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Arquivos do Instituto Biológico

On-line version ISSN 1808-1657

Arq. Inst. Biol. vol.81 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2014

https://doi.org/10.1590/1808-1657000172013 

Scientific Article

Ação repelente, inseticida e fagoinibidora de extratos de pimenta dedo-de-moça sobre o gorgulho do milho

Pepper extracts as a repellent, insecticide and anti-feeding activity on the maize weevil

Sabrina Santos Guimarães 1  

Michele Potrich 1   * 

Everton Ricardi Lozano da Silva 1  

Jônatas Wolf 1  

Carla Samanta Pegorini 1  

Thiego Matheus de Oliveira 1  

1Laboratório de Controle Biológico, Coordenação de Ciências Biológicas, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFP) – Dois Vizinhos (PR), Brasil


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito repelente, inseticida e fagoinibidor de extratos de pimenta dedo-de-moça Capsicum baccatum (Willd.) Eshb. (Solanaceae) sobre o gorgulho do milho Sitophillus zeamais (Coleoptera: Curculionidae). O efeito repelente/atraente foi avaliado utilizando quatro arenas/repetições, nas quais foram adicionados os extratos vegetais nas concentrações 0; 2,5; 5; 10 e 20% e 140 insetos e, após 24 horas, efetuou-se a contagem de insetos. Para a atividade inseticida, em recipientes plásticos, aplicou-se 1 mL do extrato nas mesmas concentrações já descritas sobre insetos adultos e, após agitação de 10 segundos, foram transferidos para placas de Petri, utilizando 4 repetições, com 20 insetos cada. A mortalidade foi avaliada diariamente durante 10 dias. Para o teste de fagoinibição, os insetos avaliados na atividade inseticida foram pesados em balança analítica, sendo utilizados quatro insetos de cada repetição. Verificaram-se que os extratos aquosos de sementes de pimenta apresentaram atividade repelente na concentração de 20% e apresentaram atividade inseticida independente da concentração. Efeito correlato foi obtido com extratos alcoólicos de frutos, que apresentaram atividade inseticida e fagoinibidora na concentração de 20%. A utilização de extratos vegetais de pimenta dedo-de-moça constitui alternativa de controle sobre o gorgulho do milho.

Palavras-Chave: Sitophilus zeamais ; Capsicum baccatum ; controle alternativo; extratos botânicos

ABSTRACT

The objective of this study was to evaluate thee repellent, insecticide and anti-feeding effect of red pepper Capsicum baccatum (Willd.) Eshb. (Solanaceae) extracts on the maize weevil Sitophillus zeamais (Coleoptera: Curculionidae). The determination of the repellent effect of plant extracts was assessed using four arenas/replicates in which the extracts were added at concentrations of 0, 2.5, 5, 10 and 20% and 140 insects; and 24 hours after, we performed the counting of insects. For the insecticidal activity, in plastic containers, 1 mL of the extract was applied, at the concentrations previously mentioned, on adult insects; and after stirring for 10 seconds they were transferred to Petri dishes, using four replicates of 20 insects each. Assessment of mortality was performed daily for ten days. To test the anti-feeding activity, insects evaluated for insecticidal activity were weighed on an analytical balance, four insects per replicate. It was found that the aqueous extracts of seeds of pepper had repellent activity at a concentration of 20%; and the insecticide activity was independent of concentration. The correlative effect was obtained with fruit alcoholic extracts, which showed insecticidal and anti-feeding activity at a concentration of 20%. The use of red pepper plant extracts could be an alternative to control the maize weevil.

Key words: Sitophilus zeamais ; Capsicum baccatum ; alternative control; botanical extracts

INTRODUÇÃO

O Brasil destaca-se internacionalmente na produção de grãos e frutas, sendo que no ano de 2010 foi o segundo maior produtor de feijão e de soja, terceiro de milho e nono de arroz irrigado (FAO, 2012). Esses dados denotam a importância desses produtos na pauta agrícola, tanto para consumo humano quanto para a produção animal.

