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Revista Ciência Agronômica

On-line version ISSN 1806-6690

Rev. Ciênc. Agron. vol.44 no.1 Fortaleza Jan./Mar. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-66902013000100022 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Substituição do farelo de soja por levedura de cana-de-açúcar em rações para frangos de corte1

 

Replacing soybean meal by yeast sugar cane in broiler-chicken diets

 

 

Ednardo Rodrigues FreitasI, *; Raffaella Castro LimaII; Roberto Batista da SilvaII; Francislene Silveira SucupiraII; Roseane Madeira BezerraII

IDepartamento de Zootecnia, Centro de Ciências Agrárias/UFC, Campus do Pici, Bloco 808, Fortaleza-CE, Brasil, 60.021-970, ednardo@ufc.br
IIPrograma de Pós-Graduação em Zootecnia, CCA/UFC, Fortaleza-CE, Brasil, raffazoo@yahoo.com.br, robmessias@yahoo.com.br, francislene.silveira@yahoo.com.br, rosembes@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Esta pesquisa objetivou avaliar os efeitos da substituição da proteína do farelo de soja (FS) pela da levedura de cana-de-açúcar (LEV) em rações de frangos contendo farelo da castanha de caju (FCC). O total de 325 pintos machos com um dia de idade foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com cinco rações e cinco repetições de treze aves. Foram testadas cinco rações contendo 20% de FCC e os níveis de 0; 5; 10; 15 e 20% de substituição da proteína do FS pela da LEV. Conforme análise de regressão, houve efeito quadrático da substituição da proteína do FS pela da LE V sobre o consumo de ração e conversão alimentar e linear sobre o ganho de peso, na fase inicial (1 a 21 dias). Contudo, a substituição em níveis de até 20% não prejudicou significativamente o desempenho nas diferentes fases de criação e não alterou as características de carcaça em relação ao controle. Pelo estudo econômico, a substituição da proteína do FS pela da LEV se mostrou viável até o nível de 20%. Pode-se concluir que, em rações para frangos de corte, contendo 20% de FCC, a proteína do FS pode ser substituída pela da LEV em até 20%.

Palavras-chave: Alimentação de frangos de corte. Alimento alternativo. Levedura. Subproduto da agroindústria.


ABSTRACT

This research aimed to evaluate the effects of substituting the protein from soybean meal (SM) by yeast sugar cane (YSC) in broiler-chicken diets containing cashew nut meal (CNM). A total of 325 male chicks at one day old, were distributed completely randomly among five feeds with five replications of thirteen birds each. We tested five diets containing 20% CNM each and the levels of 0, 5, 10, 15 and 20% protein replacement of SM by YSC. According to regression analysis, there was a quadratic effect on feed intake and feed conversion by the protein replacement of SM by the YSC, and a linear effect on weight gain in the initial phase (1-21 days). However, substitution at levels up to 20% did not significantly impair performance at any of the different stages, and did not affect the carcass characteristics when compared to the control group. According to the economic study, the protein replacement of SM by YSC proved feasible up to 20%. It can be concluded that, for broiler-chicken diets containing 20% CNM, the SM protein can be replaced up to 20% YSC.

Key words: Broiler feeding. Alternative feed. Yeast. Agribusiness by-produts.


 

 

INTRODUÇÃO

Buscando a redução nos custos com a alimentação, que chegam a representar cerca de 70% do custo total de produção, pesquisadores têm avaliado a utilização de alimentos alternativos na formulação de rações para aves. Nesse contexto, os subprodutos das agroindústrias regionais têm sido avaliados, pois geralmente são ingredientes adquiridos a baixo custo e podem ser facilmente encontrados em certas áreas, em determinada época do ano.

Na região Nordeste e especificamente no Estado do Ceará, alguns subprodutos gerados pela agroindústria têm potencialidade para o uso na composição de rações para aves. Entre eles, pode-se destacar a levedura de cana-de-açúcar (Saccharomyces cerevisiae), obtida durante a produção de aguardente que, segundo Silva et al. (2008), apresenta composição química que o potencializa como ingrediente para as rações de aves, podendo substituir parte da proteína do farelo de soja.

