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JISTEM - Journal of Information Systems and Technology Management

versão On-line ISSN 1807-1775

JISTEM J.Inf.Syst. Technol. Manag. (Online) vol.5 no.2 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.4301/S1807-17752008000200004 

Um estudo da produção acadêmica nacional sobre gestão do conhecimento através da teoria do conhecimento de Habermas

 

A national academic production study about knowledge management through Haberma's knowledge theory

 

 

André Felipe de Albuquerque FellI; José Rodrigues FilhoII; Rezilda Rodrigues OliveiraI

IPrograma de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Pernambuco (PROPAD/UFPE), Pernambuco, Brasil
IIPrograma de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Paraíba (PPGA/ UFPB), Paraíba, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

The purpose of this study is to challenge the academic production on Knowledge Management (KM) recently published by the Brazilian academy. A total of 6,096 published articles in the Proceedings of the National Meeting of Postgraduate Management Programs, named ENANPAD, from 1997 to 2007, were compiled. Habermas' knowledge theory has great relevance for the critical debate on the area of knowledge management (KM) in three types of knowledge: technical, practical and emancipatory. Through the documental research it was possible to identify the absolute predominance of the technical interest as a characteristic of the instrumental reason directed to constant prediction and control in the area of KM. Approximately 75% of these empirical studies did not address the question of power relations and knowledge nor did it address human consciousness emancipation towards a critical reflection of oppressive practices or political and ideological social approaches.

Keywords: Knowledge management; Habermas; Academic Production; knowledge theory.


 

 

1. INTRODUÇÃO

Parece ser bastante comum encontrar na literatura acadêmica ou gerencial uma diversidade de denominações que tentam representar o atual momento histórico nomeado como "pós-industrial", no qual a característica do "novo paradigma técnico-econômico", da "Economia do Conhecimento", tem nas tecnologias de informação e comunicação uma de suas bases. Essas denominações são: a sociedade do conhecimento, a sociedade da informação, sociedade de redes etc.

Contudo, há estudiosos que enxergam nesta sociedade da informação, com a onda de fusões e reorganizações de grupos econômicos, regulamentações e desregulamentações de mercados, além da valorização sem precedentes do ativo "conhecimento" - de novo e sempre, o capitalismo de progresso unilateral, extremamente concentrador de renda e poder. Para De Landa (1997), o resultado destas grandes fusões de empresas é o poder de eximir-se das "regras" do mercado, constituindo-se em um "antimercado", porque passa a ser dono dele, uma vez que as grandes literalmente "fazem" os preços, e não sendo à toa que elas tenham um peso residual na produção do emprego.

Ainda sob a ótica econômica, há de se considerar a nitidez da conjugação da sociedade da informação com a lógica abstrata da mercadoria (BOURDIEU, 1996a), que é mostrada enfaticamente por Aronowitz (apud BOURDIEU, 1996b) em sua obra referente à "fábrica do conhecimento". Para o autor mencionado por Bourdieu (1996b), "as universidades americanas praticamente abandonaram seu mandato educativo e social para restringir-se ao atrelamento capitalista, perfazendo o pano de fundo da competitividade sem limites". O que isto significa? Significa abrir mão do compromisso histórico com a construção do conhecimento de interesse coletivo da humanidade e aprisionar-se à seletividade de cursos técnico-funcionalistas, sistematicamente ditados / ordenados segundo a demanda do mercado.

Demo (2000a, p.38) completa: "Com efeito, o conhecimento mais inovador é provocado pelo mercado, que necessita do ímpeto desconstrutivo do conhecimento, particularmente do conhecimento dito pós-moderno, colocando a inovação mercantilizada como razão maior de ser".

Ademais, no contexto da organização dita pós-industrial, baseada no conhecimento, a forma de gerir o conhecimento (valor intangível) passa a ser um importante vetor ao se considerar que uma cultura "seria definida menos por uma certa distribuição de idéias, de enunciados e de imagens em uma população humana do que pela forma de gestão social do conhecimento que gerou essa distribuição" (LÉVY, 1993, p. 139). Por isso, freqüentemente, estão entrelaçados os conceitos de organização que aprende, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento - este último estando relacionado às novas tecnologias de informação e comunicação.

