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Revista de Odontologia da UNESP

versão On-line ISSN 1807-2577

Rev. odontol. UNESP vol.46 no.4 Araraquara jul./ago. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1807-2577.00917 

Artigos Originais

Análise de dois métodos de desinfecção de condutos radiculares após preparo para pinos: proposta de protocolo protético: estudo in vitro

Analysis of two methods of root canal disinfection after preparation for pins: proposal of prosthetic protocol: in vitro study

Isaac José Peixoto Batinga ROCHAa  * 

Letícia Del Rio SILVAa 

Sybelle Lopes de SANTA MARIAa 

Daniel Pinto de OLIVEIRAa 

Zenaldo PORFÍRIOb 

aFaculdade de Odontologia de Alagoas, UFAL – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil

bInstituto de Ciências Biológicas, UFAL – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil

Resumo

Introdução

Quando existe perda de suporte coronário e ainda desgaste adicional devido a tratamento endodôntico, muitas vezes, é necessária a utilização de um retentor intrarradicular que devolva a retenção para a restauração, reestabelecendo estética e função às estruturas dentárias perdidas. A cadeia asséptica mantida durante a endodontia pode ser quebrada com alguns procedimentos clínicos.

Objetivo

Testar um protocolo de desinfecção por E. faecalis dos condutos radiculares, nas etapas de confecção de um retentor intrarradicular, desmistificando que a quebra da cadeia asséptica e o surgimento de infecções radiculares sejam provenientes da reabilitação protética.

Material e método

50 dentes unirradiculares com endodontia concluída foram desobturados, tiveram seus condutos preparados para retentor intrarradicular e foram contaminados por Enterococcus faecalis. Os dentes foram separados em três grupos de acordo com a substância desinfectante: G1-solução fisiológica (n=10), G2- hipoclorito de sódio 2,5% (n=20), G3- clorexidina 2% (n=20). Em seguida, foi feita a desinfecção do conduto, secagem e análise da eficácia da solução. A avaliação da presença da bactéria foi feita através do cultivo em caldo Brain Heart Infusion, pelo método da turvação, e posterior identificação pelo meio Ágar Bílis-Esculina. A análise estatística foi feita pelo método do quiquadrado em tabulação cruzada, onde p<0,0001.

Resultado

Observou-se a inibição bacteriana de 100% em G2 e G3 e crescimento bacteriano de 100% em G1.

Conclusão

O emprego das substâncias avaliadas nas etapas protéticas de finalização de um retentor intrarradicular, como protocolado por esta pesquisa, é capaz de manter a cadeia asséptica sem interferir no sucesso da reabilitação protética.

Descritores: Enterococcus faecalis; prótese dentária; pinos dentários; clorexidina; hipoclorito de sódio

Abstract

Introduction

When there is loss of the coronary supports and still further wear due to endodontic treatment, very often, it is necessary to use a intraradical retainer to restore aesthetics and function of lost dental structures. Within this rehabilitation, the aseptic chain which was maintained during endodontics can be broken using some clinical procedures.

Aim

Test a disinfection protocol by E. faecalis of root canals, in the steps of making an intraradicular retainer, demystifying that the fracture of the aseptic chain and the emergence of root infections are coming from prosthetic rehabilitation.

Materials and method

50 single-rooted teeth with complete endodontics were unfilled, they had their conduits prepared for an intraradical retainer and contaminated by Enterococcus. faecalis. The teeth were divided into 3 groups according to the disinfectant solution. G1- saline (n= 10), G2 2.5% sodium hypochlorite (n=20), G3- chlorhexidine 2% (n=20). Then, a disinfection of conduit, drying and analysis of the efficacy of the solution was made. The evaluation of the presence of Enterococcus faecalis was made by cultivating in Brain Heart Infusion broth by the method of turbidity, and subsequent identification by means Agar Bile-Esculin. Statistical analysis were performed using the chi-square method in cross-tabulation, where p <0.0001.

Result

As a result, it was observed 100% bacteria inhibition in G2 and G3, and bacterial growth of 100% in G1.

