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Revista Ciência Agronômica

Print version ISSN 0045-6888On-line version ISSN 1806-6690

Rev. Ciênc. Agron. vol.47 no.1 Fortaleza Jan./Mar. 2016

http://dx.doi.org/10.5935/1806-6690.20160024 

Artigo Técnico

Associação de fungicidas no controle da antracnose da soja no Mato Grosso do Sul1

Fungicide association in the control of anthracnose in the soybean in Mato Grosso do Sul

Afonso da Silva Pesqueira2  * 

Lilian Maria Arruda Bacchi2 

Walber Luiz Gavassoni2 

2Departamento de Fitopatologia, Universidade Federal da Grande Dourados, Rodovia Dourados Tahum, Km 12, Caixa Postal 533, Cidade Universitária, Dourados-MS, Brasil, 79.804-970, afonsopesqueira@hotmail.com, lilianbacchi@ufgd.edu.br, walbergavassoni@ufgd.edu.br

RESUMO

A soja é um produto agrícola mundial, justificando investimentos para reduzir fatores adversos à sua produção como a antracnose causada por Colletotrichum truncatum. Três experimentos foram conduzidos com o objetivo de avaliar o controle da antracnose por fungicidas, isolados ou em associação, na parte aérea da soja em duas épocas de semeadura na safra 2011/12 nas condições de Dourados e Maracaju (MS). O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados com cinco repetições. Os tratamentos foram: testemunha, carbendazim 250 g a.i. ha-1, piraclostrobina 66,5 g i.a. ha-1 + epoxiconazol 25 g i.a. ha-1, picoxistrobina 60 g i.a. ha-1 + ciproconazol 24 g i.a. ha-1, carbendazim 250 g i.a. ha-1 + piraclostrobina 66,5 g i.a. ha-1 + epoxiconazol 25 g i.a. ha-1 e carbendazim 250 g i.a. ha-1 + picoxistrobina 60 g i.a.ha-1 + ciproconazol 24 g i.a.ha-1. Duas aplicações de fungicidas foram realizadas, a primeira no momento da detecção da doença no estádio R2 de desenvolvimento e a segunda 19 dias após. Foi avaliada a incidência e severidade média, desfolha, altura de plantas, altura da inserção da primeira vagem, número de vagens, produtividade e massa de mil grãos. Foi realizada a patologia de sementes com enfoque na incidência de C. truncatum. O uso de carbendazim, isolado ou em mistura, controlou a antracnose da soja na parte aérea e em sementes. A aplicação de fungicidas proporcionou redução na desfolha, menor porcentagem de pecíolos doentes, maior número de vagens, maior altura de plantas e ganhos na produtividade. Carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina apresentou esporadicamente maior controle do que carbendazim isolado.

Palavras-chave: Colletotrichum truncatum; Glycine max; Doença

ABSTRACT

The soybean is a worldwide agricultural product, and therefore justifies investments in reducing those factors that are unfavourable to production, such as anthracnose caused by Colletotrichum truncatum. Three experiments were carried out with the aim of evaluating the control of anthracnose by fungicides, either singly or in combination, in soybean shoots sown on two dates in the 2011/12 season, under the conditions found at Dourados and Maracaju in the State of Mato Grosso do Sul. An experimental design of randomised blocks with five replications was used. The treatments were: control, carbendazim 250 g a.i. ha-1, pyraclostrobin 66.5 g a.i. ha-1 + epoxiconazole 25 g a.i. ha-1, picoxystrobin 60 g a.i. ha-1 + cyproconazole 24 g a.i. ha-1, carbendazim 250 g a.i. g-1 + pyraclostrobin 66.5g a.i. ha-1 + epoxiconazole 25 g a.i. ha-1 and carbendazim 250 g a.i. ha-1 + picoxystrobin 60 g a.i. ha-1 + cyproconazole 24 g a.i. ha-1. Two fungicide applications were performed, the first when the disease was detected at development stage R2, and the second 19 days later. The following were evaluated: incidence and average severity, defoliation, plant height, first pod height, number of pods, productivity and thousand grain weight. Seed pathology was carried out focusing on the incidence of C. truncatum. The use of carbendazim, singly or combined, controlled anthracnose in the shoots and seeds of the soybean. The application of fungicides resulted in reduced defoliation, a lower percentage of diseased petioles, a greater number of pods, greater plant height and gains in productivity. Carbendazim + cyproconazole + picoxystrobin occasionally displayed greater control than did single carbendazim.

Key words: Colletotrichum truncatum; Glycine max; Disease

INTRODUÇÃO

A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma commodity agrícola de importância comercial extremamente relevante. Esta é uma excelente fonte de proteína e óleo, podendo ser cultivada em quase todas as regiões do mundo, justificando investimentos em tecnologias que visem ao aumento da produção e a redução dos fatores adversos à cultura (GEHLEN, 2001).