Neste sentido, questiona-se, como a produção científica sobre Gestão do Conhecimento (GC) é refletida nas publicações recentes do meio acadêmico brasileiro? Para responder a esta questão foi feita uma análise dos artigos apresentado nos fóruns anuais promovidos pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração - ANPAD, tomando como referência o período de 1997 a 2007.

O exame dos artigos, feito por áreas temáticas em que eles foram submetidos, tem como ponto de partida, a teoria do conhecimento do filósofo alemão Jürgen Habermas, de modo a introduzir o debate sobre o assunto, segundo uma perspectiva crítica na área de GC. Em seguida, procurou-se delinear critérios aplicados à pesquisa documental que foi realizada em associação com três espécies de conhecimentos identificados por Habermas: técnico, prático e emancipatório. Foi constatado, então, o predomínio quase absoluto do interesse técnico, bem característico da razão instrumental, que explica a busca constante de predição e controle, inclusive na área de GC.

 

2. GESTÃO DO CONHECIMENTO E TEORIA DO CONHECIMENTO DE HABERMAS

2.1 Gestão do Conhecimento (GC)

Numa economia globalizada dominada pelo capitalismo e pelo enorme débito mundial, as transformações tecnológicas tentam transformar o conhecimento na forma de capital como recurso mais importante. Neste sentido, os modismos e tendências sociais têm contribuído, sem dúvida, para a popularidade da gerência e impopularidade da ciência.

É preciso compreender que as batalhas pelo poder dentro das organizações nem sempre consideram o conhecimento como o recurso mais importante. Na atual administração pública do Brasil, por exemplo, quando se comenta que a ética "é roubar", há dúvidas se é o conhecimento ou a esperteza o recurso mais importante dentro das organizações. Assim sendo, alguns trabalhos têm Demonstrado que nem sempre o conhecimento é o recurso mais importante e o que é chamado de gestão do conhecimento, como o mais novo modismo gerencial, nada mais é do que gestão da informação. Muitos embarcaram no trem da alegria do discurso de gestão do conhecimento, mas a única satisfação que se tem disto é o fato de que o trem não tinha rodas (RODRIGUES FILHO; GOMES, 2006).

Desta forma, na sociedade contemporânea, com a proliferação de símbolos e regras pelas novas tecnologias de informação e comunicação, parece que houve uma acelerada evolução das experiências humanas, a ponto de sua atuação sobre as relações de produção e consumo aumentarem o valor da informação e do conhecimento, hoje, impregnados nos produtos.

A matéria está cheia de informações (LÉVY, 2001), já tendo sido apontado por Marx, há dois séculos, que a força material da sociedade atual é o conhecimento técnico-científico alimentando o sistema produtivo. Daí a lógica informacional ser diferente da lógica industrial, o que exige novos elementos explicativos para a atual dinâmica econômica, além dos fatores neoclássicos de produção como terra, recursos naturais, mão-de-obra e capital. A impregnação da matéria de valor informacional desencadeia a necessidade das organizações reverem suas estratégias competitivas, seja na geração de novos produtos ou serviços, bem como nas suas relações com clientes e fornecedores; enfim, todo o seu ambiente competitivo.

Ademais, a Economia do Conhecimento, para Stewart (2002), está embasada em três pilares. O primeiro diz respeito ao fato de o conhecimento estar presente em praticamente tudo o que se fabrica, compra ou vende. O segundo explicita que os ativos do conhecimento, assim como o capital intelectual, são mais importantes para as empresas contemporâneas do que os ativos financeiros e físicos. Por último, o terceiro pilar é que para prosperar na nova economia e explorar estes novos ativos são necessárias novas técnicas de gestão, novas estratégias e novas tecnologias.

Nessa conjuntura exposta, o conhecimento da organização, também conhecido como capital intelectual ou competência ou inteligência empresarial; é reconhecido como um ativo intangível de inestimável valor (STEWART, 1998; SVEIBY, 1998; DAVENPORT; PRUSAK, 1998).

A criação do conhecimento ocorre de dentro para fora nas organizações com o intuito de redefinir problemas e soluções procurando afetar seu ambiente (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Tal criação de conhecimento organizacional acontece pela interação entre os conhecimentos tácito e explícito, quando o primeiro deixa de pertencer ao indivíduo e passa a pertencer ao grupo ou organização, gerando uma espiral de conhecimento.

