SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.81 número2Virulência de nematoides entomopatogênicos (Rhabditida: Steinernematidae, Heterorhabditidae) para cigarrinha-das-pastagens Mahanarva spectabilis (Hemiptera: Cercopidae)Aplicação de fungicidas na soja baseada na detecção de uredósporos de Phakopsora pachyrhizi índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

  • nova página do texto(beta)
  • Português (pdf)
  • Artigo em XML
  • Como citar este artigo
  • SciELO Analytics
  • Curriculum ScienTI
  • Tradução automática

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Arquivos do Instituto Biológico

versão On-line ISSN 1808-1657

Arq. Inst. Biol. vol.81 no.2 São Paulo abr./jun. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1808-1657001792011 

Scientific Article

Seletividade de inseticidas a alguns dos inimigos naturais na cultura do algodão

Selectivity of insecticides to some natural enemies in the culture of cotton

Elizio Pereira Diamantino 1  

Maria Aparecida Castellani 2   * 

Luiz Carlos Forti 3  

Aldenise Alves Moreira 2  

Alcebíades Rebouças São José 2  

Juliana Alves de Macedo 4  

Fabiano de Sousa Oliveira 4  

Bruna Santos Silva 4  

1Programa de Pós-Graduação em Agronomia; Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) - Vitória da Conquista (BA), Brasil

2Departamento de Fitotecnia e Zootecnia; UESB - Vitória da Conquista (BA), Brasil

3Faculdade de Ciências Agronômicas; Universidade Estadual "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) - Botucatu (SP), Brasil

4Programa de Iniciação Científica; UESB - Vitória da Conquista (BA), Brasil

RESUMO

O objetivo foi estudar a seletividade de inseticidas aos inimigos naturais na cultura do algodão (Gossypium hirsutum L.r. latifolium Hurtch), cultivar DeltaOpal, no município de Malhada (BA) e conhecer a fauna benéfica associada. O trabalho foi conduzido na safra 2010/2011, com delineamento experimental em blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições, sendo os tratamentos: (1) Fipronil 200 SC (0,38 L.ha-1); (2) Alfacipermetrina 100 SC (0,30 L.ha-1); (3) Lufenuron 50 CE (0,30 L.ha-1); (4) Imidacloprid 200 SC (0,30 L.ha-1); (5) Paration Metil 600 CE (1,00 L.ha-1); e (6) Testemunha (água). A aplicação dos produtos foi feita 80 dias após a emergência, com avaliações um dia antes da aplicação e 1, 7 e 14 dias após a aplicação (DAA) por meio do pano de batida e armadilha Moericke. Em laboratório, os insetos foram triados, contados e identificados em famílias. A toxicidade dos produtos varia em função do grupo do inimigo natural. A Imidacloprida é seletiva às aranhas, sendo os demais inseticidas medianamente tóxicos (Alfacipermetrina e Paration Metil: 1º e 14º DAA; Lufenuron: 14º DAA) ou tóxicos (Fipronil e Alfacipermetrina: 7º DAA). Fipronil (1º DAA), Alfacipermetrina (7º DAA) e Paration Metil (14º DAA) são medianamente tóxicos aos adultos de joaninhas. Os inseticidas estudados são tóxicos às larvas de joaninhas, com mais impacto até os sete dias após a aplicação, com exceção do Paration Metil, classificado como inócuo até esse período. Registra-se a ocorrência de 13 famílias de aranhas e 18 famílias de hymenópteros parasitoides em agroecossistema de algodão na região de Malhada (BA).

Palavras-Chave: controle biológico; controle químico; manejo integrado; parasitoides; predadores

ABSTRACT

The aim of this work was study the selectivity of insecticides in favor of natural enemies in cotton (Gossypium hirsutum latifolium Hurtch Lr), DeltaOpal cultivar, in the city of Malhada (BA), and to know the associated beneficial fauna. The study was conducted at the agricultural year of 2010/2011. The design was conducted in randomized blocks with six treatments and four replications. The treatments were: (1) Fipronil 200 SC (0.38 L.ha-1); (2) Alphacypermethrin 100 SC (0.30 L.ha-1), (3) Lufenuron 50 EC (0.30 L.ha-1), (4) Imidacloprid 200 SC (0.30 L.ha-1), (5) Methyl parathion 600 EC (1.00 L.ha-1), and (6) control (water). The product was applied 80 days after emergence, and the evaluations were performed one day before application and 1, 7 and 14 days after application (DAA). The samples were taken using the sampling method beating cloth and Moericke traps. Natural enemies were brought to the laboratory for sorting, counting and identification by family. The toxicity of the products ranged according to the group of natural enemies. Imidacloprid is selective to the spiders and insecticides are moderately toxic (Methyl Parathion and Alphacypermethrin: 1 and 14th DAA; Lufenuron: 14th DAA) or toxic (Fipronil and Alphacypermethrin: 7thDAA). Fipronil (1 DAA), Alphacypermethrin (7th DAA) and Methyl Parathion (14th DAA) are moderately toxic to adult ladybirds. The analyzed insecticides are toxic to the larvae of ladybirds, with more impact until seven days after the application, with the exception of Methyl Parathion classified, as innocuous until this period. The occurrence of 13 families of spiders and 18 families of parasitic Hymenoptera is registered in cotton agroecosystems in the region of Malhada, in the state of Bahia.

Key words: biological control; chemical control; integrated management; parasitoids; predators

INTRODUÇÃO

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de algodão, ocupando a quinta colocação, e o quarto maior exportador, apresentando recorde histórico de área plantada: quase 1,4 milhão de hectares e produção de 1,96 milhão de toneladas em pluma na safra 2010/2011. No entanto, na safra 2012/2013 registrou-se queda de 37% em área plantada em relação à temporada de 2011/2012, caindo de 1.393.739 hectares para 869.887 hectares na atual safra, ou seja, é um momento de ajuste na produção nacional. Os estados de Mato Grosso e Bahia são responsáveis por 83,2% da lavoura brasileira de algodão, sendo a Bahia o segundo produtor nacional (REETZ et al., 2013), com destaque para a região oeste do Estado, que responde por mais de 90% da produção.

A cultura do algodão hospeda várias espécies de artrópodes-pragas, o que exige o uso de inseticidas, muitas vezes, de forma irracional. Por outro lado, o agroecossistema dessa cultura é também rico em inimigos naturais, importantes agentes do controle biológico (SILVA; ALMEIDA, 1998). Apesar dos diversos métodos de controle que podem ser utilizados para supressão das pragas do algodoeiro, atualmente quase todos os sistemas de produção são dependentes do uso de inseticidas (DEGRANDE, 1998), desconsiderando-se, na maioria das vezes, os efeitos adversos desses compostos nos artrópodes predadores e parasitoides, podendo ocasionar surtos de pragas secundárias, ressurgência e resistência das pragas aos inseticidas (CAMPOS et al., 1986; BUSOLI, 1991), dentre outros impactos negativos.

