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Jornal Brasileiro de Pneumologia

Print version ISSN 1806-3713

J. bras. pneumol. vol.38 no.4 São Paulo July/Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132012000400005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Capacidade aeróbica em crianças e adolescentes com asma intermitente e persistente leve no período intercrises*

 

 

Eliane Zenir Corrêa de MoraesI; Maria Elaine TrevisanII; Sérgio de Vasconcellos BaldisserottoIII; Luiz Osório Cruz PortelaIV

IProfessora. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria (RS) Brasil
IIProfessora Assistente. Departamento de Fisioterapia e Reabilitação, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria (RS) Brasil
IIIProfessor Adjunto de Clínica Médica. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria (RS) Brasil
IVProfessor Associado. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria (RS) Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Aferir a capacidade aeróbica de crianças e adolescentes com diagnóstico de asma brônquica intermitente leve ou persistente leve no período intercrises.
MÉTODOS: Foram estudadas 33 crianças e adolescentes com diagnóstico clínico recente de asma leve intermitente e asma leve persistente, no período intercrises, e 36 crianças e adolescentes saudáveis. Foram realizadas avaliação clínica, avaliação do nível basal do nível de atividade física, espirometria antes e após o uso de broncodilatador e determinação de ventilação voluntária máxima, consumo máximo de oxigênio, quociente respiratório, ventilação minuto máxima, equivalente ventilatório, reserva ventilatória, FC máxima, SpO2 e lactato.
RESULTADOS: Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos asma intermitente, asma persistente e controle em relação às variáveis antropométricas e espirométricas. Não houve diferenças significativas em relação às variáveis analisadas durante o teste de esforço máximo entre os grupos.
CONCLUSÕES: O diagnóstico de asma intermitente ou persistente leve não influenciou a capacidade aeróbica em crianças e adolescentes no período intercrises.

Descritores: Asma; Exercício; Testes de função respiratória.


 

 

Introdução

A asma é uma doença inflamatória crônica, caracterizada por hiper-responsividade das vias aéreas inferiores e por limitação variável ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou com tratamento, e se manifesta clinicamente por episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite e pela manhã ao despertar.(1)

A capacidade física é expressão do estado temporal das adaptações fisiológicas agudas e crônicas que ocorrem no indivíduo. O elemento temporal implica em efeitos transitórios e duradouros dessa adaptação. Em relação aos pacientes asmáticos, é consenso que, no momento da crise, há uma considerável redução da capacidade física, a qual é recuperável tão logo a crise seja controlada. Por outro lado, a redução da qualidade de vida relacionada à saúde, induzida pelos sintomas da asma, faz com que muitos pacientes adotem um estilo de vida mais sedentário.(2-4) Apesar do senso comum de que crianças asmáticas teriam uma menor capacidade aeróbica, os dados da literatura a esse respeito são conflitantes.(5) Embora estudos recentes sugiram que a redução da capacidade aeróbica esteja relacionada com uma maior gravidade da doença,(6) o impacto da mesma em pacientes menos graves permanece incerto.

Considerando que asma é a doença crônica mais prevalente na infância e na adolescência, que a maioria dos pacientes apresenta doença intermitente ou persistente leve(1) e que o estímulo para a prática de atividades físicas regulares tem efeitos benéficos comprovados,(7-9) as respostas a questões relacionadas aos possíveis efeitos negativos da doença sobre a capacidade física no período intercrises regula a ação do trabalho, sendo requisito imprescindível a quem ministra o treinamento físico.

Portanto, o objetivo do presente estudo foi investigar a capacidade aeróbica de crianças e adolescentes asmáticos com doença intermitente ou persistente leve no período intercrises.