Desse modo, a GC pode se compreendida como uma forma de administração e aproveitamento do conhecimento das pessoas e a disseminação das melhores práticas para o crescimento da organização (GILBERTONI; COLENCI JÚNIOR, 2002, p. 3). Em termos práticos, ainda segundo os autores, "gestão do conhecimento consiste na identificação e mapeamento dos ativos intelectuais da organização, divulgando e gerando novos conhecimentos para a vantagem competitiva e compartilhando as melhores práticas e tecnologias que impulsionarão estes processos".

Contudo, há estudiosos críticos afirmando que a GC vem tomando contornos de mais um modismo gerencial, como o foi a reengenharia. Eles afirmam que o discurso da gestão do conhecimento é algo, por natureza, paradoxal e contraditório. Sua linha de análise concentra-se nos seguintes questionamentos (FELL; ALCOFORADO; VOCHT, 2005):

1º) Se o conhecimento tácito tem estreita relação com a experiência pessoal e intransferível de cada trabalhador, como é possível capturar, codificar e gerir o conhecimento tácito alheio?

2º) Ainda que o conhecimento possa ser sistematicamente mapeado, os processos de criatividade e inovação estão completamente assegurados unicamente com a codificação das experiências prévias? Como ter certeza de que a codificação de determinadas experiências prévias é necessariamente a garantia de se ter uma melhora nos processos de criatividade e inovação; conseqüentemente, definindo uma vantagem competitiva?

3º) Por último, a gestão sistemática do conhecimento parece apresentar, ao gerar uma excessiva visibilidade do indivíduo (LÉVY; AUTHIER, 2000), uma postura eminentemente totalitária porque todos na empresa são "estimulados", quando não obrigados a converter o conhecimento pessoal de anos de experiência em conhecimento organizacional valioso. Isso não acarretaria um bloqueio à aprendizagem e, por conseguinte, à inovação?

2.2 A Teoria do Conhecimento de Jürgen Habermas

Conhecido como um dos principais críticos do positivismo, há pouco mais de três décadas, Habermas (1971) procurou desenvolver uma concepção mais ampla da razão, o que o levou a efetuar uma crítica da auto-compreensão positivista da ciência. Seu ataque ao positivismo, baseado na razão instrumental voltada para dominar a natureza, é fundamentalmente dirigido à sustentação de que a validade da ciência independe de qualquer compromisso normativo dos cientistas.

Habermas (1971) quer especificamente questionar se o conhecimento científico está efetivamente liberto de todo vínculo normativo. Desse modo, ele começa a desenvolver suas teorias de "orientação do conhecimento" (knowledge-guiding) ou "interesses constitutivos do conhecimento" (knowledge-constitutive interests), publicado em seu livro intitulado "Conhecimento e Interesses Humanos". Nessa obra, Habermas (1971) faz uma distinção entre três formas de interesses que constituem o conhecimento: interesse técnico, interesse prático e interesse emancipatório. Já os processos de inquirição são também classificados em três categorias e conectados com um dos interesses supracitados (Quadro 1(2), a seguir):

 

 

a) Ciências empírico-analíticas: Nesse enfoque é incorporado um interesse técnico que busca controlar, prever e manipular tanto as forças naturais quanto sociais. Este interesse guia o desenvolvimento de diversas tecnologias para o controle do comportamento humano e de outros elementos do mundo material. As ciências empírico-analíticas incluem as ciências naturais e as sociais à medida que buscam produzir um conhecimento nomológico, isto é, um conhecimento que estuda as leis que presidem aos fenômenos. Na administração de empresas, o interesse técnico fica evidenciado através das práticas que garantam a previsão e o controle de variáveis associadas com o trabalho humano, objetivando o aumento da produtividade. Como exemplo, é possível mencionar a manipulação de variáveis relacionadas ao desenho do trabalho, de forma a aumentar a produtividade do trabalhador.

b) Ciências histórico-hermenêuticas. Nesse enfoque, percebe-se um interesse prático, incluindo as Ciências Humanas à medida que busca uma compreensão interpretativa das configurações. Para Habermas (1971), a lógica de inquirição nas disciplinas culturais é essencialmente diferente da lógica de inquirição das ciências empírico-analíticas. Enquanto o interesse técnico busca apreender a realidade objetivada, o interesse prático visa à manutenção da intersubjetividade do entendimento mútuo (HABERMAS, 1971; McCARTHY, 1989). Na realidade organizacional, a mobilização desse interesse busca o significado atribuído ao trabalho pelos trabalhadores e não o redesenho do comportamento humano para o aumento da produtividade. Em outras palavras, esse interesse procura apreciar o significado do trabalho organizacional das pessoas, ou seja, o que as pessoas pensam e sentem como elas são tratadas no trabalho, não para o controle ou manipulação, mas sim para melhorar a comunicação e, por conseguinte, compreensão mútua (WILLMOTT, 1996).