Dentre os principais fatores que limitam a exploração máxima do potencial produtivo da cultura, estão as doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus (SINCLAIR; HARTMAN, 2008).

As perdas ocasionadas por estas, nos Estados Unidos, avaliadas nas safras de 1996 a 2007 chegaram a cerca de 29 milhões de sacas de soja. Doenças causadas por fungos foram responsáveis por cerca de 44% destas perdas nestes 12 anos, sendo a antracnose (Colletotrichum truncatum (Schw.) Andrus & Moore) responsável por 2,36% da perda total e 4,22% das ocasionadas por fungos (WRATHER; KOENNING, 2009).

O fungo C. truncatum é um dos mais importantes patógenos transmitidos via semente, restos culturais e parte aérea da soja (MANANDHAR; HARTMAN, 2008) e a antracnose constitui uma das principais doenças da soja, especialmente nas regiões dos Cerrados (ALMEIDA et al., 1997).

Sob condições de alta umidade, a antracnose é favorecida, causando apodrecimento e queda das folhas e vagens, abertura das vagens imaturas e germinação dos grãos em formação com maior intensidade (GALLI et al., 2005). Além disto, pode causar redução na germinação e na sobrevivência das plântulas, podendo ocasionar também tombamento destas (BEGUM et al., 2008).

Dentre as medidas de controle da antracnose pode-se citar a rotação de culturas, o tratamento de sementes, a adequação da população de plantas, o manejo adequado do solo, o uso de variedades resistentes e o tratamento químico com fungicidas (ADAMI et al., 2006). O controle químico da antracnose na parte aérea da soja foi avaliado anteriormente, destacando-se a eficiência de fungicidas sistêmicos (benzimidazóis) (CASSETARI NETO et al., 2001). A adaptação rápida de populações de fungos aos benzimidazóis (Carbendazim) pode ocorrer com redução da sensibilidade ao fungicida, o que demanda a utilização de fungicidas com diferentes mecanismos de ação (KOLLER, 1998).

Em 2012, foi registrada, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a primeira formulação mista utilizando carbendazim + triazol + estrobilurina (registro nº 14211) (RANGEL, 2012), não sendo disponibilizada para comercialização no período da realização dos experimentos. Sendo que, trabalhos científicos, com essa associação, eram ainda incipientes.

Este trabalho teve como objetivos avaliar o controle químico da antracnose da soja e a presença de Colletotrichum sp. em sementes, por meio de formulações utilizando carbendazim, triazol e estrobilurina, isoladas ou em associação, em duas épocas de semeadura na safra 2011/12 nas condições dos municípios de Dourados e Maracaju-MS.

MATERIAL E MÉTODOS

Três experimentos foram conduzidos na safra 2011/12, sendo dois semeados em 24/10/11, no período de safra (1ª época), simultaneamente, na área experimental da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados (MS), e na propriedade rural Água Santa Clara, em Maracaju (MS). O terceiro, conduzido apenas em Dourados, no período de safrinha (2ª época), com semeadura em 12/01/12. O clima da região, segundo a classificação de Koppen é Mesotérmico Úmido, do tipo Cwa, com temperaturas e precipitações médias anuais variando de 20 a 24 ºC e de 1.250 a 1.500 mm. O solo é do tipo Latossolo Vermelho distroférrico e textura argilosa.

Duas cultivares susceptíveis à doença foram utilizadas no presente trabalho, sendo que, nos experimentos semeados na primeira época, em Dourados e Maracaju, foi utilizada a cultivar Coodetec 219 RR® e, na segunda época, em Dourados, a cultivar BMX Potência RR®.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, constituído de seis tratamentos e de cinco repetições. As parcelas foram constituídas de 3,15 m de largura, com sete linhas de semeadura com espaçamento de 0,45 m, por 5,0 m de comprimento, perfazendo uma área total de 15,75 m2 por parcela. Como área útil, foram consideradas as três linhas centrais, desprezando-se 0,5 m de bordadura de cada lado do comprimento, totalizando uma área útil de 5,4 m2 por parcela.

Os experimentos foram constituídos pelos seguintes tratamentos: testemunha sem aplicação, carbendazim, piraclostrobina + epoxiconazol, picoxistrobina + ciproconazol, carbendazim + piraclostrobina + epoxiconazol e carbendazim + picoxistrobina + ciproconazol, cujas doses dos fungicidas estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Tratamentos dos experimentos compostos por fungicidas registradas no MAPA para o controle da antracnose e ferrugem asiática da soja na safra 2011/12 

Nome Comercial Ingrediente ativo4 - Dose
i.a.1 (g ha-1) p.c.2 (L ha-1)
Testemunha - - -
Portero® Carbendazim 250 0,50
Opera® epoxiconazol+piraclostrobina 25 + 66,5 0,50
Aproach Prima®3 ciproconazol+picoxistrobina 24 + 60 0,30
Portero®+Opera® carbendazim+epoxiconazol+piraclostrobina 250 + 25 + 66,5 0,50 + 0,50
Portero®+Aproach Prima®3 carbendazim+ciproconazol+picoxistrobina 250 + 24 + 60 0,50 + 0,30

1i.a = ingrediente ativo,

2p.c. = produto comercial,

3 adicionado Nimbus 0,75 l.ha-1, 4Grupo químico: carbendazim = benzimidazol; epoxiconazol e ciproconazol = triazol; picoxistrobina e piraclostrobina = estrobilurina

O manejo inicial de plantas daninhas em pré-semeadura foi realizado, utilizando-se de gradagem, nos experimentos realizados em Dourados, e aplicação de Roundup® e 2,4D Nortox®, em Maracaju, respeitado o período de carência dos herbicidas utilizados.

