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Revista de Odontologia da UNESP

versão On-line ISSN 1807-2577

Rev. odontol. UNESP vol.42 no.6 Araraquara nov./dez. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-25772013000600005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Percepção discente sobre a influência de estágio extramuro na formação acadêmica odontológica

 

Student perceptions about the influence of internship extramural in academic dentistry

 

 

Karina Tonini dos SantosI; Lorena FerreiraI; Rony de Jesus BatistaI; Cássia Teresa Ferrão BitencourtII; Ricardo Pretti AraújoII; Raquel Baroni de CarvalhoI

IUFES - Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil
IIUnidade Básica de Saúde de Maruípe, Vitória, ES, Brasil

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: Os estágios extramuros buscam a integração do ensino teórico com a vivência prática como uma forma de aprendizagem, permitindo ao estudante conhecer a organização, o planejamento e a gestão dos serviços de saúde da região.
OBJETIVO: Verificar, sob a ótica dos acadêmicos de Odontologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a influência que as atividades extramuros do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) exercem em sua formação acadêmica.
METODOLOGIA: Estudo exploratório descritivo, com universo amostral de acadêmicos de Odontologia da UFES integrantes e ex-integrantes do PET-Saúde. Os dados foram coletados por meio de questionários semiestruturados e autoaplicados. Na análise quantitativa dos dados, foi utilizado o programa Epinfo 3.5.1. Na análise das respostas abertas, utilizou-se a técnica de análise de categorias, proposta por Bardin.
RESULTADO: Dos 33 estagiários e ex-estagiários, 25 participaram do estudo. Destes, 23 consideraram entre bom e ótimo o grau de contribuição do PET-Saúde em sua formação acadêmica. Dentre as contribuições do estágio, foram relatadas: a vivência no SUS/funcionamento do SUS/ESF; o conhecimento da realidade da comunidade; a integração/vivência multiprofissional; o aprendizado clínico, e a realização de procedimentos não realizados na faculdade.
CONCLUSÃO: Os acadêmicos compartilham o pensamento de que o estágio contribuiu para que eles tivessem uma formação em saúde mais humanista, integral, crítica e reflexiva, como preconizam as diretrizes curriculares.

Descritores: Educação em odontologia; sistema único de Saúde; estudantes de odontologia.


ABSTRACT

INTRODUCTION: Internships extramural seek the integration of the theoretical with the practical experience as a way of learning, allowing students to learn about the organization, planning and management of health services in the region.
OBJECTIVE: Investigate, from the perspective of Dental students Federal University of Espírito Santo (UFES), the influence that the extramural activities of the Labor Education Program for Health (Health-PET) had in their academic exercise.
METHODOLOGY: Descriptive exploratory study. The research subjects were all UFES Dental students members and former members of PET-Health. Data were collected through semi-structured questionnaires and self-applied. In quantitative data analysis, it was used Epi Info 3.5.1 program. In the analysis of open answers, it was used Bardin's technique to analyze the categories.
RESULT: Of the 33 trainees and former trainees, 25 participated in the study. Of these, 23 said between good and excellent degree of contribution of PET-Health in their academic training. Among the contributions, it was reported the chance to learn SUS experience; SUS operation; family health strategy; community reality; integration; multi professional learning and chance to perform dental clinical procedures not performed before in Dental School.
CONCLUSION: Dental students share the thought that the program offered more humanistic health training, including comprehensive, critical and reflective posture, as recommended by the Brazilian Dental curricular guidelines.

Descriptors: Education dental; unified health system; students dental.


 

 

INTRODUÇÃO

Os movimentos atuais de reorganização da prática clínica odontológica indicam uma tendência progressiva à antecipação das clínicas integradas, com complexidade crescente, envolvendo o aluno desde os primeiros anos na visão integral do paciente. Práticas de ensino também podem ser desenvolvidas, com eficácia e eficiência, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), na comunidade e nos domicílios, permitindo ao aluno um melhor conhecimento da população que será atendida. A interação ativa do aluno com a população e os profissionais de Saúde deve ocorrer desde o início do processo de formação, trabalhando com problemas reais, assumindo responsabilidades crescentes1.