c) Ciências sociais críticas. Nesse enfoque se inclui a teoria social crítica, bem como a filosofia, considerada como uma disciplina reflexiva e crítica. Nesse enfoque, é incorporado um interesse emancipatório, buscando a reflexão. Por meio da auto-reflexão, o conhecimento vem a coincidir com o interesse em responsabilidade e autonomia, uma vez que a reflexão é um movimento de emancipação (HABERMAS, 1971). O interesse emancipatório apresenta a característica de procurar revelar formas de dominação e exploração, como as existentes na conexão entre as experiências de frustração e sofrimento e as instituições. Ainda que apresente uma afinidade com o enfoque das ciências histórico-hermenêuticas, a atenção da ciência crítica está voltada para o papel do poder em institucionalizar e manter formas desnecessárias quer de opressão, confusão ou sofrimento. Desse modo, a ciência crítica busca entender como são desenvolvidas e legitimadas as práticas e o gerenciamento das instituições, dentro de relações de poder e dominação; sendo possível a transformação dessas instituições. Em termos organizacionais, parece que o convencionado é o ato de não questionar a estrutura das relações de poder, preservando o status quo ao invés de se buscar uma sociedade mais racional capaz de eliminar formas desnecessárias de dominação social.

Há os que argumentam que a teoria dos interesses do conhecimento tenha desencadeado uma das mais ricas controvérsias filosóficas da atualidade, já que severas críticas foram dirigidas a Habermas por tentar fazer uma crítica da sociedade através de uma crítica da ciência.

Siebeneichler (1994) explica que os críticos argumentam que "a tentativa de Habermas em fundamentar a teoria crítica da sociedade através de uma teoria do conhecimento, a cavalo de interesses condutores, foi um grande fracasso". O próprio Habermas reconhece que a tentativa de fundamentar a teoria emancipatória crítica da sociedade por meio de uma teoria do conhecimento constitui um desvio, mas não um fracasso como tem sido alegado (SIEBENEICHLER, 1994).

Como já foi referido, neste trabalho buscou-se examinar como a produção científica sobre GC é refletida nas publicações feitas no meio acadêmico brasileiro, em artigos apresentados nos Encontros Anuais da ANPAD (conforme anais do período de 1997 a 2007), partindo-se de três espécies de conhecimentos identificados por Habermas: técnico, prático e emancipatório.

 

3. MATERIAL E MÉTODO

Fazendo um preâmbulo antes de se discorrer sobre a metodologia aqui adotada, cabe referir que um estreitamento da relação entre Teoria Crítica e estudos administrativos já foi feito anteriormente por Rodrigues Filho (2004, p. 5), ressaltando-se que, para o autor mencionado, nos países desenvolvidos, tentativas têm sido feitas para se aplicar o enfoque habermasiano a esse campo, fruto do reconhecimento de sua contribuição renovadora na filosofia alemã e na teoria social pós-guerra.

No Brasil, nota-se que os estudos em administração com a aplicação da Teoria Crítica parecem incipientes, mesmo na teoria das organizações (BARROS, 2001; DAVEL; ALCADIPANI, 2002). Tal deficiência aparece em algumas discussões sobre o tema, dando a entender que o conhecimento está sendo considerado um artefato ou coisa voltada e vinculada meramente à performance econômica da organização, sendo intermediado pelas tecnologias de informação e comunicação.

Conforme visto anteriormente, Habermas (1971) defende que o conhecimento, junto com os esquemas metodológicos usados para obtê-lo, não está separado dos interesses que o orientam. Como exemplo, as ciências da natureza utilizam-se da metodologia de pesquisa quantitativa para obter conhecimento e controle dos fenômenos estudados. Daí, nos textos de Habermas ser possível encontrar que a pesquisa quantitativa serve e está associada ao conceito de controle social. Quanto à metodologia de pesquisa qualitativa, usada pelas ciências humanas, Habermas (1971) argumenta que ela é associada à visão de emancipação.

