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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

versão impressa ISSN 1807-5509versão On-line ISSN 1981-4690

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.30 no.4 São Paulo out./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1807-55092016000401023 

SOCIOCULTURAL

Nacionalismo, Educação Física e a missão francesa na Força Pública de São Paulo: uma comunidade imaginada (1906-1913)

Edivaldo GÓIS JUNIOR* 

*Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Resumo

O objetivo deste estudo foi analisar os interesses que levaram o Estado de São Paulo a reformar sua polícia, e organizar uma escola de educação física, tendo como objetivo central observar e analisar suas prerrogativas em relação à construção de uma identidade nacional. Para isso foi realizada uma pesquisa histórica que teve como fontes, documentos governamentais e o jornal “Correio Paulistano” entre os anos de 1906 e 1913. Concluímos que a militarização paulista objetivava colocar São Paulo em posição estratégica para liderar e influenciar a construção de um Brasil disciplinado, enfim, uma comunidade imaginada na ordem e no progresso.

Palavras-Chave: História; Educação Física; Militares; São Paulo

Introdução

No início do século XX, o perfil institucional do Exército brasileiro passou por profundas modificações. Por volta de 1900, a instituição ainda possuía um corpo de oficiais debilitados em termos de conhecimento técnico. Os soldados eram oficiais ligados à tropa e com pouca ou nenhuma educação superior, formados, basicamente, na vida da caserna, esses oficiais desatualizados em termos de doutrinas estratégicas e táticas viviam suas carreiras na rotina do serviço em quartéis precários, mal equipados e com armamentos obsoletos1.

A organização militar, não somente no contexto brasileiro, mas na América Latina, buscava uma modernização para superar suas condições estruturais herdadas de um passado colonial muito próximo. Enquanto um exército prussiano representava na Europa a ênfase em um corpo de militares profissionalizados com conhecimentos de balística, estradas de ferro, engenharia, planejamento estratégico, os exércitos coloniais vislumbravam a glória, os heróis, e uma cortesia entre seus adeptos2. Com uma história pautada pela presença da metrópole na colônia, os militares latino-americanos teriam o respaldo de um exército europeu em tempos de guerra. Já no século XIX, a experiência com a Guerra do Paraguai, ou Guerra do Brasil para os paraguaios, evidencia a necessidade de investimento na organização militar. Para Celso CASTRO3, décadas mais tarde, no início do século XX, as instituições militares brasileiras eram ultrapassadas e divididas entre dois grupos: entre “tarimbeiros” e “científicos”. Os “tarimbeiros” eram oficiais ligados à tropa sem educação superior, desatualizados, que viviam suas carreiras na rotina dos quartéis, já os científicos eram formados pela Escola Militar da Praia Vermelha, com formação em ciências exatas, mas com poucos conhecimentos utilitários no campo da guerra. Contudo o desejo por modernização, como descreve CASTRO3, aproxima o exército na década de 30 da experiência internacional francesa na formação de soldados. Na reforma das instituições militares interessava imprimir nos soldados a imagem de uma “Nação em armas”, enfim, compreender o papel da formação militar como uma escola de nacionalidade, de identidade nacional, além dos aspectos pragmáticos da defesa, enfim, guardião e fomentador da nação.

Podemos assim, pensar na construção de uma identidade, ou como aponta ANDERSON2 em uma comunidade imaginada, onde as instituições militares colaboraram em um projeto de identificação ligado também a práticas corporais disciplinadoras como a educação física, que por sua vez tiveram a função de inculcar valores nacionais em uma população mais ampla que está fora das casernas. Nesse sentido, podemos pensar em uma reorganização desta premissa, revelando outros conflitos que permeiam a construção de uma identidade nacional com características específicas, como por exemplo, no contexto de São Paulo, que adere às representações identitárias, e ao mesmo tempo, resiste a elas, na constituição de uma identidade própria, deslocada das representações nacionais em construção em outros contextos, como por exemplo, no Rio de Janeiro.

Para isso, em um recorte histórico delimitado entre os anos de 1906 e 1913, no qual o governo paulista, mediante seus objetivos políticos e econômicos, contratou uma missão militar francesa quinze anos antes do governo central (a missão francesa no Rio de Janeiro data de 1921) para preparar a sua polícia. As consequências deste projeto correspondem ao processo de estruturação da “Escola de Educação Física da Força Publica de São Paulo”.

