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Acta Scientiarum. Agronomy

versão On-line ISSN 1807-8621

Acta Sci., Agron. (Online) vol.30  supl.spe Maringá  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-86212008000500015 

PRODUÇÃO VEGETAL

 

Efeito da aplicação de biorregulador no desempenho agronômico e produtividade da soja

 

Effect of plant growth regulator application on agronomic traits and soybean yield

 

 

Lia Mara MoterleI,*; Renato Frederico dos SantosII; Alessandro de Lucca e BracciniIII; Carlos Alberto ScapimIII; Mauro Cezar BarbosaI

IPrograma de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900, Maringá, Paraná, Brasil
IICooperativa Agropecuária e Industrial de Itambé, Itambé, Paraná, Brasil
IIIDepartamento de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, Paraná, Brasil

 

 


RESUMO

O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de biorregulador no desempenho agronômico das plantas e na produtividade de sementes da cultura da soja cultivar CD 216. O trabalho foi desenvolvido em dois anos agrícolas (2005/06 e 2006/07). Os tratamentos foram compostos pela combinação do tratamento de sementes (0 e 500 mL 100 kg-1 de sementes) com três doses de biorregulador (250; 375 e 500 mL ha-1) aplicadas via foliar em dois estádios de desenvolvimento da cultura (V5 e R3), mais a testemunha sem aplicação. As características avaliadas foram a altura das plantas, número de vagens por planta, produtividade e massa de 1.000 sementes. As características altura das plantas e número de vagens por planta não foram influenciadas pela aplicação do biorregulador nos dois anos agrícolas. No ano agrícola de 2005/06, a maior produtividade de sementes (2.927 kg ha-1) foi alcançada pela aplicação da dose de 211 mL ha-1 de biorregulador via foliar no estádio R3, associado ao tratamento de sementes. No segundo ano agrícola, não houve diferença significativa (p > 0,05) entre os tratamentos na produtividade de sementes, muito embora os resultados alcançados tenham sido superiores aos obtidos no primeiro ano. Um dos princípios básicos para melhorar a eficácia do biorregulador na cultura da soja é a condição climática adversa.

Palavras-chave: soja, sementes, biorregulador, produtividade, Stimulate®.


ABSTRACT

The purpose of the work was to verify the effect of the application of a plant growth regulator on the agronomic traits of plants and on soybean seed yield, cultivar CD 216. The work was developed during two agricultural years (2005/06 and 2006/07). The treatments were composed by the combination of seed treatments (0 and 500 mL 100 kg-1 of seeds) with three doses of plant growth regulator (250, 375 and 500 mL ha-1) applied to the leaves in two stages of the culture's development (V5 and R3), plus the control without application. The features evaluated were: plant height, number of seedpods per plant, yield and mass of one thousand seeds. The features of plant height and number of seedpods per plant were not influenced by the application of the plant growth regulator in the two agricultural years. In the agricultural years of 2005/06, the greater seed yield (2.927 kg ha-1) was reached with the application of 211 mL ha-1 of plant growth regulator to the leaves at the R3 stage, together with seed treatment. In the second agricultural year there was no significant difference (p > 0.05) between the treatments in seed yield, although the results were superior to those obtained in the first year. One of the basic principles to improve the efficacy of the plant growth regulator in soybean crops is an adverse climatic condition.

Key words: soybean, seeds, plant growth regulator, yield, Stimulate®.


 

 

Introdução

A soja (Glycine max (L.) Merrill), cultura típica do continente asiático, é uma das principais culturas mundialmente produzidas dado seu alto valor econômico e nutricional. Dentre os principais paises produtores de soja, destacam-se os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia, sendo que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de produtores mundiais de soja (Embrapa Soja, 2004).

Dados da FAO revelaram que a produção mundial em 2004 foi em torno de 200 milhões de toneladas e que o Brasil produziu aproximadamente 50 milhões de toneladas, representando 25% da safra mundial.

A demanda anual por esta oleaginosa é crescente, tendo na indústria de moagem seu principal destino final, absorvendo cerca de 95% do volume colhido para transformação em óleo vegetal e em farelo de soja. Acima de 30% do óleo vegetal produzido no mundo é proveniente da cultura da soja. Além disso, a soja tem um papel importantíssimo no arraçoamento animal (Os caminhos..., 2005).

