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Jornal Brasileiro de Pneumologia

Print version ISSN 1806-3713On-line version ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.30 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132004000100013 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Linfangioleiomiomatose pulmonar*

 

 

Pedro Medeiros Junior (TE SBPT); Carlos Roberto Ribeiro Carvalho (TE SBPT)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Linfangioleiomiomatose pulmonar (LAM) é uma doença rara, de etiologia desconhecida, que basicamente afeta mulheres jovens no período fértil de sua vida. Clinicamente, manifesta-se através de dispnéia progressiva, pneumotórax de repetição, tosse seca e, menos freqüentemente, por quilotórax e escarros hemoptóicos. Essas alterações surgem devido à proliferação anormal de células de músculo liso no parênquima pulmonar, linfonodos e em outros tecidos. Mais recentemente, estudos citogenéticos verificaram a presença de mutações do gene TSC-2 em células de angiomiolipoma renal e linfonodos abdominais de pacientes com LAM, indicando uma possível origem para as lesões hamartomatosas da doença. Radiologicamente, caracteriza-se pela presença de infiltrado intersticial reticulonodular e sinais de hiperinsuflação ao radiografia de tórax. Na tomografia computadorizada de alta resolução, cistos de paredes finas, localizados centralmente, são visibilizados por todo o parênquima do pulmão. O ultrassom e a tomografia de abdome podem revelar angiomiolipomas renais e linfonodomegalias retroperitoneais. Meningeomas também podem estar associados, porém a sua presença deve sempre levar à pesquisa de esclerose tuberosa. Funcionalmente, a doença caracteriza-se por um distúrbio ventilatório obstrutivo, de caráter progressivo, com hiperinsuflação pulmonar e diminuição da difusão de monóxido de carbono. Apesar da ausência de comprovação quanto à eficácia, o principal tratamento utilizado ainda é o anti-estrogênico e constitui-se de oofarectomia, progesterona contínua, tamoxifeno e análogos de GnRH. Além desse, a realização de transplantes pulmonares tem elevado para além de dez anos a sobrevida média das pacientes.

Descritores: Linfangioleiomiomatose/etiologia. Neoplasias pulmonares.


 

 

Siglas e abreviaturas utilizadas neste trabalho:
LAM – Linfangioleiomiomatose pulmonar.
CPT – Capacidade pulmonar total
CO – Monóxido de Carbono
DCO – Dispersão do monóxido de carbono
TSC – Complexo de esclerose tuberosa
GnRh – Hormônio liberador de gonadotrofina
DPOC – Doença pulmonar obstrutiva crônica
ET – Esclerose tuberosa
ECA – Enzima conversora de angiotensina
TRH – Terapia de reposição hormonal
PCNA – Antígeno nuclear de proliferação celular
MMP-2 – Metaloproteinase de matriz de membrana tipo 2
MT1-MMP – Metaloproteinase de matriz de membrana tipo 1
HMB-45 – anticorpo anti-glicoproteína melanossômica
a-SMA – Antígeno de alfa actina de músculo liso
VEF1 – Volume expirado forçado no primeiro segundo
SNC – Sistema nervoso central
FSH – Hormônio de estimulação folicular
LH – Hormônio luteinizante
H-X – Histiocitose X
TCAR – Tomografia computadorizada de alta resolução

 

Introdução

Considerações históricas

De 1937 a 1955, três casos foram publicados (1-3) relatando mulheres que apresentavam quilotórax, linfonodomegalias mediastinais e transformação cística pulmonar associada a pneumotórax. Em 1956, Cornog e Enterline (4) publicaram uma revisão de 45 casos cujos achados eram muito semelhantes aos anteriores, denominando a síndrome de linfangiomatose pulmonar. Apesar dos relatos iniciais questionarem o potencial maligno da doença (disseminação linfática por extensão linfonodal), Cornog e Enterline acreditavam que a ausência de atipia celular e de importante atividade mitótica e o grau de organização da lesão pulmonar eram argumentos contrários a essa hipótese. Cogitaram ainda que a gênese desse processo deveria ocorrer em função de um único agente, talvez genético, que atuaria nas fibras musculares lisas dos sítios pulmonares e linfonodais. Ficava então caracterizada uma nova entidade clínica, até então restrita a mulheres em fase reprodutiva, e cuja mediação hormonal era muito provável.

