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Revista de Odontologia da UNESP

On-line version ISSN 1807-2577

Rev. odontol. UNESP vol.45 no.1 Araraquara Jan./Feb. 2016  Epub Jan 26, 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1807-2577.10015 

Artigos Originais

Características do uso de produtos derivados do tabaco entre universitários do curso de Odontologia em uma Universidade de Curitiba*

Factors associated with tobacco use among dental students at a University in Curitiba

Naiara BECKERTa 

Simone MOYSÉSa 

Regina CRUZa 

Laísa GUTOSKIa 

Isabel SCARINCIb  *

aPUC-PR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

bUniversity of Alabama at Birmingham, Birmingham, Alabama, EUA

Resumo

Introdução

Profissionais da saúde, incluindo dentistas, são referências de comportamento e exercem grande influência sobre a população que assistem.

Objetivo

Este estudo teve como objetivos investigar a prevalência do uso de produtos derivados do tabaco entre universitários de Odontologia, analisar fatores associados à ocorrência do uso e quais são os produtos mais utilizados.

Material e método

Realizou-se um estudo transversal descritivo por meio de um questionário online no ano de 2012. A estatística descritiva gerou um perfil da amostra e aplicou-se o teste Qui-quadrado para análise de associação entre variáveis, seguido da análise multivariada de regressão logística com as variáveis que se mostraram significativas.

Resultado

A prevalência de uso de produtos derivados de tabaco foi de 24,92%. O narguilé mostrou-se o produto de maior uso (66,23%), seguido do cigarro industrializado (54,55%). Os fatores associados ao uso de produtos de tabaco foram ‘morar sozinho’ (p=0,012; OR=2,13; IC=1,17-3,85), ‘conviver com alguém que fuma’ (p=0,000; OR=3,22; IC=1,75-5,91) e ‘permanecer próximo às pessoas enquanto elas fumam’ (p=0,000; OR=6,96; IC=2,37-20,45).

Conclusão

Este estudo provê informação importante para desenvolvimento de programas de sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde por instituições de ensino superior em relação ao uso de produtos derivados de tabaco.

Descritores:  Produtos de tabaco; uso de tabaco; prevalência

Abstract

Introduction

Health care professionals, including dentists, are role models and have great influence on the population they serve.

Objective

This purpose of this study was two-fold: (1) to examine the prevalence of tobacco use among dental students, and (2) to examine factors associated with use as well as which products were being used by this population.

Material and method

This was a cross-sectional descriptive study in which the data was collected through an online questionnaire in 2012. Descriptive statistics were used to characterize the sample, chi-square to examine association among variables of interest, and multivariate logistic regression to examine factors associated with tobacco use.

Result

The prevalence of tobacco use was 24.92%. Waterpipe was the most frequent tobacco product used by participants who endorsed using tobacco products (66.23%) followed by industrialized cigarettes (54.55%). Factors associated with tobacco use included: living alone (p=0.012; OR=2.13; CI=1.17-3.85), socializing with other smokers (p=0.000; OR=3.22; CI=1.75-5.91), and being close to these smokers when they were smoking (p=0.000; OR=6.96; IC=2.37-20.45).

Conclusion

This study provides relevant information to the development of awareness and capacity building programs tailored to health care professional in higher education with regard to tobacco use.

Descriptors:  Tobacco products; tobacco use; prevalence

INTRODUÇÃO

A relação existente entre o hábito de fumar e uma ampla série de enfermidades tem sido demonstrada ao longo dos anos1-3. Já se sabe que o uso de produtos derivados do tabaco é a principal causa de morte evitável no mundo3. O que não é tão difundido é que o tabaco mata, a cada ano, mais de cinco milhões de pessoas no mundo e 200 mil pessoas no Brasil3,4.

No Brasil, a Região Sul se destaca nas pesquisas sobre o uso de produtos derivados do tabaco realizadas nos últimos anos. Segundo Iglesias et al.5 (2007), as grandes cidades do Sul e do Sudeste apresentaram as taxas mais altas de prevalência do uso de produtos derivados do tabaco nos anos de 2002 e 2003. Os autores ainda ressaltaram que Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre possuem as maiores taxas de prevalência do país entre as mulheres, o que também foi verificado no relatório da Pesquisa Especial de Tabagismo (PETAB) publicado em 20115,6.