Com base em tal perspectiva, então, este trabalho se inscreve dentre aqueles que incentivam, mais uma vez, a realização deste debate interdisciplinar, reunindo elementos de análise que privilegiam as abordagens críticas na área de gestão do conhecimento. Para tanto, nesta pesquisa documental, na qual se adotou o método qualitativo de natureza interpretativa (ORLIKOWSKI; BAROUDI, 1991), criou-se uma base de dados constituída pela produção acadêmica brasileira encontrada nos anais do ENANPAD, que dão acesso às diferentes áreas temáticas em que o tema da GC foi abordado. Vale salientar a importância e a representatividade desse fórum no País, no contexto de referência ora estudado.

De acordo com o levantamento realizado no período escolhido (1997 até 2007), foram totalizados 6.096 artigos, distribuídos da seguinte forma: 241 artigos em 1997; 250 artigos em 1998; 270 artigos em 1999; 364 artigos em 2000; 424 artigos em 2001; 554 artigos em 2002; 629 artigos em 2003; 781 artigos em 2004; 785 artigos em 2005; 835 artigos em 2006 e 963 artigos em 2007. Além de um aumento na quantidade de áreas temáticas, notou-se que, no período de 1997 a 2007, houve um aumento de mais de 350% no número de artigos publicados, denotando uma evolução da produção científica no campo do conhecimento da administração no Brasil.

Em termos mais específicos, foram encontrados 71 artigos (1,16% do total) referentes à GC. A Tabela 1(3) detalha quais são os artigos referentes à GC identificados por ano de ENANPAD.

Pela análise do Gráfico 1(3), percebe-se claramente um crescimento dos trabalhospublicados no ENANPAD relacionados à temática "Gestão do Conhecimento". Ressalta-se que dos 71 artigos referentes à gestão do conhecimento nos ENANPADs de 1997 a 2007, 27 artigos (38,10%) estão ligados à área temática ADI (Administração da Informação); oito artigos (11,26%) à área temática ACT (Administração de Ciência e Tecnologia); quatro artigos (5,63%) estão localizados na área temática MKT (Marketing); três artigos (4,22%) estão localizados na área temática ARH (Administração de Recursos Humanos); três artigos (4,22%) estão localizados na área temática de GCT (Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação) enquanto o restante dos 26 artigos (36,66%) apresenta a sua distribuição nas outras áreas temáticas [EOR (Estudos Organizacionais), ESO (Estratégia em Organizações), CCG (Contabilidade e Controle Ggerencial), GIN (Gestão Internacional) etc.].

Uma possível explicação para o predomínio da área de ADI nas publicações de GC é o fato de as tecnologias de informação e comunicação poderem intermediar todos os processos essenciais na gestão do conhecimento, identificados por Probst, Raub e Romhardt (2002): identificação, aquisição, desenvolvimento, compartilhamento, utilização e retenção. Além disso, nesse período, na área temática ADI foi criada uma divisão que trata especificamente da Gestão da Informação e do Conhecimento (ADI-B).

Dos 71 artigos consultados, também se verificou existir mais de 1.600 referências bibliográficas de autores estrangeiros e brasileiros, relativas ao tema da GC, resultando no levantamento exposto na Tabela 2(3), reunindo-se àqueles que foram citados mais de 10 vezes pelos pesquisadores brasileiros em sua produção acadêmica.

 

 

Para a elaboração dessa freqüência, considerou-se que, quanto mais citado for um trabalho, maior a sua contribuição para determinada área, quer para a criação de novo conhecimento ou para a sistematização de pesquisas a partir dele.

Os autores mais utilizados nas referências dos artigos estudados foram Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi com o seu estudo seminal intitulado "Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação". É interessante notar ainda que apenas um autor brasileiro se encontra dentre os que foram mais citados: José Cláudio Cyrineu Terra.

Outra constatação interessante é que entre os autores mais citados estão alguns cujas obras não tratam diretamente do tema Gestão do Conhecimento, como por exemplo, Yin, Prahalad e Hamel, Mintzberg. Suas obras tratam de estudo de caso, planejamento estratégico e estratégia, respectivamente.

