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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

Print version ISSN 1807-5509

Rev. bras. educ. fís. esporte (Impr.) vol.24 no.2 São Paulo Apr./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092010000200011 

Autopercepção da imagem corporal em estudantes do curso de educação física

 

Self-perception of body image in the physical education course students

 

 

Cassiano Ricardo Rech; Eliane Denise da Silveira Araújo; Joyce Do Rocio Vanat

Departamento de Educação Física, Universidade Estadual de Ponta Grossa - Paraná

Endereço

 

 


RESUMO

O objetivo do estudo foi analisar a autopercepção da imagem corporal (IC) e associar a IC com indicadores sociodemográficos, estado nutricional e nível de atividade física de universitários. Realizou-se um estudo transversal com 294 universitários (136 homens e 158 mulheres), mensurou-se a percepção da IC por meio da escala de silhueta, indicando a silhueta atual (SA), silhueta ideal (SI) e a silhueta ideal do sexo oposto (SIO). Ainda foram coletadas variáveis demográficas (sexo, idade, turno de estudo, ocupação), nível socioeconõmico, estado nutricional (índice de massa corporal) e o nível de atividade física (IPAQ - versão curta). Utilizou-se a análise descritiva e o teste de associação do qui-quadrado para análise dos dados. A prevalência de insatisfação com a IC foi de 61,2% (n = 180), sendo 61% nos homens e 61,4% nas mulheres. A silhueta 2 foi apontada por 57% das mulheres como a SI, entre os homens 38,2% e 39,7% apontaram a silhueta 3 e 4 como a SI. Foi identificada como SIO à silhueta 3 (63,2% masculino e 56,3% feminino). As mulheres demonstraram uma maior percepção (67,6%) em possuir uma silhueta menor que a atual. Já entre os homens houve a tendência (66,7%) a desejarem uma silhueta maior do que a atual. Além do sexo a percepção com a IC foi associada com o estado nutricional (p < 0,05), onde se observou que 78,7% dos indivíduos com excesso de peso desejam ter uma silhueta menor do que a atual. Concluísse que a autopercepção da IC esteve associada ao sexo e ao estado nutricional nos universitários.

Unitermos: Obesidade; Satisfação corporal; Universitários.


ABSTRACT

This study aimed at evaluating the self-perception of the body image (BI) and associating the BI to socio-demographic indicators, nutritional state and level of physical activities in university students. A cross-sectional study with 394 students was made (136 men and 158 women). The BI perception was measured by means of the silhouette scale, indicating the present silhouette (PS), the ideal silhouette (IS), and the ideal silhouette of the opposed gender (ISO). Demographic variables were also collected (gender, age, part of the day in which they study, occupation), socio-economical level, nutritional state (body mass index) and the level of physical activity (IPAQ - Short version). The descriptive analysis and the qui-square association test were used to analyze the data. The dissatisfaction prevalence with the BI was of 61.2% (n = 180), being 61% men and 61.4% women. The silhouette 2 was pointed by 57% and 38.2% of women and men as the IS, respectively. Silhouettes 3 and 4 were pointed as the IS by 38.2% of the women and 39.7% of the men. Silhouette 3 was identified as the ISO (63.2% male and 56.3% female). Women showed a higher prevalence (67.6%) of having a smaller silhouette than the present one. Men showed a tendency (66.7%) to prefer a bigger silhouette than the present one. Besides the gender, the BI perception was associated with the nutritional state (p < 0.05), in which it was observed that 78.7% of the overweight subjects to have a smaller silhouette than they have at present. The conclusion is that the BI self-perception was associated with gender and nutritional state of the university students.

Uniterms: Obesity; Body satisfaction; University students.


 

 

Introdução

Atualmente, ao mesmo tempo em que o estilo de vida atual imposto pela modernidade está contribuindo para a diminuição dos níveis de atividade física (Matsudo, Matsudo, Araújo, Andrade, Oliveira & Braggion, 2002) e para o aumento do consumo de alimentos hipercalóricos e industrializados, os padrões de beleza atuais exigem valores antropométricos cada vez menores (Andrade & Bosi, 2003; Nunes, Olinto, Barros & Camey, 2001).