 

Epidemiologia

A prevalência relatada de linfangioleiomiomatose pulmonar (LAM) é de cerca de 1/1.000.000 na Grã-Bretanha (5), França (6) e Estados Unidos (7). Contudo, a prevalência real deve ser maior, principalmente pelo grande desconhecimento que há sobre a doença, o que retarda o diagnóstico. Um recente inquérito entre pneumologistas canadenses revelou que de 118 médicos, 61 nunca haviam se deparado com um caso de LAM. Contudo, vários relatos têm sido publicados (cerca de 300 casos registrados na literatura), com uma incidência mundial estimada em 100 casos por ano (7). No Brasil, um estudo em curso nos serviços de pneumologia do Hospital das Clínicas-FMUSP, do Hospital São Paulo e do Hospital do Servidor Público Estadual tem 37 casos diagnosticados de pacientes com LAM, desde 1982, sendo que 24 encontram-se vivas e em seguimento.

 

Patologia

O pulmão na LAM caracteriza-se por progressiva transformação cística de todo o parênquima. As alterações parecem surgir basicamente pela proliferação de células atípicas de linhagem muscular lisa, em torno das estruturas bronquiolares. Isso resulta em obstrução ao fluxo aéreo, lesão da matriz de sustentação alveolar e colapso aéreo terminal. Formações bolhosas subpleurais também podem ocorrer, em grande parte das pacientes. A proliferação muscular que envolve as vênulas pode levar a bloqueio do fluxo venoso e hipertensão arterial pulmonar retrógrada (18).

O estudo microscópico das lesões revela que a arquitetura pulmonar é progressivamente alterada pela proliferação de células atípicas de linhagem muscular lisa, em torno das formações bronquiolares, vasculares e linfáticas. Segundo Bionetti et al. (9), parecem existir três formas celulares distintas na LAM: células fusiformes grandes, células fusiformes pequenas e células epitelióides (Figura 1). Esses tipos celulares apresentam imunofenotipagem distinta e, de acordo com os achados de Matsui et al. (10), também apresentam papéis distintos na patogênese da lesão pulmonar. Neste trabalho foram analisados os tecidos pulmonares de cinco pacientes antes e após o tratamento com progesterona ou citrato de tamoxifeno. As células epitelióides localizavam-se mais na periferia das lesões medulares, e apresentavam maior positividade para o anticorpo anti-glicoproteína melanossômica (HMB-45), sem, contudo, sofrer grande influência do tratamento. Por outro lado, as células fusiformes e ovalares pequenas correlacionaram-se com uma maior positividade para PCNA (antígeno nuclear de proliferação celular), MMP-2 (metaloproteinase de matriz de membrana 2) e MT1-MMP (metaloproteinase de matriz de membrana tipo 1). Esses achados foram muito mais freqüentes nas amostras pré-tratamento, sugerindo que a ativação de MMP-2 pela MT1-MMP está relacionada à ação hormonal, e pode desempenhar importante papel na destruição do tecido pulmonar. Outros trabalhos (11-12) também apontam para um desequilíbrio na degradação das fibras elásticas, resultante de maior atividade das elastases (metaloproteinases), na etiopatogenia da destruição pulmonar.

