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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

versão impressa ISSN 1807-5509versão On-line ISSN 1981-4690

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.30 no.4 São Paulo out./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1807-55092016000400873 

BIODINÂMICA

Diferentes ordens do exercício combinado: efeitos agudos de 24 horas sobre a pressão arterial de atletas

Rafaello Pinheiro MAZZOCCANTE* 

Sérgio Rodrigues MOREIRA** 

Ioranny Raquel Castro de SOUSA* 

Rafael SOTERO* 

Herbert Gustavo SIMÕES* 

Guilherme Morais PUGA*** 

Carmen Silvia Grubert CAMPBELL* 

*Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

**Colegiado de Educação Física, Universidade Federal do Vale de São Francisco, Vale de São Francisco, PE, Brasil.

***Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG, Brasil.

Resumo

Verificar as respostas de 24 horas da pressão arterial (PA) em jovens adultos após diferentes ordens de execução do exercício aeróbio (EA) e resistido (ER). Participarão do estudo dez homens saudáveis (22,6 ± 70,3; 3.7 anos ± 5,8 kg; 175,9 ± 5,8 centímetros). O estudo consistiu em quatro sessões experimentais realizadas de forma aleatórias: EA + ER (AR); ER + EA (RA); Circuito Concorrente (CC) e controle (CO). Todas as sessões tiveram a mesma duração e intensidade, EA: 15 min a 90% do limar de lactato mínimo indireto; ER: 15min a 90% de 12 RM com 12 repetições (seis exercícios). A PA foi medida antes, durante e 1 h (Microlife® BP3A1C) após a realização de exercícios em laboratório e 23 h durante as atividades diárias, utilizando a medição da pressão arterial ambulatorial (Dyna-MAPA®). A pressão arterial sistólica (PAS) no período de 24 horas e de vigília, e a diastólica (PAD), no período de 24 horas, o sono e de vigília, e a média da PA no período de vigília foram menores na sessão RA em comparação com a sessão CO apresentando um tamanho do efeito de moderado a alto (d de Cohen = -0,46 / -0,78). A área sob a curva da PAD na sessão AR foi menor do que na sessão CO no período de vigília (1004 ± 82 vs. 1065 ± 107; p < 0,047) e 24 h (1456 ± 103 vs 1528 ± 132; p < 0,026) períodos. A sessão RA apresentou maiores pontos de redução da PA durante 24 horas em relação ao outros protocolos.

Palavras-Chave: Estruturação de treino; Exercício combinado; Respostas de pressão arterial; Prescrição de exercício; Saúde

Introdução

Há uma crescente incidência e prevalência de doenças cardiovasculares em todo o mundo. Em torno de 27,4% de todas as mortes no Brasil estão relacionadas à doenças cardiovasculares1. Em 2011, somente o tratamento da hipertensão arterial sistêmica, custou ao Instituto de Saúde brasileiro mais de US$ 20 milhões2. Há muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento da hipertensão, tais como o tabagismo, alimentação inadequada e inatividade física, no entanto, estes fatores parecem ser comportamentos modificáveis para o tratamento desta doença3-5.

Estudos epidemiológicos e clínicos têm destacado os benefícios do exercício físico (EF) na saúde cardiovascular6-9. Um destes benefícios esta relacionado à redução da pressão arterial (PA) durante a recuperação de uma única sessão de EF, em comparação com os valores de repouso, e este fenômeno é chamado de hipotensão pós-exercício (HPE)10-12. HPE é considerada uma importante ferramenta para auxiliar o tratamento de hipertensão, além de ser não medicamentosa e uma estratégia economicamente eficiente para a prevenção, redução e controle da hipertensão13-15. Alguns estudos têm demostrado HPE após a realização de apenas uma sessão de EF (exercício aeróbico ou resistido) em idosos16, diabético3-4, 17 hipertensos18 e indivíduos normotensos19.