Os profissionais da saúde desempenham o papel de cuidadores e promotores da saúde e, de certa forma, são referências de comportamento e exercem grande influência sobre a população que assistem5,7,8. Contudo, estudos revelam que tais profissionais, sendo usuários de produtos derivados do tabaco, são menos propensos a orientar seus pacientes sobre os riscos associados a esses produtos e, os pacientes, por sua vez, são menos dispostos a aceitar conselhos de profissionais da saúde que sejam usuários de produtos derivados do tabaco9-12.

Também é de fundamental importância se ater à formação universitária de tais profissionais, visto que o mundo da formação pode ser mais ou menos permeável ao mundo do trabalho. A formação dos profissionais de saúde é um projeto educativo que extrapola o domínio técnico-científico de uma dada profissão e se estende para outras esferas de ação com profundo impacto social. Ou seja, cabe também à Universidade desenvolver e capacitar integralmente os indivíduos para que se tornem promotores de saúde, e propiciar ambientes saudáveis para que essa prática torne-se eficiente13-15.

Nesse contexto, este estudo teve como objetivos investigar a prevalência do uso de produtos derivados do tabaco entre estudantes universitários de Odontologia em uma Universidade privada no sul do Brasil (Curitiba), analisar os fatores associados à ocorrência do uso e verificar quais são os produtos de tabaco mais utilizados entre os estudantes.

MATERIAL E MÉTODO

Foi realizado um estudo transversal descritivo no ano de 2012 com os acadêmicos do Curso de Odontologia de uma Universidade privada de Curitiba. O instrumento de coleta de dados foi testado entre 15 estudantes não envolvidos na pesquisa, para avaliar sua aplicabilidade. Os questionários foram anônimos, aplicados online usando o Google Forms. Todos os participantes da pesquisa selecionaram a opção de aceite ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido previamente ao preenchimento do instrumento de coleta de dados. Alunos menores de 18 anos não participaram da pesquisa.

Os questionários possuíam perguntas sobre dados sociodemográficos, exposição a fumaça tabágica, políticas antitabaco promovidas pela Universidade, abordagem do tema ‘tabaco’ nas consultas odontológicas e características do uso de produtos derivados do tabaco entre os estudantes. Além do cigarro industrializado, foram considerados outros produtos de tabaco fumado, como narguilé, cachimbo, charuto, cigarros de Bali, cigarros indianos e cigarros de palha, bem como outros produtos de tabaco não fumado, a exemplo de rapé, fumo de mascar e snuffs16. Grande parte das questões foi contextualizada a partir de questionários sobre o uso de produtos derivados de tabaco previamente aplicados na população brasileira e mundial, tal como a PETAB, o Global Adult Tobacco Survey (GATS) e a Vigilância de Tabagismo em Escolares (VIGESCOLA)6,17,18.

Seguindo recomendações da OMS, os participantes foram classificados em quatro categorias: usuários diários, usuários ocasionais, ex-usuários e não usuários19. Usuários diários eram aqueles que fumavam pelo menos um cigarro ou usavam outro produto derivado de tabaco por dia nos últimos 30 dias; usuários ocasionais eram aqueles que não usavam produtos derivados do tabaco diariamente; ex-usuários eram aqueles que, após terem sido usuários, deixaram de usar estes produtos há pelo menos um mês, e não usuários eram aqueles que nunca usaram nenhum produto derivado do tabaco

Os dados coletados foram tabulados no software Statistical Package for the Social Sciences versão 21.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, EUA) e analisados. A estatística descritiva foi utilizada para gerar um perfil da amostra, bem como a prevalência do uso de produtos derivados de tabaco. Aplicou-se o teste Qui-quadrado para examinar associação entre as variáveis, considerando-se um nível de significância abaixo de 5% (p < 0,05). Ademais, realizou-se a análise multivariada de regressão logística com as variáveis que se mostraram significativas na análise bivariada.