O estreitamento bronquiolar que surge pela proliferação muscular lisa gera aprisionamento aéreo, e explica parcialmente o surgimento dos cistos pulmonares. Contudo, apesar do estreitamento da luz bronquiolar gerar obstrução ao fluxo aéreo, Sobonya et al. (31), através de análises morfométricas, demonstraram que a perda do suporte alveolar decorrente da destruição da matriz extra-celular parece contribuir diretamente para o colapso e tortuosidade das vias aéreas adjacentes. O resultado desse processo parece ser o principal responsável pela progressiva transformação cística do pulmão e obstrução ao fluxo aéreo.

 

Marcadores e receptores teciduais

Vários marcadores inumo-histoquímicos têm sido utilizados no diagnóstico e avaliação da fisiopatologia das lesões linfangiomatosas, porém, até o presente momento, não se encontrou nenhuma proteína com sensibilidade e especificidade significativa que pudesse definir o diagnóstico da enfermidade.

Dentre os marcadores teciduais, o mais utilizado na pesquisa imuno-histoquímica da LAM é o anticorpo monoclonal HMB-45, que inicialmente foi gerado contra um extrato de células de melanoma (reação contra a porção glicoconjugada de melanossomas imaturos) (12). No estudo da linfangioleiomiomatose, esse anticorpo geralmente encontra-se positivo nas células de aspecto epitelióide, que apresentam menor atividade mitótica e situam-se mais próximas da via aérea e, portanto, mais acessíveis à biópsia transbrônquica, e também nas células dos angiomiolipomas renais.

Outra ferramenta utilizada na pesquisa da LAM, porém menos específica, é a pesquisa da alfa-actina de músculo liso (a-SMA), que está fortemente positiva no citoplasma das células em áreas de proliferação celular. É utilizada como marcador da proliferação muscular lisa ectópica no pulmão.

Mais recentemente, a idéia de um desbalanço entre proteases e antiproteases tem levado à pesquisa de enzimas envolvidas no processo de destruição da matriz extracelular pulmonar. Nesse sentido, Matsui et al. (14) dosaram o PCNA e as enzimas MMP-2 e MT1-MMP em dois grupos de pacientes (tratadas e não tratadas com progesterona e/ou tamoxifeno), e encontraram uma positividade muito maior no grupo não tratado. Como essas enzimas e o PCNA encontram-se preferencialmente nas células fusiformes (spindle shape), os autores concluíram que uma maior presença de células fusiformes, positivas para os marcadores de proliferação, correlaciona-se com maior destruição parenquimatosa.

A correlação entre a ação hormonal e o surgimento da linfangioleiomiomatose sempre foi aventada, desde as primeiras observações que comprovaram o acometimento quase que exclusivo de mulheres (os casos de relatos masculinos referem-se a pacientes com perfil hormonal não androgênico). O primeiro trabalho mostrando a presença de receptores hormonais citoplasmáticos pulmonares na LAM foi realizado no HC-FMUSP por Brentani et al. em 1984 (15). Posteriormente, Graham et al. (16), utilizando técnicas de radioimunoensaio, encontraram sítios nucleares específicos de ligação da progesterona, além de receptores estrogênicos citosólicos. Mais recentemente, estudos imuno-histoquímicos de Colley et al. (17) demonstraram que os núcleos das células musculares lisas na LAM marcavam-se fortemente com anticorpos anti-estrogênio e antiprogesterona, fato que não acontece nas células musculares lisas normais. Todos esses indícios, junto com a descoberta da presença de mutações nos genes TSC 1 e 2 (complexo de esclerose tuberosa - ET), levantam a hipótese de que talvez o papel hormonal na LAM possa ocorrer através de receptores nucleares e citosólicos, que interfeririam na expressão dessas regiões cromossômicas. Em 2001, Flores-Delgado et al. mostraram a existência de ação não genômica do estrógeno através de inativação de fosfatases nucleares que instabilizariam o genes da TSC (18).