A redução na HPE encontrada após a realização do exercício aeróbico (EA) parece ser maior e mais duradoura do que é encontrado após realização de exercícios resistidos (ER)20, no entanto, mais estudos são necessários para avaliar o efeito do exercício concorrente (EC), que alia os dois tipos de exercício, sobre a HPE. EC tornou-se uma prescrição de exercício muito usual, contudo mais informações são necessárias, no que diz respeito à ordem dos exercícios e seus efeitos sobre a HPE.

Monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) é uma ferramenta importante no prognóstico de fatores de risco cardiovasculares e na investigação das respostas da PA, uma vez que o MAPA pode monitorar as respostas da PA durante 24 h da vida diária de um indivíduo (em vigília e sono). A maioria dos estudos mencionados acima têm investigado as respostas da PA por 90-120 minutos após a realização do exercício12, 14, 19-20, o que deixa uma lacuna na informação durante um período mais longo da resposta cardiovascular aguda após a realização do exercício. Portanto, os estudos que utilizam MAPA podem ter uma relevância importante para elucidar questões científicas relativas às respostas agudas imediatas e mais tardias após o exercício. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar durante 24 h a resposta da PA em adultos jovens após a realização de diferentes ordens do EA e ER combinados.

Método

Abordagem experimental para o problema

Neste estudo, o desenho experimental foi realizado em sete visitas, nos primeiros dias, os voluntários tiveram sua composição corporal mensurada, limiar anaeróbio, consumo máximo de oxigênio (VO2max) e familiarização e realização do teste de 12 repetições máximas (12 RM). Após os três primeiros dias, foi iniciado de forma aleatória o protocolo experimental em quatro dias. O protocolo experimental com os exercícios combinados foi realizado em diferentes sessões: 1) sessão de exercícios aeróbico + resistido (AR); 2) sessão de exercícios resistido + de aeróbicos (RA); 3) sessão de exercícios circuito concorrente (CC) e 4) sessão controle (CO). Todas as sessões experimentais tiveram monitoramento da PA por 24 h após o exercício ou controle. Todos os voluntários foram instruídos a não realizar exercício durante as 24 h que precederam as sessões experimentais e foram orientados a manter seus hábitos alimentares regulares.

Participantes

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Católica de Brasília (Protocolo n. 126/10). Dez homens jovens saudáveis (22,6 ± 3,7 anos, 70,3 ± 5,8 kg, 175,9 ± 5,8 cm e 6,8 ± 2,3% gordura corporal), participaram deste estudo após assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido. Os voluntários selecionados eram atletas de Jiu-Jitsu, nível competitivo de torneios Centro-Oeste, brasileiro e Pan-americano (TABELA 1).

TABELA 1 Característica antropométrica e aptidão aeróbica (n = 10). 

Mean ± SD
Idade (anos) 22,6 ± 3,8
Massa corporal (kg) 70,3 ± 5,9
Estatura (cm) 175,0 ± 5,8
Índice de massa corporal (kg.m2(-1)) 22,6 ± 1,3
Gordura corporal (%) 6,8 ± 2,4
VO2max (mL.kg-1.min-1) 50,2 ± 4,3
Limiar anaerobio (km.h-1) 12,3 ± 1,5

VO2max: Consumo máximo de oxigênio.

Procedimentos

O critério de exclusão foram os seguintes: anormalidade no eletrocardiograma de repouso; lesão osteomioarticulares; doença cardiometabólico e/ou; pressão arterial sistólica em repouso > 140 mmHg e/ou diastólica > 90 mmHg). Cada voluntário realizou um total de sete visitas, em dias separados, nas instalações do laboratório de fisiologia do exercício e de força, na seguinte ordem: 1º visita - medidas antropometricas21, familiarização com o exercício de resistência e com o teste de 12 repetições máximas (12 RM); 2º visita - avaliação da aptidão aeróbica, 3º visita - teste de 12 RM; 4º, 5º, 6º e 7º visitas - sessões experimentais realizando EA e ER em ordens diferentes na mesma sessão. Os voluntários foram instruídos a abster-se de EF, e não mudar sua dieta 24 h antes das sessões experimentais.