 

Métodos

Foram avaliadas 33 crianças e adolescentes com diagnóstico clínico recente de asma leve intermitente ou asma leve persistente, fora do período de crises, e 36 crianças e adolescentes não asmáticos (grupo controle), de ambos os sexos, com idades de 11 a 14 anos. Nenhum dos indivíduos asmáticos fazia uso de corticoterapia inalatória no momento de inclusão no estudo. Os pacientes asmáticos foram recrutados do ambulatório de pediatria do Hospital Universitário de Santa Maria, em Santa Maria (RS). O diagnóstico de asma e sua gravidade foram estabelecidos através de critérios do Global Initiative for Asthma.(1) O critério de estabilidade da doença utilizado foi ausência de crises ou de modificação nas medicações nos últimos 90 dias. Foram excluídas crianças/adolescentes com outras doenças respiratórias, com quadro de infecção viral (resfriado e gripe) nas últimas seis semanas ou prova de função pulmonar (espirometria) em repouso alterado no dia do teste. Asma e rinite alérgica foram descartadas no grupo controle, utilizando-se o questionário do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância(10,11) (resposta negativa para a questão 2 e escore total < 6). O nível de atividade física foi avaliado através do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ, Questionário Internacional de Atividade Física), versão curta.(12,13) Para a mensuração do percentual de gordura, foi utilizada a equação de Lohman.(14)

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Maria. Todos os participantes incluídos no estudo tiveram o termo de consentimento livre informado assinado por seus representantes legais.

A espirometria foi realizada antes e após a inalação de 400 µg de salbutamol em um espirômetro modelo Vmax Series 229 (SensorMedics, Yorba Linda, CA, EUA), utilizando-se a norma técnica de execução e reprodutibilidade da American Thoracic Society(15) e os valores de referência de Knudson et al.(16) Além dos valores espirométricos, mensurou-se a ventilação voluntária máxima (VVM), e os volumes foram corrigidos para as condições de temperatura corporal, pressão ambiente e ar saturado.

O teste de esforço foi realizado em esteira modelo 10200 ATL (Inbramed, Porto Alegre, Brasil), segundo o protocolo de Mader et al.;(17) até o esforço máximo voluntário. Vinte minutos antes do teste de esforço, foram administradas 400 µg de salbutamol por espaçador, com o objetivo de prevenir broncoespasmo induzido pelo exercício. O consumo máximo de oxigênio (VO2máx), quociente respiratório (QR), ventilação-minuto (VE) e equivalente ventilatório de oxigênio (VE/VO2) foram mensuradas com o espirômetro (SensorMedics), e a concentração de lactato sanguíneo foi mensurada com um analisador de glicose/lactato (modelo Biosen 5030; EKF Diagnostics, Cardiff, Reino Unido). As amostras de sangue foram coletadas ao final de cada estágio (5 min). A FC foi monitorada com o aparelho Accurex PlusTM (Polar Electro Ou, Kempele, Finlândia) Todas as variáveis foram medidas nas condições de repouso, exercício e recuperação.

Para a avaliação da função pulmonar e do teste de esforço, foram observadas as condições climáticas de temperatura e de umidade relativa do ar. O laboratório era climatizado, dentro de condições de conforto térmico e higrométrico, definidas como faixa de temperatura entre 18ºC e 26ºC e umidade de 55-60%.

Os dados foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk para a verificação da normalidade (n < 2.000) e foi realizada a análise estatística descritiva. As variáveis idade, estatura, massa corporal, percentual de gordura, CVF, VEF1, VEF1/CVF, PFE, VVM, VO2máx, reserva ventilatória, VE/VO2, QR e escore do questionário do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância apresentaram distribuição normal e foram analisadas através ANOVA para a comparação entre as médias. As variáveis que apresentaram diferenças estatísticas significativas (VEF1 e relação VEF1/CVF, ambas em % do predito pré-broncodilatador) foram analisadas através do teste post hoc de Duncan. Para as variáveis que não apresentaram distribuição normal (escore do IPAQ, velocidade de corrida, tempo de exercício, FCmáx, lactato), foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis. O pacote estatístico computacional utilizado foi Statistical Analysis System, versão 8.2 (SAS Institute, Cary, NC, EUA).

 

Resultados

Os três grupos formados (pacientes com asma leve intermitente, pacientes com asma leve persistente e controles) apresentaram características antropométricas e de atividade física semelhantes. Conforme Tabela 1, a ANOVA não encontrou diferenças estatisticamente significativas para as variáveis idade, massa corporal, estatura e percentual de gordura corporal, assim como em relação ao nível de atividade física (escore do IPAQ), através do teste de Kruskal-Wallis, entre os grupos.

