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Revista Ciência Agronômica

On-line version ISSN 1806-6690

Rev. Ciênc. Agron. vol.44 no.4 Fortaleza Oct./Dec. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-66902013000400009 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Produção de cenoura fertilizada com flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) R.Br.)1

 

Production of carrots fertilised with roostertree (Calotropis procera (Ait.) R.Br.)

 

 

Maiele Leandro da SilvaI,*; Francisco Bezerra NetoII; Paulo Cesar Ferreira LinharesII; Anne Katherine Holanda BezerraII

IUniversidade Federal Rural do Semi-Árido, Av. Francisco Mota 572, Costa e Silva, Mossoró-RN, Brasil, 59.625-900, maiele_engenharia@yahoo.com.br
IIUniversidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró-RN, Brasil, bezerra@ufersa.edu.br, paulolinhares@ufersa.edu.br, bezerrakate@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

O trabalho foi conduzido na Fazenda Experimental Rafael Fernandes, no período de agosto 2011 a janeiro de 2012, com o objetivo de determinar a quantidade de flor-de-seda incorporada ao solo e o(s) tipo(s) de parcelamento (s) dessa quantidade que devem ser usados no desempenho agronômico da cenoura. O delineamento experimental usado foi de blocos completos casualizados com três repetições, em esquema fatorial 4 x 3 (4 quantidades e 3 parcelamentos). Os tratamentos consistiram de quatro quantidades de flor-de-seda (6; 19; 32 e 45 t ha-1 em base seca), parceladas em três proporções (30% 15 dias antes da semeadura (DAS) + 70% aos 30 dias depois da semeadura (DDS), 40% aos 15 DAS + 60% aos DDS e 50% aos 15 DAS + 50% aos 30 DDS). A cultivar de cenoura plantada foi a 'Brasília'. As características avaliadas foram: altura de plantas, número de hastes por planta, massa seca da parte aérea, produtividade comercial, total e classificada de raízes. A maior performance agronômica da cenoura foi obtida na quantidade de 45 t ha-1 de flor-de-seda incorporada ao solo no parcelamento de 30% 15 dias antes da semeadura + 70% 30 dias depois da semeadura.

Palavras-chave: Daucus carota. Adubação com espécie espontânea. Eficiência agronômica.


ABSTRACT

The work was conducted at the Rafael Fernandes Experimental Farm, from August 2011 to January 2012, with the objective of determining the amount of roostertree incorporated in the soil, and the divisions of this amount that should be used for the agronomic performance of the carrot. The experiment used a completely randomized block design with three replications, in a 4 x 3 factorial scheme (4 amounts and 3 divisions). Treatments consisted of four amounts of roostertree (6; 19; 32 and 45 t ha-1 in a dry base), in three divisions (30% 15 days before sowing (DBS) + 70% at 30 days after sowing (DAS), 40% at 15 DBS + 60% for DAS and 50% at 15 DBS + 50% at 30 DAS). The carrot cultivar planted was 'Brasilia'. The characteristics evaluated were: plant height; number of stems per plant; shoot dry weight; and the commercial, total and classified productivity of the roots. The greatest agronomic performance of the carrot was obtained from the amount of 45 t ha-1 roostertree incorporated in the soil, divided into 30% 15 days before sowing + 70% 30 days after sowing.

Key words:  Daucus carota. Spontaneous-species fertilisation. Agronomic efficiency.


 

 

INTRODUÇÃO

A agricultura orgânica tem crescido em importância no Brasil, devido à conscientização da população sobre o consumo de produtos isentos de contaminantes tóxicos, minimizando os danos ao meio ambiente. De acordo com a Bio Brazil Fair (2012) estima-se que, em 2011, o setor de produtos orgânicos tenha movimentado cerca 500 milhões de reais no País. O mercado teve um crescimento de 30 a 40% em 2012, repetindo o bom desempenho de 2011.

