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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

Print version ISSN 1807-5509

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.26 no.3 São Paulo July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092012000300007 

ARTIGOS ORIGINAIS - SOCIOCULTURAL

 

Inatividade física, comportamento sedentário e excesso de peso corporal associados à condição socioeconômica em jovens

 

Physical inactivity, sedentary behavior and overweight: association study with socioeconomic status in youth

 

La inactividad física, el sedentarismo y el exceso de peso asociado con el nivel socioeconómico en los jóvenes

 

 

Aldemir Smith-MenezesI,II; Maria de Fátima da Silva DuarteI; Roberto Jerônimo dos Santos SilvaIII

ICentro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina
IIInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe
IIIUniversidade Federal de Sergipe

Endereço

 

 


RESUMO

Este trabalho teve por objetivo verificar a associação entre fatores da condição socioeconômica com a inatividade física, comportamento sedentário e excesso de peso corporal em jovens. A amostra deste estudo foi composta por 758 sujeitos, retirada da população de jovens em condição de alistamento militar. As variáveis independentes do estudo foram: classe econômica, estado civil, escolaridade, ser trabalhador. A inatividade física, exposição ao comportamento sedentário e excesso de peso corporal foram utilizados como variáveis dependentes. Após ajuste, verificou-se associação entre a inatividade física e os indicadores de condição econômica escolaridade (RP = 1,42; IC 95% = 1,00-2,01) e ser trabalhador (RP = 1,67; IC = 95% 1,21-2,32). O excesso de peso corporal associou-se com as classes econômicas "C" (RP = 2,60; IC 95% = 1,40-4,84) e "D/E" (RP = 2,08; IC 95% = 1,26-3,44). Conclui-se que jovens com maior escolaridade e que não trabalhavam foram mais inativos fisicamente e que os que estavam em menor condição econômica mostraram-se com excesso de peso corporal.

Unitermos: Atividade motora; Sobrepeso; "Status" socioeconômico.


ABSTRACT

The purpose of this study was to verify the association between socioeconomic factors and physical activity, sedentary behavior and overweight in youth. The sample was composed of 758 subjects from the population of initial military service . The independent variables were: socioeconomic class, marital status, educational level, and be worker. Physical Inactivity, exposures to sedentary behavior and be overweight were used as dependent variables. After adjustment, it was verified an association between physical inactivity and the indicators of economic status: education level (PR = 1.42, 95% CI = 1.00 to 2.01) and be worker (PR = 1.67, CI95% =1.21 to 2.32). Overweight was associated with economic class "C" (PR = 2.60, 95% CI = 1.40 to 4.84) and "D/E" (PR = 2.08, CI95% = 1.26 to 3.44).  It is concluded that youth with higher education level and not employed were more physically inactive. It was showed association between lower economic status and excess body weight.

Uniterms: Physical activity; Overweight; Socioeconomic status.


RESUMEN

Este estudio tiene como objetivo verificar la asociación entre los factores socioeconómicos con inactividad física, el sedentarismo y el sobrepeso en los jóvenes. La muestra de este estudio consistió de 758 sujetos, la retirada de la población joven en situación de alistamiento militar. Las variables independientes del estudio fueron: clase económica, estado civil, educación, ser trabajador. La inactividad física, el sedentarismo y la exposición al exceso de peso se utilizaron como la variable dependiente. Después del ajuste, compruebe COU una asociación entre la inactividad física y los indicadores de la educación la situación económica (RP = 1,42, IC 95% = 1,00 a 2,01) y de ser un trabajador (RP = 1,67, IC del 95%: 1,21 a 2,32). El exceso de peso se asocia con las clases económicas "C" (RP = 2,60, IC 95% = 1,40 a 4,84) y "D / E" (RP = 2,08, IC 95% = 1,26 a 3,44). Se llegó a la conclusión de que los jóvenes con más educación y que no estaban empleadas eran más inactivos físicamente y los que estaban mostraron una menor afección económica con exceso de peso corporal.

Palabras clave: Actividad física; Sobrepeso; Nivel socio-económico.


