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Revista de Odontologia da UNESP

versão On-line ISSN 1807-2577

Rev. odontol. UNESP vol.42 no.6 Araraquara nov./dez. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-25772013000600006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Estratégias de promoção de saúde para crianças em idade pré-escolar do município de Patos-PB

 

Health promotion strategy for preschoolers in Patos, state of Paraiba

 

 

Theresa Hortênsia Leandro Carvalho; Narjara Maria Sampaio Pinheiro; José Matheus Alves dos Santos; Luciana Ellen Dantas Costa; Faldryene Sousa Queiroz; Carolina Bezerra Cavalcanti Nóbrega

UFCG - Universidade Federal de Campina Grande, Patos, PB, Brasil

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: A educação em saúde realizada no ambiente escolar pode favorecer o envolvimento da criança ao construir novos conhecimentos, facilitando assim a mudança de hábitos.
OBJETIVO: Avaliar, em pré-escolares matriculados em escolas e creches municipais de Patos-PB, a condição de higiene bucal e a oclusão dentária, além de utilizar o Tratamento Restaurador Atraumático (ART) nas ações de saúde coletiva, para promover melhoria na saúde bucal.
MATERIAL E MÉTODO: A amostra foi constituída por 169 crianças, matriculadas na Pré-Escola I, II e no 1º Ano do Ensino Fundamental. Foram utilizadas palestras e atividades lúdicas adequadas à faixa etária, além doÍndice de Higiene Oral Simplificado, para conversão de níveis de saúde bucal em valores quantitativos. Além disso, foi analisada também a presença de lesões de cárie e oclusopatias, utilizando o índice de Foster e Hamilton, sendo os dentes cariados restaurados por meio do Tratamento Restaurador Atraumático (ART).
RESULTADO: Na análise dos dados obtidos, observou-se êxito no trabalho realizado com as crianças, pois houve redução no percentual de escovação deficiente de 20,7% para 4,1%, regular de 62,1% para 49,7%, e aumento do índice de higienização boa, de 8,9% para 32%. Com relação à chave de oclusão, observaram-se os seguintes resultados: chave de canino Classe I, 71,6%; sobressaliência normal, 35,5%; sobremordida normal, 40,8%, e mordida cruzada posterior, ausente em 75,1% dos casos.
CONCLUSÃO: Atividades educativas baseadas em instrumentos lúdicos e procedimentos restauradores simples e eficazes podem promover melhorias consideráveis nos níveis de higiene oral.

Descritores: Promoção da saúde; saúde escolar; assistência odontológica.


ABSTRACT

INTRODUCTION:Health education strategies used in school environments can provide chances in health habits for children.
OBJECTIVE: Evaluate oral health and occlusion conditions in preschoolers from Patos, Paraíba. Also, ART techniques were used.
MATERIAL AND METHOD: The sample was constituted by 169 children enrolled in municipal children education schools and public baby care system. Ludic activities were used as public health instruments of work and Simplified Oral Hygiene Index (OHI-S) as a tool for children's oral health follow up. Besides, a Foster and Hamilton Index was used to measure occlusion profile and ART technique was done to restore tooth decay.
RESULT: The OHI-S was decreased showing the follow results: deficient hygiene (20.7% to 4.1%), regular (62.1% to 49.7%), and good oral hygiene (8.9% to 32%). Regarding to occlusal parameters, the index showed: normal occlusion: 71.6%, normal overjet: 35.5%, normal overbite: 40.8%, and 75.1% of posterior cross-bite absence.
CONCLUSION:Educative activities based on ludic strategies and simple restoration techniques can promote enhancement on children oral health levels.

Descriptors: Health promotion; school health; dental care.


 

 

INTRODUÇÃO

A saúde bucal no Brasil ainda apresenta um quadro epidemiológico preocupante, com altos índices de cárie dentária associados a focos de polarização da doença1. Segundo Tomita et al.2, é importante observar que as crianças brasileiras mantêm elevados números de extrações dentárias prematuras, sem a preservação do espaço perdido, contribuindo assim para a manutenção de altos índices relacionados a cárie dentária e desenvolvimento de más oclusões3.

Diante da problemática, é fundamental um controle efetivo dos agentes envolvidos na etiologia da cárie4. Esse controle pode ser realizado por meio de métodos mecânicos, como a escovação dentária e uso do fio dental, sendo estes considerados a forma mais eficaz para eliminação da placa bacteriana4, ou por meios auxiliares, como os dentifrícios fluoretados e antissépticos bucais que colaboram nesse controle5.