Como esperado, os três grupos estudados não apresentaram diferenças significativas em relação às provas de função pulmonar (Tabela 2). Embora se tenha encontrado uma diferença significativa para a variável VEF1/CVF pré-broncodilator (% do predito), as médias estavam acima de 80%, o que é considerado normal para a faixa etária do estudo. Esses resultados não constataram a presença de obstrução das vias aéreas, o que permite afirmar com uma boa margem de segurança que as crianças e adolescentes encontravam-se no período intercrises. A VVM, expressa de forma absoluta ou percentual (Tabela 2), também não se diferenciou significativamente nos grupos analisados.

As variáveis analisadas durante o teste cardiorrespiratório de esforço máximo (VEmáx, reserva ventilatória, VE/VO2, QR, FCmáx, VO2máx, lactato sanguíneo, velocidade máxima alcançada e tempo de exercício) não apresentaram diferenças estatísticas significativas entre os três grupos estudados (Tabela 3).

 

Discussão

O objetivo do presente estudo foi avaliar a capacidade aeróbica de asmáticos com doença leve fora do período de crises. A escolha do grupo de pacientes estudados, com asma intermitente e asma persistente leve, foi feita por esse ser o grupo de pacientes mais prevalentes dentro do espectro de gravidade da doença.

Diferentes níveis de atividade física basal podem influenciar os resultados de estudos como este; porém, não houve diferenças estatísticas entre os grupos quando aferida pelo IPAQ. Os três grupos estudados foram classificados como com comportamento ativo.(12) O grupo controle apresentou melhores resultados de desempenho físico nos testes. Acreditamos que isso possa estar relacionado a uma maior participação em atividades físicas de rotina, já que a possibilidade de experimentar crises durante o exercício nos grupos com asma talvez exerça um papel de inibição. Contudo, não se pode concluir sobre esse aspecto, pois o instrumento utilizado para avaliar o nível de atividade física não discrimina o suficiente para tal nível de exigência e tampouco o presente estudo foi delineado com esse objetivo.

A obesidade é outra variável que afeta o desempenho físico de asmáticos e não asmáticos. O percentual de gordura dos três grupos estudados encontrava-se em um nível ótimo segundo a classificação de Lohman.(14) Portanto, o resultado do presente estudo deve ser analisado sob a perspectiva de que os indivíduos estudados encontravam-se ativos, com percentual de gordura corporal adequado e similar entre os grupos.

A homogeneidade dos grupos é importante para o objetivo de comparar a capacidade aeróbica de asmáticos com diferentes gravidades e não asmáticos. A homogeneidade reduz a variabilidade dos resultados na avaliação pulmonar. Como demonstrado na Tabela 2, nenhum dos pacientes estudados apresentava obstrução ao fluxo aéreo no momento das avaliações (critério de exclusão), todos apresentavam espirometria pré e pós-broncodilatador normais, e a possibilidade de asma induzida por exercício, uma provável variável de confusão, durante o teste cardiorrespiratório de esforço máximo, foi controlada com uso de salbutamol (400 µg) 20 min antes do teste. Diferenças, embora pequenas, observadas na espirometria em repouso entre asmáticos leves e não asmáticos poderiam sugerir uma redução da capacidade aeróbica durante o teste de esforço, o que não foi observado no presente estudo.

A VVM, o maior volume de ar que o indivíduo pode mobilizar através do esforço voluntário máximo no minuto, fornece uma visão global inespecífica da função ventilatória. Doenças obstrutivas moderadas e graves podem produzir valores anormais para a VVM, devido ao aprisionamento aéreo exagerado e à desvantagem da musculatura respiratória, comum nesse tipo de padrão respiratório.(18) A VVM que o indivíduo pode alcançar depende da integridade de toda a sua fisiologia respiratória. Nos três grupos, a VVM permaneceu dentro dos valores de referência, indicando que os indivíduos asmáticos e não asmáticos possuiam uma capacidade ventilatória similar.