Considerando os princípios do manejo integrado de pragas, as aplicações de inseticidas devem ser feitas somente quando necessárias, e esta decisão foi tomada em função do nível de controle específico de cada inseto praga (ALVES; SERIKAWA, 2006). O manejo integrado tem na seletividade de inseticidas um dos seus componentes básicos, permitindo a preservação dos inimigos naturais (CROCOMO, 1990), cuja abundância e importância variam consideravelmente de ano a ano e de região a região (GRAVENA; CUNHA, 1991; EVANGELISTA JÚNIOR et al., 2006).

No Brasil, estudos em campo sobre a seletividade de inseticidas químicos e biológicos a inimigos naturais da cultura do algodão têm sido desenvolvidos em diferentes regiões produtoras, com ênfase na ação dos produtos sobre predadores (NUNES et al.,1999; SOARES; BUSOLI, 2000; CZEPAK et al., 2005; LIMA JÚNIOR et al., 2010, 36). São escassos os trabalhos em campo que avaliam os impactos sobre parasitoides (PERIOTO et al., 2001). Tais estudos englobam inseticidas registrados para a cultura há bastante tempo, como o endosulfan (NUNES et al., 1999; SOARES; BUSOLI, 2000; CZEPAK et al., 2005), paration metil (FONSECA et al., 2008), dentre outros, bem como inseticidas dos grupos químicos dos neonicotinoides (CZEPAK et al., 2005) e fenil pirazóis (SOARES; BUSOLI, 2000), de registro mais recente para a cultura, a exemplo dos princípios ativos imidacloprida e fipronil, respectivamente. Alguns estudos envolvem também inseticidas reguladores de crescimento dos insetos (NUNES et al., 1999). De modo geral, constata-se a variação na classificação dos inseticidas em função dos diferentes tipos de inimigos naturais, das metodologias de avaliação utilizadas, da formulação e regiões estudadas, o que dificulta a recomendação segura aos produtores de inseticidas seletivos nas diferentes regiões de cultivo.

Na Bahia, o algodão é plantado nas regiões oeste e sudoeste, com manejos relativamente diferenciados, predominando um sistema empresarial no oeste e um familiar no sudoeste. No entanto, em ambas as regiões o uso de inseticidas é intenso, não havendo subsídios científicos que possam respaldar a recomendação de produtos seletivos aos inimigos naturais para as diferentes condições edafoclimáticas e de sistema de cultivo. Recentemente, constatou-se a presença da praga Helicoverpa armigera(Hübner), que ainda não havia sido identificada no Brasil (CZEPAK et al., 2013), e que destruiu principalmente lavouras do oeste da Bahia, com perdas estimadas em mais de R$ 1 bilhão. Tais perdas podem chegar a mais de R$ 2 bilhões em todo o país, o que levou o governo brasileiro a decretar estado de emergência fitossanitária (REETZ et al., 2013). A entrada desta praga está provocando mudanças no manejo fitossanitário dos cultivos, com aplicações mais frequentes de inseticidas que agravam a situação de desequilíbrio e trazem riscos de maior impacto na entomofauna benéfica.

Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi estudar a seletividade de inseticidas em favor dos inimigos naturais na cultura do algodão, bem como ampliar os conhecimentos sobre essa fauna benéfica nas condições ecológicas do sudoeste da Bahia, visando à geração de subsídios que possam contribuir para o aperfeiçoamento de programas de manejo integrado de pragas.

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi desenvolvido na Fazenda Oliveira, localizada no município de Malhada, sudoeste da Bahia (altitude 433 m, Latitude 14º 16´ S e Longitude 43º 35´ W), no ano agrícola de 2010/2011.

O cultivar utilizado foi DeltaOpal, com semeadura mecânica com um trator Ford 5.610, acoplado com uma plantadeira Jumil de quatro linhas, realizada no dia 05 de novembro de 2010. Adotou-se o espaçamento de 0,75 m entre linhas, procedendo-se ao desbaste logo após a germinação, deixando cinco plantas por metro linear. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com seis tratamentos e quatro repetições, sendo cada parcela experimental constituída de nove linhas da cultura com 13 m de comprimento, compreendendo 87,8 m2. As cinco linhas centrais foram consideradas como úteis para efeito de avaliação. Foram selecionados produtos recomendados para a cultura e os mais utilizados na região em estudo. Os tratamentos empregados foram: (1) Fipronil 200 SC (0,38 L.ha-1); (2) Alfacipermetrina 100 SC (0,30 L.ha-1); (3) Lufenuron 50 CE (0,30 L.ha-1); (4) Imidacloprid 200 SC (0,30 L.ha-1); (5) Paration Metil 600 CE (1,00 L.ha-1); e (6) Testemunha (água). A aplicação dos produtos foi realizada 80 dias após a emergência das plantas (DAE), utilizando um pulverizador costal manual de pressão constante (CO2), munido de bicos XR 110 - 02, tipo jato plano (leque), operando com pressão de 2 bar, e com uma vazão de 200 L de calda por hectare. As caldas foram preparadas no dia da aplicação e acondicionadas em garrafas PET devidamente identificadas. Ao final da aplicação de cada tratamento, o sistema era lavado. A aplicação foi realizada no período das 7h00 às 10h00, sendo iniciada com temperatura de 29,5ºC e 51% de umidade relativa. Para evitar contaminação por deriva, procedeu-se à cobertura das duas parcelas próximas daquela que estava sendo pulverizada, utilizando-se lona plástica com a mesma dimensão das parcelas.

Foram realizadas quatro amostragens, uma um dia antes da aplicação (prévia) e três após a pulverização, no 1º, 7º e 14º dia após a aplicação (DAA), utilizando-se os métodos de batida no pano para coleta de predadores e armadilha Moericke para himenópteros parasitoides. Em seguida, foram empregadas a metodologia descrita por DEGRANDE et al. (2003) e a modificada de PERIOTO et al. (2002), respectivamente. Em cada parcela foram realizadas quatro batidas, envolvendo um total de 40 plantas. Artrópodes vivos e mortos caídos no pano foram coletados e acondicionados em potes plásticos, contendo álcool 70%, e levados ao Laboratório de Entomologia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista, para triagem, contagem e identificação. Para coleta dos himenópteros parasitoides, foram distribuídas quatro armadilhas Moericke por parcela, em um total de 16 por tratamento, equidistantes 4 metros, colocadas rentes ao chão com 1/3 de sua capacidade contendo água e detergente. As armadilhas permaneceram 48 horas no campo; após este período, o conteúdo da armadilha foi acondicionado em potes plásticos para posterior triagem. A transferência dos insetos das armadilhas para os potes plásticos era feita no campo com auxílio de pincel e peneira.