Sabendo-se que a educação em saúde deve estar voltada para entender a educação não só como melhoria pedagógica, necessária para desenvolver a reflexão crítica, mas também voltada para o compromisso da transformação social2, a Odontologia necessitou realizar mudanças e adaptar o currículo do curso ao perfil do profissional exigido pelo mercado de trabalho, segundo a ótica das Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Odontologia, em que se encontra claramente explicitado:

[...] construir perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e conteúdos contemporâneos, bem como para [os profissionais] atuarem, com qualidade e resolutividade, no Sistema Único de Saúde3.

As atividades extramuros possibilitam aos estudantes de Odontologia obter o entendimento sobre o funcionamento dos serviços públicos de saúde e a sua estrutura organizacional, administrativa, gerencial e funcional. Além disso, os estágios devem possibilitar ao estudante a participação no atendimento à população, a compreensão das políticas de saúde bucal e do papel do cirurgião-dentista, e o conhecimento das bases epidemiológicas do método clínico e de suas aplicações práticas nos programas de saúde bucal. Também oferecem o conhecimento dos instrumentos de planejamento utilizados nos projetos de saúde e programas de saúde bucal4.

Com o intuito de melhorar a qualificação da formação profissional, os Ministérios da Saúde e da Educação criaram o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que é destinado a tornar viáveis a especialização em serviço e o aperfeiçoamento, assim como a iniciação aos estágios, vivências e trabalho, voltados, respectivamente, aos estudantes e profissionais da área da saúde, de acordo com as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS)2. Além disso, o programa serve de estímulo para a formação de profissionais e docentes com elevada qualificação técnica, científica, tecnológica e acadêmica, bem como uma atuação profissional pautada pelo espírito crítico, pela cidadania e pela função social da educação superior, orientados pela união do ensino, da pesquisa e da extensão5.

Dessa forma, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) foi contemplada com o PET-Saúde, regulamentado pela Portaria Interministerial n.º 421, de 03 de março de 2010, inspirado no Programa de Educação Tutorial (PET), do Ministério da Educação, dando a oportunidade aos acadêmicos dos cursos de Odontologia, Medicina, Enfermagem e Farmácia de se integrarem às equipes dentro da Unidade de Saúde e de participarem das atividades de atenção primária à saúde.

A partir do exposto, o objetivo deste estudo foi verificar, sob a ótica dos acadêmicos de Odontologia da Universidade Federal do Espírito Santo, a influência que o estágio no PET-Saúde da Família exerceu na formação acadêmica.

 

METODOLOGIA

A pesquisa, caracterizada como um estudo exploratório descritivo, com abordagem quanti-qualitativa, foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Protocolo n.º 110/2011).

O universo amostral foi constituído de 33 acadêmicos de Odontologia da Universidade Federal do Espírito Santo, integrantes do PET-Saúde. Os sujeitos da pesquisa foram incluídos na mesma com base em dois critérios: serem integrantes ou exintegrantes do PET-Saúde e aceitarem participar da pesquisa. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O referido programa foi desenvolvido nas Unidades de Saúde da Família da região de Maruípe, Vitória-ES. Os estudantes de Odontologia participaram das seguintes atividades: atendimento básico na área, visitas domiciliares, ações educativas/preventivas e reuniões de equipe. Além disso, foram responsáveis, em conjunto com os alunos de Medicina, Farmácia e Enfermagem, pela condução longitudinal do Plano de Pesquisa intitulado "Padrão de comportamento relacionado à saúde de adolescentes residentes na região de Maruípe em Vitória, Espírito Santo", que teve como objetivo conhecer o padrão de comportamento e as necessidades de saúde dos adolescentes de 15 a 19 anos, residentes nos bairros da região de Maruípe, a fim de elaborar estratégias de prevenção e assistência direcionadas a esta população6.