Diante desta contextualização inicial, julgamos relevante verificar os interesses e os motivos que levaram o Estado de São Paulo a reformar sua polícia, e organizar uma escola de educação física, tendo como objetivo central observar e analisar suas prerrogativas em relação à construção de uma identidade nacional. Problematizamos, especificamente, neste estudo, como São Paulo aderiu e resistiu a este sentimento de pertencimento à nação, observando a organização de sua polícia e de uma escola de educação física militarizada.

Método

Realizamos uma pesquisa histórica sobre o tema, que se caracterizou pelo levantamento de fontes sobre a missão militar francesa e a estruturação da Escola de Educação Física da Força Pública de São Paulo. As fontes foram determinadas por documentos governamentais, em específico, os relatórios da presidência do Estado de São Paulo, bem como, jornais de grande circulação, que foram coletados no Arquivo Público de São Paulo. Para pensarmos nos jornais como fonte, temos que compreender que no contexto europeu do período eles eram mais acessíveis, pela questão do baixo custo, que os livros, e contribuíam assim para uma massificação da leitura4-5. No Brasil, especificamente em São Paulo, os principais jornais atingem uma maior diversidade de leitores, ligados ao comércio e ao mundo do trabalho, mas também, tornam-se suporte e veículo da construção da visibilidade pública de inúmeras práticas culturais4-5. Assim na capital paulista, o jornal de grande circulação era ferramenta primordial para a notoriedade. Como instrumento relevante de reconhecimento público, foi muito utilizado por forças políticas e governamentais para divulgar suas realizações. Por exemplo, o jornal “Correio Paulistano”, era um veículo inserido no campo político como braço do Partido Republicano na capital paulista. A escolha desta fonte, como central, justifica-se pela necessidade de compreensão dos termos e interesses oficiais que permeavam a missão francesa na capital de São Paulo. Além disso, o recorte temporal entre os anos de 1906 e 1913 permitiu a construção de uma narrativa mais precisa sobre seus meandros, centrada principalmente nos passos de seu comandante, Paul Balagny.

Respeitando a periodização deste estudo, foram coletados 23 documentos sobre a missão francesa, dos quais 13 foram analisados neste artigo. Os documentos não analisados forneciam informações redundantes, já presentes no “corpus” documental, ou que não contribuíam para a elucidação do problema de pesquisa.

Resultados e discussão

No cenário nacional, a aliança entre Minas Gerais e São Paulo foi marcada por conflitos, e o pacto instituído a partir de 1898 entre o governo federal e as oligarquias regionais, não eliminou o grau de incerteza do sistema político vigente. Esta relação entre o governo central e as outras unidades da federação demonstrava que a liderança política não foi simplesmente imposta pelo sudeste. Ao contrário, as preeminências mineira e paulista estavam sujeitas a um cuidadoso equilíbrio, que por sua vez dependia de alianças com os demais estados, sobretudo do nordeste e do sul6-7. A partir destas incertezas vividas durante este regime político, São Paulo se mobilizou e passou a buscar mudanças que lhe trouxessem segurança contra possíveis conflitos na política interna.

Para isso era fundamental a construção de uma identidade regional que não fosse separatista, mas que também servisse de arcabouço cultural e político para a constituição de um sentimento de pertencimento paulista que garantisse certa homogeneidade, que enfim, associasse os interesses de uma aristocracia cafeeira, de um passado bandeirante e conquistador, com uma população crescente, principalmente, de imigrantes proletários, tendo sua capital como uma das maiores cidades de imigração do mundo8.

Tais preocupações estavam presentes na reestruturação da Força Pública de São Paulo, nome dado à Polícia Militar no início do século XX, no ano de 1905. Durante toda a Primeira República, São Paulo intentou confirmar tais interesses econômicos e sua primazia política foi apoiada pela instituição de uma polícia extremamente militarizada, um verdadeiro “exército paulista”, que carregaria fortes características nacionalistas, além de suplantar em destreza, preparação, tamanho de efetivo, e logística, até mesmo as forças armadas nacionais9-10.

Apressadamente, podemos inferir que tal projeto negasse a identidade nacional para substituí-la por outra regional, ou, ao contrário, pensarmos que o regionalismo residia justamente naquele nacionalismo, imaginando uma comunidade ideal, corrigindo os desvios do nacional, dando ao Estado de São Paulo um lugar de liderança na constituição da identidade coletiva brasileira. Observar o projeto de estruturação da Força Pública e, especificamente, a organização de uma escola de educação física já em 1910, pode nos ensinar sobre essas escolhas nos âmbitos político e cultural, enfim, observar a construção de um arquétipo nacional.