Avaliação da aptidão aeróbica

Todos os voluntários realizaram em uma pista de atletismo de 400 m um teste contra-relógio de 1600 m. Consumo máximo de oxigênio (VO2max) e intensidade do limiar anaeróbico (LA) foram estimadas usando a velocidade média do teste de acordo com as equações de ALMEIDA et al.22 e SOTERO et al.23.

Avaliação da força (12 RMs)

Antes do teste de força (12 RMs), todos os voluntários realizaram familiarização nos exercícios utilizados no estudo. A sequência dos exercícios no teste de 12 RMs foi: leg press, supino sentado, cadeira extensora, puxada aberta, cadeira flexora e remada. Cada voluntário realizou até quatro tentativas para cada exercício, separadas por intervalos de três a cinco minutos para alcançar o 12 RM em cada exercício.

Exercício aeróbico (EA)

Os EA foram realizados em esteira rolante (Movement®, São Paulo, Brasil), com 90% do LA durante 15 minutos.

Exercício resistido (ER)

O ER foi realizado em circuito, alternando por segmento, exercícios de membros superiores para os exercícios de membros inferiores a 90% da intensidade de 12 RMs. Os voluntários realizaram três vezes um circuito de seis exercícios (Righetto, Powertec, São Paulo, Brasil) na mesma ordem do teste de 12 RMs mencionado anteriormente. Cada repetição tinha um ciclo de dois segundos de movimento (excêntrica e concêntrica), e todas as sessões de ER duraram 15 minutos.

Sessões experimentais

Todos os voluntários realizaram quatro sessões experimentais de forma aleatória com intervalo entre as sessões de no mínimo dois dias, em uma sala com temperatura controlada entre 20-24 ºC e no mesmo horário do dia (entre 15:00 e 16:45). As sessões foram realizadas do seguinte modo:

- Sessão aeróbico + resistido (AR): EA foi realizado antes do ER;

- Sessão resistido + sessão aeróbico (RA): ER foi realizado antes do EA;

- Sessão circuito Concorrente (CC): EA e ER foram realizadas de forma alternada durante a toda a sessão, começando com EA. Esta sessão consistiu em 5 “ciclos”. Cada ciclo do EA durou 3 min, e ER no 1º e 3º “ciclos” consistiram de duas séries de dois exercícios; o 2º ciclo consistiu de uma série de quatro exercícios, e o 5º “ciclo” consistiu de uma série de dois exercícios. Esta sessão de exercício consistiu no mesmo volume que as outras sessões, mas com exercícios realizados em diferentes ordens;

- Sessão Controle (CO): Esta sessão teve a mesma duração que as outras, mas ao invés de exercício, os participantes permanecem em repouso na posição sentada.

Avaliação da pressão arterial (PA

PA sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM) foram mensuradas antes, durante e depois das sessões experimentais. PA em repouso foi mensurada na posição sentada, nos intervalos 5, 10 e 15 minutos e o valor real era a média das três medidas de repouso. Durante todas as sessões, PA foi medida depois do último exercício realizado (EA ou ER). Depois de todas as sessões, a PA foi mensurada a cada 15 minutos durante os próximos 60 minutos, em repouso e na posição sentada. Todas as mediadas de PA foram feitas utilizando um analisador de PA (modelo Microlife®. BP3A1C).

Depois dos 60 minutos mencionados acima, os participantes foram instruídos a realizar sua higiene pessoal em um intervalo de 20 minutos, e preparar-se para usar o monitor ambulatorial de PA (Dyna-MAPA®), de acordo com as instruções do fabricante. A medida ambulatorial da PA foi realizada durante um período de 23 h, uma hora depois das medidas realizadas no laboratório, totalizando 24 h de medidas da PA. PAS, PAD e PAM foram medidas a cada 15 minutos durante o período de vigília (15 h) e a cada 30 minutos durante o período de sono (nove horas). Estas medidas foram consideradas válidas quando 90% de todas as medições foram registadas.

Avaliações da frequência cardíaca (FC) e da percepção subjetiva de esforço (PSE)

Durante EA, a percepção subjetiva de esforço (PSE) foi medido utilizando a escala de Borg24 de 15 pontos e durante ER, PSE foi medido utilizando a escala OMNI-RES25-26. A FC foi medida durante o EA e ER utilizando um monitor de FC (Polar, RS800CX, Finlândia).