O complexo de inimigos naturais foi avaliado de maneira global, por meio da somatória dos indivíduos dos principais grupos ocorrentes, e os dados tabulados foram transformados em √X+0,5, sendo submetidos à análise de variância. As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Foram calculadas as porcentagens de redução das populações dos inimigos naturais, utilizando-se a fórmula de HENDERSON; TILTON (1955). A classificação dos inseticidas testados quanto à toxicidade foi realizada segundo a escala da International Organization for Biological and Integrated Control of Noxious Animals and Plants (IOBC) (BOLLER et al., 2005), em função da redução da população dos inimigos naturais: a) inócuo ou levemente tóxico (N): 0 a 50%; moderadamente tóxico (M): 51 a 75%; e c) tóxico (T): acima de 75%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Efeito dos inseticidas sobre predadores

Aranhas (Arachnida: Araneae), formigas (Hymenoptera: Formicidae) e joaninhas (Coleoptera: Coccinellidae) foram os predadores de maior abundância capturados durante o período experimental. Na avaliação prévia, não foram verificadas diferenças significativas entre os tratamentos, indicando uniformidade da abundância dos grupos na área antes das aplicações dos inseticidas, apesar de ter havido diferenças no número médio de aranhas entre o tratamento T3 (lufenuron) e os tratamentos T1 (fipronil) e T4 (imidacloprida), não diferindo, contudo, da testemunha (Tabela 1). No primeiro dia após a aplicação, houve um decréscimo bastante acentuado em termos absolutos no número médio dos predadores de todos os tratamentos com inseticidas, em relação à avaliação prévia e testemunha, exceto para aranhas no tratamento T3 (lufenuron) (Tabela 1). Nessa avaliação, efeitos negativos significativos dos inseticidas somente foram constatados para as aranhas, com maior impacto causado pelo tratamento T5 (paration metil), seguido do T1 (fipronil) e T2 (alfacipermetrina), embora estes dois últimos não tenham diferido da testemunha. Isso evidencia o impacto dos inseticidas sobre a entomofauna benéfica, principalmente os de ação de choque, como os piretroides e os organofosforados. Na avaliação realizada aos sete dias, também só foram verificados efeitos significativos para o número médio de aranhas, sendo o tratamento T2 (alfacipermetrina) o que determinou maior impacto, seguido pelo fipronil (T1), embora este não tenha diferido da testemunha (Tabela 1). O fipronil pertence ao grupo químico fenil-pirazol, cujo modo de ação não segue o caminho bioquímico dos piretroides (bloqueadores do canal de sódio) e dos organofosforados e carbamatos (inibidores da acetilcolinesterase). O produto é neurotóxico também, porém, atua bloqueando a passagem de íons de cloro pelo canal regulado pelo ácido gama-aminobutírico (GABA), sendo ativo principalmente por ingestão (BOARETTO; FORTI, 1997). O fipronil demonstra toxicidade seletiva por possuir uma ligação mais forte aos canais de cloro dos insetos do que dos mamíferos, apresentando menor toxicidade aos vertebrados de modo geral (COUTINHO et al., 2005; GUNASEKARA; TROUNG, 2007). Na avaliação do 14º dia após aplicação, não houve diferença significativa entre os tratamentos, sendo observado um restabelecimento da abundância de predadores na área (Tabela 2).

Tabela 1 Número médio de larvas, adultos e total de joaninhas, aranhas e formigas coletados na cultura do algodão, na avaliação prévia e no primeiro dia após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA), 2011. 

Tratamentos PRÉVIA 1º DAA
  JL   JA   JT   AR    F    JL    JA    JT   AR     F
T1 - Fipronil 14,50a 8,25a 22,75a 16,50b 18,75a 0,50a   2,25a   2,75a 11,00bc   0,75a
T2 - Alfacpermetrina 6,75a 5,50a 12,25a 22,50ab 13,75a 3,50a   6,00a   6,00a 14,75bc   8,00a
T3 - Lufenuron 7,50a 5,25a 12,75a 28,75a   9,50a 2,25a   8,00a 10,25a 33,25a 14,25a
T4 - Imidacloprid 5,50a 4,25a   9,75a 15,75b 12,25a 1,55a   3,25a   4,50a 16,50abc   2,75a
T5 - Paration Metil 3,50a 4,50a   8,00a 20,75ab 12,00a 3,25a   2,50a   5,75a 10,00c   0,25a
T6 - Testemunha 3,75a 7,25a 11,00a 18,25ab 29,00a 3,25a   5,75a   9,00a 25,75ab 12,75a
C. V. 51,81 23,50 31,44 12,06 55,33 29,34 35,38 26,44 18,65 91,67

Médias seguidas da mesma letra nas colunas não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Análise de variância realizada com dados transformados em raiz de vX+0,5 .

JL: larvas

JA: adultos

JT: total de joaninhas

AR: aranhas

F: formigas.

Tabela 2 Número médio de larvas, adultos e total de joaninhas, aranhas e formigas coletados na cultura do algodão, no sétimo e décimo quarto dias após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA) 2011. 

Tratamentos 7º DAA 14º DAA
JL JA JT AR F JL JA JT AR F
T1- Fipronil 2,50a 2,25a 4,75a 2,03bc 1,25a 7,75a 5,75a 13,50a 15,50a 2,00a
T2 - Alfacipermetrina 4,25a 0,50a 4,75a 1,77c 2,00a 4,00a 3,50a 7,50a 10,50a 13,50a
T3 - Lufenuron 2,75a 3,25a 6,00a 16,25a 10,75a 9,00a 5,50a 14,50a 15,75a 7,75a
T4 - Imidacloprid 0,75a 1,50a 2,25a 14,25a 30,75a 4,75a 2,25a 7,00a 16,25a 20,00a
T5 - Paration Metil 3,75a 4,25a 8,00a 11,25ab 17,25a 2,50a 1,00a 3,50a 11,75a 3,75a
T6 - Testemunha 5,50a 2,00a 7,50a 11,50ab 24,25a 5,50a 5,25a 10,75a 21,50a 16,25a
C. V. 55,49 31,92 46,65 20,48 68,88 36,53 30,27 30,98 19,47 65,14

Médias seguidas da mesma letra nas colunas não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Análise de variância realizada com dados transformados em raiz de vX+0,5.