A promoção de saúde é uma forma de se trabalhar a prevenção da cárie dental e de outros agravos, sendo realizada preferencialmente em ambientes de convívio social, como as escolas, pois, dessa forma, a incorporação de hábitos e comportamentos saudáveis, relacionados à saúde bucal, torna-se mais efetiva6.

De acordo com Taglietta et al.7, as crianças em idade pré-escolar apresentam maior capacidade para desenvolver hábitos saudáveis de higiene, quando motivadas, tornando esse comportamento resistente a mudanças. Nesse contexto, a manutenção das superfícies dentárias livres de biofilme deve ser almejada e formas para avaliação de tais condições devem ser trabalhadas, não só para o controle das ações, mas como método de estímulo para o desenvolvimento de autonomia em saúde8.

Para esse tipo de avaliação, são preconizados indicadores, como o Índice de Higiene Oral Simplificado (IHOS)9. Por meio deste, aferem-se a motivação, o empenho e o cuidado do paciente durante o tratamento, utilizando a quantidade de biofilme presente nos elementos dentais10.

Além da avaliação de higiene bucal, faz-se necessário ampliar as estratégias de saúde bucal por meio de métodos curativos, de fácil execução, baixo custo e boa resolutividade11. Dessa forma, novas técnicas operatórias têm surgido, junto com diferentes formas de intervir na doença12. O Tratamento Restaurador Atraumático (ART) constitui-se em um método com mínima intervenção operatória e com preservação da estrutura dentária, utilizando apenas instrumentos manuais; este método foi desenvolvido para reduzir o número de extrações dentárias13,14.

Os cuidados com a cavidade bucal não se limitam apenas às condições de higiene e/ou à presença de cárie; esses cuidados estão também relacionados a fatores, como a manutenção de bons níveis de oclusão dentária. Dessa forma, com a avaliação da oclusão, torna-se possível a identificação de situações de risco e alterações de normalidade, que podem ser regularizadas com procedimentos preventivos15.

A oclusão é definida como a relação de equilíbrio entre os arcos dentários e todo o sistema estomatognático; assim, a dentição e a face devem, numa oclusão normal, apresentar uma boa afinidade, para proporcionar harmonia funcional, principalmente na mastigação, na deglutição e na fala16. No entanto, quando não há um equilíbrio, a má oclusão é caracterizada, podendo apresentar alterações tanto estéticas quanto funcionais, e tendo como causas mais comuns as condições adquiridas17. Essas condições podem ser ocasionadas por dietas pastosas, respiração bucal e hábitos bucais deletérios18. Outros fatores que também podem contribuir para o surgimento ou o agravamento da condição de má oclusão são o desenvolvimento osteogênico, a hereditariedade e o estado geral de saúde da criança18.

Conforme os dados apresentados pelos relatórios dos levantamentos nacionais em saúde bucal, SB Brasil, o índice ceo-d (número de dentes decíduos cariados, com extração indicada e obturados) tem diminuído, resultando num maior tempo de permanência dos elementos dentais na boca19. Este fato pode estar relacionado com o fenômeno de transição epidemiológica, culminando com um aumento significativo dos problemas ortodônticos20. Nos resultados principais do segundo levantamento em saúde bucal19, as crianças brasileiras na faixa etária de cinco anos apresentaram uma oclusão normal em torno de 77,1%; já em relação às Classes II e III, observou-se, respectivamente, 16,6% e 6,4% de prevalência.

Diante do exposto, tornam-se imprescindíveis a criação e o incentivo de programas educativos que ampliem a promoção de saúde, já que atividades como estas são capazes de motivar as crianças, em fase pré-escolar, para mudança de hábitos, estimulando as mesmas para o cuidado com a sua saúde bucal21. É importante enfatizar que esse processo educativo ocorre de forma lenta; por isso, deve ser contínuo para que alterações precoces de maus hábitos e comportamentos sejam capazes de transformar essa realidade22.

Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar a condição de saúde bucal de pré-escolares inseridos em um programa de extensão, matriculados em escolas e creches da Rede Pública do Município de Patos-PB, além de utilizar a técnica do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) nas ações de saúde coletiva.