O proto-oncogene Bcl-2, inicialmente identificado na leucemia de células B e no linfoma folicular não-Hodgkin, parece ser um dos mais efetivos controladores da apoptose. A sua potencial correlação com o desenvolvimento das lesões linfangiomatosas foi publicada por Usuki et al. (19), que verificaram maior positividade do Bcl-2 nas células de LAM do que nas células musculares lisas vasculares e bronquiolares. Nesse estudo, a maior positividade para o Bcl-2 foi coincidente com a presença de receptores de estrógeno e progesterona, de forma similar ao que ocorre na neoplasia de mama, sugerindo que a expressão desse proto-oncogene possa estar condicionada ao controle hormonal.

 

Manifestações clínicas

A LAM acomete basicamente mulheres em período reprodutivo. Numa série de 50 pacientes na Grã-Bretanha, Johnson e Tattersfield (5) encontraram uma média de idade de 35 anos para o início dos sintomas. Em nosso serviço, a análise retrospectiva de um subgrupo de 20 pacientes mostrou uma idade média de 32 anos para o início do quadro e de 34 anos para o diagnóstico. Há, contudo, relatos em crianças (20), mulheres no período pós menopausa e dois casos em homens (21-22). Nestes, o perfil hormonal era não-androgênico.

Geralmente, o diagnóstico é feito entre a terceira e a quarta décadas de vida (23-25), porém o surgimento dos sintomas pode anteceder o diagnóstico de meses a vários anos. Muitas vezes há confusão diagnóstica com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e bronquiolites. Taylor et al. (26) mostraram que, num grupo de 32 pacientes, o diagnóstico foi feito somente após 44 meses do início dos sintomas.

O surgimento de dispnéia e tosse seca de intensidades progressivas, em mulheres no período fértil, sem história de doença cardiorrespiratória ou fator desencadeante, deve levantar a suspeita de LAM, principalmente se associada a pneumotórax espontâneo. Na Grã-Bretanha, Johnson e Tattersfield (5) em 50 pacientes encontraram o pneumotórax como manifestação clínica mais prevalente (19 mulheres), seguido por dispnéia (18). Tosse seca foi vista em 2, e quilotórax e dor torácica em 3 mulheres. Em nosso serviço, dispnéia e tosse seca foram encontradas nas 20 pacientes, pneumotórax (Figura 2) em 15 e quilotórax em 2 delas. Achados menos freqüentemente relatados são hemoptise, quiloptise, ascite quilosa, derrame pericárdico, pneumoperitôneo, abdome agudo e linfedema. A ausculta do tórax pode ser normal ou revelar crepitações basais e roncos (26-28). Baqueteamento digital é raramente visto. As Tabelas 1 e 2 mostram o resumo de achados clínicos publicados na literatura e dos achados em nossas pacientes. Cistos difusos foram encontrados em todas as pacientes acompanhadas em nosso serviço (Figura 3).

 

 

 

 

 

 

 

Angiomiolipoma renal

O angiomiolipoma renal é um tumor hamartomatoso raro composto por gordura, rico em proliferação vascular e células musculares lisas. Pode geralmente ser encontrado nas pacientes com LAM e escleroase tuberosa, constituindo-se, juntamente com as alterações da tomografia de tórax, num forte indício para o diagnóstico (Figura 4). Na série de 50 pacientes do Reino Unido foram encontrados 6 casos com angiomiolipoma renal (5). Outras séries de casos recentes (29-32) relataram 23 pacientes com angiomiolipoma de um total de 52 pacientes (44%), sendo bilateral em 11 deles. Geralmente, esse tumor é de crescimento lento e silencioso, porém pode se manifestar por lombalgia, hematúria e massa palpável em flanco. A diferenciação com outros tumores renais nem sempre é fácil, sendo o hipernefroma seu principal diagnóstico diferencial. Devido à possibilidade de crescimento, invasão local e compressão de estruturas abdominais, a ressecção renal parcial ou total pode fazer-se necessária. A embolização arterial pode ser uma alternativa à nefrectomia. Como a massa pode recidivar e acometer o rim contralateral, a conduta conservadora é a mais adequada.

