico dentro do desenvolvimento da cosmologia moderna, não correspondendo ao nosso universo observável. É, de qualquer forma, um aspecto da teoria da relatividade geral não diretamente correlato ao encurvamento dos raios luminosos, os quais os experimentos de Sobral destinavam-se a medir.

9O avanço secular do periélio da órbita do planeta Mercúrio fora descoberto no século XIX, por Urbain Jean Joseph Le Verrier, sendo comunicado à Academia de Ciências de Paris, em sua “Carta do Sr. Le Verrier ao Sr. Faye sobre a teoria de Mercúrio e sobre o movimento do periélio deste planeta” [Lettre de M. Le Verrier à M. Faye sur la théorie de Mercure et sur le mouvement du périhélie de cette planète, Comptes rendus hebdomadaires des séances de L'Académie des sciences (Paris), vol. 49 (1859), pp. 379-383]. Era considerado um comportamento anômalo do movimento de Mercúrio, para o qual várias explicações, não muito satisfatórias, haviam sido propostas ao longo dos anos, inclusive a existência de um suposto planeta Vulcano, que perturbaria a órbita de Mercúrio. Ao tomar conhecimento deste fenômeno até então inexplicado, Einstein investigou o que a sua teoria tinha a dizer a respeito. Segundo A. Pais [20], a constatação de que a teoria da relatividade geral permitia explicar quantitativamente este fenômeno “sem necessidade de qualquer hipótese especial”, foi “a mais forte experiência emocional da vida científica de Einstein”. Tais resultados foram comunicados por Einstein em 18 de novembro de 1915, e publicados no artigo intitulado “Explicação da precessão do periélio de Mercúrio a partir da Teoria da Relatividade Geral”(Erklärung der Perihelbewegung des Merkur aus der allgemeinen Relativitätstheorie, Sitz. Preuss. Akad. der Wissens., pp. 831-839, 1915.)

10Referem-se os autores ao eclipse total do Sol ocorrido em 21 de setembro de 1922.

11Segundo dados apresentados por Bertotti et al. na Ref. [29], o número de estrelas cujos deslocamentos aparentes foram observados no eclipse de 1922, foi, na verdade, bem maior que aquele de Sobral e Príncipe, a saber: 92 (Campbell e Trumpler, 1923), 145 (Campbell e Trumpler, 1928), 14 (Dodwell e Davidson, 1924) e 18 (Chant e Young, 1924).

12Esta é uma referência ao Armistício de Compiègne, assinado em 11 de novembro de 1918, quando então cessaram as hostilidades das partes em conflito na frente ocidental, na Primeira Guerra Mundial.

13Segundo o periódico “A Lucta”, de Sobral, foi durante aquela sua viagem, em 1893, que Morize conhecera sua esposa [31,33]. Na Ref. [34] consta (na p. 26) uma fotografia (Acevo: MAST) alusiva ao casamento de Morize com a seguinte legenda: “Em 26 de maio de 1894, Henrique Morize casou-se com Rosa Ribeiro dos Santos, na igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador. Em 1919, comemorou as bodas de prata em Sobral, Ceará, onde Morize foi observar o eclipse total do Sol.” De acordo com Videira (Ref. [12], p. 44), naquele ano de 1893: “No caminho para Sobral, de onde o eclipse seria observado, Morize fez uma escala em Salvador, cidade onde conheceu aquela que seria sua futura mulher, Rosa Ribeiro dos Santos.”

14De acordo com a Ref. [35] (p. 568), a comissão de astrônomos do Rio de Janeiro instalou-se em um local distante algumas milhas da instalação da comissão inglesa. De acordo com Barboza [5]: “(…) Morize deslocou-se para o Ceará [em 1893] e lá se estabeleceu na foz do rio São Gonçalo, a meio caminho entre Fortaleza e Pará Curu, onde ficaram os astrônomos ingleses.”

15Henrique Morize também era professor de física experimental da Escola Politécnica do Rio de Janeiro [38,39].

16No Diário Oficial da União de 11 de agosto de 1923, consta pagamento ao Sr. Primo Flores, como carpinteiro.