Entretanto, esses produtos são deterioráveis e necessitam armazenamento que, no entanto, não elimina a possibilidade da deterioração, tanto que, durante esse período, muitos agentes podem auxiliar nesse processo, como micro-organismos, insetos, ácaros, roedores, pássaros e atividades metabólicas da própria semente (Cruz etal, 2008). Dependendo da espécie e das condições de armazenamento, estima-se que a perda fique entre 10 e 40% do total armazenado (FAO, 2012).

Entre as pragas relacionadas ao armazenamento de grãos destaca-se o gorgulho do milho Sitophilus zeamais Mots. (Coleoptera: Curculionidae) como uma das mais importantes (Almeida et al., 1999; Lorini, 2002), porém, esse mesmo inseto vem ganhando destaque pelos danos ocasionados às frutíferas (em alguns casos chegando ao status de praga primária) (Botton et al., 2005a, 2005b). Essa espécie apresenta infestação cruzada, que é a capacidade de infestar os grãos tanto no campo quanto no armazenamento e no produto beneficiado. Somam-se a isso o elevado potencial de multiplicação e a grande quantidade de plantas hospedeiras, como milho, arroz, trigo, cevada, triticale (Lorini, 2002), maçã, uva, pêssego, entre outras.

Nesse atinente, o controle desse inseto, considerado praga, ou sua repelência, é ainda uma preocupação, pois em sua maioria, e cada vez mais, esses procedimentos são realizados utilizando produtos fitossanitários sintéticos, aplicados diretamente nos produtos consumidos in natura, como nos frutos, ou destinados ao consumo humano e animal, além de estarem relacionados a uma gama de impactos ambientais. Dados os problemas que esses produtos causam para o ambiente, bem como para a saúde humana, investigações e estratégias recentes para o controle de pragas estão sendo pesquisadas, em especial com o uso de extratos de plantas, um dos métodos mais sustentáveis e adequados aos objetivos de minimização de impactos (Salvadores et al., 2007; Parugrug; Roxas, 2008; Castillo-Sanchez et al., 2010; Lima-Mendonça et al., 2013; Fernandes; Favero, 2014). Ademais, há evidências de resistência à utilização de inseticidas sintéticos no controle dessa praga (Santos et al., 2009).

A utilização de métodos de controle biológico ou de métodos de controle alternativo contempla, nesse sentido, a cobrança exercida pela sociedade por alternativas que viabilizem práticas agrícolas sem impactos negativos sobre a saúde humana, ambiente e recursos naturais. Além desses métodos apresentarem seletividade e baixa toxicidade quando comparados ao controle químico, podem apresentar efeito repelente, quimioesterilizante, fagoinibidor e inseticida, podendo a aplicação ser na forma de pó, extrato ou óleo (Pedotti-Striquer et al., 2006).

Os extratos vegetais são utilizados em práticas agrícolas alternativas, devido à diversidade de compostos encontrados nas plantas, que são facilmente dispersos em meio líquido. Como em todos os vegetais, nas plantas do gênero Capsicum também são encontradas substâncias com atividade inseticida e de repelência, tais como alcaloides, flavonoides, cumarinas, saponinas e óleos essenciais, provenientes do metabolismo secundário (Luz, 2007).

Nesse sentido, estudos com extratos vegetais para o controle de S. zeamais tornam-se promissores, pois, além de serem naturais ao ambiente, são menos tóxicos e com decomposição mais rápida. Ainda, são economicamente viáveis e sustentáveis, pois o agricultor normalmente tem esses vegetais na sua comunidade, podendo desenvolver o extrato em sua propriedade. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito repelente, inseticida e fagoinibidor de extratos de pimenta dedo-de-moça Capsicum baccatum (Willd.) Eshb. (Solanaceae) sobre o gorgulho do milho S. zeamais, alimentados com grãos de arroz.

MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram realizados em laboratório no qual foram empregadas técnicas de avaliação de resposta de S. zeamais quando exposto a extratos vegetais com possível atividade inseticida e/ou repelente. Para a composição dos extratos foram utilizados frutos de C. baccatum coletados em dezembro de 2010, no período da manhã, na horta da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Dois Vizinhos.