Conclusion

The use of substances assessed in the prosthetic stages of finalizing an intraradical retainer, as filed by this research, is able to maintain the aseptic chain without interfering with success of prosthetic rehabilitation.

Descriptors: Enterococcus faecalis; dental prosthesis; dental pins; chlorhexidine; sodium hypochlorite

INTRODUÇÃO

Quando ocorre uma perda estrutural muito extensa, se faz necessária a utilização de retenção intrarradicular e uma prótese unitária que restabeleçam a estética e a função1,2. A utilização de retentor intrarradicular (RIR) tem por finalidade propiciar condições adequadas de retenção para que a reabilitação oral seja executada com eficiência e assim não haja nenhum transtorno futuro para as funções mastigatórias1,3,4.

É fundamental ter um preparo intrarradicular em que se preserve a estrutura da raiz, bem como as estruturas subjacentes e periapicais, pois o sucesso da prótese dependerá de que cada procedimento seja efetuado dentro das normas e técnicas predeterminadas. É evidente que a terapia endodôntica bem-sucedida é um pré-requisito para indicação de um RIR2.

Vários estudos sugerem que, durante o preparo do conduto radicular, a preservação de 3 a 5 mm de guta-percha (Dentsply Maillefer, Ballaigues, Switzerland), que é o principal material obturador do espaço radicular, deve ser mantida para que haja uma manutenção do selamento apical4-8.

Muitas são as modalidades de bactérias encontradas colonizando os canais radiculares infectados, sendo a maioria anaeróbia estrita, gênero cujas espécies mais comuns são Actinomyces; Pseudoramibacter; Eubacterium; Peptostreptococcus; Treponema. Já no grupo das aeróbias, temos a Pseudomonas aeruginosa; quando nos referimos às anaeróbias facultativas, podemos citar o Streptococcus e o Enterococcus faecalis1,9.

Os E. faecalis são cocos facultativos anaeróbios Gram-positivos, responsáveis por cerca de 80 a 90% de infecções enterecocais em humanos, sendo considerados os microrganismos mais encontrados em dentes com infecções pós-tratamento endodôntico9. Grande parte dos casos clínicos mostra canais radiculares infectados com E. faecalis que permanecem assintomáticos por anos, pois não responderam à terapia endodôntica convencional9,10.

Diversos trabalhos apontam que falhas no tratamento endodôntico ou durante a confecção do RIR ocorrem em virtude de trabalhos realizados sem a observação dos princípios biológicos1,5,9. Logo, existe uma preocupação com a manutenção da cadeia asséptica observada, tanto no tratamento endodôntico como nos procedimentos que compreendem a confecção dos RIRs5.

Durante a prática clínica do preparo do conduto e a cimentação de um retentor intrarradicular, existe um período crítico em virtude dos comuns acidentes nos procedimentos de desobturação, preparo do canal, moldagem, cimentação do retentor intrarradicular e nos intervalos entre as sessões, o que pode ocasionar a recontaminação dos canais radiculares1.

Com o intuito de manter a cadeia asséptica do canal, propostas como soluções irrigantes são importantes no preparo do conduto, pois auxiliam na limpeza e lubrificação do canal radicular, eliminação dos detritos, além de apresentarem efeito antimicrobiano, sem prejuízo para a região periapical11,12.

A seleção de um irrigante ideal depende de sua ação sobre os micro-organismos e tecidos periapicais. As substâncias químicas auxiliares mais populares e mais usadas são o Hipoclorito de Sódio (NaOCl) e o Digluconato de Clorexidina (CHX)11-14.

A literatura demonstra vários guias de padronização criados para as etapas de desinfecção no tratamento endodôntico, os quais avaliam as soluções de NaOCl e CHX em várias concentrações distintas, volumes e tempos de exposição.

Portanto, a presente pesquisa teve como objetivo testar o protocolo de desinfecção por E. faecalis dos condutos radiculares, já utilizado pela endodontia, nas etapas de confecção de um retentor intrarradicular, desmistificando que a quebra da cadeia asséptica e o surgimento de infecções radiculares sejam provenientes da reabilitação protética.