Os dados foram coletados por meio de questionários semiestruturados, autoaplicados, com perguntas abertas e fechadas, especialmente elaborados para a pesquisa. As perguntas versavam sobre a contribuição do estágio no PET-Saúde na formação profissional, o grau de satisfação dos estagiários quanto à sua participação, o grau de importância das atividades realizadas, a contribuição do estágio para a autoconfiança na realização das atividades propostas e as dificuldades encontradas no estágio.

Os questionários foram submetidos a pré-teste. Foram aplicados os questionários aos acadêmicos de outros cursos, integrantes do PET-Saúde. Durante o estudo-piloto, os pesquisadores avaliaram a compreensão da "amostra-teste" quanto ao texto, ao vocabulário utilizado e à sensibilidade das respostas.

A análise quantitativa dos dados foi realizada utilizandose o programa Epinfo 3.5.1 (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Estados Unidos), por meio da distribuição das frequências numéricas. Para a análise das respostas abertas, foi utilizada a análise de conteúdo, por meio da técnica de análise de categorias, proposta por Bardin.

Esta técnica visa ao agrupamento de circunstâncias que dão sentido ao fato, oferecendo liberdade para resgatar o importante na novidade dos temas, mesmo se a frequência é pequena. Ou seja, as categorias surgiram de acordo com as respostas dadas pelos sujeitos da pesquisa e aquelas que possuíram o mesmo sentido foram agrupadas na mesma categoria, mesmo tendo sido ditas de maneira diferente.

 

RESULTADO

Dos 33 estagiários e ex-estagiários, 25 participaram do estudo. A idade deles variou de 20 a 27 anos, com média de 23,1 anos, sendo 18 dos entrevistados do sexo feminino e sete do sexo masculino. Desses estagiários, 15 estavam cursando o oitavo período; cinco, o nono período; três, o sétimo período, e dois já haviam concluído o curso. Com relação ao tempo de estágio no PET-Saúde, 14 estagiários relataram de dois a seis meses; sete estagiários, de sete a 12 meses, e quatro estagiários, de 13 a 16 meses.

Quando questionados sobre o grau de contribuição do PET-Saúde em sua formação profissional, 23 dos acadêmicos entrevistados consideraram entre bom e ótimo, e dois, regular. Com relação ao grau de satisfação quanto à participação no PET-Saúde, 24 dos estagiários consideraram entre bom e excelente, e apenas um, regular.

A Tabela 1 mostra quais foram as contribuições do estágio na formação profissional relatadas pelos acadêmicos. A Tabela 2 evidencia a opinião dos estagiários sobre o PET-Saúde, bem como sua opinião a respeito das contribuições do estágio e da integração com outros membros.

Baseado nas respostas dos estagiários, a Tabela 3 mostra as habilidades que os estagiários estão aptos a realizar sozinhos.

 

 

Na Tabela 4, encontram-se enumeradas as opiniões quanto às atividades realizadas no PET-Saúde de acordo com o grau de importância na visão dos estagiários, sendo grau 1 o de maior importância e grau 5 o de menor importância. Dos 25 estagiários, 14 responderam que todas as atividades apresentam o mesmo grau de importância.

Quando questionados sobre as dificuldades encontradas no estágio do PET-Saúde, dos 25 estagiários, 12 responderam que tiveram dificuldades durante o estágio. Na Tabela 5, encontramse descritas as dificuldades encontradas pelos estagiários.

 

DISCUSSÃO

Neste estudo, a média de idade dos participantes, concluintes e formados, foi de 23,1 anos, sendo a maioria pertencente ao sexo feminino. Esses achados representam a atual tendência da Odontologia, pela presença de profissionais mais jovens no mercado de trabalho, com predominância do sexo feminino7,8.