Esta realidade se traduz na busca constante pelo corpo perfeito, jovem, esquelético ou musculoso, divulgado constantemente pela mídia e apresentado em revistas, cinema e comerciais, influenciando a crescente insatisfação das pessoas com a própria aparência (Bosi, Raggio, Morgado, Costa & Carvalho, 2006). Principalmente as mulheres procuram alterar seus corpos de modo a seguir esses padrões, aceitando esses ideais como metas e quando não alcançam demonstram em consequência maior rejeição de sua imagem corporal.

Segundo Cash e Pruzinsky (1990) a imagem corporal é uma construção multidimensional que descreve as representações internas da estrutura corporal e da aparência física de si e dos outros, ou seja, é a ilustração ou figura que se tem na mente do tamanho, imagem e forma do corpo. Pessoas com distúrbios na percepção da imagem corporal superestimam em maior grau a sua imagem corporal.

Em investigação conduzida por Bosi et al. (2006) com estudantes de nutrição, os resultados evidenciaram que o ideal de corpo magro imposto pela sociedade prevalece, pois mulheres com peso adequado apresentaram insatisfação com sua imagem corporal desejando alterá-la para se adequar aos padrões sociais. No estudo de Damasceno, Lima, Vianna, Vianna e Novaes (2005) não somente as mulheres buscam o corpo perfeito (mais magro e menos volumoso), mas também os homens querem ter um corpo mais forte e volumoso.

De acordo com Smolak e Levine (2001) a imagem corporal é composta pela "estima corporal" e a "insatisfação com o corpo". A estima corporal se refere o quanto o indivíduo gosta do seu corpo de maneira geral, incluindo peso, forma, cabelos e rosto. Já a insatisfação corporal define preocupações com o peso, gordura e forma do corpo. Dependendo do grau, essa insatisfação pode afetar aspectos da vida do indivíduo no que diz respeito ao seu comportamento alimentar, auto-estima e desempenhos psicossocial, físico e cognitivo.

A insatisfação corporal está relacionada à baixa auto-estima e à presença de distúrbios alimentares como anorexia, bulimia e o comer compulsivo. Nesse sentido, observa-se uma maior insatisfação corporal entre as mulheres, possivelmente relacionada à imposição da sociedade (Almeida, Santos, Paisan & Loureira, 2005; Kakeshita & Almeida, 2006). Porém outros fatores podem influenciar a insatisfação corporal, dentre eles temos: sexo, idade, meios de comunicação, crenças, valores e atitudes inseridas em uma cultura (Blowers, Loxton, Grady-Flesser, Occhipinti & Dawe, 2003).

Desta forma, tendo em vista que a compulsão pela busca de uma anatomia ideal tem levado muitas pessoas a se sentirem insatisfeitas com o seu corpo, este estudo tem como objetivos analisar a autopercepção da imagem corporal de estudantes do curso de Educação Física e verificar a associação da imagem corporal com os indicadores sociodemográficos, estado nutricional e nível de atividade física dos universitários.

 

Procedimentos metodológicos

Trata-se de um estudo transversal, com delineamento descritivo, realizado com acadêmicos do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG no ano de 2007. A população do estudo foi composta por 385 acadêmicos, de ambos os sexos, dos cursos de Licenciatura e Bacharelado de ambos os turnos (diurno e noturno). Todos os alunos do curso foram convidados a participar da coleta de dados. Participaram do estudo 294 acadêmicos, sendo 136 (46%) do sexo masculino (46%) e 158 do sexo feminino (54%).

As características demográficas (sexo, idade, turno de estudo, ocupação), socioeconômicas (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas - ABEP, 2003), nível de atividade física (Questionário Internacional de Atividade Física versão curta - IPAQ, versão 8.0) e de estado nutricional (índice de massa corporal) foram obtidas por meio de questionário aplicado nas turmas nos horários das aulas, com a autorização dos professores.