Contudo, para Benedict ANDERSON2 para pensarmos sobre a organização dos Estados Nacionais, poderíamos caracterizá-los como comunidades políticas imaginadas, pois seus membros constituintes não se conhecem, “embora todos tenham em mente a imagem viva da comunhão entre eles”2 (p.32). Um sentimento que agrega simbolicamente uma comunidade de pessoas que não se reconhece na maioria das vezes. Ao invés de pensarmos na invenção11 que nos leva sempre a interpretações sobre a máscara do nacionalismo, a falsidade de seus pressupostos, pensá-lo no contexto de uma comunidade imaginada, levam-nos a uma interpretação sobre as escolhas destes grupos limitados pelas fronteiras territoriais e políticas no que concerne ao que deve ser evidenciado ou silenciado na constituição da identidade. Desse modo, a comunidade não parte do zero, ela é imaginada destacando seus valores positivos e criticando seus desvios a partir de escolhas. Como afirma ANDERSON2: “é o entendimento do nacionalismo alinhando-o não a ideologias políticas conscientemente adotadas, mas aos grandes sistemas culturais que o precederam, e a partir dos quais ele surgiu, inclusive para combatê-los” (p.39).

Por isso, devemos olhar para sua estruturação militar não apenas como um movimento político republicano, mas como a constituição de uma cultura de disciplina, organização, símbolo e direção para todo o país. ROSEMBERG10 relata que em 1905, o presidente do Estado de São Paulo, Jorge Tibiriçá, antecipava o novo lugar da Força Pública neste projeto, pois a considerava uma polícia sem política, imparcial, remunerada e, por consequência, profissionalizada. Contudo, descrevemos aqui as representações governamentais para esta nova polícia, o que para ROSEMBERG10, estava distante da realidade das representações mais populares sobre ela.

Mesmo com essas dificuldades encontradas para fomentar essa cultura no corpo policial, para efetivar seus desejos, o governo de São Paulo opta por uma missão estrangeira capaz de partir de sua experiência para orientar os caminhos desta nova polícia. Sua estruturação foi fruto de um processo de crescimento político e econômico do Estado de São Paulo, mas também do anseio em se tornar referência nacional, antecipando-se à própria profissionalização do exército nacional. A reestruturação na forma de agir e de pensar da Força Pública de São Paulo, ao mesmo tempo, que dava maior autonomia ao Estado, constituía um caminho a ser seguido pela nação brasileiraa.

Coube, então, uma ação efetiva de Jorge Tibiriçá que entra em negociação com o governo francês para uma missão militar em São Paulo. Para ele, os militares franceses seriam os mais capacitados para entender o temperamento dos brasileiros, isto em uma época na qual uma parte da cultura nacional estava sobre forte influência francesa. O governo francês indica, então, o “Chef. De Bataillon Du 103 Regiment d’Infanterie” Paul Balagny para chefia a Missão Francesa, acompanhado pelo capitão Raoul Negrel e o tenente André Honeix de La Brousse, que chegam à São Paulo em 21 de março de 1906, desembarcando na Estação da Luz. Dois dias depois, a impressa local noticia, especificamente no jornal “Correio Paulistano”, em sua primeira página, os primeiros compromissos oficiais da missão:

Os officiaes franceses instructores da Força Policial, sr. Commandante Paul Balagny, capitão Rauol Negrel e tenente André de La Brousse, foram hontem á 1 hora da tarde levados à secretaria da Justiça pelo Sr. Lechévre de Teuille, vice-consul da França, e alli apresentados pelo sr. coronel Argemiro Sampaio, commandante geral ao sr. dr. Washington Luiz. O Sr. secretario da Justiça, por sua vez, acompanhou-ois a Palacio onde os recebeu o sr. capitão Joaquim Coutinho, que os introduziu na sala de recepções. Apresentados pelo sr. dr. Washington Luiz, os instructores francezes entretiveram ligeira palestra com o sr. dr. Jorge Tibiriça, presidente do Estado, retirando-se em seguida com destino á residência do sr. tenente Georges Plantade, onde se acham hospedados12 (p. 1).