Em conformidade com a literatura, a VVM encontrada foi superior aos níveis de ventilação máxima durante o exercício. Esse fato ocorre devido ao sistema ventilatório não ser solicitado ao máximo no exercício. Estudos sugerem que exercícios específicos para indivíduos com doenças pulmonares obstrutivas são interessantes, pois a força e a resistência dos músculos respiratórios e a VVM podem ser aumentadas pelo treinamento, tanto em indivíduos saudáveis quanto em pessoas com doenças obstrutivas.(19)

Se algum tipo de deficiência ou adaptação orgânica positiva for esperada de acordo com a gravidade da asma, essa será necessariamente expressa na medida de VO2máx, que é uma medida que engloba o rendimento dos diferentes sistemas envolvidos no mecanismo do consumo de oxigênio. Ele reflete os componentes pulmonares cardiovasculares e musculares; é considerado o melhor índice isolado de saúde, relacionada à aptidão física.(20) Os valores de VO2máx obtidos no presente estudo foram similares aos relatados em vários estudos em crianças e adolescentes.(20-22)

O similar comportamento de VO2máx entre os grupos, como encontrado no presente estudo, pôde ser observado em uma pesquisa que avaliou a performance de exercício de 80 crianças com asma leve a moderada e 80 crianças sadias. Os dois grupos mostraram similar capacidade aeróbica em teste máximo (40,5 ± 8,4 mL • kg-1 • min-1 vs. 42,6 ± 9,6 mL • kg-1 • min-1).(23) Similares achados - falta de diferença significativa entre o VO2máx de pacientes estáveis com asma leve a moderada e controles - foram referidos por Garfinkel et al.(2) (36,85 ± 10,80 mL • kg-1 • min-1 vs. 38,48 ± 5,34 mL • kg-1 • min-1; p = 0,32).

Baraldi enfatiza que crianças com e sem asma apresentaram valores de VO2 e VE semelhantes em níveis de exercício submáximo e máximo, indicando similar capacidade aeróbica.(24)

Os resultados do presente estudo contradizem aqueles de um estudo com 8 crianças asmáticas e 7 não asmáticas; os valores de VO2máx foram significativamente menores nos asmáticos do que nos não asmáticos (44 ± 5,4 mL • kg-1 • min-1 vs. 55,6 ± 10,3 mL • kg-1 • min-1), e esse resultado foi negativamente correlacionado com obstrução brônquica.(25) Em outro estudo,(26) também foi observada uma diferença significativa na VO2máx entre meninos com e sem asma (31,6 ± 5,1 mL • kg-1 • min-1 vs. 35,2 ± 6,1 mL • kg-1 • min-1), mas essa diferença não foi observada entre as meninas (25,3 ± 2,8 mL • kg-1 • min-1 vs. 23.9 ± 4,9 mL • kg-1 • min-1).

A variação da capacidade aeróbica encontrada nos diferentes estudos entre asmáticos e não asmáticos pode, em parte, ser explicada pelas diferentes metodologias, tipos, intensidades, duração do exercício, nível de treinamento e, principalmente, identificação, caracterização e classificação da gravidade de asma que os estudos apresentam.

Os valores médios de VO2máx dos grupos do presente estudo nos permitem concluir que a capacidade aeróbica não foi afetada, no período intercrises, pela gravidade da asma. Por exemplo, observa-se que a média do VO2máx no grupo com asma leve persistente foi praticamente igual ao do grupo controle.

Os valores similares de VO2máx entre os grupos são indícios de que as respostas dos demais sistemas componentes do VO2 não se diferenciam entre si ou que possíveis deficiências são totalmente compensadas. Isso responde a questão relativa à deficiência respiratória, que também é referida nos valores relatados por outros autores.(24-26) Baseado nas variáveis de índice de tolerância ao exercício, tais como VEmáx, VEmáx/VVM, VE/VO2 e VO2máx, pode-se dizer que a gravidade da asma não teve influência sobre a capacidade aeróbica e não se pôde constatar limitações na respiração externa em exercício sobre a mesma (VO2máx) em nenhum dos três grupos estudados.