As medidas de massa corporal e estatura foram obtidas por meio de informação auto-referida obtidas através de um questionário individual e auto-explicativo. A validade das medidas auto-referidas de massa corporal e estatura teve sua validade apontada em estudos em diferentes faixas etárias (Silveira, Araújo, Gigante, Barros & Lima, 2005; Rech, Petroski, Böing, Babel Júnior & Soares, 2008). Para classificação do estado nutricional adotaram-se os critérios da World Health Organization (1998), considerando peso normal IMC < 24,9 kg/m2 e excesso de peso como IMC > 25 kg/m2.

Para verificação da imagem corporal foi utilizada uma escala de silhuetas (FIGURA 1) proposta por Stunkard, Sorenson e Schlusinger (1983). O conjunto de silhuetas foi apresentado aos indivíduos e realizado as seguintes perguntas: Qual é a silhueta que melhor representa a sua aparência física atual?; Qual é a silhueta que você gostaria de ter? Qual é a silhueta que você considera como a ideal para o sexo oposto?

A insatisfação com a imagem corporal foi determinada pela diferença entre a autopercepção da imagem atual (SA), imagem ideal (SI). A categoria de insatisfeitos foi estratificada em duas subcategorias: a insatisfeito por excesso de peso, que caracterizavam os indivíduos que desejam uma silhueta menor do que a atual e a insatisfeito por magreza, composta por indivíduos que desejam uma silhueta ideal maior do que a atual.

Na análise dos dados utilizaram-se os recursos da estatística descritiva (média, desvio padrão e frequências), para análise de diferenças de gênero foi utilizado o teste "t" de "student", o teste do qui-quadrado foi utilizado para verificar a associação da imagem corporal com as características demográficas (sexo, idade, turno de estudo, ocupação), do nível socioeconõmico, do estado nutricional e do nível de atividade física. Foi utilizado o programa SPSS versão 10.0, adotando-se um nível de significância de 5%. A normalidade dos dados foi verificada por meio do teste Shapiro Wilk. Este estudo seguiu as recomendações do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná e foram adotados os procedimentos descritos na resolução do Conselho Nacional de Saúde 196/1996 (parecer 067/07).

 

Resultados

Foram avaliados 294 universitários (158 mulheres e 136 homens) com idade entre 17 e 45 anos dos Cursos de Licenciatura e Bacharel na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná. As características descritivas dos universitários estão apresentadas na TABELA 1.

Nota-se que os homens são mais pesados, mais altos e com um IMC maior do que o apresentado pelas mulheres (p < 0,01).

Em relação às variáveis demográficas a amostra foi assim distribuída: 63,3% estudam no período noturno, 73,8% tem emprego formal, 48% têm idade entre 20 e 24 anos e apenas 17,7% tem mais do que 25 anos; 66,7% são pertencentes às classes econômicas A ou B e apenas 3,7% são da classe D ou E.

Quanto ao estado nutricional 3,7% dos homens e 6,3% das mulheres são obesas (IMC > 30,0 kg/m2) e 13,3% dos universitários apresentam sobrepeso corporal. Observou-se também que grande maioria dos universitários são fisicamente ativos, sendo 91,8% moderadamente ativos e 5,1% muito ativos. Um percentual de 2,7% dos universitários apresenta um nível baixo de atividade física.

A insatisfação com a imagem corporal foi de 61,2% nos universitários. Não houve diferenças estatísticas (p < 0,05) entre o gênero (masculino = 61,0% e feminino = 61,4%), demonstrando uma elevada prevalência de insatisfação com a silhueta atual. A TABELA 2 apresenta a frequência relativa da autopercepção com a silhueta atual, ideal e ideal para o sexo oposto.

Evidencia-se que a silhueta ideal para 79,7% dos homens é a silhueta 3 ou 4, enquanto que as mulheres demonstram uma maior preferência pela silhueta 2 (57,0%). Nenhum indivíduo relatou as silhuetas 8 e 9. Observa-se nos homens uma tendência de perceber como uma silhueta ideal uma silhueta maior do que a atual, principalmente naqueles homens que relataram uma silhueta atual igual a 1 ou 2. Já para aqueles que apresentam a SA 4 ou 5 o desejo é de apresentar uma silhueta menor.

