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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

versão impressa ISSN 1807-5509

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.27 no.1 São Paulo jan./mar. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092013000100013 

PEDAGÓGICA E COMPORTAMENTAL

 

Associação entre insatisfação com a imagem corporal e indicadores antropométricos em adolescentes

 

Association between body image dissatisfaction and anthropometric indicators in adolescents

 

 

Maria Fátima GlanerI; Andreia PelegriniII; Claudio Olavo CordobaIII; Maria Elizete PozzobonIV

ICentro de Educação Física e Esportes, Universidade Estadual de Londrina
IICentro de Ciências Humanas, Educação e Letras, Universidade Estadual do Oeste do Paraná
IIIUniversidade Católica de Brasília
IVCentro de Ciências da Saúde, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Endereço

 

 


RESUMO

O objetivo foi verificar a associação entre a insatisfação com a imagem corporal, o índice de massa corporal (IMC), a adiposidade corporal e a obesidade abdominal em adolescentes. Participaram 637 adolescentes (11-17 anos) de ambos os sexos. Foram medidos massa corporal, estatura, perímetro do abdômen, dobras cutâneas do tríceps e perna medial e, coletadas informações referentes a imagem corporal. O IMC, a obesidade abdominal e a adiposidade corporal foram usados como referência em relação ao desfecho. A prevalência de insatisfação com a imagem corporal foi de 60% (rapazes = 54,3%, moças = 65,2%; p < 0,05). Os rapazes com IMC baixo e obesidade abdominal apresentaram, respectivamente, 4,31 e 4,93 vezes mais chance de insatisfação corporal. As moças com IMC alto e adiposidade corporal alta apresentaram, respectivamente, 6,81 e 1,95 vezes mais chance de insatisfação corporal. Enquanto nos rapazes o IMC baixo e a obesidade abdominal apresentaram associação com a insatisfação corporal; nas moças o IMC e a adiposidade corporal elevados estiveram associados.

Palavras-chave: Antropometria; Imagem corporal; Dobras cutâneas; Gordura abdominal; IMC.


ABSTRACT

The aim of this study was to evaluate the association between body image dissatisfaction, body mass index (BMI), body adiposity and abdominal obesity in adolescents. A total of 637 adolescent boys and girls (11-17 years) participated. Measures of body weight, height, waist circumference, triceps and medial calf skinfold thickness and, body image were collected. BMI, abdominal obesity and body adiposity were used as references in relation to the outcome. The prevalence of body image dissatisfaction was 60% (boys = 54.3%; girls = 65.2%, p < 0.05). Boys with a low BMI and abdominal obesity presented a 4.31 and 4.93 times higher probability of body image dissatisfaction, respectively. In girls, the probability of body dissatisfaction was 6.81 and 1.95 times higher among those with a high BMI and high body adiposity, respectively. Low BMI and abdominal obesity were associated with body image dissatisfaction in boys, whereas in girls an association was observed with high BMI and high body adiposity.

Key words: Anthropometry; Body image; Skinfolds; Abdominal fat; BMI.


 

 

Introdução

Os padrões de beleza impostos pela mídia e sociedade preconizam uma forma de corpo esbelto para as moças e atlético para os rapazes1. Em consequência, o perfil antropométrico em voga tem provocado elevados níveis de descontentamento com o próprio corpo2 e, tem gerado um aumento na insatisfação com a imagem corporal em adolescentes3. Estudos conduzidos em diferentes locais do Brasil apontam prevalências elevadas de insatisfação com a imagem corporal em adolescentes4-6.

Muitas vezes o biotipo não está associado à saúde fisiológica, apesar de o sujeito estar satisfeito com a sua imagem corporal. Desse modo, indicadores antropométricos de gordura corporal total, ou localizada, servem de parâmetro para indicar se a insatisfação com a imagem corporal é consequência do baixo ou excessivo acúmulo de gordura. Além disso, estudos apontam que a baixa quantidade de gordura7-8 e seu acúmulo excessivo e/ou localizado9-11 está associado a diversas doenças comportamentais e crônicas degenerativas não transmissíveis, respectivamente. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo verificar a associação entre a insatisfação com a imagem corporal, índice de massa corporal, adiposidade corporal e obesidade abdominal em adolescentes.