 

 

Alterações laboratoriais

Não há relato de alteração laboratorial específica na LAM. Elevações das taxas de enzima conversora de angiotensina (ECA) foram encontrados em dois de três pacientes avaliados por Lieberman et al. (33). Como a maioria dos trabalhos não inclui dosagem de ECA as referências são escassas. Há um relato de elevação persistente de CA-125 (34). Há relato de um caso de hiperparatireoidismo e LAM (23).

 

Gestação e terapia de reposição hormonal

Há relatos na literatura de surgimento e piora dos sintomas de LAM durante a gestação (35). Contudo, ainda não está esclarecido se as alterações hormonais da gestação desencadeiam a progressão e deterioração do quadro pulmonar, ou se simplesmente os sintomas tornam-se mais nítidos e intensos pelas mudanças ventilatórias e hemodinâmicas próprias da gravidez. Na revisão de Johnson eTattersfield (5), das 50 pacientes estudadas, 28 haviam engravidado. Vinte e sete levaram a gestação até o termo, sendo que 7 desenvolveram sintomas durante a gestação ou logo após o parto. Quanto às outras 20, apenas 2 pacientes evoluíram com piora do quadro durante a gestação. Em uma delas a gestação foi interrompida. Urban (6) relatou que 23% das 69 pacientes de seu estudo tiveram manifestação pulmonar inicial durante a gestação, porém em apenas duas ficou comprovada piora clínica pela gravidez.

Das 20 pacientes acompanhadas nos serviços do HC-FMUSP e do Hospital São Paulo - Unifesp, uma ficou grávida após o diagnóstico estabelecido, sem contudo apresentar deterioração clínica durante a gestação, e duas tiveram pneumotórax espontâneo nos primeiros dois meses após o parto.

Há alguns relatos do uso exógeno de estrogênio e piora ou surgimento de sintomas associados à LAM (36-39). Esse fato também tem sido relatado em mulheres no período pós menopausa e naquelas que fizeram uso de anticoncepcionais orais. Apesar dessa possível associação, um grande inquérito britânico publicado em 1994 (40) não encontrou associação entre o uso de anticoncepcional oral e LAM.

 

Função pulmonar

Diferentemente da grande maioria das demais doenças intersticiais, a LAM apresentase através de um quadro obstrutivo progressivo. A diminuição contínua do volumeexpiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e da capacidade vital associam-se a um aumento progressivo do volume residual, o que termina por manter a capacidade pulmonar total (CPT) dentro dos limites de normalidade ou até aumentada. Raramente verifica-se processo restritivo, e esse, quando encontrado, na maioria das vezes é acompanhado de pneumotórax ou quilotórax. Um importante marcador da gravidade da doença é a redução da difusão de monóxido de carbono (CO) que ocorre paralelamente ao aumento do volume residual, fatos que em grande parte resultam da substituição dos ácinos por cistos. O trabalho publicado por Kitaichi (27) et al. correlacionou os achados funcionais a escores anatomopatológicos, mostrando que a redução da difusão de CO associada ao aumento do volume residual correlacionava-se a um escore anatomopatológico de maior gravidade.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da LAM passa necessariamente pela correlação clínicoradiológica. A presença de dispnéia e tosse seca, em mulheres jovens no período reprodutivo, associadas a história de pneumotórax espontâneo deve levantar a suspeita de LAM. Apesar do radiografia de tórax poder auxiliar o diagnóstico, sugerindo lesões císticas, comprovando pneumotórax (Figura 1) ou sugerindo quilotórax, é a tomografia computadorizada de tórax, convencional ou de alta resolução, que vai revelar as lesões císticas difusas por todo o parênquima pulmonar (Figura 3). Os cistos da LAM são geralmente de paredes finas e encontrados na região peribroquiovascular, difusamente pelo pulmão. Linfonodomegalias mediastinais podem estar presentes, porém nãosão características da patologia. O achado de angiomiolipoma renal é bastante sugestivo de LAM, devendo ser pesquisado através da extensão dos cortes tomográficos até o abdome. A possibilidade de esclerose tuberosa, que por apresentar graus diferentes de penetrância gênica, nem sempre se apresenta na forma clássica, com quadros convulsivos e retardo mental, precisa ser afastada. (Figura 5)

