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Jornal Brasileiro de Pneumologia

Print version ISSN 1806-3713On-line version ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.32 no.3 São Paulo May/June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132006000300004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Avaliação da hiperresponsividade brônquica à solução salina hipertônica em crianças e adolescentes*

 

 

Paulo KussekI; Nelson Augusto Rosario FilhoII; Mônica CatIII

IEspecialista em Pneumologia Pediátrica. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Paraná - UFPA - Curitiba (PR) Brasil
IIProfessor Titular de Pediatria da Universidade Federal do Paraná - UFPA - Curitiba (PR) Brasil
IIIProfessora Adjunta de Pediatria, responsável pela Unidade de Informática e Estatística Médica da Universidade Federal do Paraná - UFPA - Curitiba (PR) Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a hiperresponsividade brônquica à solução salina hipertônica a 4,5% como método alternativo a outros agentes broncoconstritores e sua relação com a sensibilização alérgica do paciente.
MÉTODOS: Estudo transversal, experimental, com 85 indivíduos assim distribuídos: 45 no grupo de asmáticos e 17 no grupo controle não asmáticos e não alérgicos, que completaram o teste. Para nebulizar a solução salina hipertônica foi utilizado um nebulizador ultra-sônico de grande volume, sucessivamente durante 0,5, 1, 2, 4 e 8 minutos até haver queda > 15% em relação ao volume expiratório forçado no primeiro segundo basal. A dosagem de imunoglobulina E específica ao Dermatophagoides pteronyssinus por ImmunoCap foi considerada positiva quando > 0,35 kU/L.
RESULTADOS: No grupo de asmáticos, 36 apresentaram queda média do volume expiratório forçado no primeiro segundo de 27,4% após nebulização de solução salina hipertônica. Nenhum do grupo controle (imunoglobulina E < 0,35 kU/L) apresentou resposta à solução salina hipertônica e a queda média do volume expiratório forçado no primeiro segundo foi de 9%. Nove asmáticos tiveram provocação brônquica negativa. A freqüência de provocação brônquica positiva foi maior nos indivíduos com imunoglobulina E específica elevada, o que indica uma relação entre hiperresponsividade brônquica e o nível sérico de imunoglobulina E específica. A sensibilidade do teste foi de 80% e a especificidade de 92%.
CONCLUSÃO: A inalação de solução salina hipertônica é um método de provocação útil para avaliar hiperresponsividade brônquica em crianças e adolescentes, com adequadas sensibilidade e especificidade, além do baixo custo e necessidade de poucos equipamentos.

Descritores: Testes de provocação brônquica, Hiperreatividade brônquica; Solução salina hipertônica; Administração por inalação; Asma; Criança; Adolescente


 

 

INTRODUÇÃO

A asma é resultado do aumento da resposta de mecanismos fisiológicos de proteção das vias aéreas, conhecida como hiperresponsividade brônquica (HRB).(1)

Atualmente existem vários métodos para quantificar a hiperresponsividade, sendo o mais aceito, mais barato e de fácil execução a prova de função pulmonar (espirometria) associada ao método de provocação brônquica (PB) para induzir broncoconstrição. Os testes de PB são marcadores objetivos de asma.(2) O método padrão ouro é aquele que utiliza agentes farmacológicos como a metacolina e histamina,(3) que agem diretamente em receptores do músculo liso brônquico. Pela dificuldade de acesso à metacolina(4) e também pela procura de agentes que mimetizem as situações diárias às quais o aparelho respiratório é submetido, iniciou-se uma busca de agentes provocadores alternativos. O primeiro relato da utilização de solução salina hipertônica (SH) data de 1981.(5) A partir daí, houve grande interesse por substâncias que alterassem a osmolaridade do trato respiratório, potentes na indução de broncoespasmo.(6) PB por exercício e inalação de SH são métodos análogos, em que o estímulo mais importante é a hiperosmolaridade do fluído que reveste o trato respiratório. Durante o exercício ocorre um aumento da perda de água das vias aéreas para o meio exterior decorrente da hiperpnéia fisiológica.(7) A inalação de SH reproduz este mecanismo, com as vantagens de ser realizada em volume corrente e não necessitar de colaboração do paciente para atingir a carga máxima de esforço. O estímulo osmolar estimula a liberação de mediadores das células da mucosa brônquica que direta ou indiretamente causam a contração do músculo liso.(6)

Embora possa ocorrer HRB em indivíduos normais assintomáticos, os indivíduos atópicos são preferencialmente acometidos.(8)

O objetivo principal deste estudo foi comparar a resposta espirométrica em indivíduos normais e asmáticos à inalação de SH, como alternativa mais barata e mais fisiológica a outros agentes broncoconstritores, correlacionando-a com o grau de sensibilização alérgica.