Atualmente, a importância da soja também vem sendo enfatizada como alternativa na prevenção de doenças crônicas e na alimentação humana, podendo ser transformada em diversos alimentos protéicos, tais como, farinha, leite, proteína texturizada e creme, bem como para uso industrial na fabricação de derivados não tradicionais, como biodiesel, tintas, vernizes, entre outros. Isso configura um aumento na demanda do produto, além de ser alvo de exportações para outros países (Embrapa Soja, 2004).

Ademais, o Brasil é o país que representa uma das últimas fronteiras agrícolas, contando com apenas 7% da sua área ocupada, ou seja, 47 milhões de hectares de sua área territorial de 851 milhões de hectares, para a produção de grãos (Os caminhos... , 2005), o que configura elevado potencial para exploração na produção de soja. De acordo com projeções da Embrapa Soja (1998), até o final de 2010, o Brasil poderá se firmar como líder mundial na produção dessa oleaginosa chegando a produzir cerca de 57 a 75 milhões de toneladas até o final desse período.

Dada a importância da soja como fator socioeconómico, pesquisas vêm sendo dirigidas para essa cultura, no sentido de se alcançar maiores produtividades associada à redução nos custos de produção. Nesse sentido, aliado ao conhecimento das exigências nutricionais e hídricas e o uso de cultivares com elevadas produtividades, resistentes ao acamamento, resistentes a pragas e doenças e adaptação às mais diversas condições edafoclimáticas, faz-se necessária a busca por tecnologias inovadoras que auxiliem na expressão do rendimento da cultura. Nesse contexto, entra o papel dos biorreguladores e bioestimulantes vegetais, os quais têm apresentado resultados favoráveis no aumento da produtividade de algumas culturas, tais como citros, feijão, milho, soja e algodão (Castro et al., 1998; Alleoni et al., 2000, Milléo et al., 2000b; Vieira e Castro, 2001; Vieira e Castro, 2004; Braccini et al., 2005; Ferrari et al., 2008).

Os biorreguladores vegetais são substâncias sintéticas que, aplicadas exógenamente, possuem ações similares aos grupos de reguladores vegetais conhecidos (citocininas, giberelinas, auxinas, ácido abcísico e etileno) (Vieira e Castro, 2002). De acordo com Castro e Vieira (2001), essas substâncias, em baixas concentrações, inibem, promovem ou modificam processos morfológicos e fisiológicos dos vegetais.

Segundo Castro e Vieira (2001), a mistura de dois ou mais biorreguladores ou de biorreguladores com outras substâncias (aminoácidos, nutrientes e vitaminas) dá origem ao bioestimulante ou estimulante vegetal. Levando-se em conta que o Stimulate® tem em sua concentração 0,005% do ácido indolbutírico (auxina), 0,009% de cinetina (citocinina) e 0,005% de ácido giberélico (giberelina), sendo eles hormônios vegetais que atuam como mediadores de processos morfológicos e fisiológicos, acredita-se que este biorregulador pode, em função da sua composição, concentração e proporção de substâncias, incrementar o crescimento e o desenvolvimento vegetal, estimular a divisão celular podendo, também, aumentar a absorção de água e nutrientes pelas plantas (Vieira e Castro, 2002). Este produto tem sido especialmente eficiente, quando aplicado com fertilizantes foliares, sendo, também, compatível com defensivos agrícolas (Castro et al., 1998).

De acordo com Castro e Melotto (1989), essas substâncias naturais ou sintéticas podem ser aplicadas diretamente nas plantas (folhas, frutos e sementes), provocando alterações nos processos vitais e estruturais, tendo por finalidade incrementar a produção, melhorar a qualidade e facilitar a colheita. Por meio dessas substâncias pode-se interferir em processos fisiológicos, tais como: a germinação das sementes, o vigor inicial das plântulas, o crescimento e o desenvolvimento radicular e foliar, e a produção de compostos orgânicos (Vieira e Castro, 2004). Esta interferência pode ocorrer pela aplicação dessas substâncias via sementes, via solo ou via foliar, porém precisam ser absorvidas para que possam exercer sua função (Castro e Melotto, 1989).

O presente trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da aplicação de biorregulador no desempenho agronômico das plantas e na produtividade de sementes da cultura da soja.

 

Material e métodos

O experimento foi conduzido nos anos agrícolas de 2005/2006 e 2006/2007 em campo experimental da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Itambé (Estado do Paraná) localizado na latitude 23º39'40" Sul e longitude 51º59'25" Oeste, estando a uma altitude média de 428 metros. As avaliações de produtividade e da massa de mil sementes foram conduzidas no Laboratório de Tecnologia de Sementes do Núcleo de Pesquisa Aplicada à Agricultura (Nupagri), pertencente à Universidade Estadual de Maringá (UEM), Estado do Paraná.