RESULTADO

Dos 425 alunos matriculados no curso de Odontologia (105 homens e 320 mulheres), 317 (74,59%) responderam ao questionário, sendo 77 (24,29%) homens e 240 (75,71%) mulheres. Proporcionalmente, a adesão foi semelhante: 75% no sexo feminino e 73,33% do sexo masculino. A média de idade foi de 21,34 (± 2,93), com variância entre 18 e 40 anos.

A prevalência de uso de produtos derivados de tabaco fumado no momento da pesquisa foi de 24,29% (8,83% fumantes diários e 15,46% fumantes ocasionais) e 51,74% dos alunos relatou ter experimentado algum produto do tabaco ao menos uma vez. Quanto aos produtos derivados de tabaco que não fazem fumaça, apenas um estudante que fumava cigarros afirmou usar também o rapé e outros dois, que eram ex-fumantes, usavam o fumo de mascar e o snuff, respectivamente. Dessa maneira, a prevalência do uso de produtos derivados do tabaco entre os estudantes foi de 24,92% (79 alunos).

A Tabela 1 apresenta a distribuição da amostra de acordo com a classificação de fumante por sexo. É possível notar que houve diferença entre os gêneros quando observadas as classificações de usuários diários e usuários ocasionais, sendo proporcionalmente maior o número de homens usuários diários, enquanto que as mulheres são mais usuárias ocasionais.

Tabela 1 Classificação dos usuários de produtos derivados do tabaco por sexo 

Sexo Usuários diários Usuários ocasionais Ex-usuários Não usuários
n % n % n % n %
Masculino 8 10,39 11 14,29 29 37,66 29 37,66
Feminino 20 8,33 38 15,83 58 24,17 124 51,67
Totala 28 8,83 49 15,46 87 27,45 153 48,26

aPorcentagem calculada em relação ao número total de entrevistados.

A Tabela 2 apresenta a distribuição da população de usuários e não usuários de acordo com características sociodemográficas, exposição ao tabaco e contexto na Universidade.

Tabela 2 Distribuição da população de usuários e não usuários de produtos derivados do tabaco de acordo com características sociodemográficas, exposição ao tabaco e contexto na Universidade 

Variáveis Usuáriosa Não usuáriosb Total p
n % n % n %
Características sociodemográficas
Sexo NS
Masculino 19 24,68c 58 75,32c 77 24,29
Feminino 58 24,16c 182 75,84c 240 75,71
Idade NS
18 a 21 anos 51 66,23 149 62,08 200 63,09
22 anos ou mais 26 33,77 91 37,92 117 36,91
Estado civil NS
Solteiro(a) 76 98,7 225 96,73 301 94,95
Casado(a) ou União Estável 1 1,3 15 3,27 16 5,05
Naturalidade NS
Curitiba 29 37,66 100 41,67 129 40,69
Outras cidades 48 62,34 140 58,33 188 59,31
Período do curso NS
Primeiro ao quinto 42 54,55 109 45,42 151 47,63
Sexto ao nono 35 45,45 131 54,58 166 52,37
Com quem reside 0,012
Sozinho(a) 23 29,87 40 16,67 63 19,87
Amigos e/ou familiares 57 70,13 200 83,33 254 80,13
Exposição ao tabaco
Convive com alguém que fuma <0,001
Sim 61 77,92 130 54,17 191 60,25
Não 16 22,08 110 45,83 126 39,75
Permanece próximo enquanto fumamd <0,001
Sim 57 93,44 87 66,92 144 75,39
Não 4 6,56 43 33,08 47 24,61
Universidade
Conhecimento de ação universitária antitabaco NS
Sim 14 18,18 37 15,42 51 16,09
Não 63 81,82 203 84,58 266 83,91
Informações recebidas na universidade NS
Suficientes 26 36,36 55 22,92 81 25,55
Insuficientes ou não recebeu 51 62,34 185 77,08 236 74,45
Aconselha o paciente a parar de fumare NS
Sim 52 86,67 150 86,71 202 86,70
Não 8 13,33 23 13,29 31 13,30

aUsuários diários + usuários ocasionais; bEx-usuários + não usuários; c Porcentagem relacionada à população de cada sexo; dSomente respondeu quem convive com alguém que fuma (n = 191); eAlunos que não atenderam pacientes foram excluídos da análise (n = 84).