 

MÉTODOS

Os asmáticos foram selecionados de ambulatórios especializados, enquanto que os indivíduos do grupo controle foram voluntários que freqüentavam escola pública. Os asmáticos apresentavam idades entre 7 e 16 anos, eram de ambos os sexos, com diagnóstico de asma havia mais de um ano, com história de crise de sibilância a menos de doze meses e com volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) no dia do exame maior ou igual a 75% do previsto, pelo risco de ocorrer grave broncoespasmo durante o teste. O diagnóstico de asma e a classificação de sua gravidade foram baseados em manifestações clínicas (incluindo avaliação da alergia) e funcionais, de acordo com o III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma,(9) antes de se iniciar o tratamento. A medicação profilática foi suspensa no período do exame: anti-histamínicos por 48 horas, teofilina por 24 horas, b2-adrenérgicos por 24 horas e corticóides inalatórios por 48 horas.(4)

No grupo controle foram incluídos indivíduos com idades entre 7 e 16 anos, de ambos os sexos, sem tosse crônica ou noturna, ou sibilos, sem dermatite atópica, sem sinais de rinite alérgica, sem história de uso de broncodilatadores, sem história familiar de asma e com nível sérico de imunoglobulina E (IgE) específica ao Dermatophagoides pteronyssinus (Dp) menor que 0,35 kU/L. Durante a realização do estudo excluiu-se um grupo composto por indivíduos do grupo controle, unicamente por apresentarem altos níveis de anticorpos IgE específicos ao Dp.

Os pacientes não deveriam ter história de infecções respiratórias nas quatro semanas anteriores.(10) Todos seguiram o mesmo protocolo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, e o consentimento informado foi obtido dos responsáveis.

Foi utilizado o nebulizador ultra-sônico DeVilbiss Ultraneb 099 HD com válvula expiratória e mangueira em espiral. Este nebulizador é de grande volume (240 mL) e, segundo o fabricante, quando nebuliza soro fisiológico a 0,9% apresenta débito de 6 mL/min com aerossóis de massa aerodinâmica de menos de 4 µm. A SH a 4,5% foi preparada em câmara de fluxo laminar vertical classe 100 - II/B2 e acondicionada em frasco-ampola fechado. Foi utilizado o espirômetro Spirosift 3000 - Fukuda Denshi para a espirometria. Os valores espirométricos de referência utilizados foram os de Polgar e Promadaht.(11) Utilizou-se uma balança digital de precisão para pesar o nebulímetro, da marca Gehaka BG 1000 (mínimo de 0,25 g, máximo de 1.010 g e divisões de 0,01g).

Foi coletada amostra sanguínea para dosagem dos níveis séricos de IgE específica para Dp, com utilização do método de fluoroenzimaensaio de Pharmacia Cap System. O teste pelo UniCAP quantifica o grau de sensibilização em classes: classe 0 - menor que 0,35 kU/L; classe 1 - 0,35 a 0,70 kU/L; classe 2 - 0,70 a 3,50 kU/L; classe 3 - 3,50 a 17,5 kU/L; classe 4 - 17,5 a 50,0 kU/L; classe 5 - 50,0 a 100 kU/L; e classe 6 - maior que 100 kU/L. O indivíduo foi considerado sensibilizado quando os níveis de IgE eram superiores a 0,35 kU/L (classe 1).(12)