 

Método

O estudo sobre a associação entre a insatisfação com a imagem corporal e os indicadores antropométricos em adolescentes foi desenvolvido a partir de um estudo transversal intitulado "Interação entre variáveis que podem influenciar no acúmulo de gordura corporal e no perfil lipídico de pais e filhos", aprovado por um comitê de ética institucional (Parecer 026/2009). O presente estudo foi realizado em uma amostra representativa de adolescentes do município de Saudades - SC, localizado no extremo Oeste do estado de Santa Catarina, região Sul do Brasil. Esse município é predominantemente formado por descendentes de alemães e caracteriza-se por ser de pequeno porte, constituído por 8.880 habitantes12. Apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano de 0,8213, sendo classificado com alto desenvolvimento humano.

A população do estudo foi composta por 1.381 adolescentes com idade de 11 a 17 anos12, matriculados em duas escolas públicas. Em Saudades - SC não há escolas privadas, neste sentido, selecionou-se, intencionalmente, a única escola que atende alunos do 5º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, localizada na sede do município. Outra, localizada na área rural, que atende somente alunos do ensino fundamental. Os alunos, da respectiva faixa etária envolvida no estudo, foram convidados em sala de aula e por meio de uma "carta convite" que levaram aos pais ou responsáveis legais.

Para a determinação do tamanho da amostra, foram utilizados os procedimentos sugeridos por Luiz e Magnanini14, a partir de uma população finita, considerando-se a prevalência de insatisfação com a imagem corporal de 64%15, intervalo de confiança 95% (IC95%), erro estimado de cinco pontos percentuais e acréscimo de 20% como possível índice de perda. Assim, estimou-se que seria necessário coletar informações de 541 adolescentes. Em virtude das características do processo de amostragem que envolveu todos os indivíduos pertencentes aos conglomerados (escolas), participaram da amostra 708 adolescentes. Foram excluídos da amostra os adolescentes com idade superior a 17 anos (n = 42) e se considerou como perda amostral os adolescentes que não realizaram as medidas de massa corporal e estatura (n = 60), perímetro do abdômen (n = 40), dobras cutâneas (n = 40) e não responderam o questionário sobre percepção da imagem corporal (n = 40). Desta forma, a amostra final foi composta por 637 adolescentes, com idade de 11 a 17 anos, de ambos os sexos, domiciliados nas áreas urbana e rural.

As informações da percepção da imagem corporal foram obtidas com a utilização da escala de nove silhuetas corporais proposta por Stunkard et al.16. O conjunto de silhuetas era mostrado aos adolescentes, e, os mesmos respondiam a duas perguntas: Qual a silhueta que melhor representa a sua aparência corporal atual (real)? Qual é a silhueta corporal que você gostaria de ter (ideal)? Quando a variação entre a silhueta real e a ideal foi igual a zero, os adolescentes foram classificados como satisfeitos; e se diferente de zero, insatisfeitos.

As variáveis antropométricas (massa corporal - MC, estatura - ES, perímetro do abdômen - PAB e espessura de dobras cutâneas das regiões do tríceps e perna medial) foram mensuradas seguindo procedimentos descritos em Petroski17. Os indicadores antropométricos analisados foram: a) índice de massa corporal (IMC = MCkg / ES2m); b) adiposidade corporal por meio do somatório de espessura de duas dobras cutâneas (Σ2DC); e, c) obesidade abdominal por meio do perímetro do abdômen.

Para a classificação do IMC utilizou-se os pontos de corte para adolescentes, considerando a idade e o sexo18-19: baixo (IMC < 18,5 kg/m2), ideal (IMC entre 18,5 e 25 kg/m2) e alto (IMC > 25 kg/m2). A adiposidade corporal foi classificada segundo a AAHPERD20: baixa (Σ2DC < 16 mm ou < 12 mm), ideal (Σ2DC entre 16 e 36 mm ou entre 12 e 25 mm) e alta (Σ2DC > 36 mm ou > 25 mm), para moças e rapazes, respectivamente. A obesidade abdominal foi classificada segundo os pontos de corte de Fernandez et al.21: ideal (< percentil 75) e alto (> percentil 75).