 

METODOLOGIA

O estudo foi desenvolvido em três escolas e três creches da Rede Pública de Ensino do município de Patos-Paraíba, que foram escolhidas aleatoriamente, usando o critério de localização - áreas com maior número de famílias em situação de risco e áreas com famílias de situação aquisitiva mais estabilizada. As escolas e creches escolhidas foram: CIEP III Firmino Ayres e Otto S. Quinho - Bairro Jatobá; EMEF Raimunda Melo Medeiros - Bairro da Liberdade; EMEF Nabor Wanderley - Bairro Belo Horizonte; Creche Municipal Manoel Quinidio Sobral -Centro; Creche Municipal Glauce Burity - Bairro do Jatobá, e Creche Municipal Tia Luci - Bairro do São Sebastião.

A amostra foi constituída por 169 crianças, de ambos os sexos, devidamente matriculadas nas turmas de Pré-I, Pré II e 1º Ano do Ensino Fundamental das referidas escolas e creches. As condições avaliadas foram: o Índice de Higiene Oral Simplificado, a presença de oclusopatias e a presença dos requisitos básicos para Tratamento Restaurador Atraumático (ART). Os dados foram coletados nas próprias dependências das instituições pelos participantes do Programa, previamente calibrados e devidamente equipados. O projeto foi aprovado pelo CEP/UACB/CSTR UFCG sob o Protocolo n.º 056/2011 e as crianças submetidas ao estudo foram autorizadas pelos seus responsáveis por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O IHOS foi realizado em três etapas: inicial, intermediária e final, utilizando-se evidenciadores de placa e espátulas de madeira, sob a luz natural. O exame foi realizado de acordo com estudo de Moraes, Valença23, e o valor correspondente a cada superfície foi atribuído com base na quantidade de biofilme encontrado. Desta forma, foi possível avaliar a qualidade da saúde bucal dessas crianças, categorizando assim os resultados: entre 0 e 1 como bom; de 1,1 a 2, regular, e entre 2,1 e 3, deficiente.

A avaliação dos elementos dentais, com ênfase para as oclusopatias, foi realizada seguindo a metodologia preconizada pelo levantamento nacional em saúde bucal, SB Brasil 201019, utilizando o índice de Foster e Hamilton para a idade de cinco anos, e tendo como variáveis analisadas a chave de canino, a sobressaliência, a sobremordida e a mordida cruzada posterior.

A partir dos exames clínicos, também foi possível identificar as crianças que se encaixariam para a técnica curativa do ART. As mesmas foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios de inclusão: presença de lesões cariosas em dentes posteriores, sem sintomatologia dolorosa ou envolvimento pulpar, e com cárie Classe I. É importante enfatizar que, apesar de a técnica de ART poder ser utilizada em outros quadros de lesão de cárie, houve necessidade da definição desses critérios, pois os demais tipos de lesões já apresentavam comprometimento pulpar, o que inviabilizava a utilização da técnica dentro do ambiente escolar. Casos de lesões cariosas que não se enquadraram nos critérios exigidos foram encaminhados à Clínica-Escola do Curso de Odontologia UACB/CSTR/UFCG.

Os tratamentos foram realizados de acordo com trabalho de Peres et al.24 e, para o ART, o material escolhido foi o cimento de ionômero de vidro da marca Vidrion®, manipulado e inserido de acordo com as orientações do fabricante.

 

RESULTADO

Das 169 crianças participantes da pesquisa, 63,9% eram do gênero masculino e 36,1%, do feminino; 34,9% eram alunos do Pré-Escolar I, 43,8% do Pré-Escolar II e 21,3% do 1.º Ano do Ensino Fundamental.

Ao serem submetidas ao primeiro IHOS para avaliar a condição de saúde bucal inicial, observou-se que, das 169 crianças, apenas 8,9% (n=15) apresentaram higiene boa, com 62,1% (n=105) regular, 20,7% (n=35) deficiente e 8,3% (n=14) se negaram a realizar o exame. Porém, no decorrer do projeto, ao realizar o IHOS intermediário em 161 crianças, 11,8% delas (n=20) apresentaram higiene boa, 67,5% (n=114) regular, 7,7% (n=13) deficiente e 8,3% (n=14) se negaram a realizar o exame. Vale ressaltar que houve transferências de crianças para outras instituições, o que correspondeu a 4,3% (n=8). Em relação ao IHOS final (158 crianças), 32% (n=54) apresentaram higiene boa, 49,7% (n=84) regular, 4,1% (n=7) deficiente e 7,7% (n=13) se negaram a passar pelo exame. Neste momento, o número de crianças transferidas aumentou em três crianças; dessa forma, até o término do projeto, 11 crianças foram transferidas, correspondendo a 6,5% do total inicial (n=169) (Figura 1).