O solo da área experimental foi classificado como ARGISSOLO VERMELHO Eutroférnco de textura argilosa (Embrapa, 1999). Segundo a classificação de Koeppen, o tipo climático predominante na área é o Cfa - subtropical úmido mesotérmico. Esse tipo de clima se caracteriza pela predominância de verões quentes, baixa frequência de geadas severas e uma tendência de concentração de chuvas no período de verão (Iapar, 1987). Os dados de precipitação pluvial, temperaturas máxima e mínima e umidade relativa do ar, referentes ao período de duração do experimento encontram-se na Tabela 1. Os resultados da análise química do solo, realizada antes da instalação do experimento, encontram-se na Tabela 2.

 

 

A área experimental foi previamente dessecada com 2,5 L ha-1 do herbicida Glifosato em mistura com 0,5 L ha-1 de óleo mineral. Os tratos culturais e adubação foram realizados conforme recomendações da Embrapa Soja (2005).

Foi utilizada no experimento, a cultivar de soja CD 216, pertencente ao grupo de maturação precoce, com ciclo médio de 112 dias. As sementes de soja foram semeadas com espaçamento de 0,45 m entre linhas, na profundidade de, aproximadamente, três centímetros e uma densidade de semeadura de 16 sementes por metro linear, em área de plantio direto. As parcelas foram constituídas de seis linhas de cinco metros de comprimento. Para as avaliações utilizou-se uma área útil de 5,4 m2, em que foram consideradas apenas as duas fileiras centrais, descartando-se 1 metro de cada extremidade das fileiras como bordaduras.

Os tratamentos foram compostos pelo tratamento de sementes com biorregulador e uma testemunha não tratada (controle), além de três doses do biorregulador aplicadas via foliar em dois estádios de desenvolvimento da cultura, ou seja, V5 e 3, mais uma testemunha sem aplicação. As dosagens utilizadas foram as seguintes: via tratamento de sementes (0 e 500 mL 100 kg-1 de sementes) e pulverização foliar (0; 250; 375 e 500 mL ha-1). O biorregulador na formulação líquida é composto por três reguladores vegetais: 0,9 g L-1 de cinetina (citocinina), 0,5 g L-1 de ácido giberélico (giberelina) e 0,5 g L-1 de ácido indol-butírico (auxina).

O tratamento de sementes com o biorregulador foi realizado por ocasião da semeadura, juntamente com a aplicação do fungicida Derosal Plus (Carbendazin + Thiram) na dose de 200 mL 100 kg-1 de sementes, em que, utilizando-se sacos plásticos para o condicionamento das sementes e, por meio de agitação manual, promoveu-se maior contato entre as sementes e o produto. Para as aplicações foliares, efetuadas nos estádios V5 e R3, foi utilizado pulverizador costal com capacidade de 20 L, com bico 0,2 ADGA duplo leque sem indução de ar, propiciando um volume de calda de 165,3 L ha-1.

Por ocasião do estádio R8, ou seja, quando 95% das vagens apresentavam a coloração típica de vagem madura (Fehr et al., 1971), foram efetuadas as seguintes determinações: altura média das plantas e número de vagens por planta.

Para a determinação da altura das plantas, foram avaliadas 10 plantas, escolhidas ao acaso na área útil das parcelas, realizando a medição com o auxílio de régua milimetrada, sendo os resultados expressos em centímetros. O número de vagens por planta foi avaliado por meio da contagem manual do número de vagens presentes nas mesmas 10 plantas escolhidas aleatoriamente na área útil de cada parcela.

As plantas foram colhidas manualmente, cinco a oito dias após o estádio de desenvolvimento R8. Em seguida, as sementes foram debulhadas das vagens em máquina trilhadora estacionária, limpas com o auxílio de peneiras, secas em condições naturais e acondicionadas em sacos de papel kraft.

Partindo-se do rendimento de sementes nas parcelas, foram calculadas as produtividades em kg ha-1 , para cada tratamento. Em seguida, foi determinada a massa de mil sementes, por meio da pesagem de oito subamostras de 100 sementes, para cada repetição de campo, com o auxílio de balança analítica com precisão de um miligrama, multiplicando-se os resultados por 10. Para o cálculo do rendimento e da massa de mil sementes, o grau de umidade das sementes, determinado por meio do método de estufa a 105±3ºC (Brasil, 1992), foi corrigido para 13% base úmida.