Na produção de hortaliças, ultimamente tem-se empregado adubos orgânicos de várias origens, com intuito de reduzir o uso de adubos minerais, possibilitar o aumento nutricional do vegetal e ainda proporcionar melhoria nas propriedades físicas e químicas do solo (SOUZA et al., 2005). Entre os adubos orgânicos, o de origem vegetal tem se destacado, tornando-se uma técnica muito utilizada na produção de hortaliças folhosas e tuberosas no Nordeste brasileiro.

A utilização desta técnica tem se expandido devido aos seus efeitos benéficos no solo, como o aumento do teor de matéria orgânica do solo, maior disponibilidade de nutrientes, diminuição dos teores de alumínio e maior capacidade de reciclagem e mobilização de nutrientes (CALEGARI et al., 1993), melhoria da estrutura e do arejamento do solo e de sua capacidade de armazenar umidade, além de ter efeito regulador na temperatura do solo. Retarda a fixação do fósforo, aumentando a capacidade de troca catiônica (CTC), ajudando a segurar o potássio, cálcio, magnésio e outros nutrientes em formas disponíveis para as raízes, protegendo-as de lavagem ou lixiviação pela água das chuvas ou de irrigação (BATISTA et al., 2012). Esses efeitos são bastante variáveis, dependendo da espécie utilizada, do manejo dado à biomassa, da época de plantio, do corte do material vegetal, do tempo de permanência dos resíduos no solo, das condições locais e da interação entre esses fatores (ALCåNTARA et al., 2000).

Espécies espontâneas da Caatinga têm sido utilizadas como adubo verde e têm demonstrado bons resultados no cultivo de hortaliças, entre elas: jitirana (Merremia aegyptia L.) utilizada como adubo verde nas culturas de rúcula (LINHARES et al., 2009a), alface (BEZERRA NETO et al., 2011; GÓES et al., 2011), coentro (LINHARES et al., 2012), beterraba (SILVA et al., 2011) e cenoura (OLIVEIRA et al., 2011). Estudos com o mata-pasto (Senna uniflora L.) e com flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) R.Br.) ainda estão em fase inicial. O mata-pasto têm sido utilizado na cultura do coentro com sucesso (LINHARES et al., 2010) e a flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) R.Br.) usado na cultura do rabanete e rúcula (LINHARES et al., 2009b; LINHARES et al., 2011).

A Calotropis procera popularmente conhecida no Nordeste brasileiro como flor-de-seda possui diversos nomes de acordo com as regiões do Brasil, entre eles: algodão de seda, algodão da praia, leiteira, paininha-de-seda, saco-de-velho, leiteiro, queimadeira, pé-de-balão, janaúba e ciúme. Pertencente à família Apocynaceae, esta espécie vegetal possui porte arbustivo ou subarbustivo, podendo chegar a 3,5 m de altura, ereta e perene com poucas ramificações (RANGEL; NASCIMENTO, 2011). É uma espécie dotada de crescimento rápido, requerendo apenas 90 dias após sua germinação para alcançar altura superior a 50 cm e produzir suas primeiras flores (ANDRADE et al., 2005). Seus primeiros testes em algumas folhosas e tuberosas tem evidenciado resultados promissores como adubo verde (BATISTA, 2011).

Diante do exposto, objetivou-se nesse trabalho, determinar a quantidade de flor-de-seda incorporada ao solo e o(s) tipo(s) de parcelamento(s) dessa quantidade que devem ser usados no desempenho agronômico da cenoura.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido na Fazenda Experimental Rafael Fernandes, localizada no distrito de Alagoinha, distante 20 km da sede do município de Mossoró (5º11' S e 37º20' W, 18 m de altitude), em solo classificado como Latossolo Vermelho Amarelo Argissólico franco arenoso (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA, 2006), no período de setembro de 2011 a janeiro de 2012. O clima na região, pela classificação de Kšppen, é BsWh, ou seja, seco, muito quente e com estação chuvosa no verão (CARMO FILHO; ESPÍNOLA SOBRINHO; MAIA NETO, 1991). Durante o período experimental, dados da estação meteorológica do local foram observados em que a temperatura média máxima esteve entre 30,8 e 35,0 ºC e a média mínima esteve entre 18,4 e 25,4 ºC.