A adaptação dos estrangeiros em seu primeiro ano de missão foi marcada por tragédias pessoais e polêmicas envolvendo os militares franceses. Um dos missionários Raoul Negrel, foi assassinado no Quartel da Luz, acarretando manifestações de condolências do jornal “Correio Paulistano”:

Nessa manifestação de um sentimento legitimo e espontaneo ha toda a alma de uma sociedade que busca attestar á memória de um morto querido a sua condolencia e a sua saudade. São homenagens derradeiras com que se sagram pelo affecto, os que partem dignificados e seguidos pelos anseios dos que se deixam ainda aturdidos pela crueldade incomprehensivel de um destino.

Ainda uma vez os habitantes desta capital vão demonstrar a sua dor intensa pela desgraça que nos veio ferir, acompanhando esse feretro de soldado que cahiu no seu posto, victimado pela carabina de um bárbaro assassino.

Sirvam-nos ao menos de lenitivo ao nosso pesar essas homenagens. Que ellas pela sua sinceridade, pela dor que exprimem, possam avultar na magestade de um preito que um povo endereça a quem foi digno, a quem foi nobre, para que também a imponente, a inilludivel demonstração do nosso protesto contra esse crime que nos abate. [...] O coronel Balagny subiu directamente á sala onde se achava o corpo do seu amigo e companheiro, passando-se então uma scena indescritivel de magoa e de afecto. O distincto militar, não podendo por mais tempo conservar a apparente calma em que se tinha mantido até então, prorompeu em soluços amargos, contemplando com arrebatada ternura o querido irmão de armas que acabara de perder. Essa expansão de amizade, tão eloquente e tão sincera, commoveu intensamente os circumstantes e foi provocar eguaes arrebatamentos nos alferes La Brousse e Statt Müller que, seguindo o exemplo de seu commandante, até ahi haviam conservado uma serenidade de esforço de vontade13(p.1).

A causa do assassinato não é revelada pelos jornais, contudo não parecia ser um fato isolado, já que mesmo o chefe da missão, Paul Balagny, naquele mesmo ano envolveu-se em um infortúnio com um jornalista que é convidado oficialmente para um duelo noticiado pela impressa no “Correio Paulistano”:

Tendo havido, por motivo insignificante, uma permuta de correspondência entre os srs. Eugenio Hollender, director do Messager de Saint Paul, e coronel Paul Balagny, chefe da missão franceza, este official julgou-se gravemente offendido com a expressão indelicat usada pelo jornalista com referencia à pessoa do official do exercito francez. Pretendendo uma satisfacção plena ou uma reparação pelas armas, o sr. coronel Balagny enviou junto ao Sr. Eugenio Hollander ás 8 horas da manhã de hontem os srs. de la Brousse e Statt Müller, afim de o scientificarem da missão que lhes incumbia. Recusou o duello o Sr. Eugenio Hollender, pretextando ser esse processo de desafronta previsto pelo nosso código penal14 (p.4).

Contudo, a despeito destes revezes que demonstram que a chegada ao Brasil tenha ocorrido de forma conturbada, podemos notar que Paul Balagny foi um líder muito presente politicamente, o que lhe permitiu efetuar mudanças substanciais na organização da polícia, além de ter sido responsável pela estruturação de uma escola de educação física, a primeira do gênero no Brasil, fundada em 1910. A criação desta instituição foi precedida pela reorganização das aulas de esgrima que eram minitradas na Força Pública desde 1895, introduzida por italianos, e modificada pelos franceses. Além dos cursos de esgrima, a prática da ginástica também foi destacada pelos franceses com a criação do Corpo Escola, estrutura responsável por conduzir o curso de educação física, sendo ele dividido em duas seções, uma de esgrima, liderada pelo capitão Delphin Balancier, e outra de ginástica com o comando do capitão Louis Lematrie, ambos formados pela principal escola de educação física da França, a Joinville-le-Pont. Outro aspecto marcante gerado pela formação do Corpo Escola foi que a partir do momento que os cursos de esgrima e ginástica passaram a fazer parte desta organização, ambos tiveram seu primeiro regulamento oficializado pelo Decreto-lei n. 2349 de 14 de fevereiro de 191315.

Essas escolhas governamentais envolveram aspectos certamente políticos, mas também, culturais. Priorizar uma educação física europeia, em particular, de origem francesa, traduzia a representação de disciplina, organização, objetividade dos gestos, tão própria da ginástica praticada na França do século XIX, que tinha como característica a racionalização dos movimentos em uma prática controlada cientificamente16-18.