O delineamento experimental adotado foi em blocos completos casualizados, com quatro repetições. Os tratamentos foram arranjados no esquema fatorial 2 x 4 x 2 (tratamento de sementes x aplicação foliar x estádio de desenvolvimento), para os dois anos agrícolas. Os resultados foram submetidos à análise de variância e o teste F foi conclusivo na comparação das médias dos efeitos de tratamento de sementes e de estádios fenológicos. A análise de regressão foi utilizada para verificar o comportamento das variáveis, em função das doses de biorregulador, em nível de 5% de probabilidade.

 

Resultados e discussão

Os resultados da análise de variância revelaram efeitos significativos, em nível de 5% de probabilidade, para o efeito principal estádio de desenvolvimento, bem como para o desdobramento das interações de segunda ordem, nas variáveis produtividade e massa de mil sementes.

As médias da altura das plantas, do número de vagens por planta, da produtividade e da massa de mil sementes da cultivar CD 216, em resposta ao tratamento de sementes e aplicação foliar de diferentes doses do biorregulador, em dois estádios de desenvolvimento no ano agrícola 2005/06, encontram-se na Tabela 3.

 

 

Observa-se que, para os dados de altura das plantas e número de vagens por planta, o tratamento de sementes com o biorregulador não promoveu diferenças significativas (p > 0,05) na aplicação foliar do produto entre os dois estádios de desenvolvimento avaliados (V5 e R3), quando foram utilizadas as quatro doses do biorregulador na cultura da soja, nos dois anos agrícolas (Tabelas 4 e 5). Estes resultados contrariam aqueles obtidos por Milléo et al. (2000a), que observaram maior produção de vagens na cultura da soja com a aplicação de Stimulate® via tratamento de sementes. Fernandes et al. (1993), porém, observaram que houve decréscimo na altura das plantas, quando foi aplicado regulador vegetal via sementes, associado à aplicação via pulverização foliar.

 

 

 

 

Provavelmente, para o primeiro ano agrícola, o número de vagens por planta não diferiu significativamente entre o tratamento e a testemunha (Tabela 3), em virtude do estresse hídrico sofrido pela cultura no segundo decêndio de janeiro de 2006, período este que correspondeu à fase de enchimento dos grãos (Tabela 1). O déficit hídrico tem influência direta na taxa fotossintética, a qual está diretamente associada com a produção de fotoassimilados e, consequentemente, com a produtividade de sementes, e sua importância varia com o estádio fenológico em que se encontra a planta (Taiz e Zeiger, 2004). Este fato, provavelmente, comprometeu tanto a formação como o enchimento das vagens, em concordância com as observações realizadas por Araújo et al. (1996) e Alleoni et al. (2000).

Quanto à produtividade de sementes, observouse que, no primeiro ano agrícola, quando as sementes não foram tratadas com biorregulador, apenas na aplicação via foliar da dose de 375 mL ha-1 houve diferença significativa na referida característica, sendo que os melhores resultados foram obtidos quando o produto foi aplicado no estádio R3. Nesse caso, a produtividade foi significativamente superior, em relação à aplicação da mesma dose no estádio V5 (Tabela 3). Nas demais doses aplicadas via foliar não houve diferença significativa entre os estádios de desenvolvimento, quando não foi realizado o tratamento de sementes.

Todavia, quando as sementes foram previamente tratadas com o biorregulador, ainda no primeiro ano agrícola, foi possível observar que houve diferença significativa na produtividade com aplicação foliar do produto utilizando a dose de 250 mL ha-1, ou seja, a produtividade de sementes foi significativamente aumentada, quando foi realizada a pulverização foliar no estádio R3, em comparação com o mesmo tratamento aplicado no estádio V5 (Tabela 3). Em contrapartida, nas demais doses aplicadas via foliar, não houve diferenças significativas entre os estádios de desenvolvimento avaliados, quando foi realizado o tratamento de sementes com biorregulador.