Algumas pesquisas com a utilização de levedura de recuperação, obtida de diferentes processos industriais de fermentação alcoólica, na alimentação de frangos de corte são encontrados na literatura nacional. Os resultados dessas pesquisas indicam uma variação de 3 a 10% na quantidade de levedura a ser utilizada nas rações de frangos de corte (SILVA et al., 2003). Grangeiro et al. (2001) constataram que a composição química da levedura de recuperação oriunda da industria de produção de aguardente diferia em relação à composição apresentada pela Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (1991) e, que é viável a inclusão de 7,5% dessa levedura na ração de frangos de corte. Silva et al. (2003) recomendaram a inclusão de 10% de levedura na ração de frangos de corte.

As diferenças entre as recomendações do melhor nível de inclusão da levedura de recuperação nas rações de frangos têm sido atribuídas ao fato desse alimento estar sujeito a variações no seu valor nutricional, devido a alterações de composição química, que depende do método de obtenção, que por sua vez varia quanto ao substrato, microrganismo e método de secagem utilizados. Silva et al. (2008) constataram diferenças na composição e valor nutricional para aves de dois tipos de leveduras obtidas da industria de aguardente em relação aos apresentados para a levedura da industria sucroalcooleira apresentados por Rostagno et al. (2005).

Diante do exposto anteriormente, o objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito da substituição parcial da proteína bruta do farelo de soja pela da levedura de cana-de-açúcar obtida durante a produção de aguardente em rações contendo farelo da castanha de caju sobre o desempenho de frangos de corte.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em um galpão de alvenaria com dimensões de 15 m x 10 m, coberto por telhas de barro, piso cimentado, pé direito com 3,5 m, orientado longitudinalmente no sentido leste-oeste e dividido em boxes de 1,5 m x 1,0 m.

Foram utilizados 325 pintos machos da linhagem Ag Ross 308, com um dia de idade, distribuídos em um delineamento experimental inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e cinco repetições de treze aves cada. Foram testadas cinco rações contendo 20% de FCC e os níveis de 0; 5; 10; 15 e 20% de substituição da proteína da proteína bruta do farelo de soja pela da levedura de cana-de-açúcar.

A levedura de cana-de-açúcar, utilizada nas rações, foi recuperada do processo de fermentação alcoólica para produção de aguardente e seca em rolo, cedida pela Indústria Ypióca, localizada em Fortaleza, Ceará.

Logo após a chegada ao aviário, os pintos foram pesados (45,54 ± 0,74 g) e distribuídos com base no peso para que todas as parcelas tivessem peso médio semelhante. Em cada boxe foram colocadas treze aves, que foram criadas em piso coberto com cama de raspa de madeira em uma espessura de 10 cm.

A iluminação artificial do galpão foi realizada com lâmpadas fluorescentes de 40 watts, distribuídas a uma altura de 2,40 m do piso, permitindo uma iluminação uniforme para todos os boxes. O programa de luz durante todo período experimental foi de 23 h luz (natural + artificial)/dia, com o objetivo de estimular o consumo de ração.

Os pintos vieram vacinados do incubatório contra Marek e Gumboro e aos sete dias de idade foram vacinados contra Newcastle por via ocular e aos quatorze dias contra Gumboro, via água. Durante todo o período experimental os dados de temperatura e umidade relativa do ar foram coletados no início da manhã e no final da tarde. As temperaturas foram registradas por termômetros de máxima e mínima e a umidade relativa do ar através de termo-higrômetro de bulbo seco e úmido.

Para o cálculo das rações experimentais (Tabela 1 e 2), foram consideradas as exigências nutricionais recomendadas pelo National Research Council (1994) para as fases inicial (1 a 21 dias de idade) e final (22 a 42 dias). Para todas as fases de criação das aves, as rações experimentais foram calculadas para serem isocalóricas, isocálcicas, isofosfóricas e isoaminoacídicas para metionina + cistina. A exigência de lisina foi atendida para o mínimo recomendado.

No cálculo das rações, também, foram considerados os valores de composição química e de energia metabolizável da levedura de cana-de-açúcar e do farelo da castanha de caju (Tabela 3), determinados por Silva et al. (2008) e valores de aminoácidos propostos pela Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (1991). Para os demais ingredientes foram considerados os dados apresentados por Rostagno et al. (2005).