 

 

Introdução

A evolução tecnológica ocorrida desde a metade do século passado e as alterações no campo social, político e econômico, bem como, a urbanização das cidades proporcionaram mudanças nas condições de vida e de saúde das pessoas (Duchiade, 1999) e, como consequência, na exposição ao comportamento sedentário (CS), no nível insuficiente de atividade física (NIAF) e no excesso de peso corporal em nível populacional (Katzmarzyk & Mason, 2009; Malina & Little, 2008).

Havendo fortes evidências da relação entre prática regular de AF e os aspectos do processo saúde-doença (Löllgen, Böckenhoff & Knapp, 2009; U.S. Department of Health and Human Services, 2008), parece que a condição socioeconômica representa um fator importante em favorecer um estilo de vida fisicamente ativo em adolescentes (Stalsberg & Pedersen, 2010).

Nesta perspectiva, investigações realizadas no Brasil, com vários subgrupos populacionais, apontam para a associação entre atividade física e a menor renda familiar, menor escolaridade, sexo masculino e com a renda "per capita" (Marcondelli, Costa & Schmitz, 2008; Oehlschlaeger, Pinheiro, Horta, Gelatti & San'tana, 2004; Sávio, Costa, Schmitz & Silva, 2008). Por outro lado, a exposição ao CS mostrou-se associado aos jovens com maior idade, não trabalhadores e de maior escolaridade (Cunha, Peixoto, Jardim & Alexandre, 2008; Farias Júnior, 2006, 2008).

Fato interessante a ser ressaltado é que quando considerado o excesso de peso corporal há uma tendência a ser verificada associação direta com a condição socioeconômica em jovens masculinos (Araújo, Konrad, Rabacow, Graup, Amboni & Farias Júnior, 2007), o que pode influenciar diretamente não só na adoção de comportamentos de risco para a obesidade, mas também tende a contribuir para uma vida adulta caracterizada pela obesidade.

Sendo assim, esse estudo se justifica pela possibilidade de inserção no mercado de trabalho e alistamento militar para a maioria dos sujeitos, bem como, em decorrência de mudanças comportamentais que ocorrem no final da adolescência.

Neste sentido, este trabalho tem por objetivo verificar a associação de fatores da condição socioeconômica com a inatividade física, comportamento sedentário e excesso de peso corporal em jovens sergipanos no período do alistamento militar obrigatório no Estado de Sergipe.

 

Método

População e amostra

Foi realizada uma pesquisa caracterizada como epidemiológica de corte transversal com rapazes em idade de alistamento militar. Os dados foram coletados no ano de 2007 no 28º Batalhão de Caçadores (28 BC) - Exército Brasileiro, localizado na cidade de Aracaju, Sergipe, Brasil, sob autorização do Comando Maior da instituição. De acordo com informações dessa entidade, a população alistada em 2007 para concorrer ao serviço militar obrigatório foi de 5.114 sujeitos.

A seleção da amostra foi realizada mediante processo aleatório simples em dois estágios. No primeiro, foi realizado o sorteio de três dias da semana (terça, quinta e sexta-feira) para coletar os dados; no segundo, sortearam-se 30 sujeitos para responder ao instrumento em cada dia.

Para a estimativa do tamanho amostral, considerou-se um Intervalo de Confiança de 95%, uma prevalência estimada para adolescentes em 50% e erro tolerável da amostragem em quatro pontos percentuais. A partir destes elementos a amostra foi estimada em 645 sujeitos, prevendo 10% de eventuais perdas.

Os critérios adotados para inclusão dos participantes na pesquisa foram os seguintes: estar disposto a participar da pesquisa, assinar um termo de consentimento livre e esclarecido e não ser classificado como "refratário" (sujeito com idade superior a 18 anos).

Um questionário foi aplicado para 809 sujeitos, sendo excluídos 31 por serem classificados como "refratários" e 20 por não preenchimento de questões importantes totalizando a amostra final de 758 (perdas de 6,3%).