 

 

Ao avaliar a oclusão das 169 crianças, baseada nas variáveis -chave de canino, sobressaliência, sobremordida e mordida cruzada posterior -, obtiveram-se os seguintes resultados: para chave de canino, 71,6% (n=121) das crianças apresentaram Classe I; 13% (n=22) Classe II; 1,8% (n=3) Classe III, e 13,6% (n=23) sem informação (Tabela 1); quanto à sobressaliência, 35,5% (n=60) normal, 42% (n=71) aumentada, 3% (n=5) topo a topo, 0,6% (n=1) cruzada anterior e 18,9% (n=32) sem informação (Tabela 2); acerca da sobremordida, 40,8% (n=69) normal, 17,8% (n=30) reduzida, 14,8% (n=25) aberta, 7,7% (n=13) profunda e 18,9% (n=32) sem informação (Tabela 3); e em relação à mordida cruzada posterior 10,7% (n=18) presença, 75,1% (n=127) ausência e 14,2% (n=24) sem informação (Tabela 4).

 

 

 

 

 

 

 

 

À medida que foram sendo desenvolvidos os exames, foram verificadas as crianças que necessitavam de uma ação curativa - nesse caso, o ART -, contabilizando um total de 17 crianças. Entretanto, apenas seis crianças foram submetidas ao procedimento, cujos critérios de inclusão foram cavidade Classe I com profundidade rasa. Quanto às demais crianças, quatro se recusaram a submeter-se ao procedimento, duas já haviam realizado a restauração dos elementos cariados e cinco apresentavam uma cavidade muito profunda (Tabela 5).

 

 

DISCUSSÃO

A cárie dentária é considerada um grave problema devido aos seus níveis de severidade e prevalência, porém, por meio da promoção de saúde, utilizando atividades educativas realizadas nas escolas, essa condição tem mudado, verificando-se a diminuição dos índices de cárie e, consequentemente, o tempo maior de permanência dos dentes decíduos1. Segundo Garcia et al.25, a educação em saúde representa uma estratégia fundamental no processo de formação de comportamentos que promovam e mantenham a saúde.

Os resultados deste projeto confirmam que práticas educativas voltadas para a saúde bucal são capazes de mudar hábitos das crianças em idade pré-escolar. Dessa forma, destaca-se a importância de se registrar o índice de placa apresentado pela criança no momento inicial do projeto, para conhecer as condições de higiene bucal, e também nos períodos intermediário e final, para servir como parâmetro de avaliação da melhoria daquela condição e da eficácia do programa de promoção de saúde7,26.

Verificou-se que houve melhoria considerável nos resultados obtidos, por meio do IHOS final quando comparado ao inicial (Figura 1). Valença et al.27, em pesquisa semelhante, observando a quantidade de biofilme sobre as superfícies dentárias através do registro de IHOS, anterior e posterior a um período de atividades educativas, constataram redução significativa desse índice, enfatizando a importância e a necessidade da motivação dos pais, juntamente com professores e profissionais de saúde.

Os avanços no planejamento e nas práticas de promoção de saúde, e o advento do Tratamento Restaurador Atraumático possibilitaram a socialização do espaço clínico, sendo utilizado como uma forma simplificada para o tratamento da cárie dentária. Esta técnica permite uma fácil execução, podendo também atender a uma demanda maior a baixo custo26. Neste estudo, as crianças foram avaliadas ao mesmo tempo em que se realizava o exame de higiene bucal por meio do IHOS e as que apresentaram lesões cariosas de Classe I em dentes posteriores, com ausência de sintomatologia dolorosa ou envolvimento pulpar, foram incluídas na necessidade para a técnica curativa de ART. As demais também necessitavam de atenção odontológica, porém voltadas para prevenção e educação, as quais se encaixaram na categoria sem necessidade da técnica curativa do ART28.

A promoção e a recuperação da saúde bucal em ambiente escolar proporcionam uma melhor qualidade de vida às crianças, pois, além do incentivo do cuidado com sua saúde e da conscientização29, há a associação das atividades educativas com a técnica de ART, que minimiza o desconforto causado pela presença de lesões cavitadas, restaurando os dentes e devolvendo a sua função, uma vez que estes eram perdidos em decorrência da evolução do processo carioso24.