17De acordo com os registros de Andrew Thomson [40], o céu estava consideravelmente nublado durante a fase inicial do eclipse, e apenas durante períodos curtos o Sol pôde ser visto sem nuvens à sua frente. No entanto, cerca de 15 minutos antes da totalidade, as nuvens teriam começado a se deslocar da frente do Sol.

18De acordo com Morize [37]: “A forma dessa imensa protuberância é a de um arco saindo de um ponto do disco com 42o de latitude S, elevando-se como uma nuvem de forma complicada no meio da coroa e vindo penetrar no disco em outro ponto de latitude 2o N. A parte central do arco alcança a altura, medida angularmente da mesma maneira, de 12' ”. De acordo com os cálculos feitos por Morize [37] “a distância, medida do bordo do disco, entre os dois pés da protuberância é de 515.500 kms, e a máxima altura alcançada pelo arco, 142.700 kms.”.

19O jornal “Correio Paulistano” [42] registrou que, de acordo com o Observatório de Meudon, a “27 de maio [de 1919], sobre o bordo SE do astro luminoso, fez bruscamente sua aparição uma protuberância de dimensões consideráveis e permaneceu durante o eclipse, mantendo-se por umas 20 horas [sic.].”Ainda de acordo com o “Correio Paulistano” [42]: “Em Williams Bay, os astrônomos do Yorkes Observatory declararam que aquela protuberância foi a maior até hoje medida e elevou-se a 310.000 quilômetros, numa largura de 547.000 quilômetros, destacando-se do disco solar sob a forma de uma nuvem gigantesca, que se elevou acima da cromosfera.”

20Esta protuberância é por vezes referida na literatura como “protuberância tamanduá” [6,30], devido ao seu formato ser semelhante ao formato característico do corpo deste animal.

21As três possibilidades em questão são: (i) a ausência do encurvamento dos raios luminosos, (ii) o encurvamento nos termos estabelecidos por Soldner e (iii) o encurvamento nos termos estabelecidos pela teoria da relatividade de Einstein.

22A este respeito, na mesma semana da publicação desta entrevista de Crommelin e Davidson no Pará, registrou o jornal “Correio Paulistano” [42]: “No Ceará a comissão chefiada pelos professores Davidson e Crommelin de Greenwich, verificou, ao que consta, o fato já admitido da pressão exercida pelas ondas luminosas sobre os corpos por elas chocados ou o ‘peso da luz’ [sic.], e procedeu a experiências tendentes a estabelecer definitivamente a hipótese da ‘relatividade’ formulada por Eustein [sic.] e que parece [estar de] acordo com as observações feitas.”

23Dos Estados. Uma entrevista com dois scientistas inglezes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 06 de agosto de 1919, p. 3.

24Registre-se que, nesta mesma viagem, seguiu a bordo do vapor “Ceará”, rumo ao Rio de Janeiro, Newton Burlamaqui de Souza Martins, bisavô da física paraense Ângela Burlamaqui Klautau.

Agradecimentos

Somos gratos a (i) Simone Maria Matos Moreira e Ranulfo Figueiredo Campos, da Biblioteca Pública do Pará, em Belém; (ii) Katia Teixeira dos Santos de Oliveira, da Biblioteca do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro; (iii) Louise Devoy e Emily Beech, dos Museus Reais de Greenwich, na Inglaterra; (iv) Shaun Hardy e Tina McDowell, da Instituição Carnegie para a Ciência, Washington, Estados Unidos da América; (v) Norma Suely Rodrigues Silva, da Secretaria de Cultura de Sobral; (vi) Emerson Ferreira de Almeida, do Museu do Eclipse, Sobral; (vii) Elisa Oswaldo-Cruz Marinho e Bruno Ribeiro da Gama e Silva de Azevedo, da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro; e (viii) Everaldo Pereira Frade e Luci Meri Guimarẽs da Silva, do Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro. Somos também gratos a Ângela B. Klautau, Antônio A. P. Videira, Chris Wise, José M. F. Bassalo, Mons. João Jorge Correa, Rodrigo Pinheiro Vaz, e à Fundação Biblioteca Nacional. Gostaríamos ainda de agradecer o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Recebido: 02 de Setembro de 2016; Aceito: 05 de Setembro de 2016

*Endereço de correspondência: crispino@ufpa.br.

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