Antes da instalação do trabalho, foram retiradas amostras de solo, na profundidade de 0-20 cm, as quais foram secadas ao ar e peneiradas em malha de 2 mm e, em seguida, analisadas no Laboratório de Química e Fertilidade de Solos da UFERSA. Os resultados foram: pH (água1:2,5) = 6,45; Ca = 1,84 cmolc dm-3; Mg = 0,37 cmolc dm-3; K = 0,14 cmolc dm-3; Na = 0,12 cmolc dm-3; P = 3,40 mg dm-3 e M.O. = 0,55 %.

O preparo do solo consistiu de uma gradagem; em seguida, o levantamento dos canteiros que foi realizado manualmente, utilizando enxadas. Após a confecção dos canteiros, foi realizada uma solarização durante 30 dias, com a finalidade de reduzir a população de fitopatógenos do solo que por ventura viessem a prejudicar o desenvolvimento e a produtividade da cultura da cenoura.

A flor-de-seda foi coletada em localidades próximas à cidade de Mossoró, no início do período de floração, quando a planta apresentava a maior concentração de nutrientes. As plantas foram trituradas em máquina forrageira convencional, obtendo-se fragmentos entre 2,0 e 3,0 cm. Foram secas ao sol e acondicionadas em sacos de ráfia permanecendo com umidade média de 10%, segundo Batista (2011), e armazenada nas instalações da UFERSA, em ambiente seco, adequado para a conservação de material fenado, para serem incorporadas ao solo. Foram retiradas cinco amostras de flor-de-seda seca, levadas ao Laboratório do Departamento de Solos da UFERSA para análise no tecido vegetal dos teores de N, P e K, cujos resultados foram: 22,7; 10,0 e 28,9 g kg-1, respectivamente.

O delineamento experimental em blocos completos casualizados foi utilizado com os tratamentos arranjados em esquema fatorial 4 x 3 (4 quantidades e 3 formas de parcelamento), com 3 repetições. Os tratamentos consistiram de quatro quantidades de flor-de-seda incorporadas ao solo: 6; 19; 32 e 45 t ha-1 em base seca, parceladas em três proporções: 30% aos 15 dias antes da semeadura (DAS) mais 70% aos 15 dias depois da semeadura (DDS); 40% aos 15 DAS mais 60% aos 30 DDS e 50% aos 15 DAS mais 50% aos 30 DDS.

Cada parcela experimental teve uma área total de 1,44 m2 (1,20 m x 1,20 m) e uma área útil de 0,80 m2. Seis fileiras ou linhas de plantio foram dispostas transversalmente em cada parcela, espaçadas entre si de 0,20 m e dentro da linha no espaçamento de 0,10 m entre plantas, resultando em uma população de 500.000 plantas ha-1. A cultivar de cenoura utilizada foi a Brasília, recomendada para a condição semiárida do Nordeste brasileiro (LOPES et al., 2008).

O plantio da cenoura foi realizado no dia 04/10/2011 em semeadura direta, a aproximadamente 2,0 cm de profundidade, colocando-se duas a três sementes por cova. Aos 23 dias após a semeadura, foi realizado o desbaste, deixando-se uma planta por cova. As irrigações foram efetuadas por um sistema de micro-aspersão, com turno de rega diária parcelada em duas aplicações (manhã e tarde), fornecendo-se uma lâmina de água de aproximadamente 8 mm dia-1. Capinas manuais foram realizadas sempre que necessário.

A colheita foi realizada aos 93 dias após a semeadura (06/01/2012). Logo após, raízes e plantas foram transportadas para o Laboratório de Pós-Colheita de Hortaliças do Departamento de Ciências Vegetais da UFERSA, onde foram avaliadas as seguintes características: altura de plantas, número de haste por planta, massa seca da parte aérea e de raízes, produtividade comercial e total da cenoura e a produtividade classificada de raízes.