Em Maracaju, devido à baixa saturação por bases no solo (V% < 50), foi realizada a correção, aplicando-se 2 ton ha-1 de calcário (PRNT = 85%) para se elevar a saturação a 60,0%. Aditivamente, foi realizada a aplicação de 1 ton ha-1 de gesso agrícola. Neste local, a adução de semeadura foi realizada aplicando-se N-P-K em linha de 400 kg ha-1 da fórmula 4-30-10 com micronutrientes e 120 kg ha-1 em cobertura de KCl.

Nos experimentos realizados em Dourados, foi realizada apenas a adubação de semeadura em linha utilizando 300 kg ha-1 de N-P-K da fórmula 2-20-18 com micronutrientes. Esta diferença na adubação foi devido às condições de solo serem diferentes e assim, tentou-se igualar as condições dos experimentos.

As sementes foram tratadas com fungicida carbendazin + thiram (Derosal Plus®), adicionando-se os inseticidas imidacloprido + tiodicarbe (Cropstar®), em Maracaju, e fipronil (Standak®), em Dourados, e posteriormente foi realizada a inoculação à base de turfa (Masterfix®), contendo as bactérias Bradyrhizobium elkani (Estirpe Semia 5019) e Bradyrhizobium japonicum (Estirpe Semia 5079), conforme recomendação do MAPA (BRASIL, 2012).

Durante a condução dos experimentos, foram realizadas outras aplicações de defensivos agrícolas para controle de formigas, lagartas, percevejos e plantas daninhas, sendo todos os produtos recomendados pelo MAPA (BRASIL, 2012).

No experimento semeado em Dourados na 2ª época (safrinha), as condições naturais foram alteradas, devido à baixa precipitação e à disponibilidade de pivô, foram realizadas irrigações de 14 mm nos dias 7, 9, 11 e 12 de março e de 35 mm no dia 14 de março, para que assim, neste experimento, houvesse um acúmulo de 196 mm neste mês, sobressaindo à média esperada nos últimos 30 anos (141,76 mm).

Para operações de aplicação de fungicida, foi utilizado um pulverizador costal pressurizado com CO2, à pressão constante de 2,5 kgf cm-2, acoplado a uma barra de pulverização composta de quatro pontas tipo leque (Jacto Série 110-LD-02), trabalhando com uma vazão de 200 L ha-1.

A primeira aplicação dos tratamentos foi realizada no estádio de desenvolvimento R2 (floração plena) da escala de Yorinori (1996), e, 19 dias após a primeira, foi realizada a segunda aplicação, no estádio R5.1. Nos experimentos de 1ª época, não foi detectada a ferrugem asiática da soja (FAS) na área. No experimento de 2ª época, a FAS foi verificada após o estádio fenológico R1, desta forma, aplicações quinzenais de triazol (Caramba 90®) foram realizadas neste experimento em todas as parcelas.

As avaliações de incidência (porcentagem de folíolos com sintomas) e severidade (área foliar lesionada) foram realizadas nos estádios fenológicos R5.2 (vagens com granação de 10 a 25%) e R5.5 (vagens com granação de 75 a 100%). Foram avaliados dez folíolos (sem pecíolos) centrais de trifólios do terço inferior, médio e superior da planta, respectivamente. Na avaliação de severidade, foi adaptada a escala diagramática para antracnose do feijoeiro proposta por Godoy et al. (1997), a qual prevê notas de 0 a 24, conforme a área foliar lesionada.

No estádio fenológico R5.5, foram coletadas, em cada parcela, cinco plantas aleatoriamente fora da área útil da parcela, as quais foram arrancadas e levadas para avaliação em laboratório. Foram quantificados o número total de nós e nós com pecíolo na haste principal, total de pecíolos, pecíolos com sintoma e folíolos totais, para compor cálculo de desfolha e porcentagem de pecíolos doentes. Também, dados associados aos componentes de produção como a altura de plantas, altura da inserção da primeira vagem, número de vagens, produtividade e massa de mil grãos foram avaliados.

O cálculo da desfolha foi realizado através da relação entre os folíolos esperados (que deveriam estar presentes na planta) e os folíolos presentes na planta, utilizando-se as seguintes fórmulas:

onde NFE = Número de folíolos esperados; NNT = Número de nós total na haste principal (desprezando-se os nós das folhas unifolioladas); NCP = Número de nós com pecíolo na haste principal; e NP = Número de pecíolos total.