O material utilizado para a realização do procedimento foi o cimento de ionômero de vidro da marca Vidrion®, o qual foi manipulado e inserido conforme as orientações do fabricante24. Este cimento possui características de liberar flúor, apresentando efeito anticariogênico, e tem ainda a capacidade de aderir às estruturas dentárias. Muitos confundem o ART com adequação do meio bucal, pelo fato de que, em ambos os casos, utiliza-se o mesmo material restaurador. Segundo Massoni et al.12, os passos seguidos para o ART o diferem da adequação do meio bucal e das restaurações convencionais, além de ser um tratamento restaurador definitivo.

Atualmente, comprovou-se que o ART constitui uma alternativa viável para o tratamento da cárie em saúde coletiva, em virtude de sua eficácia, baixo custo e ainda por permitir realizar um maior número de atendimentos com eficiência e agilidade, promovendo, assim, uma diminuição no que se refere à problemática de uma demanda reprimida com necessidade de tratamento12.

Quando não tratada, a doença cárie pode causar sérios danos, já que esta influencia de maneira significativa a oclusão, levando à perda precoce dos dentes decíduos30, que são responsáveis por guardar espaço para os seus sucessores, resultando assim em má oclusão20. A má oclusão tem sua etiologia inespecífica, sendo classificada como multifatorial, já que variadas causas interagem para determinação da mesma, como a interligação de fatores congênitos, morfológicos e biomecânicos16,20.

Na literatura, observa-se que a má oclusão é uma das doenças contemporâneas15,16,18, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o terceiro problema odontológico de saúde pública15.

Quando se comparam os dados do SB Brasil 201019 com os desta pesquisa, notam-se algumas concordâncias e disparidades; quanto à normalidade de chave de canino, viu-se uma semelhança: a média do Brasil equivale a 77,01%; do Nordeste, 76,9%, e esta pesquisa, 71%; também se notou que a ausência de mordida cruzada posterior acompanha as médias, sendo, em todo o Brasil, 78,1%; Nordeste, 79,1%, e neste estudo 74,7%.

Quanto à sobressaliência, observou-se um valor de normalidade (35,6%) bem menor que o do Brasil (68,3%) e do Nordeste (63,3%); já se tratando de sobressaliência aumentada, os valores giram em torno de 42%, diferentemente dos 22% de média nacional e 24,4% do Nordeste. Nota-se, desta forma, que a população alvo necessita de uma atenção especializada, já que muitas más oclusões resultam da combinação e da persistência de pequenos desvios da normalidade; assim, deve haver uma atuação precoce na tentativa de solucionar o problema, recuperando a integridade e o equilíbrio da oclusão15.

Com relação à sobremordida, observa-se que a ocorrência de sobremordida reduzida (17,8%) e aberta (14,8%) neste estudo está acima das estimativas nacionais (11,9%; 12,3%) e regionais (14,1%;12,1%), respectivamente. Já a sobremordida normal (40,8%) e profunda (7,7%) apresentam números abaixo dos valores nacionais (64,5%; 11,6%) e regionais (11,9%; 9,4%). Esses resultados podem ser consequência de hábitos parafuncionais típicos dessa faixa etária, como sucção de dedo, mamadeira ou chupeta15.

Na análise dos dados, percebe-se que a maioria dos resultados acompanha as variáveis que o SB Brasil 201019 traz e que o Brasil ainda necessita de políticas de atenção à saúde bucal direcionadas à população infantil.

 

CONCLUSÃO

Diante dos resultados, pode-se perceber não apenas melhoria nos perfis de higiene oral, mas também o quanto é importante a inserção de projetos educativos para crianças, promovendo uma nova consciência e modificação do panorama em saúde bucal na dentição decídua.

 

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Autor para correspondência:
Carolina Bezerra Cavalcanti Nóbrega
Unidade Acadêmica de Ciências Biológicas, Centro de Saúde e Tecnologia Rural, UFCG - Universidade Federal de Campina Grande
Rod. PB-110
58700-000 Jatobá Patos - PB, Brasil
e-mail: carolbcnobrega@gmail.com

Recebido: 02/08/2013
Aprovado: 23/10/2013
CONFLITOS DE INTERESSE: Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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