A hipótese testada é que não há quebra da cadeia asséptica durante a reabilitação protética de dentes tratados endodonticamente.

MATERIAL E MÉTODO

Amostra

A avaliação experimental foi baseada na desinfecção de condutos radiculares de dentes humanos após a preparação para confecção de RIR. Os elementos dentais foram doados pelo Banco de Dentes Humanos da Faculdade de Odontologia de Alagoas (FOUFAL) para o Laboratório de Endodontia da mesma faculdade e, posteriormente, cedidos para a presente pesquisa.

Convencionou-se a quantidade de 50 dentes unirradiculares, com o tratamento endodôntico concluído através da Técnica Coroa-Ápice da FOUFAL, sendo excluídos os dentes multirradiculares, que não possuíam tratamento endodôntico, ou que a qualidade da obturação fosse insatisfatória.

Preparo do Conduto

Os dentes foram numerados e radiografados individualmente e, através de uma régua milimetrada, a medida do canal foi aferida para que o selamento apical fosse respeitado. Os parâmetros aferidos foram delimitados pelo comprimento aparente do dente, o qual é medido do ápice radicular até a porção mais coronária do elemento.

Posteriormente, o preparo do conduto radicular seguiu procedimentos de desobturação. Foram utilizadas brocas tipo Gattes-Glidden (Dentsply Maillefer Ballaigues, Switzerland) de números 5,4,3 e brocas Largo (Dentsply Maillefer Ballaigues, Switzerland) de numeração 3 e 2 numa sequência decrescente de calibre, respeitando o limite do selamento apical de 5 mm. Em seguida, os dentes foram submetidos à esterilização em autoclave através do calor úmido sob pressão (Luferco, Araraquara, Brasil).

Depois da desobturação dos condutos, foram feitas novas radiografias. Foi utilizada uma peça reta, micromotor e um disco de carborundum, para separar a coroa da raiz no limite amelocementário.

Preparo do Inóculo

Dando sequência ao estudo e de acordo com normas do laboratório de microbiologia do Centro de Patologia e Medicina Laboratorial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), foram utilizados os equipamentos e soluções necessárias ao cultivo do E. faecalis (ATCC29212).

A etapa laboratorial foi semelhante a diversas metodologias revisadas11,15, como a utilização de meios de cultura e semeio bacteriano e a padronização do ambiente, tempo e temperatura na estufa. O caldo BHI foi utilizado como meio para cultivo de micro-organismos. Possuía cor original amarelo-clara, e a presença de turvação afirma o crescimento bacteriano na solução6. Iniciou-se com o preparo do caldo BHI com micro-organismos (E. feacalis) vivos, onde os espécimes foram inoculados com uma suspensão correspondente à concentração bacteriana em escala 0.5 de Mcfarland (1,5 × 108 UFC/ml – Unidades Formadoras de Colônias), permanecendo por 24 horas na estufa a 37 °C para a confirmação qualitativa das bactérias através do turvamento7,16.

Em seguida, houve o semeio na Placa de Petri em Ágar Sangue (AS), seguido de mais um período de 24 horas dentro da estufa a 37 °C, onde se obteve a proliferação bacteriana e surgimento das UFCs14.

Através do semeio em AS, uma nova suspensão em solução salina tamponada, que mantém a bactéria viável, foi criada para posterior contaminação dos condutos radiculares, ficando por mais 24 horas na estufa.

Contaminação/Desinfecção

Esta etapa foi dividida em três grupos, sendo um grupo controle para a solução de Soro fisiológico (G1 – dez remanescentes radiculares) e dois experimentais para as soluções de NaOCl a 2,5% (G2 – vinte remanescentes radiculares) e CHX a 2% (G3 – vinte remanescentes radiculares). O protocolo de desinfecção escolhido foi seguido pelos três grupos, havendo apenas a mudança nas soluções de irrigação (Soro fisiológico, NaOCl a 2,5% e CHX a 2%), sendo respeitado o controle da biossegurança para que não ocorresse contaminação cruzada entre as etapas.