A altura de plantas foi obtida medindo-se uma amostra de vinte plantas a partir do nível do solo até a extremidade da folha mais alta e expressa em centímetros. O número de haste por planta foi determinado na mesma amostra de vinte plantas, contando-se o número de hastes, partindo-se das hastes basais até a última haste aberta. A massa seca da parte aérea e de raízes também foi determinada nas vinte plantas amostrais, após secagem em estufa com circulação forçada de ar, com temperatura regulada a 65 ºC, até atingir massa constante e expressa em t ha-1. A produtividade comercial da cenoura foi quantificada a partir da massa fresca das raízes longas, médias e curtas da área útil da parcela, expressa em t ha-1. Consideraram-se como produtividade comercial as raízes livres de rachaduras, bifurcações, nematóides e danos mecânicos. A produtividade classificada de raízes foi obtida segundo o comprimento e maior diâmetro transversal em: longas (comprimento de 17 a 25 cm e diâmetro menor que 5 cm), médias (comprimento de 12 a 17 cm e diâmetro maior que 2,5 cm), curtas (comprimento de 5 a 12 cm e diâmetro maior que 1 cm) e refugo (raízes que não se enquadram nas medidas anteriores), conforme Lana e Vieira (2000), esta produtividade foi expressa em percentagem. A produtividade total foi obtida pela adição da produtividade comercial e refugo, expressa em t ha-1.

A análise de variância foi realizada nas características avaliadas através do software SISVAR (FERREIRA, 2000). O procedimento de ajustamento de curva de resposta foi realizado através do software Table Curve (JANDEL SCIENTIFIC, 1991) na variável quantitativa e o teste Tukey a 5% foi utilizado para comparar as médias da variável qualitativa.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não houve interação significativa entre as quantidades de flor-de-seda incorporadas ao solo e os tipos de parcelamentos nas características de altura de plantas, número de hastes por planta, produtividade comercial e total de raízes, percentagens de raízes médias e curtas e massa seca de raízes de cenoura (Tabela 1).

Observou-se aumento na altura de plantas, número de hastes por planta e na produtividade comercial e total de raízes de cenoura com o aumento das quantidades de flor-de-seda aplicadas ao solo da ordem de 13,18 cm; 1,78 hastes; 12,41 t ha-1 e 12,00 t ha-1, respectivamente, entre a menor e a maior quantidade de flor-de-seda (Figuras 1A a 1D). O aumento dessas características com as quantidades crescentes de flor-de-seda se deve, em parte, à maior disponibilidade de nutrientes, principalmente N, P e K liberados pela flor-de-seda (BATISTA, 2011), como também, a melhoria nas características químicas e físico-química do solo obtida com acréscimo das doses crescentes do adubo verde (SOUZA et al., 2005). Segundo Fontanétti et al. (2006), a absorção de nutrientes advindos da mineralização de adubos verdes pelas hortaliças depende, em grande parte, da sincronia entre a decomposição e mineralização dos resíduos vegetais e da época de maior exigência da cultura. Essa decomposição é controlada pelos organismos do solo, pelas condições ambientais e pela natureza ou composição química do material em decomposição (XU; HIRATA, 2005).

De acordo com Batista (2011), a relação C:N da flor-de-seda, nas condições do semiárido do Rio Grande do Norte, está entre 20 e 30:1, que depende do estágio de desenvolvimento e do material coletado, relação essa que confere a capacidade de decomposição rápida, e consequente disponibilidade de nitrogênio na forma absorvida pelas plantas (PERIN; SANTOS; URQUIAGA, 2004). Para Prado (2009), o nitrogênio é um dos principais nutrientes responsáveis pelo desenvolvimento das plantas, pois influencia diretamente a expansão celular e a taxa fotossintética, sendo o mais exigido pelas hortaliças.