NS = Não significativo.

Analisando-se separadamente o gênero dos fumantes, pôde-se observar que a prevalência do uso de produtos derivados de tabaco foi de 24,16% no sexo feminino (n=68) e 24,68% no sexo masculino (n=19) (Tabela 2).

Grande parcela dos estudantes apresentava menos de 22 anos (63,09%) e eram naturais de outras cidades (59,31%), principalmente do interior do Estado do Paraná. Além disso, cerca de 20% dos estudantes moravam sozinhos (Tabela 2).

Em relação à exposição ao tabaco, aproximadamente 60% dos entrevistados afirmaram que convivem com alguém que fuma e, destes, aproximadamente 75% permaneciam próximos a essas pessoas enquanto elas fumavam. Os amigos e colegas de sala foram as pessoas mais citadas quando se questionou quais pessoas do convívio fumavam (Tabela 2).

Na análise estatística bivariada, os fatores associados ao uso de produtos derivados de tabaco foram ‘morar sozinho’ (p=0,012; OR=2,13; IC=1,17-3,85), ‘conviver com alguém que fuma’ (p=0,000; OR=3,22; IC=1,75-5,91) e ‘permanecer próximo às pessoas enquanto elas fumam’ (p=0,000; OR=6,96; IC=2,37-20,45) (Tabela 2). Estes fatores permaneceram significativamente associados ao uso de produtos de tabaco na análise multivariada (Tabela 3).

Tabela 3 Análise multivariada de regressão logística entre as variáveis que se mostraram significativas na análise estatística bivariada 

Intervalo de confiança de 95%
Variáveis p OR mínimo máximo
Com quem reside × fumante ou não fumante 0,012 2,96 1,27 6,88
Convive com alguém que fuma × fumante ou não fumante 0,002 3,29 1,56 6,91
Permanece próximo enquanto fumam × fumante ou não fumante 0,001 7,19 2,36 21,95

A Tabela 4 apresenta o perfil de uso de produtos de tabaco pela população estudada. Uma parcela significativa dos usuários atuais (80,52%) iniciou o uso entre 15 e 19 anos, motivados principalmente por influência de amigos. Numa análise comparativa entre os produtos derivados de tabaco citados, pôde-se notar que o narguilé foi o produto de maior uso (66,23%) seguido do cigarro industrializado (54,55%) (Tabela 4). Isoladamente, a prevalência do uso de cigarro industrializado foi de 12,91% para o sexo feminino (n=31) e 14,28% para o sexo masculino (n=11), e de narguilé foi de 16,66% (n=40) e 14,28% (n=11), respectivamente.

Tabela 4 Perfil de uso de produtos de tabaco por acadêmicos de Odontologia 

Variáveis Usuários atuaisa (n,%)
Idade de início do uso de produtos derivados do tabaco
10 a 14 anos 12 15,58
15 a 19 anos 62 80,52
20 a 24 anos 3 3,90
Produtos de uso atualb
Cigarros industrializados 42 54,55
Bidis ou cigarros indianos 3 3,90
Charutos ou cigarrilhas 1 1,30
Narguilé 51 66,23
Perfil de uso de cigarro
Motivos de início do uso de cigarroc
Influência de amigos 30 71,43
Influência de familiares 9 21,43
Para aliviar o estresse 13 30,95
Outros 10 23,81
Número de cigarros por diad
1 a 5 5 17,86
6 a 10 17 60,71
11 a 15 4 14,29
16 a 20 2 7,14
Local de compra
Bar, botequim 4 9,52
Supermercado, mercearia 4 9,52
Padaria, lanchonete 4 9,52
Banca de jornal 11 26,19
Posto de gasolina 19 45,24
Cigarros fumados na universidade
1 a 5 23 54,76
6 a 10 8 19,05
11 a 15 2 4,76
Não fuma 9 21,43
Uso de cigarros na universidade
Sozinho(a) 5 11,90
Com colegas da mesma sala 22 52,38
Com colegas de outros períodos 6 14,29
Não fumo 9 21,43
Tentativa de parar de fumar no último ano
Sim 24 57,14
Não 18 42,86
Pretende parar de fumar
Sim 31 73,8
Não 11 26,2