 

Diagnóstico referencial

O diagnóstico diferencial impõe-se com outras doenças císticas, principalmente a granulomatose de células de Langerhans (histiocitose - H-X), que diferentemente da LAM, preserva os terços pulmonares inferiores e a região costofrênica. Além disso, a HX/ granuloma eosinofílico geralmente apresenta uma maior quantidade de nódulos visibilizados no radiografia e tomografia de tórax, alguns destes podendo apresentar escavações. A forma adulta da H-X apresenta ainda uma relação estreita com o tabagismo, não encontrada da mesma maneira nas pacientes com LAM.

Algumas apresentações de enfisema panacinar podem simular formações císticas, porém a análise à tomografia de alta resolução normalmente afasta as dúvidas diagnóticas. A sarcoidose pulmonar, a síndrome de Sjoegren primária e outras proliferações linfangiomatosas pulmonares (linfangiomatose difusa, linfangiomas, linfangiectasias, leiomiossarcomas e leiomiomas metastáticos, hamartomas císticos e fibroleiomiomatosos), também podem cursar com formações císticas pulmonares em pacientes jovens do sexo feminino e, principalmente nesses casos, a biópsia pulmonar torna-se quase indispensável para o diagnóstico correto. A análise histopatológica correlacionada com as técnicas de imunohistoquímica, e mais rotineiramente a pesquisa do HMB-45 e da alfa-actina, permitem a análise dos fragmentos provenientes de amostragens transbrônquicas, toracoscópicas ou a céu aberto. Devido à predominância das alterações no feixe peribronquiovascular, podese iniciar a abordagem histológica através de amostragem transbrônquica. Contudo, o clínico deve sempre considerar que as amostras retiradas podem não representar as regiões acometidas, podendo ser necessária a realização posterior da biópsia a céu aberto.

 

Esclerose tuberosa e lam

A ET é uma doença autossômica dominante, associada a dois genes, TSC-1 no cromossomo 9 e TSC-2 no cromossomo 16. Esses genes são supressores de oncogenes, e mutações em seus alelos permitem a proliferação celular que resulta na formação dos hamartomas característicos dessa doença. Apesar de sua expressividade variável, a esclerose tuberosa possui elevado grau de penetrância, o que traz grandes implicações no aconselhamento genético familiar após se estabelecer o diagnóstico. Este é feito basicamente através dos achados clínicos, e segundo os critérios descritos pela National Tuberous Sclerosis Association (41). São necessários um achado primário, dois achados secundários, ou um secundário e dois terciários para definir a enfermidade (Tabela 3). Angiomiolipomas e linfangioleiomiomatose pulmonar são critérios secundários de diagnóstico de ET, o que poderia nos levar a acreditar que a LAM seria um espectro de apresentação da ET. Contudo, a ausência do acometimento de filhos de pacientes com LAM leva-nos a acreditar que não deve ocorrer uma mutação dos genes de TSC nas células germinativas dessas pacientes. A recente descoberta de Smolarek et al. (42) quanto à homozigose para o gene TSC-2 mutado, em células de angiomiolipoma renal de sete pacientes com LAM, levanos a pensar que talvez as mutações sejam pontuais, e essas pacientes comportem-se como verdadeiros mosaicos quanto a esta alteração. De qualquer forma, o diagnóstico de LAM em uma paciente implica necessariamente em procurar outros achados que possam evidenciar o quadro de ET, como alterações no sistema nervoso central (hamartomas e focos convulsivos), além de se realizar um aconselhamento gestacional cuidadoso (43).

