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Clinics

Print version ISSN 1807-5932

Clinics vol.61 no.4 São Paulo Aug. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-59322006000400001 

EDITORIAL

 

No fascículo de junho 2006 de Clinics

 

 

Mauricio Rocha-e-Silva, Editor

Hospital das Clínicas, São Paulo University Medical School – São Paulo/ SP, Brazil. Email: mrsilva36@hcnet.usp.br

 

 

Neste número de agosto de 2006 de Clinics, destaca-se a contribuição original de Araújo et al, que avaliaram os efeitos de estrógenos eqüinos conjugados e de tamoxifen sobre a função e morfologia da tireóide em ratas ovariectomizadas. Comparadas com controles ovariectomizadas, observou-se que o estrógeno e o tamoxifen induzem maior altura de células foliculares, comparáveis aos níveis observados em ratas normais. Os níveis medidos de T3 e T4 em ratas ovariectomizadas não tratadas foram baixos, em comparação com ratas normais e com as ratas dos grupos tratados com estrógeno e tamoxifen. Estes dados indicam que os estrógenos e o tamoxifen induzem proliferação celular na tireóide, uma observação nunca antes relatada.

Modolin et al apresentam os resultados do tratamento de 117 pacientes atendidos com linfedema peniano e escrotal, tratados por remoção cirúrgica do tecido afetado e correção da região através de uma modificação da técnica de Charles. Foram observadas melhoras clínicas e regressão de sintomas ao longo de um período de 6 meses a 6 anos. O procedimento é facilmente reprodutível e permite melhor higiene local, melhor deambulação, micção na posição ereta e retomada de atividade sexual. Os resultados cosméticos são bons e a qualidade de vida melhora de modo acentuado.

Lucarelli et al descrevem as alterações do mecanismo de resposta à carga da articulação do joelho em 66 pacientes durante a marcha hemiparética oriunda de AVC analisada por cinemática tridimensional. As características clinicamente relevantes foram um aumento da flexão do joelho ao contacto inicial e uma amplitude de movimento menor que esperada para esta fase do ciclo de marcha. Estas foram as mais importantes alterações do mecanismo de resposta à carga em todos os pacientes estudados e devem ser levadas em conta na escolha de estratégias terapêuticas.

Almeida et al compararam os efeitos do inibidor de COX-2 parecoxib contra placebo num modelo murino de pancreatite aguda induzida por taurocolato. As interleucinas IL-6 e IL-10 apresentaram níveis mais baixos nos ratos tratados com parecoxib, mas os níveis de amilase e de mortalidade foram iguais. A histologia apresentou uma única diferença entre os grupos, com pior necrose gordurosa no grupo parecoxib. Concluíram que o parecoxib é ineficaz neste modelo de pancreatite aguda.

Camargo et al determinaram a prevalência de tireoidite auto-imune crônica em 409 residentes em área urbana próxima de um complexo petroquímico e compararam os resultados com os observados em 420 pacientes em área urbana controle adequadamente pareada. Uma alta prevalência de tireoidite auto-imune crônica foi observada em ambas as áreas, provavelmente devida a uma alta ingestão de iodo nos 7 anos precedentes. Não foi detectada qualquer relação entre esta prevalência e a residência próxima ao complexo petroquímico.

Narazaki et al descrevem retrospectivamente fatores prognósticos em 112 pacientes tratados em conseqüência de fraturas patológicas secundárias a tumores metastáticos. Esta série assemelha-se a outras, internacionais, descritas recentemente, em termos de localização do tumor primário (mama, o mais freqüente, seguido de tumores de origem indeterminada, próstata e pulmão). O único fator prognóstico referiu-se ao procedimento ortopédico: pacientes submetidos à osteossíntese, uma técnica menos agressiva com reabilitação mais rápida apresentaram sobrevida mais longa que pacientes que receberam endopróteses.

Valente et al descrevem um método diagnóstico simples e interessante para diferenciar entre as raras síndromes de Chédiak-Higashi e Griscelli-Prunieras. O exame microscópico de tufos de cabelo sob luz natural revela características sutis que permitem diagnosticar as duas, mas incapaz de distinguir entre elas. No entanto, pela primeira vez fica demonstrado que, sob luz polarizada, é possível distinguir entre elas. As diferenças descritas podem representar um método diagnóstico complementar, particularmente útil em condições onde métodos moleculares não estejam disponíveis.

Fernandes et al relatam os resultados de um estudo multicêntrico prospectivo randomizado e duplo cego com fraturas diafisárias multifragmentárias fechadas de tíbia, tratados com dois métodos de fixação: hastes intramedulares bloqueadas não-fresadas (23 pacientes) e placas em ponte (22 pacientes), realizadas através de cirurgia minimamente invasiva: o tempo de consolidação foi maior nos pacientes que receberam haste em comparação com aqueles que receberam placa. Não foram observadas diferenças entre os dois métodos no tocante à mobilidade do tornozelo.

Nishinari et al relatam os resultados de reconstruções arteriais associadas à ressecção de tumores malignos em 36 pacientes submetidos à cirurgia eletiva entre 1997 e 2004. As reconstruções foram classificadas de acordo com as localizações tumorais: cervicais (14), membros inferiores (13), e abdômen (9). A reconstrução arterial foi bem sucedida em todos os casos, com o registro de 5 complicações arteriais, 2 precoces e 3 tardias, sem diferenças entre os 3 grupos de localização tumoral. Todos os 22 óbitos registrados decorreram da progressão dos respectivos processos neoplásicos.

Publicamos também uma revisão sobre manejo volêmico em pacientes críticos e 5 relatos de caso.