Então:

onde NFT corresponde ao número de folíolos total presentes na planta.

Quanto à porcentagem de pecíolos doentes (%PD), realizou-se a divisão entre número de pecíolos doentes (NPD), pelo número de pecíolos total (NPT) da planta multiplicados por 100 (%PD = (NPD/NPT)*100).

A colheita foi realizada manualmente no dia 02 de março de 2012, nos experimentos de 1ª época, e no dia 14 de maio de 2012, no experimento de 2ª época, utilizando-se apenas a área útil da parcela. A produtividade foi determinada com a massa obtida dos grãos de cada parcela ajustada a 13% e convertidas em kg ha-1. A massa de 1.000 grãos foi obtida através da média de três amostras aleatórias de 100 grãos multiplicadas por 10.

Em laboratório, foi realizado o teste de sanidade modificado de Neergaard (1979), utilizando-se do método do papel-de-filtro (“blotter test”) para quantificação da porcentagem de sementes infectadas por patógenos de sementes. Neste método utilizaram-se grãos sem assepsia superficial, dispostos em caixas gerbox, contendo três folhas de papel de filtro previamente esterilizadas, embebidas numa solução de 2,4-D a 0,02% do produto comercial e em ágar diluído (10 g de ágar/1.000 mL de água).

Foram utilizadas 20 sementes por recipiente. Para cada parcela utilizaram-se 200 grãos, que foram tomados ao acaso. As caixas gerbox foram acondicionadas em blocos casualisados.

Em seguida, as sementes foram incubados em ambiente controlado, com temperatura entre 22 e 26 °C, sob regime de 12 h de luz/12 h de escuro. Após um período de incubação de sete dias, as sementes foram examinadas, uma a uma, sob microscópio estereoscópico e os fungos presentes foram identificados e quantificados com base nos esporos.

Os dados dos três experimentos foram submetidos à análise conjunta utilizando o aplicativo SISVAR. Em caso de ausência de interação significativa entre local e tratamento foram utilizadas as médias dos três experimentos.

Após esta análise, foram utilizados os dados conjuntamente ou para cada experimento e de acordo com a análise de variância, em caso de constatação de diferença significativa entre as médias dos tratamentos e dos experimentos, fez-se a comparação pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A detecção da antracnose nos experimentos ocorreu na fase reprodutiva R2, quando apresentava incidência de até 1,0%. Neste momento, foi realizada a primeira aplicação dos tratamentos, tratando-se assim de um controle curativo. Problemas ocasionados por fitotoxidez aos fungicidas e suas associações não foram detectados nos experimentos.

Não houve efeito do local na altura de plantas, número de vagens, produtividade, massa de mil grãos e incidência de Colletotrichum sp. em sementes, podendo-se analisar conjuntamente estas variáveis (Tabela 2).

Tabela 2 Anova dos dados avaliados através de análise conjunta dos três experimentos, para os diferentes tratamentos, nas cultivares Coodetec 212 RR na primeira época semeadura, na região de Dourados e Maracaju – MS, e BRS Potência RR na segunda época, na região de Dourados-MS, na safra 2011/12 

F.V. GL. Quadrados Médios
Incidência Média1 (%) Severidade Média1 (%) Número Folíolos2 Altura 1ª Vagem (cm) Pecíolos Doentes (%)
R5.2 R5.5 R5.2 R5.5
Local 2 3767,04* 910,00* 24,21* 10,46* 0,05ns 3390,35* 1127,49*
Tratamento 5 2465,70* 3600,89* 6,04* 35,58* 6,13* 79,75* 3747,24*
Bloco(Loc) 12 142,16* 77,65ns 0,09ns 1,76* 1,00* 5,45ns 31,38ns
Loc*Trat 10 269,85* 316,22* 1,89* 3,26* 1,19* 18,48* 190,11*
CV(%) 15,34 12,12 15,99 21,18 8,49 11,25 25,92
Continuação...EV. GL. Quadrados Médios
Desfolha Número Altura Planta Massa Mil Grãos(g) Produtividade (g) Incidência1
(%) Vagens2 (cm) Colletotrichum
Local 2 904,88* 75,94* 2725,29* 12310,93* 8342824,12* 41,80*
Tratamento 5 1145,28* 4,30* 175,57* 26,02ns 323226,10* 88,84*
Bloco(Loc) 12 240,75* 0,85* 126,48* 159,26* 194385,52* 4,41ns
Loc*Trat 10 243,94* 0,40ns 40,02ns 50,03ns 29720,45ns 4,33ns
CV(%) 44,77 8,73 6,95 4,41 12,37 57,16

1Para análise estatística os dados de incidência e severidade foram transformados em arcoseno √x/100.