Análise estatística

A análise estatística descritiva foi utilizada para estimar à média ± desvio padrão. A normalidade dos dados foi testada utilizando o teste de Shapiro-Wilk. Também foi aplicada quando necessário, o teste de Mauchly ou Greenhouse-Geisser Estimate Epsilon. A área sob a curva foi calculada usando o método trapezoidal para análise no sangue ao longo do tempo. ANOVA para medidas repetidas foi utilizado para a comparação intra sessões e quando necessário teste de Bonferroni foi aplicado como teste de Post-hoc. O nível de significância foi p ≤ 0,05 e todas as análises foram realizadas utilizando o programa de software v.20 SPSS.

Resultados

As características dos participantes e a avaliação da aptidão aeróbica são apresentadas na TABELA 1.

A FC, PSE, velocidade da corrida no EA e o número de repetições no ER, e PA durante e imediatamente depois da realização dos exercícios são apresentados na TABELA 2. A PSE foi maior durante EA no RA em comparação com sessões AR e CC (p ≤ 0,05), por outro lado, durante ER a PSE foi menor na sessão RA comparado com a sessão AR (p ≤ 0,05).

TABELA 2 Percepção subjetiva de esforço (PSE), frequência cardíaca (FC), velocidade- km.h-1, número de repetições, pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD) e pressão arterial média (PAM) durante exercício aeróbico (EA) e exercício resistido (ER) realizado em diferentes ordens nas sessões experimentais (n = 10). 

AR RA CC CO
EA PSE (Borg) 11 ± 2** 14 ± 3 11 ± 2 ** --
FC (bpm) 171 ± 1 179 ± 9 176 ± 9 --
Velocidade (km.h-1) 12 ± 1 11 ± 2 12 ± 1 --

ER PSE (Omni) 7 ± 1 6 ± 1 * 6 ± 2 --
Repetição 12 ± 1 12 ± 1 12 ± 1 --

PAS (mmHg) M1 153 ± 21# 155 ± 13 # 146 ± 11 # 119 ± 7
M2 128 ± 13 144 ± 26 138 ± 20 117 ± 8

PAD (mmHg) M1 80 ± 13 84 ± 11 77 ± 17 71 ± 13
M2 75 ± 10 75 ± 18 78 ± 14 67 ± 8

PAM (mmHg) M1 105 ± 8 # 102 ± 20 # 100 ± 12 87 ± 9
M2 93 ± 10 α 93 ± 24 98 ± 12 84 ± 7

M1: Imediatamente depois do primeiro exercício; M2: Imediatamente depois do segundo exercício; AR: sessão do exercício aeróbico e resistido; RA: sessão do exercício resistido e aeróbico; CC: sessão circuito concorrente; CO: sessão controle; EA: exercício aeróbico; RE: exercício resistido; *p < 0,05 em relação ao AR; **p < 0,01 em relação ao RA; #p < 0,05 em relação a sessão CO; αp < 0,05 em relação ao M1.

A TABELA 2 também demonstra os resultados da PA imediatamente depois da realização dos exercícios. PAS foi maior depois do primeiro exercício realizado em todas as sessões (AR, RA,CC) quando comparado com a sessão CO (p ≤ 0,05). PAM foi maior depois do primeiro exercício realizado nas sessões AR e RA quando comparado com CO (p ≤ 0,01), e menor depois do segundo exercício realizado na sessão AR quando comparado com PAM depois do primeiro exercício.

Embora não houve redução na PAS, PAD e PAM durante todo o período de 24 h, período de sono e vigília, os resultados demonstraram maior magnitude de redução na sessão RA em comparação com o CO e as outras sessões, como ocorreu nos valores de PAS no período total de 24 horas e períodos de vigília entre as sessões RA e CO, considerado moderado a grande o tamanho de efeito (d de Cohen), respectivamente (TABELA 3). Valores de PAD não foram diferentes na sessão RA em comparação com sessões AR, CC e CO no período total de 24 h de sono e vigília, com um tamanho de efeito moderado (d de Cohen), com os mesmos resultados em PAM durante o período acordado (TABELA 4).