Preparo dos extratos de C. baccatum

Os extratos derivados de Solanáceas, como C. baccatum, têm sido obtidos por vários métodos, utilizando substâncias como água (Bastos et al., 2008) e álcool etílico (Madhumathy et al., 2007). No que concerne à preparação, os extratos foram obtidos por meio de maceração aquosa e alcoólica de fruto inteiro, polpa e sementes de C. baccatum, em 5 concentrações (0; 2,5; 5; 10 e 20%). Foram triturados em liquidificador 100 g do material vegetal (fruto, polpa ou semente), adicionados 500 mL de água destilada fria ou álcool 92,8% (comercializado em supermercados), aproximando-se das condições encontradas nas propriedades rurais e de como esses extratos poderiam ser preparados.

As soluções permaneceram em repouso, na ausência de luz e sob refrigeração por 24 horas. Posteriormente, as soluções foram filtradas, evaporadas e ressuspensas (quando para extratos alcoólicos), sendo armazenadas em recipientes fechados, mantidos sob refrigeração e ao abrigo da luz, até serem utilizadas. Essa solução primária correspondeu ao extrato bruto com concentração de 20%. A partir dessa solução foram elaboradas as demais concentrações dos extratos (10; 5 e 2,5%). Como testemunha foi utilizada água destilada esterilizada.

Criação de S. zeamais

Os insetos foram criados em arroz, acondicionados em recipientes de vidro fechados com tecido tipo voil à temperatura de 26 ± 3°C, umidade relativa (UR) de 40 ± 10% e fotofase de 12 horas. A cada 15 dias foram efetuados procedimentos de rotina, descartando-se os insetos mortos e separando-se o arroz com as respectivas oviposições. Na sequência, os recipientes foram novamente estocados até a emergência da geração F1 (adaptado de Potrich et al., 2010).

Teste de atratividade/repelência

Foi determinado avaliando a atratividade e/ou repelência do inseto pelo extrato aplicado. Para isso, foram usadas arenas, confeccionadas com recipientes plásticos circulares (30 cm de diâmetro), contendo uma lâmina de isopor encaixada a 5 cm do fundo do recipiente, com uma marca central (base para liberação dos insetos) (adaptado de Potrich et al., 2010).

Em cada arena foram dispostos 7 frascos plásticos (5 cm de altura por 3,5 cm de diâmetro), um para cada tratamento (testemunha, semente de C. baccatum aquoso, semente de C. baccatum alcoólico, polpa de C. baccatum aquoso, polpa de C. baccatum alcoólico, fruto de C. baccatum aquoso e fruto de C. baccatum alcoólico) dentro da concentração, todos equidistantes. Cada frasco recebeu 10 g de arroz pulverizado com 1 mL do extrato vegetal a ser testado, sendo a testemunha pulverizada com água destilada esterilizada. Foram avaliados os extratos aquoso e alcoólico de C. baccatum nas concentrações de 2,5 e 20%, sendo que cada concentração compôs uma arena. No centro da arena foram liberados 140 insetos, sendo as arenas vedadas com tecido voil e fita adesiva, para evitar a fuga dos insetos. As arenas foram mantidas em câmara climatizada à temperatura de 26 ± 3°C, fotofase 12 horas e UR de 70 ± 10%. Após 24 horas, o número de insetos em cada um dos recipientes foi quantificado. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições, sendo cada arena considerada uma repetição.

Teste de atividade inseticida e fagoinibidora

Os insetos foram colocados em frascos plásticos e acrescidos de 1 mL de cada concentração dos extratos. Cada frasco foi agitado durante 20 segundos e, posteriormente, os insetos foram transferidos para uma placa de Petri, contendo papel filtro ao fundo e 2 g de arroz. As placas contendo os insetos foram mantidas em câmara climatizada à temperatura de 26 ± 3°C, fotofase 12 horas e UR de 70 ± 10%. Foram preparadas 4 repetições para cada tratamento, com 20 insetos adultos cada, em delineamento inteiramente casualizado. A testemunha consistiu da aplicação de água destilada esterilizada. A avaliação de mortalidade foi realizada diariamente durante o período de dez dias (adaptado de Potrich et al., 2010).