Por meio da análise dos dados da Tabela 3, observa-se que, quando não foi realizado o tratamento de sementes com biorregulador no primeiro ano agrícola, não houve diferença significativa na massa de mil sementes entre os estádios de desenvolvimento V5 e R3, em todas as doses do produto aplicadas via foliar. Entretanto, ao se realizar o tratamento de sementes com biorregulador, os resultados foram semelhantes aos obtidos na avaliação da produtividade de sementes, ou seja, houve diferença significativa na massa de mil sementes, quando o produto foi aplicado via foliar no estádio R3, utilizando a dose de 250 mL ha-1. Nas demais doses aplicadas via foliar, não houve diferenças significativas entre os estádios de aplicação. Os resultados obtidos nesse ensaio indicaram que o biorregulador apresentou efeito benéfico em aumentar a massa de mil sementes, no tratamento em questão, que se refletiu em maior produtividade de sementes.

Para o segundo ano agrícola (Tabela 4), observou-se que, quando as sementes não foram tratadas com biorregulador, não houve diferença significativa na produtividade em nenhum dos demais tratamentos. No entanto, a produtividade de sementes foi aumentada significativamente, quando foi realizado o tratamento de sementes conjuntamente com aplicação via foliar na dose de 500 mL ha-1, no estádio R3, em comparação com o mesmo tratamento aplicado no estádio V5 .

Por meio da análise da Tabela 4, observa-se que, quando não foi realizado o tratamento de sementes com biorregulador, houve diferença significativa na massa de mil sementes, quando o produto foi aplicado via foliar no estádio R3, utilizando a dose de 500 mL ha-1. Entretanto, ao se realizar o tratamento de sementes com o produto, não houve diferença significativa entre os estádios de desenvolvimento V5 e R3, em todas as doses do biorregulador aplicadas via foliar.

As médias das características agronômicas e dos componentes do rendimento de sementes, em resposta à aplicação foliar de diferentes doses do biorregulador, com e sem tratamento de sementes, em dois estádios de desenvolvimento da cultura da soja no ano agrícola de 2005/06, encontram-se na Tabela 5.

Nos resultados da altura das plantas e do número de vagens por planta, observa-se que a aplicação do biorregulador via foliar nos dois estádios de desenvolvimento, ou seja, V5 e R3, não promoveu diferenças significativas nas referidas variáveis, quando o tratamento de sementes foi ou não realizado (Tabela 5). Resultados semelhantes foram obtidos por Castro (1981) e Laca-Buendia et al. (1984), porém trabalhando com outros tipos de biorreguladores. Reis Junior (2003), também observou que as alturas de planta e de inserção da 1ªvagem na cultura da soja não foram influenciadas pelo biorregulador. Contudo, Alleoni et al. (2000) e Milléo et al. (2000a), trabalhando com aplicações de Stimulate® nas culturas do feijoeiro e da soja, respectivamente, observaram aumentos significativos no número de vagens por planta, contrariando os resultados obtidos nesse trabalho.

Na avaliação da produtividade de sementes obtida no primeiro ano agrícola (Tabela 5), observa-se que não houve diferença significativa em todos os tratamentos, com exceção, da aplicação foliar de 250 mL ha-1 do biorregulador no estádio fenológico 3, em que a produtividade foi significativamente maior, quando foi realizado o tratamento prévio das sementes com o biorregulador. Os resultados obtidos indicaram que, para as condições desse trabalho e ano agrícola, o tratamento de sementes só foi efetivo em aumentar o rendimento da soja, quando foi realizado em conjunto com a pulverização foliar do produto no estádio R3, utilizando a dose de 250 mL ha-1. Esses resultados estão de acordo com Vieira e Castro (2001) e Castro et al. (2004), em que aplicações de Stimulate®, via tratamento de sementes, promoveram incrementos significativos na produtividade da cultura da soja.

Segundo Taiz e Zeiger (2004), hormônios e nutrientes são substâncias que controlam a relação fonte/dreno de assimilados em plantas. O maior rendimento alcançado no estádio reprodutivo R3 pode ser explicado por esta relação. Provavelmente, quando o estimulante é aplicado nesta fase, serve como dreno para a liberação e/ou remobilização de carboidratos, originando grãos verdadeiros e influenciando positivamente na produtividade.

Em relação à característica massa de mil sementes, no primeiro ano agrícola, nota-se que não houve diferença significativa, quando as sementes foram ou não tratadas com o biorregulador, independente da dose aplicada via foliar no estádio V5 (Tabela 5). Porém, ao se realizar a pulverização foliar do produto no estádio R3 com a dose de 375 mL ha-1, observa-se que a massa de mil sementes aumentou significativamente, quando as sementes foram concomitantemente tratadas.

Na Tabela 6 são apresentadas as médias das características agronômicas e dos componentes do rendimento de sementes, em resposta à aplicação foliar de diferentes doses do biorregulador, com e sem tratamento de sementes, em dois estádios de desenvolvimento da cultura da soja no ano agrícola de 2006/07.