Os testes foram realizados pela manhã, entre 8 e 10:30 h, com temperatura ambiente verificada e registrada. Após registro do VEF1 basal, iniciou-se o procedimento de PB com a inalação de SH em débito máximo, com volume de 240 ml, e peso de 750 gramas do conjunto nebulímetro, SH e mangueira. O nebulímetro foi pesado, antes e após o término de cada nebulização, com reposição de SH, em temperatura ambiente, ao volume e peso iniciais.(13-14) O participante sentado, com clip nasal, foi orientado a respirar normalmente pelo bocal e a deglutir o excesso de saliva. Elevação do tubo acima da altura da boca e inversão do bocal com válvula expiratória para baixo foram procedimentos necessários para se evitar que a saliva entrasse no tubo do nebulizador. A solução que permanecesse no tubo ao final da inalação era reincluída no volume do nebulímetro para posterior pesagem. Cada indivíduo inalou durante 0,5, 1, 2, 4 e 8 minutos, totalizando 15,5 minutos. O teste era encerrado quando havia declínio do VEF1 igual ou superior a 15%, ou no tempo máximo acumulado de 15,5 minutos. O total da substância inalada foi verificado pela diferença de peso após cada nebulização. Foi arbitrado que 1 grama de perda corresponderia a 1 ml.(4) A espirometria era realizada um minuto após o término da inalação e em intervalo máximo de dois minutos entre as nebulizações.(6)

Foi construída a curva dose-resposta utilizando-se o gráfico semilogarítmico, e registrando-se a queda do VEF1 em relação ao basal após cada inalação e o volume acumulado inalado no mesmo tempo. Por interpolação, verificou-se o volume de SH que causava 15% de queda do VEF1 em relação ao basal (dose provocadora - PD15). O índice de responsividade foi calculado pela razão entre o porcentual de redução máxima do VEF1 em relação ao basal e o volume total inalado de SH.(4)

Nas análises univariadas, para variáveis contínuas de distribuição normal, foram aplicados o teste t de Student e ANOVA (análise da variância), e para as variáveis de distribuição assimétrica foi aplicado o teste de Kruskal-Wallis. Para a comparação entre variáveis categóricas foram utilizados os testes de qui-quadrado e teste exato de Fisher. A análise de regressão logística foi utilizada para se avaliar a probabilidade de a PB ser positiva ou negativa, de acordo com o índice de responsividade.

 

RESULTADOS

Foram submetidos ao protocolo 85 crianças e adolescentes, 45 no grupo de asmáticos e 17 no grupo controle, que completaram o teste (Tabela 1). Foram excluídos 23 indivíduos, 9 por apresentarem altos níveis séricos de anticorpos IgE específicos ao Dp, 6 por intolerância ao sal, 5 por falta de reprodutibilidade das manobras expiratórias e 3 por apresentarem VEF1 basal abaixo de 75%.

 

 

Dos 45 asmáticos, 36 tiveram PB positiva com queda média de VEF1 de 27,4% (amplitude de 15% a 60%), com variação da média de ± 4% (intervalo de confiança de 95%) após inalação de SH. Destes 36 asmáticos, 26 ainda apresentaram PB positiva (72%) quando se considerou o valor de declínio do VEF1 de 20%. Nove indivíduos tiveram a PB negativa, com redução máxima do VEF1 de 14% (média de 9%, amplitude de 7% a 14%), com variação da média de ± 1,7% (intervalo de confiança de 95%) no tempo máximo de inalação de 15,5 minutos. No grupo controle, a redução máxima do VEF1 após a inalação da SH no tempo máximo de 15,5 minutos foi de 13% (média de 8,5%, amplitude de 3% a 13%), com variação da média de ± 1% (intervalo de confiança de 95%). As diferentes respostas à PB com SH observadas no grupo de pacientes asmáticos e no grupo controle foram estatisticamente significativas (p < 0,05) (Figura 1). Todos os participantes apresentaram tosse ao início da inalação e sialorréia durante o teste, mas na progressão do experimento havia adaptação por parte dos mesmos e os sintomas desapareciam.