Os insetos do teste de atividade inseticida foram utilizados para o teste de atividade de fagoinibição. Para isso, quatro insetos de cada repetição foram pesados em balança analítica, nos dois últimos dias do experimento de atividade inseticida. Esse procedimento justifica-se na investigação de possíveis alterações no peso dos insetos, o que seria consequência do efeito do extrato sobre a alimentação deles (adaptado de Guzzo et al., 2002; Marsaro júnior et al., 2005).

Em todos os experimentos, os dados foram submetidos à análise de variância (teste F) e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade, com auxílio do programa estatístico Sisvar® 5.3 (Ferreira, 2010).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Teste de atratividade/repelência

Na concentração de 20%, os extratos aquosos de semente, polpa e fruto não diferiram significativamente da testemunha, porém apresentaram as menores porcentagens médias de atratividade, sendo 6,0; 6,3 e 6,5%, respectivamente, caracterizando repelência. O extrato alcoólico da polpa, nessa mesma concentração, apresentou atratividade para adultos de S. zeamais, sendo observada porcentagem média de 34,6% insetos (Tabela 1).

Tabela 1 Porcentagem média de atratividade (± erro padrão) de S. zeamais a extratos de C. baccatum(26 ± 3°C, fotofase 12 horas e umidade relativa de 70 ± 10%). 

Tratamentos Porcentagem média de atratividade
Extrato a 2,5% Extrato a 20%
Testemunha 25,1 ± 11,60a 11,6 ± 0,00bc
Semente de C. baccatum aquoso 15,2 ± 5,93a 6,0 ± 1,25c
Semente C. baccatum alcoólico 10,1 ± 3,43a 15,1 ± 3,99bc
Polpa C. baccatum aquoso 8,8 ±1,89a 6,3 ± 0,63c
Polpa C. baccatum alcoólico 15,6 ± 2,95a 34,6 ± 4,85a
Fruto C. baccatum aquoso 14,3 ± 3,97a 6,5 ± 0,71c
Fruto C. baccatum alcoólico 10,5 ± 3,19a 17,9 ± 2,22b
Coeficiente de variação (%) 40,25 40,25

a, b, cMédias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05).

A repelência de extratos do gênero Capsicum a adultos de S. zeamais foi observada com preparados em pó de Capsicum frutescens (Procópio et al., 2003). Frutos de C. baccatum, na concentração de 792 g/0,75 cm2 foram repelentes a Tetranychus urticae (Trombidiformes: Tetranychidae) (Antonious; Snyder, 2005) e Capsicum annuum em pó, na concentração de 2% foi repelente a S. zeamais (Salvadores et al., 2007). O efeito repelente é atribuído aos compostos ativos alcaloides e capsaicina, presentes nas plantas do gênero Capsicum.

Os extratos de C. baccatum na concentração de 2,5% não diferiram significativamente entre si quanto à repelência à S. zeamais no presente trabalho. Esse fato pode estar relacionado aos componentes aromáticos presentes em C. baccatum, que podem ter confundido os adultos de S. zeamais (Luz, 2007). Nesse âmbito, substâncias extraídas pelo álcool e, por conseguinte, constantes no extrato alcoólico da polpa a 20%, podem ter atuado de forma atrativa aos insetos, não estando presentes nos extratos aquosos ou estando presente em pequenas quantias.

Considerando que o extrato alcoólico a 20% da polpa de C. baccatum atraiu uma grande proporção de insetos, restaram poucos para infestar os demais tratamentos, de forma que eles podem ter escapado à infestação, não apresentando um fator de repelência em si para os demais extratos.