JL: larvas

JA: adultos

JT: total de joaninhas

AR: aranhas

F: formigas

Quanto à toxicidade, para joaninhas, ao considerar o total de larvas e adultos, constata-se que na primeira avaliação o produto fipronil foi tóxico, e os demais, seletivos; na segunda avaliação, fipronil e imidacloprida foram medianamente tóxicos, sendo os demais seletivos (Tabela 3); e aos 14 dias, apenas o T5 (paration metil) foi moderamente tóxico, e os demais, seletivos (Tabela 4). No entanto, ao se considerar apenas larvas, em todo o experimento constata-se que estas foram mais sensíveis aos produtos do que os adultos. Na primeira avaliação, o tratamento T1 (fipronil) foi tóxico, e o T3 (lufenuron) e o T4 (imidacloprida) foram classificados como medianamente tóxicos a essa fase de desenvolvimento; enquanto isso, aos sete dias, fipronil (T1), lufenuron (T3) e imidacloprida (T4) mostraram-se tóxicos, e alfacipermetrina (T2), medianamente tóxico, sendo seletivo somente o paration metil (T5) (Tabela 3). Ainda para larvas de joaninhas, aos 14 dias os tratamentos T1 (fipronil), T2 (alfacipermetrina) e T5 (paration metil) foram classificados como medianamente tóxicos (Tabela 4). Esses resultados indicam a importância de se avaliar larvas e adultos, porque geralmente larvas de algumas espécies de joaninha são encontradas em maior abundância do que adultos, a exemplo do trabalho de COSTA et al. (2010), que demonstraram que joaninhas do gênero Scymnusforam as mais abundantes dentre os coccinelídeos, com maior quantidade de larvas desse grupo de joaninhas e com predomínio de adultos de E. connexa.Quanto ao fipronil, os dados discordam daqueles apresentados por SOARES; BUSOLI (2000), cujos autores consideraram o produto seletivo às joaninhas (Coleoptera: Coccinelidae) Scymnus sp. e Cycloneda sanguinea (L., 1763).

Tabela 3 Porcentagem (%) de redução das populações de larvas, adultos e total de joaninhas, aranhas e formigas na cultura do algodão, no primeiro e sétimo dias após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA), 2011. 

Tratamentos 1º DAA 7º DAA
JL (%) JA (%) JT (%) AR (%) F (%) JL (%) JA (%) TJ (%) AR (%) F (%)
T1- Fipronil 96,02T 66,60M 85,20T 33,00N 90,90T 88,24T   1,20N 69,38M 81,40T 92,03T
T2 - Alfacipermetrina 40,17N  0,00N 40,14N 54,00M   0,00N 57,10M 67,05M 43,13N 80,50T 82,60T
T3 - Lufenuron 65,38M  0,00N   1,74N 20,50N   0,00N 97,60T   0,00N 31,98N 10,30N 15,00N
T4 - Imidaclopid 67,48M  4,00N 43,60N 25,00N 48,94N 90,70T   0,00N 66,15N   0,00N  0,00N
T5 - Paration Metil 00,00N 30,00N 12,15N 66,00M 95,26T 27,00N   0,00N   0,00N 14,00N  0,00N

Eficiência determinada segundo Henderson

Tilton (1955). Classificação da seletividade segundo escala de Boller et al. (2005), onde

N: inócuo ou levemente tóxico

M: moderadamente tóxico

T: tóxico

JL: larvas

JA: adultos

JT: total de joaninhas

AR: aranhas

F: formigas

Tabela 4 Porcentagem (%) de redução das populações de larvas, adultos e total de joaninhas, aranhas e formigas coletados na cultura do algodão, no décimo quarto dia após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA), 2011. 

Tratamentos 14º DAA
JL (%) JA (%) JT (%) AR (%) F (%) TG (%)
T1- Fipronil 63,56M   3,75N 39,28N 20,26N 81,00T 33,10N
T2 - Alfacipermetrina 59,60M 12,12N 37,35N 60,40M   0,00N 26,33N
T3 - Lufenuron 18,18N   0,00N   0,00N 53,50M   0,00N 16,00N
T4 - Imidaclopid 41,12N 30,04N 26,54N 12,42N   0,00N   0,00N
T5 - Paration Metil 51,56M 69,31M 55,23M 52,00M 44,23N 38,43N

Eficiência determinada segundo Henderson

Tilton (1955). Classificação da seletividade segundo escala de Boller et al. (2005), onde

N: inócuo ou levemente tóxico

M: moderadamente tóxico

T: tóxico

JL: larvas

JA: adultos

JT: total de joaninhas

AR: aranhas

F: formigas

Com relação às aranhas, os tratamentos T1 (fipronil), T2 (alfacipermetrina) e T5 (paration metil) foram medianamente tóxicos na primeira avaliação, e os demais, inócuos; na segunda avaliação, apenas os tratamentos T1(fipronil) e T4 (imidacloprida) apresentaram-se como tóxicos (Tabela 3); enquanto isso, aos 14 dias, os tratamentos T1 (fipronil) e T4 (imidacloprida) foram inócuos, sendo os demais medianamente tóxicos (Tabela 4). Com relação aos piretroides, SUEKANE et al. (2011)verificaram efeitos prejudiciais de bifentrina e fenpropatrina a joaninhas do gênero Scymnus e a aranhas em cultivo de algodão nas condições de Dourados (MS), concordando em parte com os resultados do presente trabalho.

Quanto às formigas predadoras, o fipronil (T1) apresentou-se como tóxico em todas as avaliações (Tabelas 3 e 4); a alfacipermetrina (T2) variou de inócua (primeira e terceira avaliação) a tóxica (segunda avaliação); o lufenuron (T3) e a imidacloprida (T4) foram classificados como inócuos em todas as avaliações; e o paration metil (T5) foi classificado como tóxico na primeira avaliação e inócuo aos 7 e 14 dias da aplicação. Neste trabalho, a amostragem de formigas pela batida no pano, que implica em agitar as plantas vigorosamente para provocar a queda dos insetos no pano, pode não ter sido representativa do agroecossistema estudado. Segundo MONTEIRO (2008), as formigas predadoras forrageiam principalmente no solo, e raramente nas plantas; ocorrem baixas taxas de ocupação de algodoeiros G. hirsutum por formigas (menos de 20% das plantas), o que inviabiliza o estabelecimento de conclusões sobre a seletividade dos produtos estudados a esses insetos.