O comportamento da VEmáx no presente estudo foi semelhante ao relatado em alguns estudos, que não encontraram diferenças significativas nos valores de VEmáx entre os grupos de asmáticos e não asmáticos, bem como não observaram limitações na capacidade de trabalho pela ventilação.(27) A capacidade física pode ser prejudicada por limitações ventilatórias somente na asma severa, na qual mecanismos complexos são envolvidos na fisiopatologia da doença, mas é improvável que isso ocorra em asma leve para moderada, controlada.(28) Em relação às características do presente estudo, os resultados da VEmáx confirmam a posição de Lewis et al.(28)

A reserva ventilatória é a diferença entre a taxa máxima de ventilação que um indivíduo pode teoricamente gerar (VVM) e a taxa ventilatória realmente desenvolvida em um dado momento. A simples razão (VEmáx/VVM) tem sido utilizada como um índice de reserva ventilatório, ou melhor, do seu inverso (valores elevados indicam baixas reservas ventilatórias). Embora exista uma ampla variabilidade na VEmáx/VVM em ambos os sexos, valores acima de 85% para homens e de 75% para mulheres (ou de reserva ventilatória de 15% e 25%, respectivamente) são incomuns em indivíduos sedentários saudáveis.(29) Em alguns estudos, foram encontrados resultados semelhantes aos nossos, ou seja, não foram identificadas diferenças significativas na reserva ventilatória de crianças asmáticas de gravidade leve para moderada e naquelas não asmáticas.(27)

Para verificar a economia da respiração em esforço foi medido o VE/VO2. Essa variável expressa a quantidade de ar ventilado para cada litro de oxigênio consumido. Quanto mais alto for esse valor, mais baixa é a economia da ventilação. No presente estudo, os valores do VE/VO2máx situaram-se entre 37 e 69. Esses valores se encontram de acordo com um estudo com crianças e jovens e indicam uma economia ventilatória.(30)

Para finalizar, o período de intercrises, a julgar pelo resultado final obtido, foi bem caracterizado e selecionado clinicamente na presente investigação. Isso possibilitou a homogeneidade dos grupos, atendendo às exigências para a comparação da capacidade aeróbica entre asmáticos com diferentes gravidades e não asmáticos. Em função disso, as medidas espirométricas e ergoespirométricas de asmáticos leves intermitentes e persistentes não apresentaram diferenças estatísticas entre si e em comparação com o grupo controle, demonstrando que a classificação da gravidade da asma não encontra suporte nas variáveis funcionais investigadas durante o período intercrises. Sendo assim, as limitações impostas aos critérios de classificação da gravidade da asma,(3) no período intercrises, não permitem diferenciar funcionalmente pacientes com asma leve intermitente daqueles com asma leve persistente. Poder-se-ia argumentar que não há diferenças, pois ambos os grupos, asmáticos persistentes e intermitentes, são clinicamente iguais. Tal afirmação não encontra respaldo na literatura especializada, uma vez que os resultados de investigação referem-se a grupos de estudos e não a populações, e tais resultados são divergentes.(5)

As limitações da presente investigação residem no fato de a amostra ser um grupo de estudo. Portanto, os resultados refletem as características do grupo e dos procedimentos metodológicos selecionados; não se pode generalizar os resultados obtidos, pois não se trata de estudo populacional. Conclui-se que o diagnóstico de asma brônquica, intermitente ou persistente leve, não influenciou a capacidade aeróbica de crianças e adolescentes no período intercrises.

 

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Endereço para correspondência:
Eliane Zenir Corrêa de Moraes
Rua Cezar Trevisan, 1333, Tomazetti
CEP 97065-060, Santa Maria, RS, Brasil
Tel. 55 55 3211-4135 ou 55 55 9963-8143
E-mail: elianezenir@yahoo.com.br

Recebido para publicação em 9/11/2011.
Aprovado, após revisão, em 14/5/2012.
Apoio financeiro: Nenhum.

 

 

* Trabalho realizado na Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria (RS) Brasil.