O nível de farelo da castanha de caju foi fixado baseando-se na viabilidade de sua inclusão nas rações para frangos de corte em até 25% (FREITAS et al., 2006) e considerando que a inclusão de 20% permitiu a maior substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura de cana-de-açúcar, associada à menor inclusão de inerte.

Durante todo o experimento, as rações e a água foram fornecidas à vontade. A água foi oferecida em bebedouros pendulares e a ração em comedouros tubulares. As variáveis estudadas foram consumo de ração (g/ave), ganho de peso (g/ave), conversão alimentar, rendimentos de carcaça, de peito, de coxa e sobrecoxa, percentagem de penas e de gordura abdominal.

No início do experimento e aos 21 e 42 dias de idade, a ração fornecida e as sobras foram pesadas para determinar o consumo. Nesses mesmos períodos, também se procedeu à pesagem das aves de cada parcela para que o ganho de peso médio da parcela fosse calculado. A partir destes dados foi calculado a conversão alimentar.

Aos 42 dias de idade, após jejum alimentar de 6 horas, todas as aves foram pesadas e foram selecionados dois frangos de cada boxe com pesos próximos ao peso médio da parcela (±100 g). As aves escolhidas foram identificadas e abatidas por deslocamento cervical, sangradas, escaldadas (água a 60 ºC por 3 minutos), depenadas e evisceradas. Para a determinação da proporção de penas (expresso em percentagem do peso vivo), as aves foram pesadas após a sangria e a retirada das penas.

As carcaças limpas, sem cabeça, pescoço e pés, foram pesadas para determinação do rendimento de carcaça (expresso em percentagem do peso vivo). Em seguida, realizou-se os cortes para retirada do peito inteiro e coxa+sobrecoxa, os quais foram pesados para o cálculo da porcentagem de peito e coxa+sobrecoxa. A gordura abdominal de cada ave, considerada como todo o tecido adiposo existente em volta da cloaca e aderido à moela, foi retirada e pesada. Os dados de rendimento de peito, coxa+sobrecoxa e de gordura abdominal foram obtidos pela relação entre o peso da parte avaliado e o peso da carcaça quente.

Para verificar a viabilidade econômica da substituição parcial da proteína bruta do FS pela proteína bruta da LEV em rações contendo farelo da castanha de caju, determinou-se inicialmente o custo da ração (CR) por quilograma de peso vivo ganho (Yi), segundo a equação 1 proposta por Bellaver et al. (1985):

onde: Yi - custo da ração por quilograma de peso vivo ganho no i-ésimo tratamento; Pi - preço por quilograma da ração utilizada no i-ésimo tratamento; Qi - quantidade de ração consumida no i-ésimo tratamento, Gi - ganho de peso do i-ésimo tratamento.

Em seguida, foram calculados o Índice de Eficiência Econômica (IEE) e o Índice de Custo (IC) propostos por Fialho et al. (1992) (Equação 2):

onde, MCei = Menor custo da ração por quilograma ganho observado entre tratamentos, CTei = Custo do tratamento i considerado.

As análises estatísticas dos dados foram realizadas utilizando-se o SAS (2000). Os graus de liberdade referentes aos níveis de substituição da proteína do farelo de soja pela proteína da levedura, excluindo-se o nível zero de substituição (controle), foram desdobrados em polinômios e para estabelecer o melhor nível de substituição utilizou-se o modelo quadrático. Para comparação dos resultados obtidos com cada um dos níveis de substituição em relação aos obtidos com o nível zero de substituição (controle), foi utilizado o teste de Dunnett. Em todas as análises foi considerado o nível de significância de 5%.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias de temperatura ambiente mínima e máxima e umidade relativa no galpão durante o experimento foram 28,09 ºC ± 0,72, 30,24 ºC ± 1,0 e 76%, respectivamente.

Os resultados médios do desempenho dos frangos de corte alimentados com diferentes níveis de substituição da proteína bruta do farelo de soja pela proteína bruta da levedura de cana-de-açúcar são apresentados na Tabela 4.