Os resultados indicam que o fipronil tem forte ação de choque, na formulação utilizada (líquida), sobre os grupos de predadores estudados. Apesar de ser um princípio ativo usado em iscas tóxicas para o controle de formigas cortadeiras, cujo princípio básico é a ação retardada por ingestão (BOARETTO; FORTI, 1997), inseticidas à base de fipronil têm sido recomendados para uso em pulverizações nas culturas de algodão, arroz, cana-de-açúcar, milho e soja, assim como em sementes de arroz, cevada, soja, feijão e na água para irrigação do arroz (COUTINHO et al., 2005). O piretroide alfacipermetrina mostrou-se moderadamente tóxico às aranhas e moderadamente tóxico às formigas, sendo inócuo aos demais predadores, o que está parcialmente de acordo com alguns estudos registrados na literatura (FONSECA et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2008; SUEKANE et al., 2011). FONSECA et al. (2007) verificaram que a aplicação de piretroide à base de lambdacialotrina resultou em redução de 43,8% das aranhas em cultivo de algodão, com recolonização dos predadores 10 dias após a aplicação. No milho, a deltametrina não afetou o complexo de predadores da parte aérea das plantas (MICHEREFF FILHO et al., 2002), mostrando toxicidade seletiva ao grupo de aranhas. O inseticida à base de imidacloprida foi seletivo às aranhas, concordando com os resultados obtidos por FONSECA et al. (2008). Quanto ao paration metil, os resultados discordam dos estudos realizados em algodão por FONSECA et al. (2008) , e em cultivo de arroz irrigado, por OLIVEIRA et al. (2011). Nesses dois trabalhos, o paration metil foi considerado seletivo às aranhas.

Comunidade de aranhas

As aranhas dividem-se, normalmente, em três subordens: a) Mesothelae: caracterizadas por carácteres primitivos, sendo suas espécies exclusivas da região asiática; b) Mygalomorphae: popularmente conhecidas como caranguejeiras; e c) Araneomorphae: aranhas verdadeiras, que englobam cerca de 90% das aranhas conhecidas. A maioria das aranhas é noturna e ocupa muitos ambientes naturais e cultivados (AQUINO et al., 2007).

Foram coletadas 994 aranhas, distribuídas em 13 famílias, destacando-se Thomisidae, com 60,36%, e Araneidae, com 11,97%, como as mais abundantes, totalizando 72,33% do total (Tabela 5). Na avaliação prévia, foram constatadas 10 famílias e, após a aplicação de inseticidas, a diversidade subiu para 11 famílias, permanecendo assim até os 14 dias após a aplicação. Não foram encontrados representantes das famílias Licosidae, Pholcidae e Sparassidae na avaliação prévia, as quais apareceram, contudo, em baixo número nas avaliações após as aplicações.

Tabela 5 Número e porcentagem (%) de aranhas coletadas na batida do pano na cultura do algodão, em função das famílias. Malhada (BA), 2011. 

Família Prévia
(Nº)
1º DAA
(Nº)
7º DAA
(Nº)
14º DAA
(Nº)
Total
(Nº)
%
Anyphaenidae 24 27 7 21 79 7,95
Araneidae 35 28 25 31 119 11,97
Corinnidae 1 1 1 1 4 0,40
Lycosidade 0 0 0 1 1 0,10
Linyphiidae 7 9 2 2 20 2,01
Miturgidae 13 4 0 8 25 2,52
Oxyopidae 8 12 11 4 35 3,52
Philodromidae 20 26 6 10 62 6,24
Pholcidae 0 0 1 0 1 0,10
Salticidae 4 8 1 3 16 1,61
Sparassidae 0 1 2 0 3 0,30
Theridiidae 5 18 1 5 29 2,92
Thomisidae 205 148 96 151 600 60,36
TOTAL 322 282 153 237 994 100
% 32,40 28,37 15,40 23,84 100 100
Total de Famílias 10 11 11 11

Segundo EKSCHMITT et al. (1997, apud AQUINO et al., 2007), existem certos agroecossistemas mais favoráveis à utilização das aranhas no controle biológico em relação a outros, como os sistemas orgânicos, plantio direto, culturas perenes e policultivos. Para esses autores, o cultivo anual com aração e gradagem promove perturbação contínua no habitat das aranhas, afetando negativamente sua abundância e efetividade no controle biológico. Por outro lado, RINALDI; RUIZ (2002) relataram que levantamentos de aranhas em áreas agrícolas têm revelado alta diversidade desses artrópodes, fato que discorda da ideia de que os sistemas agrícolas são simplificados quanto à araneofauna. Os dados obtidos sobre as aranhas neste trabalho foram relativamente similares, em termos de diversidade de famílias, aos resultados de levantamentos desse grupo de predadores em outros ambientes, tanto naturais como agroecossistemas. Em seis tipos de ambientes diferenciados pelo manejo e vegetação, RINALDI; FORTI (1997) coletaram um total de 12 famílias de aranhas, variando de 3 a 12 nos diferentes ambientes, sendo as menores diversidades nas áreas agrícolas (sete famílias em cana-de-açúcar e três em pastagem). Em cultivo de cana-de-açúcar, no estado de São Paulo, RINALDI et al. (2002) coletaram 1.291 espécimes de aranhas distribuídas em 20 famílias, sendo Theridiidae, Salticidae, Anyphaenidae e Aranaeidae as mais abundantes. Os autores ressaltaram que, apesar das condições climáticas adversas, dos tratamentos químicos, dos distúrbios agrícolas, do solo descoberto e, especialmente, das queimadas periódicas, o agroecossistema de cana-de-açúcar tem uma fauna de aranhas bastante diversa. A comunidade de aranhas para um mesmo cultivo em diferentes regiões produtoras de seringueira, no estado de São Paulo, variou, sendo maior nas regiões de Cedral e Taquaritinga do que em Pindoramalias, com 19, 19 e 17 famílias, respectivamente. As famílias Anyphaenidae, Salticidae, Theridiidae e Corinnidae foram as mais abundantes nos três cultivos (RINALDI; RUIZ, 2002). Situação semelhante ocorreu em manchas de cerrado, sendo encontrados números diferenciados de famílias em função do município amostrado, sendo 12 em São Carlos, 18 em Pirassununga e 16 em Luís Antônio (RINALDI; TRINCA, 2008). Segundo MARC et al. (1999, apud AQUINO et al., 2007), as aranhas são amplamente diversas, apresentando diferentes grupos funcionais em relação às estratégias de predação, modo de dispersão e grande habilidade para resistir às condições ecológicas adversas.