aUsuários diários + usuários ocasionais; bAlguns usuários faziam uso de dois ou mais produtos. Alguns produtos não apareceram, pois ninguém era usuário; cOs participantes podiam marcar mais de uma alternativa; dSomente para usuários diários (n=28 casos).

Dos fumantes de cigarros industrializados, 60,71% fumam entre 6 e 10 cigarros diariamente e 78,57% fumam durante a estadia na Universidade, principalmente acompanhados por colegas do mesmo período. Não houve diferença estatística significante entre os gêneros.

Os locais de compra de cigarros mais mencionados foram postos de gasolina e bancas de jornal, e a marca de cigarro Marlboro é a escolha de 71,42% (n=30) dos usuários de cigarros (Tabela 4). O cigarro Marlboro do tipo Light foi o de maior uso entre as mulheres fumantes de cigarros industrializados (n=13).

Em relação ao abandono do uso de cigarros, 57% dos participantes indicou que já tentou parar de fumar no último ano, sendo que as mulheres tentaram parar de fumar mais frequentemente do que os homens (58,1% contra 54,5%) e cerca de 73% pretendem parar nos próximos 12 meses (80,6% das mulheres e 63,6% dos homens). Porém, quando questionados se no último ano haviam utilizado algum meio para parar de fumar, apenas 7% buscaram ajuda com profissionais da saúde ou usaram algum procedimento para parar de fumar.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A prevalência geral do uso de produtos derivados do tabaco fumados e não fumados, de uso diário ou ocasional, entre estudantes de Odontologia em uma Universidade privada no sul do país (24,9%), foi significativamente maior que na população geral brasileira (15%) e maior que a prevalência de usuários no Paraná (18,1%). Embora a porcentagem de usuários de produtos derivados do tabaco tenha sido maior entre os homens quando comparada aos dados nacionais (24,7% e 19,2%, respectivamente), essa diferença foi muito mais explícita entre as mulheres (24,2% e 11,2%, respectivamente). O mesmo ocorre quando se compara este estudo à prevalência de usuários de produtos de tabaco no sul do Brasil por homens (24,7% contra 19,1%) e por mulheres (24,2% e 13,3%). Mais alarmante é o fato de que, na Pesquisa Nacional de Saúde, a menor taxa de usuários de produtos derivados do tabaco é entre jovens de 18 a 24 anos (10,7%), a faixa etária alvo do presente estudo20,21.

Se for analisada isoladamente, a prevalência do uso de cigarros industrializados foi de 13,2% (14,2% para homens e 12,9% para mulheres), semelhante à prevalência nacional vista no relatório do VIGITEL de 2014, que é de 11,3% (14,4% para homens e 8,6% para mulheres); entretanto, ainda destaca-se a maior prevalência de uso de cigarros pela população feminina deste estudo22. O uso de produtos derivados de tabaco que não fazem fumaça foi de 0,9%, próximo à prevalência nacional (0,4%)6.

Comparado a estudos de prevalência de uso de cigarros industrializados em outras Universidades ‒ com valores como 4% na Universidade Estadual de Ponta Grossa, em 2012; 7,1% na Universidade Estadual da Paraíba, em 2009, e 8,8% na Universidade Federal de Pernambuco, em 2004 ‒ a porcentagem de estudantes de Odontologia usuários de cigarros desta Universidade privada é maior (13,2%)23-25. Dados do VIGITEL apontam a prevalência do uso de cigarros em outras capitais, variando de 5,7% em Palmas até 16,5% em Porto Alegre. É interessante ressaltar que as capitais do sul do país destacam-se entre as prevalências mais altas do uso de cigarros industrializados pela população brasileira (Florianópolis, 12,4%; Curitiba, 13,7%, e Porto Alegre, 16,5%), dado corroborado pelo presente estudo (13,2%)22.