Na análise de regressão para o consumo de ração, excluindo a ração controle (nível zero de substituição), observou-se efeito significativo apenas para os dados da fase inicial. Nessa fase houve efeito quadrático , indicando que a substituição parcial da proteína bruta do farelo de soja pela proteína bruta da levedura de cana-de-açúcar promoveu aumento no consumo de ração até cerca de 12,08% de substituição, diminuindo em seguida. Na comparação das médias do consumo de ração, também se observou diferença significativa apenas nos resultados da fase inicial. Os diferentes níveis de substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura resultaram em maior ingestão de alimento em relação ao obtido para as aves do grupo controle.

Segundo Perdomo et al. (2004), a baixa digestibilidade da parede celular da levedura reduz a digestibilidade dos nutrientes da ração e, consequentemente, o seu valor energético. Dessa forma, considerando que a energia é o principal fator que controla o consumo de alimento pelos frangos de corte e que as rações foram calculadas para serem isoenergéticas, pode-se inferir que o aumento no consumo de ração inicial com a maior inclusão de levedura tenha sido uma tentativa das aves em atender suas exigências energéticas em razão do menor aproveitamento de energia da ração.

A redução no consumo em níveis superiores a 12,08% de substituição pode estar associada às características físicas da levedura, pois segundo Maia et al. (2002) a levedura é um alimento altamente aglutinante que leva à formação de aglomerados no fundo dos comedouros e pode causar aderência no bico das aves, favorecendo a redução no consumo. Por outro lado, o maior consumo das aves alimentadas com os diferentes níveis de substituição da levedura em relação ao controle, pode ser atribuído à maior demanda de nutrientes, visto que estas aves também apresentaram maior ganho de peso.

Diferentes influências da inclusão de levedura na ração de frangos sobre o consumo de ração são relatadas na literatura. Grangeiro et al. (2001) não verificaram influências dos níveis crescente de levedura até 7,5% sobre essa variável. Entretanto, Silva et al. (2003) constataram que a inclusão de levedura na ração até 10% reduziu o consumo dos frangos de corte nos períodos de 1 a 21 e de 1 a 42 dias de idade.

Para o ganho de peso, na fase inicial houve redução linear (Y = 729,75 - 2,70x) com o aumento dos níveis de substituição da proteína do farelo de soja pela proteína da levedura de cana-de-açúcar, de modo que para cada 1% de substituição houve redução média de 2,70 g no ganho de peso. No período total de criação houve efeito quadrático (Y = 1552,08 + 100,02x - 3,39x2) , observando-se que o ganho de peso aumentou com os níveis crescentes de substituição atingindo o máximo com cerca de 14,75% de substituição. Conforme o teste de médias, na fase inicial as aves alimentadas com ração contendo levedura de cana-de-açúcar apresentaram ganho de peso significativamente maiores em relação às aves alimentadas com a ração controle. Para o período total de criação não houve diferença significativa no ganho de peso das aves submetidas aos diferentes tratamentos.

Além de serem ingeridos, os nutrientes das rações devem ser degradados e absorvidos para se tornarem disponíveis nos processos metabólicos. Assim, uma menor disponibilidade de nutrientes nas rações contendo níveis elevados de levedura de cana-de-açúcar seria a responsável pelo menor ganho de peso na fase inicial e com níveis superiores a 15% de substituição no período total de criação. Silva et al. (2003) apresentaram resultados de pesquisas nos quais níveis de inclusão da levedura acima de 10% promoveram queda no ganho de peso dos frangos de corte. Esse efeito foi atribuído às características físicas da parede celular da levedura que contribuem para a redução da disponibilidade dos nutrientes (PERDOMO et al., 2004) e, consequentemente, para o menor ganho de peso.

Na literatura, os resultados da influência da inclusão de levedura na ração sobre o ganho de peso são divergentes. Grangeiro et al. (2001) verificaram que a inclusão de levedura obtida da indústria de aguardente em níveis de até 7,5% não influenciou significativamente o ganho de peso dos frangos de corte nas diferentes fases de criação. Entretanto, Silva et al. (2003) verificaram que a inclusão de 10% de levedura obtida da indústria de álcool na ração de frangos prejudicou o ganho de peso no período de 1 a 21 dias e de 1 a 42 dias de idade.