Efeito dos inseticidas sobre himenópteros parasitoides

Na avaliação prévia, não houve diferença significativa entre tratamentos, demonstrando uniformidade da área experimental em relação aos parasitoides (Tabela 6). Não foi possível realizar as análises de variância após a aplicação dos inseticidas pelo fato de ter ocorrido, em termos absolutos, uma redução bastante acentuada da população de parasitoides no primeiro e no sétimo dia após a aplicação dos inseticidas, com sinais de recuperação no 14ª dia. BUSOLI et al. (2007) relataram que os agentes de controle biológico natural, como os parasitoides, têm suas ações reduzidas por fatores abióticos, bióticos e pelo uso indiscriminado de inseticidas, provocando vácuo biótico, quando avaliaram o parasitismo natural em lagartas de Trichoplusia ni em algodoeiro no centro-oeste do Brasil.

Tabela 6 Número médio de parasitoides coletados na cultura do algodão, nas avaliações prévias e no 1º, 7º e 14º dias após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA), 2011. 

Tratamentos Prévia*
(Nº)
1º DAA**
(Nº)
7º DAA**
(Nº)
14º DAA**
(Nº)
T1 - Fipronil 10,25a 0,75 0,50 3,25
T2 - Alfacipermetrina 07,25a 1,75 0,50 3,50
T3 - Lufenuron 08,75a 1,00 0,00 4,50
T4 - Imidacloprid 06,75a 0,75 1,00 3,25
T5 - Paration Metil 08,50a 0,50 0,25 3,00
T6 - Testemunha 08,00a 0,75 0,75 3,25

Médias seguidas da mesma letra nas colunas não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade

*Análise de variância realizada com dados transformados em vX+0,5

**Análise de variância não realizada.

Quanto à porcentagem de mortalidade dos himenópteros parasitoides (Tabela 7), observa-se que, no primeiro dia após a aplicação, todos os tratamentos foram seletivos, com mortalidade inferior a 38%. Aos sete dias, o lufenuron (T3) não apresentou seletividade para os parasitoides, causando 100% de mortalidade, enquanto os tratamentos T1 (fipronil), T2 (alfacipermetrina) e T4 (imidacloprida) foram seletivos. O paration metil (T5), que foi seletivo no primeiro dia após a aplicação, apresentou-se moderadamente tóxico no sétimo dia, reduzindo a população de parasitoides em 68,63%. Na avaliação do 14º dia após aplicação dos inseticidas, todos os tratamentos apresentaram seletividade para o complexo de parasitoides em estudo, com mortalidade inferior a 22%. De modo geral, verificou-se redução bastante acentuada da população de parasitoides após a aplicação dos inseticidas, inclusive na testemunha. Pode-se levantar a hipótese de que devido à alta capacidade de dispersão destes insetos, o tamanho da parcela tenha sido menor do que o desejável para esse tipo de estudo, ocorrendo dispersão entre parcelas não tratadas (total de quatro) e tratadas (total de 20), o que levaria, então, à mortalidade dos indivíduos, independentemente dos tratamentos. Estes dados indicam a necessidade de estudos sobre o tamanho da parcela adequada para pesquisa sobre seletividade de parasitoides em campo, dificultando a obtenção de conclusões no presente trabalho sobre a seletividade dos produtos aos parasitoides.

Tabela 7 Porcentagem (%) de redução das populações de himenópteros parasitoides na cultura do algodão coletados no 1º, 7º e 14º dias após a aplicação (DAA) de inseticidas. Malhada (BA), 2011. 

Tratamentos 1º DAA
(%)
7º DAA
(%)
14º DAA
(%)
T1 - Fipronil 21,95N 47,97N 21,95N
T2 - Alfacipermetrina 0,00N 26,44N 0,00N
T3 - Lufenuron 0,00N 100,00T 0,00N
T4 - Imidacloprid 0,00N 0,00N 0,00N
T5 - Paration Metil 37,25N 68,63M 13,13N

Eficiência determinada segundo Henderson

Tilton (1955). Classificação da seletividade segundo escala de Boller et al. (2005), onde

N: inócuo ou levemente tóxico

M: moderadamente tóxico

T: tóxico

Comunidade de himenópteros parasitoides

Foram coletadas 322 espécimes, distribuídas em 18 famílias (Tabela 8), número bem próximo àquele encontrado por PERIOTO et al. (2002), de 22 famílias, em cultivo de algodão no município de Ribeirão Preto (SP). Destacaram-se as famílias Figitidae (20,81%), Scelionidae (18,95%), Ichneumonidae (10,25%) e Eulophidae (8,70) como as mais frequentes, totalizando 58,71% do total (Tabela 6). Dos 322 indivíduos, 205 foram coletados na avaliação prévia, respondendo por 64,0%; 22 indivíduos, no primeiro dia após a aplicação, correspondendo a 7%; e 11 individuos, ou 3,5%, no sétimo dia. No 14º dia foram coletados 84 indivíduos, respondendo por 26% do total.

Tabela 8 Número e porcentagem (%) de himenópteros parasitoides coletados em armadilha Moericke, na cultura do algodão, em função da família e épocas de avaliação. Malhada (BA), 2011. 

Família Prévia
(Nº)
1º DAA
(Nº)
7º  DAA
(Nº)
14º DAA
(Nº)
Total
(Nº)
  %
Bethylidae 4 0 0  0  4 1,24
Braconidae 9 1 0  2 12 3,73
Ceraphronidae 7 2 1      12 22 6,83
Chalcididae     15 0 0  0 15 4,66
Diapriidae 7 4 0  3      14 4,35
Encyrtidae 3 0 0  6  9 2,80
Eulophidae     17 3 2  6      28 8,70
Eurytomidae 1 1 0  0  2 0,62
Evanniidae 0 0 2  0  2 0,62
Figitidae     53 5 0  9 67   20,81
Ichneumonidae     26 3 2  2      33 10,25
Megaspilidae 1 0 0  1  2 0,62
Mymaridae     13 2 2  8      25 7,76
Platygastridae 3 0 0  1  4 1,24
Pteromalidae 2 0 0  3  5 1,55
Scelionidae     38 0 2      21 61 18,95
Signiphoridae 1 0 0  0   1 0,31
Trichogrammatidae 5 1 0      10  16 4,97
TOTAL 205 22 11      84 322 100
%  63,66   6,83   3,42 26,09 100
Total de Famílias       17        9        6      13      18

Observou-se redução bastante acentuada das populações dos parasitoides após as aplicações dos inseticidas, com sinais de recuperação ao 14º dia. PERIOTO et al. (2002) estudaram a diversidade de himenópteros parasitoides na cultura do algodão, no município de Ribeirão Preto (SP), e também, observaram que, após a aplicação de inseticidas na área, ocorreu uma drástica redução de himenópteros parasitoides, apresentando sinais de recuperação de suas populações na amostragem realizada oito dias após a aplicação dos tratamentos. As famílias Bethylidae, Chalcididae e Signiphoridae desapareceram após a aplicação dos produtos, enquanto representantes de Eurytomidae não foram coletados a partir do sétimo dia após a aplicação. Famílias de grande importância para o controle biológico das pragas do algodoeiro foram encontradas na área experimental, como Braconidae, Icheneumonidae, Eulophidae, Figitidae e Pteromalidae, o que corrobora citações de GRAVENA; CUNHA (1991), FERNANDES et al., (1999) e EVANGELISTA JÚNIOR et al., (2006) que também relataram a ocorrência de espécies dessas famílias atuando como inimigos naturais de pragas dessa cultura.