TABELA 3 Resultado do monitoramento da pressão arterial ambulatória (MAPA) durante período total de 24 h de vigília e sono depois das sessões experimentais (n = 10). 

AR RA CC CO
PAS (mmHg) Repouso 121 ± 4 121 ± 6 119 ± 6 117 ± 5
24 h 111 ± 5 110 ± 3 # 111 ± 4 112 ± 5
Vigília 113 ± 7 111 ± 4 # 114 ± 4 116 ± 6
Sono 105 ± 5 106 ± 2 105 ± 5 106 ± 4

PAD (mmHg) Repouso 69 ± 8 69 ± 4 66 ± 3 66 ± 9
24 h 63 ± 7 60 ± 3 † 63 ± 3 63 ± 5
Vigília 65 ± 7 62 ± 3 † 65 ± 3 65 ± 6
Sono 60 ± 8 56 ± 4 † 58 ± 4 59 ± 5

PAM (mmHg) Repouso 80 ± 9 81 ± 8 79 ± 10 79 ± 10
24 h 83 ± 6 82 ± 3 84 ± 4 84 ± 6
Vigília 85 ± 7 83 ± 4 # 86 ± 4 87 ± 7
Sono 79 ± 7 79 ± 3 79 ± 6 78 ± 5

AR: sessão do exercício aeróbico e resistido; RA: sessão do exercício resistido e aeróbico; CC: sessão circuito concorrente; CO: sessão controle; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média; # diferença na magnitude do efeito, em comparação com o mesmo período do controle (d de Cohen = -0,49 para 0,50); † diferença na magnitude do efeito em comparação com os mesmos períodos de CO, AR e CC (d de Cohen = -0,46 para -0,78).

TABELA 4 Área sob a curva da medida de pressão arterial ambulatorial (MAPA) durante período total de 24 h de vigília e sono depois das sessões experimentais(n = 10). 

24 h (mmHg * 24 h) Awake (mmHg * 15 h) Sleep (mmHg * 9 h)
PAS AR 2743 ± 138 1874 ± 123 869 ± 44
RA 2721 ± 71 1846 ± 64 876 ± 21
CC 2760 ± 98 1879 ± 76 880 ± 40
CO 2787 ± 137 1913 ± 112 874 ± 32

PAD AR 1505 ± 169 1033 ± 122 472 ± 63
RA 1456 ± 103 * 1004 ± 82 * 452 ± 33
CC 1506 ± 103 1045 ± 86 461 ± 32
CO 1528 ± 132 1065 ± 107 463 ± 38

PAM AR 1985 ± 153 1356 ± 125 629 ± 55
RA 1960 ± 85 1332 ± 73 628 ± 20
CC 1998 ± 97 1381 ± 78 617 ± 33
CO 1985 ± 136 1357 ± 104 628 ± 47

PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média; AR: sessão do exercício aeróbico e resistido; RA: sessão do exercício resistido e aeróbico; CC: sessão circuito concorrente; CO: sessão controle; *p < 0,05 no mesmo tempo, em comparação com CO.

A área sob a curva da PAD na sessão RA foi menor em comparação com os períodos de 24 h de vigília e de sono na sessão CO.

FIGURAS 1 e 2 demonstram diferença da PA durante 24 h do MAPA em todas as sessões experimentais. A PAS nos momentos 4 para 5 h (p < 0,02) e 6 para 7 h (p < 0,001) foram menores na sessão AR quando comparado com a sessão CO, e também nos momentos 0 para 1 h (p < 0,04), 2 para 3 h (p < 0,004), 6 para 7 h (p < 0,01) e 10 para 11 (p < 0,03) na sessão RA comparado com sessão CO.