2Para análise estatística os dados de número de folíolos e vagens foram transformados em √x

Quanto à incidência média no estádio R5.2, somente os tratamentos com ciproconazol + picoxistrobina, em Dourados, na 1ª época, e epoxiconazol + piraclostrobina, em Dourados, na 2ª época, não controlaram a doença (Tabela 3). O tratamento carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina apresentou o melhor controle em Dourados, na 2ª época, se sobressaindo inclusive ao carbendazim.

Tabela 3 Incidência média da antracnose da soja (%), no estádio fenológico R5.21 e R5.51, para os diferentes tratamentos fungicidas, nos três experimentos onde foram semeadas as cultivares Coodetec 219 RR (Dourados e Maracaju 1ª época de semeadura) e BRS Potência RR (Dourados 2ª época de semeadura), na safra 2011/12 

EDC1 Tratamentos Incidência2 (%)
Dourados 1ª época Maracaju 1ª época Dourados 2ª época
R5.2 Testemunha 74,00 aAB 62,00 aB 85,33 aA
Carbendazim 44,66 cB 34,67 bcB 60,67 bcA
Epoxiconazol+Piraclostrobina 56,66 bcB 36,00 bcC 75,33 abA
Ciproconazol+Picoxistrobina 61,33 abA 42,00 bB 62,00 bcA
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 46,66 bcA 23,33 cB 48,66 cdA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 40,66 cA 40,66 bA 39,33 dA
CV (%) 15,40 19,83 12,37
R5.5 Testemunha 85,33 aA 83,37 aA 88,67 aA
Carbendazim 60,00 bcAB 49,33 cB 67,33 bA
Epoxiconazol+Piraclostrobina 75,33 abA 48,67 cB 86,00 aA
Ciproconazol+Picoxistrobina 62,00 bcA 67,33 bA 66,67 bA
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 48,66 cdA 50,67 cA 58,67 bA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 39,33 dA 42,00 cA 40,00 cA
CV (%) 12,37 11,57 12,22

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna, para tratamento, e maiúscula na linha, para local, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

1Estádio de desenvolvimento da cultura.

2Dados originais. Para análise estatística os dados de incidência foram transformados em arcoseno √x/100

No estádio R5.5, todos os tratamentos controlaram a incidência da antracnose, exceto epoxiconazol + piraclostrobina que não diferiu da testemunha sem aplicação em Dourados semeado na 1ª e 2ª épocas. Nos três locais, o tratamento carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina teve bons resultados, com uma média de 40,0% de incidência em folíolos, contudo, destacou-se somente em Dourados na 1ª e 2ª épocas de semeadura, onde diferiu do carbendazim utilizado isoladamente.

Em Dourados na 2ª época, os produtos com carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina apresentaram-se melhores quanto a incidência, em relação ao carbendazim isolado (Tabela 3). Atualmente, a formulação triazol + estrobilurina é a principal associação recomendada para o controle da FAS, principal doença na cultura da soja, responsável por perdas acentuadas (YORINORI et al., 2003), justificando a associação por serem produtos recomendados para as principais doenças da soja.

Em relação à severidade da doença, somente o tratamento epoxiconazol + piraclostrobina não controlou a doença em R5.5 em Dourados na 2ª época (Tabela 4). Carbendazim associado à epoxiconazol + piraclostrobina ou ciproconazol + picoxistrobina não diferiram em nenhum dos locais, do tratamento carbendazim.

Tabela 4 Severidade média da antracnose da soja, em R5.21 e R5.51, para os diferentes tratamentos fungicidas, nos três experimentos onde foram semeadas as cultivares Coodetec 219 RR (Dourados e Maracaju 1ª época de semeadura) e BRS Potência RR (Dourados 2ª época de semeadura), na safra 2011/12 

EDC1 Tratamentos Severidade2,3
Dourados 1ª época Maracaju 1ª época Dourados 2ª época
R5.2 Testemunha 0,202 aB 0,088 aC 0,816 aA
Carbendazim 0,064 cB 0,042 bcB 0,175 cA
Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,082 bcB 0,048 bB 0,488 bA
Ciproconazol+Picoxistrobina 0,104 bB 0,046 bC 0,206 cA
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,062 cB 0,026 cC 0,150 cA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 0,060 cA 0,054 bA 0,084 cA
CV (%) 10,82 12,29 16,52
R5.2 Testemunha 2,027 aA 1,484 aA 0,854 aB
Carbendazim 0,449 bcAB 0,586 bcA 0,228 cdB
Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,576 bcA 0,254 bcB 0,624 abA
Ciproconazol+Picoxistrobina 1,062 bA 0,594 bAB 0,340 bcB
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,241 cA 0,190 cA 0,256 cdA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 0,277 cA 0,210 cA 0,118 dA
CV (%) 21,78 22,01 18,09

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna, para tratamento, e maiúscula na linha, para local, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

1Estádio de desenvolvimento da cultura.

2Dados originais. Para análise estatística os dados de severidade foram transformados em arcoseno √x/100.