CONCLUSÕES

A toxicidade dos produtos varia em função do grupo de inimigo natural. A Imidacloprida é seletiva às aranhas, sendo os demais inseticidas medianamente tóxicos (alfacipermetrina e paration metil: 1º e 14º DAA; lufenuron: 14º DAA) ou tóxicos (fipronil e alfacipermetrina: 7º DAA). O fipronil (1º DAA), a alfacipermetrina (7º DAA) e o paration metil (14º DAA) são medianamente tóxicos aos adultos de joaninhas.

Nenhum inseticida estudado é seletivo às larvas de joaninhas, sendo os maiores impactos ocasionados até os sete dias após a aplicação, com exceção do paration metil, classificado como inócuo até esse período. Registra-se a ocorrência de 13 famílias de aranhas em agroecossistema de algodão na região de Malhada (BA), sendo Thomisidae e Aranaeidae as mais abundantes. Registra-se a ocorrência de 18 famílias de himenópteros parasitoides em agroecossistema de algodão na região de Malhada (BA), sendo Figitidae, Scelionidae, Ichneumonidae e Eulophidae as mais frequentes.

AGRADECIMENTOS

Aos biólogos, Profa. Isabela Maria Piovesan Rinaldi, Douglas Donizeti de Souza e Juliana de Oliveira Pacchi do Instituto de Biociências da Unesp-Campus de Botucatu, SP, pela identificação das aranhas.

REFERÊNCIAS

ALVES, A.P.; SERIKAWA, R,H. Controle químico de pragas do algodoeiro. Revista Brasileira de Oleaginosas e Fibrosas, Campina Grande, v.10, n.3, p.1197-1209, 2006. [ Links ]

AQUINO, A.M.; CORREIA, M.E.F.; AGUIAR-MENEZES, E.L. Aranhas em agroecossistemas. Seropédica: Embrapa Agrobiologia, (Documentos 230 / Embrapa Agrobiologia) , 2007. 16p. [ Links ]

BOARETTO, M.A.C.; FORTI, L.C. Perspectivas no controle de formigas cortadeiras. Série Técnica IPEF, Botucatu, SP, v.11, n.30, p.31-46, 1997. [ Links ]

BOLLER, E.F.; VOGT, H.; TERNES, P.; MALAVOLTA, C. Working document on selectivity of pesticides. International Organization for Biological and Integrated Control of Noxious Animals and Plants. Disponível em: <http://www.iobc.ch/2005/Working%Document%20Pesticides_Explanations.pdf. Acesso em: 6 abr. 2011. [ Links ]

BUSOLI, A.C. Práticas culturais, regulador de crescimento, controle químico e feromônio no manejo integrado de pragas do algodão. p. 29-52. In: DEGRANDE, P.E. O bicudo do algodoeiro. Campo Grande: UFMS, 1991. 141p. [ Links ]

BUSOLI, A.C.; SILVA, E.A.; PESSOA, R.; NAIS, J.; ARAÚJO, C.R. Parasitismo natural de lagartas de Trichoplusia ni em algodoeiro no centro Oeste do Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, VI, 2007, Uberlândia, MG. Resumos. Uberlândia: 2007. p.1-4. [ Links ]

CAMPOS, A.R.; GRAVENA, S.; BERTOZO, R.; BARBIERI, J. Artrópodes predadores na cultura algodoeira e comparação de métodos de amostragem. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, Porto Alegre, v.15, p.5-20, 1986. [ Links ]

COSTA, L.L; MARTINS, I.C.F.; BUSOLI, A.C.; CIVIDANES, F.J. Diversidade e abundância de artrópodes predadores associados a diferentes cultivares de algodoeiro. Pesquisa Agropecuária Tropica, Goiânia, v.40, n.4, p.483-490, 2010. [ Links ]

COUTINHO, C.F.B.; TANIMOTO, S.T.; GALLI, A.; GARBELLINI, G.; TAKAYAMA, M.; AMARAL, R.B..; MAZO, L.H.; AVACA, L.A.; MACHADO, S.A.S. Pesticidas: mecanismo de ação, degradação e toxidez. Pesticidas: Revista de Ecotoxicologia e Meio Ambiente, Curitiba, v.15, p.65-72, 2005. [ Links ]

CROCOMO, W.B. (ed). Manejo integrado de pragas. Botucatu: Editora Universidade Estadual Paulista, 1990. 358p. [ Links ]

CZEPAK, C.; ALBERNAZ, K.C.; VIVIAN, L.M.; GUIMARÃES, H.O.; CARVALHAIS, T. Primeiro registro de ocorrência de Helicoverpa armigera (Hübner) (Lepidoptera: Noctuidae) no Brasil. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v.43, n.1, p.110-113, 2013. [ Links ]

CZEPAK, C.; FERNANDES, P.M.; ALBERNAZ, K.C.; RODRIGUES, O.D.; SILVA, L.M.; SILVA, E.A.; TAKATSUKA, F.S.; BORGES, J.D. Seletividade de inseticidas ao complexo de inimigos naturais na cultura do algodão (Gossypium hirsutum L.) . Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v.35, n.2, p.123-127, 2005. [ Links ]

DEGRANDE, P.E.; OLIVEIRA, M.A.; RIBEIRO, J.F.; BARROS, R.; NOGUEIRA, R.F.; RODRIGUES, A.L.L.; FERNANDES, M.G. Avaliação de métodos para quantificar predadores de pragas do algodoeiro. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.70, n.3, p.291-294, 2003. [ Links ]

DEGRANDE, P.E. Manejo integrado de pragas do algodoeiro. In: EMBRAPA. Centro de Pesquisa Agropecuária do Oeste (Dourados-MS). Algodão: Informações técnicas. Dourados: EMBRAPA-CPAO; Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, 1998. 267p. (Circular Técnica 7). p.154-191. [ Links ]