Instrumentos e coleta de dados

Foram coletadas informações referentes a aspectos socioeconômicos (escolaridade, estado civil, trabalho, classe econômica), Índice de Massa Corporal (massa corporal e estatura) e comportamental (nível de atividade física e exposição ao comportamento sedentário), mediante aplicação de questionário auto-administrado.

A escolaridade foi mensurada em anos completos de estudo, de forma que as respostas foram categorizada < 9 anos de estudo (ensino fundamental incompleto) e ≥ 9 anos de estudo (ensino fundamental completo). O estado civil também foi classificado em duas categorias: "vivendo com parceiro" e "vivendo sem parceiro". O trabalho foi dicotomizado em "sim" (trabalhador) e "não" (não trabalhador).

Para a identificação da classe econômica foram empregadas questões relativas ao Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP, 2000). Esse instrumento de coleta visa classificar a população brasileira de acordo com seu o poder de compras dentro de uma escala de "A" a "E". Para melhor organização dos dados, para este estudo distribuiu-se em três categorias: Classe "A/B" (elevada), Classe "C" (intermediária) e Classe "D/E" (baixa).

Na identificação do IMC foram mensuradas a massa corporal e a estatura. Na análise descritiva o IMC foi classificado em três categorias: baixo peso (< 18,5 kg/m2), eutrófico (18,5-24,9 kg/m2) e excesso de peso corporal (≥ 25,0 kg/m2). Para a análise dicotômica foi utilizada a classificação peso normal (< 25,0 kg/m2) e excesso de peso corporal (≥ 25,0 kg/m2).

Para avaliar o nível de atividades físicas (NAF) em diferentes dimensões (caminhadas e esforços físicos de intensidades moderada e vigorosa), foi utilizada a versão curta do Questionário Internacional de Atividades Físicas (IPAQ) (Matsudo, Araújo, Matsudo, Andrade, Andrade, Oliveira &Bragion, 2001). Para a classificação do NAF foi considerada a recomendação internacional de "< 150 min/sem" (nível insuficiente de atividades físicas - NIAF) e "≥ 150 min/sem" (ativo) (Haskell, Lee, Pate, Powell, Blair, Franklin, Macera, Heath, Thompson & Bauman, 2007).  Para a exposição ao CS (tempo gasto assistindo TV, fazendo uso do computador ou jogando videogame) foi utilizado como critério "< 2 horas/dia" e "≥ 2 horas/dia" (Tremblay, Leblanc, Janssen, Kho, Hicks, Murumets, Colley & Duggan, 2011).

Tratamento estatístico

Na análise dos dados foi realizada a estatística descritiva (frequência absoluta e relativa). O teste do qui-quadrado foi usado para avaliar heterogeneidade dos dados ou a tendência linear. Para avaliar a associação bruta entre indicadores selecionados de condições socioeconômicas (escolaridade, trabalho, classe econômica, estado civil) com as variáveis dependentes NIAF, exposição ao CS e excesso de peso corporal utilizou-se à medida da razão de prevalência (RP) com intervalos de confiança de 95% (IC 95%), por meio da regressão de Poisson. O teste de Wald para heterogeneidade foi utilizado para verificar o nível de significância da relação entre as variáveis dependentes e independentes.

Na análise multivariável buscou-se ajustar às variáveis dependentes atividade física (ativo = 0 e NIAF = 1), exposição ao CS (< 2 h/dia = 0 e ≥ 2 h/dia = 1) e índice de massa corporal (peso normal = 0 e excesso de peso corporal = 1) aos quatro indicadores selecionados de condição socioeconômica do estudo (escolaridade, trabalho, classe econômica, e estado civil). Para o gerenciamento dos dados foi utilizado o pacote estatístico SPSS versão 15.0. O nível de significância adotado foi ≤ 5%.

Esta pesquisa seguiu os princípios éticos presentes na Declaração de Helsinque. Os protocolos de pesquisa foram avaliados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Tiradentes (Processo no. 1612/07).