3Escala diagramática adaptada de Godoy et al. (1997)

Adami et al. (2006), trabalhando com 13 fungicidas a base de triazol, triazol + estrobilurina e carbendazim no controle de C. truncatum, verificaram que todos os fungicidas testados foram eficientes na redução da severidade da doença em folíolos, coincidindo com os resultados encontrados no presente trabalho, com exceção para o experimento realizado em Dourados na 2ª época de semeadura, no estádio R5.5 (Tabela 4).

A incidência e a severidade da antracnose da soja foram controladas com a aplicação de associações de fungicidas utilizando benzimidazol, triazol e estrobilurina independentemente do local, estádio fenológico da cultura ou época, contudo em muitos casos, não há diferença em relação à utilização do carbendazim isoladamente (Tabelas 3 e 4). Os produtos recomendados para FAS (triazol + estrobilurina), em alguns casos, apresentaram resultados semelhantes à testemunha no controle da antracnose.

A associação de fungicidas ou seu uso alternado auxilia na redução do risco de aparecimento de formas do patógeno resistentes aos fungicidas. Rodrigues et al. (2007), avaliando a resistência de Guignardia citricarpa (Mancha preta do citros) aos fungicidas carbendazim e piraclostrobina, encontraram resistência em isolados obtidos em áreas com elevada frequência de aplicação de fungicidas benzimidazóis, comprovando que a piraclostrobina pode ser um composto alternativo para diminuir as chances de um controle ineficaz da doença.

Todos os tratamentos com fungicidas resultaram em maior número de folíolos em Dourados, 1ª época (Tabela 5). Em Maracaju, 1ª época e Dourados, 2ª época, o tratamento epoxiconazol + piraclostrobina não se diferenciou da testemunha. Ciproconazol + picoxistrobina não resultou em maior número de folíolos, em Maracaju.

Tabela 5 Número de folíolos por plantas, altura de inserção da primeira vagem (cm), porcentagem de pecíolos doentes e de desfolha causada pela antracnose da soja, para os diferentes tratamentos fungicidas, nos três experimentos onde foram semeadas as cultivares Coodetec 219 RR (Dourados e Maracaju 1ª época de semeadura) e BRS Potência RR (Dourados 2ª época de semeadura), na safra 2011/12 

Variáveis Tratamentos Dourados 1ª época Maracaju 1ª época Dourados 2ª época
Número folíolos1 Testemunha 38,56 bA 36,00 bA 25,64 cB
Carbendazim 46,52 aA 49,76 aA 51,28 abA
Epoxiconazol+Piraclostrobina 47,16 aA 48,52 abA 35,44 bcB
Ciproconazol+Picoxistrobina 43,88 aA 42,80 abA 51,00 abA
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 49,00 aA 53,96 aA 53,12 aA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 53,52 aB 54,48 aB 68,88 aA
CV (%) 8,47 7,60 9,34
Altura ins. 1a vagem (cm) Testemunha 31,68 aA 30,48 aA 8,80 aB
Carbendazim 24,40 bA 23,48 bcA 7,88 aB
Epoxiconazol+Piraclostrobina 24,36 bA 27,08 abA 5,88 aB
Ciproconazol+Picoxistrobina 21,96 bB 27,56 abA 6,44 aC
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 22,60 bA 24,12 bcA 6,88 aB
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 23,68 bA 22,32 cA 5,56 aB
CV (%) 10,10 8,57 24,14
Pecíolos doentes (%) Testemunha 57,27 aB 46,84 aB 78,49 aA
Carbendazim 20,74 bcA 22,15 bA 25,43 cdA
Epoxiconazol+Piraclostrobina 29,20 bB 21,72 bB 43,04 bA
Ciproconazol+Picoxistrobina 27,53 bcA 25,92 bA 32,13 bcA
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 21,18 bcA 19,49 bA 27,86 cdA
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 14,32 cA 17,38 bA 16,95 dA
CV (%) 25,67 36,01 18,68
Desfolha (%) Testemunha 21,28 aB 25,78 aAB 28,43 aA
Carbendazim 15,07 aA 17,23 bA 3,34 bB
Epoxiconazol+Piraclostrobina 12,04 aA 16,09 bA 13,64 bA
Ciproconazol+Picoxistrobina 17,90 aA 20,93 bA 2,44 bB
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 13,25 aAB 14,37 bA 3,88 bB
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 12,08 aA 13,65 bA 1,54 bB
CV (%) 44,02 30,85 71,89

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna, para tratamento, e maiúscula na linha, para local, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

1Dados originais. Para análise estatística os dados de número de folíolos foram transformados em √x

Os valores obtidos para a altura de inserção da 1ª vagem, em Dourados e Maracaju, na 1ª época, são valores satisfatórios, pois não ocasionam perdas na colheita (Tabela 5). Isto pode ser comprovado quando se analisa os resultados obtidos por Almeida (2008), onde alturas de inserção de primeira vagem abaixo de 10 cm podem acarretar perdas na colheita mecanizada.