Com o auxílio de um cone de papel e uma pinça, a suspensão bacteriana foi coletada e introduzida nos condutos na sequência numérica dos remanescentes radiculares, seguida de fechamento com material vedante (Coltosol – Vigodent, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil) e manutenção na estufa a 37 °C por 30 minutos em uma bandeja umidificada com gaze e SF, simulando assim as condições ambientais presentes na cavidade bucal9. Depois da retirada dos dentes da estufa, removeu-se o material vedante e o cone de papel contaminado.

Através de seringa e agulha, os condutos radiculares foram individualmente irrigados com 5 mL da solução controle e deixados inundados por 5 minutos, sendo secos, em seguida, com cones de papel.

Controle da Efetividade

A verificação da efetividade desinfetante da solução foi feita introduzindo outro cone de papel seco no interior do conduto, vedado novamente com Coltosol e armazenado na estufa por aproximadamente 30 minutos. Em seguida, retirou-se o cone de papel para depositá-lo dentro de tubos de ensaio contendo caldo BHI para o retorno à estufa por mais 24 horas.

A leitura do caldo BHI, para observar se houve desinfecção dos condutos radiculares, foi feita através da observação da turvação da solução (Figura 1 - G1: grupo controle com 100% das amostras apresentando turvamento). A avaliação da presença de E. feacalis no cone de papel foi feita através do método de identificação, utilizando o meio Ágar Bílis-Esculina (Figura 2 - Método de identificação de E. faecalis: Bílis-Esculina através do enegrecimento), o qual é baseado na capacidade de algumas bactérias hidrolisarem esculina em presença de bílis. As bactérias que nela conseguem crescer formam um complexo enegrecido através dos íons férricos da solução5,17. (Figura 3 - Organograma Metodológico).

Figura 1 G1 (grupo controle) com 100% das amostras apresentando turvamento. 

Figura 2 Método de identificação de E. faecalis (Bílis-Esculina) através do enegrecimento. 

Figura 3 Organograma metodológico. 

Analise Estatística

Os dados foram tabulados em planilha eletrônica e os resultados obtidos nos grupos, analisados no que se refere à significância estatística, pelo teste método do quiquadrado com uma significância de 1%. Os valores obtidos foram absolutos e dentro do esperado para o processo de contaminação/desinfecção.

RESULTADO

Todas as amostras de um mesmo grupo tiveram o mesmo comportamento, comprovando a ausência de contaminação cruzada e falhas durante a pesquisa. Em G1, as 10 amostras apresentaram turvação em meio BHI. Os grupos G2 e G3 não apresentaram o turvamento das soluções, evidenciando o potencial desinfetante em 100% dos casos tanto no NaOCl como na CHX. (Tabela 1: Presença ou ausência de turvamento em BHI após desinfecção dos condutos preparados de acordo com cada grupo).

Tabela 1 Presença ou ausência de turvamento em BHI após desinfecção dos condutos preparados de acordo com cada grupo 

Grupo Cultivo/Turvamento
(%) n (+) (%) n (-) p- valor
G1 100 0 0,001*
G2 0 100 0,001*
G3 0 100 0,001*

*Quiquadrado = 50,000; α=1%.

DISCUSSÃO

Os autores afirmam1,9,11 que a reabilitação de um elemento dentário vai além do término do tratamento endodôntico. Mesmo diante de uma variedade de técnicas e materiais para restauração coronária dos dentes endodonticamente tratados, o RIR muitas vezes continua sendo necessário3. O tempo ideal para o preparo intrarradicular após a conclusão do tratamento endodôntico seria de 21 dias, pois, após este período, o dente fornece melhor força de adesão, comparado a preparos realizados logo após o preenchimento do canal com material obturador18.

Neste intervalo entre o preparo e a cimentação do RIR, pode haver quebra da cadeia asséptica e recontaminação dos canais radiculares1,5,9,11-14. Diversos trabalhos1,3,9 apontam que falhas no tratamento endodôntico ou durante a confecção do RIR ocorrem em virtude de trabalhos realizados sem a observação dos princípios biológicos.