Esta constatação parece indicar que os estudos em GC estão correlacionados com outras áreas de pesquisa, o que reitera o ponto de vista de Earl (2001), no qual é difícil delimitar o campo de estudo da GC, uma vez que várias são as áreas científicas que podem contribuir para a mesma, a exemplo das Ciências da Informação, Sociologia, Ciências Empresariais, Psicologia, Estudos Organizacionais, Gestão Estratégica, Engenharia, Ciências da Computação, Sistemas de Informação, entre outras.

Em termos de conteúdo, foi possível observar nas referências utilizadas nos artigos o predomínio quase absoluto da perspectiva prescritiva e positivista em face do tratamento dado ao tema da GC. Este e outros aspectos são discutidos na próxima seção.

 

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A análise qualitativa dos 71 artigos sobre GC gerou a classificação apresentada na Tabela 3(4), elaborada segundo as três espécies de conhecimentos identificados de acordo com a taxonomia habermasiana: técnico; prático e emancipatório.

De acordo com a Tabela 3(4), foi possível constatar o predomínio quase absoluto do interesse técnico (86% dos artigos sobre GC). O que isso significa? Significa que nos artigos analisados, o interesse técnico através de métodos empírico-analíticos, em busca da predição e do controle, pretende atender a uma razão instrumental que procura desenvolver mecanismos que mantenham o indivíduo submisso e na condição de mero instrumento no ambiente de trabalho, ou seja, o trabalhador "coisificado", "objetificado". Tal instrumentalização do indivíduo, ou mais hodiernamente, do trabalhador do "conhecimento", a pouco e pouco, vem recebendo o aporte dos sistemas computacionais porque, à medida que o trabalho nos escritórios e fábricas vai sendo feito através das tecnologias de informação e comunicação, estando o conhecimento abrigado nos computadores, a capacidade humana de julgamento crítico é pouco valorizada - a ênfase recai na eficiente velocidade de operacionalização dos processos. Todavia, tal velocidade está subordinada à tecnologia disponível, tornando os membros da organização dependentes e dóceis dela, a ponto de perderem a sua percepção humana de fonte de conhecimento e o sentido intrínseco do trabalho; este, agora rotineiro e superficial (ZUBOFF apud TELLES E TEIXEIRA, 2002).

É o interesse técnico que vai impulsionar o desenvolvimento de práticas e geração de conhecimentos subordinados à performance econômica da organização. Assim, vê-se o porquê da presença de uma lógica instrumental de cálculo dos meios com relação aos fins presentes em diversas afirmações-mantras nos textos de interesse técnico: "uso estratégico do conhecimento como vantagem competitiva"; "usar a inteligência e o conhecimento pleno de seus participantes para ampliar sua competitividade", etc.

Ademais, o paradigma objetivista ou positivista por trás do interesse técnico considera o conhecimento como algo objetivo e instrumental, levando os discursos presentes nos textos analisados a procurarem descrever as coisas da realidade organizacional como elas são, isto é, arranjos naturais, entidades concretas e de certa forma fixas (e não socialmente construídas). Em função disso, deduz-se que a GC está agregada a artigos que ressaltam o interesse técnico, em sua grande maioria associado à simples codificação e armazenamento de informação; além de uma tendência à comodificação (commodity), na qual o conhecimento é visto como um artefato ou coisa que, como tal, passa a ser separado do sujeito epistêmico (conhecedor), requerendo o uso de metáforas como colher e garimpar para descrever como o conhecimento está sendo gerenciado.

Já a abordagem cognitivista presente no interesse prático (12,7% dos artigos sobre GC) rompe com a racionalidade instrumental, reconhecendo a relevância fundamental dos significados subjetivos na construção do conhecimento, que como algo publicamente compartilhado, acaba por ser internalizado. Por último, o paradigma ligado ao interesse emancipatório (menos de 1,5% dos artigos sobre GC) sugere uma possibilidade de síntese dialética e reflexiva entre os paradigmas da objetividade e de cognição. Aqui, o aprendizado depende da emancipação dos atores sociais, sendo esta a síntese de aptidões instrumentais, objetivamente construídas e de competências de construção de novos significados (TELLES E TEIXEIRA, 2002).

Para a análise de algumas particularidades dos 71 artigos sobre GC, quatro critérios foram previamente definidos:

a) Em que contexto o tema GC é desenvolvido (artigos teóricos ou empíricos);

b) Que definições de GC são utilizadas pelo(s) autor(es) dos artigos;

c) Qual é a referência institucional do(s) autor(es) do(s) artigo(s) (universidades públicas ou privadas);

d) Que resultados são encontrados pelo(s) autor(es) nos artigos sobre GC.