A educação física naquele contexto buscava em sua aplicação uma rígida formação doutrinária de consolidação de um “espirit de corps” (espírito de equipe), características ausentes na Polícia Militar de São Paulo até o início do século XX, e inseridas pela missão francesa através de constantes treinamentos10, 19. A nova educação física de inspiração francesa era aplicada tendo como objetivo aumentar a força física, trazendo utilidade econômica aos gestos produzidos pelos soldados20.

O governo de São Paulo, então, daria muita importância às mudanças realizadas pela missão, o que é evidenciado pelos constantes desfiles, e por suas exibições e apresentações realizadas por ocasião de encontros oficiais de autoridades nacionais e internacionais que tinham em seu roteiro visitas ao quartel do 1º Batalhão da Força Pública de São Paulo. Como, por exemplo, a visita do coronel do exército francês Ferdinand Goubeau, noticiada em 1907, no “Correio Paulistano”:

De regresso á França esteve nesta capital, de passagem, o capitão de infantaria do exercito francez sr. Ferdinand Goubeau, coronel-commandante da missão militar que há dez annos instrue o exercito peruano em Lima. Aquelle official visitou hontem o quartel da Luz, onde assistiu á um exercício do 1.° batalhão e á tarde foi jantar na residência do sr. coronel Paul Balagny. S. s. não occultou a sua extraordinária admiração pelo adiantamento de nossa policia e pelos progressos da bella capital paulista. Hoje o sr. capitão Goubeau partirá para o Rio, tomando vapor com destino ao seu paiz que ha dois annos não visita21 (p.1).

Percebemos que as autoridades paulistas, sobretudo, o Secretário de Justiça e Segurança Pública, Washington Luís, vislumbrava a exibição do poder bélico do Estado através das demonstrações realizadas pela polícia aos ilustres visitantes. Enfim, sua polícia era motivo de orgulho para as autoridades paulistas. Na visita oficial do governador do Estado da Bahia, o jornal “Correio Paulistano”, descreveu no artigo intitulado “Dr. José Marcellino”: “No pateo interno da vasta e elegante caserna, o 1° batalhão sob o commando do sr. tenente-coronel Pedro Arbues, realizou modernos exercícios, esplendidas evoluções, que foram grandemente apreciados”22(p.2).

Percebe-se que a organização daquela polícia em padrões europeus tinha se tornado um exemplo paulista à nação. Suas autoridades teciam elogios em documentos oficiais ao desempenho da missão francesa em relação aos objetivos propostos, e também à liderança de Paul Balagny. No relatório do presidente do Estado, intitulado “Mensagem enviada ao Congresso do Estado”, de 1913, afirmava Rodrigues Alves:

A 21 do corrente mez termina o contracto da Missão Franceza, cuja prorrogação, por mais um anno, já se acha convencionada por intermédio da nossa Legação em Paris. O Coronel Paul Balagny será substituído na chefia da missão pelo Tenente-coronel Antoine François Nérel, que é um official de comprovada competência. O Coronel Balagny precisa regressar ao serviço effectivo do exercito francez em obediencia ás leis militares de seu paiz.

Foi completo o desempenho da missão confiada a esse distincto official, a quem o Estado de São Paulo fica devendo grande reconhecimento pelos serviços que lhe prestou. Com effeito, a Missão Franceza. Sob a direcção do Coronel Balagny, transformou fundamentalmente nossa Força Publica, imprimindo-lhe esse caracter austero de uma milícia perfeitamente organisada. Tudo, nessa milícia, foi objecto dos mais intelligentes e dedicados esforços por parte deste official - os costumes que são hoje muito sóbrios e severos em todo o pessoal da Força,a rigorosa disciplina, a exacta compenetração dos deveres desde a simples praça até as mais elevadas patentes, as differentes aptidões technicas solidamente adquiridas nos perseverantes exercicios e manobras campaes, a resistência á fadiga grangeada pela gymnastica e nas longas excursões de 20 a 30 kilometros, a justeza absoluta em todas as evoluções, a notavel pericia no tiro, a perfeita correcção no fardamento, equipamento, attitude, marcha - em summa, todos esses esforços superiormente mantidos durante cerca de sete annos, transformaram a Força Publica do Estado de São Paulo nessa corporação disciplinada e brilhante, sempre prompta para acudir aos reclamos e destinos que estão reservados á sua elevada missão de defesa dos direitos e das auctoridades constituidas23 (p.35-7).