Contudo, quando se analisa o experimento de Dourados, 2ª época, todas as médias dos tratamentos ficaram abaixo de 10 cm, mesmo ocorrendo irrigação (Tabela 5). Conforme descrito por Marchiori et al. (1999), a soja semeada na safrinha apresenta redução de seu ciclo, sendo o período de maturação o mais sensível às condições de menor temperatura, umidade e fotoperíodo, proporcionando uma menor altura de inserção da primeira vagem e menor altura de planta.

Os fungicidas utilizados nos três experimentos avaliados reduziram a incidência da antracnose em pecíolos (Tabela 5). O maior destaque foi para o carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina, que se diferenciou estatisticamente em Dourados 1ª época do tratamento epoxiconazol + piraclostrobina e na 2ª época dos tratamentos epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina. Carbendazim aplicado isoladamente comportou-se semelhantemente ao carbendazim associado à epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina no controle da doença em pecíolos.

Em Dourados, 1ª época, a aplicação de fungicidas não reduziu a desfolha (Tabela 5). Nos demais experimentos, houve diferença entre os tratamentos com aplicação de fungicidas e a testemunha, porém, os produtos ou associações utilizados não diferiram entre si. Níveis mais baixos de desfolha foram observados no experimento de Dourados, 2ª época, onde a testemunha apresentou 28,4% e os demais tratamentos não se diferenciaram entre si.

A aplicação de fungicidas proporcionou a produção de um maior número de vagens (Tabela 6). O tratamento carbendazim + ciproconazol + picoxistrobina apresentou aproximadamente 46 vagens na média dos três experimentos, se sobressaindo em relação aos demais fungicidas, inclusive ao carbendazim utilizado isoladamente (37 vagens).

Tabela 6 Número de vagens, altura de plantas (cm), massa de mil grãos (gramas) e produtividade da soja (Kg ha-1), em função de diferentes fungicidas aplicados na parte aérea, nos três experimentos na região de Dourados e Maracaju (MS), na safra 2011/12 

Tratamentos Número de vagens1 Altura de plantas Massa de mil grãos Produtividade
cm g kg ha-1
Testemunha 25,25* c 59,64 b 117,03 a 1472,19 b
Carbendazim 36,89 b 66,25 a 117,80 a 1794,71 a
Epoxiconazol+Piraclostrobina 33,47 b 65,72 a 119,95 a 1749,60 a
Ciproconazol+Picoxistrobina 36,62 b 65,64 a 118,86 a 1748,98 a
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 36,76 b 66,81 a 120,18 a 1835,19 a
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 45,97 a 70,20 a 120,02 a 1895,98 a
CV (%) 8,73 6,95 4,41 12,37
Dourados - 1ª época de semeadura 21,03 C 67,85 B 106,88 B 1183,36 C
Maracaju - 1ª época de semeadura 28,07 B 73,99 A 142,36 A 1838,17 B
Dourados - 2ª época de semeadura 58,39 A 55,29 C 107,68 B 2226,80 A

Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, minúscula para tratamentos e maiúscula para experimentos, não diferem entre si pelo este de Tukey a 5% de probabilidade.

*Médias das cultivares Coodetec 219 RR e BRS Potência RR.

1Dados originais. Para análise estatística os dados de número de vagens foram transformados em √x

Os tratamentos com fungicida proporcionaram uma maior altura de plantas (Tabela 6). As plantas, em Dourados, na primeira época, apresentaram-se menores do que em Maracaju, com uma média de aproximadamente 68 cm. Isso pode ser explicado pela diferença no clima, solo e adubação utilizada.

Não houve diferença entre os tratamentos para a massa de mil grãos (Tabela 6). Entretanto, a aplicação de fungicidas influenciou positivamente a produtividade. O tratamento com carbendazim associado à epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina proporcionaram produtividades superiores a 1.800 kg ha-1, com um incremento médio de aproximadamente 6,5 sacas ha-1 em relação à testemunha, no entanto, sem diferir estatisticamente dos outros tratamentos com aplicação de fungicidas.

A baixa produtividade verificada nos experimentos realizados na primeira época foi resultado da menor precipitação na safra 2011/12 na fase de enchimento de grãos (Tabla 6). Em Dourados, 2ª época, foi realizado irrigação no período vegetativo, permitindo que níveis de produtividades mais elevados pudessem ser obtidos.

As associações de fungicidas com modos de ação distintos apresentam benefícios em sua utilização no combate da antracnose da soja. Novos trabalhos devem ser conduzidos com relação a estas associações, especialmente em relação às doses utilizadas de cada ingrediente ativo.

A garantia de melhor desempenho de determinada cultura depende, fundamentalmente, da utilização de sementes vigorosas, isentas de doenças e cultivares resistentes (PEREIRA et al., 2009). A presença de fungos nas sementes colhidas foi analisada, especialmente em relação ao agente causal da antracnose. A incidência máxima observada foi 1,27% para Colletotrichum sp. (Tabela 7).