Observou-se um aumento na percentagem de raízes médias e massa seca de raízes de cenoura em função das quantidades crescentes de flor-de-seda incorporadas ao solo, alcançando os valores máximos de 58,74% e 4,56 t ha-1, respectivamente, nas quantidades de 29,68 t ha-1 e 41,9 t ha-1 de flor-de-seda adicionadas ao solo, decrescendo em seguida até a última quantidade incorporada ao solo (Figuras 2A e 2C). Para a percentagem de raízes curtas, foi registrado um decréscimo entre a menor e a maior quantidade de flor-de-seda, com a percentagem máxima de 32,8% obtida na quantidade de 6 t ha-1 de flor-de-seda adicionada ao solo (Figura 2B), evidenciando assim a importância da maior quantidade de flor-de-seda aplicada as solo.

Não se observou diferença significativa entre os valores médios nos tipos de parcelamentos da adubação com flor-de-seda nas características altura de plantas, número de hastes por planta, produtividade comercial e total de raízes e percentagens de raízes médias e curtas (Tabela 2). No entanto, diferença significativa foi observada na massa seca de raízes com o tipo de parcelamento 40% + 60% sobressaindo-se do parcelamento 30% + 70% e não deferindo do parcelamento 50% + 50% (Tabela 2).

Interação significativa foi observada nas características de massa seca da parte aérea, percentagens de raízes longas e raízes refugo, entre as quantidades de flor-de-seda incorporadas e os tipos de parcelamentos no solo (Tabela 3).

Desdobrando-se as quantidades de flor-de-seda dentro dos tipos de parcelamentos, observou-se um aumento da ordem de 7 t ha-1 e 1,8 t ha-1 na massa seca da parte aérea, com as quantidades crescentes de flor-de-seda dentro dos parcelamentos 30% + 70% e 50% + 50%, respectivamente, entre a menor e a maior quantidade de flor-de-seda incorporada (Figura 3A). Para as quantidades de flor-de-seda dentro do parcelamento de 40% + 60%, não foi possível ajustar nenhuma função resposta para a massa seca da parte aérea (Figura 3A), observando-se maior valor de massa seca na quantidade de 19 t ha-1 de flor-de-seda incorporada ao solo.

Para a percentagem de raízes longas, o aumento foi da ordem de 9,34 e 10,83%, em função das quantidades crescentes de flor-de-seda dentro dos tipos de parcelamentos 30% + 70% e 40% + 60%, entre a menor e a maior quantidade incorporada (Figura 3B). No entanto, um aumento da percentagem de raízes longas dentro do parcelamento 50% + 50% foi observado até o valor máximo de 15,09 % na quantidade de 12,11 t ha-1 de flor-de-seda, decrescendo, em seguida, até a última quantidade adicionada (Figura 3B).

Desdobrando-se os parcelamentos dentro das quantidades de flor-de-seda incorporadas ao solo, observou-se que a percentagem de raízes classificadas como refugo dentro do parcelamento 50% + 50%, decresceu 13,9% entre a menor e a maior quantidade de flor-de-seda incorporada (Figura 3C). Esse decréscimo se deve às maiores quantidades de flor-de-seda incorporadas ao solo e a competição intraespecífica nas raízes de cenoura. Por outro lado, no parcelamento 30% + 70% e 40% + 60%, não foi possível ajustar nenhuma função resposta para a percentagem de raízes refugo (Figura 3C).

As quantidades otimizadas de massa seca de raízes, percentagens de raízes longas e médias alcançadas nas quantidades de flor-de-seda incorporadas ao solo de 41,9 t ha-1; 12,11 t ha-1 e 29,7 t ha-1, respectivamente, foram diferentes das obtidas por Oliveira et al. (2011) quando trabalharam com cenoura adubada com jitirana (Merremia aegyptia) na mesma área experimental, não encontrando nenhum ajustamento de função resposta para percentagens de raízes longas e médias.