 

Resultados

Todos os participantes eleitos para o estudo nasceram no ano de 1989 (informaram ter 18 anos completos ou incompletos). A prevalência de jovens com nível insuficiente de atividade física foi de 37,3%, expostos ao comportamento sedentário (≥ 2 horas/dia assistindo TV, no computador ou jogando videogame) foi de 79,8%, com ensino fundamental completo 81,9% e pertencente à classe econômica D/E foi 61,2%.

A tabela 1 descreve a análise de heterogeneidade ou tendência linear entre as variáveis dependentes (exposição ao CS, NIAF e IMC) e os indicadores selecionados de condição socioeconômica. A exposição ao CS foi mais evidente entre os sujeitos com maior escolaridade, com menor classe econômica (p = 0,013), vivendo sem parceiros e não trabalhador. Cerca de 40% dos sujeitos com maior escolaridade e 41% dos jovens que informaram não trabalhar mostraram-se com NIAF. Aproximadamente 24% dos sujeitos com excesso de peso corporal pertenciam a classe econômica "C" ou viviam com um parceiro. Por outro lado, a maioria dos jovens em qualquer indicador da condição socioeconômica pertencia ao grupo dos eutróficos.

A tabela 2 apresenta a associação bruta entre as variáveis dependentes (nível insuficiente de atividade física, CS e excesso de peso corporal) e as variáveis independentes (escolaridade, classe econômica, estado civil e trabalhado). O nível insuficiente de atividade física foi mais frequente entre os jovens com maior escolaridade (RP 1,42; IC 95% 1,01-2,00) e entre os que não trabalham (RP 1,65; IC 95% 1,20-2,27). A exposição ao CS não apresentou associação com os indicadores da condição socioeconômica na análise bruta. O excesso de peso corporal foi mais evidente entre os sujeitos das classes econômicas "C" (RP 2,50; IC 95% 1,36-4,62) e "D/E" (RP 2,01; IC 95% 1,22-3,29).

A tabela 3 apresenta a análise ajustada entre o NIAF, exposição ao CS e excesso de peso corporal e as variáveis independentes do modelo. Após o ajuste os indicadores de condição econômica, escolaridade (RP 1,42; IC 95% 1,00-2,01) e ser trabalhador (RP 1,67; IC 95% 1,21-2,32) continuaram associados ao desfecho NIAF. A exposição ao CS não se associou com qualquer variável. O excesso de peso permaneceu sendo mais provável entre os sujeitos das classes econômicas "C" (RP 2,60; IC 95% 1,40-4,84) e "D/E" (RP 2,08; IC 95% 1,26-3,44).

 

Discussão

O presente estudo descreve a associação entre a NIAF, exposição ao CS e excesso de peso corporal com a condição socioeconômica em jovens masculinos. Foi conduzido com uma amostra representativa, predominantemente, com mais de oito anos de estudo, vivendo sem parceiro, não trabalhadora e de baixa classe econômica, diferenciando-se de outras investigações por ser conduzido com uma população específica de jovens da mesma idade e sexo.

São poucas as pesquisas realizadas no Brasil buscando identificar os fatores associados ao NIAF, exposição ao CS (Dumith, 2009) e excesso de peso corporal (Araújo et al., 2007) em adolescentes. Da mesma forma, não foram encontrados estudos que analisassem um subgrupo populacional de jovens com 18 anos de idade na Região Nordeste do Brasil.

Revisões sistemáticas apontam que a prática habitual de atividades físicas e o CS apresentam relação direta com algumas variáveis sociodemográficas (Stalsberg & Pedersen, 2010), comportamentais (Farias Júnior, Mendes & Barbosa, 2007; Farias Júnior, Nahas, Barros, Loch, Oliveira, De Bem & Lopes, 2009) e outras variáveis ambientais (Ferreira, Horst, Wendel-Vos, Kremers, Van Lenthe & Brug, 2006; Sallis, Prochaska & Taylor, 2000; Van Der Horst, Paw, Twisk & Van Mechelen, 2007).