 

 

Do total de asmáticos com PB positiva, 83% tiveram diminuição de pelo menos 15% do VEF1 basal até o tempo de inalação de quatro minutos. O nebulizador conectado ao paciente forneceu um débito médio de 2,2 mL/min, não diferindo entre os grupos. A dose média de volume inalado de SH a 4,5% que causou queda de 15% do VEF1 basal nos asmáticos foi de 9,5 ml (erro padrão de 1,8 ml). O índice de responsividade brônquica correlacionou-se com o PD15 (p < 0,001, r = -0,98), e estava significativamente elevado nos asmáticos. Os participantes com PB negativa tiveram um índice inferior a 0,33 e naqueles com PB positiva, o índice foi superior a 1,2, formando uma faixa de sobreposição entre 0,33 e 1,2, incluindo tanto indivíduos com PB positiva como com negativa. A análise de regressão logística demonstrou a probabilidade da PB ser positiva ou negativa pelos índices de responsividade.

Correlacionando os níveis séricos de IgE específica ao Dp em todos os indivíduos que realizaram PB (inclusive os excluídos por IgE específica elevada), verificou-se que estes foram maiores nos indivíduos com PB positiva. Além disso, 93% dos indivíduos com PB positiva apresentavam níveis acima de 0,70 kU/L, ao contrário dos indivíduos com PB negativa, em que somente 42% apresentaram os mesmos níveis (Tabela 1 e Figura 2). Quanto maior o nível sérico de IgE específica ao Dp maior a responsividade brônquica à SH (Figura 2). Dos 9 pacientes que tiveram PB negativa, 4 já estavam assintomáticos e sem tratamento, mas todos tiveram crise de asma havia menos de doze meses.

 

 

Em todos os indivíduos (n = 71) que se submeteram a PB, independentemente do status alérgico, o teste apresentou nível de sensibilidade de 80% e especificidade de 92%.

 

DISCUSSÃO

A inalação de SH serve para medir a HRB, pois reproduz algumas condições às quais o epitélio respiratório é submetido, como acontece no exercício físico.(15) A solução salina a 4,5% é levemente superior à concentração de sal da água do mar.(16) A maioria dos asmáticos (80%) e alguns indivíduos alérgicos não asmáticos apresentaram obstrução brônquica quando submetidos à inalação de SH a 4,5%. Os indivíduos não atópicos não apresentaram resposta significativa à SH. O valor de declínio do VEF1 para determinar a hiperresponsividade difere entre vários pesquisadores.(17-19) Neste estudo foi utilizado o valor de 15%, pois é um valor que aumenta a sensibilidade do método e reduz o risco de dispnéia e desconforto para o asmático.(20) A redução de 15% do VEF1 diferencia os grupos com precisão, pois alguns indivíduos não asmáticos e não alérgicos, quando inalam SH a 0,9%, podem apresentar queda de até 10%.(21) Neste estudo com a inalação de SH, o grupo controle alcançou a redução máxima de 10% (intervalo de confiança de 95%).

Alguns autores(4) afirmam que não há casos falso-positivos na PB por SH em indivíduos saudáveis, diferentemente do procedimento com histamina e metacolina, em que até 30% dos indivíduos têm hiperresponsividade a estas substâncias e não têm qualquer sintoma de asma. Não há correlação entre doses de metacolina e SH no mesmo indivíduo, ao contrário de histamina e metacolina, que são semelhantes.(22) O excesso de íons é um fator adicional para a resposta, haja vista que a solução salina a 4% tem a mesma osmolaridade que a dextrose a 6,1%, mas a primeira é muito mais potente que a segunda.(6)

Com o aumento da idade e altura das crianças e adolescentes, há uma redução da responsividade brônquica, provavelmente devido à maturação ou à dose do fármaco broncoconstritor relativamente menor, em relação a um maior tamanho corpóreo.(23) Neste estudo, mesmo não se ajustando para idade e altura, os resultados não se modificariam, pois não há informações sobre o efeito destas variáveis na resposta à inalação com SH, como ocorre com a metacolina.

O estudo demonstrou que o teste também tem utilidade em asmáticos leves, pois 5 participantes com sintomas típicos de asma, mas sem diagnóstico, e 2 não asmáticos do grupo de alérgicos (sem história pessoal ou familiar de asma), mas com IgE específica detectável, apresentaram PB positiva.