Outro aspecto exposto importante é que 41,93% das mulheres fumantes de cigarros industrializados utilizavam o cigarro do tipo light. Há a crença de que esse tipo de cigarro tem o sabor mais suave, proporcionando menos nicotina e alcatrão, mesmo que isso não seja verdade. Isso é particularmente preocupante, na medida em que compromete a percepção do real risco ao qual a mulher está exposta, dando a falsa impressão que está diante de um produto que oferece menos danos à saúde26-28.

A prevalência do uso de narguilé (16%) mostrou-se maior que a de cigarros industrializados. Inclusive, foi maior no sexo feminino do que no sexo masculino (16,66% e 14,28%, respectivamente) e também astronomicamente maior do que a prevalência nacional (aproximadamente 0,8%), tal como já foi observado em outras pesquisas, principalmente na população jovem6,29-31. Nas últimas décadas, houve uma forte disseminação do uso do narguilé no Brasil, acompanhando o crescimento em outros países. Tal fator é alarmante, visto que um simples sopro de narguilé é quase igual ao volume de fumaça inalada com um único cigarro. Uma sessão de narguilé pode ser equivalente a fumar de 20 a 30 cigarros32. Estudos realizados constataram que as pessoas pensam o contrário: que o narguilé é menos maléfico que o cigarro industrializado33-35.

A idade de iniciação do uso de produtos derivados do tabaco foi semelhante às de outros estudos realizados no Brasil e coincidiu com a época de transição entre o Ensino Médio e o ingresso no Ensino Superior (15 a 19 anos)6,29,36,37. Pinzón de Salazar, Correa1 (1999) destacam em seu estudo que se uma pessoa não fuma antes dos 21 anos, há poucas chances que o faça depois. Dessa maneira, ao captar um novo consumidor entre a população jovem, a indústria do tabaco o terá, provavelmente, como cliente por toda vida.

Os resultados demonstram que os principais pontos de aquisição de cigarros industrializados pelos estudantes foram em bancas de jornal e postos de gasolina, enquanto que a pesquisa da PETAB publicada em 2011 evidenciou o inverso, sendo os bares, botequins e restaurantes, seguidos de supermercados ou mercearias, padarias e lanchonetes, os lugares de compra mais citados6.

Mais de 50% dos indivíduos já tentaram parar de fumar cigarros no último ano e cerca de 73% pretendem parar nos próximos 12 meses, principalmente as mulheres, em ambos os casos. Porém, apenas 7% dos fumantes buscaram ajuda com profissionais da saúde ou usaram algum procedimento para parar de fumar. Na PETAB de 2011, evidenciou-se uma situação semelhante, visto que, do total dos fumantes, 45,6% haviam tentado parar de fumar nos últimos 12 meses (49,5% das mulheres e 43% dos homens)6. Esses dados combinados parecem demonstrar que há um nicho a ser mais bem explorado pelas ações de controle do tabaco, por meio da adoção de estratégias específicas, para ajudar os jovens que querem deixar de fumar. Apoiar e dar suporte para a cessação é uma estratégia importante no controle do uso de produtos de tabaco e uma questão de direito à cidadania.

Nas últimas décadas, instituições como a OMS e a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), bem como governos nacionais, regionais e locais, e mesmo organizações do terceiro setor, têm disseminado o conceito e apoiado a estratégia de criação de “ambientes saudáveis”13,38.