Apesar de ser difícil a comparação em virtude do instrumento utilizado, no modelo ajustado deste estudo foi verificada associação do NIAF dos adolescentes com o fato de não ser trabalhador. Outros manuscritos encontraram resultados semelhantes (Farias Júnior, 2008; Tenório, Barros, Tassitano, Bezerra, Tenório & Hallal, 2010) ou não encontraram relação com esta variável (Farias Júnior et al., 2009).  Tais resultados podem estar relacionados à elevada prevalência na exposição ao CS sugerindo intervenções em locais onde convivem grupos de adolescentes, apesar de evidências sugerirem independência nas variáveis.

A relação do NIAF com a maior escolaridade encontrada mostrou-se contrária a de outros estudos conduzidos no Brasil (Oehlschlaeger et al., 2004; Tenório et al., 2010). Por outro lado, estudos mostraram que jovens mais ativos (Oliveira, Silva, Santos, Silva & Conceição, 2010) tendem a apresentar menor escolaridade. Tais publicações parecem não apresentar um consenso quanto à relação do NIAF com a escolaridade e com o fato do adolescente ser trabalhador possivelmente em virtude do ponto de corte estabelecido ou devido ao instrumento utilizado para avaliar o nível de atividade física. Semelhante a outros estudos (Silva, Nahas, Peres & Lopes, 2009), a exposição ao CS não foi associada às variáveis consideradas, sugerindo novos estudos em que esta variável seja observada.

Foi verificado que o excesso de peso corporal apresentou relação com a classe econômica "C" e "D/E". Fato preocupante visto que pesquisas conduzidas com crianças (Baker, Olsen & Sorensen, 2007) e adolescentes (Bibbins-Domingo, Coxson, Pletcher, Lightwood & Goldman, 2007) indicam que sobrepeso/obesidade adquirido nestes subgrupos populacionais pode ser projetado como causa de problemas cardiovasculares em idades mais avançadas. Da mesma forma, os resultados advertem que o elevado consumo calórico nas classes menos abastadas pode acarretar grande desequilíbrio nutricional, como visto em estudo realizado no Brasil (Batista Filho & Rissin, 2003).

Evidências (Nunes, Figueiroa & Alves, 2007) contrárias a esta investigação verificaram que a frequência de sobrepeso e obesidade é observada nos estratos sociais mais altos (A1, A2 e B) do que nas classes menores (C, D e E). Similarmente, estudo conduzido por Grujic, Cvejin, Nikolic, Dragnic, Jovanovic, Kvrgic e Travar (2009) com adultos jovens encontrou forte associação entre valores de sobrepeso/obesidade com o estado matrimonial, sexo masculino e menor nível educacional.

Num estudo que teve por objetivo avaliar a tendência de obesidade conforme o grau de escolaridade e prevalência de sobrepeso e obesidade em adultos e sua associação com o nível educacional, Marques-Vidal, Bovet, Paccaud e Chiolero (2007) verificaram que a prevalência de sobrepeso e obesidade foi inversamente associada com o nível educacional, sendo percebido um aumento anual de 0,45%, 0,29% e 0,06% para baixo, médio e alto níveis educacionais, respectivamente.

As principais limitações do estudo foram: 1) apesar do baixo custo e maior capacidade de operacionalização, a obtenção das informações por meio de questionário pode subestimar ou superestimar os resultados de pesquisas; 2) o delineamento transversal não permite avançar na análise quanto aos fatores que antecedem ou sucedem o desfecho; 3) diferença no instrumento de medida de AF e análise utilizada, dificultando a comparação com outras pesquisas.

Portanto, compreender que o contexto socioeconômico representa um dos mais importantes aspectos que podem favorecer estilos de vida cada vez mais ativos e redução no excesso de peso das pessoas, parece ser uma concepção mais interessante de ser abordada, sobretudo, quando se pensa em várias possibilidades de análise e interpretações mais coesas quanto às estratégias populacionais a serem desenvolvidas em termos de políticas públicas de saúde.

 

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Endereço:
Aldemir Smith-Menezes
Av. Eng. Gentil Tavares da Mota, 1166
50100-130  - Aracaju - SE  -  BRASIL
e-mail: aldemirsmith@yahoo.com.br

Recebido para publicação: 30/01/2011
Revisado: 20/04/2012
Aceito: 18/05/2012