Para conversão alimentar, observou-se efeito significativo na análise de regressão apenas na fase inicial. Nessa fase houve efeito quadrático (Y = 1,60 + 0,50x - 0,002x2) que demonstrou uma piora na conversão alimentar até o nível 12,5% de substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura, melhorando em seguida com níveis superiores. Com a comparação das médias, observou-se que na fase inicial e no período total de criação não houve diferença significativa dos resultados obtidos para os níveis de substituição da proteína avaliados quando comparados à ração controle.

O efeito observado para a conversão alimentar dos frangos de corte alimentados com os diferentes níveis de substituição pode ser atribuído ao menor aproveitamento dos nutrientes da ração, visto que o aumento no consumo de ração não foi acompanhado de um aumento no ganho de peso.

Assim como para o consumo e o ganho de peso, os efeitos da inclusão da levedura na ração sobre a conversão alimentar dos frangos de corte são variáveis. Grangeiro et al. (2001) não verificaram diferença significativa na conversão alimentar das aves alimentadas com diferentes níveis crescentes de inclusão de levedura de cana-de-açúcar na ração até 7,5%. Entretanto, Silva et al. (2003) constataram que, embora o consumo de ração e o ganho de peso tenham diminuído no período de 1 a 21 dias de idade, a conversão alimentar dos frangos neste período não foi influenciada significativamente pela inclusão de levedura na ração. Porém, na avaliação do período total de criação foi verificado que a inclusão de levedura no nível de 10% prejudicou a conversão alimentar.

As divergências na literatura da influência dos níveis de levedura sobre o consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar dos frangos de corte, bem como em relação aos resultados obtidos na presente pesquisa podem estar associadas aos níveis de inclusão testados, mas principalmente devido às características desse alimento. Como já mencionado, a levedura de recuperação, obtida dos processos fermentativos da cana-de-açúcar, está sujeita a variações no seu valor nutricional, devido a alterações de composição química, que depende do método de obtenção, que por sua vez varia quanto ao substrato e microrganismo utilizados e método de secagem.

Vale ressaltar que as diferenças entre os resultados de desempenho na fase inicial e no período total podem decorrer da recuperação do desempenho na fase de crescimento (21 a 42 dias) associada a um crescimento compensatório possibilitado por uma menor inclusão do alimento avaliado na ração dessa fase e uma maior capacidade de digestão das aves com o avançar da idade. Também é possível que o aumento no coeficiente de variação dos dados obtidos para o período total tenha contribuído para que as possíveis diferenças não fossem detectadas.

Na análise de regressão das características de carcaça (Tabela 5), observou-se que não houve efeito significativo da substituição parcial da proteína do farelo de soja pela da levedura sobre o rendimento de carcaça, peito, coxa e sobrecoxa, quantidade de gordura abdominal e a percentagem de penas.

Na comparação das médias, observou-se que o rendimento de carcaça, peito, coxa e sobrecoxa, bem como a quantidade de gordura abdominal e a percentagem de penas, não variaram significativamente nos diferentes níveis de substituição em relação ao grupo controle.

Há relatos dos efeitos da nutrição sobre o rendimento de carcaça e a quantidade de gordura abdominal dos frangos de corte (LEESON; SUMMERS, 2001). Entretanto, as alterações nestas características, principalmente na gordura abdominal, parecem estar mais sujeitas aos efeitos do nível de energia da ração (OLIVEIRA NETO; OLIVEIRA; DONZELE, 2000) e das relações energia:proteína ou energia:aminoácidos nas rações. Nesse contexto, a inclusão de um alimento em rações calculadas para serem isonutrientes poderia alterar as características de carcaça se o valor nutricional do alimento adicionado não tivesse sido corretamente avaliado, alterando as relações mencionadas anteriormente. Assim, a ausência de variação sobre as características de carcaça verificada na presente pesquisa pode ser considerada como resultado esperado. Avaliando os efeitos da inclusão de levedura de recuperação na ração de frangos de corte, Grangeiro et al. (2001) e Silva et al. (2003) também não verificaram influências significativas da inclusão desse alimento sobre o rendimento de carcaça e quantidade de gordura abdominal dos frangos.

Na análise de regressão para viabilidade econômica (Tabela 6) houve efeito significativo na fase inicial e no período total de criação das aves.