 

Tratamento

Situações de urgência

Os cuidados iniciais com a LAM podem passar pelo manejo de complicações clínicas como pneumotórax, quilotórax e ascite quilosa. Além da drenagem torácica, as pacientes que apresentam pneumotórax de repetição podem ser submetidas à pleurodese (química ou cirúrgica). Contudo, considerando-se a necessidade futura de transplante pulmonar, a realização de pleurodese, sempre que possível deve ser evitada. Mais recentemente, em nosso serviço, de seis pacientes que apresentavam repetidos pneumotórax, apenas em uma foi necessária a realização de pleurodese, visto que nas demais o quadro controlou-se após a instituição da terapêutica anti-hormonal. O controle dos derrames pleurais quilosos pode ser mais difícil, e apesar da instituição de dietas ricas em triglicerídeos de cadeia média, muitas vezes faz-se necessária a ligadura cirúrgica do ducto torácico. Em nossa experiência, o único caso de quilotórax foi adequadamente controlado após a instituição da terapêutica com análogo hormonal e dieta rica em triglicerídeos de cadeia média. Outros tratamentos baseados em radioterapia e uso de corticosteróides mostraram-se sem valor clínico.

 

Anti-hormonal

A queda progressiva do VEF1 e da difusão pulmonar são importantes marcadores do agravamento e não controle da doença. Além disso, alguns autores consideram que a presença de resposta positiva ao uso de broncodilatadores pode correlacionar-se com a proliferação muscular lisa hormônio mediada e com um padrão histopatológico cístico de pior evolução clínica (27). A partir da constatação do acometimento quase exclusivo de mulheres em período reprodutivo, a tentativa de tratamentos anti-hormonais é realizada desde as descrições iniciais das doenças. Partindo do pressuposto de que as células miofibroblásticas possuem receptores estrogênicos e de progesterona e que esses atuam no desencadeamento do processo proliferativo, o tratamento antihormonal tem se baseado na supressão da secreção estrogênica. Esse efeito tem sido alcançado da seguinte forma: classicamente, com uso de progesterona intramuscular e, mais recentemente, com análogos de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRh), a fim de suprimir a secreção de hormônio de estimulação folicular (FSH) e hormônio luteinizante (LH) e conseqüentemente a síntese de estrógeno; através da oofarectomia, que suprime a produção de estrógeno, porém mantém elevados os níveis de FSH e LH; e pelo uso de antagonistas de receptores estrogênicos, como o citrato de tamoxifeno e raloxifeno, que atuariam diretamente nas células miofibroblásticas. Até o presente momento, em grande parte pela raridade da doença, inexistem ensaios clínicos randomizados, duplo-cego e placebo controlados que avaliem a resposta das pacientes com LAM ao tratamento anti-hormonal.

 

Progesterona

Quanto ao uso de progesterona, o primeiro relato é de 1980, por McCarthy et al. (44), no qual uma paciente de 33 anos foi tratada com 400mg de medroxiprogesterona mensalmente, obtendo melhora clínica e funcional. Na maior série de casos britânica publicada, Tattersfield e Johnson (5) mostraram que em 50 pacientes, apesar do tratamento empregado (não foi utilizado análogo de GnRh) a piora funcional e clínica ocorreu, porém as pacientes submetidas ao tratamento com progestágeno tiveram uma redução na velocidade de queda do VEF1, que em média foi de 118 ml/ano. Taylor et al. (13) mostraram que de 19 pacientes tratadas com progesterona, 2 melhoraram enquanto o tratamento foi mantido, 6 tiveram estabilização clínica, e em 11 houve deterioração clínica. A dose preconizada de progesterona (Depo-Provera) é de 400mg a 1600mg intramuscular ao mês, ou de 10mg a 60mg via oral ao dia. Anticoncepcionais que possuam estrógeno devem ser proscritos do tratamento dessas pacientes (45).