Dos participantes do estudo, a grande maioria considera boa e ótima a contribuição do PET-Saúde em sua formação profissional. De acordo com Oliveira, Coelho9 e Fonsêca, Rodrigues10, os acadêmicos de Odontologia inseridos precocemente nos serviços de saúde, nas atividades práticas e vivências vinculadas às políticas de saúde pública, agregam qualificação na sua formação profissional. No estudo conduzido por Moimaz et al.11, a grande maioria dos egressos da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA/UNESP) também afirmou que o serviço extramuro odontológico contribuiu para a sua formação profissional e para o contato com o serviço público fora do ambiente da universidade.

Ainda corroborando os resultados deste estudo, Morais et al.12, em pesquisa realizada com acadêmicos de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, com o objetivo de relatar, com base nas vivências, o papel do PET-Saúde no processo de formação do enfermeiro, verificaram que as atividades produzidas contribuem efetivamente na formação acadêmica, pois geram novos olhares para as necessidades de saúde dos sujeitos e contribuem para a formação de um novo perfil de profissionais de saúde, mais qualificados e preocupados com suas responsabilidades sociais.

Nessa perspectiva, analisando-se os resultados apresentados nas Tabelas 1 e 2, pode-se afirmar que o referido programa contribuiu para que os estudantes pudessem vivenciar, na prática, o funcionamento do sistema público de saúde, proporcionando a formação de profissionais menos tecnicistas e mais humanistas. De acordo com Freitas et al.13, as vivências extramuros representam a oportunidade de reflexão pelos alunos dos conteúdos teóricos, aprofundando o caráter transversal do eixo da saúde coletiva na sua formação.

Um aspecto que se mostrou relevante foi o número de estudantes que considerou haver uma boa integração entre os membros da equipe em que estiveram inseridos, fato ressaltado no estudo de Oliveira Sobrinho et al.14, segundo o qual o programa permite uma maior integração multiprofissional. Entre outros achados que chamaram a atenção, neste estudo, aponta-se que todos os estagiários relataram que puderam conhecer a realidade da comunidade e a organização do serviço. Segundo Caldas et al.15, realmente, os alunos inseridos em atividades voltadas à Atenção Primária à Saúde, além de vivenciar o cotidiano dos profissionais da saúde, conhecem a realidade na qual se inserem as famílias assistidas pelo serviço. Oliveira, Coelho9, por sua vez, constataram, de acordo com a percepção de acadêmicos de Odontologia, um impacto relevante do PET-Saúde na formação acadêmica, pois aspectos, como multiprofissionalidade e entendimento sobre o funcionamento de uma UBSF, sua estrutura organizacional, administrativa, gerencial e funcional, ficaram evidentes.

A opinião dos alunos quanto à contribuição do estágio para melhoria da autoconfiança na realização das atividades foi positiva e por unanimidade. No estudo, já citado, realizado com ex-alunos do curso de graduação em Odontologia FOA/UNESP, Moimaz et al.11 observaram que 60% dos ex-alunos responderam ter desenvolvido autoconfiança no trabalho profissional. Mostrase, então, possível a análise do alcance obtido com o Serviço Extramuro Odontológico por meio das respostas dos alunos que, na sua grande maioria, estiveram autoconfiantes e satisfeitos quanto à experiência vivenciada no último ano de sua graduação.

De acordo com a Tabela 3, a maioria dos estagiários está apta a realizar sozinha as atividades propostas pelo estágio. Esses resultados vão ao encontro dos achados da pesquisa realizada por Caldas et al.15 com estagiários e bolsistas participantes do PET-Saúde UFMG-SMSA/PBH. Para Gabriel, Tanaka16, tornase evidente que os acadêmicos de Odontologia, contemplados com o PET-Saúde, possuem melhor compreensão dos casos clínicos, conseguindo realizar com maior facilidade as tomadas de decisões, assim como resolver os problemas no âmbito de sua área de atuação.