EVANGELISTA JÚNIOR, W.S.; ZANUNCIO JÚNIOR, J.S.; ZANUNCIO, J.C. Controle biológico de artrópodes do algodoeiro com predadores e parasitóides. Revista Brasileira de Oleaginosas e Fibrosas, Campina Grande, v.10, n.3, p.1147-1165, 2006. [ Links ]

FERNANDES M.G.; BUSOLI, A.C.; DEGRANDE, P.E. Parasitismo Natural de Ovos de Alabama argillacea Hüb. e Heliothisvirescens Fab. (Lep.: Noctuidae) por Trichogramma pretiosum Riley (Hym.: Trichogrammatidae) em Algodoeiros no Mato Grosso do Sul. Anais Sociedade Entomológica do Brasil, Porto Alegre,v.28, n.4, p.695-701, 1999. [ Links ]

FONSECA, P.R.B.; NOGUEIRA, F.R.; LOPES, J.; FERNANDES, M.G.; DEGRANDE, P.E. Impacto de aplicação de Lambdacialotrina sobre inimigos naturais de pragas de algodoeiro e período de recolonização de predadores. Revista Brasileira de Agrociência, Pelotas, v.13, n.3, p.409-412, 2007. [ Links ]

FONSECA, P.R.B. da; BERTONCELLO, T.F.; RIBEIRO, J.F.; FERNANDES, M.G.; DEGRANDE, P.E. Seletividade de inseticidas aos inimigos naturais ocorrentes sobre o solo cultivado com algodoeiro. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v.38, n.4, p.304-309, 2008. [ Links ]

GRAVENA, S.; CUNHA, H.F. Artrópodos predadores na cultura algodoeira. Jaboticabal: FUNEP, 1991. 41p. [ Links ]

GUNASEKARA, A.S.; TROUNG, T. Environmental fate of fipronil. California Environmental Protection Agency Sacramento, 2007. 28p. [ Links ]

HENDERSON, C.F.; TILTON, E.W. Tests with acaricides against the brown wheat mite. Journal Economic Entomology, v.48, n.2, p.157-161, 1955. [ Links ]

LIMA JUNIOR, I.S.; NOGUEIRA, R.F.; BERTONCELLO, T.F.; MELO, E.P.; SUEKANE, R.; DEGRANDE, P.E. Seletividade de inseticidas sobre o complexo de predadores das pragas do algodoeiro. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v.40, n.3, p.347-353, 2010. [ Links ]

MICHEREFF FILHO, M.; DELLA LUCIA, T.M.C.; CRUZ, I.; GALVÃO, J.C.C.; VEIGA, C.E. Impacto de deltametrina em artrópodes-pragas e predadores na cultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v.1, n.1, p.25-32, 2002. [ Links ]

MONTEIRO, A.F.M. Diversidade de Formigas (Hymenoptera: Formicidae) em Sistemas de Cultivo de Algodoeiro no Distrito Federal. 2008. 86f. Dissertação (Mestrado em Ecologia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008. [ Links ]

NUNES, J.C.S.; SILVA, A.L.; VELOSO, V.R.S.; SANTOS, S.V.; SANTOS, S.P.. Seletividade de inseticidas aos predadores das pragas do algodoeiro. Pesquisa agropecuária tropical, v.29, n.1, p.71-75, 1999. [ Links ]

OLIVEIRA, J.V.; FREITAS, T.F.S.; FIUZA, L.M.; MENEZES, V.G.; FRITZ, L.L.; ANDREIS, T.F. Estudo da seletividade de inseticidas na população de aranhas em arroz irrigado. Disponível em: http://www.irga.rs.gov.br/uploads/anexos/4.4.4-estudo.pdf. Acesso em: 8 jun. 2011. [ Links ]

PERIOTO, N.W.; LARA, R.I.R.; SANTOS, J.C.C.; SELEGATTO, A. Seletividade de alguns inseticidas utilizados na cultura do algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) a himenópteros (Insecta, Hymenoptera) . Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.68, 2001. (suplemento). [ Links ]

PERIOTO, N.W.; LARA, R.I.R.; SANTOS, J.C.C.; SELEGATTO, A. Himenópteros parasitóides (Insecta, Himenóptera) coletados em cultura de algodão (Gossypium hirsutum L.) (Malvácea) no município de Ribeirão Preto, SP, Brasil. Revista Brasileira de Entomologia , v.46, n.2, p.165-168, 2002. [ Links ]

REETZ, E.R.; KIST, B.B.; SANTOS, C.E.; CARVALHO, C.; POLL, H. Anuário Brasileiro do Algodão 2013. Santa Cruz do Sul: Editora Gazeta, Santa Cruz, 2013. 144p. [ Links ]

RINALDI, I.M.P.; FORTI, L.C. Hunting spiders of woodland fragments and agricultural habitats in the atlantic rain forest region Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment, v.32, p.244-255, 1997. [ Links ]

RINALDI, I.M.P.; TRINCA, L.A. Spider assemblages in widely-separate patches of cerrado in São Paulo State, Brazil. Acta Biologica Paranaense, Curitiba, v.37, n.3,4, p.165-180, 2008. [ Links ]

RINALDI, I.M.P.; MENDES, B.P.; CADY, A.B. Distribuition and importance of spiders inhabiting a Brazilian sugar cane plantation,, Revista Brasileira Zoologia, v.19, p.271-279, 2002. Suplemento 1. [ Links ]

RINALDI, I.M.P.; RUIZ, G.R.S. Comunidade de aranhas (Araneae) em cultivos de seringueira (Hevea brasiliensis Muell. Arg.) no Estado de São Paulo. Revista Brasileira de Zoologia, v.19, v.3, p.781-788. 2002. [ Links ]

SILVA, C.A.D.; ALMEIDA, R.P. Manejo integrado de pragas do algodoeiro no Brasil. Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, 1998, circular técnica 27, 65p . [ Links ]

SOARES, J.J.; BUSOLI, A.C. Efeito de inseticidas em insetos predadores em culturas de algodão. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.35, n.9. p.1889-1894, 2000. [ Links ]

SUEKANE, R.; DEGRANDE, P.E.; LIMA JUNIOR, I.S.; KODAMA, C.; KODAMA, E. Seletividade de acaricidas aos predadores Scymnus SP. (Coleoptera: Coccinelidae) e Araneae (Arachnida) em algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) sob condições de campo. Pesticidas: Revista de Ecotoxicologia e Meio Ambiente, Curitiba, v.21, p.25-38, 2011. [ Links ]

Recebido: 07 de Dezembro de 2011; Aceito: 06 de Janeiro de 2014

* Autor correspondente: castellani.uesb@gmail.com

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.