O prestígio alcançado pela liderança de Paul Balagny no cenário paulista era evidente. Presente em jantares com o presidente estadual, recebendo autoridades nacionais, como historiador da guerra que teve sua obra sobre Napoleão resenhada por Leopoldo de FREITAS24 no “Correio Paulistano”, enfim, indícios que sustentam a relevância da missão francesa em São Paulo. Colocada como exemplo, a missão incutia o sentimentalismo do amor à pátria. Afinal, mesmo nos países que foram colonizados e teriam razões para sustentar seu nacionalismo no ódio aos governos imperialistas de outrora, tinham em suas expressões culturais de nacionalismo um discurso que não era significativamente ancorado na oposição à Europa2. Em outras palavras, a Europa, e em específico, a França era símbolo de disciplina e organização para o país. Os paulistas poderiam traduzir aqueles valores para a construção de uma identidade própria, e ao mesmo tempo, colaborar, para uma imagem nacional resignificada, ou melhor, de uma comunidade imaginada como europeia, como exemplo de disciplina e organização. Logicamente, estas eram as representações das autoridades paulistas, imbuídas do desejo de liderar a formação de uma identidade nacional, que ao mesmo tempo era imaginada como moderna, mas que não abandonava o nacionalismo romântico, defensivo e não agressivo, inspirado, por exemplo, naquele sentimento patriótico da virada do século XX, de Afonso CELSO25, que exaltava as belezas de uma natureza exuberanteb.

Mediante estes dois pressupostos, de um lado a admiração pelo ordenamento europeu, e de outro, o sentimento de pertencimento e ufanismo pela brasilidade, por suas características ligadas ao bucólico, à natureza, a comunidade fazia suas escolhas. Admiravam os paulistas, naquela primeira década do século XX, o estrangeirismo e os hábitos europeus. Com isso, os discursos de um militar francês ganhavam eco na impressa local, e seus símbolos serviam de inspiração. Por exemplo, na ocasião da despedida de Paul Balagny da missão no Brasil, os militares da Força Pública o homenagearam com um presente, em particular, um busto de Napoleão Bonaparte. O “Correio Paulistano” publicizou o evento:

É hoje, às 8 horas da noite, que será levada a effeito, no quartel da Luz, a festa de despedida promovida pela officialidade da Força Publica do Estado em homenagem ao sr. coronel Paul Balagny, que acaba de desligar-se da missão franceza, afim de recolher ao seu paiz, para completar o tempo de serviço num dos regimentos do exercito. Os officiaes paulistas offerecerão ao ilustre militar um bello busto de Napoleão, em bronze, trabalho de alto valor artístico, como lembrança de seus serviços á Força Publica. Será também inaugurado, por occasião, o retrato a óleo do coronel Balagny, numa das salas do quartel. [...] Congratulamo-nos cordialmente com as homenagens prestadas a tão esforçado e inteligente servidor da nossa valorosa Força Publica, ao qual levamos os protestos da nossa sincera solidariedade por tão justo tributo de apreço26 (p. 5).

O acompanhamento da impressa local também enaltecia o trabalho realizado pelo governo paulista e pela missão francesa em relação ao nível de organização que a polícia paulista alcançou por intermédio de uma gama de exercícios físicos e evoluções militares. Principalmente, o “Correio Paulistano” que assumidamente ligado ao Partido Republicano Paulista, acompanhou, destacou, enalteceu o trabalho de Paul Balagny. É através desta fonte que observamos a escolha de datas comemorativas específicas que mereciam a atenção da Força Pública, evidenciadas por desfiles e exibições públicas de uma ginástica militarizada. Essas preferências nos permitem delimitar que a identidade nacional não era negada pelo exército paulista, mas ao contrário, enaltecida. Contudo ela era restrita aos valores republicanos, por exemplo, datas alusivas ao império, como o dia da independência, eram ignoradas. Os silêncios da Força Pública em relação à monarquia, que contrastam com os desfiles atuais do sete de setembro, revelam os limites desta identidade. Já em relação à proclamação da república, os desfiles eram anuais, destacados nas páginas do jornal “Correio Paulistano”:

Já começaram os preparativos para a grande parada do dia 15 de novembro, ao prado da Moóca, ás 9 horas da manhã. Hontem, o 1º. Batalhão da Força Publica, uma companhia de Corpo de Bombeiros, uma companhia de recrutas e o corpo da Cavallaria, fizeram exercícios naquelle local, os quaes forma assistidos pelo dr. Washington Luis, secretário da Justiça, O coronel Paul Balagny, chefe dos instrutores francezes, já organizou as instrucções para a formatura27(p. 5).