Na análise descritiva das variáveis foram utilizadas médias, desvios padrão e distribuição de frequências. Utilizou-se o teste "t" de Student para amostras independentes e o qui-quadrado para comparar os valores absolutos e relativos, respectivamente. Nas comparações entre duas proporções foi aplicado o teste de significância para diferenças entre proporções. A associação entre a insatisfação com a imagem corporal e os indicadores antropométricos foi analisada por regressão logística. Foram testados dois modelos, um simples e outro múltiplo. Em todas as análises foi fixado o nível de significância de 5%. A análise estatística foi realizada utilizando o SPSS, versão 15.0 e o MedCalc versão 9.3.3.0.

 

Resultados

As características gerais da amostra estão apresentadas na TABELA 1. Diferenças (p < 0,05) entre os sexos foram encontradas nas médias da MC, ES, Σ2DC, silhueta atual e silhueta ideal. Em todas as variáveis os rapazes apresentaram valores superiores às moças, exceto no Σ2DC.

A TABELA 2 mostra a proporção de adolescentes, por sexo, de acordo com os indicadores antropométricos (IMC, Σ2DC e obesidade abdominal). Não houve associação (p > 0,05) entre os indicadores antropométricos e o sexo. Verifica-se que 77,2% dos adolescentes estão na classificação ideal para o IMC, ao passo que, no Σ2DC, apenas 42,7% estão nessa condição. Enquanto 7,5% dos adolescentes são classificados com baixo IMC, 2% são classificados com baixo Σ2DC. Observou-se ainda que 55,3% dos adolescentes apresentam adiposidade corporal alta pela classificação no Σ2DC, e apenas 15,2% são classificados com IMC alto.

A prevalência de insatisfação com a imagem corporal entre os adolescentes do presente estudo foi de 60%, sendo maior nas moças (65,2%) do que nos rapazes (54,3%; p < 0,05). Para os rapazes (TABELA 3) as análises univariadas indicam, no modelo simples, associação do IMC e da obesidade abdominal com a insatisfação com a imagem corporal. No modelo ajustado para todas as variáveis, o IMC e a obesidade abdominal permaneceram associados, revelando que os rapazes com baixo IMC apresentaram 4,31 (IC95% = 1,37-13,53) vezes mais chance de insatisfação do que aqueles com IMC ideal. Além disso, os rapazes com obesidade abdominal têm 4,93 (IC95% = 1,57-15,54) vezes mais chance de insatisfação com a imagem corporal que os sem obesidade abdominal.

Nas moças, os resultados do modelo simples revelaram associação do desfecho com todos os indicadores antropométricos (TABELA 3). Quando o modelo foi ajustado para todas as variáveis, o IMC e o Σ2DC permaneceram associados. As moças com IMC alto apresentaram 6,81 (IC95% = 1,69-27,48) vezes mais chance de insatisfação que as com IMC ideal. Aquelas com classificação alta no Σ2DC apresentaram 1,95 (IC95% = 1,17-3,25) vezes mais chance de insatisfação com a imagem corporal do que aquelas com Σ2DC ideal.

 

Discussão

Mais da metade (60%) dos adolescentes investigados na presente casuística está insatisfeita com a imagem corporal. Prevalências similares foram encontradas em estudos conduzidos em adolescentes domiciliados na área rural e urbana de pequenos municípios5 e em grandes centros urbanos6,22-23. Prevalências mais elevadas foram encontradas em adolescentes residentes na área urbana de um município de pequeno porte4. Dado as características da amostra, não era esperado encontrar prevalência tão elevada de insatisfação com a imagem corporal. Parece, então, que os fatores que levam os adolescentes de centros urbanos ao descontentamento com seu corpo, já afetam aqueles domiciliados em áreas rurais e em pequenas cidades.