A comparação de desempenho do teste deste estudo com outros deve ser feita com cuidado, pois há diferenças nos critérios de inclusão e exclusão, na gravidade da asma, no tipo de nebulizador utilizado e débitos dos nebulímetros.(24)

A história familiar de asma e atopia e uma história pessoal de alergia são fatores de risco para o desenvolvimento de HRB.(13) Na atopia, mudanças imunológicas incluem resposta positiva no teste cutâneo a alérgenos e altas concentrações de IgE circulante.(25) A probabilidade de haver sintomas clínicos aumenta com o nível sérico de anticorpo IgE específico, podendo chegar a 100% quando os níveis são iguais ou superiores a 17,5 kU/L.(26) A sensibilização aos alérgenos varia para cada região, mas os antígenos mais importantes nos testes cutâneos positivos ou nas dosagens de IgE específica no soro são o Dp e o Dermatophagoides farinae,(27) os principais agentes sensibilizantes para doença alérgica das vias aéreas dos atópicos.(26) Neste estudo, 93% dos asmáticos estavam sensibilizados ao Dp, o que mostra que a pesquisa de anticorpos IgE específicos para este alérgeno pode ser suficiente para identificar a maioria dos atópicos.(28-29)

Houve correlação entre os níveis séricos de IgE específica e o índice de responsividade. Entretanto esta observação deve ser interpretada com cautela, pois quando são avaliados somente os indivíduos com IgE > 0,35 kU/L não há correlação desses níveis com o índice, nem com a PD15. A magnitude da sensibilização influencia a presença, mas não a intensidade da HRB. A simples presença do anticorpo específico ao Dp não determina a HRB, o que indica que outros fatores devem contribuir para a HRB no atópico.

A resposta da PB por SH é expressa em dose (PD15). Esta forma tem correlação negativa (r = -0,98) com o índice de responsividade. Esse índice correlaciona-se à PD15 mas é superior como indicador de hiperresponsividade das vias aéreas, por considerar a maior redução do VEF1 em relação ao volume total inalado após a conclusão do teste.(30) O índice de responsividade tem vantagem sobre a PB pela possibilidade de ser usado mesmo que a PD15 não seja alcançada, e também pela praticidade, pois divide-se a porcentagem de queda do VEF1 pelo volume total inalado, e para a PD15 necessita-se de um gráfico semilogarítmico. O índice de responsividade elevado indica HRB.(30) Pela análise de regressão logística, quando o índice se aproxima de 0,33 é maior a chance de PB negativa e quando se afasta de 0,33, aproximando-se de 1,2, é maior a chance de PB positiva.

Os medicamentos antiasmáticos reduzem significativamente a HRB, bem como controlam e modificam a gravidade da asma, reduzindo a sensibilidade à SH e até negativam a PB. O uso regular de corticóides interfere nos resultados, mas os inalatórios só foram suspensos 48 horas antes do teste, por limitação ética.(4) Nove indivíduos do grupo de asmáticos não responderam à PB com SH. Isto provavelmente seria resultado do tratamento, pois 45% deles estavam assintomáticos e sem qualquer medicação na ocasião do teste. Não foi analisada a relação da PB com a gravidade, pois esta se referia ao diagnóstico antes do tratamento. As principais limitações deste estudo, embora não sejam importantes, merecem ser mencionadas, como o sabor desagradável de sal na boca do participante, que exigiu dos pesquisadores a utilização de alguns artifícios como ingerir água no intervalo das inalações, fator este agravado pela baixa idade dos indivíduos, e o tempo prolongado do teste, principalmente nos pacientes não reatores.

A inalação de SH mostrou-se um método de provocação útil para avaliar HRB em crianças e adolescentes, apresentando adequadas sensibilidade e especificidade. É um teste que exige poucos equipamentos, baixo custo e requer pouca cooperação do paciente.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao professor Luiz Antonio Calleffe pela análise estatística complementar.

 

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Endereço para correspondência:
Paulo Kussek
Rua Pasteur, 255, Bairro Batel
CEP 80250-080, Curitiba, PR, Brasil
Tel: 55 41 3322-4322
E-mail: paulokussek@ibest.com.br

Recebido para publicação em 30/12/04. Aprovado, após revisão, em 5/10/05.

 

 

* Trabalho realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná - UFPA - Curitiba (PR) Brasil.

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