Atividade inseticida

Verificou-se que o extrato de sementes aquoso nas concentrações de 2,5; 5 e 20% provocou mortalidade significativa em adultos de S. zeamais. No entanto, os extratos de polpa e de fruto não provocaram mortalidade significativa, não diferindo da testemunha (Tabela 2). O extrato aquoso de semente não apresentou diferenças na mortalidade provocada entre as concentrações avaliadas, direcionando a observação do efeito inseticida à parte da planta utilizada no extrato (semente) e não à concentração.

Tabela 2 Porcentagem de mortalidade (± erro padrão) de S. Zeamais quando tratados com diferentes extratos de C. baccatum (26 ± 2° C, fotofase 12 horas e umidade relativa de 70 ± 10%). 

Concentração
(%)
Aquoso
Semente Fruto Polpa
0 2,4 ± 1,41Abns 2,4 ± 1,41Abns 2,4 ± 1,41Abns
2,5 37,8 ± 8,04Aa* 5,2 ± 2,15Ba* 11,3 ± 5,15Abns
5 32,4 ± 9,05Aa* 10,7 ± 4,55Ba* 13,3 ± 8,52ABa*
10 25,9 ± 15,24Aab* 12,3 ± 1,35Aa* 20,7 ± 8,23Abns
20 33,8 ± 6,88Abns 4,9 ± 3,54Ba* 8,6 ± 1,36Ba*
Coeficiente de variação (%) 45,00
Concentração
(%)
Alcoólico
Semente Fruto Polpa
0 2,4 ± 1,41Ab 2,4 ± 1,41Ab 2,4 ± 1,41Ab
2,5 13,4 ± 4,12Bab 38,9 ± 10,06Aa 18,5 ± 5,97ABab
5 11,0 ± 4,55Bab 60,0 ± 6,46Aa 36,9 ± 7,68Aa
10 3,8 ± 1,25Bb 51,5 ± 2,95Aa 24,2 ± 4,02Aa
20 29,2 ± 7,50Aa 37,5 ± 5,20Aa 35,7 ± 9,16Aa
Coeficiente de variação (%) 45,00

ABMédias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05);

abmédias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05);

*médias seguidas de asterisco diferem entre si dentro do mesmo extrato e concentração, em diferentes métodos de obtenção (aquoso e alcoólico);

nsmédias não diferem entre si dentro do mesmo extrato e concentração, em diferentes métodos de obtenção (aquoso e alcoólico).

O fato dos extratos de sementes no meio aquoso aferirem maior efeito inseticida pode ser atribuído à ocorrência dos componentes principais, responsáveis pelas atividades biológicas atribuídas às pimentas, que são os capsaicinoides (até 1% na matéria seca do fruto), sendo a capsaicina e a dihidrocapsaicina os mais importantes. Os capsaicinoides são produzidos em um tecido interno denominado placenta, ao longo do qual são dispostas as sementes (Luz, 2007), estando, possivelmente, presente nos extratos de sementes.

Comparando-se os extratos aquosos dentro de cada concentração, verificou-se que nas concentrações de 2,5 e 20% o extrato de semente provocou maior mortalidade (37,8 e 33,8%, respectivamente), diferindo significativamente do extrato de fruto (5,2 e 4,9%) e do extrato da polpa (11,3 e 8,6%) (Tabela 2).

Na avaliação dos extratos alcoólicos de C. baccatum observou-se que o extrato de semente provocou mortalidade significativa em adultos de S. zeamais quando aplicado na concentração de 20%, porém, sem diferir das concentrações 2,5 e 5%. O extrato de polpa provocou mortalidade significativa nas concentrações de 5; 10 e 20%, sendo superior na primeira concentração (36,9%). Não obstante, a maior mortalidade foi aferida no extrato alcoólico de frutos 5% (60%), sem diferir, contudo, das demais concentrações.