As proporções elevadas de insatisfação com a imagem corporal na adolescência podem ser explicadas pelos avanços tecnológicos, juntamente com os meios de comunicação que influenciam os padrões de beleza na atualidade, sugerindo como ideal um corpo magro, esguio ou atlético24. Todavia, estes padrões nem sempre consideram os aspectos da saúde e as diferentes constituições físicas da população25, o que acarreta, muitas vezes, em uma imagem corporal negativa, representada por altos níveis de insatisfação com a percepção do corpo26. Cabe ressaltar que o presente estudo não analisou o impacto das transformações tecnológicas e dos meios de comunicação na percepção da imagem corporal. Por outro lado, a literatura científica é vasta em apontar que, o aumento da prevalência do sobrepeso e da obesidade está, também, relacionado ao avanço tecnológico. Assim, a insatisfação com a imagem corporal pode não estar associada diretamente ao avanço tecnológico, e sim com as mazelas decorrentes ou influenciadas por este.

Foi observada maior prevalência de insatisfação corporal nas moças (65,2%) do que nos rapazes (54,3%). Esses resultados corroboram os estudos nacionais15,27, entretanto, divergem dos achados obtidos por Pelegrini e Petroski6, os quais encontraram prevalência de insatisfação corporal mais elevada no sexo masculino (72,6%) em relação ao feminino (61,8%). Outras investigações5,23 revelaram similaridade na insatisfação com a imagem corporal entre os sexos.

Um achado interessante encontrado no presente estudo foi a diferença significativa entre os indicadores antropométricos IMC e Σ2DC. Enquanto a maioria dos adolescentes foi classificada com IMC ideal, o Σ2DC indicou que mais da metade destes se encontravam com alta adiposidade corporal (TABELA 2). Glaner28 ao conduzir uma pesquisa em adolescentes, verificou que apenas 49% das moças e 57% dos rapazes foram classificados concomitantemente pelo IMC e Σ2DC. Dado o fato de que a maioria apresentou insatisfação com a imagem corporal e, que mais da metade da amostra apresentou alto Σ2DC, este pode ser um melhor indicador antropométrico de insatisfação com a imagem corporal do que o IMC. Além do fato que o Σ2DC é um estimador da adiposidade corporal, enquanto que o IMC indica somente a quantidade de massa por superfície.

Nas análises univariadas (TABELA 3), foi observada associação entre a insatisfação com a imagem corporal e os indicadores antropométricos. No sexo masculino, o IMC e a obesidade abdominal estiveram associados à insatisfação com a imagem corporal, indicando que àqueles com baixo IMC e com obesidade abdominal apresentaram aproximadamente cinco vezes mais chance de insatisfação com a imagem corporal. Os resultados encontrados na associação do IMC baixo com a insatisfação com a imagem corporal corroboram os achados de Petroski et al.5, e divergem de outras pesquisas22-23,29. Baixos valores de IMC, necessariamente, não estão associados a fatores de risco à saúde no que concerne às doenças crônicas não transmissíveis (ex.: cardiovasculares, diabetes tipo II). No entanto, podem estar associados à bulimia, anorexia ou desnutrição calórica proteica. Ao passo que, a obesidade abdominal está diretamente associada a vários fatores de risco de doenças cardiovasculares, os quais começam a se instalar silenciosamente durante a infância e a adolescência. O fato do baixo IMC se associar com a insatisfação com a imagem corporal reforça que os rapazes desejam um porte atlético1.

Nas moças, foi observada associação entre insatisfação com a imagem corporal com o IMC e o Σ2DC. Estes resultados indicaram que moças com o IMC e oΣ2DC alto apresentaram, respectivamente, 6,8 e 1,95 vezes mais chance de insatisfação com a imagem corporal quando comparadas àquelas com o IMC e o Σ2DC ideal. Estes resultados corroboram os dados encontrados na literatura, os quais revelam que as moças com adiposidade corporal elevada tendem a apresentar maior insatisfação com a imagem corporal4-5,22-23,29. A associação do IMC e Σ2DC alto com a insatisfação com a imagem corporal reforça que as moças almejam um corpo esbelto1.