4.1 Contexto de Desenvolvimento dos Artigos

Esse critério levou à divisão dos artigos em empíricos e teóricos, sendo os primeiros, aqueles baseados em pesquisa que produz e/ou coleta e analisa dados, em busca de aspectos factuais da realidade, segundo Demo (2000b), para quem o significado dos dados empíricos depende do referencial teórico. Os dados empíricos ainda gerariam impacto pertinente no sentido de facilitarem a aproximação prática. Não foram considerados artigos empíricos aqueles que utilizam fatos para tecer comentários, a título de ilustração, acerca de algum caso; mas sim aqueles que efetivamente analisaram dados empíricos a partir de um arcabouço teórico específico. Já os artigos teóricos seriam aqueles em que os autores dissertam os elementos conceituais sobre a GC seguindo uma abordagem de como a mesma deverá acontecer.

Dos 71 artigos sobre GC foi possível verificar que 74,6 % (53 artigos) representavam um estudo empírico e destes, mais de 50% dos trabalhos empíricos (27 artigos) eram da área de ADI (Administração da Informação). Nesta área temática, foram bastante enfatizadas as possibilidades das tecnologias de informação e comunicação facilitarem o processo de gestão conhecimento, quer em seus aspectos de identificação, aquisição, desenvolvimento, compartilhamento, utilização ou retenção.

Os artigos considerados teóricos representavam apenas 25,4% (18 artigos) dos trabalhos em GC e enfatizavam uma diversidade de aspectos conceituais como organizações que aprendem, competências empresariais e maior performance com o eficiente compartilhamento e gerenciamento do conhecimento.

Ressalta-se ainda que nos artigos empíricos constatou-se a seguinte distribuição em termos de contextos nos quais os dados foram recolhidos:

* Empresas privadas = 38 artigos (71,7% dos trabalhos empíricos);

* Empresas públicas = 6 artigos (11,32% dos trabalhos empíricos);

* Empresas públicas e privadas = 3 artigos (5,66% dos trabalhos empíricos);

* ONG(s) = 1 artigo (1,9% dos trabalhos empíricos);

* Empresa(s) de economia mista = 2 artigos (3,77% dos trabalhos empíricos);

* Meta-análise = 3 artigos (5,66% dos trabalhos empíricos).

4.2 Definições de GC

Foi possível perceber que as definições de GC predominantemente utilizadas eram aquelas que partiam de uma perspectiva conciliatória com a aprendizagem organizacional e competências. O que isso significa? Significa o desenvolvimento de uma orientação essencialmente pragmática, isto é, a busca de soluções práticas para problemas práticos - justificando o significativo percentual de trabalhos empíricos (quase 75% do total).

4.3 Referência Institucional do(s) Autor(es) do(s) Artigo(s)

No que diz respeito à referência institucional dos autores que desenvolveram o tema gestão do conhecimento foi possível identificar certa pulverização dos locais que estudavam o tema. Em outras palavras, não foi possível identificar, no período de 1997 a 2007, uma determinada instituição que se destacasse como centro de estudos e pesquisas em GC. A Tabela 4(4) apresenta as referências institucionais dos autores que escreveram sobre o tema do atual estudo.

 

 

Foi possível observar que o número de trabalhos publicados nas instituições de ensino superior da iniciativa privada é um pouco maior (apenas cinco artigos a mais) quando comparado com as publicações das universidades públicas. No entanto, estas últimas têm apresentado um esforço de geração de conhecimento por meio de (re)formulações conceituais e não mera aplicação empírica de conceitos ou modelos importados - bastante presente nos trabalhos das instituições particulares, caracterizando mera reprodução através de estudos de casos ou pesquisa bibliográfica.

Nas universidades públicas, houve uma maior publicação sobre GC na UFRGS (cinco artigos = 15,15%), FEA/USP (quatro artigos = 12,12%) e UFPE (quatro artigos = 12,12%). Já nas universidades privadas, os maiores números de publicações sobre GC estão na Unisinos (seis artigos = 15,8%), EAESP/FGV (cinco artigos = 13,15%) e FACE/FUMEC/FEAD Minas (cinco artigos = 13,15%). Ademais, parece não ser possível identificar uma instituição que possa ser considerada centro de referência nacional em estudos sobre GC devido à diversidade de locais onde o tema tem sido desenvolvido.