Ao serem questionados quanto ao grau de importância das atividades realizadas, mais da metade dos estagiários respondeu que todas possuem o mesmo grau de importância dentro da Estratégia da Saúde da Família, ratificando a compreensão dos mesmos sobre o funcionamento e a dinâmica do serviço. De acordo com Toassi et al.17, o serviço-aprendizagem em serviços de atenção primária do SUS tem impacto relevante na formação dos futuros cirurgiões-dentistas, pois possibilita qualificação e diferenciação profissional, melhorando a competência em compreender e intervir na realidade enfrentada.

Por outro lado, 11 alunos atribuíram grau de importância às atividades e quase todos colocaram as atividades educativas e de assistência em primeiro lugar. De acordo com Moimaz et al.18, as atividades extramuros têm como base as ações de promoção de saúde e prevenção, sendo esta uma característica importante de sua filosofia de trabalho. As ações curativas também são realizadas, porém um dos objetivos desse tipo de serviço é capacitar e instrumentalizar o paciente como agente de sua própria saúde, e deixar de ser um ator passivo dentro do processo saúde-doença.

Todavia, esse resultado também pode ser reflexo de como alguns serviços nas Unidades de Saúde estão organizados, na medida em que, muitas vezes, estão centrados na assistência odontológica, assim caracterizados pela própria demanda.

Segundo alguns estagiários, foram encontradas dificuldades durante o estágio. A dificuldade mais relatada foi a flexibilidade de horários. Essa dificuldade, provavelmente, se deve ao fato de o curso de Odontologia da UFES ser integral, o que leva a refletir sobre a estrutura curricular do curso. Outra dificuldade relatada foi a integração entre estagiários de outros cursos e entre estagiários e agentes comunitários de saúde (ACS). Oliveira, Coelho9 e Caldas et al.15 obtiveram resultados semelhantes. Na I Mostra de Experiências Exitosas do PET-Saúde, realizada pela Associação Brasileira de Ensino Odontológico (ABENO), em 2011, a resistência dos profissionais da UBS não participantes do projeto, especialmente os ACSs, foi um assunto bastante debatido. Acredita-se que a superação dessa fragilidade está no estabelecimento de vínculo e parceria com os demais profissionais, demonstrando que o programa traz benefícios para a comunidade e é importante no cumprimento de metas. A dificuldade de integração entre os alunos de diversos cursos foi superada pelo próprio Ministério da Saúde, ao lançar o Pró-Pet, no final de 2011, com uma nova proposta de formação dos grupos, ou seja, multiprofissional.

Ademais, apesar de os resultados desta pesquisa, de forma geral, se mostrarem homogêneos e positivos em relação à formação profissional, pode-se considerar como uma possível limitação do estudo o tempo de estágio dos alunos no momento da coleta de dados - que variou de dois a 16 meses -, o que pode ter influenciado nas respostas dadas.

 

CONCLUSÃO

Todos os acadêmicos compartilharam o pensamento de que o estágio no PET-Saúde influenciou de maneira positiva na sua formação acadêmica, pois obtiveram uma evolução na autoconfiança relacionada à prática da profissão, obtida por meio da vivência rotineira na Unidade de Saúde da Família, o que contribuiu para uma formação em saúde mais humanista e integral, como preconizam as diretrizes curriculares.

Os resultados obtidos permitem verificar que o SUS, em parceria com as Universidades, está conseguindo executar o seu papel e fortalecer a integração universidade-ensino-comunidade. Mesmo que ainda existam dificuldades, o PET-Saúde trouxe bons frutos: os estudantes tiveram a oportunidade de estar mais próximos da realidade do país e, com isso, mais bem preparados para atuar na comunidade e no Sistema de Saúde vigente.

 

REFERÊNCIAS

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Autor para correspondência:
Karina Tonini dos Santos Pacheco
Departamento de Medicina Social, UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
Av. Marechal Campos, 1468
Maruipe, 29090-041 Vitoria - ES, Brasil
e-mail: kktonini@yahoo.com.br

Recebido: 21/08/2013
Aprovado: 21/10/2013

CONFLITOS DE INTERESSE: Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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