Apensar, pesquisas nacionais e internacionais5,22-23,29 destacam que a insatisfação corporal se mostra mais prevalente em crianças e adolescentes que apresentam o IMC alto. Evidências apontam que, mesmo entre aqueles sem excesso de peso há associação entre o IMC e a insatisfação com a imagem corporal30.

As proporções elevadas de insatisfação com a imagem corporal em adolescentes são preocupantes. Diversos problemas e distúrbios estão associados com a imagem corporal negativa, tais como a anorexia e a bulimia7-8, a baixa autoestima31 e a depressão32. Complementando, o sobrepeso e a obesidade têm aumentado sensivelmente em crianças e adolescentes33-34, estando associados a fatores de risco cardiovascular9-10.

Por um lado, a maioria das evidências direcionam para o fato dos adolescentes estarem mais preocupados em atingir um físico ideal, somente com fins de satisfação pessoal, deixando de lado a saúde fisiológica, por outro, em recente publicação com a mesma população do presente estudo, Petroski et al.35 evidenciaram que a saúde (95,5%) e a estética (96,8%) são os motivos que mais influenciam a insatisfação com a imagem corporal. Nesse sentido, as ações destinadas à promoção da saúde fisiológica também podem repercutir positivamente sobre a satisfação com a imagem corporal. Assim, parece ser pertinente monitorar a insatisfação corporal, com o intuito de desenvolver ações multidisciplinares que promovam mudanças, e esclarecimentos, quanto ao perfil morfológico adequado à saúde.

É pertinente lembrar que a imagem corporal é uma construção multidimensional, que representa como os indivíduos pensam, sentem e se comportam a respeito de seus atributos físicos. Ela pode ser vista como a relação entre o corpo de uma pessoa e os processos cognitivos como crenças, valores e atitudes individuais36. Apensar, a adolescência é caracterizada por transformações biológicas, físicas, psicológicas e sociais. Nesse contexto, o sujeito pode estar monitorando diversos aspectos do seu corpo simultaneamente, os quais podem ou não ser independentes um do outro37. Dado esse caráter multidimensional, a avaliação da imagem corporal é complexa, portanto, o presente estudo trata de um recorte, apenas a percepção da imagem corporal, o que pode se caracterizar como a principal limitação deste. No entanto, pesquisas que analisam a insatisfação, ou satisfação, com a imagem corporal facilitam a compreensão dos fatos comuns no contexto social em questão37.

Ainda pode ser considerado como limitações o instrumento utilizado para a determinação da percepção da imagem corporal (silhuetas corporais), pois os desenhos das silhuetas são bidimensionais o que pode implicar falhas na representação total do corpo, na distribuição da massa de gordura; além disso, o questionário (silhuetas corporais) não teve sua validade testada em jovens brasileiros, no entanto, possui validade para a população adulta brasileira38. Por outro lado, é interessante destacar que este foi o primeiro estudo a investigar a associação da insatisfação com a imagem corporal com diferentes indicadores antropométricos em adolescentes rurais e urbanos de um município de pequeno porte do estado de Santa Catarina. Além disso, destaca-se a representatividade de adolescentes investigados na presente casuística.

Os resultados encontrados no presente estudo permitem concluir que mesmo em um município de pequeno porte, a prevalência de insatisfação com a imagem corporal é elevada entre os adolescentes. Enquanto nos rapazes o IMC baixo e a obesidade abdominal apresentaram associação com a insatisfação com a imagem corporal, nas moças, o IMC e Σ2DC elevados estiveram associados, reforçando as evidências de que os rapazes almejam um porte atlético (supostamente maior desenvolvimento muscular, ou pelo menos maior volume corporal), enquanto as moças desejam um corpo esbelto.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem ao CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Processo 481859/2007-1, pelo fomento recebido.

Aos alunos, respectivos pais, professores, funcionários e direções das EEB Rodrigues Alves e EEB João Batista Fleck, pela distinta colaboração durante a coleta de dados.

 

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Recebido para publicação: 05/01/2011
Revisão: 11/05/2012
Aceito: 25/05/2012

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