4.4 Resultados Encontrados pelo(s) Autor(es) nos Artigos sobre GC

Em boa parte dos artigos analisados, os resultados indicam que há uma relação da GC com a predição e o controle organizacionais (voltados para a performance econômica da empresa), o que atende a uma razão instrumental e permite a formulação da proposição de que o conhecimento e o seu conseqüente gerenciamento passam a ser uma commodity a ser cuidadosamente trabalhada pelas tecnologias de informação e comunicação para aumento da competitividade e produtividade.

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É sabido que a perspectiva crítica, que teve a sua consolidação nos anos 1990, no contexto anglo-saxônico, com a criação e o desenvolvimento do movimento intitulado Critical Management Studies - CMS (ALVESSON; WILLMOTT, 1992, 1996), vem ganhando corpo como alternativa analítica para os estudos organizacionais (CLEGG; HARDY, 1999).

Destaca-se que, em nível da produção acadêmica internacional, o movimento dos Estudos Críticos em Administração (ECA) vem gradativamente ganhando espaço, o que justifica um aumento na organização e publicação de números especiais de journals e workshops; a realização bianual, desde 1999, de uma Critical Management Studies Conference e, desde 2001, a Universidade de Lancaster na Inglaterra oferecer um Ph.D. em Critical Management Studies (e.g., FOURNIER; GREY, 2000). Em termos brasileiros, Davel e Alcadipani (2002) identificaram que o engajamento dos pesquisadores e teóricos brasileiros na análise crítica em Administração e, por conseguinte, a produção crítica no Brasil ainda é muito reduzida (2,16%), ainda que seja possível identificar reconhecidos estudiosos críticos nacionais, como Guerreiro Ramos, Maurício Tragtenberg e Fernando Prestes Motta, que se propuseram a submeter a Administração e os Estudos Organizacionais ao crivo crítico bem antes do período de articulação e surgimento do movimento crítico anglo-saxão na década de 1990.

Mais recentemente no Brasil, uma das aplicações da Teoria Crítica na área organizacional foi o trabalho de Fernando Tenório (2000) que se propôs a estudar a flexibilização organizacional. Contudo, merece referência o trabalho de Guerreiro Ramos (1981) que levanta pontos básicos para uma abordagem substantiva das organizações, além de uma ênfase no estudo da emancipação; confirmada pela afirmação de Barros (2001, p.8 ) de que, no Brasil, "o sociólogo Guerreiro Ramos traz a discussão da emancipação para o ambiente organizacional".

Nos artigos sobre GC, aqui analisados, parece prevalecer uma visão altamente funcionalista do conhecimento e de sua gestão, considerando que quase 75% dos trabalhos remetem a estudos empíricos. Por outro lado, não se notou grande evidência de análises que considerem aspectos como as relações de poder e o conhecimento; nem tampouco, acerca de temáticas identificadas com a emancipação da consciência humana para a reflexão crítica sobre as práticas opressivas; ou ainda, enfoques sociais, políticos e ideológicos. Em outras palavras, a perspectiva de que a realidade, bem como o conhecimento, deve ser entendido como socialmente construído, não chegou a despontar na discussão, o que pode explicar a não emergência de uma definição universal de conhecimento.

Os textos produzidos teriam que ter adotado essa vertente questionadora. Em suma, parece não ter havido alinhamento com a visão de que o conhecimento pode ser definido na prática, nas atividades e interações entre indivíduos.

Por fim, mas não menos importante, cabe lembrar que o olhar deste trabalho, fortemente identificado com a adoção de abordagens críticas na área de GC, reconheceu e identificou que, no meio acadêmico do País, a orientação é essencialmente pragmática pelo que foi encontrado na produção científica dos pesquisadores brasileiros, tendo em vista que os estudos de caso por eles elaborados se apóiam em dados empíricos, obtidos em grande parte no campo das empresas privadas (71,7% dos estudos empíricos, ou seja, 38 artigos). Considerando a ótica habermasiana, como visto ao longo da discussão dos resultados, o predomínio do interesse técnico foi associado ao conhecimento como artefato ou coisa voltada e vinculada meramente à performance econômica da organização, sendo intermediada pelas tecnologias de informação e comunicação.

 

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Recebido em: 24/01/2008
Aprovado em: 18/07/2008

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