A TABELA 3 apresenta os resultados da associação entre a percepção da imagem corporal com as variáveis demográficas, econômicas, nutricionais e de atividade física. Os resultados demonstraram que houve associação estatística (p < 0,05) entre a percepção da imagem corporal com o sexo e com o estado nutricional dos universitários. No sexo masculino nota-se que entre aqueles insatisfeitos há o desejo em aumentar a silhueta, principalmente entre aqueles com o estado nutricional eutrófico. Observa-se que 47,7% (n = 137) dos indivíduos que apresentam um estado nutricional eutrófico está insatisfeito com a imagem corporal.

As variáveis de idade, turno de estudo, ocupação, nível socioeconõmico e nível de atividade física não mostraram associação estatística (p > 0,05) com a percepção da imagem corporal. Em relação ao estado nutricional observa-se que tanto em homens quanto em mulheres com excesso de peso a percepção com a imagem corporal é negativa (insatisfação).

 

Discussão

Os resultados obtidos revelam expressiva prevalência de insatisfação com a silhueta atual (61,2%), tanto em homens (61%) quanto em mulheres (61,4%). O fato desta percepção ser advinda dos acadêmicos dos cursos de Educação Física é interessante, uma vez que serão os mesmos que atuarão com as práticas corporais no âmbito escolar e não escolar.

Em estudos prévios já se havia relatado que acadêmicas do Curso de Educação Física apresentam uma preocupação maior com a aparência física quando comparada com acadêmicas de outros cursos (O'Brien & Hunter, 2006). Bosi et al. (2006) analisando estudantes do curso de Nutrição observaram que 6,2% das participantes apresentavam uma distorção grave em relação à percepção corporal. Mesmo considerando que foram utilizados diferentes instrumentos para a avaliação da imagem corporal a prevalência entre os acadêmicos do presente estudo foram superiores.

A preocupação no fato da amostra apresentar elevados níveis de insatisfação com a percepção com a imagem corporal reside na relação entre a insatisfação com o surgimento de distúrbios alimentares, principalmente em mulheres jovens (Oliveira, Bosi, Vigario & Vieira, 2003).

Investigações apontam ser comum, entre mulheres, a adoção de hábitos alimentares inadequados (Morgan, Vecchiatti & Negrão, 2002; Nunes et al., 2001), quando estas se mostram insatisfeitas com sua imagem corporal e geralmente esse quadro é manifestada em seu desejo de perder peso (Souto & Ferro-Bucher, 2006).

Um estudo conduzido por Veggi, Lopes, Faerstein e Sichieri (2004) demonstrou em funcionários públicos de uma Universidade que a percepção inadequada de peso corporal, independente do índice de massa corporal, esteve associado à presença dos transtornos mentais comuns nas mulheres, mas não em homens. Uma possível explicação para essa associação está relacionada à maior pressão sociocultural disseminada entre as mulheres para se enquadrarem ao ideal de magreza.

Entre os homens a busca pela silhueta ideal se deve na maioria dos casos na procura por um corpo "sarado". Assunção (2002) relata que a percepção de homens em desejar um corpo dentro de padrões esbelto e "sarados", pode demonstrar uma dismorfia muscular que representa uma condição clínica que afeta homens que, apesar de terem hipertrofia muscular, sentem-se fracos e pequenos, sendo o equivalente à percepção inadequada do peso corporal em mulheres.

Observa-se que em alguns casos os homens adotam medicamentos (recurso ergogênicos), para atingir os objetivos do "corpo perfeito", causando muitas vezes problemas graves a saúde. Neste ponto, é importante salientar que a amostra estudada será no futuro responsável por transmitir estes conhecimentos e conceitos sobre corpo, sobre a análise entre os aspectos que permeiam a saúde e os vícios do "modismo" cultural e momentâneo.