Na comparação dos extratos alcoólicos dentro de cada concentração, verificou-se que na concentração de 2,5% o extrato de fruto provocou maior mortalidade (38,9%), não diferindo significativamente do extrato de polpa (18,5%). Nas concentrações de 5 e 10% verificaram-se que os extratos de fruto e polpa provocaram os maiores índices de mortalidade de S. zeamais. Entretanto, na concentração de 20% os extratos não diferiram entre si. Esses dados decorrem da possível interação do meio de extração dos princípios ativos (alcoólico) e a parte da planta, sobrepujando os efeitos dos compostos ativos de Capsicum em detrimento do álcool veiculado no extrato. Castillo-Sanchez et al. (2010), ao reportarem o efeito metabólico de extratos vegetais no controle biológico de insetos, salientaram que um solvente que minimize o impacto sobre o inseto deve ser usado para diluir os extratos nos ensaios.

Comparando os métodos de extração (aquoso e alcoólico) de sementes de C. baccatum, observou-se que o extrato aquoso apresentou maior potencial inseticida, sendo sua atividade significativa nas concentrações de 2,5; 5 e 10%. O contrário foi observado quando a parte de C. baccatum utilizada foi o fruto, sendo que a extração alcoólica, nas concentrações de 2,5; 5; 10 e 20% provocaram a maior porcentagem de mortalidade de S. zeamais. O mesmo ocorreu para o extrato alcoólico de polpa nas concentrações de 5 e 20%.

Lale (1992) verificou o efeito inseticida do óleo e do pó de sementes de Piper guineense Schumach & Thonn. (Piperaceae) (Pimenta de-são-tomé), Dennettia tripetalaG. Barker (Anonaceae) e Aframomum melegueta (Roskoe) K. Schum (Zingiberaceae) (pimenta-da-Guiné), em relação a S. zeamais. Efeito inseticida de extratos de frutos de C. frutescens sobre Callosobruchus maculatus (Coleoptera: Chrysomelidae) e Sitophilus orizae foram relatados por Gakuru e Foua (1996). Ainda, efeito inseticida dos frutos de C. frutescens sobre Sitophilus orizae e efeito repelente de macerados de folhas sobre S. zeamais foram observados por Procópio et al. (2003).

Devem-se considerar as divergências encontradas na literatura para os efeitos de extratos de diferentes espécies de Capsicum sobre insetos, pois o teor de capsaicinoides é avaliado pela escala de unidade de calor Scoville (Scoville Heat Unit — SHU), cujos valores variam de 0 a 300 mil SHU (Reifschneider, 2000). A pungência da espécie C. baccatum é baixa, oscilando na escala de 5 a 15 mil SHU e de 5 a 6 na escala de temperatura (Joly, 1998). Tem-se postulado a hipótese para os efeitos discrepantes das espécies de Capsicum.

Os constituintes químicos provenientes do metabolismo secundário de C. baccatum (alcaloides, diterpenoides, flavonoides, compostos fenólicos e saponinas) conferem à planta ação repelente característica. Essas substâncias detêm diferentes graus de polaridade, sendo solúveis em diferentes solventes, o que explica a diferença de concentração de compostos ativos e, consequentemente, de atividade entre os extratos em distintos solventes (aquoso e alcoólico) (Solomons; Fryhle, 2005), bem como pelas metodologias de extração, grau de maturação do fruto e pelas condições ambientais a que a planta foi submetida durante o seu crescimento, tais como temperatura e luminosidade (Iorizzi et al., 2000).

Dentre as substâncias presentes em C. baccatum são encontrados alcaloides e saponinas, que são altamente solúveis em água. De acordo com os resultados obtidos com extratos aquosos de semente a 2,5; 5 e 20%, esses compostos podem estar presentes em maior quantidade nessas concentrações (Luz, 2007). Inferem-se que sejam mais facilmente extraídos quando as sementes estão dispersas na água e, portanto, na ausência da polpa, liberando esses compostos e causando mortalidade significativa nos insetos.

Os compostos fenólicos (incluindo flavonoides) e diterpenoides são mais solúveis em álcool e encontram-se em abundância nos frutos, conferindo-lhes a sensação caústica e sabor picante, sendo assim facilmente extraídos, justificando a atividade inseticida do fruto e da polpa (SIMÕES et al., 2004; Oliveira; Akisue, 2005; Luz, 2007; Solomons; Fryhle, 2005).