Ou ainda:

Nessa occasião, irá ao seu encontroo coronel Paul Balagny, chefe da missão militar, que apresentará as tropas, que prestarão as honras do estylo, executando as bandas de musica, cornetas e tambores o Hynno Nacional e o da Independencia28 (p.5).

Não se tratava da construção de uma identidade regional que constituía uma soberania paralela ou substitutiva em relação aos símbolos nacionais, ou ainda, a inculcação de uma nação paulista que argumentava sobre a necessidade de independência, defendendo-se de fatores exógenos. Mesmo porque referências pontuais, como o hino da independência, estavam presentes nas festividades da proclamação da república. Era, sim, a necessidade de se colocar como modelo de disciplina, enaltecendo a formação militar, bem como, símbolos, como o hino e a bandeira nacionais. Em 1912, o “Correio Paulistano” ilustrava através do artigo “Festa da Bandeira” a comemoração nacionalista de 19 de novembro:

1) As forças formadas na parada do Quartel da Luz cantam, acompanhadas pela banda de musica, o Hynno á Bandeira. 2) Na tribuna official, o sr. conselheiro Rodrigues Alves, presidente do Estado, tendo á sua esquerda o sr. general Silva Faro, e á direita os srs. drs. Sampaio Vidal e o coronel Paul Balagny, assiste ao hasteamento do pavilhão nacional29 (p.5).

Paradoxalmente uma missão estrangeira era responsável pelo estímulo ao nacionalismo no país, já que datas comemorativas referentes à república não escapavam à organização de ritos, onde os símbolos e heróis constituíam a identificação de uma comunidade imaginada a partir do sentimento de pertencimento. Contudo se, por um lado, a missão fortalecia a identidade nacional em São Paulo, por outro despertava desconfianças e conflitos internos com outros Estados, pois a missão francesa possibilitou ao governo paulista propagandear sua organização militar. O que motivou algumas polêmicas, inclusive, na opinião pública, como por exemplo, em relação à acusação, proferida pela impressa de que Paul Balagny teria contrabandeado um arsenal militar francês para o Estado de São Paulo. O editorial do “Correio Paulistano” saiu em defesa de Balagny e do governo estadual:

Telegrammas procedentes de Paris e publicados por jornaes do Rio e desta capital dão noticia de diversas censuras infundadas feitas em alguns órgãos da imprensa da grande metrópole franceza, acerca do coronel Paul Balagny, digno chefe da missão instructora da Força Publica do Estado. Assim, attribuem ao distincto militar cousa que, pela sua clamorosa inverdade, não podemos deixar passar sem cabal contestação, taes, como - que elle se tem inserido na política interna do paiz, que se envolveu em contrabando de guerra para o Estado e que tyraniza os seus subordinados. Todas essas asserções carecem absolutamente de fundamento. [...] Inteiramente absorvido pelos misteres da complexa instrucção, cuja chefia em boa hora lhe ficou confiada, o procedimento do esforçado instructor da nossa Policia armada tem sido a todos os respeitos irreprehensivel. [...] Quanto a contrabandos de guerra, a invencionice cae pela própria base, pois que S. Paulo em tempo algum, como aliás já temos por vezes affirmado e demonstrado cumpriamente, deu entrada clandestina a cousa alguma de armamento da sua Força Publica30 (p.1).

A posição política do jornal “Correio Paulistano”, como adepto do Partido Republicano, o colocava a serviço dos anseios e projetos governamentais de São Paulo no cenário nacional. A ênfase na defesa de Paul Balagny e o ataque às denúncias revelam indícios de que o papel da missão não se restringia à formação militar, mas também, envolvia interesses econômicos e políticos. Mostra também, sem dúvida, a preocupação sobre um possível desequilíbrio na organização das forças militares de São Paulo em relação ao poder central. Assunto polêmico que foi retratado de forma imediata como boato, tanto na impressa carioca, no jornal “O Paiz”, no artigo “França”, como na parisiense no jornal “Temps”, com base no depoimento de José Maria dos Santos:

O Temps publica uma longa carta assignada pelo publicista brazileiro José Maria dos Santos, na qual este senhor mostra a não existencia de conflito entre as autoridades federaes e as do Estado de S. Paulo, e, outrosim, desmente que o marechal Hermes da Fonseca, presidente da Republica, pense em exercer pressão sobre o acto eleitoral do referido Estado. Refereindo-se ás accusações de que tem sido alvo ultimamente o coronel Balagny, recorda o sr. José Maria dos Santos que o governo federal pediu ao governo francez manter a missão franceza, e diz-se autorizado a desmentir que a missão tenha infligido castigos corporaes aos soldados. Affirma o Sr. Santos que os officiaes e os soldados brazileiros experimentam grande estima pela missão que está em S. Paulo e profundo respeito pelo seu commandante, o coronel Balagny. O boato de contrabando de armas, imputado ao coronel Balagny, é na carta do Sr. José Maria dos Santos classificado de “pueril”31 (p.5).