 

 

A semelhança dos resultados obtidos no ano agrícola anterior, novamente não foi observada diferença significativa entre os tratamentos para as variáveis altura das plantas e número de vagens por planta (Tabela 6).

Ainda no segundo ano agrícola (Tabela 6), observa-se que independentemente de as pulverizações foliares serem realizadas em V5 ou R3, não houve diferença significativa em produtividade, quando foi ou não realizado o tratamento de sementes; nesse caso, supõese que a efetividade do biorregulador é mais pronunciada e apresenta melhores resultados quando há uma condição de estresse, como a seca que ocorreu no primeiro ano agrícola.

Porém, em relação à massa de mil sementes, para o ano de 2006/07, observou-se que ao se realizar a pulverização foliar do produto no estádio V5 com a dose de 500 mL ha-1, a massa de mil sementes aumentou significativamente, quando as sementes foram concomitantemente tratadas.

O comportamento das variáveis produtividade e massa de mil sementes, em função das doses crescentes do biorregulador aplicado via foliar, para o ano agrícola de 2005/06, está ilustrado na Figura 1.

 


 

Em relação aos valores de produtividade de sementes frente à aplicação crescente de doses de biorregulador via foliar no primeiro ano agrícola (Figura 1A), observou-se um comportamento quadrático para a referida variável, com a aplicação foliar do produto no estádio R3, associado com o tratamento de sementes.

A partir do ajuste da equação de regressão foi possível estimar a resposta máxima de produtividade de 2927,65 kg ha-1 (máximo da função), a qual pode ser alcançada pela aplicação da dose de 211,4 mL ha-1 (ponto de máximo) de biorregulador via foliar.

Aumentos na produtividade de sementes também foram encontrados em diversos outros trabalhos realizados com Stimulate® (Vieira e Castro, 2001; Milléo, 2002; Rodrigues e Domingues, 2002; Castro et al., 2004) e com Stimulate® 10X (Braccini et al, 2005) na cultura da soja.

Nota-se que os dados de massa de mil sementes para o primeiro ano agrícola apresentaram comportamento semelhante aos resultados obtidos na avaliação da produtividade, ou seja, o maior rendimento poderia ser justificado pelo aumento na massa de mil sementes. O tratamento de aplicação do biorregulador via foliar no estádio R3, associado ao tratamento de sementes, permitiu o ajuste de equação de regressão quadrática para a característica massa de mil sementes (Figura 1B). A partir da equação de regressão ajustada foi possível estimar a resposta máxima da massa de mil sementes em 136,16 g, a qual foi alcançada pela aplicação da dose de 265 mL ha-1 de biorregulador via foliar (ponto de máximo).

Para o segundo ano agrícola (2006/07) não foi observada diferença significativa da aplicação foliar de doses crescentes do biorregulador, tanto para os dados de produtividade como para a massa de mil sementes (Tabela 7). Observa-se, contudo, que os resultados obtidos no segundo ano agrícola para as duas características avaliadas foram superiores aqueles do primeiro ano, em virtude das condições climáticas mais favoráveis observadas em 2006/07 (Tabela 1).

 

 

Portanto, a partir dos resultados obtidos é possível inferir que um dos princípios básicos para melhorar a eficácia do biorregulador na cultura da soja foi a condição climática adversa, ou seja, a ocorrência de veranico no primeiro ano em estudo.

Os resultados dos dois anos agrícolas demonstraram que há a necessidade de mais estudos em relação à eficácia do uso do biorregulador na cultura da soja.

 

Conclusão

As características altura das plantas e número de vagens por planta não foram influenciadas pela aplicação do biorregulador nos dois anos agrícolas.

No ano agrícola de 2005/06, a maior produtividade de sementes (2.927 kg ha-1) foi alcançada pela aplicação da dose de 211 mL ha-1 de biorregulador via foliar no estádio R3, associado com o tratamento de sementes.

No segundo ano agrícola não houve diferença significativa (p > 0,05) entre os tratamentos na produtividade sementes, muito embora os resultados alcançados tenham sido superiores aos obtidos no primeiro ano.

Um dos princípios básicos para melhorar a eficácia do biorregulador na cultura da soja é a condição climática adversa.

 

Referências

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Received onJuly 06, 2007.
Accepted on October 16, 2007.

 

 

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* Autor para correspondência. E-mail: lmoterle@hotmail.com

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