Os dados de associação nos demonstram que a autopercepção com a imagem corporal esteve associada ao sexo e ao estado nutricional. A associação com o sexo já está bem fundamentada na literatura (Almeida et al., 2005; Damasceno et al., 2005), onde se observa que as mulheres são mais pressionadas culturalmente a possuírem uma beleza imposta pela mídia. Esse fato se confirma no presente estudo, apesar de não haver diferença estatística na prevalência de insatisfação com a silhueta atual entre homens e mulheres, nota-se que as mulheres buscam diminuir sua silhueta mesmo quando já se encontram com o peso atual dentro de padrões normais para a saúde (TABELA 3).

O estado nutricional também se mostrou associado à imagem corporal. Indivíduos com excesso de peso desejaram em sua grande maioria diminuir a silhueta. Este fato é relevante, pois uma das maneiras de adotar estilos de vida mais saudáveis é entender que é preciso mudar o comportamento frente às escolhas do dia a dia (Matsudo et al., 2002). Um estudo conduzido com estudantes do curso de educação física não encontrou associação estatística entre o IMC e a imagem corporal, porém os autores relatam que 30% das universitárias que apresentam uma percepção moderada ou grave, desejam perder mais de dois quilogramas (Bosi, Luiz, Uchimura & Oliveira, 2008).

As variáveis de idade, turno de estudo, ocupação, nível socioeconõmico e nível de atividade física não mostraram associação estatística (p > 0,05) com a percepção da imagem corporal. Devido ao fato de avaliar um grupo de estudantes de um único curso as características de atividade física, idade e nível econõmico se tornaram homogêneas. Apontando para elevados índices de atividade física e de alta classe econômica, esta homogeneidade dos dados explica em parte o fato destas variáveis não serem associadas com a percepção da imagem corporal. No entanto os dados do presente estudo corroboram com os registros de que a percepção com a imagem corporal é independente da classe econômica (Coelho & Fagundes, 2007).

Em relação à silhueta relatada como a ideal pelos universitários observou-se que houve uma preferência para as silhuetas 3 e 4 (79,7%) entre os homens e a silhueta 2 (57%) entre as mulheres. Importante notar que para os homens (63,2%) a silhueta ideal para as mulheres seria a silhueta 3, já 22,1% indicaram a silhueta 2. Entre as mulheres 56,3% indicaram a silhueta 3 como a ideal para os homens.

Assim, nota-se que houve uma concordância entre o relato dos homens e o desejo das mulheres, fato não observado entre as mulheres, o que demonstra o desejo mais forte nas mulheres a obedecer a padrões estéticos. Um estudo com praticantes de caminhada apontou que 55% das mulheres relataram a silhueta 3 como a ideal e 47% dos homens apontaram a silhueta 4 como ideal (Damasceno et al., 2005). Estes valores são diferentes do presente estudo, essas diferenças possivelmente se devam ao fato de se tratar de acadêmicos do Curso de Educação Física, os quais por muitas vezes são cobrados pela sua aparência, em especial quando forem transmitir conhecimentos sobre a importância da atividade física para a saúde.

Por fim tem-se que insatisfação com a imagem corporal foi de 61,2% nos universitários. Esses dados são próximos aos relatados por Triches (2007) que evidenciou uma prevalência em adolescentes do sul do Brasil de 63,9%. Entre as mulheres, 20% estão satisfeitas com a silhueta atual. Esse valor é próximo (24%) do relatado em mulheres praticantes de atividade física (Damasceno et al., 2005).

Deste modo, pode-se concluir que elevados índices de insatisfação com a imagem corporal (silhueta) podem ser observados em indivíduos com moderado e elevado nível de atividade física, pois o estado nutricional (sobrepeso e obeso) e o sexo são variáveis que influenciam diretamente a percepção da imagem corporal mesmo em indivíduos que possuem informações sobre a relação importância da prática de atividade física e do controle do peso corporal como é o caso da amostra estudada.

 

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Cassiano Ricardo Rech
Departamento de Educação Física. Universidade de Ponta Grossa
Av. Gen. Carlos Cavalcanti, 4748 - Campus Uvaranas
84030-900 - Ponta Grossa - PR - BRASIL
e-mail: crrech@hotmail.com

Recebido para publicação: 22/10/2008
Revisado em: 18/08/2009
Aceito: 02/12/2009