Tabela 7 Incidência (%) de Colletotrichum sp. em sementes das cultivares CD 219 RR e BRS Potência RR, em função de diferentes fungicidas aplicados na parte aérea da soja em três experimentos na safra 2011/12 nas regiões de Maracaju e Dourados (MS) 

Tratamentos Colletotrichum sp.1
%
Testemunha 1,27* a
Carbendazim 0,03 c
Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,80 ab
Ciproconazol+Picoxistrobina 0,63 b
Carbendazim+Epoxiconazol+Piraclostrobina 0,23 c
Carbendazim+Ciproconazol+Picoxistrobina 0,03 c
CV (%) 57,16
Dourados - 1ª época de semeadura 0,37 B
Maracaju - 1ª época de semeadura 0,85 A
Dourados - 2ª época de semeadura 0,28 B

Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, minúscula para tratamentos e maiúscula para experimentos, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

*Médias das cultivares Coodetec 219 RR e BRS Potência RR.

1Dados originais. Para análise estatística os dados de incidência de fungos em sementes foram transformados em arcoseno √x/100.

De maneira geral, as sementes de soja, oriundas de parcelas que receberam aplicação de fungicida durante a fase reprodutiva, apresentaram menor ou pelo menos igual incidência do patógeno em relação à testemunha.

A incidência de Colletotrichum sp. foi registrada com baixos níveis nas sementes de soja (0,03 a 1,27%) e nenhum tratamento se apresentou sem a presença do fungo. Apesar de aparentemente serem níveis baixos de incidência, se for considerado que são semeadas 300.000 sementes ha-1, serão 3.810 sementes (Número de sementes contaminadas representadas por 1,27%) com a presença do fungo. Danelli et al. (2011) avaliaram a incidência de fungos em sementes obtidas em função do emprego dos diferentes tratamentos de semente e parte aérea para as cultivares FUNDACEP 53 RR e FUNDACEP 55 RR e a incidência de Colletotrichum truncatum variou de 0,10 a 2,16%, sendo semelhante à encontrada neste trabalho.

Somente o fungicida epoxiconazol + piraclostrobina aplicado na parte aérea não controlou a incidência de Colletotrichum sp. em sementes (Tabela 7). Carbendazim utilizado isoladamente ou em associação com epoxiconazol + piraclostrobina ou ciproconazol + picoxistrobina, apresentaram os melhores resultados. Os dois fungicidas utilizando apenas epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina não tiveram diferenças entre si.

Houve maior incidência em Maracaju de Colletotrichum sp. (0,85%). Goulart, Paiva e Andrade (1995) encontraram resultado de incidência de Colletotrichum sp. divergente com os resultados encontrados no presente trabalho, quando avaliaram a qualidade sanitária de sementes de soja produzidas no Mato Grosso do Sul, em relação ao local, pois os lotes de sementes produzidos em Maracaju, segundo os autores, apresentaram menores incidências do fungo.

Atualmente, há muitas cultivares de soja disponíveis no mercado, mas existem poucas informações quanto ao nível aceitável de incidência de patógenos associados às sementes destinadas à comercialização. Assim, para que haja um melhor controle da disseminação de doenças via sementes, é necessário que sejam estudados e estabelecidos padrões sanitários. Nesse caso, o controle de antracnose na parte aérea, não apenas pode resultar em redução de danos à produção, mas também contribuir para a produção de sementes de soja de melhor qualidade sanitária.

CONCLUSÕES

  1. A aplicação de fungicidas proporciona redução na desfolha, menor porcentagem de pecíolos doentes, maior número de vagens, maior altura de plantas e maior produtividade. O uso de carbendazim (250 g i.a. ha-1) controla a antracnose da soja, associado ou não com epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina;

  2. 2. A associação de carbendazim (250 g i.a. ha-1) + ciproconazol (24 g i.a. ha-1) + picoxistrobina (60 g i.a. ha-1) apresentou maior número de vagens e controle da incidência em Dourados na segunda época de semeadura, onde foi utilizada a cultivar Potência, nas duas avaliações quando comparado à aplicação isolada de carbendazim (250 g i.a. ha-1), necessitando-se assim, mais observações sobre o benefício da associação de diferentes fungicidas no controle da antracnose da soja;

  3. 3. A aplicação de carbendazim, isoladamente ou em mistura com epoxiconazol + piraclostrobina e ciproconazol + picoxistrobina, na parte aérea, reduziu a incidência de Colletotrichum sp. em sementes de soja.

Trabalho extraído da Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal da Grande Dourados

Agradecimentos

AGRADECIMENTOS

À CAPES, pela bolsa concedida e ao CNPq, pelo apoio financeiro.

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Recebido: 19 de Julho de 2013; Aceito: 11 de Julho de 2015

* Autor para correspondência

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