O boato, contudo, teve sua repercussão, mas não sustentou nenhuma interferência do governo central com sede no Rio de Janeiro, todavia sob a influência do Partido Republicano Paulista, sobre os destinos e objetivos daquela empreitada. Isto nos leva a inferir que São Paulo preparava-se militarmente para consolidar sua posição de liderança econômica e política no cenário nacional. Esses objetivos distanciavam-se do separatismo, e ao mesmo tempo, incutiam uma identidade nacional através de símbolos republicanos, de uma disciplina militar, ordeira e disciplinada, traduzida, enfim, em uma educação física caracterizada pela racionalidade técnica. Um nacionalismo paulista, adepto de padrões europeus, provenientes da imigração. Sem dúvida, um projeto de nação paralelo ao Brasil do litoral, uma comunidade imaginada como tradicional, disciplinada, organizada, agrícola, e também desenvolvida economicamente, adepta de hábitos europeus que dialogavam com essa cultura, como uma educação física militarizada.

As estratégias adotadas pelo Coronel francês Paul Balagny e seus subordinados trouxeram à instituição militar paulista um novo padrão de disciplina, hierarquia e preparação física. O investimento governamental na estruturação de uma polícia especializada em um treinamento tido como científico através de uma educação física europeia, mais especificamente, francesa, ancorava um projeto de uma sociedade organizada, que serviria de exemplo ao país, e concomitantemente, representava os avanços daquele Estado em relação a outras unidades da República.

Uma identidade imaginada de paulistas que se colocava como responsável pela liderança do país. Contudo seria difícil definir esse nacionalismo específico, pois teríamos que reunir características gerais, capazes de identificar sobre uma única expressão, manifestações de ideias e comportamentos, que se arvoram justamente na particularidade, na autodeterminação, na singularidade paulista. Não é preciso apelar a muitos argumentos para demonstrar a distância que separa, debaixo do mesmo vocábulo, manifestações com objetivos tão específicos: o nacionalismo republicano, o nacionalismo liberal, o nacionalismo industrial-desenvolvimentista, o nacionalismo defensivo, o nacionalismo romântico e bucólico32. No seu significado político mais amplo, estamos ainda impossibilitados de construir uma tipologia que contenha princípios de generalidade e coerência de uma identidade nacional brasileira, pela flagrante diversidade de aplicação contextual da construção destas comunidades imaginadas e justapostas nesse país continental. Contudo é explícito no contexto paulista, o culto aos símbolos nacionais (Bandeira, Hino, etc.) que são colocados como primordiais na formação do sentido de soberania nacional. Desse modo, a militarização paulista objetivava colocar São Paulo em posição estratégica para liderar e influenciar a construção de um Brasil disciplinado, enfim, uma comunidade imaginada na ordem e no progresso, como os militares idealizaram.

Agradecimentos

Esta pesquisa contou com o apoio da FAPESP, Auxílio a Projeto de Pesquisa Regular Processo n. 2016/00617-6.

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a. Nas primeiras décadas do século XX, o crescimento econômico de São Paulo possibilitou a organização de diversas instituições no campo cultural que forneciam modelos para um Brasil imaginado como próspero e organizado,que muitas vezes apresentavam-se como paralelos a modelos institucionais com sede no Rio de Janeiro. A fundação da Universidade de São Paulo, em 1934, da Academia Paulista de Letras, em 1909, a Escola Paulista de Medicina, em 1933, entre outros, são exemplos empíricos dos anseios de distinção do adjetivo “paulista”.

b. Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior (1860-1938) foi presidente da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, foi autor de vários livros, inclusive do clássico nacionalista “Porque me ufano do meu país”, editado pela primeira vez em 1900 .

Recebido: 15 de Janeiro de 2015; Aceito: 09 de Março de 2016

ENDEREÇO. Edivaldo Góis Junior. Departamento de Educação Física e Humanidades. Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas. Av. Érico Veríssimo, 701. 13083-970 - Campinas - SP - BRASIL. e-mail: egoisjunior@gmail.com

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