Rep: repouso; AR: sessão do exercício aeróbico e resistido; RA: sessão do exercício resistido e aeróbico; CC: sessão circuito concorrente; CO: sessão controle; *p < 0,05 para AR vs. CO; **p < 0,01 para AR vs. CO; #p < 0,05 para RA vs. CO; £ p < 0,01 para RA vs. CO; ¥p < 0,01 para CC vs. CO.

FIGURA 1 Diferença da pressão arterial sistólica (∆ PAS) durante repouso e após 24 h de monitoramento da pressão arterial ambulatorial (MAPA) em todas as sessões experimentais. 

Rep: repouso; AR: sessão do exercício aeróbico e resistido; RA: sessão do exercício resistido e aeróbico; CC: sessão circuito concorrente; CO: sessão controle; **p < 0,01 para RA vs. CO.

FIGURA 2 Diferença da pressão arterial diastólica (∆ PAD) durante repouso e após 24 h de monitoramento da pressão arterial ambulatorial (MAPA) em todas as sessões experimentais. 

Discussão

As principais conclusões deste estudo foram que o exercício combinado realizado em ordens diferentes, na mesma sessão de exercício, promovem diferentes respostas agudas da PA durante um período de 24 h em jovens adultos. Nós observamos que a realização do ER antes do EA (sessão RA), diminuiu a PAS e PAD em mais momentos durante as 24 h em comparação a sessão que não realizou exercício (FIGURAS 1 e 2). Além disso, durante o período total de 24 h, vigília e sono, a PAD obteve maior diferença no tamanho do efeito na sessão RA, quando comparado com as sessões AR, CC e CO (TABELA 3). Estes resultados foram confirmados pela área sob a curva da PAD durante o período total de 24 h de vigília e do sono, na qual foram menores apenas na sessão de RA, quando comparada com a sessão CO (TABELA 4).

LOVATO et al.26 compararam a realização do EA a 60% do VO2pico e a realização do ER a 60% de 1RM (15 repetições) com diferentes ordens de realização, em jovens normotensos do sexo masculino, e mostrou resultados diferentes. Os resultados mostraram menor PAS até o momento 50 min e menor PAD e PAM até o momento 40 min, quando EA foi realizada antes do ER. Resultados semelhantes foram encontrados por RUIZ et al.27, que demonstraram menor PAS durante 60 min após o exercício concorrente realizado (EA realizada no início) em voluntários normotensos. Neste estudo, não houve redução na PAD, fato que corrobora com o nosso achado. Estes resultados diferentes mencionados acima pode ser devido à menor intensidade e, possivelmente, um maior volume de exercício realizado nestes estudos, em comparação com os exercícios realizados no nosso estudo.

KESSE et al.20 investigaram os efeitos do exercício combinado realizado (ER realizado no início) em diferentes intensidades EA (50%, 65% e 80% do VO2pico) em 21 jovens adultos. Neste estudo os autores mostraram que a PAS diminuiu em todos os momentos após a realização do exercício, em todas as sessões experimentais, e essas reduções foram dependente da intensidade do exercício. Estes resultados reforçam a estratégia de realizar EA no final da sessão de treinamento, para melhores reduções na PA, semelhante aos nossos resultados.

Nosso estudo não demonstrou HPE, mas as áreas sob a curva da PAS e da PAD foram menores na sessão RA quando comparado com a sessão CO. KEESE et al.28 estudaram o mesmo modelo de exercício concorrente utilizado em nosso estudo, em participantes jovens, e mostraram uma redução na PAS até 2 h; e na PAD de até 50 min após a realização do exercício. Nosso estudo também apresenta a resposta da PA durante um período de 24 h após a realização do exercício, o que não foi demonstrado nos estudos previamente citados.

Embora a sessão RA demonstrou mais momentos com respostas de PA inferiores as das outras sessões, todas as sessões experimentais de exercícios combinados, promoveram proteção cardiovascular clínica importante. Segundo alguns autores, uma redução de apenas 2 mmHg na PAS e PAD por longos períodos, diminui o risco de desenvolver doenças e eventos cardiovasculares5, tais como, diminui em 6% incidência de acidentes vasculares cerebrais, e 4% doenças da arterial coronariana e 17% o desenvolvimento de hipertensão na população em geral5.