Estudos demonstram a efetividade das soluções experimentais de NaOCl e CHX na endodontia durante a desinfecção dos condutos radiculares. E, diante das variadas concentrações, volumes e tempos de exposição, convencionou-se adotar parâmetros clínicos de fácil acesso ao profissional protesista para que a fase de preparo do conduto para receber um RIR seja realizada sem a quebra da cadeia asséptica.

É possível observar que a concentração e o tempo de exposição das soluções desinfetantes usadas nos condutos radiculares são essenciais no resultado da eliminação bacteriana. E, dentre as substâncias desinfetantes de maior uso no consultório odontológico, estão o NaOCl e a CHX1,10,11,15.

Vários são os autores que entram em concordância com este trabalho no que se refere à utilização das soluções NaOCl e CHX como inibidoras da atividade microbiana do E. faecalis11,14,15. Fato esse também confirmado através de microscopia confocal que evidenciou que a associação de NaOCl e CHX demonstra maior efetividade contra bactérias, devido à ação conjunta de dissolução de tecidos orgânicos, atividade bactericida e substantividade19.

Paradella et al.9 afirmam que não há diferenças significantes em termos de redução de unidades formadoras de colônia de E. faecalis comparando-se clorexidina em gel a 2%, clorexidina líquida a 2% e hipoclorito de sódio a 5,25%. Técnicas eficientes de irrigação com o uso de CHX 2% e do NaOCl são métodos confiáveis para combater o E. faecalis do sistema de canais radiculares e reduzir o insucesso do tratamento endodôntico20.

Zamany et al.21 demonstram que a CHX a 2% maximiza a desifecção dos condutos quando adicionada após a convencional instrumentação mecânica com NaOCl a 1%, entrando em conflito com Basrani et al.13, que reforçam que o uso concomitante das duas substâncias deve ser evitado pois resulta na formação de um precipitado, devendo-se remover o NaOCl antes da colocação do CHX no canal. Vale ainda ressaltar que a CHX, quando usada para pré-tratamento de superficie do canal radicular pré utilização de pinos de fibra de vidro incrementados com resina composta, demonstrou efeitos positivos na preservação da resistência de união e na durabilidade da adesão desses pinos, tanto a curto (24 horas) quanto a longo prazo (1 ano)22.

Foi evidenciada também a influência do NaOCl (1,0%, 2,5%, 5,25%) e da CHX Gel (2%) como agentes irrigantes na resistência à tração de um sistema adesivo usado para cimentar pinos de fibra de vidro em dentina radicular e nenhuma diferença significativa foi encontrada16. A associação do NaOCl com EDTA 17% também não interveio na força de adesão de pinos de fibra de vidro em dentina radicular23.

A presente pesquisa, em concordância com os artigos revisados, fez uso de diferentes soluções (NaOCl a 2,5%, CHX a 2% e Soro Fisiológico), padronizando o volume e o tempo de irrigação em 5ml e 5 minutos, respectivamente, o que resultou na quebra do ciclo microbiológico do E. faecalis dentro do conduto preparado proteticamente.

Contudo novas pesquisas devem ser feitas no intuito de tornar mais acessível e prática a utilização pelo clínico, como a criação de um protocolo que utilize soluções com menores concentrações e diminuindo o tempo de irrigação.

CONCLUSÃO

O protocolo de desinfecção utilizado, preconizando irrigação com 5ml das soluções de NaOCl a 2,5% e CHX a 2% e permanência no conduto por um período de 5 minutos, foi suficiente para demonstrar a atividade contra Enterococcus faecalis e a possibilidade de empregá-las nas etapas protéticas de finalização de um RIR (desobturação, preparo, moldagem e cimentação dos condutos).

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Recebido: 02 de Fevereiro de 2017; Aceito: 11 de Abril de 2017

CONFLITOS DE INTERESSE Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

*AUTOR PARA CORRESPONDÊNCIA Isaac José Peixoto Batinga Rocha, Faculdade de Odontologia de Alagoas, UFAL – Universidade Federal de Alagoas, Rua Prefeito Abdon Arroxelas, 58, Apartamento 801, Ponta Verde, 57035-380 Maceió - AL, Brasil, e-mail: isaacbatinga@gmail.com

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