Em termos de produtividade comercial, observou-se que, a percentagem de raízes comerciais obtida variou de 84 a 94%, diferente da encontrada por Oliveira et al. (2011), trabalhando na mesma área experimental, onde obtiveram percentagem que variou de 68 a 83%. Esse maior intervalo na percentagem da produtividade comercial obtida na pesquisa se deve provavelmente, ao melhor aproveitamento dos nutrientes liberados pela flor-de-seda, bem como, à baixa competição intraespecífica registrada nos tratamentos estudados.

Para a massa seca da parte aérea da cenoura, não foi possível obter uma quantidade de flor-de-seda que otimizasse essa característica, apesar de se ter registrado interação entre os fatores estudados nessa variável. Isto significa que quantidades maiores do que as testadas precisam ser experimentadas na avaliação dessa característica da cenoura. Paula (2011) obteve comportamento semelhante para essa característica da cenoura quando adubada com diferentes quantidades de jitirana.

Desdobrando-se os tipos de parcelamentos dentro de cada quantidade de flor-de-seda incorporada, observaram-se diferenças significativas entre os valores médios da massa seca da parte aérea da cenoura dentro da quantidade de 19 t ha-1, com o parcelamento 40% + 60% sobressaindo-se aos demais parcelamentos e na quantidade de 45 t ha-1, os parcelamentos de 30% + 70% e 40% + 60 % sobressaíram-se do parcelamento 50% + 50% (Tabela 4). Nas quantidades de 6 e 32 t ha-1, não se observou diferença significativa entre os tipos de parcelamentos de flor-de-seda incorporadas ao solo para esta característica.

Para percentagem de raízes longas, observaram-se diferenças significativas entre os valores médios dos tipos de parcelamentos dentro da quantidade de 45 t ha-1, com os parcelamentos de 30% + 70% e 40% + 60% sobressaindo-se ao parcelamento 50% + 50% (Tabela 4). Nas quantidades de 6; 19 e 32 t ha-1, não se observou diferença significativa entre os tipos de parcelamentos de flor-de-seda incorporadas ao solo.

Para percentagem de raízes refugos, observou-se diferenças significativas entre os valores médios dos tipos de parcelamento dentro da quantidade de 6 t ha-1, com o parcelamento de 50% + 50% se destacando dos parcelamentos 30% + 70% e 40% + 60% e na quantidade de 19 t ha-1, com os parcelamentos de 50% + 50% e 40% + 60% se sobressaindo ao parcelamento 30% + 70% (Tabela 4). Nas quantidades de 32 e 45 t ha-1, não se observou diferença significativa entre os tipos de parcelamento de flor-de-seda incorporada ao solo. As diferenças significativas entre os tipos de parcelamentos dentro das quantidades de flor-de-seda incorporadas se deve principalmente à interação entre os fatores estudados, como também, ao comportamento e à habilidade de determinadas características da cenoura em responder a esses efeitos no sistema de produção estabelecido.

A maior percentagem de raízes longas e raízes refugos registrada nas quantidades de 45 e 6 t ha-1 de flor-de-seda incorporada ao solo, respectivamente, evidencia a potencialidade desta espécie espontânea para ser utilizada como adubo verde. Estes efeitos benéficos da maior quantidade de flor-de-seda, se deve, aos teores de nutrientes do material incorporado (principalmente os teores de N, P e K, registrados na análise) e à disponibilidade destes para a cenoura tal como foi observado por Santos et al. (2008).

Esse aumento pode estar relacionado às funções que os adubos verdes exercem sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, uma vez que, eles apresentam efeitos condicionadores e aumentam a capacidade do solo em armazenar nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas (PAULA, 2011).

 

CONCLUSÃO

A maior produtividade da cenoura foi obtida na quantidade de 45 t ha-1 de flor-de-seda incorporadas ao solo. Não houve diferença entre os parcelamentos.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em 08/08/2012; aprovado em 30/06/2013

 

 

*Autor para correspondência
1 Parte da Tese de Doutorado da primeira autora apresentada na UFERSA

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