Alguns modelos de EA mostraram reduções na PA20, mas SHAW et al.29 observaram que o exercício concorrente crônico (EA + ER) promoveu efeitos semelhantes na redução do desenvolvimento de doenças coronarianas e na PA, em comparação com a realização de exercício aeróbico sozinho. TEIXEIRA et al.30 mostraram que o exercício concorrente, (com EA realizado no início) levou a reduções semelhantes da PA em comparação com a realização somente do exercício aeróbio, e ambos os exercícios promoveram menores valores de PA comparado ao RE realizada isoladamente. É importante notar que o exercício concorrente pode melhorar tanto o sistema cardiovascular e neuromuscular, sendo melhor que exercício aeróbico realizado isoladamente20. Nossos resultados demostraram reduções importantes na PA após a sessão de exercício RA, portanto, quando estes dados são considerados em conjunto, é possível que estes exercícios combinados realizados em longos períodos pode beneficiar tanto o sistema cardiovascular e neuromuscular em jovens adultos20, 27-28.

Os resultados do nosso estudo não demostram possíveis mecanismos para explicar a redução da PA após a realização do exercício, mas mecanismos, central e periférico estão apresentados nestas respostas31. Mais estudos são necessários para investigar as respostas de PA e a redução desta após a realização de exercícios combinados, semelhantes aos usados em nosso estudo.

Este estudo verificou os melhores resultados e benefícios sobre as respostas da PA em jovens atletas lutadores (Jiu-Jitsu), contudo, os resultados restringem sua aplicação em pacientes com doenças cardiovasculares. Por outro lado, os participantes do nosso estudo tinham características (TABELA 1) e atividades de vida diárias semelhantes, tais como o exercício, descanso e horas de sono, fato que minimizam a variação interindividual.

Nós concluímos que a ordem de execução dos exercícios combinados, na mesma sessão de exercício, promove diferentes respostas da PA, em adultos jovens, no período de 24 h após a sua realização. A realização do exercício resistido seguido do exercício aeróbico levou a uma maior redução da PA por 24 h após sua realização, em comparação ao exercício aeróbico quando foi realizado inicialmente.

Aplicações práticas

O exercício combinado é uma prática usual nos centros de treinamento. No entanto, a influência deste modelo de treinamento sobre a pressão arterial tem sido menos investigada. Os resultados aqui apresentados podem ser úteis para os profissionais envolvidos na prescrição de exercícios para a saúde cardiovascular. O exercício resistido realizado antes do exercício aeróbico na mesma sessão de 30 minutos diminuiu tanto PAS e PAD, em mais momentos durante 24 h em comparação com a sessão sem a realização de exercício.

Adultos aparentemente saudáveis, visando o controle da pressão arterial e a proteção cardiovascular pela manutenção dos valores dentro do normal podem se beneficiar da sessão de treinamento envolvendo 15 minutos de exercício resistido e 15 minutos de exercício aeróbico. As sessões de treinamento podem ser compostas por seis exercícios resistidos, realizados em um modelo de circuito, alterando exercícios para os membros superiores e inferiores, em intensidade de 90% de 12 RMs (cada repetição tinha ciclos de dois segundos de movimento - excêntrico e concêntrico). O circuito de exercício resistido pode ser realizado em três ciclos. O exercício aeróbico pode ser realizado utilizando o modelo linear de corrida na intensidade de 90% do limiar anaeróbio. Além disso, recomenda-se uma triagem médica previa, incluindo avaliação ortopédica, cardiovascular e metabólica.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) pela concessão de bolsas de estudo para a graduação (CNPq) e mestrado (CAPES).

Referências

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Recebido: 23 de Dezembro de 2014; Revisado: 06 de Março de 2015; Revisado: 15 de Julho de 2015; Aceito: 29 de Setembro de 2015

ENDEREÇO. Rafaello Mazzoccante. Educação Física Universidade Católica de Brasília EPTC - QS07 - Bloco G - sala 001 - Águas Claras 87020-900 - Brasília - DF - BRASIL. e-mail: rafa_mazzocante@hotmail.com

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