Atividade fagoinibidora

Entre os insetos que se alimentaram de arroz tratado com o extrato aquoso, o melhor resultado foi obtido com o fruto de C. baccatum na concentração de 10%, em que os insetos apresentaram o menor peso (0,0050 g), quando comparados aos insetos alimentados com os demais tratamentos contendo extratos aquosos nessa mesma concentração. Para o extrato alcoólico, o melhor resultado também foi obtido com o extrato do fruto de C. baccatum, porém, na concentração de 20%, em que os insetos apresentaram peso de 0,0031 g, diferindo significativamente das demais concentrações. Para os demais tratamentos (extratos aquosos e alcoólicos de semente e polpa) não houve diferença significativa na atividade fagoinibidora, comparando-se às respectivas testemunhas (Tabela 3).

Tabela 3 Peso médio, em gramas, (± erro padrão) de adultos de S. zeamais alimentados com arroz tratado com diferentes extratos de C. baccatum

Concentração
(%)
Aquoso
Semente Fruto Polpa
0 0,0071 ± 0,0005Aa 0,0071 ± 0,0005Aa 0,0071 ± 0,0005Aa
2,5 0,0068 ± 0,0004Aa 0,0073 ± 0,0004Aa 0,0074 ± 0,0004Aa
5 0,0078 ± 0,0002Aa 0,0071 ± 0,0008Aa 0,0068 ± 0,0006Aa
10 0,0069 ± 0,0005Aa 0,0050 ± 0,0008Ba 0,0072 ± 0,0003Aa
20 0,0071 ± 0,0005Aa 0,0057 ± 0,0010Aa* 0,0074 ± 0,0003Aa
Coeficiente de variação (%) 17,99
Concentração
(%)
Alcoólico
Semente Fruto Polpa
0 0,0071 ± 0,0005Aa 0,0071 ± 0,0005Aa 0,0071 ± 0,0005Aa
2,5 0,0074 ± 0,0002Aa 0,0058 ± 0,0013Aa 0,0073 ± 0,0003Aa
5 0,0068 ± 0,0004Aa 0,0064 ± 0,0004Aa 0,0078 ± 0,0002Aa
10 0,0065 ± 0,0008Aa 0,0064 ± 0,0017Aa 0,0081 ± 0,0003Aa
20 0,0072 ± 0,0004Aa 0,0031 ± 0,0002Bb 0,0076 ± 0,0004Aa
Coeficiente de variação (%) 17,99

ABMédias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05);

abmédias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05);

*médias seguidas de asterisco diferem entre si dentro do mesmo extrato e concentração.

Atribui-se a diminuição de peso dos insetos ao efeito fagoinibidor desencadeado pelo extrato, acreditando-se que essa atividade seja consequência dos constituintes da C. baccatum, como a capsaicina, presente em abundância nas plantas do gênero Capsicum (Silva et al., 2009), e que pode ter inibido a capacidade sensorial de S. zeamais, reduzindo sua alimentação e peso.

Desse modo, os frutos do gênero Capsicum são as partes normalmente utilizadas na tentativa de obtenção do efeito fagoinibidor para insetos, efeitos atribuídos à presença de capsaicinoides, no entanto, verificam-se que propriedades diferentes são atribuídas à cada parte dessa espécie vegetal.

CONCLUSÃO

Os extratos aquosos de sementes de pimenta dedo-de-moça apresentam atividade repelente sobre o gorgulho do milho, fator importante para utilização em propriedades rurais, especialmente na fruticultura. Frutos de pimenta dedo-de-moça possuem atividade inseticida tanto na forma de extratos alcoólicos quanto de extratos aquosos. O gorgulho do milho apresentou inibição da atividade alimentar quando exposto aos extratos aquoso e alcoólico de frutos de pimenta dedo-de-moça, nas concentrações de 10 e 20%, respectivamente. Testes de cromatografia para a identificação dos compostos químicos são necessários, bem como testes destes produtos em semicampo e diretamente em frutos.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 13 de Fevereiro de 2013; Aceito: 30 de Setembro de 2014

* Autor correspondente: michelepotrich@utfpr.edu.br

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