 

Análogos GNRH

O uso de análogos hormonais é mais recente, e em 1991, Rossi et al. (46) relataram o caso de uma paciente que cursou com estabilização clínica por 19 meses com uso de goserelina (análogo agonista parcial de GnRh) subcutânea. A partir de então vários relatos têm sido publicados corroborando e contrariando os dados positivos do uso de análogos hormonais (47-50). A ação dos análogos hormonais interfere na secreção pulsátil de GnRH e conseqüentemente com a síntese de FSH e LH, o que acaba por desencadear uma menopausa química. Diferentemente da oofarectomia, que mantém os níveis de gonadotropinas elevados, os análogos, ao impedirem a síntese de FSH e LH, acabam por bloquear qualquer outro efeito periférico que pudesse acontecer por ação dos mesmos (talvez estimulando miofibroblastos ou interferindo na síntese de estrógeno não ovariano).

Em nosso serviço, desde 1992, todas as pacientes com diagnóstico de LAM vêm sendo submetidas a tratamento com goserelina na dose de 3,6mg subcutânea, uma vez ao mês. Paralelamente, nesse mesmo período, as pacientes que iniciaram seguimento no Hospital São Paulo foram submetidas a um protocolo com progesterona intramuscular na dose de 500mg a 800mg mensalmente. A análise retrospectiva dos dados da evolução funcional das pacientes mostrou haver uma tendência para melhor evolução no grupo tratado com goserelina, porém sem diferença estatisticamente significante.

 

Tamoxifeno e raloxifeno

O uso de tamoxifeno não tem mostrado qualquer resultado positivo quando feito de forma isolada. Há relatos de melhora clínica após sua associação com progesterona de depósito. A utilidade de inibidores seletivos de aromatase (anastrolozole) e novos moduladores de receptores estrogênicos como o raloxifeno ainda é desconhecida.

 

Transplante pulmonar

Apesar do tratamento hormonal, a progressiva deterioração da função pulmonar ocorre na maioria das pacientes. Sendo assim, o transplante de pulmão acaba sendo uma alternativa terapêutica nos casos mais graves. As indicações de transplante na linfangioleiomiomatose são semelhantes às de outras doenças respiratórias terminais, porém no acompanhamento pós-operatório, além das complicações infecciosas decorrentes da imunossupressão e da possibilidade de rejeição, existem relatos de recidiva da doença no pulmão transplantado. Inclusive, no relato de O’Brien et al. (51) houve recidiva no pulmão transplantado de um doador do sexo masculino.

 

Considerações finais

A linfangioleiomiomatose pulmonar é uma doença rara que atinge basicamente mulheres em período reprodutivo, e que clinicamente se manifesta por dispnéia progressiva, tosse seca, pneumotórax espontâneo de repetição e quilotórax. Em cerca de metade das pacientes pode-se encontrar angiomiolipomas renais. Funcionalmente evolui para um distúrbio obstrutivo progressivo e os achados tomográficos são bastante característicos, demonstrando múltiplos cistos de parede fina dispersos por todo o parênquima pulmonar. Apesar da ausência de um tratamento definitivo, o uso de anti-hormonais tem, em algumas séries, retardado a progressão da perda funcional e prolongado a sobrevida das pacientes. As recentes descobertas da associação genética entre LAM e ET traz novas perspectivas quanto ao entendimento da etiopatogenia e deve gerar novas pesquisas que avaliem a interação entre a ativação de oncogenes e o “status” hormonal.

 

Referências

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Endereço para correspondência
Pedro Medeiros Junior
R. Alves Guimarães 408 Apt 164
Jardim América, Cep: 05410-000, São Paulo,SP
Telefone: (11) 3081-4401, Fax: 3069-7202
e-mail: pedromedjr@uol.com.br

Recebido para publicação, em 25/6/03.
Aprovado, após revisão, em 15/9/03.

 

 

* Trabalho realizado na Disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, FMUSP.

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