Mello et al.15 destacam que seria de fundamental importância que as Universidades, ao assumirem o processo de formação e atuação profissional, constituíssem espaços estratégicos para promoção da saúde. Promover saúde, seja no âmbito acadêmico, seja nos serviços, implica em proporcionar à população as condições necessárias para melhorar e exercer controle sobre sua saúde. Visto que o exposto estudo verificou que a maioria dos alunos fumantes faz uso de cigarro dentro do ambiente universitário e mais de 40% dos entrevistados está exposto ao fumo de amigos e colegas de classe, torna-se essencial que a Universidade assuma sua responsabilidade na institucionalização de uma política interna antitabaco, reforçando uma postura de prevenção e controle de comportamentos prejudiciais à saúde em seu ambiente coletivo, como o uso de produtos de tabaco.

Além do exposto, este estudo verificou que o hábito de usar produtos derivados do tabaco pode estar relacionado a morar sozinho, conviver com pessoas fumantes e a permanência junto a elas enquanto estão fumando. Como parte disso acontece no ambiente universitário, a Instituição, portanto, tem um amplo potencial para proteger a saúde e promover o bem-estar dos estudantes e funcionários, e da comunidade, em toda a sua abrangência, pelas políticas e práticas empregadas. Contrário a isto, quando questionados se conheciam alguma política de controle/prevenção ao uso de produtos derivados de tabaco promovida pela Universidade, grande parte dos alunos (83,91%) respondeu negativamente, independentemente de serem usuários de produtos derivados do tabaco e de gênero.

Cerca de 75% dos entrevistados mencionaram que as informações recebidas durante a graduação sobre consequências, prevenção e cessação do uso de produtos derivados do tabaco foram insuficientes ou que sequer receberam algum tipo de informação. Há de se considerar que as instituições de ensino superior formam estudantes que serão profissionais da saúde formuladores de políticas com potencial de influenciar as condições que afetam a qualidade de vida das pessoas. Mediante o desenvolvimento do projeto político-pedagógico, as Universidades podem ampliar o conhecimento e o comprometimento com a promoção de saúde de um vasto número de sujeitos. Por isso, cabe às Universidades revisar constantemente a elaboração e a implementação dos seus currículos para que o maior número de informações a respeito do uso de produtos derivados sejam disponibilizadas para os profissionais de saúde que estão em formação14,15.

Os resultados obtidos neste estudo têm algumas limitações. Primeiramente, por ser um estudo transversal, não é possível delinear relações de causalidade. Segundo, os dados obtidos são baseados nos relatos dos participantes sem uma confirmação objetiva (por exemplo, medição do nível de monóxido de carbono exalado ou cotinina) a respeito do uso de produtos derivados do tabaco.

Entretanto, este estudo traz duas contribuições importantes para a literatura. Primeiro, muito embora nos últimos anos o Brasil seja considerado um dos líderes mundiais na implementação de políticas de controle do tabaco, ainda há uma escassez de estudos sobre a prevalência do uso de produtos derivados do tabaco em acadêmicos profissionais de saúde. Visto a importância destes profissionais como agentes fomentadores de saúde, isso se torna imprescindível. Ademais, este estudo provê informação importante para desenvolvimento de programas de sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde por instituições de Ensino Superior, em relação ao uso de produtos de tabaco. Outrossim, pode estimular as Universidades para o desenvolvimento de ambientes saudáveis, permitindo que usem sua influência em benefício da saúde e qualidade de vida da comunidade local, nacional e até mesmo internacional.

REFERÊNCIAS

1 Pinzón de Salazar L, Tobón Correa O. Prevalencia del consumo de cigarrillo y características de los estudiantes fumadores de la Facultad de Ciencias para la Salud de la Universidad de Caldas. Hacia Promoc Salud. 1999 Oct;4:45-54. [ Links ]

2 Organização Mundial da Saúde. Informe OMS sobre la epidemia mundial de tabaquismo, 2008: plan de medidas MPOWER. Geneva: OMS; 2008. [ Links ]

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*Este projeto foi realizado com fundos do Instituto Nacional de Saúde Americano (R01DA024875).

Received: May 14, 2015; Accepted: August 31, 2015

CONFLITOS DE INTERESSE Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Isabel C. Scarinci, Division of Preventive Medicine, University of Alabama at Birmingham, 1717 11th Avenue South, MT 609, Birmingham - AL, 35205, EUA, e-mail: iscarinci@uabmc.edu

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