Na fase inicial, houve efeito quadrático para o custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo (Y = 0,964 + 0,028x - 0,001x2) , índice de custo (Y = 91,80 + 2,64x - 0,097x2) e índice de eficiência econômica (Y = 106,67 - 26,56x + 1,02x2). Conforme os resultados, à medida que a percentagem de substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura aumentou houve aumento no custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo e no índice de custo, atingindo valores máximos estimados com cerca de 14,00 e 13,61% de substituição, respectivamente. Esses níveis de substituição correspondem a 9,52 e 9,25% de inclusão da levedura nas rações.

Em função dos resultados obtidos para as variáveis descritas anteriormente, o índice de eficiência econômica piorou à medida que a percentagem de substituição cresceu atingindo o mínimo com cerca de 13,88% de substituição, correspondendo a 9,44% de inclusão de levedura nas rações.

No período total de criação das aves, houve efeito quadrático sobre o custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo (Y = 1,77 - 0,088x + 0,003x2) , índice de custo (Y = 167,24 - 8,196x + 0,247x2) e índice de eficiência econômica (48,07 + 6,405x - 0,193x2). Conforme os resultados, à medida que a percentagem de substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura aumentou o custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo e o índice de custo reduziram, atingindo o mínimo com cerca de 14,67 e 16,59% de substituição, respectivamente. Esses níveis de substituição correspondem a 8,21 e 9,29%de inclusão da levedura nas rações.

Em decorrência dos resultados obtidos para o custo das rações e o índice de custo, o índice de eficiência econômica melhorou à medida que a percentagem de substituição aumentou, atingindo o máximo com cerca de 16,60% de substituição, correspondendo a 9,30% de inclusão de levedura nas rações.

Na comparação dos resultados pelo teste de médias, observou-se que na fase inicial houve diferença significativa apenas com o nível 5% de substituição. Este nível resultou no menor custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo, menor índice de custo e melhor índice de eficiência econômica. Entretanto, no período total de criação das aves, os níveis de 15 e 20% de substituições proporcionaram menor custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo, menor índice de custo e melhor índice de eficiência econômica em relação ao grupo controle.

Os dados obtidos na presente pesquisa indicam a viabilidade econômica da substituição de até 20% da proteína do farelo de soja pela proteína da levedura em rações para frangos de corte contendo 20% de farelo de castanha de caju. Entretanto, é importante ressaltar que no cálculo das variáveis, custo das rações por quilograma de ganho de peso vivo, índice de custo e índice de eficiência econômica, são considerados as relações entre o consumo e o ganho de peso obtido para cada nível de substituição. Assim, quando existe uma proporcionalidade entre as relações consumo e ganho de peso de dois ou mais tratamentos, as diferenças no custo de produção podem ser as mesmas, independente da diferença no consumo e ganho de peso que possa ter existido anteriormente. Nesse sentido, a avaliação econômica através desses índices por si só não será o melhor indicador de quanto deve ser o nível de substituição ou de inclusão de um alimento alternativo na ração.

Considerando que em nenhuma das fases de criação, o desempenho das aves alimentadas com 20% de substituição da proteína do farelo de soja pela da levedura de cana-de-açúcar foi significativamente inferior ao obtido para o grupo controle, e que este nível também não afetou as características de carcaça e foi economicamente viável, pode-se recomendar até 20% de substituição em rações para frangos de corte contendo 20% de farelo de castanha de caju. Esse percentual de substituição resulta na inclusão de 13,66 e 11,20% de levedura nas rações da fase inicial e final, respectivamente.

Estes níveis de inclusão da levedura são superiores aos 10% recomendados por Silva et al. (2003) e aos 7,5% recomendados por Grangeiro et al. (2001), para utilização da levedura de recuperação obtida da indústria de aguardente na alimentação de frangos de corte.

 

CONCLUSÃO

Em rações para frangos de corte contendo 20% de farelo de castanha de caju, a proteína bruta do farelo de soja pode ser substituída pela da levedura de cana-de-açúcar oriunda da indústria de produção de aguardente em níveis de até 20%.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Empresa Ypioca pela doação da levedura de cana-de-açúcar utilizada nesta pesquisa.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em 21/09/2010; aprovado em 20/06/2012

 

 

* Autor para correspondência
1 Parte da Dissertação do terceiro autor apresentada no Departamento de Zootecnia/UFC