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Clinics

Print version ISSN 1807-5932On-line version ISSN 1980-5322

Clinics vol.60 no.2 São Paulo Apr. 2005

https://doi.org/10.1590/S1807-59322005000200002 

EDITORIAL

 

Parceria entre universidade pública e sistema de saúde local em favor de comunidade carente do interior do Maranhão, Brasil

 

 

Marcelo El Khouri; Leandro Savoy Duarte; Janos Valery Gyuricza; Carlos Eduardo Pereira Corbett

 

 

Através da parceria com o Ministério da Saúde, do Sistema de Saúde Público local e com o apoio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) foi possível a viabilização do projeto Bandeira Científica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo na cidade de Buriticupu, localizada no interior do Estado do Maranhão (Fig. 1), com população estimada de 50.059 habitantes segundo censo demográfico do IBGE de 2000. O projeto é organizado por acadêmicos de medicina da USP e visa levar assistência primária e palestras educativas às populações carentes, além de promover trabalhos epidemiológicos relacionados com a região assistida.

 

 

A cidade possui saneamento básico escasso, a rede de ensino é precária, proporcionada principalmente por escolas públicas. O analfabetismo é predominante nos adultos acima de 20 anos (dados do Censo Demográfico 2000 demonstram uma taxa de alfabetização de 63,8% nos moradores com mais de 10 anos). A UFMA já atuava na cidade através de um posto de saúde, atendendo regularmente as quatro doenças endêmicas prevalentes na região (malária, hanseníase, leishmaniose e tuberculose), diagnosticando, acompanhando o tratamento e distribuindo medicação fornecida pelo Ministério da Saúde.

 

 

A assistência médica oferecida pela Bandeira foi baseada em consultas em ambulatório geral e algumas especialidades como dermatologia, pediatria, infectologia e psiquiatria abrangendo as zonas urbana e rural. As consultas foram pré-agendadas pelos agentes de saúde locais (ACS), passaram por triagem, preencheram um cadastro e foram atendidos pelos acadêmicos, sob constante supervisão por médicos e professores. Todo atendimento foi seguido pela entrega de medicamentos.

Dessa forma, conseguiu-se abranger 21 localidades rurais e realizando 3.428 atendimentos, coletar cerca de 340 amostras de sangue para pesquisa de hepatite B e C, 46 biópsias e realização de 219 exames de Papanicolaou. Os principais achados diagnósticos incluíram verminose (12% de prevalência), corrimento vaginal (10,2%), dor osteomuscular (9,5%), cefaléia (8,4%) e escabiose (7%).

Além disso, 7 palestras foram ministradas aos profissionais de saúde locais e à população leiga com posterior entrega de certificados confeccionados pela Bandeira Científica. Os temas versaram sobre malária, hanseníase, tuberculose, leishmaniose, verminoses, com ênfase em cuidados com água, dengue, métodos contraceptivos, prevenção do câncer, primeiros socorros, cuidados no pré-natal, drogas, tabagismo e DST/AIDS.

As ações ocorreram durante 10 dias, aquém do necessário para atender as demandas locais, mas suficiente para o desenvolvimento de sensibilização dos moradores quanto ao acesso aos recursos de saúde, estímulo das lideranças locais para implementação de melhorias e racionalização do uso de recursos. Foram visitadas regiões com poucos profissionais de saúde e o contato com nossa equipe muitas vezes foi uma rara oportunidade para esses cidadãos obterem consulta, medicação ou exame.

O acadêmico que participa da Bandeira é desafiado a enfrentar as dificuldades dessas regiões mais carentes, retornando repleto de questionamentos. Em contrapartida, aos habitantes visitados, a Bandeira oferece uma atenção imediata, ouvindo suas queixas, fornecendo medicações e coletando exames que são preconizados pelo Ministério da Saúde em programas de cobertura universal.

Dentre as ações feitas visando a sustentabilidade do projeto em Buriticupu, destacam-se a formação de um banco de dados com o cadastro de todos os pacientes atendidos e um relatório com os resultados obtidos cedidos junto à Secretaria de Saúde de Buriticupu; a proposta de reestruturação do sistema de saúde em concordância com o modelo do Programa de Saúde da Família (PSF) e Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS); a doação de materiais, medicamentos e uma proposta de reestruturação do Hospital Municipal de Buriticupu; proposta de implantação do Estágio Rural para acadêmicos de medicina da UFMA, dando seguimento aos atendimentos realizados durante a Bandeira; e por fim auxiliar na programação do retorno dos médicos da UFMA ao Núcleo em Buriticupu de forma a prestar atendimento e continuidade mensal aos pacientes, incluindo aqueles atendidos pela Bandeira Científica.

Assim, pretendeu-se reforçar a estrutura do Sistema de Saúde público local e estreitar os vínculos entre universidade pública e a comunidade, unindo professores, alunos e residentes locais na prática do bem comum.

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